sexta-feira, 18 de abril de 2008

CONQUISTAS


Thevis

Estava matutando, sim, matutar, coisa de matuto, gente do mato, essas coisas assim que os colonizadores espalharam e até hoje, muita gente estudada, repete, sem a menor angústia.
Estava matutando como este mês de abril, poder-nos-ia ser tão importante para aprender quem somos, o que queremos, onde queremos chegar.
Mas no máximo, parece que de tempos em tempos, a gente só faz mais mártires, no mês. Como nós não aprendemos, ou melhor, como nós, só aprendemos a pensar como o colonizador, como se assim agindo, pudéssemos ser tão grandioso quanto ele, mantemos a esculhambação, ao invés de fazermos uma nação. Trocamos até o Tiradentes pelo Descobrimento. Quem é mais importante?
Mas vamos ao que interessa.
1º DE ABRIL
Em um primeiro de abril, exatamente, em 1964, os brasileiros querendo se destacar dos “bárbaros” nascidos por aqui, quiseram passar mais uma vez, para o lado do colonizador, como se assim agindo, deixasse de ser brasileiro. “Índio”. Índio? Eu hein. Eu sou descendente de italiano, eu de português, eu de holandês, eu de alemão, eu de japonês, eu de chinês, eu de colombiano... Mas de índio? Vixe!
Meu vô chegou fudido nessas terras, matando cachorro a grito, puxando carroça, mas eu não quero mostrar minha descendência com esses índios. Depois, eu conto uma história de europeu que veio aventurar, para não dizer que ele estava passando o maior rafa na Europa, na Ásia, na puta que o pariu.
Muitos brasileiros, cansados de discutir o seu destino, o seu perfil, o seu futuro, o que poderia ser melhor para si, delegaram a uns iluminados, o poder da decisão total e final. Os donos da verdade, lógico, só podiam agir em nome de Deus, da família e da propriedade privada – TFP -, vinham combater o Comunismo, a corrupção, a ladroagem e principalmente, o desejo de ser e parecer brasileiro.
Como todo e qualquer golpe, revolução e até nascimento de uma pessoa, só é computado no dia em que ocorre o fato e até nisso, mentem até hoje. As tropas saíram de Minas Gerais em 31 de março. Mas só chegaram na Capital Federal e concretizaram o Golpe Militar, no dia 1º de abril. Um golpe que por si, dizia a que veio. Não podia ser levado a sério, nem poderia dizer a verdade.
Por duas décadas, os brasileiros que quisessem sobreviver, foram levados a pensar como estrangeiros em sua terra. Quem pensasse em Brasil, quem pensasse em viver aqui e desenvolver esta terra, quem pensasse ser brasileiro, era rotulado como subversivo e logo torturado, eliminado e o pior, não podia nem ter missa de 7º Dia, pois as forças militares e as forças de Deus, eram quase uma só, durante anos. Muitas vezes não se sabia quem mandava mais nos porões das torturas. Se o Capitão Guimarães, ou Dom Eugênio Salles, um santo homem. Um destes que quando morrem vão para o Céu. Imagina!
Bem, o brasileiro aprendeu a pensar como o colonizador. Bom mesmo, é nos States. A vida boa é nos States. Eu vou me mandar pros States, pra ser um deles.
Quando discutia as Reformas de Base, foi desviado para não pensar e seguir as ordens da Casa Branca. E ainda hoje, não resolvemos muitos dos nossos problemas de base. Nem mesmo o saneamento básico. O Brasil, é uma fossa coletiva, um esgoto a céu aberto. Imagina o resto.
A economia de vez em quando dá sinais que quer ir para a frente. E quando a demanda cresce, a oferta continua com medo de perder tudo. Empresário brasileiro que se convencionou chamar “empreendedor”, continua medroso, como galinha choca. A demanda multiplica e ao invés de crescer a oferta, a produção, a negociação com as instituições financeiras para implementarem créditos para as compras de mais bens duráveis, o “empreendedor” brasileiro, simplesmente fica paralisado, temeroso de ser apenas uma bolha e com a inércia por um tempo prolongado, o fantasma da inflação reaparece e o estado intervém na economia, com medo de perder a mão do mercado e aumenta a taxa de juros e assim, a gente prossegue com uma economia onde o capital especulativo é quem melhor se dá bem. Não tem jeito. Todo mundo se diz do primeiro mundo, mas quando as oportunidades para se chegar a ele aparecem, o temor paralisa todo mundo. Principalmente quem acha que se dizendo “empreendedor”, vai ser, pelo simples fato de se chamar.
