Hoje, não sei por que, acordei com saudades da Renate. Sim, uma gata que conheci há algum tempo atrás.
Era uma graça de pessoa. Só para ver, gostava de ser chamada pelo apelido: Renate Possy. Ela ficava muito feliz, quando era lembrada pela alcunha.
Bem, vou contar o que aconteceu e até o que não aconteceu.
Eu, Fernando Augusto conheço a Glorinha, desde criança. Morávamos próximos. Eu de short e ela parecendo uma prostituta da zona do cais, toda maquilada, com poses sensuais, rímel e tudo o mais que qualquer piranha velha faz, para chamar a atenção. Queria ser paquita. Não perdia um show da Tia Loura, como ela chamava a Rainha dos Baixinhos. Era um tempo em que as crianças deixaram de brincar no meio da rua de fraldas, calcinha e cuequinha. Não, as crianças começaram a aprender a ser adultas. As meninas já saíam do útero, maquiladas, com salto agulha bem alto e atraindo a atenção de uns homens de relevo social que adoram crianças. Pessoas do mesmo nível psicológico e de maturidade. Os meninos ainda podiam brincar sem camisa no meio da rua. Sempre é assim. Os meninos podem tudo.
E nesse tempo, a Glorinha com uns 4 anos de idade, só falava em “beijo na boca”, “chupão”, “amasso”, “dar mole” e tudo o que via e ouvia nos programas infantis que educam as crianças brasileiras.
Não sei por que, depois da Tia Loura, houve um acréscimo significativo no índice da pedofilia. Culpa não só da Tia Loura, lógico, ela só repete o que acontece lá fora, mas... Bem, então vamos falar do que interessa.
Depois de anos em que as crianças não podem mais brincar nas ruas, reencontrei Glorinha no meu condomínio. É o tipo de pessoa moderna. Está sempre “antenada” com as novidades. Somos vizinhos de novo. Ela jura que é heterossexual. Eu não estou nem aí para a preferência sexual dela. Não sei por que ela vive falando isso. Dando para mim, tudo bem. Eu respeito.
Mas apesar de tudo, ela vive acompanhada de mulheres. E não sei por que, ela só beija na boca, as outras mulheres. Ela diz que é por que as celebridades só vivem dando “selinhos” uma nas outras. Tudo bem que quem começou foi a Hebe Camargo no Brasil. E apesar de sermos um povo muito criativo só tem vez os imitadores. Como dizem los hermanos: MACAQUITOS DE REPETICIÓN. Mas vamos analisar os fatos. A Tia Hebe namorou com Matusalém, já deixou de menstruar quando Moisés abriu o Mar Vermelho e entrou na menopausa, na época do Dilúvio. E para agravar a crise, ficou viúva de um cara que não dava no couro. Pela idade e pela quantidade de álcool no sangue. Realmente, ela não vê a cobra há muito tempo e apela para relação lésbica, como se não tivesse responsabilidade alguma com o público. Principalmente infanto-juvenil, Seu Juvenal. Aliás, responsabilidade no Brasil, só a tal de responsabilidade social e que só se vê na propaganda. Na real...
A Tia Hebe querer beijar todo mundo, até se compreende. Está tão no atraso quanto os aviões no tempo da crise aérea. Está sentando em semente de castanheira, na esperança que cresça. Mas daí o pessoal imitar a Tia Velha...
Então, para comemorar o primeiro ano de condomínio e ao mesmo tempo o aniversário, Glorinha fez um festão no clube social do condomínio. Convidou mundos e fundos. Lógico que eu estava “agendado”. Como já conhecia as companhias da Glorinha, umas pessoas “descoladas”, pensei em “bombar” na festa. Me espera que eu vou me “conectar” com pelo menos umas três. E o bom é que o clube fica muito próximo de casa. Era catar e levar. Lavar e pegar a próxima. A festa prometia.
Comprei até roupa nova. Arrumei legal. Reforcei o estoque de preservativos. Dos mais simples, aos mais sacanas. E para não mostrar só superficialidade, comprei as cuecas mais “fashionists” do momento. Sim, do que vale a cantada, o amasso geral, a vontade, o arrepio se quando se tira a roupa, a mulherada brocha? Sim, mulher moderna tem disso. Não basta só o tesão, do instrumento cheio de veias, mal intencionado para o lado delas, agora tem de vir também, com motivos para excitar a visão. Mulher moderna admira bunda de homem, já não basta só ter pau, tem até as taradas que largam a dedada, sem perdão. E tem umas que enfiam com vontade, com mais vontade até do que urologista profissional. Imagina que até eu, um ser desprovido de abundância final, já levei dedada de mulher. Não se respeita mais nada.
Não basta só morder a orelha, elas querem se excitar com a cueca do cara. O jogo virou e eu ainda estou no tempo do pré-Ilariê. Digamos assim, homo que é homo, diz que é metrossexual. Politicamente coreto. E o Senna morreu tão jovem!
A Glorinha estava completando 25 aninhos. Ela não conta para ninguém, mas eu sei, por que ela, nasceu dois meses antes de mim. Portanto é mais velha, em meses e dias. E resolveu fazer uma festa para relembrar a infância. Lembrou da Rainha dos Baixinhos, do tempo da Rede Manchete. As mulheres todas, tinham de pintar os cabelos de louro, fazer maria-chiquinha e usar roupa de prostituta norte-americana que fica pelas esquinas. Quem não seguisse as normas, levava cascudo desde a entrada. E pensar que a Rainha hoje, defende a não-violência contra os baixinhos. Graças a Deus, as coisas mudam. Ou será que é mais um modismo?
