Vendo hoje como Lula é recebido pela elite brasileira, percebe-se como as pessoas se esquecem rapidamente e convenientemente do seu passado. Parece-me que sempre a elite sulista do Brasil, é contra mudanças. Quer que se mantenham sempre as mesmas vantagens a que vem sendo beneficiada. Falou em mudança, não tem jeito, o Sul/Sudeste sempre se coloca contra. Mesmo que depois se rendam a elas. Parece uma coisa intrínseca de Sul. Não foi tão diferente na Guerra da Secessão e não é tão diferente ainda hoje, para o Sul dos EUA, pensar em mudanças. E quando se vê, aqueles que não queriam mudar, estão muito bem ao lado de quem se mostrava como mudança. Mantendo as coisas como sempre estiveram.
No Brasil, ainda temos a particularidade do Sul/Sudeste, ditar a moda para todo o país. Então o que se pensa lá, de repente, todo mundo imita cá. Mesmo que não seja lá grande coisa, mais sempre tem quem os imite para não parecer caboclo.
Para evitar qualquer mudança, desvia-se o foco principal da discussão, para outra questão menor. As forças reacionárias sempre se mostraram e se mostram diametralmente contrárias a qualquer debate. E para matar qualquer discussão que seja, antes de ouvirem propostas, discutirem encima de idéias, logo acusam o outro de alguma coisa que considera feia, ou pejorativa. Antes acusavam os adversários de libertários, até que se fez a Independência. Depois acusavam os opositores de abolicionistas, até que se viu que a escravidão era uma coisa terrível, só advogada por pessoas insensíveis. Depois se acusou o adversário de republicano, como se por pensar assim, não se pudesse participar de discussão alguma. Agora mais recentemente, acusam qualquer um que diverge de suas posições e da falta de proposta, de comunista, como que, por se pensar assim, não se possa contribuir com idéias e ações concretas. É uma sociedade que ainda não aprendeu a deixar de ser discriminatória, preconceituosa e racista, mas tem vergonha de se assumir assim e se fantasia com sua melhor máscara. A isto já se chamou de covardia.
Parece que acusar de comunista, é o melhor caminho, num Brasil sem discussão e que não aprende a dialogar consigo. É muito mais fácil para quem não tem argumento, acusar os outros de alguma coisa, independente de propostas encima da discussão que se trava. Desviando-se o mote da discussão, evita-se sempre que se mostrem certas realidades que se querem escondidas, que se debata qualquer coisa, principalmente, que possa acabar de alguma forma, em mudança, mínima que seja.
E quando se discute no país, falta quase sempre, embasamento, ou é na base do oportunismo. E a discussão se torna estéril. Brasileiro de verdade puxa o tapete do outro e manda emails piegas, falando da beleza da vida e de como é bom ter amigos. “Você é meu amigo. Mande de volta se me considerar seu amigo também.” Mais falso impossível. É como presenciei certa vez na sauna quente. Todos sentados e à frente, havia uma escotilha por onde se podia ver a movimentação em toda a extensão da mesma. Um homossexual que estava na sauna, falou alto para o outro, o quanto odiava um terceiro que chegara. De repente, os dois se cruzam no corredor e além dos beijos, abraços, votos das mais altas estimas, de apreço e de carinho. Eu preciso me acostumar com este jeito brasileiro de ser. Falso!
Como se para o dia-a-dia, o comum, fosse atentar contra os outros e para os olhos de Deus, mostrar-se a pessoa mais íntegra e carola do mundo. Quando podiam discutir coisas mais edificantes e mais necessárias a todos. Mal sabem que estão se enganando, ainda mais quem pensa que engana a Deus. Ou será que não acreditam no Onisciente? Ou talvez nem saibam o que significa onisciência.
As mudanças no Brasil, dão-se muito lentamente.
Às vezes, nem se dão, as pessoas apenas acompanham a moda, mas não internalizam de
verdade, as questões em termos filosóficos.
O que tem de gente dizendo que não é racista, mas sempre se coloca contra qualquer direito à índio, à negro ou qualquer outra minoria, é enorme.
No Brasil, existe a imagem pública e o que se pensa realmente. Muitas vezes totalmente conflitantes. Poucos assumem suas condições, suas posições, de frente. Só o Ronaldo Fenômeno que encara de frente. Ainda bem. Se ele encara de costas, com aqueles machões, como não estaria? Se ele se abestalha, nem sentaria para dar entrevista. Estaria comido e mal pago. E como seria encarar de costas? Será que ele tem duas caras?
A imagem pública do brasileiro é uma, suas ações escondidas, são sempre outras. Todos dizem combater a corrupção, mas quando é para se beneficiar, nem pensam duas vezes em furar fila, dar uma de esperto, apelar para o jeitinho brasileiro. É a própria cabeça nacional. O que realmente parece, é apenas que não se tem coragem de defender o que se pensa. O país que adora cultivar dois pesos e duas medidas em todas as questões. O país onde o debate se desenvolve na plenária, mas as discussões de verdade, dão-se nos bastidores, no cochicho, na escuridão. O país que acha engraçado as pessoas se manifestarem, quando a luz do cinema se apaga, por terem medo de mostrar a cara, quando os outros estão olhando.
“Nós” não somos racistas, de maneira alguma. Nem se fale uma coisa dessas perto da “gente”. Apesar de o Brasil ter sido a última nação a extinguir a escravidão, ainda hoje não se quer nenhum privilégio para os povos que nunca o tiveram. De repente aparece um tal Movimento Anti-Racista que leva ao Supremo, a reivindicação contra as quotas para negros nos vestibulares. E coloca à frente, uma estudante do Mato Grosso, de pele escura. De um lado, a estudante se sente branca, por estar apoiando uma reivindicação racista como essa. De outro, os racistas em potencial se eximem de qualquer culpa, ou responsabilidade quando quem os representa, é uma pessoa negra. E na verdade, são racistas sim, tanto os de pele branca, quanto os de alma branca, quando não percebem que os “brancos” sempre tiveram privilégios e os negros, foram trazidos contra a vontade, debaixo da chibata, para serem escravizados e largados ao léu, quando da Abolição, sem um plano sequer que os integrasse à economia nacional, apenas, voltando a serem tão escravos quanto antigamente, servindo aos ex-patrões, em troca de alguma comida e algum agasalho, ou ficando na sarjeta, entregues a toda sorte de intempéries. Mas justamente quem se mostra racista até o último fio de cabelo, é quem se auto-proclama, anti-racista. Invertem a lógica das coisas de propósito. Mas isto também, é intrínseco dos movimentos arcaicos, reacionários no Brasil. A própria Ditadura, quando estava no fim, com o povo cada vez mais insatisfeito, proclamava-se Socialista – Partido da Democracia Social - e tinha quem acreditasse, mesmo sem querer discutir profundamente e de verdade, sobre o que alegavam ser e não eram. Tentavam inverter a lógica, mesmo com gente sendo suicidada de joelhos, com um cinturão enrolado no pescoço. Mostravam-se tão hodiernos quanto os que combatiam. E muita gente acabava não entendo nada. Aprenderam desde então, embaralhar a idéia nacional, com nomes assim. Nomes bonitos, mas que de maneira alguma, dizem a verdade.
As questões da Amazônia, pertencem a esse tipo de discussão. A Amazônia, historicamente, sempre foi relegada ao último plano nacional. Foi uma terra que se integrou ao Brasil quando da Independência em relação a Portugal, sem nenhuma reivindicação em contrapartida, por isso mesmo, vista como um quintal sem muita importância e sem reivindicação alguma. Sempre.
Desde a integração dos territórios que hoje perfazem o mapa do Brasil e o fez crescer sobremaneira em tamanho, existe, uma certa resistência em distribuir as riquezas, equitativamente. A distribuição até hoje, é feita como antigamente. Primeiro o Sudeste, depois o Sul. Mesmo que o Sul tenha se integrado ao Brasil, após a Independência também. Quando os recursos estão minguando, pensa-se no Nordeste e quando este está virando cuí, dividem o pó que sobra, entre Centro-Oeste e Norte.