E a gente vai pensando que é americano. Mantendo as mesmas vantagens de mercado para poucos e resolvendo muito pouco, os problemas financeiros de muitos. Muito diferente dos países mais desenvolvidos, onde se corre risco de verdade, quando se é empreendedor e a corrupção, ou seja, as vantagens para poucos, aplicadas e muito, são poucas. Capitalista de verdade nos EUA, na França, no Japão, ou onde quer que se tenha desenvolvido um capitalismo de verdade, corre risco sim. Capitalismo é isto. É aplicar no presente, para resgatar no futuro. Ou não. Isto se chama economia de mercado, aberto para qualquer um que posssa entrar, sem paternalismos. Não se depende tanto do governo. Capitalista de verdade, aprende a visualizar as oportunidades futuras, inclusive as que estão logo à frente do dedão. Contribui com o crescimento de mercado. Gera emprego, gratifica para que se possa gastar no mercado, fazendo com que a economia cresça e a própria empresa seja beneficiada com o crescimento como um todo. E ele mesmo, garimpa as oportunidades, sem precisar que o estado direcione os investimentos.
Empresário no Brasil, quer ganhar muito, sempre, pagar pouco e espera que o governo sempre esteja pronto para atender suas reivindicações. E nunca atenda as reivindicações dos trabalhadores. Coisa velha e estranha!
Mas não há nada mais moderno do que chamar de “empreendedor”, até quem só administra uma, ou outra empresa, nos mesmos moldes do tempo do Brasil Colônia. Alguém traduziu assim, a gente logo copia. Só não aprende o significado da coisa.
Na verdade, o Golpe Militar, veio mesmo, estancar o aprendizado democrático de pensarmos brasileiro. E o chique é pensar que se é estadunidense, europeu, asiático, só por se querer imitá-los, sem considerar o que os faz serem eles.
Reinvestir o dinheiro ganho – o brasileiro ganha aqui e gasta bem distante. Fluminense e paulista gastam em Nova Iorque, Miami e Londres. Gaúcho e Nordestino, gastam o que ganham, em Buenos Aires, Bariloche e Viña del Mar. Paraense e amazonense, gastam no Rio, São Paulo e Fortaleza. O modelo se adequando às possibilidades de cada um – para que o mercado continue forte. Que nada. O estado sempre vai ajudar os “amigos”. E a economia gira, gira, gira e volta para o mesmo patamar. Parece que nunca cresce o necessário.
Acabou o Regime Fascista, a Ditadura Militar, mas cresceram assustadoramente, as estatísticas quanto à criminalidade, ao consumo e tráfico de drogas e por incrença que parível, cresceu mais e mais, o índice de corrupção no Brasil da Nova República ao Paz e Amor.
17 DE ABRIL
Na região compreendida entre o norte de Goiás e o sul do Pará, hoje também, Estado de Tocantins, os conflitos agrários nunca acabam, nem ficam pouco.
Há muito tempo atrás, a CIA colocou sua logística para trabalhar no conflito armado no Araguaia, contra uma guerrilha que se insurgiu contra o Golpe de Estado e o modelo Capitalista que estava querendo se implantar em todo o país. Muito mais dependente dos EUA do que nunca.
Helicópteros usados no Vietnam, armas diretas da Ásia, vieram atuar na região, além de outros equipamentos. Tudo em nome de Deus, pela família e pela propriedade. Mesmo que não se considerassem essas propostas, quando pessoal do Regime, estuprava garotinha, matava mulheres, brincava com moças de menos condição financeira e de apadrinhamento. Aí, apelava-se para a “honra”, mesmo que muitos deles, como os que mataram a garotinha Aracelli, o bom-vivant do Diniz que matou a mulher que lhe pagava o sustento, os moleques que jogaram a Claudia Lessin Rodrigues, da Niemeyer embaixo e tantos outros.
No Araguaia, longe de apadrinhamentos, qualquer um podia ser considerado subversivo e acabava sem pescoço. Os homens de Deus, cortaram as cabeças de muita gente, sem dó nem piedade. Inclusive, de quem nem era guerrilheiro. E isso, por que Deus é bom. Graças a Deus. Imagina se fosse o Diabo.
Ainda hoje se mata e se morre, por terras naquela região.
E já no Terceiro Milênio, no Século XXI, há mais ou menos quatro anos, trabalhadores rurais foram reivindicar terras para trabalhar, justamente as que eram utilizadas por madeireiras que estavam destruindo a floresta, por proprietários que até hoje mantêm em suas fazendas, o regime de escravidão, mesmo que apareçam na Revista Caras, Quem, Vogue, como as pessoas mais “in” do momento e foram recebidos a tiros, por granadas, por todo tipo de armamento pesado, vindo da polícia, enquanto os trabalhadores rurais, empunhavam pedaços de pau e como arma mais pesada, algumas foices. A Polícia Militar do Estado do Pará, executou os “subversivos”, para proteger o patrimônio. Pelo menos, foi mais ou menos, a declaração oficial.
Só não explicam que patrimônio. E de quem protegiam. Proteger patrimônio da Vale, da Monsanto e de outras empresas, principalmente mineradoras que se utilizam do carvão das florestas derrubadas, por escravos e que degradam o meio ambiente, é meio duvidoso. Proteger contra quem, de quem, para quem? Quem protege o patrimônio dessas empresas, não protege o patrimônio da floresta. O nosso patrimônio. O maior de todos que é a vida de cada um. Uma questão meio filosófica. Uma charada sem nenhuma graça.
