DÁ PARA SER DEMOCRATA SEM ACEITAR A
PLURALIDADE?
CADERNO 2
Dia desses,
acho que na revista VIP, li um artigo sobre a longevidade do Rogério Ceni no
futebol.
O
articulista, o colunista, como se quiser chamar, não analisava a forma física,
mas o fato de ele conviver com jovens com gostos diferentes e visão de vida
completamente diferente de quando Cerni começou. E perguntava como ele
aguentava conviver com pessoas tão diferentes?
Os
cortes de cabelo, a conversa, os interesses, o estilo musical, tudo completamente
de quando começou. E passou por tanta diferença ao longo da carreira, como
podia conviver com tanta diferença.
Lendo
a matéria e o questionamento, logo pensei: respeitando a diversidade. Simples.
Eu
perguntaria ao colunista:
-
Como viver pensando que só existe um ponto de vista, só se sentir bem, se todos
pensarem e agirem iguais?
No
Brasil onde tanto se tem falado em democracia, onde quem mais quer a “democracia”
apoiou a Ditadura, vai às ruas pedir a volta do golpe de estado e não respeita
a decisão da maioria, é engraçado ver como quem se arvora de democrata na
verdade é egocêntrico e não suporta a diversidade.
Gente
que não respeita a homossexualidade e outras sexualidades além da heterossexualidade,
contra o aborto, contra pretos, contra indígenas, contra ideias contrárias às
suas, em suma, contra tudo e todos que não sejam idênticos a eles. Aliás, faz
parte do egocentrismo. O mundo, segundo essas pessoas, gira em torno de si e de
seus interesses e nada mais. Os outros são os outros e só. Como dizia um
sucesso do Kid Abelha.
Mas
como são covardes, nunca dizem que é uma questão pessoal, quando não têm argumentos,
o que é constante, acabam apelando para o discurso de que é porque Deus quer,
Deus não quer, como se Deus, ainda, quando a diversidade até de pensamento,
conseguiu fazer com a Inquisição não governasse o mundo, a partir da segunda
metade do Século XX, para adiante. Um discurso para angariar outros ditadores
enrustidos, como se Deus fosse a medida do mundo.
Como
a maioria no Ocidente ainda é cristã, parece que nem assim, consegue pensar
segundo o dogma Cristão. Jesus, quando questionado à frente do templo
sagrado,disse que Seu Reino não é deste mundo. Aliás, é tanta gente que não
entende o que diz seguir. Tem cristão que ainda não entendeu o significado de
oniciência. Tem quem acredite que Deus tem de ser onipresente. Isto é
Paganismo, o que o Cristianismo combatia. Deus não precisa estar em todo lugar.
Ele tem a consciência do mundo. Oniciência!
-...-
Como eu
estudei tanto na Exatas/Tecnologia, quanto na Humanas/Estudos Sociais, vi uma
diferença fundamental de como se pode realmente ser, ou não, democrata.
Ainda
deve ser assim, mas antes do início de cada período, fazíamos uma programação,
como conciliar os tempos das matérias e contando com a vida extramuros. Quando
de repente havia um contratempo, uma mudança de rotas era quando se colocava em
prática, ou não, a democracia, não só no discurso. Talvez isso interfira nos
profissionais, depois dali.
Digamos
uma coisa, uma matéria tinha na grade, o seguinte:
2ª
Feira – 14:00 às 18:00
4ª
Feira – 16:00 àas 18:00
6ª
Feira – 14:00 às 16:00
Como
faziam nos dois institutos.
[...]
Certa
vez, o Zé Henrique que estudava na UnB, junto com o Eneias e também foi
sequestrado e torturado, fez um acordo com a turma. Faria uma prova no sábado,
porque houve algum contratempo. No dia da prova, fez outro acordo com a turma.
Alguém deveria avisá-lo no dia da correção que ele por vontade própria, decidiu
dar nota para todo mundo.
Só
que ninguém telefonou. Ele deu zero para todo mundo.
Quando
perguntaram como havia reprovado a turma toda, ele não sabia, depois de muita
conversa, chegaram à conclusão de que ninguém o avisou. Ele pegou as provas,
tudo em branco. 0.
Não
tinha mais jeito, já estava feito.
[...]
