Minhas irmãs sempre se mostraram crédulas, até demais. Credo!
Porém, a mais nova, desde quando viajei com ela e família dela, acho que a credulidade, é mais uma forma de marketing pessoal, para chamar a atenção. Ela reunia o pessoal para “puxar uma oração”, no avião, no barco, no carro e fazia o maior charme, como se faz, para mostrar credulidade. Pouquíssimo tempo depois, esquecia a oração feita e saía chamando os piores palavrões, para os outros motoristas nas vias públicas. Por isso, não credito muito nessa onda de “puxar oração”. Eu conhecia puxar o carro, puxar o fumo, puxar a carruagem, puxar o tapete, puxar um ronco, puxar o saco, puxar um samba... Mas puxar oração foi novidade para mim. E mais novidade ainda, como ela puxava o Pai Nosso. Olha que eu não decorei como é, no catecismo, mas não era exatamente aquele, segundo o Espiritismo. Égua, como mudou. De repente aquilo tudo que se pensava verdadeiro, deu lugar a uma nova maneira de pensar que apareceu do nada. Eu hein! Nem Freud, muito menos São Paulo explicam.
Porém, a outra é tão crédula que se disserem que cocô, é divino e é um manjar dos deuses, é bem capaz dela comer.
Até hoje, defende uma charlatã que ficava pela Ponta Negra e que uma amiga minha me fez pagar R$ 10,00, para ela não responder exatamente nada, para mim. Ela perguntou o que eu queria saber. Na realidade, eu não queria saber nada. Caí de gaiato no navio. E depois, quando perguntei, o que me veio à cabeça, ela achou que ganhar nas loterias acumuladas, é brincadeira. Ficar rico é brincadeira, desde quando? Resultado, ficou falando sobre a minha vida sentimental que não me interessa, nadinha. Vou ter 2 filhos – só se a camisinha furar e vierem logo gêmeos. Na minha família não tem histórico, só se na família da outra, a história é em duplicata -, vou casar duas vezes – com quase 50 nas costas, só se acabar de casar com a Hermenegilda, matá-la, para casar com a Refrondita. Aí eu acredito, mas vou virar assassino e isso não me interessa. Deixa eu ficar solteiro mesmo que eu acho muito bom. E o pior, se a primeira ficar sabendo que ainda tem de ter uma segunda, aí é que não casa mesmo. É complicado -, não sei como a minha irmã não está envolvida com aquele grupo de basbaques que pagou caro, para uma macumbeira passar o conto do vigário neles. Pagaram para encontrar a felicidade e agora estão chorando.
Então, minha irmã crédula de verdade, está fazendo um mestrado e o professor do módulo, é o responsável por trazer a Fundação Dom Cabral para o Brasil. Assim dizem as más línguas.
Até aí, tudo bem. Inês é morta – mas como eu gostava tanto dela. Pena que as últimas vezes em que nos vimos, a minha namorada da época deu chilique, por causa de um simples abraço da parte dela, para a minha pessoa e de outra feita, o namorado dela, ficou cheio de ciúmes, quando nos encontrou entre as gôndolas de um supermercado da cidade. Conversando apenas. Mas devo dizer que a calça dela estava matando. Uma cinturinha até o cós, os olhos rasgados, por cima e o resto tudo ao, dentro da calça, obviamente – e até aí, morreu Neves – tão novo, com o bigode pretinho ainda. Ele só não podia limpar os beiços com guardanapo, senão ficava a marca do bigode. E olha que ele não se chamava Jesus e nem quem oferece apoio a ele, não se chama Verônica. Como pode -, mas, e daí?
Títulos são importantes sim. Mas às vezes, não condizem com a realidade. Nada de nada que nem um colega meu NN que quase morre afogado no meio do Rio Negro. O NN na farda, significava “nada nada”. Tiraram a bóia dele e ele espumou que nem champagne na noite de Ano Novo. Quase conversa com Jesus, cara à cara.
Certa vez, uma conhecida minha, também advogada – não sei por que quem faz o curso de Direito, parece que fica djou – também fazendo pós-graduação, ficou impressionada com o curriculum de um dos professores do módulo. Tinha passado por todas as áreas do governo, não lembro se do Paraná, ou de Santa Catarina. “Cuidado, às vezes, a pessoa pode ser amiga dos políticos, mas não quer dizer que seja competente.” E no Amazonas, o pessoal amigo dos políticos, também tem um curriculum recheado, com passagem em várias áreas e acaba como conselheiro no TCE. Neste caso específico, grande coisa mesmo, só a aposentadoria vitalícia, com todas as regalias. O curriculum não condiz com nada.
É como se admirou doutor Bustela do secretário de estado da saúde, demissionário. “Muito competente, né?” “Eu não acho. Todas as vezes que sai, descobrem rombos e mais rombos. A saúde está um caos. Além de greves estourando por todos os lados, ainda casos de dengue, malária, hepatite... sendo escondidos da opinião pública. Competente? Qual era a função dele?”
O pessoal que estudou Direito, parece que vive em outro mundo. Inclusive, uma juíza, desembargadora, sei lá que determinou que no Rio de Janeiro, em caso de não haver leito na rede pública que sejam, deslocados para a rede particular. Mas que grande idéia. Que idéia fantástica e maravilhosa. Quanto brilhantismo. Mas será que ela já leu a lei que promulgou o Serviço Único de Saúde, o tal de SUS? Diz exatamente isto. Se cumprem as leis, ou não, aí são outros assuntos. Mas o Rio, é um estado fora de qualquer realidade. É o estado mais djou do mundo. Enquanto todo mundo se desloca para lá, para discutir como combater a epidemia de dengue, o Prefeito do Rio, vai à Salvador, pedir ao Senhor do Bonfim, para Ele acabar com a praga em sua região. Mais djou, impossível. A doença uma realidade da qual ele é responsável, prefere pedir à entidades sobrenaturais. É incrível.
Parêntese aberto. Ele não estudou Direito. É bacharel em Economia. Toda regra tem exceção. Fecha, parente.
Então, entrando na discussão do Dom Cabral, minha irmã estava impressionada com as palavras do novo colonizador.
“Os líderes brasileiros, segundo uma pesquisa feita, ainda têm a mesma cabeça de 1961, enquanto os líderes norte-americanos...”
Vamos por partes.
A Fundação Dom Cabral, é um organismo ligado à ONU. A ONU e todos os seus organismos, são ligados diretamente aos interesses dos EUA. Ponto um.
A realidade dos EUA é uma, a nossa é totalmente outra, inclusive por que financiando a Ditadura Militar, eles nos fizeram perder muito tempo, para escolher o nosso caminho próprio. Ficamos muito tempo, sendo monitorados de fora, sem poder discutir o que é bom para nós. Ponto dois.
A sociedade brasileira, principalmente a classe-média, aprendeu a delegar poderes, quando a decisão é imprescindível. Por isso, ela prefere pegar os produtos feitos, do que pensar um produto seu. E não vê que as realidades, são diferentes. Ela quer aplicar direto, a realidade dos outros, aqui, como o faz com o idioma que nem traduz termos como aids – sida -, up-grade – ascendência a algum nível acima -, download – desembarcar, descarregar -, off – fora -, etc.
Nossa classe-média continua achando bonito, imitar apenas, sem mudar nada, para a realidade em que vive. Nem ela consegue avançar, ver à frente, fazer o quê?
As lideranças dos EUA, discutem outros temas. Exatamente, por que nos EUA, a realidade é outra, o racismo é desvelado, o nível econômico é superior aos outros, muito, por poderem desfrutar do subdesenvolvimento mundial a que eles relegam grande parte do mundo, para viverem muito bem. Agora que a mulher estadunidense estão começando a se mostrar de verdade, fora das garras masculinas. O sexo, apesar de estarmos em pleno Século XXI, ainda é um tabu, ainda consegue derrubar políticos, mesmo que seja apenas um assunto familiar, a família norte-americana, é cheia de preconceitos, racismos, tabus e muita hipocrisia, como a história das meninas americanas que conheci, na adolescência e que o pai dela, disse que eram muito novas, para namorarem. Tínamos entre 15 e 17 anos, acho. Depois, os comentários dos colegas e vizinhos, é que era tudo, hipocrisia. Eram mais vorazes do que qualquer menina brasileira. O que é até compreensível. Sexo é bom, muito bom. Desde que não queiram colocar no meu.