Quando empresas, quase sempre pertencentes a forasteiros que só querem destruir a floresta, se vêem em perigo, o estado de repente chega até o local, para protegê-las, com o aparato repressivo, em sua totalidade.
Hoje, os trabalhadores que sobreviveram ao Massacre de Carajás, têm sua casa, sua terra, mas a presença do estado é nitidamente ausente. Faltam escolas, hospitais, infra-estrutura, serviço de apoio ao assentamento...
Quando as terras eram dos Senhores, o estado de repente se fazia e se fez presente. Quando as terras passaram para as mãos dos trabalhadores, o estado, no máximo se faz presente, em alguma propaganda institucional. “Brasil. Um país de todos.” Todos? É lindo!
Agora eu me lembrei da porrada que parou uma parada militar de 5 e 7 de setembro, só por que estávamos distribuindo panfletos que perguntavam: “Brasil. Um país livre de verdade?” Os caras até pararam de marchar. Estavam tão bonitinhos. Por que parou, parou por quê? Bem que tentaram nos pegar, mas não conseguiram. Minha amigas filhas de milico que estavam no palanque oficial, a toda hora nos avisavam que eles estavam se preparando para nos prender. Só conseguiram ficar com a cabeça ferida. Foram tirar a bandeira da UNE e da UBES que eu a companheira Gina que hoje milita na direção do PSDemB/Am que chegamos às 4 da madruga para pegar lugar e as pregamos no muro, com tanto carinho, com umas pedras enormes, puxaram na maior ignorância e alguns quebraram a cabecinha, coitadinhos; e ainda nos acusaram de agressão. Menininhos mentirosos. Será que agora a gente pode perguntar sem ofender?
“Brasil. Um país de todos?”
A marcinha que não cala, continua sendo esta: “Este é um pais que vai pra frente. Ha ha ha ha ha...”
19 DE ABRIL
Quando o colonizador chegou por estas terras, logo dividiu a vida, nos reinos. As flores, as plantas e as árvores, pertenciam ao reino de corte e costura, para fazer tintura no país dos outros. O ouro, a prata, os rios, pertenciam ao reino da ganância dos reinos europeus. Os animais irracionais, os índios, todos esses que Deus não premiou com inteligência, pertenciam ao reino dos silvestres perigosos e tinhosos. E o homem, como até hoje muita gente acredita, não descende do macaco. Onde já se viu essa macacada? O homem é um ser especial. Único animal racional. Imagem e semelhança de Deus. Pertence ao reino de Deus. E a mulher? Bem, a mulher é uma dessas tantas outras coisas que Deus fez, para satisfazer o homem, seu filho no Paraíso. Gênesis, capítulo I. Não sou eu que estou inventando.
Rapaz, esse pessoal de Deus tem mais reinos do que os 4 da Ciência. Qual é mesmo o outro reino, além do mineral, animal e vegetal? O da ameba, da medusa? Protozoário? Sei lá. Eu só sei que segundo a divisão de Deus, índio, negro, aborígine, escravo, é tudo besta-fera. O “homem branco”, o ser ariano, aquilo que o Hitler buscava, em nome Dele, é do reino de Deus. E depois dizem que Hitler era preconceituoso. Coitado, ele era religioso e muito.
Os índios eram alguma coisa, entre uns animais silvestres e o homos-primitivus. Um ser ainda sem perdão. Não tinha nem alma. Uns pagãos, oh meu Deus! Nem eu que fui batizado e nem me lembro e fiz a Primeira Comunhão e não me lembro de nenhuma oração. Eu não sou pagão. Graças a Deus. Mas o que isto importa? Vai me fazer rico, pirocudo, bom de cama? Nada? Pelo menos eu vou viver mais? Não? O Karol Woytla já era e o Oscar Niemeyer que é ateu ainda está por aí? Ora... Quanto tempo gasto por nada.
O índio na visão do “colonizador”, era um ser malvado, raivoso, perigoso. Mas quando se vai ver a verdadeira História, os crimes cometidos pelos índios, ou são entre as tribos em guerra, ou para se proteger de algum ataque inimigo. Como a estrada Manaus Boa-Vista que hoje reclamam que para às 18:00 horas. Só não contam que depois de matarem muito índio, dos “índios” matarem o Padre Caliglari e o pessoal que o acompanhava, depois de passarem no meio da reserva indígena, depois de não se importarem nem com as tradições e passarem por cima de cemitérios da tribo, os índios conseguiram, através de acordo, ficar com a guarda de estrada e para evitar que estranhos se infiltrem na mata à noite, eles só permitem a passagem de carga perecível.