Eu estava “antenado” na festa que estava “hype”. Parecia um bordel. Todas as mulheres vestidas de paquita. E os homens, tinham de ir vestidos com a camisa da Seleção Brasileira de 1970, sem esquecer o detalhe do número 10 nas costas. Quem não quisesse, podia ir fantasiado com macacão da Toleman, Mac Laren, ou Williams. Mas aí era liberado. Podia usar peruca, rímel, blush, batón e calcinha. Podia até se acompanhar de um bofe português. Só para enganar o pessoal. Ninguém ligava para isso. Era festa mesmo.
E o som rolando. Começou com o funk inspirado, bem cantado pela Mulher Jiló: “Eu vou te enrabar na pista, vou mostrar minha pistola, vou ficar na tua cola, ola, ola, ola, ola...” Depois passou para o axé. Até pensei que estava num manicômio. As letras não dizem nada com nada e é um tal de: “Arerê ê ê. Eu vou dar um choque em você...” Será tratamento antigo? Ainda tem gente tratando os meninos maluquinhos na base do watt, da voltagem e da amperagem? Até que chegou ao som “fura-tímpano” aquela porra que toca em raves e só se ouve o “tum, tum, tum, tum...” Da primeira à última música, parece que está tocando a mesma coisa sempre, mas o que vale, é a pegada. Mesmo não consumindo droga alguma, o cara sai totalmente zuretão da festa. E as luzes começaram a minguar, a acender, a apagar. Parecia até os tempos da luz-negra que meus pais já me contaram como era. Todo mundo bonitinho, cada dentadura perfeita, cada gatinha de fazer até impotente rasgar a cueca. Quando acendiam as luzes de verdade, o que parecia um detalhe na roupa, na verdade, era sujeira pura. As dentaduras que ficavam tão bonitas sob a luz-negra, na verdade, eram a própria cultura da cárie. Difícil era encontrar um dente que não fosse podre. E o que parecia ser uma gatinha, na verdade era um dragão feio pacas. De fazer medo até para o Fred Krueger.
As luzes baixas, um foco acendia e apagava e antigamente, no tempo dos meus pais, se chamava luz estroboscópica. Dava um efeito legal, mas o mais difícil era desenrolar a língua depois de pronunciar o nome dessa porra. Meus pais são escrotos. Eles contam tudo, não escondem nada. Mamãe só não teve coragem de dizer, de quem eu sou filho. Bem, ela não disse também quem é o pai da Mariona, do Phellipe, da Carmen, do Toninho, da Matilde, do... Bem, chega. Isto não interessa a ninguém. Nem mesmo ao papai.
Vamos ao que interessa.
Eu tinha chegado cedo, para aproveitar ao máximo, a festa. Ainda mais se quisesse cumprir a promessa, tinha de começar cedo, pois de outra forma, nem com RedBull, misturado com Cialis, nem com milagre, conseguiria dar conta de tanta gente quanto eu pensara.
Comecei provando aqueles coquetéis que vêm com guarda-chuva no meio do copo. Passei para aqueles que o beiço do copo vem todo cheio de açúcar. Passei para os de beiço com sal. Não sei por que, parecia que quem mais dançava na festa, era eu. Eu seguro no balcão, parecia que dançava mais do que Piloto Brasileiro de Fórmula Indy, em programa de televisão dos EUA. Já estava ficando noiado. Ainda bem que estava pagando mico para mim mesmo. Decidi ir para os drinks tradicionais. Comecei como o núcleo pobre das novelas da Globo. Só bebia cerveja. Depois, passei para o núcleo dos executivos. Entornei whisk nos cornos. Por fim, quase na hora de cantar o parabéns, parecia que estava no núcleo rico das novelas. Champagne a toda hora. Será que a Globo tem algum acordo comercial com a Möet? Isto é que se chama estereotipar.
No final decidi brincar de “porradinha”. A família da Glorinha que é das antigas, chamou todo mundo, para participar da brincadeira. Fez-se uma grande roda e todo mundo tinha de ficar de pé, misturar soda-limonada com cachaça, tapar o copo com as mãos, misturar bem e só destapar, quando fosse para a boca, de um gole só. De repente, a festa parecia ringue de tele-catch. Era todo mundo no chão. Tinham aqueles que ainda tentavam ser fortes, seguravam nas cadeiras para se reabilitar. Às 5 da madruga, a festa estava toda no nível das cobras. Todo mundo rastejando, inclusive o que estava sobre a mesa, veio para o chão, com o pessoal tentando se segurar. Foi quando avistei a mulher da minha vida.
Bem romântico, bem brasileiro. E o pessoal acredita. Tem gente que já tem mais de mil mulheres da vida, nesta mesma vida e ainda continua com a mesma ladainha.
Pensei logo em levar para casa, para cumprir minha promessa. Mas, primeiro, essa era de qualidade, merecia coisa melhor que a minha casa, toda desarrumada. E depois, no estado etílico em que se encontrava todo mundo, vai que ela vomita a casa toda e dá o maior trabalho. Ao invés da gente sifu, ela mifu completamente. Ela fazia tantas caras, tantas bocas, jogava tanto charme, dava tanto mole, abria a fenda do lado das coxas, prensava os seios no decote e mostrava a abertura do vestido na barriguinha. Estava de sacanagem. Fui rastejando até ela para pelo menos dizer alô. Nem foi preciso tanto. Ela disse “topo”, de cara. Chamei um carro do rádio-táxi e nos dirigimos a um motel de qualidade, mais próximo. Não podia demorar muito a chegar, pois o desejo já estava melando as roupas íntimas dos dois.
No trajeto, toquei o rosto dela. Bem, a pele não era das melhores. Parece que tinha acabado de fazer a barba. Mas deixa para lá, detalhes que não vão atrapalhar este relacionamento. Era a gatinha mais gatinha de toda a festa. Uma verdadeira paquita. Beijei no pescoço. Que porra era aquela? Ainda estava escuro e desde ontem, quando entrei no salão da festa da Glorinha, não vejo luz, nem no fim do túnel. Tudo bem, o pescoço não é lá grandes coisas. E essas coisas acontecem. Mas juro que pensei que estava chupando pescoço de galinha-piroca, no meio de uma canja.