Não se pode transportar as discussões dos EUA, para o Brasil, sem se dar conta da realidade de cada um. Como também, não se pode transportar a realidade brasileira, bruta, para os EUA, como aconteceu com uma garota que veio para a casa de uma vizinha, no intercâmbio. A mãe dela, achava as mulheres brasileiras, despudoradas. A primeira orientação feita, foi para não fazer topless, como era moda naquela época. Pois quando ela voltasse para os EUA, a primeira coisa que ela iria ver, eram os bicos dos seios.
Como não dá para fazer discurso elevado, no meio de um pessoal que não tem tanto estudo. Já dizia uma passagem de Krishna. Alguma coisa como: “quando se estiver na casa alheia, deve-se comportar conforme os costumes dos donos. Se vestirem uma determinada roupa, deve-se acompanhar. Se comerem de uma maneira, deve-se comer do mesmo jeito.” Só não compreendo o por que dos monges no Brasil, vestirem aquelas roupas de jerimum caindo pelas tabelas, com um corte de cabelo que só deixar perceber a sujeira da qual somos feitos. No Brasil, não se anda assim. Mas religião, é uma coisa ilógica.
Claro que as discussões ainda beiram os anos de 1960, sabe por quê?
Naquela época, o Brasil discutia os seus caminhos, as suas mazelas, as suas vocações, quando de repente, o Embaixador Waters, passou por aqui e nos legou um Golpe de Estado, fedido.
Nossos problemas não cessaram, mas tiveram de se calar.
Os problemas adormeceram, não foram resolvidos e novos problemas foram nos mandados. Ao fim da Ditadura, os EUA tinham quase consolidado sua condição de hegemonia mundial, enquanto o Brasil, começou a discutir do zero, com um grande problema. O brasileiro aprendeu a não discutir. Tudo está bem, tudo está legal, não vamos discutir, pois o nosso ideal, é a paz. Discussão é para aqueles povos dos outros países. Principalmente os mais desenvolvidos. Eles discutem por tudo. “E não são felizes. O dinheiro não trás a felicidade. Quanto menos se tem, mais feliz se é...” Ditados batidos e rebatidos na cabeça dos compatriotas. E o pior, muita gente acredita. E acaba entregando para quem os recita dia e noite, em forma de oração.
E vamos levando a paz, onde a distribuição da renda, é desigual todo o tempo e a solução, é filantropia, em forma de cesta, ou de bolsa, mais moderno, com as favelas em grandes escalas, com a violência grassando e principalmente com todo tipo de tráfico, mandando e desmandando, desde armas, até animais silvestres, numa paz duradoura,.
Assim sendo, ainda caçamos os animais na natureza, para enviar aos EUA, enquanto eles já estão transformando geneticamente, esses mesmos animais, e vendendo-os, em produção de escala, enquanto a nossa natureza já dá sinal de esgotamento. O que se vê de bom mesmo, é a propaganda dos governos. Eles se dizem preocupadíssimos com o meio-ambiente e na mesma seqüência, acabam com os mananciais hídricos; desviam os rios do Nordeste, quando se sabe que o lençol freático do Nordeste, está quase à mostra e com pouca coisa se teria muito mais água; subsidiam, financiam e dão crédito para os produtores rurais investirem em gado, soja, cana e todo tipo de culturas exóticas, na Amazônia; passam como trator por cima das conclusões de que a construção de uma hidrelétrica no Madeira, vai gerar muita destruição... Não interessa se essas obras todas de hoje, no futuro, sejam mais uma Transamazônica que devastou um território enorme, para nada. O que interessa, é falar bonito. O discurso é um, a prática, é totalmente outra. E a propaganda, é como oração. Faz todo mundo crer na bondade.
Os governantes adoram falar o que o povo quer ouvir. E a ecologia está na moda, então, as falações são todas desviadas para essa área. Mas a prática. “Hey, hey, lembra dos meus cabêilos?...” Lembra do Projeto Jarí na Praça da Polícia? E do reitor que mandou acabar com os bosques no mini-campus? O discurso não acompanhou a prática e foi um desastre, como até hoje, a força política dele, governa. No futuro a gente se esquece e desvia a discussão. “Bombril tem 1.001 utilidades.” Para que serve a propaganda brasileira?
Então os mesmos defensores de Dom Cabral, podem até alegar que a culpa é dos nossos políticos. Não maninho, a culpa é de não nos deixarem pensar em democracia. Só agora estamos aprendendo a separar o joio do trigo. E pelo andar da carruagem, está cada dia mais difícil. Até os planos programáticos dos partidos, estão muito parecidos. “Um mundo justo para todos, o bem comum, a defesa da Democracia e da Ecologia...”Até a Arena, quero dizer, o PDS, ou seja, o PFL, quero dizer, o Dem, advoga essas causas. O PP, muitas vezes parece até um partido de vanguarda. Não muda nada. O discurso e a prática, são confusas. Qual a diferença entre: MOBRAL e EJA? Itaipu e Madeira? Transamazônica e Desvio do Velho Chico? As estradas cortando aldeias e a farra da Monsanto, com os transgênicos?
Talvez a diferença, esteja em que uns antigos companheiros, locupletando-se exatamente como o faziam os velhos generais? Ninguém sabe qual a diferença na prática do PDS, para o Dem, para o PT e até para o PC do B. Mas eis uma torcida idiota. OS eleitores torcem pelos seus, sem ver que eles só defendem a sua parte, sem se interessar com a parte que nos toca. E o futuro atingir-nos-á, a todos. As besteiras feitas hoje, não perguntarão qual a tua, a minha ideologia, amanhã.
Qual a forma de governar do PMDB, para o PRONA, para o PSDemB e o PT? Alguns fatos esporádicos, conjunturais, alardeados como ação de estado?
Umas maracutaias visíveis. Até para a escolha de professores universitários, exigem-se níveis incompatíveis com a realidade. Valores exorbitantes. De certa forma, já elimina muita gente que não pode pagar e de outra forma, dá isenção aos “companheiros”, para serem escolhidos e formarem a base da formatação das idéias. Muito parecido com o Estado de Exceção, onde os amigos tinham todas as regalias e os inimigos, eram perseguidos até no estrangeiro. Acho que se esqueceram. E se isso levasse, a uma revolução, na acepção da má palavra, uma troca de classes, de princípios, de ideologia... Nada. Apenas uma troca de companheiros, para se ascender socialmente e aparecer nas colunas sociais, sem com que isso, leve a algum grande benefício para todos. Tão leviano, tão perigoso, quanto qualquer ato da Ditadura Militar, do Governo Sarney, do Color de Melou, do Itamar, do FkHC que só mudam os nomes dos partidos, mas repetem as mesmas práticas.
Porém, hoje, está se vendo que mudança não há, exatamente. Quem comeu ontem, está se lambuzando hoje e torce para nada mudar, para continuar ganhando, apenas com uma mudança conjuntural, onde um fica na oposição, o outro na situação, mas a situação não muda. É tudo a mesma coisa, com nomes diferentes. É como café nas prateleiras de supermercado nacional. Só muda o nome, Um é Brasil, outro Urupá, outro Globo, outro Manaus, outro Brasil... Mas só muda a embalagem. O gosto é muito parecido. É como whisk para quem já está de porre. O nome não faz a menor diferença. No outro dia, a ressaca é a mesma. Uma dor de cabeça! E só melhora se a gente vomitar tudinho.
Mas democracia é aprendizado. Um dia iremos pular este estágio. Quem sabe, nenhum partido dos atuais, sobreviva. Ou de outra forma, no futuro só vai sobreviver partido que realizar um grande expurgo na sua base política nacional e político seja de verdade, aquele que foi eleito para representar os interesses nacionais e não os seus, ou do partido, como se o eleitor nem existisse. Quem sabe, o João Amazonas, o Brizola, o Arraes e o Palmeira, baixem em uma sessão espírita e dêem outro rumo a seus ensinamentos que foram esquecidos? Ou relegados a segundo-plano? Ou varridos para debaixo do tapete? Por enquanto, a discussão, é de quem rouba mais, como se quem rouba menos, tivesse de ser perdoado. Não interessa quantos se tenha matado, para se ostentar o título de assassino. O resto, é discussão jurídica.
Mas de certa maneira, é o que a sociedade pede do debate político. A sociedade está pedindo para ser enganada, como os trouxas que foram procurar a macumbeira, em Manaus . “Eu tinha acabado com a minha namorada e ela me pediu R$ 7.000,00 para fazer um trabalho para voltarmos.” Meu irmão, com esse dinheiro, o cara viaja, freqüenta grandes ambientes e ainda come, por tabela, toda noite, essas interesseiras que ficam atrás de casamento rico. Depois, é só dizer adeus. “Foi tudo lindo e maravilhoso, mas a dor do parto... Parto antes que a dor, doa diretamente no meu bolso. Foi bom ver tudo isso, mas até mais ver.” Enquanto quem está tomando no cu são os outros, tudo bem. Mas quando, por causa de uma fodinha, quem toma no rabo sou eu, para o resto da vida, não tem a menor graça, nem é brincadeira. Estou fora. Estava dentro, mas tirei antes que pingasse. E vai ver que a namorada nem era lá tudo isso.
