Hoje eu resolvi falar merda, no mal sentido da palavra. Sabe por quê?
Por dois motivos. Um, parece fácil, mas não é. E depois, sempre quem se coloca contra os outros, ao invés de combater a merda, com alguma idéia original, só faz criticar e não apresenta merda alguma.
É como peido que não é nada concreto. No máximo, uma suposição que há alguma merda no ambiente.
E a merda, o que é. A síntese de tudo que se passou dentro de nós, de 24 horas, até semanas, depende de cada organismo.
E tem gente que se apresenta como se nunca fizesse merda. É um ser asséptico, até a alma. Não faz merda, nem peida, ao menos. Está acima das necessidades básicas humanas.
MERDA ESCONDIDA NAS ARTES
Certa vez, quando ainda estudante universitário, estávamos organizando um dos festivais de música. Reunião para cá, reunião para lá e ficou acertado que a pauta da próxima reunião, seria sobre a abertura. O show de abertura.
Ingênuo como sempre, pensei que alguém mais, fosse levar alguma idéia. No dia marcado, lá estávamos nós reunidos. Sabe quantas propostas de abertura? 8. Sabe quantas pessoas apresentaram propostas? 1. Sabe quantos representantes dos estudantes, das entidades das artes, de uma série de entidades? Várias.
A discussão começou a ficar acirrada, com críticas profundas, contra as idéias apresentadas. Tudo bem. Sempre fui democrático, mas odeio o “democratismo”. Debate até certo ponto, mas demagogia, como se isso fosse uma da vertentes da Democracia, só para fazer média, aí já é muito, para mim.
Há um advogado que se diz escritor, produtor de teatro, novelista, que se acha sempre num patamar acima dos semideuses, mas na verdade, dedo-duro no tempo da repressão e grande polemizador, sem grandes propostas a não ser o escândalo, nos dias de hoje, causando até transtornos dentro do PT, quando quis expulsar o escritor de verdade e conhecido, Marcio Sousa, um dos fundadores do partido. E como forma de aparecer através da polêmica, mais recentemente, teve uma nota de repúdio de quase todos os intelectuais de verdade do Amazonas, por ter falado inverdades contra dois membros da Academia Amazonense de Letras e professores da Universidade Federal do Amazonas que eu conheço, há bastante tempo e sei da integridade dos dois, mesmo por que, um sempre participou da escolha e do júri dos festivais e o mais novo, fazia parte de uns jovens da Betânia, um bairro considerado de classe-baixa, em Manaus que tinham propostas de teatro, artes plásticas e a direção da União da Juventude Socialista - UJS, tratou de convidá-los, para fazerem parte. E por coincidência, um dos responsáveis pela UJS regional e pelo pessoal da Betânia, era exatamente eu; que naquele tempo, era mais um aluno de Direito, mas quando entrou no mesmo partido que eu participava, queria ser tratado com certa deferência, pois segundo ele, como presenciei, quando puxou um outro companheiro para o lado, para falar o que achava, pertenciam a uma classe mais elevada do que “aquele pessoal ali”. Não deve ter entendido nada da proposta do partido. Mas ele sempre foi afeito a regalias. Qualquer enfrentamento com as forças da repressão, jogava a bandeira fora e procurava um lugar para se esconder da confusão. Talvez por ser afilhado de batismo de um governador que mais mandou bater em estudante, em quem se colocasse contra a Ditadura, mesmo sendo de oposição.
Então o cara, um grande orador, até disputou e foi para a final, quando ganhou da minha irmã – o que ela acha até hoje que foi roubada, por ele pertencer do Movimento Estudantil -, o concurso de oratória do Curso de Direito – imagina! -, mas uma merda, enquanto executor, executivo de alguma idéia que tenha de colocar em prática. E ao invés de apresentar alguma proposta, começou a debochar das idéias apresentadas. Já não era o debate pelas idéias, mas a idéia de denegrir quem as apresentou. Não deu outra. O sangue começou a subir e eu que havia apresentado pelo menos as idéias e não foram poucas, perguntei: “Quantas idéias tu apresentaste?” “Qual o teu trabalho concreto, para a execução do projeto?” “Por fim, se a reunião é para discutir idéias e só um as apresentou, ou se debate como melhorá-las, ou encerra-se a reunião e não há abertura.” E houve tanto mais um festival, quanto abertura. Já com a presença do ballet da universidade.
É a velha mania de achar que os outros só falam merda, quando na verdade, quem cochicha, não fala merda nenhuma, ao menos, para se poder debater de outra forma.
E o festival, pelo menos me serviu para ver, como as vezes, uma proposta apresentada e debochada, no futuro, mostra-se acima de todas as outras. Quando, desde o início falei que se tinha de buscar patrocínios, além do governos municipal e estadual, a idéia parecia um absurdo. Quase todas as tendências envolvidas achavam uma idéia “burguesa” demais. Finalmente, no terceiro ano de realização, após a quase não realização do II Festival Universitário de Música, por que os governos citados não liberaram as verbas, como forma de pressão pelos atos havidos. Só no terceiro é que a idéia de buscar patrocínio, vingou. Sem precisar se “aburguesar”, para tanto.
E só, anos depois, já fazendo pós-graduação, é que vi uma outra reivindicação de anos, atendida. Fui ao festival, com minha amiga Globeleza, colega de pós e encontrei o ex-presidente do PC do B do Amazonas. Ele me apresentou à uma loura que era a atual Presidente do Diretório dos Estudantes, como na minha época. Então vi que eles da coordenação se comunicavam, todos, sem exceção, através de walk-talkies, o que facilitava sobremaneira, a realização das tarefas, até mesmo o deslocamento de cada membro. Então mostrei como era possível, sem necessariamente, ser uma idéia maluca, avançar na tecnologia. Ou uma idéia risível, como foi, quando apresentada. Parece até o pessoal que não acredita no Comunismo da China, por que o atual estágio, já permite que se distribuam bens, entre a população. As pessoas ficam presas a velhas idéias e ainda acham as idéias de quem as tem, umas merdas.
MERDA ACADÊMICA
Tem gente que nunca apresenta uma proposta, nunca diz nada e quando as pessoas se apresentam, para falar alguma coisa, para participar do debate, lá vêm elas, cochichando, ridicularizando quem se apresenta. Por que ela mesma não se apresentou, já que se acha tão superior aos outros?
Quando eu passei no vestibular para o Curso de Economia, já estudava Física, há algum tempo e por causa da participação à frente de entidades estudantis, fiquei interessado nessa área.