Nem com a mudança da Capital Federal para o Centro-Oeste, as coisas mudaram substancialmente. Aliás, mudaram em termos. O cuí fica com o Centro-Oeste e se por acaso ainda sobrar algo mais, joga-se no Norte, como um grande presente. Um grande feito que esperam, ainda sejam agradecidos.
A Amazônia é terra sem lei, sem governo – aliás, com uns governos que governam com a cabeça no Sul/Sudeste, gerando riqueza para aqueles Estados, imitando a política federal -, sem perspectiva alguma de mudança nesses termos. Muitas vezes bandidos que se candidatam pela imunidade que os cargos oferecem.
A política aplicada na região, assistencialista em sua essência, é como candidato em campanha que dá cerveja ao eleitor e cesta-básica e diz que está lutando por mudanças, reformas e melhorias. A presença do Brasil na região, faz-se esporadicamente, quando uma ou outra Força Armada ensina como se escovam os dentes, ou quando a outra serve de táxi-aéreo, e uma última abusa do autoritarismo na tentativa de mudar a linha de raciocínio dos cidadãos, como se fossem a coisa mais maravilhosa do mundo e se propaga, como uma grande contribuição para o progresso da região. O estado regional e nacional, esquecem os cidadãos no meio da Amazônia e de vez em quando fazem uma ou outra filantropia e anunciam como a melhor coisa do mundo. Quando seria muito mais útil, levar educação de verdade, continuada, até para que os cidadãos se conscientizem da necessidade da higiene pessoal. Não se precisaria deslocar fragatas para ensinar como escovar os dentes, de tempos em tempos, com banda de música na partida do porto. Muito mais útil se levar o desenvolvimento regional, empregos e salários dignos onde as pessoas não precisassem recorrer à benevolência do Correio Aéreo Nacional, como uma grande filantropia a que sempre se tem de agradecer. Elas teriam condições de escolher o seu transporte por vontade própria e o seu destino final, sem ter de mendigar nas cabeceiras das pistas. Por fim, mais útil, a conscientização verdadeira, onde o cidadão regional, pudesse decidir por conta própria, o melhor para si e para a região da qual faz parte, sem a imposição de armas e fardas, ONG’s, ou bênçãos de deuses totalmente divergentes da cosmo-visão desses povos. Não se luta por uma região intocada, mesmo por que se quer acabar com o atraso e a pobreza que perduram por séculos. Muito pelo contrário, apenas se quer uma região respeitada, sobretudo, valendo-se das riquezas que produz. O que em pleno Século XXI, ainda é mais lendária do que a história do Mapinguarí, ou do Boitatá.
E agora se usa a pecha da “região intocada”, como campanha contra quem deseja respeito, mudanças e desenvolvimento regional, para se desviar a discussão, como sempre. Mudam-se os partidos, mas não se mudam as reações. O que antes parecia um avanço, logo se mostra mais uma força que não consegue acompanhar os anseios por mudanças significativas, no pensamento nacional. Mudam-se as capas, preservam-se o teor do livro. Nenhuma mudança consubstancial de verdade. A discussão fica no nível mais rasteiro, para se manter o mesmo status de sempre.
Evoluímos tecnologicamente, como muitos outros países muito mais adiantados do que nós e mantemos os mesmos privilégios e culturas do tempo da escravidão. Mudamos o externo, mas preservamos intocada a cabeça. Sempre atrasada, mesmo quando nos mostramos evoluídos. E apesar das estatísticas, a distribuição entre pessoas e estados, pouco mudou. O fosso apenas se aprofunda.
De repente explode um nicho de riqueza na Amazônia, no Norte do país, lá vêm os do Sul/Sudeste, ávidos em espoliar a região e quando saciados, voltarem para suas terras, levando toda a riqueza que a região produziu, mas pouco se viu, como sempre. Foi assim no tempo da borracha, no tempo das minas de ouro e outros insumos minerais, ou em qualquer outra época. Os do Sul/Sudeste aparecem como os donos das terras e até mesmo, donos da verdade e de repente se lembram que existe a Região Norte, desde que satisfeitos em suas vontades e necessidades de enriquecerem às custas dos outros que pensam, nem existem. Parece que não vêem que a região já é habitada. Apenas se reproduz o que os “descobridores” fizeram. As terras cheias de nações, cheias de gente e eles parece que não enxergavam. Ainda se disseram “descobridores” e “colonizadores”. E ainda se repete esta visão cretina e arcaica.
De repente, um tratado internacional, tendo o Brasil como um dos signatários, trata o índio com dignidade, com respeito, como nunca se fez e como não se faz com muita gente no país. E propõe a demarcação das terras indígenas, para serrem preservados costumes, culturas, crenças e lendas. Tudo o que uma nação tem de ser e o Brasil se esqueceu quando do “Descobrimento”.
Justamente os que acabaram com as nações indígenas nas suas regiões, mostram-se preocupados com as questões das nações indígenas nestes territórios, como os donos das soluções de todos os problemas.
De repente, os interesses do Sul/Sudeste são barrados, pelos interesses regionais do Norte, pronto, as manchetes da grande mídia nacional são de guerra na região. Como se o Norte sempre esquecido, lutasse contra o Brasil, quando apenas deseja ser notado e respeitado. Justamente alardeado por quem ainda celebra a “Revolução Constitucionalista de 1930” e as lutas pela divisão da Região Sul, do resto do Brasil, como feitos de grande relevância nacional. Aliás, nunca se lutou para ser independente do Brasil. O caminho do hoje Norte do país, foi exatamente o contrário. De se agregar à nova nação que surgiu quando da Independência do Brasil. Talvez a diferença esteja aí. O Brasil é daqueles que ama quem o odeia.
A Amazônia sempre esquecida, mesmo no atual governo que está tirando todos os escritórios do Estado Nacional – Eletronorte, INCRA, IBAMA... - do Norte do país, para concentrá-los todos, no Rio de Janeiro, como se ainda fosse a Capital Federal, por puro interesse eleitoreiro, tem agora, todos os holofotes virados para a região. Não no sentido de se pensar em políticas de desenvolvimento regional, mas de novo, de como enriquecer a Região Sul/Sudeste, com as riquezas do Norte. Os próprios governadores e autoridades locais, advogam pelo interesses dos forasteiros, em detrimento ao povo local. Nenhuma política de valorização da região, apenas a velha mania de viver do extrativismo, para se mandar para ser beneficiado lá fora.
De repente aparece General que baixou do Haiti, reivindicando a “soberania nacional”. Engraçado que quando se trata dos interesses da região, não se escutam essas vozes tonitruantes. Ninguém se lembra de defender o caboclo, o índio, como filhos do Brasil. Eles podem viver esquecidos por séculos. Só quando os interesses do “Brasil” – Sul/Sudeste - são peitados, aí aparecem os “defensores da pátria”, de uma pátria que tem de ser uma, mas unidade em benefício de alguns bem poucos. Unidade para enriquecer ainda mais os já ricos estados nacionais. Muito estranho. A região fica relegada por anos ao descaso, ao desrespeito, à falta da presença do Estado Nacional e só de vez em quando se percebe que se tem de defendê-la contra o inimigo que se avizinha. Só então se começa a se temer uma invasão dos “inimigos nacionais”. E apresenta-se o povo da floresta, como subversivo, como inimigo público do Brasil, por quererem defender o que é seu de direito e de fato. O “Brasil” espera que se entregue de mão beijada sua riqueza para seus filhos. Suas riquezas para outros se locupletarem, sem deixar quase nada para a região. É este o tal “Brasil”, a pátia amada idolatrada, salve, salve?
O maior inimigo nacional é o próprio “Brasil” que ainda trata regiões com desprezo e outras com todas as regalias. Isto sim, é subversão. É ser inimigo de si, enquanto país que não pode se chamar de nação. É querer dividir o Brasil em ricos e miseráveis sempre. É querer desviar a atenção do foco da verdadeira unidade nacional. Da verdadeira discussão que nunca se fez.
