segunda-feira, 28 de abril de 2008

SOBERANIA

Eu vi a Adriana Calcanhoto na televisão, cantando em Portugal. Incrível, nem parecia aquela cantora antipática, arrogante e mal humorada que eu vi de perto, por umas duas, ou mais vezes.
Num dos shows, lembro bem, ela estava dedilhando o violão, sozinha no palco, como se estivesse sozinha em casa, sem ninguém por perto. A platéia, era meramente um enfeite, daqueles bibelôs que não dizem nada para a gente, mas ficam pela casa, pelo hábito de ficar.
Para mim, ela não significa também, grandes coisas. Aliás, não significa nada. Zero à zero. Estamos empatados. Vozeia miudinha, curtinha, umas musiquinhas... Salvam uns olhos azuis lindíssimos – dizem que a gente tem de ter pelo menos uma coisa bonita no corpo –, mas de nada adiantam, pois segundo as más línguas, joga na mesma posição que eu. Zagueirão de pelada de várzea. Nada contra, mas não suporto ser desrespeitado. Aí, entro de carrinho para quebrar. Não tem jogo.
Ela sentada, distraindo-se com o violão, nem olhava para a platéia e de repente umas meninas começaram a gritar: “Eu te amo”. ‘Dri, olha pra mim”. As más línguas diziam que aquelas meninas não eram só lesas... Ela levantou, pegou o violão, não disse nada e foi embora. E ficou por isso mesmo. It is just first case. Await only a moment please.
Há algum tempo atrás, estava no Rio e minha prima me convidou para ir a um show de uma cantora que estava aparecendo. Podia convidar quantas pessoas eu quisesse, quem eu bem quisesse. De graça, até injeção nos óvulos. De graça, em termos. Só havia uma restrição. “Não coma nada no Canecão. A reportagem da semana, mostrava ratos e baratas na cozinha.” Por via das dúvidas, nem bebi também. Aliás, bebi uma, ou duas caipiroskas, mas o álcool mata qualquer sujeira. E se não matar... Dito e feito, olha o tamanho da criança.
Convidei todo mundo, meu primo Beijaminha e Senhora, até o filho da minha prima que me convidou. Todo mundo ocupado, todo mundo estudando, todo mundo... Problema deles. O filho da minha prima perdeu o show, para assistir o jogo do Fluminense. Gosto é como o orifício. Cada um tem o seu. E têm uns que a gente nem acredita que existam.
Bem, o show atrasou um pouco. Mas em Manaus, um atraso assim, ninguém nem se importa. Uma hora e meia, o que é isso? Em Manaus, o shô - como dizia o grande zagueiro do Fantasma Futebol Clube, graaaaande Vicente – é marcado para as 21 horas do dia 30 e só começa às 3 horas do dia 1º. E se a platéia frescar muito, só começa no dia 2 à meia-noite. E as pessoas do lado de fora do Canecão impacientes, vaiando, batendo palmas. “Problemas técnicos”. Toda hora vinham dizer que era “problema técnico.”
O show começou. Uma banda incrível, megafone, artistas de todos os tipos por todos os lados e no palco, convidadas. Alcione e Maria Bethânia subiram ao palco. Bem que eu sempre achei que a Maria Bethânia nunca aprendeu o que é silêncio na música. Ela parece que canta sempre com dor de barriga. Atropela as pausas direto. Parece que a qualquer instante vai vazar para o toillet, para largar o barro. Mas desde que fui a um show dela, ao vivo, comecei a mudar de idéia. Mudar um pouco, também não vamos exagerar. E o show só com a Maria Bethânia, atrasou um monte. Mas atrasou demais. Muito mais do que o show da Ana Carolina. Algum conhecido disse que a Maria Padilha, tem de rodar a baiana antes de qualquer show. Enquanto não gira a pomba quero dizer, não desce a Pomba Gira, ela não atua. Estavam explicados os dois atrasos nos dois shows em que ela estava presente. Ela bate tambor, antes da música começar, não sei se estou sendo bem explícito. Bate cabeça. E não é de preocupação com os problemas. Para o orixá de cabeça. Sabe essas coisas? É a religião dela. Não tem gente que acredita na Virgem Maria, a mãe santíssima e concepção do Homem? A gente acredita no que bem quer. E até se não quiser. Só acho que além de respeitar o orixá, ela devia chegar mais cedo, fazer os trabalhos, por respeito ao público também.
