Meu amigo Pirokovsk perguntou-me se eu havia lido um artigo no jornal do domingo passado. Disse-lhe que além de não ter lido jornal no domingo, não estava perdendo meu tempo, lendo artigos que não acrescentam nada ao conhecimento, nada à minha pessoa. Depois que desliguei o telefone é que lembrei que domingo o pessoal veio até aqui em casa e ficou um bom tempo, até quase o final da tarde. Lembrei que tinha sido o meu, do Bush, do Stalone, da Babi, do Dalai-Lama, de nascimento da Frida Kalo – aquela artista plástica que tinha tanto bigode, quanto nunca tive em toda a minha vida. Sinal de testosterona. Devia ser um vulcão - aniversário.
Mas li o dito artigo, na terça-feira. Também vi umas candidatas das favelas. Uma, eu achei quase como matéria paga. Da outra matéria, gostei muito. Mais do que se apresentava, do que da matéria em si. Aliás, os meios de comunicação depois da globalização estão riquíssimos, mas de uma pobreza jornalística, nunca visto antes. Enche-se os jornais de articulistas e o que sobra, colocam-se matérias das agências de notícias, espalhadas pelo mundo. E o pior, os articulistas se baseiam nas notícias das agências. No fim, parece que é todo mundo igual. O que muda, é uma propaganda aqui, outra diferente ali. Parece que todo mundo está com medo de ferir suscetibilidades e perder os clientes. O que é a liberdade de imprensa, diante da falta de democracia de opiniões, nos meios de comunicação? Não precisa ir muito longe. Manda alguma carta para os jornais brasileiros, divergente dos seus interesses, para ver se eles publicam. São justamente esses que se indignam, quando fecham um outro jornal, na Venezuela.
Como vivemos num país Capitalista, tudo é negócio. Tudo se negocia, inclusive os princípios. “Qual o seu preço?”
ENROLAR O MEIO DE CAMPO, PARA NÃO PARECER O QUE SE É
Um dia desses, minha amiga Norminha, perguntou o que eu achava do Gabeira.
Falei que ele está sempre onde a onda faz crista. Hoje em dia, está tentando se colocar à direita politicamente, o que é um direito dele - mas no Brasil, a direita morre de vergonha de se mostrar como tal, até quando ditavam as normas. No máximo, dizem que esse negócio de Direita e Esquerda, está ultrapassado. Repetem o que o filósofo Bush declarou: “A luta de classes acabou” - então começa a falar por metáforas. O PSDemB fez essa transição sem grandes esforços. O PT ainda está relutante. Dando os últimos suspiros, lutando, como lutou o Karol Papa João Paulo II, até a morte, para não ir para o Céu, mesmo dizendo a todo mundo, que o Céu é perto.
E uma dessas metáforas que o Senador Gameleira usou, foi acusar o PT de “centralismo”, querendo chamar esse partido de comunista como o chamava a Ditadura Militar, quando se sabe que não dá para ser comunista por vários motivos:
1. é um partido basicamente social-democrata
2. é um balaio de gato, onde se encontram ideologias, desde cristãos democratas, como a grande maioria, com Lula e companhia ilimitada, até facções ditas marxista-leninistas, como as facções do Genoíno e do Zé Dirceu – é por isso que um ex-namorado de uma prima minha, me fez procurar o livro sobre o Araguaia quando ainda era do PCdoB, mesmo sendo do PT. Veio com uma recomendação: ‘último livro editado’. Ele se dizia marxista-leninista e eu não compreendia, como ele era do PT. Vai ver, era do PRC do Genoíno . Aparce de tudo na frente da gente -.
3. é um partido que não sai com uma posição cerrada nunca. É o que se pode dizer, partido mesmo. O partido tem uma posição, o Lula enquanto governante tem outra, o Zé Dirceu faz de tudo para atrapalhar os companheiros, o Genoíno joga contra todos, o Berzzoinni não discute com ninguém, empurra tudo goela abaixo, o Pallocci, quer colocar seu nome acima do partido e assim vão levando. Partido.
Até para quem é leigo, não dá para dizer que o PT pratica o “centralismo”. Só quem não tem coragem de se declarar saudosista da Ditadura, é que procura vieses, para continuar falando as mesmas bobagens que ela colocava sem discussão, para denegrir ou ferir a imagem dos outros.
TUDO É SEMPRE MUITO POUCO
Então o artigo começava citando o direito de se formarem grupos que se coloquem contra essa, ou qualquer outra posição política. E por aqui na Amazônia, o que não faltam, são posições. Tem aglomerados para todos os gostos. Gangs, nem se fala. Desde as milícias que protegem as fazendas dos senhores do narcotráfico, há muito tempo, até os organismos dos EUA, mandando e desmandando em tudo, nos dias de hoje.
Mas, em pouco tempo, começa o “achismo”, no artigo do jornal. “Formar um grupo guerrilheiro está dentro das normas prescritas, do Direito à Antropologia, mas eu acho que as Farcs – eu chamo de as FARC – não são mais um grupo de guerrilha, por que eu acho que é narcotraficante, por que eu acho...”
Até parece a polícia quando executa alguém. ‘Tinha passagem na polícia, tinha ligação com o tráfico de drogas, já foi fichado, agente pensou que... A gente se enganou. Um Fiat Stilo, é muito parecido com um Fiat Uno. A cara e até a traseira.” Como se isso justificasse se passar por cima das leis, onde a própria Constituição abomina a pena-de-morte. “Poxa gente, por que tudo isso? Os meninos só estavam brincando. Ninguém tem culpa do Galdino Xavante, não ser mendigo.”
Meu caro Piroka, num dos filmes do Costa Gavras, acho que Missing, os agentes da CIA, vieram ao Brasil – esta cena foi censurada no país – e sob a Bandeira Nacional, ensinavam como torturar, como colocar provas incriminatórias no carro dos “subversivos”, como plantar armas nas mãos das vítimas, como chamar a opinião pública, para o lado das forças do bem. E um dos brasileiros se destacou tanto, que foi convocado a ensinar na América do Sul, o que os meninos da CIA ensinaram. Para encurtar o papo, dizem que o policial do filme, representava o Delegado Fleury Paranhos.
Parece que essa prática de dizer que quem não está de acordo com os nossos interesses, é traficante de drogas, é louco, é marginal, não é de hoje. Esse papo de plantar provas, ficou até hoje.
Dizem que o Delegado Fleury, implantava drogas, armas, panfletos nos carros, nos aparelhos dos grupos “subversivos” e depois chamava os meios de comunicação, para desacreditar a luta deles. Coisa utilizada até hoje pelas polícias brasileiras que mantém um ranço da Coroa e da Ditadura, onde parecem estar a serviço só da Corte e o resto é plebe rude que se pode fazer o que bem entender. E antes de ser uma força para garantir a vida, é um aparelho para suscitar a morte. Tanto que desde a Ditadura até hoje, um dos símbolos mais utilizados pela nossa galharda polícia, é a caveira, o Caveirão, ou outra simbologia que os cristãos tanto gostam, que arremetem à morte, ou como querem nos enganar, à vida depois da morte. Filme de terror, missa de 50 anos de saudade, uma vida sem luxo...
No fim da vida, dizem que o Delegado Fleury morreu, por que os amigos traficantes o executaram, pois, segundo as más-línguas, ele queria ser mais esperto do que os outros traficantes. Queria ficar com o lucro sozinho. Mas se os fatos não se nos apresentam, muita gente pensaria que narcotraficante no Brasil, eram os grupos que combatiam a Ditadura. Parece com a algum fato da realidade atual? Ainda bem que o Bush está “limpo”, para combater o tráfico de drogas. E chamou logo o amigo Uribe, limpeza também. É como se o Lobão, aquele outro artista, de repente se unisse ao Fernandinho Beira-Mar e decidissem combater as drogas, de forma implacável, impagável. Seria um ato louvável, para quem é contra a legalização das drogas, por algum interesse escuso, quem sabe, para não mostar a cara de quem está por trás de tudo isso, mas... tem quem acredite. Eu sou incrédulo. “Mas que coisa chata!”