Dei um beijo no cangote dela. Devia estar com problemas intestinais. Juro que parecia que tinha acabado de beijar um ânus mal lavado. Coisa horrível. Mas o desejo era maior do que qualquer coisa. Era uma tremenda gata. Toda durinha, sarada, novinha. Tanto que na entrada do motel, pediram a identidade dela. Até eu fiquei curioso em ver a carteira. Ela só queria mostrar para o porteiro. Foi a maior confusão. O porteiro chamou o gerente e quase chamam a polícia. Ninguém acreditava na data de nascimento dela. Ninguém acreditava que aquela carteira com aquela foto, pudesse ser dela. Afinal, parecia reunião de ateu. Ninguém acreditava em nada. Nem eu. Até o motora saiu do carro, para ver de perto a data. 1945? Vamos falsificar a Certidão de Nascimento, mas nem tanto. Ainda bem que ela nasceu no Brasil. Se tivesse nascido no Japão, em Hiroshima e Nagasaki, especificamente, a gente não teria se conhecido. Até melhor que aquela fosse a identidade dela, pois é uma mulher experiente, com um corpaço daqueles e além de tudo, uma cabeça adulta.
Depois de muita luta, nos deixaram entrar. E a vontade só aumentava. Eu estava afim de colocar o bloco na rua, despentear o palhaço e invadir o Canal de Sues, até Honduras. Ainda bem que aquela confusão toda, serviu para diminuir o porre. Eu já conseguia sentir as partes baixas. A sensibilidade estava voltando aos poucos. Tudo indicava que iria ser show de bolas.
Dentro do quarto, tentei carregá-la nos braços. Incrível, uma mulher sarada, mas pesada que nem chumbo. Foi de macaquinho, nas costas. E aqueles peitos furando a minha nuca. Meu Deus, era hoje!
Amasso daqui, amasso dali e aquela bundinha dura como concreto armado. Meu Deus, nunca tinha sentido uma coisa dessas na vida. Se eu tenho de morrer que seja comendo o que a vida tem de melhor a oferecer. Detalhes que de maneira alguma iriam atrapalhar aquela transa.
Fui despindo-a aos poucos. Quando ela ficou só de calcinha, parecia o Mike Tyson. A barriguinha que se mostrou tão sensual, parecia tanque de lavar roupa. E ela ainda se orgulhava: “Gostou da minha barriga-tanquinho?” Ela ainda não havia falado nada, desde a hora em que nos conhecemos. Pensei até que fosse tímida. Que nada, as cordas vocais dela, estavam tão calejadas que quando ela falava, parecia José Carreras se apresentando. Sim que nada podia nos atrapalhar, mas fiquei em dúvida: “Amor da minha vida, é beiço, ou é língua?” Sinceramente, por alguns instantes eu assustei. Logo eu que me acho tão “descolado”. Ela colocou a minha mão, na frente da calcinha dela. Pelo menos, não tinha nada que dissesse que escondia uma língua de boi no meio das pernas. Se língua havia, era de gala. Mas eram uns beiços tão carnudos que pareciam umas pantufas escondidas na calcinha.
Eu querendo que ela tirasse a calcinha e ela querendo que eu tirasse nos dentes. Olha que eu até que tenho os dentes fortes, mas quase fico banguela. Sério. A calcinha atochada no rego, aquela dificuldade em passar nas partes duras, estava difícil. Antes que eu tivesse que pagar uma dentadura novinha em folha e mais Corega para segurar no lugar, desisti. Rasguei na mão mesmo. Ela ficou muito excitada e me pedia para ficar de costas. “Fica de costas amor que eu estou excitada.” De repente senti alguma coisa fora de lugar, ou melhor, entrando num lugar que não é lá a fonte dos meus desejos. “Égua que porra é esssa?” Era o clitóris, devidamente excitado. Além da média internacional, nacional e até extraterrestre. Então ela tirou os cílios postiços. Fui para cima, com tanta vontade que me choquei contra os seios durinhos dela. Knock-out na hora. Não deu nem para segurar na cintura, para aprumar. Era reta que nem pista de aeroporto. Ah, essas cinturas de mulher moderna. Chamaram o socorro médico e fiquei grogue por uns dez minutos. Um bom tempo depois, para me recuperar. Que peitos. Mas depois, lá estava eu, devidamente preparado para a luta. Ela tirou o roupão. Agora sim, parecia lutador de boxe, sem dúvida. Roupão, aquele rostinho com aquela pele que nem de macho, a barriga de tanquinho e a cintura de pista de aeroporto. Mas nada iria atrapalhar aquela noite. Aquela madrugada. Aquele dia. Ih rapaz, já eram 9 horas da manhã e até agora nada. Ficamos conversando um pedaço, enquanto me recuperava da porrada. Da peitada. Pelo menos, esta nunca vai se poder chamar de despeitada.