O eleitorado brasileiro não suporta debater, nem ouvir propostas. Como questionar de verdade os representantes, sem um debate? Um debate de verdade, não um show de cartas marcadas, remarcadas e até, requentadas? E acaba indo atrás das palavras ditas, sem questionamento. É a Lei Falcão dos tempos modernos. “Homens, não sois máquinas...” Já dizia o Charles Chaplin.
Uns votam no candidato, por que ele é de determinado partido. E os partidos na ânsia de crescerem, aceitam qualquer coisa. E quando se tem qualquer coisa no seu âmago, a tendência de a coisa podre começar a apodrecer todo o resto, é enorme. No mínimo, uma indisposição intestinal, por causa de uma coisinha podre que se instalou no meio do todo. E no fim, toda a história do partido se apodrece com a presença de um ou outro elemento estragado que impregna o resto.
Outros votam, por que ele aparece na tv e fala palavras bonitas, mesmo que a prática não seja essa. Os apresentadores de programas piegas.
Outros, por que acham o candidato muito simpático. Dá jujuba para as crianças. Mal sabem eles que dão doce para as crianças, na esperança delas darem para eles. E ainda se gasta o dinheiro público em campanhas contra a pedofilia. Quanta incoerência. Ou melhor. A cara do Brasil. Só para dizer que não se fez, quando se sabe que as medidas têm de ser bem outras.
E o pior de todos, uns outros que não votam em ninguém. Lobotomizados da ditadura que têm medo de escolher alguma coisa por conta própria e relegam a escolha, à maioria. Não têm nem direito de reclamar. Eles não são capazes nem de escolher o melhor para si, imagina o resto. Comem sapo, querendo enganar os outros, como se tivessem sido enganados, pensando que estavam comendo bacalhau. Imagina quando têm de decidir a própria vida.
Está ruim, mas a gente faz de conta que nem nota. Discutir por quê? Somos um povo pacífico. Como se o cós tivesse a haver com as calças.
Sim, nossos líderes ainda discutem temas de 1961, mas sabe por quê?
Por que quando se discutiam as Reformas de Base, como a Reforma Agrária, os EUA começaram a aterrorizar o mundo, com a idéia do Comunismo. Qualquer coisa que saísse do seu controle, era visto como uma ameaça Comunista. Sabe como é, não é? É muito parecido com o lema do Terrorismo, na atualidade.
Então a Reforma Agrária, ainda não foi feita e o que há muito no campo, é a violência, devido à falta de qualquer política de verdade. O resto é propaganda institucional que não tem nada a ver com Reforma Agrária. E ainda no Brasil, o tema Reforma Agrária, é vista como coisa de comunista. Vai ver que o Japão, os EUA, a França, a Inglaterra, a Holanda, a Itália, são repúblicas socialistas soviéticas, por que fizeram a reforma, há muito tempo. Tão modernas que ainda hoje, ainda se glorifica no cinema, um batalhão de polícia, nos moldes do Esquadrão da Morte, surgido naqueles tempos que não são idos. Ainda vivem na alma nacional.
A tortura deixou de ser manchete, por ter se tornado fato corriqueiro. Ainda morem presos, em circunstância tão estranhas, quanto a morte do Wladmir Herzog que para se suicidar com o cinto, teve de ficar de joelhos. Ainda hoje se tem notícias de presos que se suicidam com faca de aniversário de criança que não cortam nem ovo frito.
Ainda se execra os direitos humanos, como se fossem um empecilho para a sociedade.
Ainda hoje, partidos ditos de esquerda, ainda reverenciam a imagem de Getúlio Vargas.
Ainda hoje, os níveis de evasão escolar são enormes. E a solução, é analfabetizar os adultos com um ensino paliativo, para inglês ver.
Ainda hoje, os índices de natalidade, são enormes, por que, apesar do Brasil se dizer um país laico as igrejas ainda determinam o seu futuro, o seu presente e o seu passado.
Ainda hoje, o número de pessoas graduadas que não sabem pensar logicamente, não sabem se expressar condignamente, não sabem pensar por conta própria é enorme. E os centros de pesquisa são inundados por pessoas que juram de pés juntos que o mundo surgiu no Livro do Gênese.
Ainda hoje, quem pensa diferente, é visto como um perigo a ser isolado.
Ainda hoje, as pessoas estão morrendo de tuberculose, dengue, malária, febre-amarela, gonorréia e fome.
É por isso que os nossos líderes discutem coisas de 1961. Por que as cabeças ainda não evoluíram, bastante, como um todo. Os cidadão não têm o sentido do bem comum e querem os bens, só para si. E os medos, ainda são muitos os mesmos daquela época.
Outra coisa dita foi sobre o serviço público. Poxa, tenho de voltar a estudar. Parece até que os professores continuam com o pensamento, como no tempo da Educação Moral e Cívica, uma matéria que muita gente nem sabe do que se trata.
Segundo o professor, os líderes são tratados no mesmo patamar dos outros. Não se diferenciam as pessoas no serviço público. Pois para mim, até que está muito bagunçado. O cara entra como serviços-gerais, de repente está administrando, mesmo que se tenha o cargo de administrador preenchido.
Será que ele já ouviu falar da impessoalidade. Um nome pomposo, aplicado até na Justiça Brasileira. Pelo menos, no papel. É como o cara quisesse dar uma pimbadinha, mas não pudesse escolher com quem. A primeira da fila, tinha de saciar tanto o seu, quanto o seu desejo. Entendeu? Ou é isso, ou é nádegas. Num caso destes, escolheria a última opção. Pelo menos, a literatura médica ainda não nos trouxe nenhuma prenhês, nesta posição.
O que acontece é que para se evitar que os Coronéis utilizassem os cargos públicos de acordo com as suas vontades, optou-se pela estabilidade, justamente para evitar que a cada nova eleição, o servidor público que não concordasse com o dirigente da hora, fosse demitido, exonerado, sem justa causa, sem um processo administrativo, sem se saber por quê.
Porém, a estabilidade trouxe uma certa letargia ao funcionalismo público que ao se ver garantido, depois dos 3 anos constitucionais, muitas vezes, não se pode tomar como uma regra fechada, não procura evoluir, não procura novos rumos, outras formas de atuação, além de marcar passo, bater o cartão de ponto e esperar uma brecha para fugir. De certa forma, a estabilidade também se mostrou um entrave à administração contemporânea. Muito por que se colocam os partidários, os correligionários em cargos, em funções que eles nem sabiam que existia. E com um chefe incompetente à frente, não se pode ter estímulos, para nada. O próprio incompetente, sente-se inseguro, com alguém que considera mais competente do que ele. E muitas vezes, os chefes pegam as coisas em um estágio e nem tentam fazer diferente, não por preguiça, mas total incapacidade para a função. Como os outros que estão abaixo hierarquicamente de uma pessoa assim, podem ser estimuladas? Na maioria das vezes, são sacaneadas por este mesmo chefe que confunde autoridade, com autoritarismo. Hierarquia, com servidão. E não é um gato existente só no setor público. É quase geral, na cabeça do brasileiro.
Mas se as leis existentes dizem que as pessoas tem de prestar concursos para os cargos determinados, o quem sempre é levado a sério, ou se cumpre como determina a Constituição, ou se apresentam novas formas, para evitar tanto a utilização do serviço público como cabide de emprego, o que nem com lei estabelecida, deixou de ser assim e de outra forma, de se exigir do funcionalismo, que ele procure ser mais autônomo, mais independente das funções já apresentadas. Mesmo por que, com alguns chefes se o funcionário se comportar de tal maneira, será visto como um subalterno pronto a causar constrangimento ao chefe, ou seja, a ele.
No Brasil, ainda se fazem muitas leis, para não serem executadas, nem se tenta mudar as cabeças, para compreender o sentido das mesmas.
E as leis existem, para servirem até o ponto que se mostram ineficientes. O que não dá, é querer trazer os exemplos dos outros, para o nosso país, sem pensar na realidade que se nos apresentam.
Caducou a lei, ou antes que isso aconteça, por que não começar a discutir?