Não se pode esquecer que na Colômbia, quem dá as cartas, é a CIA e o Pentágono e que o Governo Bush, pratica as mesmas coisas escritas nas cartilhas da Casa Branca, quando os EUA exportavam ditaduras.
Então, esse papo de chamar grupos de guerrilha de narcotraficantes, é tão comum, como as torturas em presos-políticos e depois colocar a culpa do acontecido, em sargentos e praças, mesmo que as práticas se repitam da mesma maneira, no Iraque, no Afeganistão, em Guantânamo, na Colômbia hoje e acontecesse da mesma maneira no Brasil, na Argentina, no Chile, na Grécia, no Vietnã, antigamente. Coincidências existem.
EU SOU BONZINHO
Tem uma coisa muito feia, que é certo tipo de pessoa, nunca estar contra o sistema.
Lembro quando das discussões das Diretas Já, a OAB enviou uma advogada para representá-la. Buscavam-se formas de lutas contra um regime de opressão, contra um regime de exceção, contra leis forjadas e a advogada queria que se lutasse “dentro das leis”. Como se lutar dentro das leis, quando as leis são de exceção?
É que tem gente que se coloca numa posição, mas não quer estar ali de verdade.
Vejamos. Tinha gente que abominava a luta contra a Ditadura, por que se caiu na luta armada. Então a luta armada acabou e as mesmas pessoas abominavam a luta contra a Ditadura, por que os grupos eram todos comunistas. Apareceu empresário, gente mais à direita e mesmo assim, tinha gente que achava que se tinha de lutar dentro das leis. Então se foi arregimentar multidões e mesmo assim, essa gente achava que não se devia confrontar o regime dessa forma. Foi-se para dentro do Colégio Eleitoral e tinha gente que achava que o Colégio Eleitoral, era um ranço da Ditadura e não se podia usar as mesmas armas dela. Apareceu o Lula e muita gente no PT, dos movimentos de base da Igreja Católica, fazendo greve. E muita gente achava que o Lula era radical demais. Então o Lula foi se amoldando, como argila nova e virou o “Lulinha Paz e Amor” e o mesmo pessoal tem ódio dele, por que não é tão radical quanto antigamente.
É assim tem gente que exige mais, mais e mais, quando era mais fácil dizer que é a favor das coisas arcaicas, do atraso. Tem outra gente que não está nem aí para o atraso, nem para o avanço, o que interessa, é que se dê bem. E fica inventando história para boi dormir.
Eu tive um professor que de vez em quando, encontro na Manaus Moderna que dizia que deixava de fazer muita coisa no Amazonas, por que podia ser melhor. Então se vai fazer melhor. E de novo, podia ser melhor. E se melhora, mas podia ser melhor. Quando se vê, não se fez nem o ruim, nem o melhor. Deixa-se de fazer muita coisa, por que sempre se quer melhor, melhor, melhor. O nome dele, Rosalvo, o maior economista da região. Deve ter uns 2 metros de altura.
Uma coisa que aprendi, é que se deve usar as armas que se tem no momento. Não adianta idealizar uma arma, quando o inimigo está atacando. O Pimpa – que o Aníbal Bento que foi nosso vizinho de infância, não se lembrava que se chamava Luis Germano da Costa Gadelha. “- A gente só chamava de Pimpa que eu acabei esquecendo.” Então estava perdido, pois no fim da vida, só o conheciam por Papito. “- Papito? Huuuuum!” -, quando éramos criança, já me ensinara: “Se tiver de brigar e não puder com o adversário, pega um pedaço de pau, uma pedra, o que tiver na rua.” Sábias palavras.
É sempre o mesmo discurso: “Eu não sou contra as reivindicações populares, mas não negocio com quem pega nas armas.” Então o pessoal depõe as armas e não tem conversa. Tenta-se negociar, fazendo greve. “Eu sei que a greve, é um direito do trabalhador. Mas eu acho que atrapalha muita gente e é uma forma muito radical. Eu só negocio se a greve terminar.” Acabam a greve. “Agora não é hora de negociação. Eu não gosto de me sentir pressionado. Não que eu seja contra as manifestações, mas assim não.” Vão querendo que as coisas permaneçam da mesma maneira sempre, mas não têm coragem de dizer na verdade que querem as pessoas desmobilizadas, as pessoas aceitando tudo como cordeiros e que os poderosos continuem explorando a infelicidade alheia, para serem felizes sozinhos.
Não vou entrar mais no mérito do resgate da Senadora Ing. Ela mesma está mostrando que não tem o menor respeito pela Colômbia. Já declarou que o Uribe “coitadinho”, só tem o apoio do Governo do Peru. E a gente conhece quem é a peça. É até de imaginar o porquê. Enquanto todos os outros buscam o seu caminho próprio, os coitadinhos continuam abrindo as pernas para os “donos do mundo”, fazerem o que bem entendem, como prostitutas que se vendem para qualquer um, desde que pague o preço. E fazem de tudo, para atrapalhar os outros que não se querem vender. Como cafetina que quer os serviços de todo mundo, em suas mãos e faz de tudo, para quem não é prostituta, acabar sendo.
Chegou em Paris e declarou que a sua casa é lá. Nem precisa dizer mais nada.
Quanto ao seqüestro dela, é como se a Mariazinha, adulta, com as faculdades mentais funcionando normalmente, soubesse do perigo de se entrar em uma jaula de leões e mesmo assim, sem nenhum contato com eles, reunisse os amigos e entrasse sozinha, para se mostrar corajosa. De repente quando um leão rasga a manga da sua camisa, os amigos aqui fora começam a gritar que os leões são nojentos, violentos e perniciosos. Quando a Mariazinha consegue se desvencilhar dos leões e sair da jaula, seus amigos começam a chamá-la de heroína. Na verdade, no mínimo, a Mariazinha é uma demente. Quem sabe, uma propaganda sobre as drogas, traficadas pela elite? E até quem não viu a ação e não é amigo da Mariazinha, começa a chamá-la de heroína, só por que todo mundo a está chamando e a pessoa não quer ser diferente. Muito pelo contrário. Quer estar sempre ao lado do poder, dos poderosos e de onde não se precise discutir nada. Como deves saber meu caro Piroka, estamos passando por um tempo, onde para se estar próximo ao poder, tem quem venda até a própria alma. Literalmente. Em tempo de eleição, tem gente que vira religioso, dá o testemunho, paga caro e até negocia com candidatos que se sabe muito bem, é a pior opção, mas pelo menos, podem deixar algumas pessoas que o apóiam, próximas de ganhos vultosos. São poucas as almas que já não se venderam para o Diabo. Gente que se fantasia de anjo, mas para se dar bem, para estar sempre nas bocas, negocia até com o Belzebu.
Eu não julgo bom, nem ruim. Apenas uma opção pessoal. Só acho chato não se ter coragem de falar às claras. E tem gente que sempre está do lado que pode oferecer mais para si, sem se importar com os outros, mesmo fantasiado de progressista. É só ver a história pessoal de cada um, que se pode ver a trajetória e as posições adotadas em cada ocasião. Vai se ver que são sempre as mesmas. “Sou democrata, mas não me misturo com a corja.”
PARLA, PARLA CHE IO TI VOGLIO BENE
Além do tempo de se vender a alma, estamos no tempo do discurso. Discurso, bonito, mas fora de propósito.
Vejamos o exemplo de Manaus.
O discurso da preservação. Ainda se está no nível do discurso. Todo mundo se dizendo preocupado com o meio-ambiente, todo mundo querendo pegar carona com os discursos sobre o tema, mas a prática...
