sábado, 29 de março de 2008

VÍTIMA DA DEMAGOGIA

A Senadora Colombiana, ex-candidata à Presidência da República, é a mais nova vítima da demagogia.
A candidata pelo Partido Verde da Colômbia, sem grande visibilidade política, assessorada por uma mulher que se mostrou, quando da libertação dos prisioneiros das FARC, um tanto o quanto deslumbrada sob os holofotes, colocando em perigo, inclusive as negociações futuras, quis dar um upgrade, uma turbinada na própria campanha eleitoral, para ver se aparecia e conseguia chamar a atenção para a sua campanha. Resolveu ir de encontro às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
Enquanto tantos outros queriam sair do cativeiro, ela e a assessora deslumbrada, foram atrás de fortes emoções. Foram direto para o olho do furação.
Digamos que a assessora da Senadora Betancourt, seja um Fernando Gabeira que pode usar saía, sem causar polêmica. Mas a polêmica é uma forma de fazer política dos dois. E a política nada mais é, do que uma forma de aparecer, para os dois e não uma proposta de mudar qualquer coisa. Os dois, são do PV. A diferença por enquanto, é que uma era assessora de uma ex-senadora que está morrendo e o outro, é senador que ressurgiu da catacumba, gerando fatos políticos, mais para Revista Caras do que para a mídia competente.
Pensando que a vida é uma brincadeira de casinha, uma festa de bonecas, onde, quando dá no saco, pode-se largar em qualquer lugar e esquecer pelos cantos, lá foi a Senadora Betancourt, com a assessora, negociar o inegociável.
Na real, quando se está no meio da selva, por algum tempo, perdem-se as noções de muitas coisas. Imagina das informações do noticiário atual.
As FARC lutando para se manter viva, para preservar as regiões conquistadas, para conquistar novas regiões, para manter o grupo coeso, várias coisas ao mesmo tempo, para tomar decisões em pouco tempo, quando se está na guerra de guerrilha, inclusive sobre os deslocamentos e os ataques relâmpagos, de repente, aparecem duas mulheres no meio do mato, sem explicação alguma.
- Bom dia, eu sou Ingrid Betancourt, vim negociar com vocês.
- Negociar. Então são do governo? Mas como negociar se não se fez acordo algum, sobre?
- Não, eu vim fazer uma negociação independente.
Sinceramente, no meio do mato, alguém iria saber quem era Ingrid Betancourt? No máximo, iria se pensar que ela estava espionando para o lado contrário. É lógico. Como se negocia sem nada em contrapartida? Sem representar nada? O que ela poderia dar em troca de qualquer acordo? Estranho, muito estranho.
Até o cheiro da mata, faz o cérebro trabalhar diferente. Sem a influência da grande mídia que quer fazer a cabeça do público, como se fosse maconha adubada, muita coisa é totalmente diferente do que se diz, ser o “normal”, das cidades.
No Diário de Che, dias antes de ser descoberto a localização do grupo, passou uma “senhora idosa, com sua netinha”. Depois de alguma discussão, o Comandante Che, debilitado, sem a bombinha para combater a asma, já com gangrena nas pernas, sem forças para a luta, decidiu deixá-las passar. Pode até ser paranóia da minha cabeça, mas eu, pessoal física de mim mesmo, tenho para mim que a velinha com a netinha, eram dedo-duro. E aquela incursão, nada mais era, do que missão der localização.
Alguns dias depois, os EUA mandaram o sargentão, metralhar de cima abaixo, já no caixão, um homem sem as pernas, debilitado e semimorto, à frente de uma guerrilha sem apoio algum externo, os grupos dispersos, sem se comunicarem, devido as condições do momento, para mostrar ao mundo que quem pensa diferente, tem mais é de ser executado. Mais ou menos, como as bombas-A, lançadas no Japão. As forças totalmente debilitadas, sem aviões, sem navios, sem exército, sem forças, mas para mostrar ao mundo que o poder de fogo deles, é muito maior e quem se colocar em posição contrária, vai enfrentar o arsenal de destruição, feito para extinguir os inimigos, eles executam um teatro do terror. O Império Romano Moderno, tudo o que Adolf Hitler não conseguiu.
Depois de anos que já se sabia que a morte do Comandante Che tinha sido desta maneira, só agora os EUA liberaram a verdade. “Oh, mas que surpresa!” O sargentão veio à público dizer que não houve combate e o Comandante Che, fora executado após a prisão.
Quando vão liberar a verdade sobre a morte do Marighela, sobre a Guerrilha do Araguaia, sobre a morte de Saddam Hussein, sobre as invasões no Oriente Médio, sobre...
Então, voltando ao caso da Senadora Betancourt, o que fazer com gente intrometida, metida a engraçadinha? A “boa velinha” passou incólume e dedurou todo mundo. Então a idéia de ser “bonzinho” com quem passa no caminho, mesmo se dizendo perdida, está descartada.
Na História da Humanidade, as tribos, enquanto nômades, não mantinham prisioneiros. Eliminavam-nos, para não perder tempo, nem ter de lutar com um inimigo externo e um inimigo interno que poderia se insurgir exatamente no momento de maior conflito. E para não gerar consternação diante da tropa, do tribais, do clã, inventou-se a mania de comer a carne do guerreiro vencido, para adquirir a força dele. Mas eliminar os intrometidos, nos dias de hoje, com o advento da agricultura e da pecuária, é muito atrasado. Então, manter prisões, dentro da guerrilha? Talvez, até para negociar futuramente.