Está ruim com a estabilidade do serviço público, mas de outra forma, também o era. Como conciliar mais mobilidade na administração pública, sem que o pensamento divergente seja penalizado, com a exoneração? Como delegar poderes aos funcionários públicos, quando a prática é de se colocar as pessoas nas funções, às escuras? Sem se saber nada das aptidões da mesma, nem que se diga à ela, como funciona o cargo, dentro da missão da empresa, da política e do organograma que quase sempre, é um objeto que causa estupor quando é realizado, mas quase sempre, é largado em um lugar tão escondido que acaba sendo esquecido? Eu me mostro totalmente ignorante, principalmente nessa discussão, onde não tenho nenhuma idéia. E olha que é uma coisa que afeta toda a sociedade e recai no serviço oferecido, em última análise.
Vou começar a pensar sobre. Adoro fazer elucubrações, principalmente por causa do nome. Parece alguma coisa com sexo anal. Desde que elucubrem no dos outros, não tenho nada contra.
As realidades são totalmente diferentes. Até de uma região para outra, do mesmo país.
Em um dos congressos da UNE, já tínhamos formado nossa turma para dormirmos juntos, desde o Congresso de Campinas, onde quase todo mundo ainda não tinha uma força política escolhida, para atuar no Movimento Estudantil. Lá se iam, bem uns três anos da turma se encontrando nos congressos.
Então chegamos, nos inscrevemos, nos encontramos e deixamos nosso material, junto, para quando chegássemos, continuássemos juntos. Tudo feito, fomos conhecer a cidade, os bares da região, os points. Já de madrugada, quando retornamos, já no escuro, não conseguimos encontrar nada nosso. Inclusive o local já estava sendo habitada por uma gauchada de bombacha e revólver.
Depois de muita discussão, dividimos o espaço, para dormirmos juntos. O material ficou espalhado até o dia seguinte, quando a luz do dia nos auxiliasse.
Uma das meninas do grupo de gaúchos, era toda puritana, cheia de não-me-toques e outras firulas. Quando deitamos para dormir, minha amiga que me acompanhava ao lado do colchonete em quase todos os congressos, começou a me cutucar. Não era para mais nada, além de ouvir os suspiros, vindos do lado da gauchada, exatamente, de onde estava a menina e o namorado. O fungado foi tão forte que no outro dia a gauchinha armou outro barraco, acusou todo mundo de ter roubado suas jóias, coisa impensável em um congresso de estudantes e se mudou com o namorado, para um quarto de hotel de verdade.
É a cultura deles. Mostrar toda pureza sob as luzes e despir essas coisas, quando se apagam as mesmas.
Já as meninas do Nordeste, não escondiam o jogo. Falavam abertamente. Até abertamente demais.
Em outro congresso em que eu fui sem agasalho, por pensar que não fazia frio, fui convidado para ir buscar um agasalho no hotel, onde estava hospedada uma maranhense. Mas como não fazia nem um pouco o meu tipo e estava vendo que ela queria dar mais do que o agasalho e era muito insistente, passei a bola para um outro companheiro que me trouxe o agasalho e até há pouco tempo, ainda estava guardado em uma das minhas gavetas.
Vendo a minha condição desprevenida, vai ver que as companheiras tiveram pena de mim e fui convidado a rachar um “cobertor de orelha” na Paraíba uma noite, no Mato Grosso do Sul, outra noite, justamente quando baixou a porrada entre a Paraíba e a MS e eu nem era das regiões, passando por Goiás, até chegar em Alagoas que na realidade, era da comitiva do Rio de Janeiro. As garotas ficaram penalizadas com a minha condição e não faziam o convite às escuras, ou escondidas. Era na cara dura mesmo. Eu, apesar de muito tímido, precisava me aquecer para não morrer duro. De frio. E aceitava, muito constrangido, uns convites tão sinceros. Singelos e até, muito puros das partes.
Se não me engano foi nesse mesmo congresso em que as meninas da delegação chegaram reclamando de abandono, por que elas não saíam para nenhuma festa – “mas a gente não conhece ninguém.” “As festas são feitas, para a gente se conhecer.” - e quando as delegações do Amazonas e do Pará, encontraram-se no caminho, enquanto se conduziam para a rodoviária, após o término dos trabalhos, num firo de lascar o crânio, uma bondosa paraense estendeu o hedredom em praça pública, por cima de nossos dois corpos, já altas madrugadas, para ficarmos brincando um pouco. E as companheiras acharam que estávamos brincando debaixo do hedredom. Foi só brincadeirinha. “Não têm espírito esportivo!” Ademais, a delegações continuaram o seu caminho e nós continuamos brincando, até um pouco mais. Inclusive, eu tive de me virar, para sair de lá, pois não tinha mais bilhete para mim. Foi difícil, mas consegui partir. Com a boa vontade de todo o povo local que me deu toda a força, inclusive as dicas de como se burlam as leis. Inclusive, era para eu viajar em pé, mas logo no início da viagem, cederam-me o lugar. Graças a Deus que não foi como uma louca, numa viagem pelas estradas de São Paulo que pedia para eu colocar a bagagem dela, no bagageiro, depois decidia ir para outro local e eu tinha de tirar a bagagem, depois decidia voltar e eu tinha de colocar tudo de volta... Até que o motorista deu as dicas. Ela era louca e cada local no ônibus, é destinado a um certo tipo de passageiro. Do meio para o início, é família. Quanto mais para perto do banheiro... Aprendi a viajar até de avião.
Ninguém é melhor do que ninguém, por isso, ou aquilo. Cada qual tem suas idiossincrasias e seus conhecimentos e aptidões.
Somos culturas diferentes que um dia, vão ter de discutir o que é melhor para cada um. E o melhor, é que elas possam decidir por conta própria, sem imposição externa.
O Brasil tem todas as suas particularidades que são só suas. Começando pela posição geográfica.
Os EUA tem uma outra vivência, a começar pelo hemisfério onde se situa.
A sexualidade da mulher brasileira é discutida nas novelas. Uma maneira encontrada para levar a discussão adiante. E apesar dos religiosos insistirem de que o sexo é pecado, na verdade se tem em mente que pecado, é não molhar o biscoito no bacalhau. Até os religiosos esquecem os mandamentos e caem no folia.
Já nos EUA, a Madona, é considerada a mulher mais liberal do país, com idéias, até ultrapassadas no Brasil. Mas ninguém vai querer que de uma hora para a outra, as estadunidenses, com a bunda branca, sem bronzeado algum, saiam com tangas enfiadas no meio das bochechas. Que o sexo seja visto como uma coisa tão banal que até na Parada do Dia de Graças, homens e mulheres saiam exibindo os corpos quase nus.
Nem se vai querer de uma hora para a outra que a moda na França, seja a burka. Ou que as brasileiras se castrem psicologicamente como as americanas o fazem, ou alguns povos mulçumanos que castram o prazer feminino, extirpando o clitóris. São coisas inviáveis, querer imprimir um ritmo totalmente diferente a culturas que não têm nada a haver com os princípios ditos “certos”, só por que são norma no país dos outros.
Talvez, o Dom Cabral, que acabou na fundação, não seja o mesmo Dom Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil, depois que algumas caravelas afundaram. E o Cabral do Brasil, nem pense igual ao Cabral que está afundando o Rio da Família Imperial. Portanto, as visões de mundo, o alcance e as necessidades são diferentes. Não dá para se querer jogar de pára-quedas normas e práticas, como fazem com as “ajudas humanitárias” que acabam se perdendo com tantos gêneros de primeira necessidade, no meio do tumulto.
Nas operações de selva, aprendi uma coisa básica. Não adianta idealizar uma determinada arma, para se combater. A melhor arma é a que se dispõe no momento. E se não se tem nenhuma arma, inventa uma. O que interessa, é não perder o rumo da batalha.
Os EUA têm F21, ótimo para eles. Nós ainda estamos no Tucano, vamos aprender como combater com o que temos e estudar como aprimorá-lo. Nossas necessidades são outras.
É como um professor da Economia que queria se guiar pelo ritmo das universidades dos EUA. Brincalhão. Com o mesmo sistema de pontuação. Só não via que o professor pegar a aluna e depois transformá-la em professora, nos EUA, daria um escândalo e quem sabe, até a expulsão dos dois da instituição de ensino.
Não que tenhamos de nos isolar do mundo e pensar um mundo só nosso. Mas também, não peguemos os exemplos dos outros, sem adaptá-los à nossa realidade.
Lá, eles são uma confederação. Aqui, ninguém manda em nada. Sim que somos uma república. Mas ninguém é responsável por nada, ainda mais quando a coisa não sai a contento, como em uma república de estudantes ainda.