Entendi o que estava havendo. Ela era dona de clínica de estética e já provou todo tipo de tratamento para a mulher moderna. Reposição hormonal. Tudo o que acaba em “ona”, ela usa. Testosterona, fibrona, carona, mamona... Realmente, fazia a barba duas vezes ao dia. E voz? “Hey, hey, lembra da minha voz? O Plácido Domingues perde!” Tudo bem, ninguém é perfeito mesmo. Peguei naqueles cabelos sedosos. Não sei o que aconteceu. De repente minha mão escorregou até embaixo e me cortei. “Desculpa, é que fiz chapinha hoje e meu cabelo é supergrosso. Tiver de colocar um creminho, então ele corta mesmo. O primeiro faz tchan. O segundo faz tchen. E o último, faz tchun.” Tudo bem. Fui pegar no umbiquinho, ih, parecia que o mundo ia desabar na minha cabeça: “Por que todo homem adora pegar no imbigo da gente? Eu fiz plástica no imbigo e a cicatrização ainda dói. Não pega, não pega.” Tudo bem. O negócio era chupar. Nos seios, ela reclamou de novo: “Vem cá, vais querer tirar os silicone na sucção? Qualé meu jovem? Ainda nem deixei de pagar a última prestação da operação.” ‘Eu estou muito excitado.” Beijei aqueles lábios carnudos tipo Angelina Joulie. Puta que os pariu. Parecia que eu estava beijando balão de festa de aniversário de criança. Uma coisa plástica e fria. As coisas estavam ficando esquisitas. Mas nada iria atrapalhar...
Contei umas piadas para a gente ficar mais leve e solto. Não sei se ela estava rindo, chorando, ou com a mesma feição de quando a gente chegou. “Eu acabei de colocar botóx por todo o rosto.” Não dá mais, nem para contar piada para as mulheres de hoje que elas não riem. É só botox. Mas também, não repreendem as crianças, pois nem a testa consegue franzir, como as testas dos pais de antigamente. Nunca se poderá saber o que pensam. Os rostos continuam impassíveis, até a próxima aplicação.
Vamos ver se ela reclama agora. Caí de boca. Visualmente, era muito maior do que um capô de Porsche Carrera. Mas o ambiente, parecia colchão de água. Uma coisa sem vida, sem sensibilidade, difícil até de respirar, com o nariz enfiado. Será que nada dá certo hoje? E olha que ela fez tudo para dar para o primeiro que aparecesse, na festa.
Será que tinha de abrir caminho por trás e com a língua? Bem que tentei. Mas foi difícil. Era uma coisa dura, mas dura, mas dura que nem o homem mais forte do universo conseguia desunir aquelas duas bandas. Imagina enfiar a língua e por descuido, as duas bandas fecharem? Só teria um jeito, falar através da LIBRAS – Linguagem Brasileira de Sinais –, por toda a vida. E ela, visivelmente acanhada, alertou: “500 ml no bumbum também. Gostou?” Eu não respondi nada, por que se a gente fala qualquer coisa, a mulherada fica toda ofendida. Imaginei se não entope. Tão duro assim, não sai nem vento. Se sair, não faz barulho, já que as partes não trepidam. Feito para agüentar até terremoto acima de 9, na Escala Richter. E já que tinha de pagar o motel mesmo, o negócio era relaxar...
Relaxar? Bem que eu tentei. Nem podia. Ela era toda cheia de tabus, de não-me-toques. Meu Deus que coisa difícil. Tão fácil e tão difícil. Tinha de manter a concentração, pois chupar “era coisa de piranha.” Ela não fazia isso. Ela não era piranha. E eu que pensava que piranha mordia. Tirava o pedaço. Deus me livre!
A conversa também não colaborava era tão boba, tão infantil que já estava me enchendo o saco. Na minha cabeça, de repente ela passou do posto de paquita, para o posto de Rainha dos Baixinhos. Mais uma miguelagem da mesma. Chupar ela não chupava, mas enchia o saco.
Nos agarramos como camisa-de-força em dia de surto psicótico. Rolamos, nos excitamos, beijamos, suamos e... “Puta que o pariu que cheiro escroto é esse?” Meu Deus, parecia adolescente quando sai da Educação Física. Era um fedor que impregnou nas minhas narinas, por muito tempo. “Valha-me Deus!” “É a reposição hormonal. Testosterona pura amor.” Olha que eu não sou de frescura, mas me deu uma vontade de vomitar, mas segurei a onda. Eu ia sair de mulherzinha daquela relação?
Nem o banheiro deu jeito. Sauna vertical, ducha fria, ducha higiênica, hidromasssagem, sauna seca, sauna à vapor. Só pioraram as coisas. Sais de banho na banheira. Não adiantou. Misturou aquela inhaca, com o cheiro de frutas cítricas. Pelo o amor de Deus. Parece que tinham matado uma manada de elefantes no meio da Floresta Amazônica.
Que vergonha. Pagar motel caro, levar a maior gatinha e não fazer nada. Nunca antes tinha entendido o que significava aquele papo de “pele”. Mas as nossas, não se tocavam. Era como se estivesse relando na pele de outro macho. Eu sou “descolado”, mas não é por orgulho não, mas ainda não virei viado. Não tenho nada contra, mas não vou ficar a favor, só por que os outros estão a fim de me comer.
E só então compreendi o que significa aquela alcunha de Renate Possy. Era a pocilga em pessoa.
O jeito foi a gente ficar de frente, um para o outro, bem distante e cada um se masturbando geral. Foi uma relação tântrica, como nem o Dalai-Lama nunca fez com o Presidente Bush. Aliás, como nunca o Presidente Bush fez. Mesmo quando está fodendo o mundo.
O jeito foi dar uns dois vale-transporte para ela, pagar a conta que foi cara para “caraça”, chamar um outro carro do rádio-táxi e voltar para casa, pensando na Lucrecia, a diarista meio troncha, as carnes flácidas, cheia de celulite e estrias, peito meio murcho, mas pelo menos, mulher no sentido da má palavra. Pelo menos naquelas carnes, eu conseguia colocar.
A Ciência está tão avançada que está realizando até milagres. Juro que vi o Edson Lobão e o Gilberto Mestrinho, dando entrevistas. Eu não estou maluco! Será que estão ressuscitando até os mortos e transformando-os em zumbis? As catacumbas vão virar sala-de-visitas agora? Mulher da noite, totalmente sensual? Tô fora. Não entro mais nessa. Mesmo porque, com tanta transformação, qual a diferença de comer uma dessas e um travesti daqueles? Assim, eu acabo virando viado!