O show no Canecão, muito bom. Megafone, poesia, banda, convidados, clima perfeito... Até a Alcione colaborou. Graças a Deus ficou só no trompete e não ficou enchendo o saco com aqueles “bibi bobo rapapa bibi bobo” que ela faz na garganta e não tem nada a ver com as músicas. A Elza Soares, nossa grande jazz-woman, depois da Clementina de Jesus e da Leny Andrade, faz muito bem e não fica chato. A Marrom só conseguiu me agradar quando eu era púbere e ela estava começando a carreira e a assisti em cores. Agora, nem mais ao vivo.
Dias depois do show da Ana Carolina no Rio, voltei para Manaus. Uma conhecida minha, convidou-me para fazer companhia à ela no show. Sou uma pessoa fina e educada. O problema, é que eu me esqueço sempre disso e ajo como se fosse um troglodita. Preciso me lembrar mais das lições.
Fui. Tudo diferente. No primeiro show, estava sentado à mesa, na biqueira do palco. Podia ver até a Maria Bethânia, coçando o umbigo com os bicos dos seios, na frente do cenário. No outro show, estávamos senado à uma mesa bem atrás de muita gente e não havia nem cenário. A maior diferença, foi o preço. Nem se fala. Parecia que p meu bolso tinha me transformado em carro superesportivo. De zero a cem, em pouco tempo. Quanta diferença. Convidados? Só se alguém da platéia convidou outro alguém pagou e levou. Banda? Nem da Polícia Militar. Era o show: Ana Carolina, Violão e Voz. As mesmas músicas, a mesma cantora, mas com um toque diferente. Um toque de bar. Quando acabou o show, todo mundo levantou, aplaudindo de pé e alguns ainda gritavam: “Bravo! Bravo!” E eu acho isso de uma frescura imensa, mesmo tendo atuado em coral e tocando instrumento musical, etc, etc, etc, mas essa afetação toda não me entra.
Todos levantaram para aplaudir de pé, inclusive minha irmã mais nova e uns amigos. A minha acompanhante é que notou de cara. E quando ela também quis acompanhar a procissão, eu a puxei, para ficar sentada comigo e não pagar mico, já que pagou caro párea assistir a um show daqueles. Dá uma vergonha incrível. Cobra-se sempre mais caro, na maioria das vezes esses artistas têm o patrocínio de empresas, inclusive aéreas, falta-se com o respeito ao público sempre, em relação ao horário e ainda se apresenta um showzinho mixuruca e todo mundo aplaude de pé?
Só teve uma coisa que pareceu igual nas duas vezes em que assisti ao show. Não comi nada. Nem Canecão, nem buracão. Tudo pela educação que mamãe tentou me passar e quando me lembro, faço bonito. A educação foi dez. Lembrar o que mamãe me ensinou, é que é zero.
De outra feita, fui a outro show da mesma cantora, aí a coisa degringolou de vez. Ela já era conhecida nacionalmente, não só por que tinha uma música na novela da Globo e até veio com banda. Mas a casa de show era tão esculhambada que os números das mesas foram trocadas à volição dos presentes. E cada lugar, tinha um preço diferente. Quem paguei caro, acabei no prejuízo. Além do quê, o show foi marcado para a hora do lanche da tarde, mas começou na hora da merenda da manhã. Uma vergonha.
E o que isto tem a ver com o título?
Poxa a Adriana Calcanhoto me fez atentar para uma coisa. A moda agora, é a propaganda dizendo: “Preparando o Amazonas para o futuro.” E todo mundo fica tão extasiado, tanto quanto ao final de cada show em que os artistas não respeitam o público. Tem gente que acha que é paulista, por causa do PROSAMIN que está aterrando tudo o que é igarapé, deixando a cidade sem escoamento para as águas pluviais. A gente vai ficar atolado, com e na lama até o pescoço que nem paulista, quando chove na cidade que não poderia parar. “É o progresso.” Muita gente ainda pensa o progresso, como a repetição das coisas que já se mostraram erradas, pura e simplesmente. Quando a História é bem outra.Só avança a nação que pensa diferente. Quem pelo menos, aprende com os erros. Não é o nosso caso definitivamente.