O G7 + a Rússia – que não infloe, nem contriboe - estão preocupados também. Querem uma solução que seja boa para todos, mas na prática, preferem matar o planeta, do que perder dinheiro. Ou melhor, sacrificar os outros, para continuar com a mesma prática. É tão comum, vindo deles.
Quando a prática da preservação se sobrepõe aos interesses de cada um, começa aquele discurso que eu já falei: “Eu estou preocupado, mas temos de ver que as coisas não podem ser dessa maneira. Não podemos ser radicais, podemos fazer de outra maneira...” Conversa, conversa e nem para apresentarem uma sugestão de uma “outra maneira”, são capazes. Muitas vezes a outra maneira, é a maneira de dizer: “Deixa tudo como está, senão os meus interesses vão por água abaixo.”
Manaus é a Capital da Floresta Amazônica. Nada contra o Pará, o Acre, Bogotá, Caracas, ou outra capital qualquer. Mas a maior extensão de tudo isso fica no Amazonas, então nada mais lógico que a Capital da Amazônia, seja Manaus. Não é soberba, é uma questão de lógica. “Logo eu, uma pessoa tão humilde!”. E o maior rio do mundo, em extensão e em largura, também se chama Amazonas. Não sei por que, depois de muitos anos onde se constatou tudo isso por satélite, tenha se voltado à discussão, como se tivesse descoberto a pólvora, anteontem. “Interesses! Interesses!”
Em contrapartida, Manaus, é uma das cidades menos arborizadas, menos ecológicas do mundo inteiro. Uma, por que ainda tem gente que acha que progresso, é se destruir a natureza, sem dó, nem piedade. É destruir rios e igarapés, para levar adiante o modelo do automóvel, como meio de locomoção mais moderno do mundo. O ranço de tempos passados que não quer ir embora com os ventos de novos tempos. Aliás, ventos cada vez mais escassos por aqui, depois que atual, segundo o Neoliberalismo consumista, é comprar tudo e todos, sem vergonha. Dois, por que no Amazonas, quem vive por aqui, tem vergonha de impor suas regras e acha bonito, imitar o que os outros trazem, como se fossem melhores, mesmo, muitas vezes sendo mais atrasados, cultural e didaticamente.
Eu já falei que quando a gente discursa sobre a importância de um determinado setor, mas quando se tem de escolher um nome para dirigi-lo, coloca-se qualquer um, mesmo sem nunca ter sabido nada sobre aquilo, é por que não considera o assunto tão importante assim.
Em Manaus, o atual prefeito fez a maior festa sobre o sauim-de-coleira. Até trocou o nome, para sauim-de-Manaus. Fez tanta festa só para apresentar o novo nome que parecia macacada. Colocou nas ruas, no Natal e durante o Tríduo Momesco, várias representações do sauim-de-Manaus que permaneceram até depois da Páscoa e das Festas Juninas.
Todo mundo está se colocando ecologicamente correto. Todo mundo quer aparecer ecologicamente correto. No discurso, tudo lindo.
Então vai se escolher a pessoa para dirigir o órgão responsável sobre o assunto. De repente, aparece uma pessoa mais fora de foco, mais fora do mundo possível. Até para se expressar tem aluno da APAE e da PESTALOZZI que se expressam muito melhor do que a pessoa escolhida, mesmo se sabendo da dificuldade real que as pessoas com Síndrome de Down, apresentam, em relação à educação. Mas pelo menos alguns, estão se esforçando tanto que já conseguem se destacar na sociedade, como artistas, ou profissionais liberais, com curso superior e tudo. E ninguém chama essa gente de valente.
Por aqui, temos de agüentar cada coisa.
O assunto meio-ambiente, está dando voto para todo mundo. Inclusive para o McCain. Imagina! “O que é isso companheiro!”
Então vamos ver na prática. “Bem, as coisas não podem ser dessa maneira, podem ser diferentes e tal e coisa e coisa e tal...”
É como um pessoal que veio ao aniversário aqui em casa, que sempre esteve ao lado de um ex-prefeito, ex-governador, ex-senador, ex-proprietário de castelo na França, etc, falando sobre a disputa eleitoral: “O candidato 1 é bom, mas não tem experiência alguma...” O candidato em questão, é economista e contador. Foi diretor de empresa no PIM, mas falta experiência. “O candidato 2, é sério, correto, mas quem manda mesmo, é o filho. Ninguém pode esperar grandes coisas de um jovem inexperiente que coloca as questões pessoais, à frente dos interesses de todos.” “O candidato 3 é muito radical. É doutor em Filosofia, mas muito radical.” Fala tudo o que se sabe, mas ninguém tem coragem de dizer. “O candidato 4 só sabe ser vice. Faz qualquer coisa para se agarrar ao poder. É um perigo para as crianças e as adolescentes.” “O candidato 4...” Ao invés de serem objetivos e claros: “Votem no homem, no meu padrinho, para eu ficar no poder. Eu quero me dar bem e o resto que se...” As pessoas às vezes são tão prolixas, quando podem ser muito mais claras. “Vote no meu que todo mundo sabe, é péssimo em administração. Rouba muito, mas quando está fora do poder, não consegue administrar nem os seus bens pessoais, conseguidos com o público. E já fez muito. Muita propaganda. Só no final do governo, faz uma obra aqui, outra ali, para enganar os lesos e não dizerem que passou mais de uma década no poder e não fez nada.”
Manaus não pode parar, é um canteiro de obras enorme. Prédios, condomínios, conjuntos habitacionais que deságuam nos rios. Com tudo em cima, inclusive o que vem nas águas servidas, despejadas de volta, sem tratamento algum. Um dia, a lei vai ser cumprida, ou a nossa qualidade de vida, diminuída e muito. E o que era floresta, de repente está no chão. Tudo isso, é até lógico, visto a migração que a cidade sofre a cada segundo. Só não consigo entender como se dá o aval, como é feito o estudo de impacto ambiental.
Como se pode dar ao mesmo tempo, permissão para obras do Manauara Shopping, justamente em um terreno, onde havia de castanholeira centenária, até sauim-de-Manaus, em profusão? Ao mesmo tempo, muito próximo, numa linha reta, começaram a construir ao mesmo tempo, a Maison Ephygênio Salles e o Mundi, um ao lado do outro. De novo, florestas primárias, com todo o seu bioma, foram colocadas abaixo, da noite para o dia.
Como se explica o estudo ambiental, quando não se viu ninguém tentando salvar a vida que restou? Dias e dias, os sauins-de-Manaus, alguns com crias nas costas, procuravam abrigo e só depois de muito tentar, é que desapareceram no mundo, quando Dona Themis com muita pena – ela ligou para mim, como se eu tivesse culpa de alguma coisa - da situação dos bichos invadindo seu apartamento, ligou para a Secretaria de Meio Ambiente –SEMMA, responsável pelos estudos de impacto, para ver se faziam alguma coisa, pois o impacto foi terrível, para quem assistia àquelas cenas dantescas. Os tratores e as serras-elétricas comendo no centro, até altas horas da noite e os bichos atordoados, como se fossem responsáveis pelo meio-ambiente.
Depois de toda essa carnificina, essa destruição ao mesmo tempo, o que tem de ave tentando um lugar para estar. Ainda vem que elas voam. E quem vegeta como ficou? Segundo a mocinha bonitinha – eu até falei para ela que casaria se ela quisesse. Dois dias, uma semana e mais do que isso, é querer muito. Não que eu não goste, mas começa a enjoar. Sempre a mesma pessoa, a mesma cara... A gente acaba na mesma posição, é chato. Acaba que não se faz nada, por que casamento só dá dor de cabeça. É preciso ter um saco enorme. “Não, eu estou estudando Direito. Quero primeiro acabar a faculdade.” Será a minha sina? – depois, vai se plantar um bosque. Isso é que se pode chamar de projeto de urbanismo. Quero até saber onde estudaram esses projetistas, para passar bem longe.