Era uma graça de pessoa. Só para ver, gostava de ser chamada pelo apelido: Renate Possy. Ela ficava muito feliz, quando era lembrada pela alcunha.
Bem, vou contar o que aconteceu e até o que não aconteceu.
Eu, Fernando Augusto conheço a Glorinha, desde criança. Morávamos próximos. Eu de short e ela parecendo uma prostituta da zona do cais, toda maquilada, com poses sensuais, rímel e tudo o mais que qualquer piranha velha faz, para chamar a atenção. Queria ser paquita. Não perdia um show da Tia Loura, como ela chamava a Rainha dos Baixinhos. Era um tempo em que as crianças deixaram de brincar no meio da rua de fraldas, calcinha e cuequinha. Não, as crianças começaram a aprender a ser adultas. As meninas já saíam do útero, maquiladas, com salto agulha bem alto e atraindo a atenção de uns homens de relevo social que adoram crianças. Pessoas do mesmo nível psicológico e de maturidade. Os meninos ainda podiam brincar sem camisa no meio da rua. Sempre é assim. Os meninos podem tudo.
E nesse tempo, a Glorinha com uns 4 anos de idade, só falava em “beijo na boca”, “chupão”, “amasso”, “dar mole” e tudo o que via e ouvia nos programas infantis que educam as crianças brasileiras.
Não sei por que, depois da Tia Loura, houve um acréscimo significativo no índice da pedofilia. Culpa não só da Tia Loura, lógico, ela só repete o que acontece lá fora, mas... Bem, então vamos falar do que interessa.
Depois de anos em que as crianças não podem mais brincar nas ruas, reencontrei Glorinha no meu condomínio. É o tipo de pessoa moderna. Está sempre “antenada” com as novidades. Somos vizinhos de novo. Ela jura que é heterossexual. Eu não estou nem aí para a preferência sexual dela. Não sei por que ela vive falando isso. Dando para mim, tudo bem. Eu respeito.
Mas apesar de tudo, ela vive acompanhada de mulheres. E não sei por que, ela só beija na boca, as outras mulheres. Ela diz que é por que as celebridades só vivem dando “selinhos” uma nas outras. Tudo bem que quem começou foi a Hebe Camargo no Brasil. E apesar de sermos um povo muito criativo só tem vez os imitadores. Como dizem los hermanos: MACAQUITOS DE REPETICIÓN. Mas vamos analisar os fatos. A Tia Hebe namorou com Matusalém, já deixou de menstruar quando Moisés abriu o Mar Vermelho e entrou na menopausa, na época do Dilúvio. E para agravar a crise, ficou viúva de um cara que não dava no couro. Pela idade e pela quantidade de álcool no sangue. Realmente, ela não vê a cobra há muito tempo e apela para relação lésbica, como se não tivesse responsabilidade alguma com o público. Principalmente infanto-juvenil, Seu Juvenal. Aliás, responsabilidade no Brasil, só a tal de responsabilidade social e que só se vê na propaganda. Na real...
A Tia Hebe querer beijar todo mundo, até se compreende. Está tão no atraso quanto os aviões no tempo da crise aérea. Está sentando em semente de castanheira, na esperança que cresça. Mas daí o pessoal imitar a Tia Velha...
Então, para comemorar o primeiro ano de condomínio e ao mesmo tempo o aniversário, Glorinha fez um festão no clube social do condomínio. Convidou mundos e fundos. Lógico que eu estava “agendado”. Como já conhecia as companhias da Glorinha, umas pessoas “descoladas”, pensei em “bombar” na festa. Me espera que eu vou me “conectar” com pelo menos umas três. E o bom é que o clube fica muito próximo de casa. Era catar e levar. Lavar e pegar a próxima. A festa prometia.
Comprei até roupa nova. Arrumei legal. Reforcei o estoque de preservativos. Dos mais simples, aos mais sacanas. E para não mostrar só superficialidade, comprei as cuecas mais “fashionists” do momento. Sim, do que vale a cantada, o amasso geral, a vontade, o arrepio se quando se tira a roupa, a mulherada brocha? Sim, mulher moderna tem disso. Não basta só o tesão, do instrumento cheio de veias, mal intencionado para o lado delas, agora tem de vir também, com motivos para excitar a visão. Mulher moderna admira bunda de homem, já não basta só ter pau, tem até as taradas que largam a dedada, sem perdão. E tem umas que enfiam com vontade, com mais vontade até do que urologista profissional. Imagina que até eu, um ser desprovido de abundância final, já levei dedada de mulher. Não se respeita mais nada.
Não basta só morder a orelha, elas querem se excitar com a cueca do cara. O jogo virou e eu ainda estou no tempo do pré-Ilariê. Digamos assim, homo que é homo, diz que é metrossexual. Politicamente coreto. E o Senna morreu tão jovem!
A Glorinha estava completando 25 aninhos. Ela não conta para ninguém, mas eu sei, por que ela, nasceu dois meses antes de mim. Portanto é mais velha, em meses e dias. E resolveu fazer uma festa para relembrar a infância. Lembrou da Rainha dos Baixinhos, do tempo da Rede Manchete. As mulheres todas, tinham de pintar os cabelos de louro, fazer maria-chiquinha e usar roupa de prostituta norte-americana que fica pelas esquinas. Quem não seguisse as normas, levava cascudo desde a entrada. E pensar que a Rainha hoje, defende a não-violência contra os baixinhos. Graças a Deus, as coisas mudam. Ou será que é mais um modismo?