Sabe por que a Adriana Calcanhoto em Manaus parece que vem forçada, em Portugal é só sorriso?
I. Em Manaus, ela sendo simpática, ou não, ainda tem quem a coloque em um pedestal e em Portugal, brasileiro mesmo não fazendo nada que desagrade os lusitanos, é colocado de volta no avião, sem perdão. Quer dizer, eles se respeitam muito mais do que nós. Eles ainda não aprendem a nos respeitar como deveriam. Mas só se respeita quem se respeita. É que nem amor. Sem amor próprio, como se vai amar o outro? Eles se respeitam. Nós é que temos muito a aprender.
II. Brasileiro ainda tem muito daquele tipo que olha para o outro e segundo o que conjectura sobre o outro, o trata da mesma forma. A pessoa aparece maltrapilha, então a gente pode maltratar. A pessoa está de paletó e cachecol, esse tem de ser respeitado. Ela vê os portugueses, como europeus, desenvolvidos, educados. E vê o público amazonense como uns índios, na expressão mais pejorativa que a palavra índios, tenha neste país. Por isso, importante aqui, ela acha que só ela. A questão da roupa e do homem.
Bem a coisa é o que segue, portanto, é o seguinte. Quem se respeita, é muito mais respeitado do que quem aceita tudo, calado. Não é papo de “agitador”. Pesquisas feitas em bares restaurantes, motéis, hotéis, lojas, etc, comprovaram que os clientes mais bem atendidos, são justamente aqueles considerados chatos.
Se o chato chega, junto com o “bonzinho” no mesmo hotel, dão os quartos dos fundos, cheirando a mofo, todo desarrumado, para o “bonzinho” que nunca reclama. Gente boa! E fazem de tudo, para arranjar o melhor quarto para o cliente considerado enjoado, sem nenhuma mácula, acelerando a arrumação para não o deixar esperando, justamente para ele não reclamar. E ainda dão brindes, descontos, para ver se ele sai calado. E o bonzinho sai que nem se percebe. É assim que as coisas funcionam. O que não quer dizer que cliente reclamão, tenha de ser autoritário, arrogante e não se dirija aos funcionários, com respeito.
Toda vez em que vou ao posto de saúde do convênio médico, tenho de reclamar. A última vez, dia desses, esperei, esperei, esperei, encontrei até meu ex-instrutor da academia, Mister Arnóbio Furtado. Passei um bom tempo, conversando com o Doutor Ditzel, vulgo Paraná que estava de plantão. Até que fui perguntar para a moça que verificou minha pressão arterial se ela tinha entregado a minha ficha no local certo. Começaram a procurar por todos os cantos. Inclusive a Monique, uma moreninha... Digamos assim, muito simpática... Uma graça de pessoa. “Mas o senhor já foi chamado à muito tempo pela doutora.” O ambulatório cheio de gente, eu sentado, comportadinho em uma das salas de espera e a doutora chamando da porta do consultório, um tanto o quanto distante. “Eu já te chamei há um tempão e várias vezes.” Ainda bem que a gente se conhece do tempo de faculdade. “Deixa disso!” De repente começaram a chamar os pacientes, através de um microfone portátil, preso à frente da atendente. Todo mundo começou a escutar seus nomes, quando chamavam.
Sim mas o que isto tem a ver ainda com o tema?
Sabe como o Japão se preparou para o presente no século passado? Menos propaganda e mais vontade política de se fazer.
Vamos lá, todo mundo pensando naquela musiquinha piegas, cheia de lágrimas que eu vou contar como foi a História Nipônica. Bem ao estilo pieguice, preferência nacional. Tipo aquela música do email em que o cara pede para os atletas não participarem dos Jogos Olímpicos Beijing 2008, por que para a china confeccionar as medalhas do podium, acabaram com a floresta do Tibet. Bem lacrimosa.
