terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

OS NOVOS BARRANCOS PARA OS CORONÉIS

Desde quando os colonizadores portugueses aportaram no Brasil que a política por estas bandas, é feita na base de privilégios e vantagens para determinados grupos. “Mateus, primeiro os meus.”
Nem bem a nova terra havia sido descoberta e já havia pedido dos religiosos e dos descobridores, para se dar vantagens a alguém da família, ou do grupo a que pertenciam.
A Coroa Portuguesa se transferiu para a Colônia e as melhores terras, os melhores pedaços, as melhores culturas, eram distribuídas entre os seus. E em troca, uma vantagem, ou outra para quem permitisse tudo que eles queriam. Os ex-moradores do centro viravam Barões e eram deslocados com toda a graciosidade, para o interior, deixando suas terras, suas residências, para algum apadrinhado do Rei.
Junto com a chegada da Família Real Portuguesa, nasceram os Coronéis de Barranco que dominaram o comércio escravocrata, depois os engenhos e por fim, a política nacional, através do poder econômico que comprava a força dos capatazes, para desalojar os insatisfeitos.
Para não haver um desgaste natural, da política desses Coronéis, de vez em quando, entregavam o poder a algum Ditador General de verdade. E a política por décadas foi entremeada entre os Coronéis de Barranco e os Generais de Carreira. Mas mesmo nos governos dos generais, os Coronéis tinham livre acesso às decisões. O que quase sempre, ia de encontro aos anseios populares.
De repente, apareceu um Coronel querendo fazer as reformas necessárias que sempre foram deixadas de lado, por serem antipáticas. E o Brasil, é o país da simpatia. Salve simpatia! De repente, os Coronéis foram financiados pelo capital internacional, com as bênçãos de Deus, para manterem o país, como sempre esteve. Os generais tomaram o posto do Coronel. Foi o único Coronel que assustou a metrópole. Se ele consegue fazer as reformas necessárias, o país tenderia a ser outro. Pelo menos, saberíamos discernir. Ou, deglutir melhor, o que nos empurram goela abaixo.
Depois de décadas de generais, finalmente o povo tomou as rédeas para as suas mãos. De repente, velhos Coronéis colocaram-se à frente das negociações. Ficou acordado que se a disputa fosse para as urnas gerais, disputaria um Coronel com visão mais ampla de todos. Se a disputa continuasse indireta, seria apresentado pela oposição, o nome de um Coronel chegado a uma conversa de pé de ouvido, a negociatas por baixo dos panos, essas coisa conhecidas. Então, a própria oposição ligada ao segundo Coronel em questão, tratou de derrubar o voto das eleições diretas. Governadores que se diziam da oposição, faziam de tudo, para atrapalhar inclusive os palanques das Diretas Já, com interesses na formação de um governo oposicionista, eleito indiretamente. E mais uma vez, o povo foi derrotado. Desta vez, por duas vezes seguidas. Perdeu as Diretas Já, por negociações de bastidores e quando conseguiu ter um nome eleito no Colégio Eleitoral, viu assumir um velho e conhecido Coronel que nunca largou as tetas do estado. O Sandman, um homem acostumado com as dunas que vão e vê, ao sabor dos ventos.
Como já devo ter dito anteriormente, o que mantinha os Coronéis sempre, era o poder econômico que comprava a força pra preservar as suas vontades políticas.
Apesar de se achar que eram novos tempos, os Coronéis mantinham seus currais eleitorais, como sempre no país.
E os Coronéis, sempre atrelado à vontade exterior. Reproduziram sempre aqui, o que viam lá fora, sem nenhuma mudança, para a nossa realidade.
