Maria Eulinda, diga-se de passagem, uma mulher feia, de dar medo em assombração, troncha, com mais dente na boca do que tubarão e mais filhos gerados, do que desova de tartaruga, ia voltando ao assentamento da Divina Esperança, ao Sul de Sergipe, quando viu a propaganda na televisão. Na tela, a imagem do livro mais vendido do momento, e uma discussão sobre o próprio, onde se dizia que era o livro que todos tinham de ter no criado-mudo. Aliás, ainda bem que o criado é mudo e não cego. Como é para ser depositado livro, se fala ninguém precisaria ler mais. E não seria criado-mudo. Seria o criado-linguarudo.
Quando Maria Eulinda chegou ao assentamento, correu para o braço do marido.
- Oiler, olhe aqui. Diga-me como era o nome completo de compadre Bastião?
- Sei não minha Linda.
Maria Eulinda saiu por todo o assentamento, na busca do que queria. De repente o assentamento estava reunido, sem ser para invadir a fazenda de ninguém. Era só pro curiosidade, pela ansiedade dela. Ela então colocou para fora do seu ser, sem ser aquele bolo de refugo alimentar, acompanhado de uma ou outra hemorróidas; toda sua angústia, melhor explicado.
- Olhe menino, eu vinha passando pela frente das Lojas Nordestinas e tomei o maior susto. Tavam anunciando o nome de compadre Bastião que morreu ano passado nas mãos dos capangas do Coronel Ubaldino e até hoje a Justiça diz que num sabe de nada. É a única que nunca quer saber de nada, quando as coisas ruins, acontecem do lado dos pobres e humildes.
Tavam mandano comprar um tal de peste seles. Num sei nem o que é isso, mas parece que é mutcho bom. Disseram que foi o livro mais vendido nas últimas sumanas.
- Livro?
- É. Parece que além de ser bom, ainda tem um tal livro acompanhando esse peste seles. E parece que quem escreveu foi compadre.
- Mas como? Até a hora da morte, compadre tinha a maior dificuldade em pegar em lápis e caneta. A única coisa que pegava muito bem, era numa enxada. Ele se enrolava todo com alguma coisa desses entre os dedos que fica difícil, destravar as mãos de compadre. Ó xente!
- Visse como são as coisas? Ninguém dava nada por compadre, de repente virou vendedor de livro.
- Como será que ele aprendeu tudo isso?
- Olhe, pelo que eu ouvi, parece que ele entrou num tal de Centro Espírita. Pelo visto, deve ser muito melhor do que a escola da comunidade. Enquanto a gente escreve nas coxas, parece que as lições por lá, são feitas encima de uma mesa branca. Em um ano, o compadre aprendeu a ler, escrever e a vender os livros. Nem supletivo consegue tanto.
- E sobre o que o compadre escreveu? Alguma carta pra família?
- Que nada homem de Deus. Estavam dizendo que era um tratado sobre Fisca Cântico.
- Fisca Cântico? O que é isso?
- Rapaz, eu não faço a menor idéia, mas deve de ser uma coisa arretada de boa, para fazer tanta gente comprar, tá pensando o quê? Arre égua!
- A gente tem de se matricular nesse tal de Centro Espírita. A professora daqui, é muito lenta. Há 4 anos que está ensinando a gente o ABCdário e até agora não passou da letra B.
De repente o assentamento ficou às moscas. Parecia a série Lost. Quando se pensava que se iria entender alguma coisa, mais mistérios. Eu estou fora. Todo mundo largou o mundo da enxada, para ver se aprendia a ganhar uma grana. E foram procurar esse tal de Centro Espírita para fazer a matrícula daquele povaréu todo. O difícil seria aceitar tanta gente assim de uma vez. Só se mandasse para a fronteira com Israel. De repente o pessoal todo iria freqüentar a mesa-branca. E ainda com título. Título de terroristas. Não de terras, como lutavam desde a Independência do Brasil e pelo andar da carruagem real, não é para hoje.
Quando Maria Eulinda chegou ao assentamento, correu para o braço do marido.
- Oiler, olhe aqui. Diga-me como era o nome completo de compadre Bastião?
- Sei não minha Linda.
Maria Eulinda saiu por todo o assentamento, na busca do que queria. De repente o assentamento estava reunido, sem ser para invadir a fazenda de ninguém. Era só pro curiosidade, pela ansiedade dela. Ela então colocou para fora do seu ser, sem ser aquele bolo de refugo alimentar, acompanhado de uma ou outra hemorróidas; toda sua angústia, melhor explicado.
- Olhe menino, eu vinha passando pela frente das Lojas Nordestinas e tomei o maior susto. Tavam anunciando o nome de compadre Bastião que morreu ano passado nas mãos dos capangas do Coronel Ubaldino e até hoje a Justiça diz que num sabe de nada. É a única que nunca quer saber de nada, quando as coisas ruins, acontecem do lado dos pobres e humildes.
Tavam mandano comprar um tal de peste seles. Num sei nem o que é isso, mas parece que é mutcho bom. Disseram que foi o livro mais vendido nas últimas sumanas.
- Livro?
- É. Parece que além de ser bom, ainda tem um tal livro acompanhando esse peste seles. E parece que quem escreveu foi compadre.
- Mas como? Até a hora da morte, compadre tinha a maior dificuldade em pegar em lápis e caneta. A única coisa que pegava muito bem, era numa enxada. Ele se enrolava todo com alguma coisa desses entre os dedos que fica difícil, destravar as mãos de compadre. Ó xente!
- Visse como são as coisas? Ninguém dava nada por compadre, de repente virou vendedor de livro.
- Como será que ele aprendeu tudo isso?
- Olhe, pelo que eu ouvi, parece que ele entrou num tal de Centro Espírita. Pelo visto, deve ser muito melhor do que a escola da comunidade. Enquanto a gente escreve nas coxas, parece que as lições por lá, são feitas encima de uma mesa branca. Em um ano, o compadre aprendeu a ler, escrever e a vender os livros. Nem supletivo consegue tanto.
- E sobre o que o compadre escreveu? Alguma carta pra família?
- Que nada homem de Deus. Estavam dizendo que era um tratado sobre Fisca Cântico.
- Fisca Cântico? O que é isso?
- Rapaz, eu não faço a menor idéia, mas deve de ser uma coisa arretada de boa, para fazer tanta gente comprar, tá pensando o quê? Arre égua!
- A gente tem de se matricular nesse tal de Centro Espírita. A professora daqui, é muito lenta. Há 4 anos que está ensinando a gente o ABCdário e até agora não passou da letra B.
De repente o assentamento ficou às moscas. Parecia a série Lost. Quando se pensava que se iria entender alguma coisa, mais mistérios. Eu estou fora. Todo mundo largou o mundo da enxada, para ver se aprendia a ganhar uma grana. E foram procurar esse tal de Centro Espírita para fazer a matrícula daquele povaréu todo. O difícil seria aceitar tanta gente assim de uma vez. Só se mandasse para a fronteira com Israel. De repente o pessoal todo iria freqüentar a mesa-branca. E ainda com título. Título de terroristas. Não de terras, como lutavam desde a Independência do Brasil e pelo andar da carruagem real, não é para hoje.
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