E a História da Cristandade que sempre chama os outros de bárbaros, de violentos, de perigosos, é diferente. Desde que Constantino se converteu ao Cristianismo, quem não pensasse como ele, estava devidamente... e mal pago. A Inquisição torrou tanta gente e nem para comerem, como faziam algumas tribos guerreiras. As Cruzadas que os filhos de Deus, ou a Companhia de Jesus dizia que era para resgatar o Greal, Graal, Gral, ou tantos outros nomes que se dá para o último cálice no qual o Cristo bebeu na Última Ceia, antes de se imolar, sem necessidade, para nos salvar a todos e tal e coisa e coisa e tal, como conta o conto, aquele papo furado, deixou um rastro de barbaridade, sem precedentes. Estupro, pilhagem, sevícias para brincar com a vida dos outros, etc. Nas Conquistas da América da Oceania, o que se matou de primitivos, em nome de Deus e com a Igreja à frente, nem se fala. Os africanos feitos escravos, também, uns primitivos ditos sem alma, marcados por Deus, com a cor negra que não serviam para nada, além de “mulas” para o serviço de Deus. Os mulatos, causou muitos danos a muita gente. As incursões no Oriente, para conquistar novos fiéis, com mortes e execuções bárbaras, na China, no Japão, na Índia... nem se comparam à violência dos índios. Mas os “colonizadores” colocaram a pecha de ruins, nos outros. Os cristãos e essa mania de colocar a sua imagem, nos outros.
Então qualquer conflito com índio, ainda pouco se compara quem diz a verdade ou não. E a imagem do índio continua a de malvado e o Papa Bento XVI fez aniversário ontem e muita gente chegou às lágrimas. Ele não é índio. Ele é europeu. Malvado? Santinho. E logo quem. E o repórter dizendo que ele é tímido. Bobinho.
Quando fazia sauna, todo sábado, também freqüentava um professor de Biologia da UFAM. Ele não entrava nos recintos. Abria, olhava por baixo, fechava a porta e ia para a área de descanso. Uma vez perguntei ao pessoal, o por quê o professor fazia aquilo de abrir a porta e não entrar. “Ele é tímido?” “Tímido? Ele é fresco. Ele fica vendo o tamanho da pistola de cada um, isso sim.” Eu vejo o jeito do tímido Papa e me lembro do professor na sauna. Até os trejeitos de menina-moça são parecidos.
E apareceram uns paulistas na sauna, com um tal de “bichômetro”, para medir a quantidade no ar, não sei do quê. O equipamento, não parava um minuto. Acusava que tinha fresco na área, mesmo que fosse uma sauna à vapor e a outra seca. Também, o paulista mais cheio de preconceito, requebrava mais do que a Carmem Miranda, quando caminhava e dizia que era macho. Pois, é. Sexualidade é uma incógnita para muita gente. Principalmente quem “o-dei-a a frescura dos outros.
Há se o “bichômetro” fica próximo ao tímido Papa. Logo ele que odeia viado. Imagina! Iria quebrar na certa. E ainda prometeu expulsar todos os pedófilos da Igreja dele. E aí, estão preparados para fazer uma nova escolha para um novo Papa?
Ah se ele assiste ao casamento gay de dois caras, um dia desses na tv. Até eu que não gosto dessa coisa de pegar para sempre e comer o mesmo prato todo dia, achei bonito e um libelo contra a mania de se querer mandar nas vontades alheias. Mulher com homem, para quem gosta. Homem com mulher, para quem é heterossexual. Homem com homem e mulher com mulher, por que não? Vai querer que os outros finjam a vida inteira e se fantasiem de Papa? O que importa é se fazer o que se gosta, desde que não prejudique os outros. Então, o cú é deles e o dinheiro também, por que têm de deixar os bens, para quem muitas vezes nem ligou por eles terem suas preferências sexuais? Que sejam felizes. Se não para sempre, até onde o saco agüentar. Ninguém tem nada a ver com isso. Achei muito bonito e corajoso, nestes tempos de fanatismo religioso.
Então a imagem dos povos indígenas, uns seres entre o irracional e o silvestre, pegou até hoje. Apesar dos pesares, dos Ministérios da Raça, da Negritude, da Igualdade Racial, o
Índio, ainda é visto como não-gente. Por isso, não existe discriminação nem racismo contra índio. As pessoas não gostam de índio, como não gostam de cachorro, de plantas, de tubarões... É simples.
Roraima está pegando fogo, por causa da demarcação das terras dos índios. E o que se espalha, é de que o índio quer tomar as terras dos outros. Mas o índio já está lá, há bastante tempo. Quem planta arroz, feijão e outros grãos, é que subiu há pouco e invadiu a terra que é deles, há anos. Sem contar com o tempo “pré-colonização”.
E a namorada do meu sobrinho que é de lá, está preocupada com os pais dela. “Qualquer dia desses, eles vão dividir a cama com os índios.” “Absolutamente. Só se os teus pais invadiram as terras dos índios.” Se a terra ainda está preservada, graças às nações indígenas. Quem planta maconha, haxixe, cocaína, papoula e outras coisas, não são os índios. Aliás, quem transforma em drogas são os filhos de Deus.
E o meu sobrinho, todos dois, estudantes de Direito da Universidade Federal, com uma visão do “conquistador” – aliás, educação que não transforma, só repete, não é educação. As universidades estão reproduzindo até a visão do “conquistador”. Estamos bem -, argumentou: “toda índia que trabalhou em casa, é braba, é perigosa.” Ele é religioso, fazer o quê? “Oh Pai, perdoai. Ele não sabe o que diz.”