De repente a recepção no curso, feita para mim em particular, não foi lá grandes coisas. Havia uma turma que já vinha à frente do Centro Acadêmico, há tempos e o CACEC, não saía daquilo, da mesmice, uma coisa quase dirigida pelos docentes, sem representação discente em nenhuma cadeira representativa, nos diversos canais competentes.
Lembro que houve uma manifestação de alguns alunos, dizendo que “este comunista” queria pegar o CA e levar o curso, para o mal caminho. Há frente, uma garota com o sobrenome Fregapani, parente do chefe do SNI no Amazonas, amigo do meu tio, do SNI no Paraná.
A garotinha fez uma campanha tão intensa que uniu todos os ex-presidentes do CA, em uma única chapa, na época das eleições, justamente para evitar que “esse comunista” tentasse concorrer. Um dos alunos, amigo meu, de codinome Arara, diz que um daqueles, é muito inteligente, muito legal, o que eu discordo veementemente, pois trabalhava mais pelos professores do que pelos alunos e chegava ao cúmulo de na prova de um determinado professor, servir de vigia na sala, para ninguém colar, nem ao menos olhar para o lado. Uma coisa anormal. Fora de propósito, como se fossemos todos presidiários de alta periculosidade. Ficavam o professor, esse tal aluno, outra professora que não era a esposa dele e a filha dos dois professores, ainda criança.
Tudo bem, o problema é de cada um, mas as pessoas nem se tocam. Certa vez no Conselho de Curso, essa professora chegou esbaforida, por que um aluno foi assistir a “aula dela” de “sapato, jeans, cinto e camiseta”. Sim, camiseta regata. Ela achou um absurdo. “Tive de expulsá-lo da sala. Da minha aula”. Alguns dias depois, pareceu até fato comum, duas professoras, essa da Economia e outra da Geologia, saírem rolando nas escadas, aos tapas, por causa do dito professor que desconfiava de todos os alunos. Como as coisas são.
Então, eu cheguei na Economia e uma chapa única e forte, apresentou-se, como única, para ser votada. Nada contra. Eu estava afim de estudar. Mas nunca isso me impediu de fazer outras coisas. Dos cinco vestibulares que prestei, o único em que não passei, foi justamente no que estudava toda madrugada. Como chegava tarde dos bares e os meus vizinhos e contemporâneos de colégio me chamavam para estudar junto e principalmente, comer umas gororobas muito bem feitas que eles cozinhavam já de madrugada, acompanhava-os. Justamente no que queimei as pestanas, tive todo tipo de problema. Na hora do vestibular em si, minha irmã mais nova ia junto. Apresentou-me à sala, como universitário e todo mundo queria sentar próximo, como se eu soubesse alguma coisa. Ela saía primeiro do que qualquer pessoa e ficava gritando do lado de fora, para irmos embora para casa. E no dia da Redação, o fiscal, era o meu colega de colégio, Paraná Ditzel que pressionou para eu deixar a redação de mão, por que ele já estava com fome e eu era o último a permanecer em sala. Junto com tudo isso, tentei lembrar o nome completo do General Castelo, o que não era de grande relevância, a não ser, muito preciosismo da minha parte e deu o maior branco na minha cabeça. Ora que merda, querer lembrar o nome completo daquela merda. O jeito foi entregar a prova quase em branco, por causa do Castelo Branco.
Eu tinha muita coisa para me preocupar. CA de Física, Diretório dos Estudantes, Festival Universitário, Executiva Nacional dos Estudantes de Física - Regional Norte, piano, inglês, fisiculturismo...
Nunca nada me impediu de fazer outra coisa. Eu não polarizo a minha vida. Eu consigo jogar xadrez, cartas no computador, ouvir música, ler as notícias, digitar as coisas, desenhar... Uma coisa não exclui a outra. Meu chip já é hexacord, como cérebro de golfinho. Muito além do duocord.
Quando namorava, sempre jogávamos xadrez. Quase todas as noites. De repente fomos a uma feira de informática e comprei um programa de xadrez para mim. Um joguinho que depois virou mito. Chessmaster. Então quando vencia minha namorada, ela alegava que era por que eu treinava no computador. Descarreguei o jogo no computador dela. Então quando vencia, ela dizia que era por que eu tinha muito tempo livre.
Eu trabalhava até a tarde. Saía do trabalho, passava na empresa dela e ia para a ginástica até o início da noite. Saía correndo, para ir para a faculdade. Depois, ia para a casa dela.
Ela acordava depois das 10:00h. Ia para a empresa depois das 14:00h. Quando não estava me vigiando na academia, ficava até as 22:00h, trancada no escritório, com um, dois computadores na frente. E às vezes saía de fininho, por que ela sempre se cansava primeiro do que eu. Aliás, não adianta nada, por que eu sou ruim de cama e tenho um sono ruim pacas, não é de hoje. Eu deito e não durmo. Não é por causa de uma atividade qualquer que eu tenha de tirar ao menos um cochilo. Eu não durmo assim tão fácil.
Então ela decidiu jogar videogame, produto que ela alugava. E quando comecei a pegar os truques dos jogadores, principalmente no jogo de volley, não tinha desculpa.
É a merda de se achar que o outro só consegue fazer uma coisa, por que tem tempo disponível, tem a melhor raquete, a guitarra é mágica... Como as mães das alunas de piano quando me viam tocando. Queriam que as filhas tocassem de uma hora para outra, do mesmo jeito, mas nunca perguntavam o que eu fazia. 30 minutos, no mínimo de aquecimento, horas de exercício de dedo. Horas de estudo teórico, para finalmente, começar a decorar as partituras. Eu dormia com o piano, a guitarra, o violão, a bateria, o metalofone, o bongô, o teclado... Dormia literalmente com os instrumentos. Ficava tudo no meu quarto. E eu nunca tive dom para nada. Mas eu sempre consigo tudo o que quero, por que eu vejo como conseguir, a melhor forma de fazer, repetindo até a exaustão. Não por que eu nasci sabendo.
Eu tinha uma chefe que achava que se eu desenhava, eu não estava trabalhando. Ainda bem que ela não trabalhava em nenhuma oficina de quadrinhos, ou escritório de Arquitetura, Engenharia, ou Design. Desenhar, na maioria das vezes, é coisa simples. Quando se tem prática, é como música e Matemática. E por isso, sai rápido. Com treino.
E já li sobre um estudo que dizia que as pessoas adultas, sabem se expressar através de desenhos. Então todo mundo sabe desenhar. Falte talvez, aprimoramento. Ou não?