Então, nas histórias de lutas atuais, os prisioneiros, viraram moeda de troca. São reféns e como se sabe, reféns, viram escudos para se defender e se pedir o que é necessário. E nada melhor do que manter a prisioneira de maior visibilidade do mundo que se jogou nas mãos da guerrilha, de graça. Uma senadora, franco-colombiana que se meteu no fogo, para se molhar, como diria o Vicente Mateus, ex-Presidente do Corinthians.
Para a guerrilha, é interessante mantê-la, visto que atrai a atenção não só da América, enquanto continente, mas a atenção da Europa como um todo. E a Europa, tem outra visão de mundo e tem repercussão mundial, ainda. Dá para forçar uma negociação encima disto.
Para os EUA que planejam o Governo da Colômbia, de outra feita, é bom que ela morra nas mãos da guerrilha, para justificar uma futura invasão. O combate ao narcotráfico tem de se justificar, mesmo que o Presidente Uribe, venha de uma família com ligações profundas com o ramo e a maconha esteja liberada no território estadunidense, sobe o pretexto de uso medicinal, sem se levar em conta que o maior mercado demandante de drogas, sejam exatamente o mercado estadunidense. Algo meio incoerente, para justificar toda a ação na Colômbia. O que se puder fazer para atrasar as negociações, para que ela seja libertada e se consiga fazer para que ela se depaupere ainda mais, muito melhor, para as intenções americanas, inclusive, para sair da crise financeira em que se encontra. E nos EUA, o melhor plano econômico, até os dias de hoje, sempre foi destruir, para ajudar depois. Eles atiçam guerras, para venderem os produtos de sua indústria bélica, fazendo girar a economia, destruindo os mercados que futuramente serão dominados, com a oferta de produtos, serviços e ideologia, do próprio país agressor e causador de todo o tumulto. O USAID, é um grande comércio, onde a “ajuda” que eles dão aos necessitados que eles mesmo fizeram, gerará o crescimento da economia estadunidense e futuramente, o mercado dominado, devolverá cada centavo gasto, ou através do FMI, ou com a dominação total do american way o’ life. O tal Am-Way. E com novos mercados, a crise será postergada para um outro futuro, quando se invadirão novos países, com as mais novas armas expostas na vitrine dos conflitos e se levará o fast-food, para gerar lucros para a indústria farmacêutica que vai vender ao montes, remédios para a obesidade, para a pressão–alta, para a impotência, para a osteoporose, etc. Vai se dizer que o moderno, é mulher posar para revista masculina, como se fosse a velha mulher-objeto, tão criticada pelas feministas. O moderno, é ser celebridade, não pelos méritos em alguma área de conhecimento, mas por causar escândalo e abusar do golpe da barriga, o mais moderno que se tem. E assim, vai levando a humanidade. Levando na cabeça. E depois, espalham uns pastores, para orarem pela paz.
Os EUA, já estavam preparados para mandarem muito mais homens, para invadirem pacificamente a Colômbia, como têm feito, inclusive municiando as ações das Forças Armadas Legais da Colômbia e os para-militares colombianos, com armas usadas nas guerras do Oriente, inclusive as bombas testadas nos Afeganistão e no Iraque. Isso ninguém noticia. Com a notícia do agravamento do estado de saúde da Senadora Betancourt, eles já estão à porta, inclusive, ficando nas fronteiras do Brasil, Venezuela, Equador, Chile, países que elegeram democraticamente, pessoas que não os interessa. Mata logo uma porrada de coelhos, com uma cacetada só.
De repente, a Senadora Betancourt, a pessoa física Ingrid Betancourt, o ser humano franco-colombiano, deixou de ser um ente vivo, para ser um objeto de negociação, de jogo político, de estratégia de guerra. Não interessa a integridade física dela. Interessa que sirva aos interesses das partes, apenas.
Para ser mais claro, a assessora deslumbrada, como não significa nada no cenário político, está solta, aparecendo para a mídia, enquanto a Senadora Betancourt caiu numa armadilha, armada por ela mesmo. Ou seja, se fodeu, ao quadrado à beça. Deixou de ser, para virar objeto do desejo apenas.
Talvez no passado distante, tenha sido objeto de prazer, mas agora, é objeto que ao ser trocado, vai gerar prazer. Como uma moeda, fria, sem vontade, sem nenhum outro interesse, além do interesse de negociação, da troca. É uma moeda de R$ 1,00, a maior da nossa economia. Uma moeda de US$ 5.00, se não me engano, a maior nos EUA.
Agora, está hospitalizada em um ambulatório, sem condições necessárias de tratamento, totalmente debilitada. Se sair desta, pelo menos vai levar seqüelas para toda a vida.
E as forças armadas, já estão preparadíssimas, para os embates futuros que advierem, logo após a notícia da morte da senadora. As FARC, as Forças Armadas Regulares da Colômbia, o exército de paramilitares colombianos e o Pentágono com todos os seus comandos de guerra.
A Colômbia vai se transformar no próximo Vietnã e a senadora vai ser imortalizada como mártir, quando na verdade, ela mesmo procurou a tragédia e após tudo isso, ocasionou a maior crise do Estado Colombiano.
Pra mim, a senadora, no mínimo foi ingênua. E muitas vezes a ingenuidade, leva à morte. E o pior, é quando se deixa levar por uma assessoria amadora. E a assessora da senadora, já pode até posar para a Playboy. “A vítima das FARC. Nua e crua, como nem as FARC viram com tanto mato.”

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