Bem,
mas vamos ao que estávamos falando.
Digamos
que de repente o professor tivesse de repor a aula, ou mudar o horário. Era a
diferença.
No
Estudos Sociais, era assim.
- Eu
vou repor as aulas, no sábado. Quem não vier vai ser reprovado por notas.
Na
Exatas, era diferente.
Eu
preciso repor aula. Pergunto se eu no sábado todos concordam.
É a
diferença entre ser democrata e ser democrata só no discurso. Tem muita
diferença. Mas continuemos.
-
Professor, no sábado eu não posso, porque eu tenho outra coisa para fazer.
Programei junto com a grade do semestre.
-
Problema é seu. Você é minoria.
Na
Exatas, era assim.
-
Tudo bem pra mim.
-
Professor, infelizmente eu tenho outra coisa pra fazer. Programei isso, desde o
início do período.
-
Tudo bem, então vamos discutir um dia em que todos possam assistir a aula.
Democracia,
era na Exatas. A maioria por ser maioria, não pode desrespeitar o direito da
minoria, senão, poderia, por ser maioria, aniquilar os outros e virar maioria
sem oposição.
É o
que muito cristão não se atenta. O brasileiro, em sua maioria, é cristã, mas
nem por isso, quando se está numa reunião que não seja religiosa, não se pode
querer que todos rezem o Pai Nosso, a Ave Maria, a Puta Que o Pariu, quando
existem, mesmo minoritariamente, outros religiosos e até ateus. Porque isso é o
que faziam os nazistas na Alemanha de Hitler e que chegou onde chegou. Um clube
de futebol entra em campo, de repente todo mundo faz rodinha e reza o Pai
Nosso? Será que todos são católicos? Cristãos? Se um não for, estão
desrespeitando o direito dos outros, existirem também.
O
direito da minoria tem de existir, mesmo que a maioria seja maioria.
Muita
gente não entende o sentido de democracia, inclusive o Fernando Henrique de quem
o sociólogo que atentou que o sentido da democracia, não era a partir do
direito da maioria, mas o direito da minoria existir e como era tratada, foi
professor do FkHC e segundo o que diz, não tinha muita simpatia pelo aluno. No Brasil
se fica repetindo que democracia, é: “o governo do povo, para o povo, com o
povo” e muitos do que repetem, não sabem que era o conceito de Abraham Lincoln,
na Guerra da Secessão.
A
maioria não podia ditar as regras, porque todos planejaram seu tempo a partir
do que foi estabelecido. A maioria podia não ter nada para fazer no sábado, mas
se um utilizou o tempo livre para fazer qualquer coisa, até se internar no
motel, como eu fazia aos sábados, por uns tempos, a minoria tinha de ser
respeitada.
Lenin,
uma vez, quando foi preso, ou coisa parecida, já dizia que a maioria, nem
sempre é a verdade. E mostrava o exemplo de um professor, minoria em uma sala
de aula, dando uma lição e os alunos, a maioria dizendo que não concordavam com
o ensinamento.
- 2 +
2 = 4
-
Professor, nós não aceitamos. Somos maioria, para nós, 2 + 2 = 5.
Com
quem estava a decisão correta?
Quando
vejo muito “democrata” saído dessa área, eu posso entender o que os levou a se
considerar a voz da sabedoria, a única verdade. O pessoal mais alienado
politicamente é justamente do Direito – hors concours -, Administração,
Contabilidade... E alienados que quando ditam seu ponto de vista, não é dando o
direito ao debate, mas é cerceando o direito alheio, ainda mais quando em “maioria”.
-...-
Pior
é profissional com título de graduação em Economia e Administração e discutindo
política, de maneira pueril, ou safada. Prefiro crer que são pueris, sendo
manipulados por safados.
Pessoas
que deveriam saber que a economia é sazonal, saber discernir sobre o momento,
mas se deixam levar por safados que opinam, sem terem base em nada.
Pueris,
por se dizerem profissionais e não atentarem para o fato de que os dois ramos,
além de se valerem de expectativas, também lidam com política e democracia.
Em
Administração, há a diferença entre chefe e líder. O chefe dá ordens, sem querer
saber se os outros, logo abaixo, têm algum problema para cumprir as metas. O
líder, é quem sabe fazer com que os liderados façam, sabendo que fazem parte da
proposta.