Bem, o imperador meia-gala, o Deus Supremo da Terra do Sol Nascente, Hiroito, nazista de pai e mãe, afundou o Japão em crise. Não era laxante, mas só fazia merda. Até meados do século passado, exportava gente, para o país dos outros, inclusive para o Brasil. Algo assim como fazemos hoje com jogador de futebol, prostituta e travesti. Mas os japoneses não pensavam em sacanagem, saíam do seu país, para trabalhar. Diferente das brasileiras que pensam em transar, para depois escreverem best-sellers nas melhores livrarias dos ramos, com histórias muito mal contadas, coitadas. E se alguma prostituta japonesa voltou, nunca lançou livro, não virou celebridade, nem posou para revista masculina, ou teve um programa na televisão. Nem na NHK, nem no KCT. Muito diferente dos dias de hoje. Os exemplos que eles davam, era para edificar sua cultura, não para acabar com tudo. E olha que a questão da mulher no Japão, não é lá grandes coisas. Mas pelo menos, as mulheres não se vendem como objetos para a admiração em vitrine. Não sei quem trata a questão da mulher, pior. Nós que temos os olhos abertos, ou eles que não se acham espertos.
Era crise sobre crise. Então, o supositório de cupim, Imperador Hiroito, achando que tinha feito pouca merda, resolveu entrar do lado do Eixo. O Japão perdeu a guerra, perdeu muita gente e ainda teve de se refazer completamente. Mal comparando, era uma Argentina. Na maior merda, mas o orgulho nacional, lá em cima. Sabe aqueles caras que sabem que vão sifu, mas não desistem? Tipo argentino com aquela armada escrota, querendo guerrear contra a esquadra britânica. Dá para entender? É questão de orgulho.
E o Brasil, na época em que o Japão era uma Argentina, tinha borracha, café, açúcar... Morto de rico sempre. Mas o povo, sempre morrendo de fome.
O que nos falta? Quase nada. Temos riqueza de toda espécie no Brasil. Tesmos gente criativa e competente. Só não temos orgulho de nós mesmos. E aí, não tem jeito. A gente vai se achar sempre a maior merda.
O Japão na maior merda, começou a valorizar a produção nacional. Chamou especialistas de todas as áreas, de todo o mundo, para ensinarem como fazer, como vender e como fazer a diferença, aos microempresários. Era cada produtozinho escrotinho que nem a Marinha Argentina na Guerra das Malvinas, ou os Sobrinhos do Capitão. Os carros japoneses com os retrovisores lá na frente. O cara tinha de dar uma olhada com o rabo de olho, correr para acertar os retrovisores e correr para ver se estavam na posição certa... No fim, era melhor ir à pé que suava menos. Os radinhos de pilha, pelo o amor de Deus. Que coisinhas mais cafonas. As empresas, umas coisinhas de fundo de quintal. Mas o mais importante de tudo isso. Com toda a dificuldade do mundo, os japoneses aprenderam a se virar, a melhorar o seu produto, com os incentivos do seu estado, tanto na área financeira, quanto na área da apresentação de mercado. Eles aprenderam fazendo a se fazer. A se gostar. Ninguém fazia as coisas para se dar bem, sozinho, era tudo em grupo. Grupos para irem aos EUA aprenderem como se fazia negócios. Grupos reunidos, para assistirem as palestras dos “cobras” que eram contratados para ensinarem o pulo do gato. Política pública para desenvolver o país. E olha que os EUA estavam dominando tudo. Eles nem assim, se entregaram aos desejos de dominação dos EUA, ou outro país que pudesse produzir lá e deixá-lo sempre dependente do capital externo.
As empresas começavam num ramo, viam que não era bem o que queriam, mudavam, procuravam se aperfeiçoar, até encontrarem o que elas queriam, no que melhor se adaptavam. Ou senão, agregavam tudo de uma vez. A Mitsubishi, produz automóvel, produtos alimentícios para dieta, aparelhagem de som, peça de supersônico... A Yamaha produz motocicleta, instrumento musical, afinador eletrônico, peças para aviação, motor de popa... E assim por diante. Não se preocuparam em formar primeiramente os doutores. A preocupação primeira, era produzir. Era fazer uma economia de mercado. A elevação do nível de escolaridade, deu-se com a expansão do mercado. Primeiro se criaram empregos, mercado, para depois se formarem doutores.