Deve ter uma visão mais ou menos assim: Todo paulista é chato, todo fluminense é gozador, todo amazonense é leso, todo cristão, é pacífico, etc. Então eu já chego perto de um carioca sorrindo, perto de um paulista de cara amarrada, perto de um amazonense, pensando em me dar bem, perto de um cristão, desarmado. E lá vem a constatação. O Ministério da Educação adverte: O preconceito mata!
Olha que eu não gosto de novela, mas me lembrei na hora, até do nome do Doutor Barreto de Duas Caras. Aliás, quando a gente vê essa gente longe da gente, fica até com raiva. Quando a gente é esta gente, a gente nem se toca.
1. O que é o índio na verdade? Um hominídeo sem evolução, ou uma pessoa como qualquer outra?
2. Quando eu começo a ver a outra pessoa pelo seu estado de nascimento, por sua cor, por sua condição de vida, como se me dissesse tudo sobre o outro, eu estou praticando o quê?
3. Quando eu distingo uma pessoa, por sua cultura apenas, quem eu sou?
Bem, o Doutor Barreto na novela, é um idiota, para todo mundo, certo? Na novela, certo. Para mim, um idiota maior, por que até eu, tenho a maior vontade de chegar junto daquela empregada-doméstica. Mas quem teria coragem de dizer isto, para ele, na realidade, naquela condição financeira e social que tem? Quantas mulheres bonitas não foram empregadas, trabalhadoras do campo, etc. Se a gente começa com muito preconceito, só vai comer a Gisele Bündchen. Pelo o amor de Deus. Que mulher corajosa, com aquele corpo, posar nua. Mas é a Gisele Bündchen hoje, muita gente tem o maior desejo. Não pelo porte físico, mas pelo que representa. Ela era lavradora. Vai ver que não chamava a atenção dessa gente que não se acha preconceituosa, racista... Mas até que a Gisele, tem o que mostrar. É uma mulher de peito. E que peitos. Ah uma espanhola. Ah meu nariz no meio, fazendo gluglu e batendo para os lados. Sim, tem de lavar o meio dos peitos.Certa vez cheirei um peitão desses e por pouco não peço penico. Parecia mais, um pé de adolescente, depois da educação física. Era um chulé tremendo.
1. Índio é tão humano quanto qualquer pessoa. Às vezes, até mais. E tão desumano quanto qualquer outro de nós. Com algumas particularidades. Não é por viver uma outra realidade, uma cultura diferente, e morar longe que vira animal. Vamos acabar com essa visão cristã de animal sem alma. Tudo tem alma, até as plantas. Quanta baboseira. Anima, quem não sabe o que é, procura um dicionário, ou melhor, um livro de Filosofia, sobre os Atomistas. E olha que eles eram antigos hein.
2. Nós fazemos uma nação preconceituosa, discriminatória, racista que pensa ainda, como o “colonizador” nos imputou, nos legou, desde o primeiro momento que aqui chegou. Quem é brasileiro, não presta, é inferior. Quem tenta ser como o “conquistador”, é o melhor. Concurso de Miss Brasil, não tem jeito. As Dez Classificadas, todo ano, chova, ou faça sol: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e o resto que brigue pelas quatro vagas que sobram. Os EUA pelo segundo ano, escolheram uma negra, para os representar. E o Brasil, só manda loura, olhos azuis, bundinha murcha, perna fina, gestual de mulher submissa. Na verdade, a própria Boneca Barbie. Nada a ver com o Brasil. Modelo, manequim, esses cabides ambulantes que se acham o supra-sumo da porra nenhuma, a mesma coisa: RS, SC, PR e de vez em quando, uma lourinha, uns olhos azuis, no Nordeste, destoante de toda a realidade. Mas a gente tem o maior medo de ser confundido com pessoas preconceituosas, racistas, discriminatórias e aí, joga tudo para debaixo do tapete e não se discute nada, como se assim, os problemas acabassem por si. E continua escolhendo pessoas que representem a nossa cara, da mesma maneira. “Nossas mulheres são loiras, cútis européia, bunda de remada e totalmente frígidas.” Nos representam muito bem.
3. As tribos indígenas, pelo menos, preservam sua cultura, coisa que está difícil, com a “globalização”, onde todo mundo tem de andar, agir e dançar do mesmo jeito, a mesma música e no mesmo ritmo, como se a raça humana fosse andróide, construído em linha de produção. Eles preservam os costumes, adquiridos por anos de observação. De repente, eles são ditos sem cultura, sem nada a contribuir e quando se extingue uma tribo, os conceitos da tribo, aparecem nas farmácias e nos supermercados, como uma novidade da indústria internacional. Alguém já viu índio dividir a tribo entre superalimentados e esquálidos? Entre bons cidadãos e bandidos? Deslocar batalhões pra combaterem outros índios da mesma tribo? Perder o sono, por causa de outro índio que quer levar suas coisas? Fazer malocas para retirar do convívio, outros índios considerados maus? Consumir produtos, sem necessidade alguma, só para querer sobressair na tribo? Já viu índio orar aos pés da Santa Cruz com a paz de Deus e depois sair matando todo mundo que se puser na sua frente? Não, não é mesmo. Essas mazelas que nunca se solucionam, são do “homem branco”. E nós é que somos os civilizados?