Porém, a mais nova, desde quando viajei com ela e família dela, acho que a credulidade, é mais uma forma de marketing pessoal, para chamar a atenção. Ela reunia o pessoal para “puxar uma oração”, no avião, no barco, no carro e fazia o maior charme, como se faz, para mostrar credulidade. Pouquíssimo tempo depois, esquecia a oração feita e saía chamando os piores palavrões, para os outros motoristas nas vias públicas. Por isso, não credito muito nessa onda de “puxar oração”. Eu conhecia puxar o carro, puxar o fumo, puxar a carruagem, puxar o tapete, puxar um ronco, puxar o saco, puxar um samba... Mas puxar oração foi novidade para mim. E mais novidade ainda, como ela puxava o Pai Nosso. Olha que eu não decorei como é, no catecismo, mas não era exatamente aquele, segundo o Espiritismo. Égua, como mudou. De repente aquilo tudo que se pensava verdadeiro, deu lugar a uma nova maneira de pensar que apareceu do nada. Eu hein! Nem Freud, muito menos São Paulo explicam.
Porém, a outra é tão crédula que se disserem que cocô, é divino e é um manjar dos deuses, é bem capaz dela comer.
Até hoje, defende uma charlatã que ficava pela Ponta Negra e que uma amiga minha me fez pagar R$ 10,00, para ela não responder exatamente nada, para mim. Ela perguntou o que eu queria saber. Na realidade, eu não queria saber nada. Caí de gaiato no navio. E depois, quando perguntei, o que me veio à cabeça, ela achou que ganhar nas loterias acumuladas, é brincadeira. Ficar rico é brincadeira, desde quando? Resultado, ficou falando sobre a minha vida sentimental que não me interessa, nadinha. Vou ter 2 filhos – só se a camisinha furar e vierem logo gêmeos. Na minha família não tem histórico, só se na família da outra, a história é em duplicata -, vou casar duas vezes – com quase 50 nas costas, só se acabar de casar com a Hermenegilda, matá-la, para casar com a Refrondita. Aí eu acredito, mas vou virar assassino e isso não me interessa. Deixa eu ficar solteiro mesmo que eu acho muito bom. E o pior, se a primeira ficar sabendo que ainda tem de ter uma segunda, aí é que não casa mesmo. É complicado -, não sei como a minha irmã não está envolvida com aquele grupo de basbaques que pagou caro, para uma macumbeira passar o conto do vigário neles. Pagaram para encontrar a felicidade e agora estão chorando.
Então, minha irmã crédula de verdade, está fazendo um mestrado e o professor do módulo, é o responsável por trazer a Fundação Dom Cabral para o Brasil. Assim dizem as más línguas.
Até aí, tudo bem. Inês é morta – mas como eu gostava tanto dela. Pena que as últimas vezes em que nos vimos, a minha namorada da época deu chilique, por causa de um simples abraço da parte dela, para a minha pessoa e de outra feita, o namorado dela, ficou cheio de ciúmes, quando nos encontrou entre as gôndolas de um supermercado da cidade. Conversando apenas. Mas devo dizer que a calça dela estava matando. Uma cinturinha até o cós, os olhos rasgados, por cima e o resto tudo ao, dentro da calça, obviamente – e até aí, morreu Neves – tão novo, com o bigode pretinho ainda. Ele só não podia limpar os beiços com guardanapo, senão ficava a marca do bigode. E olha que ele não se chamava Jesus e nem quem oferece apoio a ele, não se chama Verônica. Como pode -, mas, e daí?
Títulos são importantes sim. Mas às vezes, não condizem com a realidade. Nada de nada que nem um colega meu NN que quase morre afogado no meio do Rio Negro. O NN na farda, significava “nada nada”. Tiraram a bóia dele e ele espumou que nem champagne na noite de Ano Novo. Quase conversa com Jesus, cara à cara.
Certa vez, uma conhecida minha, também advogada – não sei por que quem faz o curso de Direito, parece que fica djou – também fazendo pós-graduação, ficou impressionada com o curriculum de um dos professores do módulo. Tinha passado por todas as áreas do governo, não lembro se do Paraná, ou de Santa Catarina. “Cuidado, às vezes, a pessoa pode ser amiga dos políticos, mas não quer dizer que seja competente.” E no Amazonas, o pessoal amigo dos políticos, também tem um curriculum recheado, com passagem em várias áreas e acaba como conselheiro no TCE. Neste caso específico, grande coisa mesmo, só a aposentadoria vitalícia, com todas as regalias. O curriculum não condiz com nada.
É como se admirou doutor Bustela do secretário de estado da saúde, demissionário. “Muito competente, né?” “Eu não acho. Todas as vezes que sai, descobrem rombos e mais rombos. A saúde está um caos. Além de greves estourando por todos os lados, ainda casos de dengue, malária, hepatite... sendo escondidos da opinião pública. Competente? Qual era a função dele?”
O pessoal que estudou Direito, parece que vive em outro mundo. Inclusive, uma juíza, desembargadora, sei lá que determinou que no Rio de Janeiro, em caso de não haver leito na rede pública que sejam, deslocados para a rede particular. Mas que grande idéia. Que idéia fantástica e maravilhosa. Quanto brilhantismo. Mas será que ela já leu a lei que promulgou o Serviço Único de Saúde, o tal de SUS? Diz exatamente isto. Se cumprem as leis, ou não, aí são outros assuntos. Mas o Rio, é um estado fora de qualquer realidade. É o estado mais djou do mundo. Enquanto todo mundo se desloca para lá, para discutir como combater a epidemia de dengue, o Prefeito do Rio, vai à Salvador, pedir ao Senhor do Bonfim, para Ele acabar com a praga em sua região. Mais djou, impossível. A doença uma realidade da qual ele é responsável, prefere pedir à entidades sobrenaturais. É incrível.
Parêntese aberto. Ele não estudou Direito. É bacharel em Economia. Toda regra tem exceção. Fecha, parente.
Então, entrando na discussão do Dom Cabral, minha irmã estava impressionada com as palavras do novo colonizador.
“Os líderes brasileiros, segundo uma pesquisa feita, ainda têm a mesma cabeça de 1961, enquanto os líderes norte-americanos...”
Vamos por partes.
A Fundação Dom Cabral, é um organismo ligado à ONU. A ONU e todos os seus organismos, são ligados diretamente aos interesses dos EUA. Ponto um.
A realidade dos EUA é uma, a nossa é totalmente outra, inclusive por que financiando a Ditadura Militar, eles nos fizeram perder muito tempo, para escolher o nosso caminho próprio. Ficamos muito tempo, sendo monitorados de fora, sem poder discutir o que é bom para nós. Ponto dois.
A sociedade brasileira, principalmente a classe-média, aprendeu a delegar poderes, quando a decisão é imprescindível. Por isso, ela prefere pegar os produtos feitos, do que pensar um produto seu. E não vê que as realidades, são diferentes. Ela quer aplicar direto, a realidade dos outros, aqui, como o faz com o idioma que nem traduz termos como aids – sida -, up-grade – ascendência a algum nível acima -, download – desembarcar, descarregar -, off – fora -, etc.
Nossa classe-média continua achando bonito, imitar apenas, sem mudar nada, para a realidade em que vive. Nem ela consegue avançar, ver à frente, fazer o quê?
As lideranças dos EUA, discutem outros temas. Exatamente, por que nos EUA, a realidade é outra, o racismo é desvelado, o nível econômico é superior aos outros, muito, por poderem desfrutar do subdesenvolvimento mundial a que eles relegam grande parte do mundo, para viverem muito bem. Agora que a mulher estadunidense estão começando a se mostrar de verdade, fora das garras masculinas. O sexo, apesar de estarmos em pleno Século XXI, ainda é um tabu, ainda consegue derrubar políticos, mesmo que seja apenas um assunto familiar, a família norte-americana, é cheia de preconceitos, racismos, tabus e muita hipocrisia, como a história das meninas americanas que conheci, na adolescência e que o pai dela, disse que eram muito novas, para namorarem. Tínamos entre 15 e 17 anos, acho. Depois, os comentários dos colegas e vizinhos, é que era tudo, hipocrisia. Eram mais vorazes do que qualquer menina brasileira. O que é até compreensível. Sexo é bom, muito bom. Desde que não queiram colocar no meu.
Não se pode transportar as discussões dos EUA, para o Brasil, sem se dar conta da realidade de cada um. Como também, não se pode transportar a realidade brasileira, bruta, para os EUA, como aconteceu com uma garota que veio para a casa de uma vizinha, no intercâmbio. A mãe dela, achava as mulheres brasileiras, despudoradas. A primeira orientação feita, foi para não fazer topless, como era moda naquela época. Pois quando ela voltasse para os EUA, a primeira coisa que ela iria ver, eram os bicos dos seios.