De repente aparecem os “donos da terra” do Norte, grileiros que usam da virulência e mesmo assim, dizem-se invadidos. Bandidos que usam a força das armas, para expulsarem os povos da região, para bem longe do que é seu. Invasores que a mídia trata como invadidos.
Então, os tribunais que estão se lixando para os problemas nacionais, começam a discutir as questões sobre soberania. E eu, particularmente, acredito muito pouco na Justiça Brasileira. Uns tribunais, onde as sentenças são dadas, como se os “deuses celestiais”, pouco tivessem a ver com os problemas que podem gerar em suas decisões. Parecem apartados da realidade do mundo. Tribunais, onde ministros, desembargadores e juizes, fazem sua escala de trabalho, trabalham quanto e como querem, não precisam dar satisfação a ninguém, muito menos à sociedade, onde a figura do “bom advogado”, quase sempre pago à peso de ouro, em euro, sempre cônscio das brechas das leis, muito mais do que na lei em si, consegue sentenças imorais e até contrárias à consciência das pessoas e principalmente, os tribunais, lugares em que escolhem seus pares, como se a sociedade, fosse apenas uma variável, sem nenhuma importância. Lugares que ao invés de preservarem a democracia conquistada a duras penas, silenciam qualquer tentativa de debate, sobre qualquer mudança, inclusive marchas reivindicando legalização das drogas, como se hoje estivéssemos em uma Ditadura Togada. Até dá para saber o por que da censura ao debate sobre a legalização das drogas. Vai se querer acabar com uma fonte certa e rica de rendas que se diz nunca ter solução? Como ficariam os soldados do tráfico? E onde se buscariam recursos para tanto habeas-corpus? Poder Judiciário que se coloca no lugar dos outros Poderes Nacionais, mesmo não representando a vontade do eleitor e do brasileiro em geral. Eu não confio realmente nisso que chamam de justiça nacional. Fico até temeroso de tanta justiça. Da Justiça Brasileira. Ainda mais com minha conta corrente zerada. Não posso nem contratar a figura do “bom advogado”. E ele, também nem pode pagar por brechas nas leis. O único fato que nos une, os tribunais e eu, é a imoralidade. Mas mesmo assim, de âmbitos divergentes em suas ações, em seus parágrafos e epígrafes.
No STF, tem-se ministro escolhido por ex-Presidente que sofreu impeachment e esse mesmo ministro, como se não tivesse nada com isso, ou com qualquer outra coisa, dá as sentenças mais graciosas e até mesmo, tresloucadas, que permitem que banqueiro que assaltou os cofres nacionais, evada-se do país, dando trabalho para ser recuperado depois; ou se coloque contra o julgamento através de teleconferência, para dar mais prejuízo a um país tão rico onde não se tem pena do bolso do pobre contribuinte pobre. E os juízes, desembargadores e ministros podem tudo. Inclusive ser corrompidos e ainda serem aposentados com todas as vantagens e regalias da ativa. É, ou não, uma imoralidade?
Tem-se também um outro ministro que se diz Direito, ex-integrante de programa “mundo-cão”, onde não apresentava a menor compostura, hoje senta-se com a maior cara de pau, à frente da gente e interrompe o julgamento do mérito das pesquisas das células-tronco, sem prazo para deliberar, ou voltar com o processo, por pura birra e falta de argumentação. Como se ainda fosse aquele advogado sem compostura alguma. E quem o escolheu? Sei lá! Só sei que pode até ser Direito, mas é muito estranho!
Na verdade, um Judiciário que mostra pouquíssima credibilidade perante a opinião pública, onde seus integrantes parecem ter a mente em séculos e séculos passados. Embotadas e com teias, por dentro da cavidade encefálica. Salvo alguns raros. Dando sentenças que mexem com toda a nação, sem mérito, sem se preocuparem com a vida nacional e sem vergonha, ao menos. Abusam de sua autoridade para sentenciarem questões meramente políticas e não jurídicas. Estão ávidos por poder, até entrando em áreas que não lhes pertence, saudosos da Ditadura.
De repente, as redes de televisão, mostram-se preocupadas com a questão do Norte, da Amazônia. Tão preocupados que só noticiam as questões relevantes aos grileiros do Sul/Sudeste, esquecendo de mostrar os conflitos e a realidade da região. E principalmente onde acaba tudo isto. A quem de verdade interessa tudo isso.
Não têm coragem de mostrar que ao se desmatar a floresta, planta-se soja que vai virar farelo na região Sul/Sudeste, para ser ensacado e exportado, para alimentar o gado dos países ricos. Quando se desmata, para a extração da madeira, está se mandando o tronco bruto, para a Região Sul/Sudeste, para ser cortado em tiras e ser mandado para ser beneficiado nos países ricos. Quando se transforma a selva em carvão, é por que existe um mercado muito grande que consome em grande escala e não muda a matriz energética, por pura conveniência e utiliza o carvão da floresta, das fazendas que ainda se valem dos escravos, para a indústria siderúrgica que beneficiará os insumos para o mercado dos países ricos. Quando se expande a fronteira da pecuária, tem-se de colocar a floresta abaixo e não se está se pensando no progresso regional, só e tão somente, em colocar no mercado dos países ricos, a carne, o leite e outros produtos, provenientes do gado, sem nem se ligar para as questões de ordem do caboclo. E muito político, mesmo sabendo de tudo isso, mostra-se conivente, para não perder a boquinha no governo.
Inda se fala em soberania nacional? Ou se está enganado, ou se está querendo enganar o maior número possível de pessoas. Não é possível que se continue com a política de regalias nacionais e ainda se tenha a cara de pau de falar em unidade, em soberania, em nação.
É esta a política para desenvolver a região? Ou para deixar como está, ou pior, deixar totalmente sem nada?
De uma hora para outra, lembram-se de debater a questão das ONG’s que mais parecem um apêndice do aparelho de estado, totalmente sem controle, como se só existissem na região e tivessem sido fruto somente desta mesma região. É querer desviar e muito, o foco da discussão.
De um lado, as nações mais poderosas querendo as riquezas da região, discursando para o mundo, como se os países que detêm a Amazônia, não soubessem cuidar dela e por isso se habilitam a invadi-la. De outro, o “Brasil”, repetindo o discurso internacional, mascarando e transformando-o para os interesses internos, querendo mostrar que os povos da região não sabem cuidar do que é seu, por isso, têm de incentivar a invasão da gente do Sul/Sudeste como desbravadores que trarão a “luz”. A política da subserviência absoluta.
De um lado, o Brasil rebatendo as acusações internacionais, mostrando que eles destruíram todas as suas florestas e agora querem preservar o que é “nosso”. De outro lado, o “Brasil”, repetindo internamente o mesmo discurso, dizendo que quem melhor pode cuidar da Floresta Amazônica, é justamente quem destruiu toda a sua Mata Atlântica, sem dó nem piedade. A transformação do discurso imperialista, para os interesses dos “grandes imperialistas nacionais”. E por fim ficamos nós na região, sem poder desfrutar do que é nosso, nem ao menos, ser ouvidos. Servindo no máximo, como escravos, para os interesses “nacionais” que sempre estão a serviço do capital internacional. Seja nas carvoarias de escravos, para as siderúrgicas, seja na bondosa abnegação de mostrar o pulo do gato para que se patenteiem os produtos regionais, o mais distante possível daqui, para nos tirar até o direito de utilizar o que antes nos pertencia e que aprendemos a lidar, a manufaturar, em escala reduzida. De repente a copaíba em pílulas e em outras formas de remédio, é retirada do mercado às pressas, por que alguém patenteou nos EUA e não permite que se a use, mesmo em escala pessoal. E só então, com o selo estadunidense, nossos médicos regionais, vão receitar a copaíba, como um grande antiinflamatório, um descongestionante nasal, uma arma contra diversos tipos de cânceres. É como discussão no Brasil. Não mudou a essência, mas mudou a embalagem. Deixou de ser caboclo, mesmo mantendo os princípios básicos.
