sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

MAÇONARIA E ESCRAVIDÃO

No último carnaval em Manaus, uma escola de samba que eu até gosto, a primeira pela qual desfilei, no Grupo Especial, falou sobre o fim da escravidão e a maçonaria. Foram inclusive entrevistar um Grão-Mestre, pessoa que conheço desde o colégio, vizinho de casa, passando pela Exatas e por fim, algum tempo atrás, quando tivemos de conseguir o habite-se da IMPLURB, que discorreu sobre a participação da entidade no fim da escravidão.
O engraçado como, por tempos, a Maçonaria, advoga para si, as grandes causas nacionais, como se não tivesse havido clamor popular, luta de descontentamento e desejo de mudança de outros. Ela é o cara! “Sapatão meu filho?”
Nada, pelas histórias que eu já ouvi, de repente a Maçonaria chega, iluminada, cheia de idéias originais e plim plim. Pronto. Independência do Brasil. Fim da Escravidão. República. Até as Diretas Já. Já?
É a velha História do Brasil que se tenta passar de geração em geração que o povo brasileiro, é pacífico, por isso avesso a lutas. Com isso vamos escondendo as grandes rebeliões, a Cabanagem, a Revolução Farroupilha e tantos outros fatos relevantes que ocorreram e dizem que o brasileiro pode até ser pacífico, mas quando se vê sendo lesado, parte para o embate. Às vezes, até para o combate. Pacifismo de maneira alguma, tem de ser sinônimo de bobagem.
A Ditadura Militar, para justificar o pacifismo que queria incutir na cabeça dos brasileiros, mesmo havendo toda uma luta contra ela, dizia que era coisa incitada de fora, pois o pacifismo brasileiro não deixaria brasileiros autênticos, pegarem em armas. Quer dizer, o verdadeiro brasileiro, antes de tudo, é leso. Sente-se lesado, roubado e se não baixar uma alma piedosa de outro lugar do mundo, bondosa, cristã, ele vai deixando acontecer. “Diga-me meu filho. Brasileiro é tudo gay? Vai tomando... e acha sempre tudo bacana?”
Agora, a Maçonaria, quer puxar para si até a assinatura da Lei Áurea. Vai ver que a mão que apareceu, era da Princesa Izabel, por querer apaziguar os ânimos de uma sociedade que já estava prestes a estourar, mas a mão que conduzia a pena, era de um maçom que se escondeu atrás do espaldar da cadeira. Graças aos maçons, o fim da escravidão teve pé. “Foram os maçons os inventores do MOBRAL que depois se passou a chamar de EJA? Se forem meu filho, eles só querem fazer média para as estatísticas e nada mais.Resolver o problema da evasão escolar, nunca resolvem. Depois é fazer em seis meses o que se estudou em muitos anos e para os números mundiais, aparece bem na fita.”
Outros fatos da Abolição parecem irrelevantes. O fato dos quilombos estarem se multiplicando bastante, com isso, as fugas serem freqüentes, os tesouros desaparecerem frequentemente das minas, onde só havia escravos e de repente, ex-escravos apareciam afortunados. A pressão que a Inglaterra e outros países faziam para se acabar a escravidão, justamente, para não verem os produtos da sua Revolução Industrial, competindo com produtos produzidos quase sem custos, para os Senhores de Escravos...
Nada disso é considerado. Se não fossem os maçons, espíritos elevados chegarem e pensarem o país como um todo, como o fez Tiradentes e todos os outros inconfidentes que queriam a independência do Brasil, mantendo a escravidão e a Monarquia, apesar de maçons, ainda estaríamos sob Regime Escravocrata, Monárquico e sobretudo, sob a tutela da Igreja Católica Apostólica Romana que pregava que escravo não era gente. Graças ao Grande Arquiteto, pronto que iluminou a cabeça e principalmente a alma de homens tão elevados, eis um Brasil melhor. De repente eles acordarem no meio da noite de um sonho lascado e decidiram: “Amanhã, Independência, ou Morte. Amanhã, Abolição. Amanhã, República.” Por que lutar se existe a Maçonaria para fazer tudo, para pensar tudo, para trazer-nos a felicidade, uma das principais atribuições da própria?
Que maravilha.