Chegou o tempo do neo. Tudo o que era arcaico, caído, sem nexo, voltou com novos ares. A Verdade Absoluta que parecia estar enterrada, voltou dando rumo a tudo. Era o neo-Verbo. O Liberalismo que levou à depressão os EUA, à duas Guerras Mundiais e o medo do Comunismo ter a solução para os prblemas que só aumentam sob esse regime econômico, virou neo-Liberalismo, testado e aprovado na Ditadura Pinochet. Velhas questões filosóficas que pareciam definidas, como a questão do homem fazer a roupa e não o contrário, voltaram com força total. Entrevista de emprego, já tinha um figurino definido. Paletó preto, cinza, ou azul marinho. Cabelo com gel. E apresentação sob medida, com todas as respostas decoradas. O curriculum, nem era necessário. A apresentação dizia muito mais. Era mais importante mostrar do que ser realmente. Não era nenhum conto de fadas na verdade, mas era um mundo do faz-de-conta. O mundo onde se podia virar celebridade, sem nada palpável, mas através de muito escândalo na mídia. Foi quando uma fogueteira quase desclassifica o Brasil da Copa do Mundo, mas pelo menos, vendeu o corpo, para uma revista masculina e apareceu da pior forma possível. Ridícula em todos os sentidos.
Encima da visão do mundo neo, apareceu o que se pode dizer, o protótipo do neo-Coronel de Barranco. Um Senhor de Engenho, viciado que tinha na imagem, com o apoio de veículos de comunicação que se diziam abertos às novas propostas de concorrência e até hoje, fazem questão de anunciar os shows e as atrações, como “exclusivo”. Mostrava muito mais do que podia fazer na realidade. Cheio de marra, cheio de camisa de algodão, com alguma gracinha, cheio de pose e acompanhado por moleques por todos os lados, como base de apoio, começou a desagradar, quando se percebeu que a propaganda não estava de acordo com a realidade. O principal mote de campanha foi justamente acabar com os marajás o que acabou sendo ele mesmo, engolido por ações de seu pessoal que roubou muito mais do que os marajás que ele dizia combater. Só a esposa da época, faliu a LBA, com a ajuda de uma amiga.
Com a saída do protótipo na base do linchamento popular e o fim do mandato tampão de um Coronel ainda mais amador que fazia da vida pública, uma verdadeira privada, parecia que o país iria tomar um outro rumo. Os Coronéis que faziam política de maneira amadora, seriam substituídos por gente de dois partidos que estudavam a fundo a Ciência Política, atuavam tanto nos meios operários, quanto nos meios acadêmicos, portanto, mostravam ter conhecimento de todos os problemas brasileiros e principalmente, quais as soluções.
O primeiro a se mostrar, continuou com a política econômica vigente, gerida pelo protótipo do neo-Coronel e seguida depois, no governo de seu sucessor a quem o neo-Coronel, foi ministro.
As reformas que se fazem necessárias há muito, foram sendo adiadas. A Constituição que precisa de medidas mínimas para começar a gerar frutos, foi sendo relegada. Quando o novo governo observava um foco de insatisfação, ele logo comprava para o seu lado. Estava inaugurada de verdade a era do neo-Coronelismo. O poder econômico, comprando a força para o seu lado, com a barganha em diversas áreas, como dos meios-de-comunicação de só discutirem o que interessava ao governo, senão teriam retirados todas as propagandas institucionais do estado, o que gera um grande montante de dinheiro. O neo-Coronel, age ardilosamente, deixando como que sua imoralidade política, é apenas parte da dita “governabilidade”. O neo-Coronel quer fazer reformas sérias, mas se não se entrar no jogo dos velhos partidos, tende a ser enxotado, como o foi, o protótipo.
