segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O POSITIVO SERÁ POSSÍVEL?

Quando eu ainda era aborrecente, comecei a escutar algo sobre Parapsicologia. De repente, chegou-me uma coleção de estudiosos sobre o assunto. Uma coleção estrangeira. Sugeria treinos e tudo o mais, o que fazia Dona Therezinha crer que aquele doce ser, estava fumando maconha, cheirando pó, ou outra sacanagem qualquer, por que me trancava no quarto, pendurava cobertores nas janelas e ficava praticando, durante horas, várias vezes ao dia e vários dias seguidos, as técnicas sugeridas.
Depois de algum tempo, apareceu uma charlatã brasileira, só podia ser, misturando Parapsicologia, com Espiritismo. Divulgava o tal de pensamento positivo.
Na coleção que li, um dos assuntos abordados, era como o pensamento pode alterar as coisas, surtir o efeito desejado.
Bem, para se abrir uma porta trancada à chave, até que se pode, com a força do pensamento, mas quanto mais conhecimento se tivesse sobre todos os mecanismos envolvidos, melhor. Se não se souber bulhufas sobre nada, nem adiantar ser positivo, negativo, ou neutro que a possibilidade de acontecer alguma coisa, é quase nula. Simples coincidência que hoje é estudado como A Teoria do Acaso.
De repente recebi um email sobre Física Quântica que mais parecia palestra da charlatã que foi desmascarada e desapareceu do cenário. Parecia os contos fantásticos de algum psicopata de plantão.
“A Física Quântica nos diz as possibilidades... De repente, com o pensamento positivo, seria possível andar sobre as águas...”
Bem, sendo eu expert de porra nenhuma, concluo o seguinte.
É possível andar por sobre as águas, por causa da Física Quântica?
Sim? Mas como?
Dizem até que alguém já conseguiu e até chamou os seguidores para baterem uma peladinha e eles não acreditaram no seu taco. Mas foi num tempo em que ouviam vozes do Céu, viam vultos divinos, carruagens de fogo conduzindo os outros e principalmente, não existia nem a Psiquiatria, nem manicômio. Tudo era possível. Até esquizofrenia ser confundida com fé.
Aí é que as coisas complicam.
A Física Quântica trata de momentum. “No momento 0, com a influência de variáveis externas, o vento à 9km/h, a temperatura, à 38ºC, em uma superfície plana, com a densidade w, o objeto estudado, comportou-se assim, ou assado que para acontecer de novo, terá de se verificar as condições existentes, no momento em que estava sendo estudado...”
Digamos que este meu corpinho atual de 120kg, sobre as águas do mar que são mais leves do que as do rio, com ondas de 3m de altura, com velocidade de 60km/h, etc e tal e tal e coisa. Como eu poderia ficar sobre as águas, flutuando que nem a lenda Cristã? É impossível? Não, de maneira alguma. Mas o ser em questão tem de saber como os quarks, os léptons, os taus, os múons, os neutrinos, os pósitrons, os átomos, os elementos microscópios que são as vaiáveis da questão, vão atuar dentro daquela cena acima especificada, como transformar todos esses elementos vistos, ao mesmo tempo, com a força do pensamento, controlando tudo, inclusive o próprio equilíbrio por sobre o mar, visto que já se conhecesse como alterar significativamente, toda estrutura molecular, as influências externas, as possibilidades e sobretudo, como em cada momentum, atuar com muita sincronia, para transformar água em pelo menos, um pântano onde se pudesse caminhar tranqüilo e não fosse engolido por areia-movediça. É possível, mas é dificílimo. É preciso ser muito bom. O fodão do mundo.
Será que eu desacredito nisso? Não. Mas é possível? Desde que o cara estude muito todas as variáveis constantes na equação, Física, Filosofia, Parapsicologia, Climatologia, Oceanografia etc, etc, etc, o que se poderia chamar de Teoria Holística Total, seria possível até transformar água em vinho. Mas como já disse, é uma missão difícil. Não adianta só ter pensamento positivo, senão não gera energia. Só o positivo quando encontra o negativo é que acontece algo. Positivo com positivo, ou o contrário, só dá repulsão. E não é de repente, sendo positivista ao excesso, querendo regredir à Idade Média que se vai conseguir que a força do pensamento traga alguma coisa de concreto.