No início da última metade do século passado, o Japão já era a segunda maior economia de todo o mundo. Um mercado que não pára de crescer e que absorve até, os brasileiros que vão para lá, exportados, como faziam, no caminho inverso, no inicio do outro século findo recentemente. E a surpresa. A maior montadora de automóvel, é japonesa. Capital japonês. Abriu a maior crise no setor automobilístico dos EUA. Tão poderosa que ao invés de ser dirigida pelo capital estrangeiro, ela é que está investindo nos outros países.
E o Brasil, com tantas riquezas, na primeira metade do Século XXI, ainda está discutindo os mesmos problemas do Século XX que já vieram do Século XIX que já vinham do Século... Quer dizer, até hoje, ainda temos práticas do tempo do “Descobrimento”. Alardeamos nossas riquezas e o máximo que conseguimos fazer, é viver do extrativismo que os outros vêm aqui retirar e de ciclo em ciclo, oramos para Deus ser brasileiro.
Hoje o produto “Amazônia” virou figurinha carimbada. E o que os governantes fazem? Muita propaganda:
“- O Governador do Amazonas foi à `Conchinchina, ‘vender’ o estado, com investimentos que chegam à ordem de...”
Parece até legal. Aliás, tudo que vem da propaganda, parece legal. Até Coca-Cola, geladinha, no calor e o modelo estalando a língua. O problema, é a gastrite depois.
Mas no Brasil, parece que o disco furou e não sai do lugar. É sempre a mesma novela, a mesma ladainha, a mesma discussão. Estamos sempre vendendo o que é nosso. Ratificando, na maioria das vezes, estamos dando de mão beijada o que poderia ser nosso. “Nós temos a riqueza e sempre chamamos os outros para explorarem-na.”
Esta história, eu já li nos livros. Ciclo do Pau Brasil, I Ciclo da Cana, I Ciclo da Borracha. II Ciclo da Borracha. Zona Franca de Manaus... Este último, nem precisei ler. Esta eu vivi in loco, oh louco!
E daí? Daí que o estado continua na mesma. O superávit produzido aqui, retorna muito pouco para cá. De novo? De novo! Não é balata, mas parece que grudou e não saímos desta roda.
A gente vai viver de ciclos e não aprende? Isto é, se ainda der tempo para algum outro ciclo. Até ciclo menstrual acaba um dia.
A gente vai sempre buscar empresas lá na casa do Coriolano para explorarem o que temos de melhor, com todos os incentivos e o caboco da região fica produzindo cestas de juta, colares e bijuterias, mesmo que bonitos e estilosos, sempre em pequena escala, como artesanato, como souvenir, como lembrança da floresta? As FAPEAM da vida e outros organismos de fomento, ficam esperando que o caboco venha remando, para buscar o fomento para a sua produção, quando se sabe as questões que envolvem essa aproximação, tanto a distância, quanto a inibição de chegar para conversar com os “doutores” que ficam atrás dos escritórios. E no Japão, o estado fez questão de ir buscar o produtor onde quer que ele estivesse, produzisse o que produzisse. Incentivava sempre, primeiro os de casa. Isso se chama, fazer com que o cidadão tenha identidade, sinta-se em casa e tenha amor ao que é seu. Quer dizer, preserve e tenha orgulho de pertencer àquele território.
Mas é a velha mania de festa na casa de caboco. A família fica com fome, olhando todo mundo se refestelar, mas só come quando alimenta todos os convidados. E se não sobrar nada depois, vai continuar com fome, vendo os outros comerem o que é seu. E se quiserem, até suas mulheres.