É como se pensassem que só se faz aquilo, por que se tem tempo livre e de outra feita, qualquer um com tempo livre, consegue tocar, desenhar, ou fazer contas. Só por causa do tempo livre. Um tipo de varinha mágica.
É a pior merda, pensar assim.
De volta para o Curso de Eco não mia.
No segundo ano que eu entrei no curso, todas as chapas das quais participei, venceram. E não era devido a um por que... Por que eu era comunista. Por que eu era baderneiro. Por que...
Os panfletos, os folders, as matérias que redigia para a Economia, eram totalmente diferentes da Física. Por que cada um tinha sua particularidade, sua maturidade, sua forma de pensar. Sem qualquer ajuda do partido que nunca precisou intervir. Cada qual no seu cada qual e tudo funcionava muito bem.
Então, depois que as chapas das quais participei, dirigiram o CACEC, finalmente os estudantes de Economia, tiveram voz e vez, tanto nas questões do curso na região, quanto na discussão nacional. O Curso de Economia teve assento na Executiva Nacional dos Cursos de Economia. Aliás, uma executiva que saiu, depois que os estudantes de economia da UFAM, convidaram os outros estudantes participantes de Economia, em um dos eventos da UNE, a se reunirem, para debater.
Bem, certa vez, foi proposto que o Curso de Educação Artística e Artes, ocupasse algumas salas do prédio da Economia. Melhor dizendo, para não parecer tão soberbo. O prédio onde funcionava e estava instalado o Curso de Economia. Não era propriedade, em absoluto, do curso.
O prédio funcionava em um antigo seminário católico, era bastante espaçoso, a Economia não ocupava todas as salas, nem mesmo, a metade da área, o Curso de Contabilidade e Administração ainda funcionavam em outro prédio distante e o ICHL já tinha ido para o Campus Universitário.
Pela primeira vez, a Economia realizou uma assembléia, de todos os envolvidos no assunto, debatendo. Pela primeira vez, os alunos se posicionaram, sobre algumas propostas. Os professores e os funcionários.
É lógico que a proposta mais aceita, era a do NÃO, mesmo por que o curso parecia isolado do resto da universidade, como todos os de Ciências Sociais e mais o Direito, um curso mais isolado ainda e não queria ser envolvido pelas questões que se discutiam, fora dos muros do seminário. Por fim, por que o Curso de Economia, era considerado de elite e o curso de Artes, era e ainda é, um curso nem tão prestigiado assim. Ainda tem muito profissional competente que ainda acha que arte nem trabalho é. Talvez, um ócio remunerado. Nunca leu o livro da coleção, O QUE É TRABALHO. No mínimo, para fazer idéia do que se pode dizer que é trabalho. Jogador de futebol e de basquete, são trabalhadores. Ator de cinema e de televisão, é trabalhador. Redator de peças e artista plástico, são trabalhadores. Manicura, estilista, promoter, webdesigner, jogador profissional de videogame, todos são trabalhadores Alguém tem coragem de dizer que não? Geram produtos, demanda e consumo. Giram a economia. Em alguns casos, a prostituição, é considerada trabalho também. Principalmente no Brasil que o número de pessoas, famílias e empresas envolvidas é enorme. Chegando até a se exportar e trazer de volta, a merda das piranhas nacionais. Extraditadas, ou não. A merda da putaria nacional, muitas vezes, é a sobrevivência para muitas famílias que não têm outra fonte de rendas. Até a garota de programa, ficar uma puta velha, com o desgaste do tempo, das farras e de doenças mal cuidadas. Então essas famílias que vivem na merda, têm de fazer novas filhas e filhos e esperar que atendam as necessidades de mercado. Não é por que eu acho, ou eu quero. É a realidade do mercado.
O trabalho é determinado pelo sistema ideológico. Muitos desses trabalhos de hoje no tempo do Feudalismo, não existiam, ou não eram considerados como tanto. No Capitalismo, tudo o que causa demanda, exige trabalho. Quando se iria imaginar na Antiguidade que alguém seria pago, a preço de ouro, só para pensar? Quem sabe, num futuro próximo, a prostituição, uma atividade de milênios, nem exista mais. Quando as pessoas liberarem o sexo, da paixão, do interesse econômico e principalmente, as pessoas não precisem casar, para depois procurar sexo fora do casamento, pagando.
Não sou eu que digo, mas as estatísticas mostram que os principais clientes de prostitutas, travestis, bordéis, casas de strip e outras merdas, são pessoas casadas, com casamentos duradouros. Os outros solteiros, têm o sexo, como um prazer, uma necessidade básica, uma forma de demonstrar amor, sem que tenha de ser exatamente assim. Ou pago, para não se redimir de culpa, pois sem vículo afetivo, não há traição. Será? Sei lá. Nunca me casaram. Já tentaram, mas desistiram no meio do percurso. E ainda teve gente que saiu tão zangada que resolveu sacanear.
E a prostituição crescente, é apenas reflexo em grande parte, da má distribuição no Brasil e de autoridades que fazem de tudo, para manterem a escolaridade, a cultura, o poder aquisitivo, o debate político, como estão, para poderem escolher do bom e bem barato, foderem o povo com o nosso dinheiro. Eles podem escolher as meninas mais bonitas da periferia, muitas vezes, pagando um cachorro-quente, para saciar a fome e a necessidade por que passam.
Então antes do debate, tomamos lugar e eu sentei na segunda fileira, por que a primeira foi toda ocupada pelos alunos antigos que se fechavam em grupo e como a área externa era muito extensa, não conseguiram completar a segunda fileira. Quando vi, lá veio a menina, com o noivo, sentarem ao meu lado. Nenhum problema. “Esse comunista” era eu.
Discussão daqui, discussão para lá, então, chegou a hora da defesa das propostas. Para defender o SIM, apresentei meu nome, junto com meu amigo de colégio que nos reencontramos na Economia e no CACEC, para defender o NÃO. A menina Fregapani se apresentou. Não sei bem se era Carla, ou Mônica. Eram duas meninas com o mesmo sobrenome, primas. Uma do Direito e amiga da minha irmã, por isso, não lembro bem do nome. Mas era uma menina magrinha, como as anoréxicas de hoje. Um rosto muito bonito. Pelo menos eu achava, naquela época.
Acabado o prazo de defesa, passou-se à votação, como é normal.