Então atraiu para a sua base todos que conseguiu. Uma representação sindical que surgiu com investimentos pesados do último Coronelzinho, protótipo para o neo. Acabou com o sindicalismo. Voltou-se ao sindicalismo pelego que se pensava, morto com Joaquinzão. O pagamento não era feito diretamente. Era repassado em forma de ajudas. Enquanto as empresas queriam mais e mais vantagens, os trabalhadores não podiam se manifestar. Enquanto as empresas tinham mais e mais lucros, os postos de trabalhos eram reduzidos, ou como economista boçal adora falar, eram “enxugados”, com o aumento de trabalho para os que ficassem, sem a contrapartida das vantagens trabalhistas e/ou sociais e financeiras. Aliás, um parêntese. Algum economista cita um determinado termo, mas quem mais faz propaganda, para se mostrar expert no assunto, são advogados e comunicólogos. E algumas vezes, assistentes sociais. Quem massifica termos que são vistos como novos, são esses profissionais. “Acabou a luta de classes.” Puxa o que eu ouvi isso, não é mole. Fiquei meio desesperado. Imagina a gente estar em um estado anarquista com nossa ignorância latente e nosso egocentrismo pessoal. Eu tinha certeza que não daria certo. Mas os advogados e os comunicólogos, falavam, com absoluta certeza. “Acabou a luta entre Direita e Esquerda.” Então um governo que direciona a economia para os anseios das empresas, pode ser considerado de esquerda? Um governo que tem no povo, a sua linha mestre, pode ser considerado de Direita? Eu já vi este filme antes. Durante a Ditadura Militar, quando banqueiros eram chamados para dirigirem os ministérios da área econômica, algumas vezes não diziam que a dita, era Socialista? E o brasileiro, um povo crédulo, acredita até em Papai Noel. Para sobreviver, tem de se agarrar no saco do Bom Velhinho, chupar os ovos do Coelhinho da Páscoa e joelhar na Semana Santa. E como diz o dito: “Ajoelhou, tem de rezar.” Puxa, o que eu ouvi e li que a Ditadura era Socialista. E agora, para estar mostrando um upgrade a mais, sobre a sociedade, esses profissionais, abusam do termo: “Risco de vida.” É a questão da Filosofia que foi jogada no lixo. Como a moda é acreditar em almas do outro mundo, em passagem de ida e de volta, para o Céu, todos iremos um dia, ressuscitar. Então, todos corremos risco de morte o que estão corretos no pensar. Ressuscitaremos um dia. Se morrêssemos, correríamos risco de vida. Mas somos imortais, como um Highlander. Um dia, nessa nossa eterna vida, quando se sentirem entediados, mudarão o sentido do pois sim e do pois não. Profissionais agindo como amadores. Que t6em no “achismo”, sua fonte maior de informação.
Agora chega, vamos fechar o parêntese.
O que parecia uma conquista das lutas populares, logo se tornou um cala boca. O estado chamou para junto de si, além da maioria dos partidos, dos meios-de-comunicação, as entidades constituídas, como a UNE e as ONG’s.
Logo se notou a diferença de pertencer à base aliada e ser dependente do governo. Mesmo quem é da base, em algum momento se posiciona contra uma coisa, ou outra, como o Vice-Presidente da República de Lula. E como não depende do governo, para sobreviver, tem coragem de discordar em público. Quem vive na dependência do governo, mantém-se calado, surdo e mudo, para problemas bem à sua frente que sempre se posicionaram contrários, com medo de perder as subvenções dadas, justamente por atrelar aquele movimento, aos interesses de não oposição do neo-Coronel que se utiliza do poder econômico, para comprar a todos. E com mais abrangência e mais dinheiro do que o faziam os antigos Coronéis de Barranco. E de maneira mais velada.
A nova forma de fazer política no Brasil, não deixa ninguém se manifestar de maneira independente. Só no caso de alguém perder alguma boquinha, aí sim, vai se ouvir uma gritaria de tudo que se sabia, mas ninguém falava. E acreditar em quem, por anos se manteve no mais puro silêncio, na mais pura cegueira política e depois que teve seus interesses contrariados, colocar a boca no trombone, a meu ver, não é lá uma crença saudável. Aliás, as crenças no Brasil, não são saudáveis mesmo. Quando não querem manter a maioria na mais sublime ignorância, querem ver o boom dos índices de natalidade e de doenças sexualmente transmissíveis, pelo não uso de material seguro.