Quer dizer, milhões de brasileiros, ficam esperando algumas centenas de maçons serem iluminados, para nos ditarem o que é bom e o que melhor. Que coisa linda.
É uma questão de bom-senso, como dizem. Mas o que é bom para mim, pode não ser para outrem, ou no trem. Eu também não entendo essa coisa de bom-senso. Eu gosto de sexo e tem gente que tem ojeriza. Eles podem proibir sexo para todos, ou eu, posso querer que todos sifu? Onde fica o tal de bom-senso?
A História do Brasil que ainda nos querem contar hoje é mais, ou menos, como a História da Índia. Os indianos travando a maior luta interna contra o Exército de Sua Majestade, morrendo feito lixo, sob os canhões anglicanos e justamente quando a luta estava sendo vencida, pelos famélicos morriam sob as baionetas cristãs da rainha, de repente, quando conseguem se libertar, todos os louros, para o Gandhi que tomava chá com Sua Majestade, fazia tipo de “bonzinho” e voltou para a Índia depois de estudar e apreender todos os costumes dos colonizadores na Inglaterra por longos anos. É o iluminado indiano. O povo por muito tempo na glande e os louros ao Gandhi que era de uma casta superior e defendia os interesses da Inglaterra. É lindo. É de fazer chorar. Principalmente, quem gosta de pieguices. E as histórias tentam seguir o rastro da pieguice. Dependem sempre de um “ser de luz, para salvar a pátria.”
Mas a história que sempre se tenta contar sobre o Brasil, é a sob o foco do Iluminismo, como a frase da Bandeira Nacional: “Ordem e Progresso.” Mesmo que hoje se saiba que só se evolui, na desordem. É a entropia. Desde o início do mundo. A dita “ordem”, só mantém o que está posto. E sem que se desorganize alguma coisa, não se evolui. Não se progride. Mas fazer o quê? Somos produto dos iluministas que acham que se eles não existissem, talvez nem existisse esta região. Pena que só descobriram o Brasil. Falta descobrirem a pólvora. Isto que hoje é chamado de Brasil, já existia antes dos ditos colonizadores. Antes desses ditos, já era habitada. E antes de tudo, já era dividida em nações com leis, ciência, tecnologia e princípios próprios.
Mas como tudo que é religioso, os maçons acreditam que só eles e ninguém mais, tem a missão de salvar os outros. É coisa bem religiosa. Uma tal missão.
Ninguém vive por que aquele ser que é considerado pai, sentiu atração por outro ser que é considerada mãe e copularam e houve o favorecimento do óvulo e espermatozóide que estavam em estado e período fértil e geraram uma vida.
Não, os religiosos são frutos de um ser superior que ordenou as coisas, para eles cumprirem uma missão na Terra. Mesmo se papai não tivesse comido mamãe, eles iriam nascer. É a velha Geração-Espontânea. Até acredito que é possível, com tanto rio poluído por aí. O que não deve nascer no Tietê? E o que não vai nascer do PROSAMIN? De vez em quando tiram uma criança de algum riacho. E nós acreditando que as mães é que os jogam. “Meu filho, isso é a própria Geração-Espontânea. Na hora de dar e de comer, são espontâneos. Na hora de criar, geram os crimes mais bárbaros. E o pior, é que até agora, só é penalizada a mãe. Parece que é tudo sem pai. Esse bando de filho...”
E a grande missão deles, é de serem autoritários.
Eles não conseguem ser, sozinhos. “Eu acredito em Deus sozinho e me basta.” Que nada. Parecem aquelas pessoas que querem morrer afogadas, mas têm de levar uma outra, consigo. “Eu só creio em Deus se os outros crerem também.” Como dizia eu Clóvis: “Ninguém quer puta, nem fresco sozinho.”
A gente vai para a concentração das escolas de samba no carnaval, mesmo agora que tem uma rua lateral para os barracões e a concentração e lá vem um monte de idiotas, atrapalharem a passagem, distribuindo um monte de papel.
É até falta de lógica. As fantasias não têm bolso. Ninguém vai guardar aquela coisa, por que ali, a pessoa está procurando é folia. O que eles causam, é a destruição das florestas, com tanto papel jogado fora e depois, a poluição ambiental, com tanto papel entupindo os esgotos, os bueiros e indo amontoar os leitos dos rios. Mas justamente eles acreditam que em seis dias, num passe de mágica tudo foi feito de repente, fazer o quê? “Meu filho, pode destruir por que quem fez, faz tudo de novo. Ecologia? Que bobagem. Estás brincando? Não é necessário pensar nisso. Eu sou o Cara! Eu só não me lembro, onde guardei a varinha mágica. Mas um dia eu levanto daqui e descubro.”