Quando apurou-se o resultado, a menina Fregapani, parecia estar cheia de ódio contra mim. “Não sei como eu votei na proposta desse daí.” Será que eu a hipnotizei? Eis uma coisa que ainda não aprendi. Ela estava muito p... A merda foi minha? Eu defendi o que achava certo e ela rebateu dentro das mesmas regras. Se mudou de idéia na hora do voto, o problema não foi meu. E ademais, o prédio estava caindo aos pedaços e não se mexia num único prego. Com a vinda de outro curso, melhorias foram feitas. Inclusive a área onde o ballet ensaiava e era totalmente sem utilidade, depois se transformou em auditório para o curso. A rede elétrica que estava prestes a dar um curto circuito geral, por ser tão antiga quanto o prédio, ganhou um gerador próprio, para a energia só do complexo de educação. A cantina sofreu uma reforma que não era feita há séculos. A área do estacionamento que era barro puro, foi aplainada e depois asfaltada. E de repente, uma biblioteca, com refrigeração e dentro das medidas, surgiu. O próprio acesso de quem chegava pelo estacionamento, melhorou e muito. Escadas de cimento foram construídas, evitando que se tivesse de utilizar umas escadas improvisadas no próprio barranco, fazendo com que, quem conseguisse chegar ao curso, sem escorregar na lama, mesmo assim, ainda chegasse com o sapato cheio de lama. Por fim, melhorias que se sabia que chegariam, como defendido pela proposta do SIM.
MAS QUE MERDA
É engraçado como muitas vezes as pessoas se acham acima de tudo, num pedestal e só saibam cochichar e não deixem nem que se dirija a palavras, pois acham que os outros, sempre têm propostas irrelevantes, infantis, tolas e só dizem merda. Mas pelo menos dizem, participam do debate, apresentam idéias, boas, ou não. Mas geram discussão, o que por fim, sempre acarreta em algum avanço. O pior, é viver fazendo pose e não acrescentar merda alguma. E tem muita gente que vive de pose, mas quando se vai estudar o que acrescentou de verdade, merda alguma. Mas valem-se de mitos que nem sempre condizem com a realidade. E caladas, para não chamarem a atenção, ou como disse o protagonista de um filme, acho que MENTES BRILHANTES, “só sabe repetir o que está escrito.” Não pensa merda nenhuma, por conta proópria.
É como dizia um japonês que malhava comigo numa academia, na época em que ninguém descobria que eu tinha hérnia de hiato, refluxo, essas merdas todas e vivia na merda. Como ele sabia que eu malhava com um freqüencímetro, por baixo da camisa, veio conversar do lado da esteira, onde eu estava me exercitando e colocou o celular bem próximo do meu tórax. Quando eu olhei para o relógio, a pulsação já estava chegando aos 300 bpm. Não adiantava diminuir a velocidade que não parava de subir. Resolvi parar completamente. Continuou subindo. Então chamei os instrutores. Foi uma correria enorme na academia. Colocaram-me com as pernas para o ar, trouxeram doces e bombons para chupar, água, café e quando baixou um pouco, peguei o carro e me mandei para a clínica. Se o Schumacher quisesse competir, ele perderia fácil. Da academia para a clínica, acho que fiz um tempo ainda não batido por qualquer cristão. Entrei com o carro no estacionamento das ambulâncias e gritando que estava morrendo. Veio todo mundo atender, no estacionamento. Foram duas lições que aprendi e muito. 1 – quando dirigir por uma estrada em péssimas condições, sempre fique pelo meio. No caso do carro quebrar, todo mundo tem de ajudar, senão também não vão a lugar algum. 2 – Em caso de estarem te perseguindo, nunca te esconde em lugares ermos, isolados. Procura sempre a aglomeração e começa a fazer barulho. Se vier pelo menos uma pessoa em socorro, o perseguidor, desiste rapidinho e vai esperar outra oportunidade. E se for a polícia, ela até te prende, mas fica mais difícil, levar para o matadouro. Até o outro dia, vais conseguir sobreviver.
Fiquei horas fazendo exame e merda nenhuma diferente. Os batimentos estavam normais até demais. Nem precisei tomar sublingual, como sempre o fazia, enquanto não descobriam a merda do meu problema e enchiam minha cabeça com muita merda. Depois de horas, fui liberado para ir para casa, com a recomendação de jogar no lixo, a merda do freqüencímetro. Mas eu já não acreditava nem mais nos exames. Estava completamente inseguro. Minha vida estava se transformando em uma merda pura.
Então, tive uma idéia. Peguei de novo a merda do manuel do próprio otário, da merda do frequencímetro e fui rever as recomendações feitas. Dentre algumas, merdas, tinha uma: “Não exponha o aparelho, a celulares, fornos-microondas e fontes de muita energia.” E no outro dia, nem precisou dizer nada que a merda do japonês já veio rindo, quando me viu. Ele sabia que se fizesse aquela merda, aconteceria aquela merda toda.
“Tá pensando que é pouca merda? É um barril de petróleo, transbordando.” Palavras do japonês de merda.
Mas antes uma merda no ventilador, para fazer as pessoas se mexerem, do que um perfume tão resguardado que acaba evaporando-se.
UMA MERDA SÓ
E ontem, tive duas surpresas ao visitar o Noval.
Ele já sabe que em ser tratando de tambaqui, eu cedo o rabo, para chupar a cabeça. Como diria a merda do meu primo Beija a minha. Então já reserva as cabeças para mim, mesmo por que os outros têm nojo. Principalmente de chupar o olho do peixe.
A merda de um desenho do qual nem me lembrava mais, a expressão da música, onde uma mão que acaba em uma nota musical, toca um bongô que está perpendicular a um violão elétrico, com um teclado perpassando por baixo e uns outros instrumentos que nem eu me lembro mais quais são, estava exposto em forma de quadro, envidraçado, bem na entrada da casa dele. E olha que eu até achei bonito. Ficou muito bonito. Deve ser pela moldura. E até agora eu não me lembro muito bem, como eu fiz aquela merda toda.
Depois, ele disse que eu devia tratar os assuntos por tópicos, por que acaba cansando, com tanta merda para ler. Deve estar cansado de receber tanta merda. Como já me disseram um dia desses, a merda do meu sobrinho e a merda da minha priminha. Na merda da minha cara.
Então eu fiz esta merda, assim dividido. Mas foi pior a merda. Saiu muito maior. É muito mais área para falar merda.
Bem, quem não quiser ler esta merda, é só... Sabe de uma coisa? Vai à merda. Merda por merda, mais uma não vai fazer diferença nas mudanças climáticas. Estava com vontade de fazer merda, pronto, está feita. Não ganho merda nenhuma com isso, mas pelo menos, uma merda a mais na paisagem do Brasil.
