sexta-feira, 4 de abril de 2008

SER RACIONAL

A humanidade atual faz de tudo para ser rica, destacar-se na multidão que cria diferenças enormes, na mesma comunidade, como se fosse o maior exemplo de civilidade e prosperidade, para poder desfrutar das maravilhas que o dinheiro proporciona. Mas quando consegue, compra uma casa em um condomínio de luxo, perto de um rio que ele mesmo polui e acaba não podendo utilizá-lo. Então investe em piscinas que ficam paradas e vão criar mosquitos para levar doença a ela. Compra veículos equipados com o que há de mais moderno da tecnologia moderna, com velocidade final próxima aos 400 km/h e fica presa nos intermináveis engarrafamentos de horas que por ora, não parecem ter solução. Então faz campanha para se largar o carro e andar à pé. Viaja para praias paradisíacas e fica preso entre os escombros, rezando para terminarem logo os furações e os tsunamis que ela mesma causou. Compra iates mais modernos, mas não pode navegar, por que de um lados os rios secaram e do outro, os icebergs estão se desprendendo e deixando a navegação perigosíssima. Investe em fazendas de criação de gado e de grãos e com o desmatamento da mata primária, dos nascedouros, das matas ciliares e dos mangues, ajuda a aumentar a camada de ozônio e consequentemente, na incidência de raios ultravioleta. Compra óculos, bloqueador solar, roupas com tecidos anti-raios, consulta regularmente o dermatologista para tratar bem do câncer de pele e quanto mais a temperatura aumenta, mais vestida, ela tem de andar. E quanto mais se cobre, mais o consumo de comidas refinadas, aumenta e sofre com prisão de ventre, mal colesterol alto, triglicérides, diabetes, impotência e câncer de todas as maneiras possíveis. Então muda para a cozinha alternativa e compra todo tipo de grão transgênico, onde não se tem um estudo definitivo e a humanidade já está servindo de cobaia, para empresas nem um pouco idôneas e sérias, como a Monsanto. Então apela para a redução do estômago, para as anfetaminas que reduzem o desejo de comer tudo e todos. Quando o macho se acha em forma, pega as mulheres mais propagadas do momento, justamente como ele que abusa da aplicação de silicone, botóx, lipo, plástica e todo tipo de intervenção cirúrgica, para ficar parecendo uma boneca inflável, até com a boca aberta, com tanto produto exógeno, para poder conquistar todos os homens e quando isso acontece, espalha que trai nos veículos de comunicação, para o macho saber que ela depois de rica, virou a maior filantropa do pedaço. Dá para todos os pobres das redondezas e adjacências, por isso não dá para o marido, pois odeia rico. Depois os casos de paixão, acabam num encontro no tribunal, quando ainda se vai ter de pagar vultosas pensões, como se estivessem tratando de relação de negócios, de ganhos em Bolsas de Valores, em corretoras financeiras, ou empresas multinacionais, com o fim do romance. O macho ainda vai ter de repartir tudo o que amealhou com um vagabundo que era quem desfrutava de verdade das maravilhas da mulher biônica. E algumas mulheres ainda têm de deixar toda a fortuna para um mixê que muitas vezes é garoto de programa de outros titios. Então buscam alento em tudo o que é droga, para extravasar da realidade. Tanto quem foi traído, e diz que foi procurar por ter sido traído; quanto quem traiu, por que se diz cansada de sustentar os outros; quanto quem ficou com o melhor da festa e vive do desfrute dos bens dos outros, e diz que a vida de celebridade tem de ser recheada de drogas, mesmo nem sendo nenhuma celebridade. E por fim, quando está achando que já está no fim, a humanidade procura se pegar na oração e faz opção pela humildade para ver se pelo menos, sua vida após a morte tem jeito. E acaba sustentando outro vagabundo por tabela. E quando pensa em desfrutar, em algum instante, tudo pelo que já pagou, está mais presa aos bens materiais do que os escravos antigos, às correntes, e tem de pagar pensão para sustentar o luxo de um vagabundo, ou outra vagabunda que não casa, para não perder a boquinha; tem de pagar impostos que são impostos ao contribuinte, mas a contrapartida não é exigida de quem os arrecada e as autoridades nos devolvem péssimos serviços; tem de arcar com o plano de saúde, a educação, a aposentadoria e a segurança, tudo suplementar que já foram computados quando se pagou imposto direto e indireto; ainda tem de pagar as contas da poluição produzida pelas pessoas jurídicas que recaem na pessoa física, como se ela tivesse lucrado com toda porcaria que se deixou no ambiente; e por fim, ainda paga incondicionalmente os dízimos que sustentam os outros vagabundos que dão alento contra tudo o que foi passado no presente, com promessas futuras. E só se vai saber se são verdadeiras ou não, após a morte. A humanidade atual vive de poupança. Poupa sempre, para poder aproveitar no futuro. E quando vai ver, nem futuro tem mais. Então espera que pelo menos, um futuro Além exista, para ela desfrutar o que já economizou, durante toda a vida, em orações e virtudes. Deixa de viver a vida, por que ainda acredita que voltará em uma outra, mesmo vendo que o mar não está para peixe e o ar está totalmente poluído. E a Terra está com seus dias contados, mas a cada dia surgem novas promessas de uma outra vida. Quem sabe, uma outra vida, em outro Paraíso. Um paraíso fiscal qualquer, para abrigar as contas de tantos profetas. E Deus disse que a Terra era o lar de seus filhos únicos. Ou não foi? A humanidade vive de esperança. Morre para a vida que leva, para esperar uma vida após a morte. Zumbis ainda em vida.

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