A Raposa Serra do Sol de repente, é terra de grileiro. E índio, é visto como invasor de terras que são suas. Esses mesmos grileiros, incentivados pelos programas dos Governos Federal, Estaduais e Municipais, que se dizem contrários à grilagem, ao desmatamento no noticiário internacional, recebem todos os incentivos fiscais, econômicos e de insumos desses mesmos governos. De duas uma, ou não existe controle, nem critério para a distribuição de incentivos, ou os esses governos agem de uma forma, na questão interna e se mostram internacionalmente, de outra. Até parece que são brasileiros. Para o público interno, estão se lixando para os seus problemas. Para a mídia internacional, mostram preocupação extrema, sobre as questões regionais, ganhando até prêmios desconhecidos, mas muito importantes para suas políticas inverossímeis. É mais ou menos, como se os desembargadores se mostrassem muito preocupados com a programação das televisões, para as crianças e para os adolescentes e ao mesmo tempo, utilizassem-se de serviços de cafetinas e cafetões que oferecem crianças com idade inferior a 14 anos, para programas sexuais . Como se a autoridade se mostrasse preocupada com a pobreza regional e se utilizasse da prostituição infantil, que gera recursos para a mesa da família paupérrima e fizesse de tudo, para atrapalhar a investigação dos crimes de pedofilia e da prostituição infantil. Exemplos hipotéticos, para mostrar como as coisas parecem ser no país de muita pieguice. Na verdade, ninguém está preocupado, nem com a soberania, muito menos com a unidade nacional. É irrelevante, é algo que acontece com o povo e este ainda parece peça fora do baralho. Questões muito bonitas, para disfarçar interesses espúrios.
Ninguém se importa com os índios vivendo nas cidades superlotadas do Norte, alcoolizados, marginalizados, nas sarjetas, vivendo na extrema pobreza, servindo de chacota para os ditos “brancos”, prostituindo-se para pagarem uma refeição, servindo para os trabalhos mais aviltantes, vendendo sua prole, para comprar uma bugiganga eletrônica qualquer, que vale quase nada. Isto não é soberania, nem é problema nacional? Não é “nosso” problema? Então o que significa este “nosso” tão divulgado, quando se quer transformar a região em benefício do “Brasil” tão ávido em manter a sua “soberania”? E que soberania é esta, onde uns têm tudo do bom e do melhor e os outros, são relegados à eterna pobreza? A quem interessa uma sobrania nestes moldes?
Não somos um país que se diz sem preconceitos? E o índio em sua soberania que se quer roubar, não é gente? Não estamos sendo preconceituosos em relação a eles? País estranho de verdade.
A Amazônia voltou a ser destaque econômico. De novo vai se ver o pessoal do Sul/Sudeste se locupletar na região, com todo o apoio dos militares sempre patriotas que quase entregaram o Brasil para o capital estrangeiro, como sempre. Com o apoio integral das redes de comunicação, baseadas no Sul/Sudeste, com interesses financeiros sobretudo na região que, mostram preocupação, apenas nessas horas como se a região tivesse surgido de repente, do nada, de alguma larva resfriada, no meio do oceano. Com o apoio dos tribunais, fóruns fechadíssimos, como se ainda estivéssemos na época do Feudalismo, das Sociedades Secretas e que fazem questão de manter o atraso nacional, do jeito que sempre foi. E de muitos habitantes da região que como a garota do Mato Grosso, apóiam os invasores, para se sentirem menos regionais e quem sabe, serem confundidos, com o povo do Sul/Sudeste, nem que por um instante, por terem sido “aculturados”, justamente para sentirem vergonha de si.
E como sempre no Brasil de verdade, anos e anos depois quando se passa do período da paixão que sempre arrebata o povo brasileiro, quando deveria usar a razão, vai se ver que o apoio àquele status quo que existia, era totalmente equivocado. Vai se ver como as forças da reação, sempre trabalham contra o Brasil de verdade. Vai se ver que os “colonizadores” destruíram como sempre, o Brasil e voltaram para a Corte, deixando mais problemas para o Brasil.
De novo, vai se ver um fato que se repete por séculos no país. Quem dava apoio àquelas idéias esdrúxulas, desaparece, como se a manutenção do racismo, do preconceito, da discriminação, contra as minorias, das idéias mais atrasadas, existissem, por conta própria. É fato que brasileiro não assume nada. Nem quando é homossexual. Aliás, não que não assumam. Esquecem.
É fato notório que nenhuma família apoiava a Monarquia, depois que ela foi jogada no lixo. A Monarquia no Brasil, existia contra a vontade das famílias. É fato que nenhuma família apoiava a Escravidão, após a assinatura da Lei Áurea. Ninguém diz que se beneficiou com a escravidão, para permanecer até hoje, com todas as regalias possíveis. É fato que ninguém tem parente que lutou contra a Independência Nacional. Todos sempre quiseram uma nação livre por estas bandas. É fato que ninguém apoiou o nazi-fascismo no Brasil, no tempo da II Guerra. É como se o país tivesse vida própria e não dependesse de quem nele habita. O país é corrupto, é bandido, é racista, por conta própria. As pessoas que o habitam, são pessoas sempre dignas, não são seus atos que fazem o país. Duvido que apareça alguém que diga hoje que apoiou a Ditadura Militar, mesmo sabendo por conta própria, tantos que se colocavam contra qualquer luta por liberdade, acusavam qualquer um de subversivo, por defenderem o Estado de Direito. Como se a Ditadura fosse um ser estranho, entranhado entre nós, sem o apoio de ninguém. É como o Senador Democrata que sempre apoiou o Regime Militar, interpelando a Ministra Roussef, arrotando democracia. O Brasil parece que é uma nação viva que independe dos seus filhos. Age sozinha e por si. Por isso, a Independência aparece nos livros didáticos como se não tivesse nascido das lutas do povo, mas sim pela vontade dos governantes. A luta pelo petróleo, foi uma coisa que surgiu sem que ninguém se colocasse a favor, tudo por simpatia de um ou outro governante de momento. E o fim da Ditadura, nasceu por vontade de um bondoso pastor alemão e de um psicólogo de cocheira que deram a liberdade, por pura bondade pessoal, sem que ninguém tenha lutado a favor da democracia. Uma História cheia de história.
Talvez um dia, quando a Raposa Serra do Sol, tiver o nome trocado para Rapina Terra do Sul, o país inteiro perceba o erro de se ter deslocado as terras dos povos da região, para grupos de bandidos que subiram, para destruir a região e deixá-la na mesma miséria de sempre. Então ninguém vai dizer que tinha preconceito contra índio, ou que lutou contra a demarcação dessas terras. Todo mundo vai querer aparecer como o exemplo de vanguarda existente em todos os tempos. Vão se esquecer de quanto eram racistas, preconceituosos e discriminatórios, contra si.
Existe um jeito de preservar a soberania nacional, de manter o país integrado, sem precisar da força. Tratando o país, integrado como um todo, extinguindo privilégios regionais e até pessoais. Aí sim, vai se poder falar em soberania nacional. Do jeito em que o país até hoje é tratado, não se pode exigir amor profundo ao mesmo. Amor a quê? A que país? O do Sul/Sudeste sempre e as sobras para dividir entre as demais regiões? Não se pode nem falar em nação. Parece, no mínimo, muita cara de pau É querer que se ame quem nos maltrata e nos trata como subproduto da miséria nacional. É querer que sejamos masoquistas sempre.
Tratemos a todos iguais que a soberania vai ser uma questão sem discussão. E não se me venha dizer que tratar igual a todos, é querer tirar dos pobres, para se dar aos ricos como sempre. É querer desculpar a invasão às terras dos índios, como se fosse para distribuir com todos. Chega de tanta mentira.
O Rei Ricardo, era personagem da lenda do Hobin Hood e é coisa antiqüíssima. Era um usurpador que levou durante anos, a insatisfação por todos os lados de seu reino. E só conseguia manter a “ordem”, com o uso da força bruta e abrupta. Matava os pobres de fome, para dar festas lautas na Corte.