E justamente meu sobrinho, a namorada e um outro primo, estavam citando o Guaraná Baré do qual, eles gostam. E eu falei como foi a história que eu captei. Quando bateu a Ditadura e se queria acabar com tudo que fosse regional, fosse brasileiro, logo se chegou com o 7Up, uma água com muito açúcar e muito gás, sem nenhum gosto de limão , a Coca-Cola, um remédio do fígado com muita propaganda e gás que só pode ser consumido bem gelado e a Pepsi-Cola, um purgante nos moldes do outro. Logo a propaganda tratou de mostrar o guaraná da região, como coisa de quinta categoria. Gente “antenada”, bebia os tais refrigerantes. As empresas regionais, faliram em sua maioria. Grappete, Gury, Baré, Tuchaua, Andrade, Pajé, Lusia, Guajará... E para reforçar, diziam que os refrigerantes nacionais e regionais, eram feitos com tubaína o que fazia mal. Depois de anos, as empresas estrangeiras compraram o Baré, o Tuchaua, a Grappete, a Mirinda, o Gury, à preço de galinha morta. Dominaram até as plantações e “compraram” até os centros de biotecnologia da região, sem resistência alguma. E a própria propaganda chegou à conclusão de que é mais saudável consumir o “verdadeiro guaraná”.
É isto aí. Quando a gente segue o que nos empurram quem nos quer dominar, vai ser sempre mais fácil de ser dominado. Presa fácil e sem resistência.
Como a propaganda do refrigerante cola, contra o guaraná, quem realmente faz mal à Região Amazônica? Os índios, ou os cara-pálidas de pau? Pensem, antes que nos dominem sem podermos reagir.
21 DE ABRIL
E o mês de abril, tem logo um dia destinado a dois predestinados.
Tiradentes, empolgado com as revoluções que espocavam pelo mundo, chegou ao Brasil, cheio de idéias libertárias. Libertaria o Brasil do domínio luso. Ótimo. Mais do que isso, era pedir muito. Joaquim José mesmo que se escondesse, tinha sangue lusitano e o nome não negava. Só faltou João e Manuel, para ser mais luso.
A questão dos privilégios, não podia desaparecer de uma hora para outra. A Independência do Brasil, manteria a nobreza, a escravidão, a corrupção e toda esculhambação que nos foi legada pelo Império.
As revoluções lá fora, derrubavam a nobreza, para colocar a burguesia, com todo um novo esquema de governo, de estado, econômico e social. Mas o Brasil, nunca chega a tanto. O PSDemB com todo o seu estudo, toda a sua garganta, lutou para chegar ao poder e... Os privilégios se mantiveram, a corrupção aumentou e a roubalheira, nem se fala. E veio o PT. Odiavam conchavos. Desde que fossem dos outros. Conchavaram com as forças mais reacionárias de todos os tempos, ressuscitaram até quem já tinha ido desta para a pior, como o Lobo Mal e as mudanças? Dos aliados do PSDemB, pelos companheiros do PT que em última análise, são os mesmos que conchavam com todos os que chegam ao poder. E as mudanças... Neoliberalismo de mercado antes e o neoliberalismo monetário hoje. Algo como mudança de macaxeira para aipim. Quase imperceptível, sutil, mas um avanço de grande relevância. Mas tudo tem uma explicação. É culpa das coligações. E se faz coligação hoje em dia, por que ninguém tem discurso político de verdade. Por uns míseros minutos, coliga-se, por que ninguém é capaz de mostrar propostas em poucos minutos. Aliás, nem com todo o tempo do mundo, mostram-se propostas mesmo. Então quem não tem proposta alguma quem não tem criatividade, tem de se valer do tempo dos programas partidários. E depois, é só dizer que a coligação não permitiu nenhuma mudança, nenhuma fugida do roteiro de se fazer o país. Não nos libertaremos nunca, desta colonização.
Depois de anos que esquartejaram o Joaquim, os brasileiros perceberam que as propostas dele, nem eram assim, tão “perigosas”. Mas engraçado que esta mania de achar toda idéia contrária, toda novidade, como um perigo, perdura, até os dias de hoje. Muita gente não discute, encima de propostas. Elas já vêm armadas, contra idéias de um “comunista”, de um “neoliberal”, de um “judeu”, como se cada um, por si, não tivesse nada a contribuir, só a vontade de “tumultuar”. “Ah, pensas como eu? Fala que eu escuto. Ih, pensou diferente, é melhor nem escutar. Pode ‘fazer a cabeça’ da gente.” As pessoas pouco discutem de verdade. Pouco captam o que pode haver de interessante vinda dos outros. Elas vêm preparadas para rebater e nem escutam o que o outro diz. Fica uma conversa meio brasileira. Todo mundo diz tudo, ninguém escuta nada e continua-se da mesma maneira. “E aí, jogas futebol?” “Eu gosto de plantar.” “Quase impedido todo tempo? Só na banheira” “Com CO2NSMg, é show.” “Ah, então usas anabólicos?” “Não. Adubo mesmo.” “Em que posição?” “Depende do solo.” “Como? És polivalente e dependendo do solo, jogas?” “Não, dependendo do solo, eu aplico.” “Mas em que posição tu jogas mesmo?” “Eu sou engenheiro agrônomo.” “Ah, pensei que estavas aqui para jogar.”