Brincadeira!
Por dois motivos. Um, parece fácil, mas não é. E depois, sempre quem se coloca contra os outros, ao invés de combater a merda, com alguma idéia original, só faz criticar e não apresenta merda alguma.
É como peido que não é nada concreto. No máximo, uma suposição que há alguma merda no ambiente.
E a merda, o que é. A síntese de tudo que se passou dentro de nós, de 24 horas, até semanas, depende de cada organismo.
E tem gente que se apresenta como se nunca fizesse merda. É um ser asséptico, até a alma. Não faz merda, nem peida, ao menos. Está acima das necessidades básicas humanas.
MERDA ESCONDIDA NAS ARTES
Certa vez, quando ainda estudante universitário, estávamos organizando um dos festivais de música. Reunião para cá, reunião para lá e ficou acertado que a pauta da próxima reunião, seria sobre a abertura. O show de abertura.
Ingênuo como sempre, pensei que alguém mais, fosse levar alguma idéia. No dia marcado, lá estávamos nós reunidos. Sabe quantas propostas de abertura? 8. Sabe quantas pessoas apresentaram propostas? 1. Sabe quantos representantes dos estudantes, das entidades das artes, de uma série de entidades? Várias.
A discussão começou a ficar acirrada, com críticas profundas, contra as idéias apresentadas. Tudo bem. Sempre fui democrático, mas odeio o “democratismo”. Debate até certo ponto, mas demagogia, como se isso fosse uma da vertentes da Democracia, só para fazer média, aí já é muito, para mim.
Há um advogado que se diz escritor, produtor de teatro, novelista, que se acha sempre num patamar acima dos semideuses, mas na verdade, dedo-duro no tempo da repressão e grande polemizador, sem grandes propostas a não ser o escândalo, nos dias de hoje, causando até transtornos dentro do PT, quando quis expulsar o escritor de verdade e conhecido, Marcio Sousa, um dos fundadores do partido. E como forma de aparecer através da polêmica, mais recentemente, teve uma nota de repúdio de quase todos os intelectuais de verdade do Amazonas, por ter falado inverdades contra dois membros da Academia Amazonense de Letras e professores da Universidade Federal do Amazonas que eu conheço, há bastante tempo e sei da integridade dos dois, mesmo por que, um sempre participou da escolha e do júri dos festivais e o mais novo, fazia parte de uns jovens da Betânia, um bairro considerado de classe-baixa, em Manaus que tinham propostas de teatro, artes plásticas e a direção da União da Juventude Socialista - UJS, tratou de convidá-los, para fazerem parte. E por coincidência, um dos responsáveis pela UJS regional e pelo pessoal da Betânia, era exatamente eu; que naquele tempo, era mais um aluno de Direito, mas quando entrou no mesmo partido que eu participava, queria ser tratado com certa deferência, pois segundo ele, como presenciei, quando puxou um outro companheiro para o lado, para falar o que achava, pertenciam a uma classe mais elevada do que “aquele pessoal ali”. Não deve ter entendido nada da proposta do partido. Mas ele sempre foi afeito a regalias. Qualquer enfrentamento com as forças da repressão, jogava a bandeira fora e procurava um lugar para se esconder da confusão. Talvez por ser afilhado de batismo de um governador que mais mandou bater em estudante, em quem se colocasse contra a Ditadura, mesmo sendo de oposição.
Então o cara, um grande orador, até disputou e foi para a final, quando ganhou da minha irmã – o que ela acha até hoje que foi roubada, por ele pertencer do Movimento Estudantil -, o concurso de oratória do Curso de Direito – imagina! -, mas uma merda, enquanto executor, executivo de alguma idéia que tenha de colocar em prática. E ao invés de apresentar alguma proposta, começou a debochar das idéias apresentadas. Já não era o debate pelas idéias, mas a idéia de denegrir quem as apresentou. Não deu outra. O sangue começou a subir e eu que havia apresentado pelo menos as idéias e não foram poucas, perguntei: “Quantas idéias tu apresentaste?” “Qual o teu trabalho concreto, para a execução do projeto?” “Por fim, se a reunião é para discutir idéias e só um as apresentou, ou se debate como melhorá-las, ou encerra-se a reunião e não há abertura.” E houve tanto mais um festival, quanto abertura. Já com a presença do ballet da universidade.
É a velha mania de achar que os outros só falam merda, quando na verdade, quem cochicha, não fala merda nenhuma, ao menos, para se poder debater de outra forma.
E o festival, pelo menos me serviu para ver, como as vezes, uma proposta apresentada e debochada, no futuro, mostra-se acima de todas as outras. Quando, desde o início falei que se tinha de buscar patrocínios, além do governos municipal e estadual, a idéia parecia um absurdo. Quase todas as tendências envolvidas achavam uma idéia “burguesa” demais. Finalmente, no terceiro ano de realização, após a quase não realização do II Festival Universitário de Música, por que os governos citados não liberaram as verbas, como forma de pressão pelos atos havidos. Só no terceiro é que a idéia de buscar patrocínio, vingou. Sem precisar se “aburguesar”, para tanto.
E só, anos depois, já fazendo pós-graduação, é que vi uma outra reivindicação de anos, atendida. Fui ao festival, com minha amiga Globeleza, colega de pós e encontrei o ex-presidente do PC do B do Amazonas. Ele me apresentou à uma loura que era a atual Presidente do Diretório dos Estudantes, como na minha época. Então vi que eles da coordenação se comunicavam, todos, sem exceção, através de walk-talkies, o que facilitava sobremaneira, a realização das tarefas, até mesmo o deslocamento de cada membro. Então mostrei como era possível, sem necessariamente, ser uma idéia maluca, avançar na tecnologia. Ou uma idéia risível, como foi, quando apresentada. Parece até o pessoal que não acredita no Comunismo da China, por que o atual estágio, já permite que se distribuam bens, entre a população. As pessoas ficam presas a velhas idéias e ainda acham as idéias de quem as tem, umas merdas.
MERDA ACADÊMICA
Tem gente que nunca apresenta uma proposta, nunca diz nada e quando as pessoas se apresentam, para falar alguma coisa, para participar do debate, lá vêm elas, cochichando, ridicularizando quem se apresenta. Por que ela mesma não se apresentou, já que se acha tão superior aos outros?
Quando eu passei no vestibular para o Curso de Economia, já estudava Física, há algum tempo e por causa da participação à frente de entidades estudantis, fiquei interessado nessa área.