Quando teremos um Hobin Hood no Brasil? Por enquanto, só tivemos Rei Ricardo.
Quando já não existirem nações indígenas, nem Floresta Subequatorial, ou ao menos, povos da floresta? Aí já não vai ser mais necessário. Talvez já nem exista mais Brasil. De verdade.
“Brasil” estranho!
No Brasil, ainda temos a particularidade do Sul/Sudeste, ditar a moda para todo o país. Então o que se pensa lá, de repente, todo mundo imita cá. Mesmo que não seja lá grande coisa, mais sempre tem quem os imite para não parecer caboclo.
Para evitar qualquer mudança, desvia-se o foco principal da discussão, para outra questão menor. As forças reacionárias sempre se mostraram e se mostram diametralmente contrárias a qualquer debate. E para matar qualquer discussão que seja, antes de ouvirem propostas, discutirem encima de idéias, logo acusam o outro de alguma coisa que considera feia, ou pejorativa. Antes acusavam os adversários de libertários, até que se fez a Independência. Depois acusavam os opositores de abolicionistas, até que se viu que a escravidão era uma coisa terrível, só advogada por pessoas insensíveis. Depois se acusou o adversário de republicano, como se por pensar assim, não se pudesse participar de discussão alguma. Agora mais recentemente, acusam qualquer um que diverge de suas posições e da falta de proposta, de comunista, como que, por se pensar assim, não se possa contribuir com idéias e ações concretas. É uma sociedade que ainda não aprendeu a deixar de ser discriminatória, preconceituosa e racista, mas tem vergonha de se assumir assim e se fantasia com sua melhor máscara. A isto já se chamou de covardia.
Parece que acusar de comunista, é o melhor caminho, num Brasil sem discussão e que não aprende a dialogar consigo. É muito mais fácil para quem não tem argumento, acusar os outros de alguma coisa, independente de propostas encima da discussão que se trava. Desviando-se o mote da discussão, evita-se sempre que se mostrem certas realidades que se querem escondidas, que se debata qualquer coisa, principalmente, que possa acabar de alguma forma, em mudança, mínima que seja.
E quando se discute no país, falta quase sempre, embasamento, ou é na base do oportunismo. E a discussão se torna estéril. Brasileiro de verdade puxa o tapete do outro e manda emails piegas, falando da beleza da vida e de como é bom ter amigos. “Você é meu amigo. Mande de volta se me considerar seu amigo também.” Mais falso impossível. É como presenciei certa vez na sauna quente. Todos sentados e à frente, havia uma escotilha por onde se podia ver a movimentação em toda a extensão da mesma. Um homossexual que estava na sauna, falou alto para o outro, o quanto odiava um terceiro que chegara. De repente, os dois se cruzam no corredor e além dos beijos, abraços, votos das mais altas estimas, de apreço e de carinho. Eu preciso me acostumar com este jeito brasileiro de ser. Falso!
Como se para o dia-a-dia, o comum, fosse atentar contra os outros e para os olhos de Deus, mostrar-se a pessoa mais íntegra e carola do mundo. Quando podiam discutir coisas mais edificantes e mais necessárias a todos. Mal sabem que estão se enganando, ainda mais quem pensa que engana a Deus. Ou será que não acreditam no Onisciente? Ou talvez nem saibam o que significa onisciência.
As mudanças no Brasil, dão-se muito lentamente.
Às vezes, nem se dão, as pessoas apenas acompanham a moda, mas não internalizam de
verdade, as questões em termos filosóficos.
O que tem de gente dizendo que não é racista, mas sempre se coloca contra qualquer direito à índio, à negro ou qualquer outra minoria, é enorme.
No Brasil, existe a imagem pública e o que se pensa realmente. Muitas vezes totalmente conflitantes. Poucos assumem suas condições, suas posições, de frente. Só o Ronaldo Fenômeno que encara de frente. Ainda bem. Se ele encara de costas, com aqueles machões, como não estaria? Se ele se abestalha, nem sentaria para dar entrevista. Estaria comido e mal pago. E como seria encarar de costas? Será que ele tem duas caras?
A imagem pública do brasileiro é uma, suas ações escondidas, são sempre outras. Todos dizem combater a corrupção, mas quando é para se beneficiar, nem pensam duas vezes em furar fila, dar uma de esperto, apelar para o jeitinho brasileiro. É a própria cabeça nacional. O que realmente parece, é apenas que não se tem coragem de defender o que se pensa. O país que adora cultivar dois pesos e duas medidas em todas as questões. O país onde o debate se desenvolve na plenária, mas as discussões de verdade, dão-se nos bastidores, no cochicho, na escuridão. O país que acha engraçado as pessoas se manifestarem, quando a luz do cinema se apaga, por terem medo de mostrar a cara, quando os outros estão olhando.
“Nós” não somos racistas, de maneira alguma. Nem se fale uma coisa dessas perto da “gente”. Apesar de o Brasil ter sido a última nação a extinguir a escravidão, ainda hoje não se quer nenhum privilégio para os povos que nunca o tiveram. De repente aparece um tal Movimento Anti-Racista que leva ao Supremo, a reivindicação contra as quotas para negros nos vestibulares. E coloca à frente, uma estudante do Mato Grosso, de pele escura. De um lado, a estudante se sente branca, por estar apoiando uma reivindicação racista como essa. De outro, os racistas em potencial se eximem de qualquer culpa, ou responsabilidade quando quem os representa, é uma pessoa negra. E na verdade, são racistas sim, tanto os de pele branca, quanto os de alma branca, quando não percebem que os “brancos” sempre tiveram privilégios e os negros, foram trazidos contra a vontade, debaixo da chibata, para serem escravizados e largados ao léu, quando da Abolição, sem um plano sequer que os integrasse à economia nacional, apenas, voltando a serem tão escravos quanto antigamente, servindo aos ex-patrões, em troca de alguma comida e algum agasalho, ou ficando na sarjeta, entregues a toda sorte de intempéries. Mas justamente quem se mostra racista até o último fio de cabelo, é quem se auto-proclama, anti-racista. Invertem a lógica das coisas de propósito. Mas isto também, é intrínseco dos movimentos arcaicos, reacionários no Brasil. A própria Ditadura, quando estava no fim, com o povo cada vez mais insatisfeito, proclamava-se Socialista – Partido da Democracia Social - e tinha quem acreditasse, mesmo sem querer discutir profundamente e de verdade, sobre o que alegavam ser e não eram. Tentavam inverter a lógica, mesmo com gente sendo suicidada de joelhos, com um cinturão enrolado no pescoço. Mostravam-se tão hodiernos quanto os que combatiam. E muita gente acabava não entendo nada. Aprenderam desde então, embaralhar a idéia nacional, com nomes assim. Nomes bonitos, mas que de maneira alguma, dizem a verdade.
As questões da Amazônia, pertencem a esse tipo de discussão. A Amazônia, historicamente, sempre foi relegada ao último plano nacional. Foi uma terra que se integrou ao Brasil quando da Independência em relação a Portugal, sem nenhuma reivindicação em contrapartida, por isso mesmo, vista como um quintal sem muita importância e sem reivindicação alguma. Sempre.
Desde a integração dos territórios que hoje perfazem o mapa do Brasil e o fez crescer sobremaneira em tamanho, existe, uma certa resistência em distribuir as riquezas, equitativamente. A distribuição até hoje, é feita como antigamente. Primeiro o Sudeste, depois o Sul. Mesmo que o Sul tenha se integrado ao Brasil, após a Independência também. Quando os recursos estão minguando, pensa-se no Nordeste e quando este está virando cuí, dividem o pó que sobra, entre Centro-Oeste e Norte.
Nem com a mudança da Capital Federal para o Centro-Oeste, as coisas mudaram substancialmente. Aliás, mudaram em termos. O cuí fica com o Centro-Oeste e se por acaso ainda sobrar algo mais, joga-se no Norte, como um grande presente. Um grande feito que esperam, ainda sejam agradecidos.