A proliferação de gaviões em zona urbana, multiplicou. Vou até dar uma paradinha por aqui, para colocar o café da manhã das aves, agora que virei babá de passarinho.
São seis horas e esses bichos já estão piando há uma caralhada de tempo. “Oh bichinhos chatos.”
SANTA IGNORÂNCIA
Eu na minha santa ignorância e na minha pueril credulidade, pensava que estudo de impacto ambiental se desse, encima um estudo sério. O órgão responsável manda seus profissionais para fazerem um levantamento da área, para verem o que poderia haver naquele nicho e como resgatar o que desse da flora e da fauna, para uma reserva florestal talvez.
Como eu sou burro! Não é assim mesmo.
Talvez seja assim: O responsável pelo órgão, acha que pode ser assim, o “velho achismo” de novo e não vê problema algum em liberar o alvará. Ainda faz como Pôncio Pilatos. Compra um sabonete de açaí, de castanha-do-Brasil, ou de buriti da Natura, para lavar as mãos, ecologicamente correto. Pelo menos a gente se ilude, para enganar os outros. Ou quem sabe, de repente, há o interesse desse ou daquele, nisso ou naquilo. Esse liga para essa e diz para liberar, aquilo daquele. Pronto. Entendeu?
E a grande vantagem de se colocar advogado em tudo o que é canto, de Engenharia de Trânsito, à Diretoria de Recursos Humanos, é que eles além sabem sobre tudo, do cumprimento das leis, mas também aprendem, como burlá-las. Imagina um exército de assessores sabendo manipular as leis? Quem precisa de engenheiro, de administrador, de biólogo de qualquer outro profissional? Podem não resolver problema algum, mas sabem como postergar. Com esta Justiça que nós temos, quem precisa aprender a resolver problema? Todo mundo é bonzinho. E segundo na escuta da Polícia Federal, o banqueiro e trambiqueiro Daniel Dantas: “Resolve na Primeira Instância, por que com o pessoal do STJ e do STF, eu me entendo.” É todo mundo bonzinho. São como os índios do descobrimento. É só dar um presente que eles entregam o ouro.
No antigo V8, os terrenos que sobraram, eram a parte da floresta primária que tinha sido derrubada do Japiim, até a Zona Leste. Onde em grande parte, habitavam os sauim-de-Manaus. Os alvarás para as obras foram concedidos ao mesmo tempo, sem nenhuma responsabilidade, podendo-se tirar as vidas que existiam. Ao mesmo tempo, em outro nicho onde habitavam outras famílias de sauim-de-Manaus, no Alphaville, pelo menos deixaram um bosque, para enganar mamãe. Não satisfeito com tanta destruição, os responsáveis pelos alvarás ambientais, deram OK, para a Avenida das Torres, que destrói nichos importantes. Isso quando o Governador, responsável pela obra, não tinha escolhido quem apoiar para as próxima eleições. Após a escolha, novo estudo de impacto ambiental foi realizado pelo mesmo pessoal e se viu que a Avenida das Torres, era danosa ao meio ambiente. Esse pessoal vive se enganando. Será que a gente acredita no estudo de antes, ou no estudo de hoje?
Quer dizer, às vezes a gente brinca com a própria vida, quando faz disso, moeda de troca, pura e simplesmente.
Viu como é fácil fazer discurso? O difícil é atuar dentro do que se diz. Ecologia dá votos, mas pede em troca, senão pode acabar com a gente.
CORDEIRO DE DEUS QUE TIRAI OS PECADOS DO MUNDO, DAÍ-NO A PAZ
O povo amazonense é cordeiro. Mas o perfil está mudando. O que veio de marginal que está colocando seus atos como a coisa correta, é incrível. Um povo que era educado por natureza, agora se vê diante de tanta falta de educação, de tanta violência sem sentido algum, de tanto descaso com os outros. Mata-se o outro por brincadeira. Faixa de pedestre, parece alvo de tiro. E tudo isso: “Ah, é o stress da vida moderna.” Mas que modernidade é essa que se trabalhou tanto para se conseguir todo esse avanço e conhecimentos e ao invés da gente viver confortavelmente, vive morrendo? “Faz parte!”
Amazonense não sabe dizer: “Com licença, não sou contra a tua presença na minha casa, mas espero, pelo menos ser respeitado, já que é minha. As minhas regras são essas e aquelas. A casa é minha, fica nela, quem respeitar as normas.” Não, a vergonha é tamanha que dentro de casa, o amazonense é desrespeitado, por que acha que ser educado, ser diplomático, é se calar sobre tudo, é não exigir os próprios direitos.
Então se deixa a floresta em pé e de repente chegam uns retirantes, retirantes mais ao sul da Amazônia e vêm com um papo de progresso, de derrubar tudo, por que o homem é o motivo de tudo. Esses papos religiosos. O tal de antropocentrismo. ‘Adão, tudo isso que eu fiz, pertence a ti. Os céus, o mar, a Terra, os planetas, os animais e até a Eva. Podes dispor de tudo para o teu deleite como bem quiser.” O homem pode tudo. Se o universo gira em torno da Terra e tudo gira em torno do homem, por que não pensar que se pode tudo? Vamos destruir!
Quando se vê, o que foi preservado por séculos, de repente cai por terra, pelas mãos de quem não tem nada a perder. E o povo amazonense que preservou tanto, fica calado, não se manifesta de maneira alguma. É o cúmulo da diplomacia. É por isso que me diziam para ser tão diplomático quanto o Seu Clovis. Eu não consigo. Nem tento, senão vou me empolar todo. Eu me conheço!
E é aquele papo. Quando a gente cede sem luta, o outro lado sempre vai querer mais um pouco. Sempre vai se impondo sem a gente se tocar. “Deu o pé loura? Agora eu quero as pernas. Deu a perna, eu quero as penas. Deu as penas, eu quero os olhos...” E assim por diante. É natural do ser humano.
Imagina que dentro da Capital do Amazonas, as últimas poucas árvores que restavam no centro, de repente um ser iluminado chegou e disse que é impossível a permanência delas, devido a transtornos intransponíveis. Elas que passaram governos, anos, século e até milênio, agora são problemáticas. E se não fosse um anjo que caiu do céu, ainda estaríamos correndo perigo por causa delas. E para quem já leu o livro sagrado, sabe muito bem quem é o anjo caído. Aquela briga de “moçoilas” para saber quem era o mais bonito, coisa e tal e tal e coisa. “Eu sou mais bonito do que você!” “Não, eu sou mais.” “Ih mona, deixa disso. Eu sou linda.” “Vixe, tá se achando!” De repente a outra empurra a adversária para o despenhadeiro e o anjo mais belo, cai no abismo. Vai dizer que não é briga de “loucas”? Só faltou puxarem os cabelos.
Na calada da noite, derrubaram árvores antigas da Luis Anthony. Depois de mais de anos, elas estavam trazendo transtornos ao trânsito da via, perigo de caírem para os moradores. Valha-me Deus. Mas se as ações de derrubar mais de uma dezena de arvores em uma só madrugada, era tão necessária, por que não fazer às claras? Ainda mais quando se quer aplausos e mostrar serviço. Não é assim quando tapam os buracos? Não escolhem as horas mais tumultuadas para mostrar serviço? Por que não com as árvores? Medo do quê? Cupim age à noite, não de manhã. Isto é lição básica para quem lida com a ecologia. Saber os ciclos da vida, senão parece que só estão querendo enganar a gente.