Nós fazemos parte de um país de mágicos, segundo a visão religiosa. Bem, nós não. “Me tira dessa cara-pálida. Minha tribo é outra. Eu não escondo as coisas. Eu não tenho a mania de colocar a pomba na mão e depois sumir com ela. Dizem que dói. Eu hein!”
Eles não podem viver sozinhos, segundos seus princípios. Nada, eles têm de fazer todo mundo entrar na deles. “Ih que o negócio está ficando meio assim... Muito imoral, para o meu espírito cristão.”
Como eu ouvi um dia desses, uns pastores conversando: “Nós só vamos descansar, quando fizermos todos na Terra acreditarem em Cristo. Só assim Ele vai voltar. Quando conseguirmos fazer o povo de Israel todo crente, aí sim, Ele volta.” Não entendi muita coisa desse papo brabo. Mas o povo de Israel não é aquele que manda chumbo nos outros, em nome de Deus? Não é esse povo que inventou um Deus a imagem e semelhança do homem que depois derivaram em um monte? Por que, justamente eles que acreditam no Deus e não no Messias, terão de se converter na crença do Enviado? “Sinistro!”
Essas missões são coisas de louco, para mim, ser ignorante, justamente, por ter dúvidas e não ter comigo a Verdade Absoluta. Eu sou ignorante, mas quem acredita em qualquer coisa, em qualquer um, são os outros. “Aprende meu filho, como é a vida!”
Agora, acabou o carnaval e já estamos na Quaresma. “É o tempo em que a AGESMA, dá lugar dá lugar a Quaresma meu filho! Dentro em breve, todo mundo vai chorar pelo Cristo que morreu há muito tempo, sem lembrar dos cristãos no Iraque, no Afeganistão, em Guantânamo, gastando os Cartões Corporativos, roubando milhões de muita gente que passa fome e tantas outras coisas que matam muito mais gente hoje, de forma até mais cruel, bem embaixo das nossas fuças. Mas a gente esquece, quando estiver lambendo os ovos do coelhinho.”
Eu não estou entendo nada. Antigamente, inveja era pecado. Agora até incentivam. Dizem que uma “inveja positiva”, pode até ser boa para se evoluir. Diziam também que mentira era pecado. Tem um teólogo ligado ao PSDB que veio afirmar que o carnaval não é mais uma festa pagã. Agora é coisa que nasceu com Cristo. E o pior, a Páscoa, também. E os judeus, como ficam? Eles nunca acreditaram nesse Messias, mas já celebravam a Páscoa muito antes. Eu não entendo de verdade. Será que pecando assim, esse pessoal vai ser puxado para dentro dos portões do Céu, com asinhas e cítaras do Paraíso?
Os cristãos na ânsia de mostrarem sua Verdade, até mentem e pior para eles, pecam.
Como todo ser religioso vem cumprir uma missão, eles têm como missão a pedofilia generalizada. Já não bastavam os padres, agora está se descobrindo também que as freiras, também são filhas de Deus. Graças a Deus que na minha puberdade, deixei de freqüentar a igreja. Imagina aquilo cheio de teias de aranhas, abafado, mal lavado de repente a madre-superiora, suspende aquele mal hábito e mal lavado e me manda, uma criança ainda, fazer o serviço completo. Quem sabe, traumatizasse e aí sim, decidisse ser mágico? Imagina eu, com este corpinho escrotural, esta cara horrorosa, querendo brincar de réptil em perigo, soltando o rabo? Imagina! Ia ficar a vida inteira só no desejo, só por que a freira quis matar seu desejo comigo. “Obrigado Senhor, por que eu estou fora dessas religiões.”
E para enfiar a missão deles na cabeça da gente, lá vem a Campanha de Fraternidade 2008. É o que eu digo. Os religiosos têm um pé na ditadura e nem se apercebem disso. O que eles gostam, todos têm de gostar. O que eles não gostam, todos têm de não gostar também. São os donos da Verdade. Eu, como não acredito nessa Verdade...