Abro um outro parêntese, para falar do atraso na Administração Pública, por que os organogramas públicos estão defasados. Aqueles que trazem o Presidente encima, depois o Vice-Presidente. Saindo ao lado, o Chefe da Casa Civil. E abaixo os ministérios e seus órgãos ligados diretamente, não convencem. Faltam as ONG’s que se tornaram um órgão de governo, algumas vezes, em linhas cortadas, saindo diretamente da linha presidencial. Faltam as igrejas “modernas” que através de ONG’s, recebem sempre uma ajuda de custo, para manter os cordeiros a disposição. Faltam os movimentos sociais que se calam, por fazerem parte do organograma moderno. Falta na verdade, refazer os organogramas dos poderes nacionais, em todos os níveis. Da federação, aos municípios, passando pelos representantes de todos os poderes.
Vamos fechando mais este parêntese, que não quero ser confundido com nenhum homossexual incubado que não assume, mas sempre deixa aberto.
A política pós-moderna tratava muito das questões imediatas, de maneira empírica e relegava a quinto plano, questões estruturais que podiam dirimir e muito, muitos problemas nacionais. Com isso, o tempo de governo ficou exíguo. Foi preciso comprar mais gente, a um preço maior, com barganhas muito mais sérias, para se aprovar a idéia da reeleição nos cargos dos executivos públicos. E quando se pensava que finalmente o país seria laico, com o enfraquecimento da Igreja católica Apostólica Romana que sempre esteve nos porões do poder, eis que uma nova força religiosa se vende vergonhosamente, para os interesses dos governos. Os evangélicos. E a partir de então, não basta fazer um orçamento contemplando os ministérios, onde se substitui técnicos, por apadrinhados políticos, as entidades sociais e os órgãos de comunicação. O orçamento tem de contemplar também, os evangélicos, para, em nome de Deus, perpetuarem, todas as falcatruas que por ventura venham a público. Muitas vezes já não se sabe se quem governa as igrejas, é a política, ou se os fiéis eleitos, é que nos governam. E nem com a presença constante de Deus, os problemas básicos não diminuem. Tendem a crescer em escala geométrica, como o analfabetismo, a má distribuição das riquezas produzidas e principalmente a violência.
Quando se pensava que com partidos ligados às instituições superiores de ensino, pesquisa e extensão, novos rumos o país iria ter, o que vemos, vergonhosamente, é a mudança apenas da capa, do fazer política. A barganha, as negociatas, o uso intensivo do poder econômico para calar os adversários, não mais feitos às claras como faziam os Coronéis de Barranco, mas debaixo dos panos, favorecendo inclusive, a todos aqueles velhos Coronéis que já estão desgastados pelo tempo e só se renovaram, na tintura para os cabelos.