De repente a recepção no curso, feita para mim em particular, não foi lá grandes coisas. Havia uma turma que já vinha à frente do Centro Acadêmico, há tempos e o CACEC, não saía daquilo, da mesmice, uma coisa quase dirigida pelos docentes, sem representação discente em nenhuma cadeira representativa, nos diversos canais competentes.
Lembro que houve uma manifestação de alguns alunos, dizendo que “este comunista” queria pegar o CA e levar o curso, para o mal caminho. Há frente, uma garota com o sobrenome Fregapani, parente do chefe do SNI no Amazonas, amigo do meu tio, do SNI no Paraná.
A garotinha fez uma campanha tão intensa que uniu todos os ex-presidentes do CA, em uma única chapa, na época das eleições, justamente para evitar que “esse comunista” tentasse concorrer. Um dos alunos, amigo meu, de codinome Arara, diz que um daqueles, é muito inteligente, muito legal, o que eu discordo veementemente, pois trabalhava mais pelos professores do que pelos alunos e chegava ao cúmulo de na prova de um determinado professor, servir de vigia na sala, para ninguém colar, nem ao menos olhar para o lado. Uma coisa anormal. Fora de propósito, como se fossemos todos presidiários de alta periculosidade. Ficavam o professor, esse tal aluno, outra professora que não era a esposa dele e a filha dos dois professores, ainda criança.
Tudo bem, o problema é de cada um, mas as pessoas nem se tocam. Certa vez no Conselho de Curso, essa professora chegou esbaforida, por que um aluno foi assistir a “aula dela” de “sapato, jeans, cinto e camiseta”. Sim, camiseta regata. Ela achou um absurdo. “Tive de expulsá-lo da sala. Da minha aula”. Alguns dias depois, pareceu até fato comum, duas professoras, essa da Economia e outra da Geologia, saírem rolando nas escadas, aos tapas, por causa do dito professor que desconfiava de todos os alunos. Como as coisas são.
Então, eu cheguei na Economia e uma chapa única e forte, apresentou-se, como única, para ser votada. Nada contra. Eu estava afim de estudar. Mas nunca isso me impediu de fazer outras coisas. Dos cinco vestibulares que prestei, o único em que não passei, foi justamente no que estudava toda madrugada. Como chegava tarde dos bares e os meus vizinhos e contemporâneos de colégio me chamavam para estudar junto e principalmente, comer umas gororobas muito bem feitas que eles cozinhavam já de madrugada, acompanhava-os. Justamente no que queimei as pestanas, tive todo tipo de problema. Na hora do vestibular em si, minha irmã mais nova ia junto. Apresentou-me à sala, como universitário e todo mundo queria sentar próximo, como se eu soubesse alguma coisa. Ela saía primeiro do que qualquer pessoa e ficava gritando do lado de fora, para irmos embora para casa. E no dia da Redação, o fiscal, era o meu colega de colégio, Paraná Ditzel que pressionou para eu deixar a redação de mão, por que ele já estava com fome e eu era o último a permanecer em sala. Junto com tudo isso, tentei lembrar o nome completo do General Castelo, o que não era de grande relevância, a não ser, muito preciosismo da minha parte e deu o maior branco na minha cabeça. Ora que merda, querer lembrar o nome completo daquela merda. O jeito foi entregar a prova quase em branco, por causa do Castelo Branco.
Eu tinha muita coisa para me preocupar. CA de Física, Diretório dos Estudantes, Festival Universitário, Executiva Nacional dos Estudantes de Física - Regional Norte, piano, inglês, fisiculturismo...
Nunca nada me impediu de fazer outra coisa. Eu não polarizo a minha vida. Eu consigo jogar xadrez, cartas no computador, ouvir música, ler as notícias, digitar as coisas, desenhar... Uma coisa não exclui a outra. Meu chip já é hexacord, como cérebro de golfinho. Muito além do duocord.
Quando namorava, sempre jogávamos xadrez. Quase todas as noites. De repente fomos a uma feira de informática e comprei um programa de xadrez para mim. Um joguinho que depois virou mito. Chessmaster. Então quando vencia minha namorada, ela alegava que era por que eu treinava no computador. Descarreguei o jogo no computador dela. Então quando vencia, ela dizia que era por que eu tinha muito tempo livre.
Eu trabalhava até a tarde. Saía do trabalho, passava na empresa dela e ia para a ginástica até o início da noite. Saía correndo, para ir para a faculdade. Depois, ia para a casa dela.
Ela acordava depois das 10:00h. Ia para a empresa depois das 14:00h. Quando não estava me vigiando na academia, ficava até as 22:00h, trancada no escritório, com um, dois computadores na frente. E às vezes saía de fininho, por que ela sempre se cansava primeiro do que eu. Aliás, não adianta nada, por que eu sou ruim de cama e tenho um sono ruim pacas, não é de hoje. Eu deito e não durmo. Não é por causa de uma atividade qualquer que eu tenha de tirar ao menos um cochilo. Eu não durmo assim tão fácil.
Então ela decidiu jogar videogame, produto que ela alugava. E quando comecei a pegar os truques dos jogadores, principalmente no jogo de volley, não tinha desculpa.
É a merda de se achar que o outro só consegue fazer uma coisa, por que tem tempo disponível, tem a melhor raquete, a guitarra é mágica... Como as mães das alunas de piano quando me viam tocando. Queriam que as filhas tocassem de uma hora para outra, do mesmo jeito, mas nunca perguntavam o que eu fazia. 30 minutos, no mínimo de aquecimento, horas de exercício de dedo. Horas de estudo teórico, para finalmente, começar a decorar as partituras. Eu dormia com o piano, a guitarra, o violão, a bateria, o metalofone, o bongô, o teclado... Dormia literalmente com os instrumentos. Ficava tudo no meu quarto. E eu nunca tive dom para nada. Mas eu sempre consigo tudo o que quero, por que eu vejo como conseguir, a melhor forma de fazer, repetindo até a exaustão. Não por que eu nasci sabendo.
Eu tinha uma chefe que achava que se eu desenhava, eu não estava trabalhando. Ainda bem que ela não trabalhava em nenhuma oficina de quadrinhos, ou escritório de Arquitetura, Engenharia, ou Design. Desenhar, na maioria das vezes, é coisa simples. Quando se tem prática, é como música e Matemática. E por isso, sai rápido. Com treino.
E já li sobre um estudo que dizia que as pessoas adultas, sabem se expressar através de desenhos. Então todo mundo sabe desenhar. Falte talvez, aprimoramento. Ou não?