Como não dá para fazer discurso elevado, no meio de um pessoal que não tem tanto estudo. Já dizia uma passagem de Krishna. Alguma coisa como: “quando se estiver na casa alheia, deve-se comportar conforme os costumes dos donos. Se vestirem uma determinada roupa, deve-se acompanhar. Se comerem de uma maneira, deve-se comer do mesmo jeito.” Só não compreendo o por que dos monges no Brasil, vestirem aquelas roupas de jerimum caindo pelas tabelas, com um corte de cabelo que só deixar perceber a sujeira da qual somos feitos. No Brasil, não se anda assim. Mas religião, é uma coisa ilógica.
Claro que as discussões ainda beiram os anos de 1960, sabe por quê?
Naquela época, o Brasil discutia os seus caminhos, as suas mazelas, as suas vocações, quando de repente, o Embaixador Waters, passou por aqui e nos legou um Golpe de Estado, fedido.
Nossos problemas não cessaram, mas tiveram de se calar.
Os problemas adormeceram, não foram resolvidos e novos problemas foram nos mandados. Ao fim da Ditadura, os EUA tinham quase consolidado sua condição de hegemonia mundial, enquanto o Brasil, começou a discutir do zero, com um grande problema. O brasileiro aprendeu a não discutir. Tudo está bem, tudo está legal, não vamos discutir, pois o nosso ideal, é a paz. Discussão é para aqueles povos dos outros países. Principalmente os mais desenvolvidos. Eles discutem por tudo. “E não são felizes. O dinheiro não trás a felicidade. Quanto menos se tem, mais feliz se é...” Ditados batidos e rebatidos na cabeça dos compatriotas. E o pior, muita gente acredita. E acaba entregando para quem os recita dia e noite, em forma de oração.
E vamos levando a paz, onde a distribuição da renda, é desigual todo o tempo e a solução, é filantropia, em forma de cesta, ou de bolsa, mais moderno, com as favelas em grandes escalas, com a violência grassando e principalmente com todo tipo de tráfico, mandando e desmandando, desde armas, até animais silvestres, numa paz duradoura,.
Assim sendo, ainda caçamos os animais na natureza, para enviar aos EUA, enquanto eles já estão transformando geneticamente, esses mesmos animais, e vendendo-os, em produção de escala, enquanto a nossa natureza já dá sinal de esgotamento. O que se vê de bom mesmo, é a propaganda dos governos. Eles se dizem preocupadíssimos com o meio-ambiente e na mesma seqüência, acabam com os mananciais hídricos; desviam os rios do Nordeste, quando se sabe que o lençol freático do Nordeste, está quase à mostra e com pouca coisa se teria muito mais água; subsidiam, financiam e dão crédito para os produtores rurais investirem em gado, soja, cana e todo tipo de culturas exóticas, na Amazônia; passam como trator por cima das conclusões de que a construção de uma hidrelétrica no Madeira, vai gerar muita destruição... Não interessa se essas obras todas de hoje, no futuro, sejam mais uma Transamazônica que devastou um território enorme, para nada. O que interessa, é falar bonito. O discurso é um, a prática, é totalmente outra. E a propaganda, é como oração. Faz todo mundo crer na bondade.
Os governantes adoram falar o que o povo quer ouvir. E a ecologia está na moda, então, as falações são todas desviadas para essa área. Mas a prática. “Hey, hey, lembra dos meus cabêilos?...” Lembra do Projeto Jarí na Praça da Polícia? E do reitor que mandou acabar com os bosques no mini-campus? O discurso não acompanhou a prática e foi um desastre, como até hoje, a força política dele, governa. No futuro a gente se esquece e desvia a discussão. “Bombril tem 1.001 utilidades.” Para que serve a propaganda brasileira?
Então os mesmos defensores de Dom Cabral, podem até alegar que a culpa é dos nossos políticos. Não maninho, a culpa é de não nos deixarem pensar em democracia. Só agora estamos aprendendo a separar o joio do trigo. E pelo andar da carruagem, está cada dia mais difícil. Até os planos programáticos dos partidos, estão muito parecidos. “Um mundo justo para todos, o bem comum, a defesa da Democracia e da Ecologia...”Até a Arena, quero dizer, o PDS, ou seja, o PFL, quero dizer, o Dem, advoga essas causas. O PP, muitas vezes parece até um partido de vanguarda. Não muda nada. O discurso e a prática, são confusas. Qual a diferença entre: MOBRAL e EJA? Itaipu e Madeira? Transamazônica e Desvio do Velho Chico? As estradas cortando aldeias e a farra da Monsanto, com os transgênicos?
Talvez a diferença, esteja em que uns antigos companheiros, locupletando-se exatamente como o faziam os velhos generais? Ninguém sabe qual a diferença na prática do PDS, para o Dem, para o PT e até para o PC do B. Mas eis uma torcida idiota. OS eleitores torcem pelos seus, sem ver que eles só defendem a sua parte, sem se interessar com a parte que nos toca. E o futuro atingir-nos-á, a todos. As besteiras feitas hoje, não perguntarão qual a tua, a minha ideologia, amanhã.
Qual a forma de governar do PMDB, para o PRONA, para o PSDemB e o PT? Alguns fatos esporádicos, conjunturais, alardeados como ação de estado?
Umas maracutaias visíveis. Até para a escolha de professores universitários, exigem-se níveis incompatíveis com a realidade. Valores exorbitantes. De certa forma, já elimina muita gente que não pode pagar e de outra forma, dá isenção aos “companheiros”, para serem escolhidos e formarem a base da formatação das idéias. Muito parecido com o Estado de Exceção, onde os amigos tinham todas as regalias e os inimigos, eram perseguidos até no estrangeiro. Acho que se esqueceram. E se isso levasse, a uma revolução, na acepção da má palavra, uma troca de classes, de princípios, de ideologia... Nada. Apenas uma troca de companheiros, para se ascender socialmente e aparecer nas colunas sociais, sem com que isso, leve a algum grande benefício para todos. Tão leviano, tão perigoso, quanto qualquer ato da Ditadura Militar, do Governo Sarney, do Color de Melou, do Itamar, do FkHC que só mudam os nomes dos partidos, mas repetem as mesmas práticas.
Porém, hoje, está se vendo que mudança não há, exatamente. Quem comeu ontem, está se lambuzando hoje e torce para nada mudar, para continuar ganhando, apenas com uma mudança conjuntural, onde um fica na oposição, o outro na situação, mas a situação não muda. É tudo a mesma coisa, com nomes diferentes. É como café nas prateleiras de supermercado nacional. Só muda o nome, Um é Brasil, outro Urupá, outro Globo, outro Manaus, outro Brasil... Mas só muda a embalagem. O gosto é muito parecido. É como whisk para quem já está de porre. O nome não faz a menor diferença. No outro dia, a ressaca é a mesma. Uma dor de cabeça! E só melhora se a gente vomitar tudinho.
Mas democracia é aprendizado. Um dia iremos pular este estágio. Quem sabe, nenhum partido dos atuais, sobreviva. Ou de outra forma, no futuro só vai sobreviver partido que realizar um grande expurgo na sua base política nacional e político seja de verdade, aquele que foi eleito para representar os interesses nacionais e não os seus, ou do partido, como se o eleitor nem existisse. Quem sabe, o João Amazonas, o Brizola, o Arraes e o Palmeira, baixem em uma sessão espírita e dêem outro rumo a seus ensinamentos que foram esquecidos? Ou relegados a segundo-plano? Ou varridos para debaixo do tapete? Por enquanto, a discussão, é de quem rouba mais, como se quem rouba menos, tivesse de ser perdoado. Não interessa quantos se tenha matado, para se ostentar o título de assassino. O resto, é discussão jurídica.
Mas de certa maneira, é o que a sociedade pede do debate político. A sociedade está pedindo para ser enganada, como os trouxas que foram procurar a macumbeira, em Manaus . “Eu tinha acabado com a minha namorada e ela me pediu R$ 7.000,00 para fazer um trabalho para voltarmos.” Meu irmão, com esse dinheiro, o cara viaja, freqüenta grandes ambientes e ainda come, por tabela, toda noite, essas interesseiras que ficam atrás de casamento rico. Depois, é só dizer adeus. “Foi tudo lindo e maravilhoso, mas a dor do parto... Parto antes que a dor, doa diretamente no meu bolso. Foi bom ver tudo isso, mas até mais ver.” Enquanto quem está tomando no cu são os outros, tudo bem. Mas quando, por causa de uma fodinha, quem toma no rabo sou eu, para o resto da vida, não tem a menor graça, nem é brincadeira. Estou fora. Estava dentro, mas tirei antes que pingasse. E vai ver que a namorada nem era lá tudo isso.