Até hoje, temos a mania de enforcar qualquer opinião contrária, não pelo teor das idéias, mas pela idéia de se temer, ser contaminado, como se fossemos sempre, uns idiotas que não sabem pensar por conta própria. Nos ensinaram a não discutir nada e ficamos com essa idéia, até hoje. “Política, religião, gosto, futebol... não se discute.” Mas por que não? Será mesmo de não ter argumentos e ter de apelar para a ignorância?
E depois de anos, Tiradentes foi transmutado para parecer até com Jesus Cristo, para apelar para o emocional, pois nós, como bons descendentes de lusitanos, nos envolvemos emocionalmente, até em coisas que precisam ser mais racionais, como a perícia polícial de Sampa, no caso da garotinha que foi defenestrada. Mesmo que o casal não seja o culpado, não tem jeito, nossa emoção quer por que quer, que sejam eles. Nem se aventou outras possibilidades, outras linhas de investigação. Pelo menos poupa tempo e trabalho. Para uma polícia incompetente e preguiçosa, é a melhor coisa a fazer. Ou senão, plantar drogas e armas, e dar flagrante em desafetos. A verdade não interessa. O que interessa, é que a nossa verdade prevaleça. A minha verdade. Somos, ou não, 99% um país cristão? “Vinde a mim. Eu sou a única verdade. Sem mim, não há salvação.” Quer dizer, ou crê, ou sifo... Bonito! E acabamos deixamos casos insolúveis, por causa do envolvimento emocional de quem deveria ser mais profissional. Mesmo quem é acusado, acaba solto, por falta de um trabalho mais rígido, com evidências concretas. Eu não sou o dono da verdade. Nem posso ser. Nem em Deus, eu acredito.
E a Independência do Brasil, como se aprende até hoje na escola, veio na maior bandalheira possível. Trocaram Manoel por Pedro, mas tudo da mesma laia. A Corte continuava mandando no Brasil. A exploração das riquezas continuou indo para a nobreza que em último caso, tinha a matriz em Portugal. E para o Brasil, sobrou a dívida lusitana, feita quando a Corte fugiu de Napoleão. É, ou não, uma tremenda putaria?
E mesmo assim, fugidos, cheios de piolhos e de doenças, os lusitanos, os “colonizadores”, os “conquistadores”, chegaram botando a maior banca no Brasil. Dona Joaquina, uma mulher com dentes podres, fedorenta, com um bigode daqueles que eu nunca consegui cultivar no rosto, tarada sexual, horrorosa, golpista contra o próprio corno do marido, era cheia de não me toques e até hoje, muita gente acha nobre, repetir os gestos de Dona Carlota. Locupletar-se no Brasil, das regiões do Brasil e depois querer dar uma de nobre europeu. E dizem que como boa “brasileira”, imitando o Cacciola, aquele ladrão do dinheiro do Brasil, Dona Carlota Joaquina quando embarcou de volta para Portugal, tirou o sapato e tirou todo e qualquer grão de areia que pudesse lembrar o Brasil, como ela nomeou, quando aqui chegou, “Os Quintos do Inferno.” Quando na verdade, a merda era ela e não esta terra tão cheia de vida e de riquezas que só servem para quem se mostra o seu algoz. O que não deve ter morrido de peixe quando ela se descalçou, não está na História. Quando morreu, deve ter sido enterrada em caixão de chumbo, coberto com concreto. Fedia tanto que não é possível que não tenha poluído meio mundo. E o que aquela mulher metida a puritana que não dispensava nem os negros escravos, devia ter de doença venérea, nenhuma História tem coragem de contar. Mas é sempre assim, uns caras podres, chegam aqui e ainda metem banca. E muita gente ainda os acha nobres, por que vieram de longe. E perpetuam alguns de seus hábitos.
A gente imita até hoje o que vem de fora, mesmo que não seja lá grandes coisas. Tiradentes se enforcou, por querer fazer a Revolução Francesa mantendo os palácios de Sua Majestade, por aqui. Carlota queria ser tão nobre quanto os reinos mais ricos e educados de seu tempo. Queria ser uma rainha nos palácios de Viena, dançando o fado. E a louca, era a outra.