A Amazônia é terra sem lei, sem governo – aliás, com uns governos que governam com a cabeça no Sul/Sudeste, gerando riqueza para aqueles Estados, imitando a política federal -, sem perspectiva alguma de mudança nesses termos. Muitas vezes bandidos que se candidatam pela imunidade que os cargos oferecem.
A política aplicada na região, assistencialista em sua essência, é como candidato em campanha que dá cerveja ao eleitor e cesta-básica e diz que está lutando por mudanças, reformas e melhorias. A presença do Brasil na região, faz-se esporadicamente, quando uma ou outra Força Armada ensina como se escovam os dentes, ou quando a outra serve de táxi-aéreo, e uma última abusa do autoritarismo na tentativa de mudar a linha de raciocínio dos cidadãos, como se fossem a coisa mais maravilhosa do mundo e se propaga, como uma grande contribuição para o progresso da região. O estado regional e nacional, esquecem os cidadãos no meio da Amazônia e de vez em quando fazem uma ou outra filantropia e anunciam como a melhor coisa do mundo. Quando seria muito mais útil, levar educação de verdade, continuada, até para que os cidadãos se conscientizem da necessidade da higiene pessoal. Não se precisaria deslocar fragatas para ensinar como escovar os dentes, de tempos em tempos, com banda de música na partida do porto. Muito mais útil se levar o desenvolvimento regional, empregos e salários dignos onde as pessoas não precisassem recorrer à benevolência do Correio Aéreo Nacional, como uma grande filantropia a que sempre se tem de agradecer. Elas teriam condições de escolher o seu transporte por vontade própria e o seu destino final, sem ter de mendigar nas cabeceiras das pistas. Por fim, mais útil, a conscientização verdadeira, onde o cidadão regional, pudesse decidir por conta própria, o melhor para si e para a região da qual faz parte, sem a imposição de armas e fardas, ONG’s, ou bênçãos de deuses totalmente divergentes da cosmo-visão desses povos. Não se luta por uma região intocada, mesmo por que se quer acabar com o atraso e a pobreza que perduram por séculos. Muito pelo contrário, apenas se quer uma região respeitada, sobretudo, valendo-se das riquezas que produz. O que em pleno Século XXI, ainda é mais lendária do que a história do Mapinguarí, ou do Boitatá.
E agora se usa a pecha da “região intocada”, como campanha contra quem deseja respeito, mudanças e desenvolvimento regional, para se desviar a discussão, como sempre. Mudam-se os partidos, mas não se mudam as reações. O que antes parecia um avanço, logo se mostra mais uma força que não consegue acompanhar os anseios por mudanças significativas, no pensamento nacional. Mudam-se as capas, preservam-se o teor do livro. Nenhuma mudança consubstancial de verdade. A discussão fica no nível mais rasteiro, para se manter o mesmo status de sempre.
Evoluímos tecnologicamente, como muitos outros países muito mais adiantados do que nós e mantemos os mesmos privilégios e culturas do tempo da escravidão. Mudamos o externo, mas preservamos intocada a cabeça. Sempre atrasada, mesmo quando nos mostramos evoluídos. E apesar das estatísticas, a distribuição entre pessoas e estados, pouco mudou. O fosso apenas se aprofunda.
De repente explode um nicho de riqueza na Amazônia, no Norte do país, lá vêm os do Sul/Sudeste, ávidos em espoliar a região e quando saciados, voltarem para suas terras, levando toda a riqueza que a região produziu, mas pouco se viu, como sempre. Foi assim no tempo da borracha, no tempo das minas de ouro e outros insumos minerais, ou em qualquer outra época. Os do Sul/Sudeste aparecem como os donos das terras e até mesmo, donos da verdade e de repente se lembram que existe a Região Norte, desde que satisfeitos em suas vontades e necessidades de enriquecerem às custas dos outros que pensam, nem existem. Parece que não vêem que a região já é habitada. Apenas se reproduz o que os “descobridores” fizeram. As terras cheias de nações, cheias de gente e eles parece que não enxergavam. Ainda se disseram “descobridores” e “colonizadores”. E ainda se repete esta visão cretina e arcaica.
De repente, um tratado internacional, tendo o Brasil como um dos signatários, trata o índio com dignidade, com respeito, como nunca se fez e como não se faz com muita gente no país. E propõe a demarcação das terras indígenas, para serrem preservados costumes, culturas, crenças e lendas. Tudo o que uma nação tem de ser e o Brasil se esqueceu quando do “Descobrimento”.
Justamente os que acabaram com as nações indígenas nas suas regiões, mostram-se preocupados com as questões das nações indígenas nestes territórios, como os donos das soluções de todos os problemas.
De repente, os interesses do Sul/Sudeste são barrados, pelos interesses regionais do Norte, pronto, as manchetes da grande mídia nacional são de guerra na região. Como se o Norte sempre esquecido, lutasse contra o Brasil, quando apenas deseja ser notado e respeitado. Justamente alardeado por quem ainda celebra a “Revolução Constitucionalista de 1930” e as lutas pela divisão da Região Sul, do resto do Brasil, como feitos de grande relevância nacional. Aliás, nunca se lutou para ser independente do Brasil. O caminho do hoje Norte do país, foi exatamente o contrário. De se agregar à nova nação que surgiu quando da Independência do Brasil. Talvez a diferença esteja aí. O Brasil é daqueles que ama quem o odeia.
A Amazônia sempre esquecida, mesmo no atual governo que está tirando todos os escritórios do Estado Nacional – Eletronorte, INCRA, IBAMA... - do Norte do país, para concentrá-los todos, no Rio de Janeiro, como se ainda fosse a Capital Federal, por puro interesse eleitoreiro, tem agora, todos os holofotes virados para a região. Não no sentido de se pensar em políticas de desenvolvimento regional, mas de novo, de como enriquecer a Região Sul/Sudeste, com as riquezas do Norte. Os próprios governadores e autoridades locais, advogam pelo interesses dos forasteiros, em detrimento ao povo local. Nenhuma política de valorização da região, apenas a velha mania de viver do extrativismo, para se mandar para ser beneficiado lá fora.
De repente aparece General que baixou do Haiti, reivindicando a “soberania nacional”. Engraçado que quando se trata dos interesses da região, não se escutam essas vozes tonitruantes. Ninguém se lembra de defender o caboclo, o índio, como filhos do Brasil. Eles podem viver esquecidos por séculos. Só quando os interesses do “Brasil” – Sul/Sudeste - são peitados, aí aparecem os “defensores da pátria”, de uma pátria que tem de ser uma, mas unidade em benefício de alguns bem poucos. Unidade para enriquecer ainda mais os já ricos estados nacionais. Muito estranho. A região fica relegada por anos ao descaso, ao desrespeito, à falta da presença do Estado Nacional e só de vez em quando se percebe que se tem de defendê-la contra o inimigo que se avizinha. Só então se começa a se temer uma invasão dos “inimigos nacionais”. E apresenta-se o povo da floresta, como subversivo, como inimigo público do Brasil, por quererem defender o que é seu de direito e de fato. O “Brasil” espera que se entregue de mão beijada sua riqueza para seus filhos. Suas riquezas para outros se locupletarem, sem deixar quase nada para a região. É este o tal “Brasil”, a pátia amada idolatrada, salve, salve?
O maior inimigo nacional é o próprio “Brasil” que ainda trata regiões com desprezo e outras com todas as regalias. Isto sim, é subversão. É ser inimigo de si, enquanto país que não pode se chamar de nação. É querer dividir o Brasil em ricos e miseráveis sempre. É querer desviar a atenção do foco da verdadeira unidade nacional. Da verdadeira discussão que nunca se fez.
De repente aparecem os “donos da terra” do Norte, grileiros que usam da virulência e mesmo assim, dizem-se invadidos. Bandidos que usam a força das armas, para expulsarem os povos da região, para bem longe do que é seu. Invasores que a mídia trata como invadidos.