O eleitorado brasileiro não suporta debater, nem ouvir propostas. Como questionar de verdade os representantes, sem um debate? Um debate de verdade, não um show de cartas marcadas, remarcadas e até, requentadas? E acaba indo atrás das palavras ditas, sem questionamento. É a Lei Falcão dos tempos modernos. “Homens, não sois máquinas...” Já dizia o Charles Chaplin.
Uns votam no candidato, por que ele é de determinado partido. E os partidos na ânsia de crescerem, aceitam qualquer coisa. E quando se tem qualquer coisa no seu âmago, a tendência de a coisa podre começar a apodrecer todo o resto, é enorme. No mínimo, uma indisposição intestinal, por causa de uma coisinha podre que se instalou no meio do todo. E no fim, toda a história do partido se apodrece com a presença de um ou outro elemento estragado que impregna o resto.
Outros votam, por que ele aparece na tv e fala palavras bonitas, mesmo que a prática não seja essa. Os apresentadores de programas piegas.
Outros, por que acham o candidato muito simpático. Dá jujuba para as crianças. Mal sabem eles que dão doce para as crianças, na esperança delas darem para eles. E ainda se gasta o dinheiro público em campanhas contra a pedofilia. Quanta incoerência. Ou melhor. A cara do Brasil. Só para dizer que não se fez, quando se sabe que as medidas têm de ser bem outras.
E o pior de todos, uns outros que não votam em ninguém. Lobotomizados da ditadura que têm medo de escolher alguma coisa por conta própria e relegam a escolha, à maioria. Não têm nem direito de reclamar. Eles não são capazes nem de escolher o melhor para si, imagina o resto. Comem sapo, querendo enganar os outros, como se tivessem sido enganados, pensando que estavam comendo bacalhau. Imagina quando têm de decidir a própria vida.
Está ruim, mas a gente faz de conta que nem nota. Discutir por quê? Somos um povo pacífico. Como se o cós tivesse a haver com as calças.
Sim, nossos líderes ainda discutem temas de 1961, mas sabe por quê?
Por que quando se discutiam as Reformas de Base, como a Reforma Agrária, os EUA começaram a aterrorizar o mundo, com a idéia do Comunismo. Qualquer coisa que saísse do seu controle, era visto como uma ameaça Comunista. Sabe como é, não é? É muito parecido com o lema do Terrorismo, na atualidade.
Então a Reforma Agrária, ainda não foi feita e o que há muito no campo, é a violência, devido à falta de qualquer política de verdade. O resto é propaganda institucional que não tem nada a ver com Reforma Agrária. E ainda no Brasil, o tema Reforma Agrária, é vista como coisa de comunista. Vai ver que o Japão, os EUA, a França, a Inglaterra, a Holanda, a Itália, são repúblicas socialistas soviéticas, por que fizeram a reforma, há muito tempo. Tão modernas que ainda hoje, ainda se glorifica no cinema, um batalhão de polícia, nos moldes do Esquadrão da Morte, surgido naqueles tempos que não são idos. Ainda vivem na alma nacional.
A tortura deixou de ser manchete, por ter se tornado fato corriqueiro. Ainda morem presos, em circunstância tão estranhas, quanto a morte do Wladmir Herzog que para se suicidar com o cinto, teve de ficar de joelhos. Ainda hoje se tem notícias de presos que se suicidam com faca de aniversário de criança que não cortam nem ovo frito.
Ainda se execra os direitos humanos, como se fossem um empecilho para a sociedade.
Ainda hoje, partidos ditos de esquerda, ainda reverenciam a imagem de Getúlio Vargas.
Ainda hoje, os níveis de evasão escolar são enormes. E a solução, é analfabetizar os adultos com um ensino paliativo, para inglês ver.
Ainda hoje, os índices de natalidade, são enormes, por que, apesar do Brasil se dizer um país laico as igrejas ainda determinam o seu futuro, o seu presente e o seu passado.
Ainda hoje, o número de pessoas graduadas que não sabem pensar logicamente, não sabem se expressar condignamente, não sabem pensar por conta própria é enorme. E os centros de pesquisa são inundados por pessoas que juram de pés juntos que o mundo surgiu no Livro do Gênese.
Ainda hoje, quem pensa diferente, é visto como um perigo a ser isolado.
Ainda hoje, as pessoas estão morrendo de tuberculose, dengue, malária, febre-amarela, gonorréia e fome.
É por isso que os nossos líderes discutem coisas de 1961. Por que as cabeças ainda não evoluíram, bastante, como um todo. Os cidadão não têm o sentido do bem comum e querem os bens, só para si. E os medos, ainda são muitos os mesmos daquela época.
Outra coisa dita foi sobre o serviço público. Poxa, tenho de voltar a estudar. Parece até que os professores continuam com o pensamento, como no tempo da Educação Moral e Cívica, uma matéria que muita gente nem sabe do que se trata.
Segundo o professor, os líderes são tratados no mesmo patamar dos outros. Não se diferenciam as pessoas no serviço público. Pois para mim, até que está muito bagunçado. O cara entra como serviços-gerais, de repente está administrando, mesmo que se tenha o cargo de administrador preenchido.
Será que ele já ouviu falar da impessoalidade. Um nome pomposo, aplicado até na Justiça Brasileira. Pelo menos, no papel. É como o cara quisesse dar uma pimbadinha, mas não pudesse escolher com quem. A primeira da fila, tinha de saciar tanto o seu, quanto o seu desejo. Entendeu? Ou é isso, ou é nádegas. Num caso destes, escolheria a última opção. Pelo menos, a literatura médica ainda não nos trouxe nenhuma prenhês, nesta posição.
O que acontece é que para se evitar que os Coronéis utilizassem os cargos públicos de acordo com as suas vontades, optou-se pela estabilidade, justamente para evitar que a cada nova eleição, o servidor público que não concordasse com o dirigente da hora, fosse demitido, exonerado, sem justa causa, sem um processo administrativo, sem se saber por quê.
Porém, a estabilidade trouxe uma certa letargia ao funcionalismo público que ao se ver garantido, depois dos 3 anos constitucionais, muitas vezes, não se pode tomar como uma regra fechada, não procura evoluir, não procura novos rumos, outras formas de atuação, além de marcar passo, bater o cartão de ponto e esperar uma brecha para fugir. De certa forma, a estabilidade também se mostrou um entrave à administração contemporânea. Muito por que se colocam os partidários, os correligionários em cargos, em funções que eles nem sabiam que existia. E com um chefe incompetente à frente, não se pode ter estímulos, para nada. O próprio incompetente, sente-se inseguro, com alguém que considera mais competente do que ele. E muitas vezes, os chefes pegam as coisas em um estágio e nem tentam fazer diferente, não por preguiça, mas total incapacidade para a função. Como os outros que estão abaixo hierarquicamente de uma pessoa assim, podem ser estimuladas? Na maioria das vezes, são sacaneadas por este mesmo chefe que confunde autoridade, com autoritarismo. Hierarquia, com servidão. E não é um gato existente só no setor público. É quase geral, na cabeça do brasileiro.
Mas se as leis existentes dizem que as pessoas tem de prestar concursos para os cargos determinados, o quem sempre é levado a sério, ou se cumpre como determina a Constituição, ou se apresentam novas formas, para evitar tanto a utilização do serviço público como cabide de emprego, o que nem com lei estabelecida, deixou de ser assim e de outra forma, de se exigir do funcionalismo, que ele procure ser mais autônomo, mais independente das funções já apresentadas. Mesmo por que, com alguns chefes se o funcionário se comportar de tal maneira, será visto como um subalterno pronto a causar constrangimento ao chefe, ou seja, a ele.
No Brasil, ainda se fazem muitas leis, para não serem executadas, nem se tenta mudar as cabeças, para compreender o sentido das mesmas.
E as leis existem, para servirem até o ponto que se mostram ineficientes. O que não dá, é querer trazer os exemplos dos outros, para o nosso país, sem pensar na realidade que se nos apresentam.
Caducou a lei, ou antes que isso aconteça, por que não começar a discutir?