Quando finalmente partidos que se diziam mais à esquerda chegaram ao poder, as questões que tanto, eles mesmos tinham como nocivas ao país, continuaram a existir, sem mudanças estruturais de verdade. As cestas-básicas, as tábuas para as casas que os Coronéis de antigamente davam, a cerveja que eram distribuídas, para não deixar os currais eleitorais se desgarrarem na época eleitoral, foram substituídos, por programas de governos que não resolvem o problema, mas atraem os eleitores, para as suas bases, o ano inteito. A violência no campo que quase sempre tinha a mão de algum Coronel, continua da mesma maneira, sem uma solução definitiva, dos neo-Coronéis. O curral eleitoral que muitas vezes era mantido através das armas de fogo e da propaganda boca-à-boca, foi substituída pelo evangelho e por estatísticas manipuladas, de forma a mostrar ações de governo. Agora cesta-básica, é Bolsa. A cerveja, são programas de filantropia, como o Fome Zero. As tábuas... E as tábuas? Bem, programa de moradia, só para as classes que podem gastar milhões, para lavar dinheiro, na construção civil. De vez em quando, aparece uma Jamaica aqui, um Nova Veneza ali, um PROSAMIN acolá que não são a solução, mas são ótimos para a propaganda. E nunca 4 anos, foi tempo suficiente para se fazer alguma mudança significativa. E 8 anos, tem se mostrado ainda mais ineficiente. O que não se faz em 4 anos, é repetido elevado ao quádruplo, no Segundo Mandato. E as reformas, nunca saem, por que ninguém quer ser antipatizado. Os neo-Coronéis deixam o que pode trazer antipatia, mas são necessários, para os outros. Salve simpatia! A Constituição que tem 20 anos de promulgada, com muitos capítulos precisando de adendos, como a Lei de Greve e dos Serviços Essenciais Para a Sociedade, ficam para o próximo. As Reformas Administrativas, continuam para o próximo. A Reforma da Previdência, fica para o próximo. A Reforma Política que pelo menos pode acabar com o aparecimento de tantos bandidos que querem se proteger sob a égide da Imunidade Parlamentar, e com as barganhas vergonhosas que fazem a sociedade se afastar da Política, por nojo, sem pensar o quanto é importante para si, fica para o próximo. A Reforma do Judiciário, fica para o próximo, e é torcer, para não ter de enfrentar a Justiça Brasileira. Nunca se sabe, o quanto a outra parte pode pagar, para ter uma sentença a favor, e quando juízes e desembargadores, podem trabalhar dentro do prazo. E principalmente, a mudança de mentalidade no Brasil, onde cada um quer ser favorecido, em detrimento do todo, fica para o próximo.
Mas isso não tem nada de novo. Querer resolver o seu problema e esperar que o problema nacional, seja resolvido pelo próximo, sem atingir suas regalias. Salve simpatia. É um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Mas que beleza! Os direitos são individualizados e os deveres, são coisa da sociedade. Ou melhor. Os lucros são privados e as despesas, repartidas com todos. É o velho Socialismo do PDS, lembram?
Infelizmente, o que se aproxima, são grandes impérios religiosos que tomam conta da política, da sociedade e da economia, onde os grandes líderes, são ex-traficantes de drogas, ex-prostitutas, ex-assassinos, ex-escroques que da boca deles, saem testemunhos de mudança total, da personalidade, à maneira de ver o mundo.
Um total descrédito na Política que leva as pessoas a procurarem a solução de suas desventuras, em templos que seguem, ao sabor dos novos conceitos, sem levarem em conta os preceitos do próprio evangelho. Se a sociedade é favorável ao homossexualismo, nem citam os capítulos sobre Sodoma e Gomorra. O negócio, é expandir o mercado. Salve simpatia! Por que não aceitar esses filhos de Deus? Afinal, todos somos filhos de Deus, está no Evangelho. Se a castidade caiu de moda, com os avanços sociais por que ligar para isso? Esqueçamos as partes que falam sobre a castidade e anunciemos o que Ele mandou: “Crescei e multiplicai-vos.” O Reino de Deus, não está aqui, por que lembrar disso? Lembremos que há passagens no Evangelho que falam sobre os dízimos. E vamos tirando o que pudermos de um povo inculto, já humilhado de todas as maneiras e explorados mais uma vez, com as graças do Divino Espírito Santo. Aleluia. Oh Gloria! Oremos ao Senhor. Bênção e paz. Misericórdia!