Então, os tribunais que estão se lixando para os problemas nacionais, começam a discutir as questões sobre soberania. E eu, particularmente, acredito muito pouco na Justiça Brasileira. Uns tribunais, onde as sentenças são dadas, como se os “deuses celestiais”, pouco tivessem a ver com os problemas que podem gerar em suas decisões. Parecem apartados da realidade do mundo. Tribunais, onde ministros, desembargadores e juizes, fazem sua escala de trabalho, trabalham quanto e como querem, não precisam dar satisfação a ninguém, muito menos à sociedade, onde a figura do “bom advogado”, quase sempre pago à peso de ouro, em euro, sempre cônscio das brechas das leis, muito mais do que na lei em si, consegue sentenças imorais e até contrárias à consciência das pessoas e principalmente, os tribunais, lugares em que escolhem seus pares, como se a sociedade, fosse apenas uma variável, sem nenhuma importância. Lugares que ao invés de preservarem a democracia conquistada a duras penas, silenciam qualquer tentativa de debate, sobre qualquer mudança, inclusive marchas reivindicando legalização das drogas, como se hoje estivéssemos em uma Ditadura Togada. Até dá para saber o por que da censura ao debate sobre a legalização das drogas. Vai se querer acabar com uma fonte certa e rica de rendas que se diz nunca ter solução? Como ficariam os soldados do tráfico? E onde se buscariam recursos para tanto habeas-corpus? Poder Judiciário que se coloca no lugar dos outros Poderes Nacionais, mesmo não representando a vontade do eleitor e do brasileiro em geral. Eu não confio realmente nisso que chamam de justiça nacional. Fico até temeroso de tanta justiça. Da Justiça Brasileira. Ainda mais com minha conta corrente zerada. Não posso nem contratar a figura do “bom advogado”. E ele, também nem pode pagar por brechas nas leis. O único fato que nos une, os tribunais e eu, é a imoralidade. Mas mesmo assim, de âmbitos divergentes em suas ações, em seus parágrafos e epígrafes.
No STF, tem-se ministro escolhido por ex-Presidente que sofreu impeachment e esse mesmo ministro, como se não tivesse nada com isso, ou com qualquer outra coisa, dá as sentenças mais graciosas e até mesmo, tresloucadas, que permitem que banqueiro que assaltou os cofres nacionais, evada-se do país, dando trabalho para ser recuperado depois; ou se coloque contra o julgamento através de teleconferência, para dar mais prejuízo a um país tão rico onde não se tem pena do bolso do pobre contribuinte pobre. E os juízes, desembargadores e ministros podem tudo. Inclusive ser corrompidos e ainda serem aposentados com todas as vantagens e regalias da ativa. É, ou não, uma imoralidade?
Tem-se também um outro ministro que se diz Direito, ex-integrante de programa “mundo-cão”, onde não apresentava a menor compostura, hoje senta-se com a maior cara de pau, à frente da gente e interrompe o julgamento do mérito das pesquisas das células-tronco, sem prazo para deliberar, ou voltar com o processo, por pura birra e falta de argumentação. Como se ainda fosse aquele advogado sem compostura alguma. E quem o escolheu? Sei lá! Só sei que pode até ser Direito, mas é muito estranho!
Na verdade, um Judiciário que mostra pouquíssima credibilidade perante a opinião pública, onde seus integrantes parecem ter a mente em séculos e séculos passados. Embotadas e com teias, por dentro da cavidade encefálica. Salvo alguns raros. Dando sentenças que mexem com toda a nação, sem mérito, sem se preocuparem com a vida nacional e sem vergonha, ao menos. Abusam de sua autoridade para sentenciarem questões meramente políticas e não jurídicas. Estão ávidos por poder, até entrando em áreas que não lhes pertence, saudosos da Ditadura.
De repente, as redes de televisão, mostram-se preocupadas com a questão do Norte, da Amazônia. Tão preocupados que só noticiam as questões relevantes aos grileiros do Sul/Sudeste, esquecendo de mostrar os conflitos e a realidade da região. E principalmente onde acaba tudo isto. A quem de verdade interessa tudo isso.
Não têm coragem de mostrar que ao se desmatar a floresta, planta-se soja que vai virar farelo na região Sul/Sudeste, para ser ensacado e exportado, para alimentar o gado dos países ricos. Quando se desmata, para a extração da madeira, está se mandando o tronco bruto, para a Região Sul/Sudeste, para ser cortado em tiras e ser mandado para ser beneficiado nos países ricos. Quando se transforma a selva em carvão, é por que existe um mercado muito grande que consome em grande escala e não muda a matriz energética, por pura conveniência e utiliza o carvão da floresta, das fazendas que ainda se valem dos escravos, para a indústria siderúrgica que beneficiará os insumos para o mercado dos países ricos. Quando se expande a fronteira da pecuária, tem-se de colocar a floresta abaixo e não se está se pensando no progresso regional, só e tão somente, em colocar no mercado dos países ricos, a carne, o leite e outros produtos, provenientes do gado, sem nem se ligar para as questões de ordem do caboclo. E muito político, mesmo sabendo de tudo isso, mostra-se conivente, para não perder a boquinha no governo.
Inda se fala em soberania nacional? Ou se está enganado, ou se está querendo enganar o maior número possível de pessoas. Não é possível que se continue com a política de regalias nacionais e ainda se tenha a cara de pau de falar em unidade, em soberania, em nação.
É esta a política para desenvolver a região? Ou para deixar como está, ou pior, deixar totalmente sem nada?
De uma hora para outra, lembram-se de debater a questão das ONG’s que mais parecem um apêndice do aparelho de estado, totalmente sem controle, como se só existissem na região e tivessem sido fruto somente desta mesma região. É querer desviar e muito, o foco da discussão.
De um lado, as nações mais poderosas querendo as riquezas da região, discursando para o mundo, como se os países que detêm a Amazônia, não soubessem cuidar dela e por isso se habilitam a invadi-la. De outro, o “Brasil”, repetindo o discurso internacional, mascarando e transformando-o para os interesses internos, querendo mostrar que os povos da região não sabem cuidar do que é seu, por isso, têm de incentivar a invasão da gente do Sul/Sudeste como desbravadores que trarão a “luz”. A política da subserviência absoluta.
De um lado, o Brasil rebatendo as acusações internacionais, mostrando que eles destruíram todas as suas florestas e agora querem preservar o que é “nosso”. De outro lado, o “Brasil”, repetindo internamente o mesmo discurso, dizendo que quem melhor pode cuidar da Floresta Amazônica, é justamente quem destruiu toda a sua Mata Atlântica, sem dó nem piedade. A transformação do discurso imperialista, para os interesses dos “grandes imperialistas nacionais”. E por fim ficamos nós na região, sem poder desfrutar do que é nosso, nem ao menos, ser ouvidos. Servindo no máximo, como escravos, para os interesses “nacionais” que sempre estão a serviço do capital internacional. Seja nas carvoarias de escravos, para as siderúrgicas, seja na bondosa abnegação de mostrar o pulo do gato para que se patenteiem os produtos regionais, o mais distante possível daqui, para nos tirar até o direito de utilizar o que antes nos pertencia e que aprendemos a lidar, a manufaturar, em escala reduzida. De repente a copaíba em pílulas e em outras formas de remédio, é retirada do mercado às pressas, por que alguém patenteou nos EUA e não permite que se a use, mesmo em escala pessoal. E só então, com o selo estadunidense, nossos médicos regionais, vão receitar a copaíba, como um grande antiinflamatório, um descongestionante nasal, uma arma contra diversos tipos de cânceres. É como discussão no Brasil. Não mudou a essência, mas mudou a embalagem. Deixou de ser caboclo, mesmo mantendo os princípios básicos.