Está ruim com a estabilidade do serviço público, mas de outra forma, também o era. Como conciliar mais mobilidade na administração pública, sem que o pensamento divergente seja penalizado, com a exoneração? Como delegar poderes aos funcionários públicos, quando a prática é de se colocar as pessoas nas funções, às escuras? Sem se saber nada das aptidões da mesma, nem que se diga à ela, como funciona o cargo, dentro da missão da empresa, da política e do organograma que quase sempre, é um objeto que causa estupor quando é realizado, mas quase sempre, é largado em um lugar tão escondido que acaba sendo esquecido? Eu me mostro totalmente ignorante, principalmente nessa discussão, onde não tenho nenhuma idéia. E olha que é uma coisa que afeta toda a sociedade e recai no serviço oferecido, em última análise.
Vou começar a pensar sobre. Adoro fazer elucubrações, principalmente por causa do nome. Parece alguma coisa com sexo anal. Desde que elucubrem no dos outros, não tenho nada contra.
As realidades são totalmente diferentes. Até de uma região para outra, do mesmo país.
Em um dos congressos da UNE, já tínhamos formado nossa turma para dormirmos juntos, desde o Congresso de Campinas, onde quase todo mundo ainda não tinha uma força política escolhida, para atuar no Movimento Estudantil. Lá se iam, bem uns três anos da turma se encontrando nos congressos.
Então chegamos, nos inscrevemos, nos encontramos e deixamos nosso material, junto, para quando chegássemos, continuássemos juntos. Tudo feito, fomos conhecer a cidade, os bares da região, os points. Já de madrugada, quando retornamos, já no escuro, não conseguimos encontrar nada nosso. Inclusive o local já estava sendo habitada por uma gauchada de bombacha e revólver.
Depois de muita discussão, dividimos o espaço, para dormirmos juntos. O material ficou espalhado até o dia seguinte, quando a luz do dia nos auxiliasse.
Uma das meninas do grupo de gaúchos, era toda puritana, cheia de não-me-toques e outras firulas. Quando deitamos para dormir, minha amiga que me acompanhava ao lado do colchonete em quase todos os congressos, começou a me cutucar. Não era para mais nada, além de ouvir os suspiros, vindos do lado da gauchada, exatamente, de onde estava a menina e o namorado. O fungado foi tão forte que no outro dia a gauchinha armou outro barraco, acusou todo mundo de ter roubado suas jóias, coisa impensável em um congresso de estudantes e se mudou com o namorado, para um quarto de hotel de verdade.
É a cultura deles. Mostrar toda pureza sob as luzes e despir essas coisas, quando se apagam as mesmas.
Já as meninas do Nordeste, não escondiam o jogo. Falavam abertamente. Até abertamente demais.
Em outro congresso em que eu fui sem agasalho, por pensar que não fazia frio, fui convidado para ir buscar um agasalho no hotel, onde estava hospedada uma maranhense. Mas como não fazia nem um pouco o meu tipo e estava vendo que ela queria dar mais do que o agasalho e era muito insistente, passei a bola para um outro companheiro que me trouxe o agasalho e até há pouco tempo, ainda estava guardado em uma das minhas gavetas.
Vendo a minha condição desprevenida, vai ver que as companheiras tiveram pena de mim e fui convidado a rachar um “cobertor de orelha” na Paraíba uma noite, no Mato Grosso do Sul, outra noite, justamente quando baixou a porrada entre a Paraíba e a MS e eu nem era das regiões, passando por Goiás, até chegar em Alagoas que na realidade, era da comitiva do Rio de Janeiro. As garotas ficaram penalizadas com a minha condição e não faziam o convite às escuras, ou escondidas. Era na cara dura mesmo. Eu, apesar de muito tímido, precisava me aquecer para não morrer duro. De frio. E aceitava, muito constrangido, uns convites tão sinceros. Singelos e até, muito puros das partes.
Se não me engano foi nesse mesmo congresso em que as meninas da delegação chegaram reclamando de abandono, por que elas não saíam para nenhuma festa – “mas a gente não conhece ninguém.” “As festas são feitas, para a gente se conhecer.” - e quando as delegações do Amazonas e do Pará, encontraram-se no caminho, enquanto se conduziam para a rodoviária, após o término dos trabalhos, num firo de lascar o crânio, uma bondosa paraense estendeu o hedredom em praça pública, por cima de nossos dois corpos, já altas madrugadas, para ficarmos brincando um pouco. E as companheiras acharam que estávamos brincando debaixo do hedredom. Foi só brincadeirinha. “Não têm espírito esportivo!” Ademais, a delegações continuaram o seu caminho e nós continuamos brincando, até um pouco mais. Inclusive, eu tive de me virar, para sair de lá, pois não tinha mais bilhete para mim. Foi difícil, mas consegui partir. Com a boa vontade de todo o povo local que me deu toda a força, inclusive as dicas de como se burlam as leis. Inclusive, era para eu viajar em pé, mas logo no início da viagem, cederam-me o lugar. Graças a Deus que não foi como uma louca, numa viagem pelas estradas de São Paulo que pedia para eu colocar a bagagem dela, no bagageiro, depois decidia ir para outro local e eu tinha de tirar a bagagem, depois decidia voltar e eu tinha de colocar tudo de volta... Até que o motorista deu as dicas. Ela era louca e cada local no ônibus, é destinado a um certo tipo de passageiro. Do meio para o início, é família. Quanto mais para perto do banheiro... Aprendi a viajar até de avião.
Ninguém é melhor do que ninguém, por isso, ou aquilo. Cada qual tem suas idiossincrasias e seus conhecimentos e aptidões.
Somos culturas diferentes que um dia, vão ter de discutir o que é melhor para cada um. E o melhor, é que elas possam decidir por conta própria, sem imposição externa.
O Brasil tem todas as suas particularidades que são só suas. Começando pela posição geográfica.
Os EUA tem uma outra vivência, a começar pelo hemisfério onde se situa.
A sexualidade da mulher brasileira é discutida nas novelas. Uma maneira encontrada para levar a discussão adiante. E apesar dos religiosos insistirem de que o sexo é pecado, na verdade se tem em mente que pecado, é não molhar o biscoito no bacalhau. Até os religiosos esquecem os mandamentos e caem no folia.
Já nos EUA, a Madona, é considerada a mulher mais liberal do país, com idéias, até ultrapassadas no Brasil. Mas ninguém vai querer que de uma hora para a outra, as estadunidenses, com a bunda branca, sem bronzeado algum, saiam com tangas enfiadas no meio das bochechas. Que o sexo seja visto como uma coisa tão banal que até na Parada do Dia de Graças, homens e mulheres saiam exibindo os corpos quase nus.
Nem se vai querer de uma hora para a outra que a moda na França, seja a burka. Ou que as brasileiras se castrem psicologicamente como as americanas o fazem, ou alguns povos mulçumanos que castram o prazer feminino, extirpando o clitóris. São coisas inviáveis, querer imprimir um ritmo totalmente diferente a culturas que não têm nada a haver com os princípios ditos “certos”, só por que são norma no país dos outros.
Talvez, o Dom Cabral, que acabou na fundação, não seja o mesmo Dom Pedro Álvares Cabral que descobriu o Brasil, depois que algumas caravelas afundaram. E o Cabral do Brasil, nem pense igual ao Cabral que está afundando o Rio da Família Imperial. Portanto, as visões de mundo, o alcance e as necessidades são diferentes. Não dá para se querer jogar de pára-quedas normas e práticas, como fazem com as “ajudas humanitárias” que acabam se perdendo com tantos gêneros de primeira necessidade, no meio do tumulto.
Nas operações de selva, aprendi uma coisa básica. Não adianta idealizar uma determinada arma, para se combater. A melhor arma é a que se dispõe no momento. E se não se tem nenhuma arma, inventa uma. O que interessa, é não perder o rumo da batalha.
Os EUA têm F21, ótimo para eles. Nós ainda estamos no Tucano, vamos aprender como combater com o que temos e estudar como aprimorá-lo. Nossas necessidades são outras.
É como um professor da Economia que queria se guiar pelo ritmo das universidades dos EUA. Brincalhão. Com o mesmo sistema de pontuação. Só não via que o professor pegar a aluna e depois transformá-la em professora, nos EUA, daria um escândalo e quem sabe, até a expulsão dos dois da instituição de ensino.
Não que tenhamos de nos isolar do mundo e pensar um mundo só nosso. Mas também, não peguemos os exemplos dos outros, sem adaptá-los à nossa realidade.
Lá, eles são uma confederação. Aqui, ninguém manda em nada. Sim que somos uma república. Mas ninguém é responsável por nada, ainda mais quando a coisa não sai a contento, como em uma república de estudantes ainda.
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