Eles são contra a pesquisa sobre as células-tronco. Ninguém é obrigado a ser a favor. Mas também, quem não gosta, evita. Não. Eles querem impedir que se estude. Eles são contra a eutanásia. Do mesmo jeito, quem for filho de Deus, nem pense nisso. Agora não se pode deixar de permitir que outros pensem sobre. A campanha instiga pelo fim do aborto, ou melhor, pela não legalização. Quer dizer, eles lutam para que clínicas clandestinas, sem fiscalização, imperem neste mercado. Seria o caso de quem for da mesma laia, nem pensar no caso e quem quiser pecar, ter livre arbítrio. Nada, eles são contra, então se proíba. Mas quando se vai ver nas clínicas, muitas corolas, muitas filhas de famílias cristãs e algumas vezes, até freiras. Oh Senhor, como podem? “É fácil meu filho. É só suspender o hábito e habituar a fazer a coisa sem suspender no período.”
São como a Dona Maria da Ditadura, a Rainha da Censura. Ela achava que algumas “perversões” não deviam ser vistas pelos “bons moços”. Ao invés de incentivar que eles mudassem o canal, não lessem certos livros e que não fossem aos cinemas, não. Pura e simplesmente, censurava para todo mundo. E quando se via, os censuradores assistiam a todos os filmes que eles mesmos haviam censurado, em sessões caseiras. É bem religioso.
Mas o que mais me dana – ih mano, danação, é coisa do Demo. Do outro, não daqueles da política brasileira – é que depois que as coisas andam, evoluem, aqueles mesmos que fizeram força para as coisas não seguirem adiante, são os que mais se utilizam dessas coisas. A penicilina, era vista como uma forma de substituir Deus. E hoje, até quando os padres pegam uma gonorréia braba, são os primeiros a utilizarem. Ah, eles não fazem sexo? Por isso são contra que se use camisinha? Então como tiram as deles? “Com um pum, meu filho. Se pegar é considerado pecado. Então, Coca-Cola, chucrutes e ovo cozido. Pronto, eles tiram sem pecar.”
Brincadeira essa mania da generalizar. Nem todo padre é gay, nem todo padre é pedófilo, nem toda madre-superiora é reprimida sexualmente. Alguns até namoram, mesmo sob votos de celibato e passar fome geral. “Eu não daria para padre. Imagina castidade? Como?”
A missão dos religiosos, é achar que eles foram feitos para salvarem o mundo, até quem foi feito em estupro ou na maior suruba e nem o sobrenome da mãe, têm. Qualquer filho... sem pai nem mãe, chega como se fosse o salvador.
Mas as histórias que ainda nos contam ainda contemplam o espírito iluminado. O povo é mero espectador. As revoluções e mudanças acontecem e os louros às almas elevadas que salvam o mundo, sempre. Nada é real. Tudo tem de ser divino.
E pensar que o Darwin que era abade e foi penalizado para vir à América do Sul, como castigo, morreu desacreditando na sua fé. E nem por isso, conta-se na história da sua vida, isso, como se fosse algum mérito. “Viu? Ele era abade, virou cientista e desacreditou em tudo.” Problema dele. Pelo menos ele não quis impingir a todo mundo, suas crenças e manias. Ele fez o trabalho dele. Quem quiser acreditar, acredita, quem não quiser, acredite no que bem entender. A diferença de quem crê, para os reles mortais. Se eles não tivessem nascido, nada feito. Quando morrerem, o mundo acaba.
Pergunta a um crente e um descrente a mesma coisa, para ver uma coisa. “Tu fod... por quê?” “Por que eu gosto, me dá prazer e faz parte das necessidades básicas e da higiene pessoal.” “Eu estou a serviço do Senhor, para gerar um ser que vai ter a missão de organizar o mundo, para que Ele venha nos buscar a todos, sem pecados, pelo trabalho feito na população que não pode ter o livre-arbítrio.” Os religiosos estão certos quando querem que todo mundo seja exatamente igual a eles. Afinal, o homem não é a imagem e a semelhança de Deus? E quem são eles? Somos escravos do que eles pensam, gostam e querem para o mundo todo. Cadê a Maçonaria iluminada para abolir esta escravidão que temos de nos ver, diante dos desejos de quem prega o livre-arbítrio?

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