A Raposa Serra do Sol de repente, é terra de grileiro. E índio, é visto como invasor de terras que são suas. Esses mesmos grileiros, incentivados pelos programas dos Governos Federal, Estaduais e Municipais, que se dizem contrários à grilagem, ao desmatamento no noticiário internacional, recebem todos os incentivos fiscais, econômicos e de insumos desses mesmos governos. De duas uma, ou não existe controle, nem critério para a distribuição de incentivos, ou os esses governos agem de uma forma, na questão interna e se mostram internacionalmente, de outra. Até parece que são brasileiros. Para o público interno, estão se lixando para os seus problemas. Para a mídia internacional, mostram preocupação extrema, sobre as questões regionais, ganhando até prêmios desconhecidos, mas muito importantes para suas políticas inverossímeis. É mais ou menos, como se os desembargadores se mostrassem muito preocupados com a programação das televisões, para as crianças e para os adolescentes e ao mesmo tempo, utilizassem-se de serviços de cafetinas e cafetões que oferecem crianças com idade inferior a 14 anos, para programas sexuais . Como se a autoridade se mostrasse preocupada com a pobreza regional e se utilizasse da prostituição infantil, que gera recursos para a mesa da família paupérrima e fizesse de tudo, para atrapalhar a investigação dos crimes de pedofilia e da prostituição infantil. Exemplos hipotéticos, para mostrar como as coisas parecem ser no país de muita pieguice. Na verdade, ninguém está preocupado, nem com a soberania, muito menos com a unidade nacional. É irrelevante, é algo que acontece com o povo e este ainda parece peça fora do baralho. Questões muito bonitas, para disfarçar interesses espúrios.
Ninguém se importa com os índios vivendo nas cidades superlotadas do Norte, alcoolizados, marginalizados, nas sarjetas, vivendo na extrema pobreza, servindo de chacota para os ditos “brancos”, prostituindo-se para pagarem uma refeição, servindo para os trabalhos mais aviltantes, vendendo sua prole, para comprar uma bugiganga eletrônica qualquer, que vale quase nada. Isto não é soberania, nem é problema nacional? Não é “nosso” problema? Então o que significa este “nosso” tão divulgado, quando se quer transformar a região em benefício do “Brasil” tão ávido em manter a sua “soberania”? E que soberania é esta, onde uns têm tudo do bom e do melhor e os outros, são relegados à eterna pobreza? A quem interessa uma sobrania nestes moldes?
Não somos um país que se diz sem preconceitos? E o índio em sua soberania que se quer roubar, não é gente? Não estamos sendo preconceituosos em relação a eles? País estranho de verdade.
A Amazônia voltou a ser destaque econômico. De novo vai se ver o pessoal do Sul/Sudeste se locupletar na região, com todo o apoio dos militares sempre patriotas que quase entregaram o Brasil para o capital estrangeiro, como sempre. Com o apoio integral das redes de comunicação, baseadas no Sul/Sudeste, com interesses financeiros sobretudo na região que, mostram preocupação, apenas nessas horas como se a região tivesse surgido de repente, do nada, de alguma larva resfriada, no meio do oceano. Com o apoio dos tribunais, fóruns fechadíssimos, como se ainda estivéssemos na época do Feudalismo, das Sociedades Secretas e que fazem questão de manter o atraso nacional, do jeito que sempre foi. E de muitos habitantes da região que como a garota do Mato Grosso, apóiam os invasores, para se sentirem menos regionais e quem sabe, serem confundidos, com o povo do Sul/Sudeste, nem que por um instante, por terem sido “aculturados”, justamente para sentirem vergonha de si.
E como sempre no Brasil de verdade, anos e anos depois quando se passa do período da paixão que sempre arrebata o povo brasileiro, quando deveria usar a razão, vai se ver que o apoio àquele status quo que existia, era totalmente equivocado. Vai se ver como as forças da reação, sempre trabalham contra o Brasil de verdade. Vai se ver que os “colonizadores” destruíram como sempre, o Brasil e voltaram para a Corte, deixando mais problemas para o Brasil.
De novo, vai se ver um fato que se repete por séculos no país. Quem dava apoio àquelas idéias esdrúxulas, desaparece, como se a manutenção do racismo, do preconceito, da discriminação, contra as minorias, das idéias mais atrasadas, existissem, por conta própria. É fato que brasileiro não assume nada. Nem quando é homossexual. Aliás, não que não assumam. Esquecem.
É fato notório que nenhuma família apoiava a Monarquia, depois que ela foi jogada no lixo. A Monarquia no Brasil, existia contra a vontade das famílias. É fato que nenhuma família apoiava a Escravidão, após a assinatura da Lei Áurea. Ninguém diz que se beneficiou com a escravidão, para permanecer até hoje, com todas as regalias possíveis. É fato que ninguém tem parente que lutou contra a Independência Nacional. Todos sempre quiseram uma nação livre por estas bandas. É fato que ninguém apoiou o nazi-fascismo no Brasil, no tempo da II Guerra. É como se o país tivesse vida própria e não dependesse de quem nele habita. O país é corrupto, é bandido, é racista, por conta própria. As pessoas que o habitam, são pessoas sempre dignas, não são seus atos que fazem o país. Duvido que apareça alguém que diga hoje que apoiou a Ditadura Militar, mesmo sabendo por conta própria, tantos que se colocavam contra qualquer luta por liberdade, acusavam qualquer um de subversivo, por defenderem o Estado de Direito. Como se a Ditadura fosse um ser estranho, entranhado entre nós, sem o apoio de ninguém. É como o Senador Democrata que sempre apoiou o Regime Militar, interpelando a Ministra Roussef, arrotando democracia. O Brasil parece que é uma nação viva que independe dos seus filhos. Age sozinha e por si. Por isso, a Independência aparece nos livros didáticos como se não tivesse nascido das lutas do povo, mas sim pela vontade dos governantes. A luta pelo petróleo, foi uma coisa que surgiu sem que ninguém se colocasse a favor, tudo por simpatia de um ou outro governante de momento. E o fim da Ditadura, nasceu por vontade de um bondoso pastor alemão e de um psicólogo de cocheira que deram a liberdade, por pura bondade pessoal, sem que ninguém tenha lutado a favor da democracia. Uma História cheia de história.
Talvez um dia, quando a Raposa Serra do Sol, tiver o nome trocado para Rapina Terra do Sul, o país inteiro perceba o erro de se ter deslocado as terras dos povos da região, para grupos de bandidos que subiram, para destruir a região e deixá-la na mesma miséria de sempre. Então ninguém vai dizer que tinha preconceito contra índio, ou que lutou contra a demarcação dessas terras. Todo mundo vai querer aparecer como o exemplo de vanguarda existente em todos os tempos. Vão se esquecer de quanto eram racistas, preconceituosos e discriminatórios, contra si.
Existe um jeito de preservar a soberania nacional, de manter o país integrado, sem precisar da força. Tratando o país, integrado como um todo, extinguindo privilégios regionais e até pessoais. Aí sim, vai se poder falar em soberania nacional. Do jeito em que o país até hoje é tratado, não se pode exigir amor profundo ao mesmo. Amor a quê? A que país? O do Sul/Sudeste sempre e as sobras para dividir entre as demais regiões? Não se pode nem falar em nação. Parece, no mínimo, muita cara de pau É querer que se ame quem nos maltrata e nos trata como subproduto da miséria nacional. É querer que sejamos masoquistas sempre.
Tratemos a todos iguais que a soberania vai ser uma questão sem discussão. E não se me venha dizer que tratar igual a todos, é querer tirar dos pobres, para se dar aos ricos como sempre. É querer desculpar a invasão às terras dos índios, como se fosse para distribuir com todos. Chega de tanta mentira.
O Rei Ricardo, era personagem da lenda do Hobin Hood e é coisa antiqüíssima. Era um usurpador que levou durante anos, a insatisfação por todos os lados de seu reino. E só conseguia manter a “ordem”, com o uso da força bruta e abrupta. Matava os pobres de fome, para dar festas lautas na Corte.
Quando teremos um Hobin Hood no Brasil? Por enquanto, só tivemos Rei Ricardo.
Quando já não existirem nações indígenas, nem Floresta Subequatorial, ou ao menos, povos da floresta? Aí já não vai ser mais necessário. Talvez já nem exista mais Brasil. De verdade.
“Brasil” estranho!
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