Muito tempo depois, no mesmo dia de Tiradentes, morreu Tan credo Nevers. Aliás, ele já estava morto há muito tempo. Só empurraram-no para o caixão, para coincidir com o Dia da Conjuração Mineira. Aliás, o outro, também era mineiro. Também desejava mudanças, mas assim, sabe, nem tão assim, mais ou menos, não sei se me entende. Digamos assim uma mudança bem brasileira. Mudou. O Presidente foi o Sarney, um puxa-saco da Ditadura Militar que quase leva o país à bancarrota, com a política monetarista e inflacionária, voltada para o capital especulativo. Mas isso, já vem de longe. O nosso Capitalismo se apóia no capital especulativo desde muito, até hoje. Qual a diferença? Os números inflacionários. Bateram recorde. Por pouco o Brasil não baixa as calças coletivamente, para todo mundo ser enrabado, para se pagar a dívida, sem vaselina. E naquele tempo, ainda não havia gel lubrificante. E ginseng, só na Zona Franca de Manaus, ou no mercado-negro. Não, o mercado-negro, não é aquele na Cidade Baixa. Nem era na Bahia meu rei. Mercado-negro, mercado paralelo, ilegal, como ginseng que só faz gelar o pau da gente. De resto, é Brasil.
Um alferes há muito tempo, já queria dar o golpe na Corte. Mudar, para sentar no trono.
22 DE ABRIL
Até isso, a História do Brasil é muito louca. Onde já se viu? Primeiros fizeram uma Ditadura para entregar o país aos outros, como sempre aconteceu. Depois matam os agricultores em Carajás, para se continuar entregando a terra aos outros. Depois lembram dos índios que quase foram extintos, com as bênçãos de Deus, para se tirar na marra, as terras que pertenciam a eles. Então se chega a uma tentativa de Libertação Nacional e depois, a uma mudança de estado de direito, para se continuar entregando o Brasil aos outros. Finalmente, o Brasil é descoberto, para ser entregue aos outros, para viver do extrativismo das suas riquezas que continuam sendo entregue aos outros. Já viu? A nossa história vem de trás para a frente, só em abril. Que esculhambação. E chegou o Pedro Álvares e já pediu regalias ao rei. Queria que este país fosse uma grande nação? País desenvolvido reduz e muito, as regalias, a corrupção e o desmando.
E Portugal, um Reino que sobrevivia das iguarias da Índia, de repente descobre duas minas de oportunidades. Brasil e Marañon-Gran-Pará. U, reino de pobretões, sem nada que lhes trouxesse riqueza, ainda chegavam desqualificando o lugar. Bom, era na Coroa. O Brasil, era uma terra distante, cheia de índios, no sentido mais pejorativo que esta palavra possa ter, sem civilização e totalmente deserta. Os nossos colegas “descobridores” deviam ser cegos. O que tinha de índio. Mas índio, não é gente, até hoje. Lembra? Eles podem viver há tempos numa determinada região que de repente chega algum “conquistador” e acha que ele a descobriu. Tanto faz que seja em Porto Seguro, como em São Joaquim, ou na Serra do Sol, ou em São Gabriel da Cachoeira. O “homem branco” sempre encontra o lugar deserto. Ermo. Sem vida alguma. Só muitas plantas, muitos peixes, muitos animais silvestres, muitas tribos de povos primitivos, mas isso não é nada. Não são filhos de Deus. Só o “branco” é. O Deus da paz. Deus me livre! Eu conheço bem esse papo.
E para moldar o pensamento nacional, trouxeram o Frei Sardinha. Metido, cheio de vontades, sempre superior, acima do bem e do mal, mesmo que tenha vindo de castigo. Um bosta na terra dos outros que chegou com a maior bossa. Frescou, frescou, como bom padre, já naquele tempo e os índios que são sempre “perigosos”, encheram-se e comeram o Sardinha. Só queria saber se alguém colocou no fiofó dele. Bem que merecia, Nem que fosse uma macaxeira colhida na hora, uma miratinga, um candiru, ou até mesmo a Santa Cruz em que ele rezou, para abençoar esta terra, contra todas as mazelas. E logo ele que pediu emprego para um sobrinho. Mas será o Benedito? Parece que as coisas não mudam. Bicha velha quando aparece com “bofe” malhado, sarado, mais novo, cheio de vigor físico, apresenta como sobrinho. E o Sardinha já tinha esta mania de chamar os “bofes” de sobrinho? Será? Gostei do que fizeram os índios, com o Sardinha, para ele deixar de ser besta. Besta vive na terra e Sardinha, assado, deve ter sido uma delícia.
E o Brasil, desde 1500 pouco mudou. Mudaram os nomes, as pessoas, mas os privilégios, a corrupção, os títulos e a boçalidade de se querer ser melhor do que os outros, nada. Continuamos querendo chegar ao “continente”. Sair desta terra “improdutiva”, para ficar perto da realeza.
Ainda temos a maior vergonha de mostrarmos a nossa cara. O extrativismo, ainda é economia de mercado. E ainda vamos chamar gente de fora, para se locupletar com as nossas riquezas. Ê Brasilzão! 508 anos da mesma história.
E antes de ser descoberto, será que ele existia? Acho que não. Era uma terra árida para se plantar a Palavra. Só depois que se plantou a Palavra e não saiu disso. Só papo e nada mais.

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OBSERVADORES DE PLANTÃO