É como se pensassem que só se faz aquilo, por que se tem tempo livre e de outra feita, qualquer um com tempo livre, consegue tocar, desenhar, ou fazer contas. Só por causa do tempo livre. Um tipo de varinha mágica.
É a pior merda, pensar assim.
De volta para o Curso de Eco não mia.
No segundo ano que eu entrei no curso, todas as chapas das quais participei, venceram. E não era devido a um por que... Por que eu era comunista. Por que eu era baderneiro. Por que...
Os panfletos, os folders, as matérias que redigia para a Economia, eram totalmente diferentes da Física. Por que cada um tinha sua particularidade, sua maturidade, sua forma de pensar. Sem qualquer ajuda do partido que nunca precisou intervir. Cada qual no seu cada qual e tudo funcionava muito bem.
Então, depois que as chapas das quais participei, dirigiram o CACEC, finalmente os estudantes de Economia, tiveram voz e vez, tanto nas questões do curso na região, quanto na discussão nacional. O Curso de Economia teve assento na Executiva Nacional dos Cursos de Economia. Aliás, uma executiva que saiu, depois que os estudantes de economia da UFAM, convidaram os outros estudantes participantes de Economia, em um dos eventos da UNE, a se reunirem, para debater.
Bem, certa vez, foi proposto que o Curso de Educação Artística e Artes, ocupasse algumas salas do prédio da Economia. Melhor dizendo, para não parecer tão soberbo. O prédio onde funcionava e estava instalado o Curso de Economia. Não era propriedade, em absoluto, do curso.
O prédio funcionava em um antigo seminário católico, era bastante espaçoso, a Economia não ocupava todas as salas, nem mesmo, a metade da área, o Curso de Contabilidade e Administração ainda funcionavam em outro prédio distante e o ICHL já tinha ido para o Campus Universitário.
Pela primeira vez, a Economia realizou uma assembléia, de todos os envolvidos no assunto, debatendo. Pela primeira vez, os alunos se posicionaram, sobre algumas propostas. Os professores e os funcionários.
É lógico que a proposta mais aceita, era a do NÃO, mesmo por que o curso parecia isolado do resto da universidade, como todos os de Ciências Sociais e mais o Direito, um curso mais isolado ainda e não queria ser envolvido pelas questões que se discutiam, fora dos muros do seminário. Por fim, por que o Curso de Economia, era considerado de elite e o curso de Artes, era e ainda é, um curso nem tão prestigiado assim. Ainda tem muito profissional competente que ainda acha que arte nem trabalho é. Talvez, um ócio remunerado. Nunca leu o livro da coleção, O QUE É TRABALHO. No mínimo, para fazer idéia do que se pode dizer que é trabalho. Jogador de futebol e de basquete, são trabalhadores. Ator de cinema e de televisão, é trabalhador. Redator de peças e artista plástico, são trabalhadores. Manicura, estilista, promoter, webdesigner, jogador profissional de videogame, todos são trabalhadores Alguém tem coragem de dizer que não? Geram produtos, demanda e consumo. Giram a economia. Em alguns casos, a prostituição, é considerada trabalho também. Principalmente no Brasil que o número de pessoas, famílias e empresas envolvidas é enorme. Chegando até a se exportar e trazer de volta, a merda das piranhas nacionais. Extraditadas, ou não. A merda da putaria nacional, muitas vezes, é a sobrevivência para muitas famílias que não têm outra fonte de rendas. Até a garota de programa, ficar uma puta velha, com o desgaste do tempo, das farras e de doenças mal cuidadas. Então essas famílias que vivem na merda, têm de fazer novas filhas e filhos e esperar que atendam as necessidades de mercado. Não é por que eu acho, ou eu quero. É a realidade do mercado.
O trabalho é determinado pelo sistema ideológico. Muitos desses trabalhos de hoje no tempo do Feudalismo, não existiam, ou não eram considerados como tanto. No Capitalismo, tudo o que causa demanda, exige trabalho. Quando se iria imaginar na Antiguidade que alguém seria pago, a preço de ouro, só para pensar? Quem sabe, num futuro próximo, a prostituição, uma atividade de milênios, nem exista mais. Quando as pessoas liberarem o sexo, da paixão, do interesse econômico e principalmente, as pessoas não precisem casar, para depois procurar sexo fora do casamento, pagando.
Não sou eu que digo, mas as estatísticas mostram que os principais clientes de prostitutas, travestis, bordéis, casas de strip e outras merdas, são pessoas casadas, com casamentos duradouros. Os outros solteiros, têm o sexo, como um prazer, uma necessidade básica, uma forma de demonstrar amor, sem que tenha de ser exatamente assim. Ou pago, para não se redimir de culpa, pois sem vículo afetivo, não há traição. Será? Sei lá. Nunca me casaram. Já tentaram, mas desistiram no meio do percurso. E ainda teve gente que saiu tão zangada que resolveu sacanear.
E a prostituição crescente, é apenas reflexo em grande parte, da má distribuição no Brasil e de autoridades que fazem de tudo, para manterem a escolaridade, a cultura, o poder aquisitivo, o debate político, como estão, para poderem escolher do bom e bem barato, foderem o povo com o nosso dinheiro. Eles podem escolher as meninas mais bonitas da periferia, muitas vezes, pagando um cachorro-quente, para saciar a fome e a necessidade por que passam.
Então antes do debate, tomamos lugar e eu sentei na segunda fileira, por que a primeira foi toda ocupada pelos alunos antigos que se fechavam em grupo e como a área externa era muito extensa, não conseguiram completar a segunda fileira. Quando vi, lá veio a menina, com o noivo, sentarem ao meu lado. Nenhum problema. “Esse comunista” era eu.
Discussão daqui, discussão para lá, então, chegou a hora da defesa das propostas. Para defender o SIM, apresentei meu nome, junto com meu amigo de colégio que nos reencontramos na Economia e no CACEC, para defender o NÃO. A menina Fregapani se apresentou. Não sei bem se era Carla, ou Mônica. Eram duas meninas com o mesmo sobrenome, primas. Uma do Direito e amiga da minha irmã, por isso, não lembro bem do nome. Mas era uma menina magrinha, como as anoréxicas de hoje. Um rosto muito bonito. Pelo menos eu achava, naquela época.
Acabado o prazo de defesa, passou-se à votação, como é normal.