Quem
não é democrata, não da idiotice do “povo, com o povo...”, mas o direito de
existir das minorias procure outro cargo, como presbítero, desses que se
enganam e enganam os outros. São ditadores, mesmo que se digam pastores.
O
egresso do Direito ser assim, ditador, desrespeitador do direito alheio, tudo
bem, pois o Direito faz parte do estado, do establishment.
É Deus, família, propriedade privada, Direito as bases da sociedade de classes.
Se
alguém invadir a casa do outro, pode-se matar, sob o argumento de proteger sua
propriedade. É bem ideológico. Em uma sociedade onde a propriedade privada não
existisse, essa ideia seria vista como estranha. A propriedade privada é
superior à vida. Pode-se matar, para garantir o direito da propriedade.
Em
Ciência Política, o bem mais valioso para qualquer ser vivo, é a vida. Sua vida
e pode transferir o direito à vida, ao próximo. Para o Direito, o maior bem, é
o bem que pode ser superior à vida.
De
repente o mote para o golpe, é que o Brasil teve índices de 4%, tem de ser
assim, para sempre.
Em
DERRUBANDO MITOS, o autor fala sobre o engodo das empresas terem de dar lucros
sempre, a economia ter de ser superavitária eternamente.
E n’
O CAPITALISMO NO SÉCULO XXI, Piketty afirma que índices acima de 1% a 1,5% são
de crescimento no longo e médio prazos. Acima disso, só quando uma economia
passou por um período anterior de profundo déficit, como períodos de guerra, ou
tragédias profundas, ou como aconteceu com o Brasil, na Era Fernando Henrique
de extrema pobreza e muita miséria que diziam, ser impossível dar poder de
compra e qualidade de vida, às classes C & D.
Mas o
pior, é que muito economista “aprende” e sai falando o que a Miriam Leitão diz
e muito administrador faz o mesmo, com o João Dândi Junior. Nem profissionais
da área, são. São curiosos que aprendem na Escola da Vida. Se for assim, fechem
as universidades, as faculdades, porque o cara estuda uma coisa e depois quer
dar uma de bamba no quintal dos outros. Ou façamos a academia, do jeito de Platão,
multidisciplinar, mas com os conhecimentos tão vastos, fica até difícil. Se em
se especializando o pessoal já tem uma preguiça danada, imagina um aprendizado
mais amplo.
Dia
desses peguei uma táxi e o motorista se dizia administrador, corretor de imóveis
e taxista. Um ódio contra a Dilma a quem chamava de “aquela mulher”. Segundo
ele, antes, não disse que desde o Governo Lula para cá, vendia uma apartamento
em áreas nobres, por uns R$ 2milhões. Agora, quer dizer, quando tentam espalhar
o terrorismo psicológico contra o governo eleito, os mesmos até por menos de R$
8oomilhões.
Eu disse,
sem entrar na discussão política que parece dar arrepio nessa gente que é
política, mas acha que discute política, num nível não político que acho normal
a retração de mercado, nesse setor, onde é bem durável. Até quem comprava
apartamentos para lavar dinheiro, o que acontece muito em Manaus, não pode
gastar tanto, ou investir tanto em apartamentos todo dia. Tudo bem que havia
consumo para apartamentos, mas de repente cada construtora oferecia 5, ou mais
edificações, por dia. É como investir na Bolsa de Valores. Nem todo dia é de
compra, nem todo dia é de venda. Senão, só uns ganhariam e ninguém iria querer
ser o outro.
- Se
as construtoras quiserem realmente manter o padrão de ofertas em residenciais,
quiserem manter os lucros, é ofertar para as classes menos abastadas, onde a
demanda é enorme. Reduzir custos e abrir linhas de financiamento por longo
prazo. Não ganhariam no preço, mas na quantidade, poderiam equivaler.
Mas
no Brasil, onde os neoliberais enrustidos querem o estado-mínimo, toda a culpa
gerencial, criativo, que deveriam ser função do setor privado, acabam sendo do
Governo.
O
discurso de sempre. Estado-mínimo até que precisem da ajuda do setor público.