Eu estava “antenado” na festa que estava “hype”. Parecia um bordel. Todas as mulheres vestidas de paquita. E os homens, tinham de ir vestidos com a camisa da Seleção Brasileira de 1970, sem esquecer o detalhe do número 10 nas costas. Quem não quisesse, podia ir fantasiado com macacão da Toleman, Mac Laren, ou Williams. Mas aí era liberado. Podia usar peruca, rímel, blush, batón e calcinha. Podia até se acompanhar de um bofe português. Só para enganar o pessoal. Ninguém ligava para isso. Era festa mesmo.
E o som rolando. Começou com o funk inspirado, bem cantado pela Mulher Jiló: “Eu vou te enrabar na pista, vou mostrar minha pistola, vou ficar na tua cola, ola, ola, ola, ola...” Depois passou para o axé. Até pensei que estava num manicômio. As letras não dizem nada com nada e é um tal de: “Arerê ê ê. Eu vou dar um choque em você...” Será tratamento antigo? Ainda tem gente tratando os meninos maluquinhos na base do watt, da voltagem e da amperagem? Até que chegou ao som “fura-tímpano” aquela porra que toca em raves e só se ouve o “tum, tum, tum, tum...” Da primeira à última música, parece que está tocando a mesma coisa sempre, mas o que vale, é a pegada. Mesmo não consumindo droga alguma, o cara sai totalmente zuretão da festa. E as luzes começaram a minguar, a acender, a apagar. Parecia até os tempos da luz-negra que meus pais já me contaram como era. Todo mundo bonitinho, cada dentadura perfeita, cada gatinha de fazer até impotente rasgar a cueca. Quando acendiam as luzes de verdade, o que parecia um detalhe na roupa, na verdade, era sujeira pura. As dentaduras que ficavam tão bonitas sob a luz-negra, na verdade, eram a própria cultura da cárie. Difícil era encontrar um dente que não fosse podre. E o que parecia ser uma gatinha, na verdade era um dragão feio pacas. De fazer medo até para o Fred Krueger.
As luzes baixas, um foco acendia e apagava e antigamente, no tempo dos meus pais, se chamava luz estroboscópica. Dava um efeito legal, mas o mais difícil era desenrolar a língua depois de pronunciar o nome dessa porra. Meus pais são escrotos. Eles contam tudo, não escondem nada. Mamãe só não teve coragem de dizer, de quem eu sou filho. Bem, ela não disse também quem é o pai da Mariona, do Phellipe, da Carmen, do Toninho, da Matilde, do... Bem, chega. Isto não interessa a ninguém. Nem mesmo ao papai.
Vamos ao que interessa.
Eu tinha chegado cedo, para aproveitar ao máximo, a festa. Ainda mais se quisesse cumprir a promessa, tinha de começar cedo, pois de outra forma, nem com RedBull, misturado com Cialis, nem com milagre, conseguiria dar conta de tanta gente quanto eu pensara.
Comecei provando aqueles coquetéis que vêm com guarda-chuva no meio do copo. Passei para aqueles que o beiço do copo vem todo cheio de açúcar. Passei para os de beiço com sal. Não sei por que, parecia que quem mais dançava na festa, era eu. Eu seguro no balcão, parecia que dançava mais do que Piloto Brasileiro de Fórmula Indy, em programa de televisão dos EUA. Já estava ficando noiado. Ainda bem que estava pagando mico para mim mesmo. Decidi ir para os drinks tradicionais. Comecei como o núcleo pobre das novelas da Globo. Só bebia cerveja. Depois, passei para o núcleo dos executivos. Entornei whisk nos cornos. Por fim, quase na hora de cantar o parabéns, parecia que estava no núcleo rico das novelas. Champagne a toda hora. Será que a Globo tem algum acordo comercial com a Möet? Isto é que se chama estereotipar.
No final decidi brincar de “porradinha”. A família da Glorinha que é das antigas, chamou todo mundo, para participar da brincadeira. Fez-se uma grande roda e todo mundo tinha de ficar de pé, misturar soda-limonada com cachaça, tapar o copo com as mãos, misturar bem e só destapar, quando fosse para a boca, de um gole só. De repente, a festa parecia ringue de tele-catch. Era todo mundo no chão. Tinham aqueles que ainda tentavam ser fortes, seguravam nas cadeiras para se reabilitar. Às 5 da madruga, a festa estava toda no nível das cobras. Todo mundo rastejando, inclusive o que estava sobre a mesa, veio para o chão, com o pessoal tentando se segurar. Foi quando avistei a mulher da minha vida.
Bem romântico, bem brasileiro. E o pessoal acredita. Tem gente que já tem mais de mil mulheres da vida, nesta mesma vida e ainda continua com a mesma ladainha.
Pensei logo em levar para casa, para cumprir minha promessa. Mas, primeiro, essa era de qualidade, merecia coisa melhor que a minha casa, toda desarrumada. E depois, no estado etílico em que se encontrava todo mundo, vai que ela vomita a casa toda e dá o maior trabalho. Ao invés da gente sifu, ela mifu completamente. Ela fazia tantas caras, tantas bocas, jogava tanto charme, dava tanto mole, abria a fenda do lado das coxas, prensava os seios no decote e mostrava a abertura do vestido na barriguinha. Estava de sacanagem. Fui rastejando até ela para pelo menos dizer alô. Nem foi preciso tanto. Ela disse “topo”, de cara. Chamei um carro do rádio-táxi e nos dirigimos a um motel de qualidade, mais próximo. Não podia demorar muito a chegar, pois o desejo já estava melando as roupas íntimas dos dois.
No trajeto, toquei o rosto dela. Bem, a pele não era das melhores. Parece que tinha acabado de fazer a barba. Mas deixa para lá, detalhes que não vão atrapalhar este relacionamento. Era a gatinha mais gatinha de toda a festa. Uma verdadeira paquita. Beijei no pescoço. Que porra era aquela? Ainda estava escuro e desde ontem, quando entrei no salão da festa da Glorinha, não vejo luz, nem no fim do túnel. Tudo bem, o pescoço não é lá grandes coisas. E essas coisas acontecem. Mas juro que pensei que estava chupando pescoço de galinha-piroca, no meio de uma canja.