A mente, o corpo e a alma, só se realizam diante de muito treino. Senão, é puro acaso. E a Teoria do Caos, do acaso, está além da quântica.
E a Filosofia nos diz que realmente, só conseguimos inferir sobre coisas que já tivemos percepção. O ET, é baseado sobre os seres que existem, abstraído para além. Então podemos inferir sobre como seria o ET de Hollywood.
O Ziraldo que dizem ter um dos maiores Q.I.’s do país, inventou a cor Flict. Dá para imaginá-la, sem se valer do arcabouço que se tem sobre as cores? Quem estudou sobre o prisma, leva vantagem. E quem já viu no espectro do infravermelho, consegue abstrair um pouco mais. O conhecimento adquirido leva à abstração que pode gerar novo conhecimento que será adquirido e vai se levando... É à Dialética e á Práxis, já estudaram sobre?
O telefone que o Graham Bell roubou do inventor, não apareceu por acaso. Surgiu depois de outras possibilidades conhecidas. O celular, é um aprimoramento sobre ele. E o próximo iPhone, é uma abstração sobre algo que já houve. E assim por diante. Só lenda é que aparece do nada, sem pai, nem mãe.
Grupos de cientistas, artistas e tantas outras áreas, estudam como pode haver vida em outros planetas, dentro das condições de cada um. Para se chegar à uma resposta aproximada, tem-se de se abstrair sobre a vida que se conhece e até hoje, é a da Terra, onde habitamos. Depois, abstrai-se diante das variáveis e constantes relativos a outras condições dos outros planetas. De repente, a abstração parece totalmente diferente, por que foram abstrações sobre condições diversas, mas partiu de algo conhecido. A vida na Terra.
O ser humano nem é uma Tábula Rasa, como dizia John Locke, nem já nasce com todas as condições necessárias para sobreviver. É um meio termo. Já vem com informações genéticas, informações que adquiriu do cordão umbilical, sensações que teve no útero, além de outras, mas precisa se abstrair além, para aprender a viver mais e mais e não ficar só batendo na mesma tecla. Precisa conhecer a realidade, para poder saber onde e como ir. Precisa abstrair sobre o que tomou conhecimento e apreendeu, para saber como pode chegar além, ou de outra maneira.
Não dá para querer pensar como os pensadores antigos que achavam que a realidade, era inerente a cada pessoa. Era fruto da imaginação que elas colocavam como realidade. Quer dizer que eu estou sozinho e penso que vocês existem? Vou pensar diferente, para apagar vocês todos da memória. Quer dizer que se eu pensar, eu posso colocar a minha realidade, fruto da minha imaginação e sair voando, só por querer? Caralho e o meu amigo Isaac Fred Beijaqui sifu, debaixo de um ônibus na estrada, com o fusquinha que ele dirigia, quando voltava de Israel, por que pensou que o ônibus existia, fruto da sua imaginação? Ah fdp, logo ele que era tarado por mulher, podia estar comendo as caboquinhas por aí se tivesse pensado diferente?
As pessoas estão se informando pouco e com isso, voltando ao passado, como se isso fosse novidade. Até para se chegar a um resultado mais rápido, sabendo-se o que deu errado no passado, nos perde-se menos tempo, senão a cada nova geração todo mundo vai realizar as mesmas experiências, chegar-se às mesmas conclusões e quando se verificar que houve falha, já é tarde. O estudo da História, nos faz chegar ao futuro mais rápido, sem se querer repetir os mesmos erros do que foi presente.
É por isso que eu me arrepio com as grades curriculares de muitas escolas particulares que só querem ministrar o básico, em conformidade com o que pede o mercado. Como será a abstração de um pessoal que não teve contato com outras realidades, senão as postas diante de si, como lavagem cerebral? Deve ser por isso que as crenças estão com toda a força. Comprando tudo, inclusive Academia de Tênis, para transformar em templo. Valha-me Deus.
Tudo é possível? Talvez. Mas também não vamos nos abstrair tanto, para voltar ao passado, quando já abstraímos até onde chegamos hoje, senão vamos começar a mandar os outros para a fogueira.
E ai de mim.
Podemos tudo, desde que estudemos mais. Sim, podemos muito. Mas o que parece é que é mais fácil comprar no camelô do que abstrair para se chegar além.

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