Vide a ANFÁVEA que também defende essa ideia. IPI zero, lucram bastante, quando
têm de viver a suas expensas, aí querem que o Governo faça política para
lucrarem, quando deveria ser função deles, como o fazem nos países de suas
matrizes, têm de queimar a massa cinzenta.
-...-
No
Brasil, não se faz autocrítica, o que era essencial nas agremiações
clandestinas das quais eu participei.
O
cara entra na escola para colar e aprender a dar jeitinho e daí ter diploma,
depois não se culpa pela incapacidade, por sua falta de conhecimento e/ou de
inteligência, e joga, como sempre, suas culpas, por imaturidade, até, para os
outros.
Umas
empresas fuleiras, uns gestores sem conhecimento algum, um empreendedorismo que
para passar chuva, nunca para desenvolver nada, quando tudo vai mal, não é
problema do setor produtivo, é do governo. Mas e o estado-mínimo?
Hoje,
como acordei cedo, para sair cedo, enquanto esperava o taxi, assisti a
entrevista na GloboNews de um economista que pensa como eu.
-
Quem tem de dar satisfação à sociedade, é o setor industrial.
Sobre
os baixos índices do setor produtivo. Duvido se nos EUA, baixar a produção, a
culpa vai ser do Obama. É do dono da fábrica de automóvel, é do executivo da
fabrica de produtos de informática, é do CEO da fábrica de remédios. Mas no
Brasil, o Governo tem de fazer política pública e ainda tem de planejar cada
setor industrial. A culpa é do governo! Mas rapaz...
-...-
Isso
me faz lembrar o 23 COISAS QUE NÃO NOS FALARAM SOBRE O CAPITALISMO.
Diz
que muitas vezes se ouve dizer que a culpa da pobreza nos países pobres, é dos
pobres. Mas, segundo ele, comparando-se a produtividade das classes em países
pobres e ricos, constata-se que os pobres dos países pobres, são os que mais
produzem, já quem menos produz, ricos e pobres de países pobres e ricos, comparativamente,
são os ricos dos países pobres que não geram empregos e quando o geram, é “empreendedorismo”
que segundo ele, é o que se faz em país subdesenvolvido, ao invés de se criarem
empresas sólidas e que possam empregar mais, é só uma maneira de levar o pão
nosso, em tempos de crise e essas empresas não produzem artigos que possam
contribuir com a exportação, com a renda nacional. Diz que exemplo de
empreendedorismo, é o vendedor de limão no sinal. Isso é empreender, mas pouco
contribui com o cálculo nacional. Além do mais, jogam o que ganham em luxos do
estrangeiro, não têm compromisso algum com o desenvolvimento do país. Mas isso,
ninguém divulga, todo mundo prefere perpetuar o que não condiz com a verdade.
Aí se
lê ECONOMIA BRASILEIRA do Bresser Pereira e se tem que burguesia, junto aos
tecnoburocratas, executivos de cargos altos, tanto no setor público, quanto
privado, querem ter consumo equivalente dos ricos dos países ricos e para
manterem seu padrão, sempre alto, pagam mal os trabalhos logo abaixo deles.
Gasta-se muito para pagar salários altos e o que sobra, é divido com um número
enorme, o que se torna insatisfatório para os salários do pessoal menos
qualificado. Os donos do capital, têm preços sempre altos e taxas de lucro
sempre abusivos, para amealhar mais, para gastarem em importações de luxo
produzidos fora, em viagens internacionais, não reinvestem o que ganham, em
empregos, fazem tudo para aparecer,
segundo o autor.
O
cara tira daqui, joga lá fora, deixando os compatriotas na miséria, depois a
culpa é do governo? Mas é muita cara de pau.
Por
coincidência, também, cedo assisti a entrevista do Conti com o Bresser. Engraçado
que nunca o cidadão perguntou a posição política, ou a simpatia de ninguém.
Como o Bresser a primeira coisa que perguntou, foi a simpatia com o PT.
- O
senhor era ligado ao PMDB, foi ministro e agora claramente, está mais próximo
ao PT.
Para
mim, a questão, nem é com o PT, mas quem quer o Brasil desenvolvido e soberano,
versus o Brasil de sempre; a distribuição de rendas, versus concentração de
renda arcaica; o pensamento heterodoxo, versus o pensamento liberal e
neoliberal de não cobrar impostos, para carrear tudo à iniciativa privada, à
elite perdulária.