As soluções políticas são vistas como irreais. A solução, é pedir o equacionamento do seu problema individualmente, ao pastor. Existe uma crise de emprego? Não interessa pressionar para se abrirem novas frentes de trabalho para a maioria. O jeito, é pedir ao Bispo, a solução do seu problema individual. A violência impera nas periferias? Para quê pedir solução através de medidas políticas? O correto, o real, é orar, para que Deus proteja aquele cidadão específico e quem sabe, alguns membros da sua família. O efeito-estufa pode acelerar o desaparecimento do planeta? E por que na pedir ao celebrante dos cultos para que ele o proteja individualmente, sem a necessidade de preservar o todo? Enfim, a política do tempo do Descobrimento, onde cada um queria vantagens individuais, não mudou tanto assim. Apenas mudou de roupa. Aquelas ceroulas sujas, foram trocadas por cuecas, muitas vezes sujas, também, por que o saneamento, comparativamente, é idêntico ao daqueles tempos idos. A grande maioria não tem nem água, nem esgoto de verdade. Joga-se tudo, no meio da rua, como ensinou a realeza.
E os veículos de comunicação, fazem questão de falar sempre de uma forma hegemônica, como a única saída. “Acabou o Comunismo com o Muro de Berlim. Quem não pensar de forma Capitalista, está fora de órbita.” E as FARC, a China e Cuba não existem. “O PSDB e o PT, são a Esquerda no poder no Brasil.” Já dizia o velho Wladmir que a Social Demagogia, para não perder as regalias do poder, tende a se dirigir para a Direita, quando o sapato aperta. “Mas até Partido Comunista, está no meio dessa sujeira.” As coisas mudam. Quantos se diziam comunistas durante a Ditadura e não mudaram de lado, na hora do aperto, na hora do sufoco? Só no Brasil, é que as coisas permanecem por muitos e muitos anos, da mesma forma. Líder de partido revolucionário, velho, gordo, sem mobilidade para nada, a não ser as negociatas. Imagina se pensam em fazer revolução.
E a única saída segundo nos fazem ver, é a hegemonia dos EUA que quer a todos na linha, conforme relatórios para um mundo feliz. Invadiram o Afeganistão, um país sem petróleo, mas porta de entrada para o Oriente Médio, depois que o Governo Talibã se opôs às suas ordens.
Inventaram uma tal de Al Qaeda que só faz o que o Estado Maior dos EUA quer, e se derrubou umas torres de negócios e se destruiu o Iraque, matando quem não quis permanecer ao seu lado hegemônico, quase ditatorial. Com isso, os EUA dominam o mercado de petróleo. Arábia Saudita, Kuait e Iraque. Além das próprias reservas, no Alasca. E já está preparando a opinião pública, para invadir o Irã e a Venezuela que têm governantes que se opõe às ordens do Pentágono, ainda sob a justificativa do antiterrorismo, justamente em outras duas potências petrolíferas.
Injetou gente da Albânia em Kosovo, para tumultuar os Bálcãs, mandou a OTAN, “proteger” os imigrantes na guerra, passou as despesas para a ONU e foi a primeira nação a concordar com a independência da República do Kosovo, sob o domínio dos albaneses. Uma tacada de mestre. Os Bálcãs, porta de entrada e saída de toda a Europa, parte da África, até da Ásia. Com Kosovo nas mãos dos EUA, mesmo que o Governo Russo queira se opor à hegemonia, a porta está escancarada. Muito mais fácil do Império dominar aquela região toda.
Apesar de Cuba resistir a todo embargo capitaneado pelos
EUA, por mais de 40 anos, as pressões continuam fortes, para a ilha, voltar a ser uma espécie de Las Vegas de bordeis, servindo o pacífico povo norte americano, deixando a miséria e as doenças, nas contas dos cubanos.
Socialismo mesmo, é feito pela hegemonia estadunidense. Eles se locupletam com as riquezas alheias e socializam as despesas com todo o mundo, menos eles que têm de manter o mercado, sempre vigoroso. Um mercado que precisa de novas aberturas. Crise do mercado financeiro? Cadeados nas importações, subsídios aos produtos da cadeia produtiva e investimento pesado na indústria bélica. Para tanto, é necessário sempre procurar um inimigo público. A riqueza do mundo, nunca vai deixar de ser aproveitada por eles.