A gente tem de aprender a ler, nas entrelinhas. Tem muita gente arrotando modernidade e obrando coisa velha. A Hebe Camargo, cabo eleitoral do Maluf desde quando era babá deles, não dá discursos de democrata? O resgate da Ing, está trazendo de volta, muita gente que estava entocada, mascarada de hodierna, mas morta de saudade com a volta do que já passou. Tomara que tomem coragem e digam quem são de verdade, ao invés de enganarem as pessoas que adoram se enganar, para enganar mais à frente. E uma coisa que nunca sai de moda, é a verdade!
Mas li o dito artigo, na terça-feira. Também vi umas candidatas das favelas. Uma, eu achei quase como matéria paga. Da outra matéria, gostei muito. Mais do que se apresentava, do que da matéria em si. Aliás, os meios de comunicação depois da globalização estão riquíssimos, mas de uma pobreza jornalística, nunca visto antes. Enche-se os jornais de articulistas e o que sobra, colocam-se matérias das agências de notícias, espalhadas pelo mundo. E o pior, os articulistas se baseiam nas notícias das agências. No fim, parece que é todo mundo igual. O que muda, é uma propaganda aqui, outra diferente ali. Parece que todo mundo está com medo de ferir suscetibilidades e perder os clientes. O que é a liberdade de imprensa, diante da falta de democracia de opiniões, nos meios de comunicação? Não precisa ir muito longe. Manda alguma carta para os jornais brasileiros, divergente dos seus interesses, para ver se eles publicam. São justamente esses que se indignam, quando fecham um outro jornal, na Venezuela.
Como vivemos num país Capitalista, tudo é negócio. Tudo se negocia, inclusive os princípios. “Qual o seu preço?”
ENROLAR O MEIO DE CAMPO, PARA NÃO PARECER O QUE SE É
Um dia desses, minha amiga Norminha, perguntou o que eu achava do Gabeira.
Falei que ele está sempre onde a onda faz crista. Hoje em dia, está tentando se colocar à direita politicamente, o que é um direito dele - mas no Brasil, a direita morre de vergonha de se mostrar como tal, até quando ditavam as normas. No máximo, dizem que esse negócio de Direita e Esquerda, está ultrapassado. Repetem o que o filósofo Bush declarou: “A luta de classes acabou” - então começa a falar por metáforas. O PSDemB fez essa transição sem grandes esforços. O PT ainda está relutante. Dando os últimos suspiros, lutando, como lutou o Karol Papa João Paulo II, até a morte, para não ir para o Céu, mesmo dizendo a todo mundo, que o Céu é perto.
E uma dessas metáforas que o Senador Gameleira usou, foi acusar o PT de “centralismo”, querendo chamar esse partido de comunista como o chamava a Ditadura Militar, quando se sabe que não dá para ser comunista por vários motivos:
1. é um partido basicamente social-democrata
2. é um balaio de gato, onde se encontram ideologias, desde cristãos democratas, como a grande maioria, com Lula e companhia ilimitada, até facções ditas marxista-leninistas, como as facções do Genoíno e do Zé Dirceu – é por isso que um ex-namorado de uma prima minha, me fez procurar o livro sobre o Araguaia quando ainda era do PCdoB, mesmo sendo do PT. Veio com uma recomendação: ‘último livro editado’. Ele se dizia marxista-leninista e eu não compreendia, como ele era do PT. Vai ver, era do PRC do Genoíno . Aparce de tudo na frente da gente -.
3. é um partido que não sai com uma posição cerrada nunca. É o que se pode dizer, partido mesmo. O partido tem uma posição, o Lula enquanto governante tem outra, o Zé Dirceu faz de tudo para atrapalhar os companheiros, o Genoíno joga contra todos, o Berzzoinni não discute com ninguém, empurra tudo goela abaixo, o Pallocci, quer colocar seu nome acima do partido e assim vão levando. Partido.
Até para quem é leigo, não dá para dizer que o PT pratica o “centralismo”. Só quem não tem coragem de se declarar saudosista da Ditadura, é que procura vieses, para continuar falando as mesmas bobagens que ela colocava sem discussão, para denegrir ou ferir a imagem dos outros.
TUDO É SEMPRE MUITO POUCO
Então o artigo começava citando o direito de se formarem grupos que se coloquem contra essa, ou qualquer outra posição política. E por aqui na Amazônia, o que não faltam, são posições. Tem aglomerados para todos os gostos. Gangs, nem se fala. Desde as milícias que protegem as fazendas dos senhores do narcotráfico, há muito tempo, até os organismos dos EUA, mandando e desmandando em tudo, nos dias de hoje.
Mas, em pouco tempo, começa o “achismo”, no artigo do jornal. “Formar um grupo guerrilheiro está dentro das normas prescritas, do Direito à Antropologia, mas eu acho que as Farcs – eu chamo de as FARC – não são mais um grupo de guerrilha, por que eu acho que é narcotraficante, por que eu acho...”
Até parece a polícia quando executa alguém. ‘Tinha passagem na polícia, tinha ligação com o tráfico de drogas, já foi fichado, agente pensou que... A gente se enganou. Um Fiat Stilo, é muito parecido com um Fiat Uno. A cara e até a traseira.” Como se isso justificasse se passar por cima das leis, onde a própria Constituição abomina a pena-de-morte. “Poxa gente, por que tudo isso? Os meninos só estavam brincando. Ninguém tem culpa do Galdino Xavante, não ser mendigo.”
Meu caro Piroka, num dos filmes do Costa Gavras, acho que Missing, os agentes da CIA, vieram ao Brasil – esta cena foi censurada no país – e sob a Bandeira Nacional, ensinavam como torturar, como colocar provas incriminatórias no carro dos “subversivos”, como plantar armas nas mãos das vítimas, como chamar a opinião pública, para o lado das forças do bem. E um dos brasileiros se destacou tanto, que foi convocado a ensinar na América do Sul, o que os meninos da CIA ensinaram. Para encurtar o papo, dizem que o policial do filme, representava o Delegado Fleury Paranhos.
Parece que essa prática de dizer que quem não está de acordo com os nossos interesses, é traficante de drogas, é louco, é marginal, não é de hoje. Esse papo de plantar provas, ficou até hoje.
Dizem que o Delegado Fleury, implantava drogas, armas, panfletos nos carros, nos aparelhos dos grupos “subversivos” e depois chamava os meios de comunicação, para desacreditar a luta deles. Coisa utilizada até hoje pelas polícias brasileiras que mantém um ranço da Coroa e da Ditadura, onde parecem estar a serviço só da Corte e o resto é plebe rude que se pode fazer o que bem entender. E antes de ser uma força para garantir a vida, é um aparelho para suscitar a morte. Tanto que desde a Ditadura até hoje, um dos símbolos mais utilizados pela nossa galharda polícia, é a caveira, o Caveirão, ou outra simbologia que os cristãos tanto gostam, que arremetem à morte, ou como querem nos enganar, à vida depois da morte. Filme de terror, missa de 50 anos de saudade, uma vida sem luxo...
No fim da vida, dizem que o Delegado Fleury morreu, por que os amigos traficantes o executaram, pois, segundo as más-línguas, ele queria ser mais esperto do que os outros traficantes. Queria ficar com o lucro sozinho. Mas se os fatos não se nos apresentam, muita gente pensaria que narcotraficante no Brasil, eram os grupos que combatiam a Ditadura. Parece com a algum fato da realidade atual? Ainda bem que o Bush está “limpo”, para combater o tráfico de drogas. E chamou logo o amigo Uribe, limpeza também. É como se o Lobão, aquele outro artista, de repente se unisse ao Fernandinho Beira-Mar e decidissem combater as drogas, de forma implacável, impagável. Seria um ato louvável, para quem é contra a legalização das drogas, por algum interesse escuso, quem sabe, para não mostar a cara de quem está por trás de tudo isso, mas... tem quem acredite. Eu sou incrédulo. “Mas que coisa chata!”