O PT,
não é o que tenho como meta. O PT é capitalista, vai chegar ao seu limite de
vanguarda, em algum momento, mas por enquanto, dentro do contexto atual, dentre
as propostas em voga, é o que melhor atende aos anseios de um país mais justo,
distribuindo riquezas e atuando dentro do princípio republicano.
Quem
é contra, é reacionário, arcaico e tem medo de ser investigado em suas
falcatruas. Finalmente se aplica política de estado, os órgãos são
independentes de verdade, têm autonomia, são independentes nas suas funções,
coisa que nunca antes, neste país, acontecera, até janeiro de 2003.
Uma
elite fascista, semianalfabeta que detém em mãos a mesma media que atua como partido político- ideológico que tem sido o estopim de crises, do suicídio de Vargas,
passando por momentos de crise no Governo JK, até chegarem ao seu intento, a
Ditadura de 1964-1985, covarde em nunca se revelar, vive escondida nos esgotos,
que usa o boato, como ação política, em não aceitar derrotas que se têm tornado
sucessivas, a quem interessa o segregacionismo econômico, a imoralidade do racismo,
agora apela para o terrorismo psicossocial
Nem
bem a candidata vencedora assume, faz uma campanha de vira-lata, onde nada que
nos pertence, presta, prenunciando um futuro sombrio, lógico que com uma campanha
sem trégua, acaba em inflação inercial, todo mundo eleva os preço, para se
proteger de uma expectativa artificial tão sombria, aí se aplica o UEPS, de dar
preço às mercadorias, ou seja, ao invés de cada mercadoria ter seu preço, de
acordo com o seu tempo, aplica-se o preço da última aquisição até para estoques
parados há tempos, por isso se chama ÚLTIMO QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI, ou
seja, um lucro inconsistente com a verdade dos fatos. Lucros exorbitantes uma
choradeira de miserável. Mesmo com tanto lucro, o mercado se retrai, começam as
demissões e aí a crise se abate de verdade, por uma reiterada insistência em
pregar um futuro sombrio.
Na
dita entrevista, o Doutor Bressser dizia que o que está havendo, é uma inaceitação
das elites, em ter de dividir espaços, antes considerados sagrados, só seus, em
supermercados, em aeroportos, com as classes antes mantidas longe do consumo.
Para
mim, essa classe ainda não saiu da Casa Grande e quanto puder manter na Senzala,
engana-se pensando que é melhor, até para a oferta de seus produtos.
-...-
Aliás,
o Slavoj dia no PRIMEIRO COMO TRAGÉDIA, DEPOIS COMO FARSA, diz que o sistema
vigente só aceitou a democracia, não de pronto, no fim do Século XIX. A
religião só falou em democracia, só aceitou, em fins do Século XX, eu digo,
aceitou nada, finge que aceita. Se bobear, apoia de novo Nazismo, Fascismo,
ditaduras indiscriminadas.
E se
faz crer que as conquistas sociais, são intrínsecas ao Capitalismo, mas ou
menos, como dádiva.
Enquanto
o mundo inteiro comemora o Primeiro de Maio, como o Dia do Trabalhador, os EUA
não comemoram, justamente surgida depois que mulheres e crianças trabalhadoras
reivindicaram alguns direitos, trabalhavam mais de 14 horas por dia, em
ambiente insalubre os patrões os trancaram num galpão de tocaram fogo,
queimando a todos.
Querem
que esqueçamos que o direito dos negros norte-americanos só começou a fazer
efeito, só depois de muita luta, depois de muita morte, inclusive de Martin
Luther King, aquele que o Slavoj diz que todo mundo sabe que discursou: “Eu
tive um sonho”, mas daí não se aprofunda para saber que sonho foi esse. O sonho
de fazer dignos, a ter direitos, respeito, os negros dos EUA que até meados do
século passado, eram tratados com bichos.
Querem
que esqueçamos do Apartheid que foi apoiado, até os anos de 1990, pelas
potências que arrotam democracia e apoiaram os monarquistas na Guerra Civil Espanhola.