Dei um beijo no cangote dela. Devia estar com problemas intestinais. Juro que parecia que tinha acabado de beijar um ânus mal lavado. Coisa horrível. Mas o desejo era maior do que qualquer coisa. Era uma tremenda gata. Toda durinha, sarada, novinha. Tanto que na entrada do motel, pediram a identidade dela. Até eu fiquei curioso em ver a carteira. Ela só queria mostrar para o porteiro. Foi a maior confusão. O porteiro chamou o gerente e quase chamam a polícia. Ninguém acreditava na data de nascimento dela. Ninguém acreditava que aquela carteira com aquela foto, pudesse ser dela. Afinal, parecia reunião de ateu. Ninguém acreditava em nada. Nem eu. Até o motora saiu do carro, para ver de perto a data. 1945? Vamos falsificar a Certidão de Nascimento, mas nem tanto. Ainda bem que ela nasceu no Brasil. Se tivesse nascido no Japão, em Hiroshima e Nagasaki, especificamente, a gente não teria se conhecido. Até melhor que aquela fosse a identidade dela, pois é uma mulher experiente, com um corpaço daqueles e além de tudo, uma cabeça adulta.
Depois de muita luta, nos deixaram entrar. E a vontade só aumentava. Eu estava afim de colocar o bloco na rua, despentear o palhaço e invadir o Canal de Sues, até Honduras. Ainda bem que aquela confusão toda, serviu para diminuir o porre. Eu já conseguia sentir as partes baixas. A sensibilidade estava voltando aos poucos. Tudo indicava que iria ser show de bolas.
Dentro do quarto, tentei carregá-la nos braços. Incrível, uma mulher sarada, mas pesada que nem chumbo. Foi de macaquinho, nas costas. E aqueles peitos furando a minha nuca. Meu Deus, era hoje!
Amasso daqui, amasso dali e aquela bundinha dura como concreto armado. Meu Deus, nunca tinha sentido uma coisa dessas na vida. Se eu tenho de morrer que seja comendo o que a vida tem de melhor a oferecer. Detalhes que de maneira alguma iriam atrapalhar aquela transa.
Fui despindo-a aos poucos. Quando ela ficou só de calcinha, parecia o Mike Tyson. A barriguinha que se mostrou tão sensual, parecia tanque de lavar roupa. E ela ainda se orgulhava: “Gostou da minha barriga-tanquinho?” Ela ainda não havia falado nada, desde a hora em que nos conhecemos. Pensei até que fosse tímida. Que nada, as cordas vocais dela, estavam tão calejadas que quando ela falava, parecia José Carreras se apresentando. Sim que nada podia nos atrapalhar, mas fiquei em dúvida: “Amor da minha vida, é beiço, ou é língua?” Sinceramente, por alguns instantes eu assustei. Logo eu que me acho tão “descolado”. Ela colocou a minha mão, na frente da calcinha dela. Pelo menos, não tinha nada que dissesse que escondia uma língua de boi no meio das pernas. Se língua havia, era de gala. Mas eram uns beiços tão carnudos que pareciam umas pantufas escondidas na calcinha.
Eu querendo que ela tirasse a calcinha e ela querendo que eu tirasse nos dentes. Olha que eu até que tenho os dentes fortes, mas quase fico banguela. Sério. A calcinha atochada no rego, aquela dificuldade em passar nas partes duras, estava difícil. Antes que eu tivesse que pagar uma dentadura novinha em folha e mais Corega para segurar no lugar, desisti. Rasguei na mão mesmo. Ela ficou muito excitada e me pedia para ficar de costas. “Fica de costas amor que eu estou excitada.” De repente senti alguma coisa fora de lugar, ou melhor, entrando num lugar que não é lá a fonte dos meus desejos. “Égua que porra é esssa?” Era o clitóris, devidamente excitado. Além da média internacional, nacional e até extraterrestre. Então ela tirou os cílios postiços. Fui para cima, com tanta vontade que me choquei contra os seios durinhos dela. Knock-out na hora. Não deu nem para segurar na cintura, para aprumar. Era reta que nem pista de aeroporto. Ah, essas cinturas de mulher moderna. Chamaram o socorro médico e fiquei grogue por uns dez minutos. Um bom tempo depois, para me recuperar. Que peitos. Mas depois, lá estava eu, devidamente preparado para a luta. Ela tirou o roupão. Agora sim, parecia lutador de boxe, sem dúvida. Roupão, aquele rostinho com aquela pele que nem de macho, a barriga de tanquinho e a cintura de pista de aeroporto. Mas nada iria atrapalhar aquela noite. Aquela madrugada. Aquele dia. Ih rapaz, já eram 9 horas da manhã e até agora nada. Ficamos conversando um pedaço, enquanto me recuperava da porrada. Da peitada. Pelo menos, esta nunca vai se poder chamar de despeitada.
Entendi o que estava havendo. Ela era dona de clínica de estética e já provou todo tipo de tratamento para a mulher moderna. Reposição hormonal. Tudo o que acaba em “ona”, ela usa. Testosterona, fibrona, carona, mamona... Realmente, fazia a barba duas vezes ao dia. E voz? “Hey, hey, lembra da minha voz? O Plácido Domingues perde!” Tudo bem, ninguém é perfeito mesmo. Peguei naqueles cabelos sedosos. Não sei o que aconteceu. De repente minha mão escorregou até embaixo e me cortei. “Desculpa, é que fiz chapinha hoje e meu cabelo é supergrosso. Tiver de colocar um creminho, então ele corta mesmo. O primeiro faz tchan. O segundo faz tchen. E o último, faz tchun.” Tudo bem. Fui pegar no umbiquinho, ih, parecia que o mundo ia desabar na minha cabeça: “Por que todo homem adora pegar no imbigo da gente? Eu fiz plástica no imbigo e a cicatrização ainda dói. Não pega, não pega.” Tudo bem. O negócio era chupar. Nos seios, ela reclamou de novo: “Vem cá, vais querer tirar os silicone na sucção? Qualé meu jovem? Ainda nem deixei de pagar a última prestação da operação.” ‘Eu estou muito excitado.” Beijei aqueles lábios carnudos tipo Angelina Joulie. Puta que os pariu. Parecia que eu estava beijando balão de festa de aniversário de criança. Uma coisa plástica e fria. As coisas estavam ficando esquisitas. Mas nada iria atrapalhar...