Quando apurou-se o resultado, a menina Fregapani, parecia estar cheia de ódio contra mim. “Não sei como eu votei na proposta desse daí.” Será que eu a hipnotizei? Eis uma coisa que ainda não aprendi. Ela estava muito p... A merda foi minha? Eu defendi o que achava certo e ela rebateu dentro das mesmas regras. Se mudou de idéia na hora do voto, o problema não foi meu. E ademais, o prédio estava caindo aos pedaços e não se mexia num único prego. Com a vinda de outro curso, melhorias foram feitas. Inclusive a área onde o ballet ensaiava e era totalmente sem utilidade, depois se transformou em auditório para o curso. A rede elétrica que estava prestes a dar um curto circuito geral, por ser tão antiga quanto o prédio, ganhou um gerador próprio, para a energia só do complexo de educação. A cantina sofreu uma reforma que não era feita há séculos. A área do estacionamento que era barro puro, foi aplainada e depois asfaltada. E de repente, uma biblioteca, com refrigeração e dentro das medidas, surgiu. O próprio acesso de quem chegava pelo estacionamento, melhorou e muito. Escadas de cimento foram construídas, evitando que se tivesse de utilizar umas escadas improvisadas no próprio barranco, fazendo com que, quem conseguisse chegar ao curso, sem escorregar na lama, mesmo assim, ainda chegasse com o sapato cheio de lama. Por fim, melhorias que se sabia que chegariam, como defendido pela proposta do SIM.
MAS QUE MERDA
É engraçado como muitas vezes as pessoas se acham acima de tudo, num pedestal e só saibam cochichar e não deixem nem que se dirija a palavras, pois acham que os outros, sempre têm propostas irrelevantes, infantis, tolas e só dizem merda. Mas pelo menos dizem, participam do debate, apresentam idéias, boas, ou não. Mas geram discussão, o que por fim, sempre acarreta em algum avanço. O pior, é viver fazendo pose e não acrescentar merda alguma. E tem muita gente que vive de pose, mas quando se vai estudar o que acrescentou de verdade, merda alguma. Mas valem-se de mitos que nem sempre condizem com a realidade. E caladas, para não chamarem a atenção, ou como disse o protagonista de um filme, acho que MENTES BRILHANTES, “só sabe repetir o que está escrito.” Não pensa merda nenhuma, por conta proópria.
É como dizia um japonês que malhava comigo numa academia, na época em que ninguém descobria que eu tinha hérnia de hiato, refluxo, essas merdas todas e vivia na merda. Como ele sabia que eu malhava com um freqüencímetro, por baixo da camisa, veio conversar do lado da esteira, onde eu estava me exercitando e colocou o celular bem próximo do meu tórax. Quando eu olhei para o relógio, a pulsação já estava chegando aos 300 bpm. Não adiantava diminuir a velocidade que não parava de subir. Resolvi parar completamente. Continuou subindo. Então chamei os instrutores. Foi uma correria enorme na academia. Colocaram-me com as pernas para o ar, trouxeram doces e bombons para chupar, água, café e quando baixou um pouco, peguei o carro e me mandei para a clínica. Se o Schumacher quisesse competir, ele perderia fácil. Da academia para a clínica, acho que fiz um tempo ainda não batido por qualquer cristão. Entrei com o carro no estacionamento das ambulâncias e gritando que estava morrendo. Veio todo mundo atender, no estacionamento. Foram duas lições que aprendi e muito. 1 – quando dirigir por uma estrada em péssimas condições, sempre fique pelo meio. No caso do carro quebrar, todo mundo tem de ajudar, senão também não vão a lugar algum. 2 – Em caso de estarem te perseguindo, nunca te esconde em lugares ermos, isolados. Procura sempre a aglomeração e começa a fazer barulho. Se vier pelo menos uma pessoa em socorro, o perseguidor, desiste rapidinho e vai esperar outra oportunidade. E se for a polícia, ela até te prende, mas fica mais difícil, levar para o matadouro. Até o outro dia, vais conseguir sobreviver.
Fiquei horas fazendo exame e merda nenhuma diferente. Os batimentos estavam normais até demais. Nem precisei tomar sublingual, como sempre o fazia, enquanto não descobriam a merda do meu problema e enchiam minha cabeça com muita merda. Depois de horas, fui liberado para ir para casa, com a recomendação de jogar no lixo, a merda do freqüencímetro. Mas eu já não acreditava nem mais nos exames. Estava completamente inseguro. Minha vida estava se transformando em uma merda pura.
Então, tive uma idéia. Peguei de novo a merda do manuel do próprio otário, da merda do frequencímetro e fui rever as recomendações feitas. Dentre algumas, merdas, tinha uma: “Não exponha o aparelho, a celulares, fornos-microondas e fontes de muita energia.” E no outro dia, nem precisou dizer nada que a merda do japonês já veio rindo, quando me viu. Ele sabia que se fizesse aquela merda, aconteceria aquela merda toda.
“Tá pensando que é pouca merda? É um barril de petróleo, transbordando.” Palavras do japonês de merda.
Mas antes uma merda no ventilador, para fazer as pessoas se mexerem, do que um perfume tão resguardado que acaba evaporando-se.
UMA MERDA SÓ
E ontem, tive duas surpresas ao visitar o Noval.
Ele já sabe que em ser tratando de tambaqui, eu cedo o rabo, para chupar a cabeça. Como diria a merda do meu primo Beija a minha. Então já reserva as cabeças para mim, mesmo por que os outros têm nojo. Principalmente de chupar o olho do peixe.
A merda de um desenho do qual nem me lembrava mais, a expressão da música, onde uma mão que acaba em uma nota musical, toca um bongô que está perpendicular a um violão elétrico, com um teclado perpassando por baixo e uns outros instrumentos que nem eu me lembro mais quais são, estava exposto em forma de quadro, envidraçado, bem na entrada da casa dele. E olha que eu até achei bonito. Ficou muito bonito. Deve ser pela moldura. E até agora eu não me lembro muito bem, como eu fiz aquela merda toda.
Depois, ele disse que eu devia tratar os assuntos por tópicos, por que acaba cansando, com tanta merda para ler. Deve estar cansado de receber tanta merda. Como já me disseram um dia desses, a merda do meu sobrinho e a merda da minha priminha. Na merda da minha cara.
Então eu fiz esta merda, assim dividido. Mas foi pior a merda. Saiu muito maior. É muito mais área para falar merda.
Bem, quem não quiser ler esta merda, é só... Sabe de uma coisa? Vai à merda. Merda por merda, mais uma não vai fazer diferença nas mudanças climáticas. Estava com vontade de fazer merda, pronto, está feita. Não ganho merda nenhuma com isso, mas pelo menos, uma merda a mais na paisagem do Brasil.
Brincadeira!
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