E os
terroristas de ontem, eram o Mandela, o Biko, o Bispo Tutu, não mudam o discurso,
só a imagem. Terrorista é quem não pensa igual a eles.
Aceitar
o outro quando não igual a nós, antes de tudo, é sinal de maturidade
democrática.
Ainda
hoje, pós-eleitoral, ver-se automóveis com adesivos FORA DILMA E LEVA O PT
JUNTO, não é sinal de democracia, é sinal de alijamento velado, foi assim que
os Camisas Pretas colocaram Hitler no poder. Começa alijando do debate
político, até chegar à aniquilação física, como faziam nas madrugas e acabou
nos campos de concentração. E os “democratas” derrotados estão se portando exatamente
igual. Só falta gritarem: ANAUÊ, como se cumprimentavam, quando queriam o
Brasil ao lado do Eixo.
Rogério
Ceni, como diz o articulista, que aos 40 anos convive com garotos que ouvem funk e pagode e conversam sobre Naru e
sobre as festas que frequentam, sabidas, a que os jogadores frequentam e o
Ceni, sempre foi família como pode aguentar, eu continuo pensando, aceitando a
diversidade que no meio dito político, tem sido pouco, ou nada aceito.
FORA
DILMA E LEVA O PT JUNTO, na verdade quer dizer, num primeiro momento se elimina
o PT, no segundo o PCdoB, no terceiro, o PQP e vai se afunilando, depois se
voltam para as raças, os pretos, os pardos, os amarelos, depois as classes, por
fim fica só uma reduzida parcela que se arvora a ser maioria e por isso, tem o
direito de tudo. Mesmo tendo perdido, democraticamente, as eleições.
A
democracia republicana, onde não se vê rosto, muito menos condição social.
E
disso, estamos longe, não por causa do proletariado, mas por uma elite que não
aceita sua incompetência, e sem aceitar isso, não procura se aperfeiçoar, acha
que nasceu pronta, só pensa em se locupletar com o máximo da mais-valia, não
fossem as conquistas e lutas sociais, ainda estaria escravizando seus “colaboradores”,
mantendo-nos no eterno atraso.
Por
502 anos, essa elite nos governou e não nos levou a lugar algum, agora que se
tenta fazer alguma coisa diferente, o temor de dar tudo errado. Mas errado, foi
como dirigiram o país até há pouco.
Mesmo
com condições especiais, ainda ensina aos filhos a darem jeitinhos, e, pior,
que inteligência não enche barriga. O que enche barriga, é ser parvo, mas safo
em se tratando de falcatruas.
Essa
classe que até há pouco, dizia não saber o que é luta de classes, de repente
surge com ódio contra toda e qualquer política que favoreça as classes menos
favorecidas, como se quisesse a manutenção de uma grande parcela nacional, na
miséria absoluta. Só sabe discutir o mundo, a partir de sua conveniência mais
mesquinha, às vezes, resultado de sua própria estupidez de quem acha que
dinheiro é tudo, mas não se aprimora intelectualmente.
-...-
Já
dizia o Che, que quem não conhece a História, quem não estuda o passado, tende
a repetir os mesmos erros, indefinidamente.
E o
Brasil tem se repetido bastante.
Todo
mundo quer ser “empreendedor”, abre um negócio, não projetam os custos, os
impostos sobre seu negócio e como crianças, culpam, as regras que já existiam,
por sua incapacidade que se transforma em falta de caráter também.
Para concluir,
concordo com uma frase do Roberto Da Matta, no BRASILEIRISMOS, apesar de
discordar do pensamento do autor, em Como Não Perder No Futebol, publicado em 9
de junho de 2013. Comparando o cotidiano ao futebol, diz: “Confundir a atividade
futebolística com o sucesso permanente, é infantil”.
E a
elite ainda tem esse traço imaturo, de achar que toda disputa que entra, tem de
vencer, vencer e vencer tudo. E como continua a análise do artigo, fosse assim,
só um clube ganhando sempre, ninguém mais entraria para disputar com ele, por
saber que não se pode vencer. Ou todos iriam para o clube vencedor, ou
procurariam outra atividade, onde pudessem competir.
Pelo
menos, no Brasil, ainda temos o Ceni que, pelo menos na concentração, sabe
respeitar a coexistência e pacífica.
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