Alguém pode dizer que apesar de termos duas vezes repetidos, governos ditos socialistas, houve algum temor de invasão por aqui, por parte do Xerife Internacional? Da Hegemonia Totalitária dos EUA que mantêm campos de concentração ainda hoje, como o de Guantânamo?
Terror, temos aos montes. Os traficantes nas favelas, ditando as ordens. A polícia que atua contra a periferia, como se estivesse lutando contra um inimigo externo. Os grileiros matando trabalhadores rurais, líderes sindicais e religiosos que se opõe a eles. A Justiça Brasileira que solta bandidos perigosos, durante os plantões e vende habeas-corpus para quem pode pagar um “bom defensor”. O tráfico de fauna, flora, escravas-brancas que na maioria, são mestiças, crianças, jogadores de futebol, armas e muita droga nas raves e até no meio das ruas, diante de toda a sociedade. Fazendas e mais fazendas, instaladas em regiões menos desenvolvidas do país, com o capital de muita gente dos melhores condomínios das regiões mais desenvolvidas, ainda em regime de escravidão total, ou algo parecido com o aviamento dos tempos dos seringais. Já não seria justificativa suficiente, para combater o “terrorismo”? Interesse eles têm, por aqui. Um mercado deste tamanho, uma natureza exuberante, com produtos pouco estudados que podem gerar muitos lucros. Um povo ingênuo, fácil de manipular. A quase hegemonia na América Latina. Um trabalhador quase escravizado que assim mesmo, produz muito e tem pouco retorno. Isto não é terrorismo?
Pensemos de maneira diferente, pelo menos uma vez. Por que invadir o país se mesmo os “de esquerda” fazem exatamente o que o mestre manda? É melhor economizar munição para a Venezuela, ao lado que apesar de menor e com menos influência, causa tanta dor de cabeça. E enquanto a invasão física ainda não se faz possível, desviamos a atenção para os tribunais internacionais que só julgam a favor dos interesses do país hegemônico, por coincidência. E por que gastar munição no Brasil se agora vislumbram a possibilidade de armar os anticastristas, para tomarem o poder das mãos do irmão do Grande Inimigo que se retirou, para a aposentadoria política?
“Uhu, aha, o Brasil é nosso. Uhu, aha, o Brasil é nosso.” Sem problemas. O Marquês de Cairu já nos deixou a tempos, mas sua lição continua. Só noticiamos o que interessa ao poder. E se necessário, até trocamos os textos, como fazia o marquês, sobre os textos do seu tempo, para justificarem as ações do governante que se achar no poder. E desde o início desta colônia, aprendeu-se a trocar favores em benefício dos seus interesses.
Enquanto reformas estruturais de verdade forem trocadas por discussões sobre ajudas filantrópicas sobre quem é o pai da criança que tenta acabar a pobreza com a distribuição de cesta-básica, ao invés da renda, estaremos bem guardados pelos EUA.
E se nada mudar, é sempre culpa das reformas que nunca saem. E nunca saem, por que os nossos coitados governantes, têm pouco tempo, para executá-las. 8 anos. Apenas.
De resto, é manipular as instituições, para não deixar vazar nada contra. Os Coronéis de Barranco, ganharam 4 estrelas. Mas continuam dando as mesmas ordens. E o poder econômico é quem paga as contas. Através das ONG’s, dos subsídios às igrejas e ações emergenciais, para salvar uma, ou outra entidade sindical, escolhida pelo governante. Mas não foi justamente o pessoal do PT que queria que eu me filiasse e depois me expulsou do partido, quando eu nem sabia que havia entrado, quando ele nem mesmo existia, como força legal, por apoiar e ser convidado no movimento sindical de São Paulo, para a campanha do Joaquinzão, o maior pelego do país? Viu como as coisas mudaram? E o Joaquinzão era só responsável por um sindicato do maior pólo industrial do país. Hoje, existem centrais sindicais, muito mais caladas e atreladas ao estado do que o Joaquinzao.

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