Não se pode esquecer que na Colômbia, quem dá as cartas, é a CIA e o Pentágono e que o Governo Bush, pratica as mesmas coisas escritas nas cartilhas da Casa Branca, quando os EUA exportavam ditaduras.
Então, esse papo de chamar grupos de guerrilha de narcotraficantes, é tão comum, como as torturas em presos-políticos e depois colocar a culpa do acontecido, em sargentos e praças, mesmo que as práticas se repitam da mesma maneira, no Iraque, no Afeganistão, em Guantânamo, na Colômbia hoje e acontecesse da mesma maneira no Brasil, na Argentina, no Chile, na Grécia, no Vietnã, antigamente. Coincidências existem.
EU SOU BONZINHO
Tem uma coisa muito feia, que é certo tipo de pessoa, nunca estar contra o sistema.
Lembro quando das discussões das Diretas Já, a OAB enviou uma advogada para representá-la. Buscavam-se formas de lutas contra um regime de opressão, contra um regime de exceção, contra leis forjadas e a advogada queria que se lutasse “dentro das leis”. Como se lutar dentro das leis, quando as leis são de exceção?
É que tem gente que se coloca numa posição, mas não quer estar ali de verdade.
Vejamos. Tinha gente que abominava a luta contra a Ditadura, por que se caiu na luta armada. Então a luta armada acabou e as mesmas pessoas abominavam a luta contra a Ditadura, por que os grupos eram todos comunistas. Apareceu empresário, gente mais à direita e mesmo assim, tinha gente que achava que se tinha de lutar dentro das leis. Então se foi arregimentar multidões e mesmo assim, essa gente achava que não se devia confrontar o regime dessa forma. Foi-se para dentro do Colégio Eleitoral e tinha gente que achava que o Colégio Eleitoral, era um ranço da Ditadura e não se podia usar as mesmas armas dela. Apareceu o Lula e muita gente no PT, dos movimentos de base da Igreja Católica, fazendo greve. E muita gente achava que o Lula era radical demais. Então o Lula foi se amoldando, como argila nova e virou o “Lulinha Paz e Amor” e o mesmo pessoal tem ódio dele, por que não é tão radical quanto antigamente.
É assim tem gente que exige mais, mais e mais, quando era mais fácil dizer que é a favor das coisas arcaicas, do atraso. Tem outra gente que não está nem aí para o atraso, nem para o avanço, o que interessa, é que se dê bem. E fica inventando história para boi dormir.
Eu tive um professor que de vez em quando, encontro na Manaus Moderna que dizia que deixava de fazer muita coisa no Amazonas, por que podia ser melhor. Então se vai fazer melhor. E de novo, podia ser melhor. E se melhora, mas podia ser melhor. Quando se vê, não se fez nem o ruim, nem o melhor. Deixa-se de fazer muita coisa, por que sempre se quer melhor, melhor, melhor. O nome dele, Rosalvo, o maior economista da região. Deve ter uns 2 metros de altura.
Uma coisa que aprendi, é que se deve usar as armas que se tem no momento. Não adianta idealizar uma arma, quando o inimigo está atacando. O Pimpa – que o Aníbal Bento que foi nosso vizinho de infância, não se lembrava que se chamava Luis Germano da Costa Gadelha. “- A gente só chamava de Pimpa que eu acabei esquecendo.” Então estava perdido, pois no fim da vida, só o conheciam por Papito. “- Papito? Huuuuum!” -, quando éramos criança, já me ensinara: “Se tiver de brigar e não puder com o adversário, pega um pedaço de pau, uma pedra, o que tiver na rua.” Sábias palavras.
É sempre o mesmo discurso: “Eu não sou contra as reivindicações populares, mas não negocio com quem pega nas armas.” Então o pessoal depõe as armas e não tem conversa. Tenta-se negociar, fazendo greve. “Eu sei que a greve, é um direito do trabalhador. Mas eu acho que atrapalha muita gente e é uma forma muito radical. Eu só negocio se a greve terminar.” Acabam a greve. “Agora não é hora de negociação. Eu não gosto de me sentir pressionado. Não que eu seja contra as manifestações, mas assim não.” Vão querendo que as coisas permaneçam da mesma maneira sempre, mas não têm coragem de dizer na verdade que querem as pessoas desmobilizadas, as pessoas aceitando tudo como cordeiros e que os poderosos continuem explorando a infelicidade alheia, para serem felizes sozinhos.
Não vou entrar mais no mérito do resgate da Senadora Ing. Ela mesma está mostrando que não tem o menor respeito pela Colômbia. Já declarou que o Uribe “coitadinho”, só tem o apoio do Governo do Peru. E a gente conhece quem é a peça. É até de imaginar o porquê. Enquanto todos os outros buscam o seu caminho próprio, os coitadinhos continuam abrindo as pernas para os “donos do mundo”, fazerem o que bem entendem, como prostitutas que se vendem para qualquer um, desde que pague o preço. E fazem de tudo, para atrapalhar os outros que não se querem vender. Como cafetina que quer os serviços de todo mundo, em suas mãos e faz de tudo, para quem não é prostituta, acabar sendo.
Chegou em Paris e declarou que a sua casa é lá. Nem precisa dizer mais nada.
Quanto ao seqüestro dela, é como se a Mariazinha, adulta, com as faculdades mentais funcionando normalmente, soubesse do perigo de se entrar em uma jaula de leões e mesmo assim, sem nenhum contato com eles, reunisse os amigos e entrasse sozinha, para se mostrar corajosa. De repente quando um leão rasga a manga da sua camisa, os amigos aqui fora começam a gritar que os leões são nojentos, violentos e perniciosos. Quando a Mariazinha consegue se desvencilhar dos leões e sair da jaula, seus amigos começam a chamá-la de heroína. Na verdade, no mínimo, a Mariazinha é uma demente. Quem sabe, uma propaganda sobre as drogas, traficadas pela elite? E até quem não viu a ação e não é amigo da Mariazinha, começa a chamá-la de heroína, só por que todo mundo a está chamando e a pessoa não quer ser diferente. Muito pelo contrário. Quer estar sempre ao lado do poder, dos poderosos e de onde não se precise discutir nada. Como deves saber meu caro Piroka, estamos passando por um tempo, onde para se estar próximo ao poder, tem quem venda até a própria alma. Literalmente. Em tempo de eleição, tem gente que vira religioso, dá o testemunho, paga caro e até negocia com candidatos que se sabe muito bem, é a pior opção, mas pelo menos, podem deixar algumas pessoas que o apóiam, próximas de ganhos vultosos. São poucas as almas que já não se venderam para o Diabo. Gente que se fantasia de anjo, mas para se dar bem, para estar sempre nas bocas, negocia até com o Belzebu.
Eu não julgo bom, nem ruim. Apenas uma opção pessoal. Só acho chato não se ter coragem de falar às claras. E tem gente que sempre está do lado que pode oferecer mais para si, sem se importar com os outros, mesmo fantasiado de progressista. É só ver a história pessoal de cada um, que se pode ver a trajetória e as posições adotadas em cada ocasião. Vai se ver que são sempre as mesmas. “Sou democrata, mas não me misturo com a corja.”
PARLA, PARLA CHE IO TI VOGLIO BENE
Além do tempo de se vender a alma, estamos no tempo do discurso. Discurso, bonito, mas fora de propósito.
Vejamos o exemplo de Manaus.
O discurso da preservação. Ainda se está no nível do discurso. Todo mundo se dizendo preocupado com o meio-ambiente, todo mundo querendo pegar carona com os discursos sobre o tema, mas a prática...
O G7 + a Rússia – que não infloe, nem contriboe - estão preocupados também. Querem uma solução que seja boa para todos, mas na prática, preferem matar o planeta, do que perder dinheiro. Ou melhor, sacrificar os outros, para continuar com a mesma prática. É tão comum, vindo deles.