Contei umas piadas para a gente ficar mais leve e solto. Não sei se ela estava rindo, chorando, ou com a mesma feição de quando a gente chegou. “Eu acabei de colocar botóx por todo o rosto.” Não dá mais, nem para contar piada para as mulheres de hoje que elas não riem. É só botox. Mas também, não repreendem as crianças, pois nem a testa consegue franzir, como as testas dos pais de antigamente. Nunca se poderá saber o que pensam. Os rostos continuam impassíveis, até a próxima aplicação.
Vamos ver se ela reclama agora. Caí de boca. Visualmente, era muito maior do que um capô de Porsche Carrera. Mas o ambiente, parecia colchão de água. Uma coisa sem vida, sem sensibilidade, difícil até de respirar, com o nariz enfiado. Será que nada dá certo hoje? E olha que ela fez tudo para dar para o primeiro que aparecesse, na festa.
Será que tinha de abrir caminho por trás e com a língua? Bem que tentei. Mas foi difícil. Era uma coisa dura, mas dura, mas dura que nem o homem mais forte do universo conseguia desunir aquelas duas bandas. Imagina enfiar a língua e por descuido, as duas bandas fecharem? Só teria um jeito, falar através da LIBRAS – Linguagem Brasileira de Sinais –, por toda a vida. E ela, visivelmente acanhada, alertou: “500 ml no bumbum também. Gostou?” Eu não respondi nada, por que se a gente fala qualquer coisa, a mulherada fica toda ofendida. Imaginei se não entope. Tão duro assim, não sai nem vento. Se sair, não faz barulho, já que as partes não trepidam. Feito para agüentar até terremoto acima de 9, na Escala Richter. E já que tinha de pagar o motel mesmo, o negócio era relaxar...
Relaxar? Bem que eu tentei. Nem podia. Ela era toda cheia de tabus, de não-me-toques. Meu Deus que coisa difícil. Tão fácil e tão difícil. Tinha de manter a concentração, pois chupar “era coisa de piranha.” Ela não fazia isso. Ela não era piranha. E eu que pensava que piranha mordia. Tirava o pedaço. Deus me livre!
A conversa também não colaborava era tão boba, tão infantil que já estava me enchendo o saco. Na minha cabeça, de repente ela passou do posto de paquita, para o posto de Rainha dos Baixinhos. Mais uma miguelagem da mesma. Chupar ela não chupava, mas enchia o saco.
Nos agarramos como camisa-de-força em dia de surto psicótico. Rolamos, nos excitamos, beijamos, suamos e... “Puta que o pariu que cheiro escroto é esse?” Meu Deus, parecia adolescente quando sai da Educação Física. Era um fedor que impregnou nas minhas narinas, por muito tempo. “Valha-me Deus!” “É a reposição hormonal. Testosterona pura amor.” Olha que eu não sou de frescura, mas me deu uma vontade de vomitar, mas segurei a onda. Eu ia sair de mulherzinha daquela relação?
Nem o banheiro deu jeito. Sauna vertical, ducha fria, ducha higiênica, hidromasssagem, sauna seca, sauna à vapor. Só pioraram as coisas. Sais de banho na banheira. Não adiantou. Misturou aquela inhaca, com o cheiro de frutas cítricas. Pelo o amor de Deus. Parece que tinham matado uma manada de elefantes no meio da Floresta Amazônica.
Que vergonha. Pagar motel caro, levar a maior gatinha e não fazer nada. Nunca antes tinha entendido o que significava aquele papo de “pele”. Mas as nossas, não se tocavam. Era como se estivesse relando na pele de outro macho. Eu sou “descolado”, mas não é por orgulho não, mas ainda não virei viado. Não tenho nada contra, mas não vou ficar a favor, só por que os outros estão a fim de me comer.
E só então compreendi o que significa aquela alcunha de Renate Possy. Era a pocilga em pessoa.
O jeito foi a gente ficar de frente, um para o outro, bem distante e cada um se masturbando geral. Foi uma relação tântrica, como nem o Dalai-Lama nunca fez com o Presidente Bush. Aliás, como nunca o Presidente Bush fez. Mesmo quando está fodendo o mundo.
O jeito foi dar uns dois vale-transporte para ela, pagar a conta que foi cara para “caraça”, chamar um outro carro do rádio-táxi e voltar para casa, pensando na Lucrecia, a diarista meio troncha, as carnes flácidas, cheia de celulite e estrias, peito meio murcho, mas pelo menos, mulher no sentido da má palavra. Pelo menos naquelas carnes, eu conseguia colocar.
A Ciência está tão avançada que está realizando até milagres. Juro que vi o Edson Lobão e o Gilberto Mestrinho, dando entrevistas. Eu não estou maluco! Será que estão ressuscitando até os mortos e transformando-os em zumbis? As catacumbas vão virar sala-de-visitas agora? Mulher da noite, totalmente sensual? Tô fora. Não entro mais nessa. Mesmo porque, com tanta transformação, qual a diferença de comer uma dessas e um travesti daqueles? Assim, eu acabo virando viado!
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