Ao invés de pegarmos os cabocos que já produzem essas coisas, mostrar como podem melhorar, como se apresentar ao mercado, como aprender sobre moda, como fazer o mercado para e com eles, não. Achamos “lindinho” aquele artesanato escroto que pode melhorar e muito, de juta e sementes, e os deixamos no mesmo estágio, muitas vezes, por que ninguém gosta de “críticas negativas”, como “curiosidade” apenas e incentivamos empresas que vêm de fora, pesadamente que vão deixar muito pouco por aqui. O caboco muitas vezes que vivia do artesanato, de repente se vê concorrendo com empresas estrangeiras que aprenderam como fazer a mesma coisa, com incentivos pesados, até dos bancos internacionais de desenvolvimento. E nos fica a propaganda, como sempre:
“A Rede... vai abrir hotéis de selva... Um grande feito para o estado.” Por que não se fazer isso com tantos hotéis de selva, pousadas flutuantes que existem por aí, feitos na marra e sem a intervenção de nenhum técnico? O que se vai exigir em troca dessas empresas que vão explorar o turismo ecológico? Ou eles vão trazer o gerente de fora, o maitre de fora, o faxineiro de fora e vão deixar, esgotos despejando direto, poluindo os rios? Lixos pela floresta? Um salário de fome que nem seus filhos recebem como mesada para os locais se apresentarem como indígenas?
Ainda estamos muito afeitos à cultura extrativista que os colonizadores nos deixaram, ainda no tempo das Colônias Lusitanas, na América.
Ainda temos a visão de ir buscar capital internacional, para manter-nos na eterna dependência e o que é pior, com a auto-estima tão embaixo quanto o Subsolo 2 do Aeroporto Internacional.
Não tem jeito, enquanto não mudarmos nossos paradigmas, vamos formar doutores e mais doutores, abrir mercado para os outros e o emprego que sobra, é para extrair as riquezas daqui, para serem produzidas em escala comercial, por empresas dirigidas, muitas vezes, por gente sem tantos títulos, mas que sabe ganhar, mesmo que seja com o que poderia ser destinado à produção de cooperativas, de empresas, de empreendimentos destinados ao caboco, como forma de incentivar o desenvolvimento do interior, hoje tão esquecido que até os estados fronteiriços, querem um pedaço de terra do Amazonas, a todo instante, por que ninguém se acha responsável por nada. O caboco não se sente dono da terra por que a ausência total do estado, não o faz seguro na própria terra. Vive sendo expulso do que é seu, por forasteiros que agem na maior violência e só querem enriquecer. Quem tem incentivos para explorar as riquezas, na maioria das vezes, não é daqui, só veio ganhar e não precisa cuidar de nada, pois continua com as coisas dentro da bagagem, esperando se mandar a qualquer momento. Os governantes, só pensam em se locupletar e assim que ficam ricos com a malversação do erário, alugam jatinhos e se mandam para Miami, para ver se a terra sai do caboco. Se possível, “com algemas de ouro” como pediu uma senhora de um ex-político, preso mais uma vez, mas já na certeza de que terá um hábeas-corpus em mãos, muito breve, pois como disse: “não é quem prende que tem poder, mas quem manda soltar”.
E os estados limítrofes, oferecendo educação, saúde, segurança, emprego, tendo de tirar da sua verba do Orçamento da União, sem o devido retorno, a não ser, quando ganham as terras no STF.
Enquanto a propaganda diz que estamos deitados nos ventos da bonança, o caboco acaba deitado na rede, sem muita coisa a fazer, na dependência econômica, social, política e até cultural, sempre oferecendo artesanato, fantasiado de índio. Dependendo da boa vontade de quem vem aqui, os e nos chamar de índios. Não no sentido de guerreiros criativos, independentes culturalmente, trabalhadores; mas como cabocos lesos que têm muita riqueza, mas só sabem viver como escravos, explorados pelo invasor.
E quando se denuncia que se está roubando o estado, diferentemente do que diz a propaganda, ainda tem gente que a discussão, as denúncias nem devem ser apuradas, pois não ajudam ao progresso. É a turma da Bandeira Nacional. Ordem e Progresso. Até os líderes do governo que pertencem a um partido que achava que só se avança, discutindo os problemas, trazendo as soluções e mostrando caminhos.Mudamos tanto que até parece que estamos na Europa de 1200 after Christ. Ok, ok. Let’s ev’rybody together, jump into the Amazon River. It is the final fashion, came from outer land.

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