Quando a prática da preservação se sobrepõe aos interesses de cada um, começa aquele discurso que eu já falei: “Eu estou preocupado, mas temos de ver que as coisas não podem ser dessa maneira. Não podemos ser radicais, podemos fazer de outra maneira...” Conversa, conversa e nem para apresentarem uma sugestão de uma “outra maneira”, são capazes. Muitas vezes a outra maneira, é a maneira de dizer: “Deixa tudo como está, senão os meus interesses vão por água abaixo.”
Manaus é a Capital da Floresta Amazônica. Nada contra o Pará, o Acre, Bogotá, Caracas, ou outra capital qualquer. Mas a maior extensão de tudo isso fica no Amazonas, então nada mais lógico que a Capital da Amazônia, seja Manaus. Não é soberba, é uma questão de lógica. “Logo eu, uma pessoa tão humilde!”. E o maior rio do mundo, em extensão e em largura, também se chama Amazonas. Não sei por que, depois de muitos anos onde se constatou tudo isso por satélite, tenha se voltado à discussão, como se tivesse descoberto a pólvora, anteontem. “Interesses! Interesses!”
Em contrapartida, Manaus, é uma das cidades menos arborizadas, menos ecológicas do mundo inteiro. Uma, por que ainda tem gente que acha que progresso, é se destruir a natureza, sem dó, nem piedade. É destruir rios e igarapés, para levar adiante o modelo do automóvel, como meio de locomoção mais moderno do mundo. O ranço de tempos passados que não quer ir embora com os ventos de novos tempos. Aliás, ventos cada vez mais escassos por aqui, depois que atual, segundo o Neoliberalismo consumista, é comprar tudo e todos, sem vergonha. Dois, por que no Amazonas, quem vive por aqui, tem vergonha de impor suas regras e acha bonito, imitar o que os outros trazem, como se fossem melhores, mesmo, muitas vezes sendo mais atrasados, cultural e didaticamente.
Eu já falei que quando a gente discursa sobre a importância de um determinado setor, mas quando se tem de escolher um nome para dirigi-lo, coloca-se qualquer um, mesmo sem nunca ter sabido nada sobre aquilo, é por que não considera o assunto tão importante assim.
Em Manaus, o atual prefeito fez a maior festa sobre o sauim-de-coleira. Até trocou o nome, para sauim-de-Manaus. Fez tanta festa só para apresentar o novo nome que parecia macacada. Colocou nas ruas, no Natal e durante o Tríduo Momesco, várias representações do sauim-de-Manaus que permaneceram até depois da Páscoa e das Festas Juninas.
Todo mundo está se colocando ecologicamente correto. Todo mundo quer aparecer ecologicamente correto. No discurso, tudo lindo.
Então vai se escolher a pessoa para dirigir o órgão responsável sobre o assunto. De repente, aparece uma pessoa mais fora de foco, mais fora do mundo possível. Até para se expressar tem aluno da APAE e da PESTALOZZI que se expressam muito melhor do que a pessoa escolhida, mesmo se sabendo da dificuldade real que as pessoas com Síndrome de Down, apresentam, em relação à educação. Mas pelo menos alguns, estão se esforçando tanto que já conseguem se destacar na sociedade, como artistas, ou profissionais liberais, com curso superior e tudo. E ninguém chama essa gente de valente.
Por aqui, temos de agüentar cada coisa.
O assunto meio-ambiente, está dando voto para todo mundo. Inclusive para o McCain. Imagina! “O que é isso companheiro!”
Então vamos ver na prática. “Bem, as coisas não podem ser dessa maneira, podem ser diferentes e tal e coisa e coisa e tal...”
É como um pessoal que veio ao aniversário aqui em casa, que sempre esteve ao lado de um ex-prefeito, ex-governador, ex-senador, ex-proprietário de castelo na França, etc, falando sobre a disputa eleitoral: “O candidato 1 é bom, mas não tem experiência alguma...” O candidato em questão, é economista e contador. Foi diretor de empresa no PIM, mas falta experiência. “O candidato 2, é sério, correto, mas quem manda mesmo, é o filho. Ninguém pode esperar grandes coisas de um jovem inexperiente que coloca as questões pessoais, à frente dos interesses de todos.” “O candidato 3 é muito radical. É doutor em Filosofia, mas muito radical.” Fala tudo o que se sabe, mas ninguém tem coragem de dizer. “O candidato 4 só sabe ser vice. Faz qualquer coisa para se agarrar ao poder. É um perigo para as crianças e as adolescentes.” “O candidato 4...” Ao invés de serem objetivos e claros: “Votem no homem, no meu padrinho, para eu ficar no poder. Eu quero me dar bem e o resto que se...” As pessoas às vezes são tão prolixas, quando podem ser muito mais claras. “Vote no meu que todo mundo sabe, é péssimo em administração. Rouba muito, mas quando está fora do poder, não consegue administrar nem os seus bens pessoais, conseguidos com o público. E já fez muito. Muita propaganda. Só no final do governo, faz uma obra aqui, outra ali, para enganar os lesos e não dizerem que passou mais de uma década no poder e não fez nada.”
Manaus não pode parar, é um canteiro de obras enorme. Prédios, condomínios, conjuntos habitacionais que deságuam nos rios. Com tudo em cima, inclusive o que vem nas águas servidas, despejadas de volta, sem tratamento algum. Um dia, a lei vai ser cumprida, ou a nossa qualidade de vida, diminuída e muito. E o que era floresta, de repente está no chão. Tudo isso, é até lógico, visto a migração que a cidade sofre a cada segundo. Só não consigo entender como se dá o aval, como é feito o estudo de impacto ambiental.
Como se pode dar ao mesmo tempo, permissão para obras do Manauara Shopping, justamente em um terreno, onde havia de castanholeira centenária, até sauim-de-Manaus, em profusão? Ao mesmo tempo, muito próximo, numa linha reta, começaram a construir ao mesmo tempo, a Maison Ephygênio Salles e o Mundi, um ao lado do outro. De novo, florestas primárias, com todo o seu bioma, foram colocadas abaixo, da noite para o dia.
Como se explica o estudo ambiental, quando não se viu ninguém tentando salvar a vida que restou? Dias e dias, os sauins-de-Manaus, alguns com crias nas costas, procuravam abrigo e só depois de muito tentar, é que desapareceram no mundo, quando Dona Themis com muita pena – ela ligou para mim, como se eu tivesse culpa de alguma coisa - da situação dos bichos invadindo seu apartamento, ligou para a Secretaria de Meio Ambiente –SEMMA, responsável pelos estudos de impacto, para ver se faziam alguma coisa, pois o impacto foi terrível, para quem assistia àquelas cenas dantescas. Os tratores e as serras-elétricas comendo no centro, até altas horas da noite e os bichos atordoados, como se fossem responsáveis pelo meio-ambiente.
Depois de toda essa carnificina, essa destruição ao mesmo tempo, o que tem de ave tentando um lugar para estar. Ainda vem que elas voam. E quem vegeta como ficou? Segundo a mocinha bonitinha – eu até falei para ela que casaria se ela quisesse. Dois dias, uma semana e mais do que isso, é querer muito. Não que eu não goste, mas começa a enjoar. Sempre a mesma pessoa, a mesma cara... A gente acaba na mesma posição, é chato. Acaba que não se faz nada, por que casamento só dá dor de cabeça. É preciso ter um saco enorme. “Não, eu estou estudando Direito. Quero primeiro acabar a faculdade.” Será a minha sina? – depois, vai se plantar um bosque. Isso é que se pode chamar de projeto de urbanismo. Quero até saber onde estudaram esses projetistas, para passar bem longe.
A proliferação de gaviões em zona urbana, multiplicou. Vou até dar uma paradinha por aqui, para colocar o café da manhã das aves, agora que virei babá de passarinho.
São seis horas e esses bichos já estão piando há uma caralhada de tempo. “Oh bichinhos chatos.”
SANTA IGNORÂNCIA
Eu na minha santa ignorância e na minha pueril credulidade, pensava que estudo de impacto ambiental se desse, encima um estudo sério. O órgão responsável manda seus profissionais para fazerem um levantamento da área, para verem o que poderia haver naquele nicho e como resgatar o que desse da flora e da fauna, para uma reserva florestal talvez.
Como eu sou burro! Não é assim mesmo.
Talvez seja assim: O responsável pelo órgão, acha que pode ser assim, o “velho achismo” de novo e não vê problema algum em liberar o alvará. Ainda faz como Pôncio Pilatos. Compra um sabonete de açaí, de castanha-do-Brasil, ou de buriti da Natura, para lavar as mãos, ecologicamente correto. Pelo menos a gente se ilude, para enganar os outros. Ou quem sabe, de repente, há o interesse desse ou daquele, nisso ou naquilo. Esse liga para essa e diz para liberar, aquilo daquele. Pronto. Entendeu?
E a grande vantagem de se colocar advogado em tudo o que é canto, de Engenharia de Trânsito, à Diretoria de Recursos Humanos, é que eles além sabem sobre tudo, do cumprimento das leis, mas também aprendem, como burlá-las. Imagina um exército de assessores sabendo manipular as leis? Quem precisa de engenheiro, de administrador, de biólogo de qualquer outro profissional? Podem não resolver problema algum, mas sabem como postergar. Com esta Justiça que nós temos, quem precisa aprender a resolver problema? Todo mundo é bonzinho. E segundo na escuta da Polícia Federal, o banqueiro e trambiqueiro Daniel Dantas: “Resolve na Primeira Instância, por que com o pessoal do STJ e do STF, eu me entendo.” É todo mundo bonzinho. São como os índios do descobrimento. É só dar um presente que eles entregam o ouro.
No antigo V8, os terrenos que sobraram, eram a parte da floresta primária que tinha sido derrubada do Japiim, até a Zona Leste. Onde em grande parte, habitavam os sauim-de-Manaus. Os alvarás para as obras foram concedidos ao mesmo tempo, sem nenhuma responsabilidade, podendo-se tirar as vidas que existiam. Ao mesmo tempo, em outro nicho onde habitavam outras famílias de sauim-de-Manaus, no Alphaville, pelo menos deixaram um bosque, para enganar mamãe. Não satisfeito com tanta destruição, os responsáveis pelos alvarás ambientais, deram OK, para a Avenida das Torres, que destrói nichos importantes. Isso quando o Governador, responsável pela obra, não tinha escolhido quem apoiar para as próxima eleições. Após a escolha, novo estudo de impacto ambiental foi realizado pelo mesmo pessoal e se viu que a Avenida das Torres, era danosa ao meio ambiente. Esse pessoal vive se enganando. Será que a gente acredita no estudo de antes, ou no estudo de hoje?
Quer dizer, às vezes a gente brinca com a própria vida, quando faz disso, moeda de troca, pura e simplesmente.
Viu como é fácil fazer discurso? O difícil é atuar dentro do que se diz. Ecologia dá votos, mas pede em troca, senão pode acabar com a gente.
CORDEIRO DE DEUS QUE TIRAI OS PECADOS DO MUNDO, DAÍ-NO A PAZ
O povo amazonense é cordeiro. Mas o perfil está mudando. O que veio de marginal que está colocando seus atos como a coisa correta, é incrível. Um povo que era educado por natureza, agora se vê diante de tanta falta de educação, de tanta violência sem sentido algum, de tanto descaso com os outros. Mata-se o outro por brincadeira. Faixa de pedestre, parece alvo de tiro. E tudo isso: “Ah, é o stress da vida moderna.” Mas que modernidade é essa que se trabalhou tanto para se conseguir todo esse avanço e conhecimentos e ao invés da gente viver confortavelmente, vive morrendo? “Faz parte!”
Amazonense não sabe dizer: “Com licença, não sou contra a tua presença na minha casa, mas espero, pelo menos ser respeitado, já que é minha. As minhas regras são essas e aquelas. A casa é minha, fica nela, quem respeitar as normas.” Não, a vergonha é tamanha que dentro de casa, o amazonense é desrespeitado, por que acha que ser educado, ser diplomático, é se calar sobre tudo, é não exigir os próprios direitos.
Então se deixa a floresta em pé e de repente chegam uns retirantes, retirantes mais ao sul da Amazônia e vêm com um papo de progresso, de derrubar tudo, por que o homem é o motivo de tudo. Esses papos religiosos. O tal de antropocentrismo. ‘Adão, tudo isso que eu fiz, pertence a ti. Os céus, o mar, a Terra, os planetas, os animais e até a Eva. Podes dispor de tudo para o teu deleite como bem quiser.” O homem pode tudo. Se o universo gira em torno da Terra e tudo gira em torno do homem, por que não pensar que se pode tudo? Vamos destruir!
Quando se vê, o que foi preservado por séculos, de repente cai por terra, pelas mãos de quem não tem nada a perder. E o povo amazonense que preservou tanto, fica calado, não se manifesta de maneira alguma. É o cúmulo da diplomacia. É por isso que me diziam para ser tão diplomático quanto o Seu Clovis. Eu não consigo. Nem tento, senão vou me empolar todo. Eu me conheço!
E é aquele papo. Quando a gente cede sem luta, o outro lado sempre vai querer mais um pouco. Sempre vai se impondo sem a gente se tocar. “Deu o pé loura? Agora eu quero as pernas. Deu a perna, eu quero as penas. Deu as penas, eu quero os olhos...” E assim por diante. É natural do ser humano.
Imagina que dentro da Capital do Amazonas, as últimas poucas árvores que restavam no centro, de repente um ser iluminado chegou e disse que é impossível a permanência delas, devido a transtornos intransponíveis. Elas que passaram governos, anos, século e até milênio, agora são problemáticas. E se não fosse um anjo que caiu do céu, ainda estaríamos correndo perigo por causa delas. E para quem já leu o livro sagrado, sabe muito bem quem é o anjo caído. Aquela briga de “moçoilas” para saber quem era o mais bonito, coisa e tal e tal e coisa. “Eu sou mais bonito do que você!” “Não, eu sou mais.” “Ih mona, deixa disso. Eu sou linda.” “Vixe, tá se achando!” De repente a outra empurra a adversária para o despenhadeiro e o anjo mais belo, cai no abismo. Vai dizer que não é briga de “loucas”? Só faltou puxarem os cabelos.
Na calada da noite, derrubaram árvores antigas da Luis Anthony. Depois de mais de anos, elas estavam trazendo transtornos ao trânsito da via, perigo de caírem para os moradores. Valha-me Deus. Mas se as ações de derrubar mais de uma dezena de arvores em uma só madrugada, era tão necessária, por que não fazer às claras? Ainda mais quando se quer aplausos e mostrar serviço. Não é assim quando tapam os buracos? Não escolhem as horas mais tumultuadas para mostrar serviço? Por que não com as árvores? Medo do quê? Cupim age à noite, não de manhã. Isto é lição básica para quem lida com a ecologia. Saber os ciclos da vida, senão parece que só estão querendo enganar a gente.
A gente tem de aprender a ler, nas entrelinhas. Tem muita gente arrotando modernidade e obrando coisa velha. A Hebe Camargo, cabo eleitoral do Maluf desde quando era babá deles, não dá discursos de democrata? O resgate da Ing, está trazendo de volta, muita gente que estava entocada, mascarada de hodierna, mas morta de saudade com a volta do que já passou. Tomara que tomem coragem e digam quem são de verdade, ao invés de enganarem as pessoas que adoram se enganar, para enganar mais à frente. E uma coisa que nunca sai de moda, é a verdade!
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