segunda-feira, 10 de março de 2008

PENSAR X CONSUMIR

De maneira alguma, sou contra o consumo, mesmo por que se não se consumir, pelo menos o básico, não se vai sobreviver. Porém, sou totalmente desfavorável ao consumir por consumir, sem pensar, sem se perguntar por que.
Parece que o máximo do consumismo, é pensar o que se manda, como a única saída.
Não sei por que os países mais frios têm um IDH [índice de desenvolvimento humano] sempre mais elevado do que os países mais próximos à Linha do Equador.
Perguntaram a um dinamarquês, escandinavo, finlandês, sei lá, o motivo da felicidade deles. E a resposta foi a mais simplória possível: “Nós não seguimos os EUA. Eles procuram um nível de consumo tão elevado que quando não alcançam, sentem-se frustrados. E como o nível sempre é muito elevado, é quase certo não alcançarem e se frustrarem muito facilmente.“
É e nós, vivemos exatamente encima da Linha do Equador. Fazer o quê? Uns centímetros ao sul, outros ao norte, mas muito próximos.
Infelizmente nosso IDH é um dos mais medíocres possíveis. Sim, os governos se vangloriam quando se atinge um nível meio ponto acima, mas é pura propaganda. Por todas as riquezas que temos, era para ser muito maior, muito melhor e menos vergonhoso. E pelo visto, vamos continuar assim, por muito tempo. Nossa economia é voltada para o crescimento, não para o desenvolvimento.
O crescimento, diz respeito à elevação econômica e financeira de certos setores, determinados departamentos, sem que com isso, haja uma difusão dos bens, para toda a sociedade. Enquanto o desenvolvimento é um crescimento que gera riqueza por toda a sociedade. Um modelo de crescimento, apenas acentua a má distribuição, as mazelas sociais e o fosso entre as classes.
Sim, os adeptos do atual governo podem até dizer que o país atingiu índices nunca dantes atingidos. Inegavelmente. O fim da dependência do FMI, o respeito internacional, os fluxo de negócios entre o país e outros, a diminuição da miséria, etc. Mas é pouco, muito pouco para um país deste tamanho, com problemas desta dimensão. E pela política ainda em vigor, vai custar muito para se ver a resolução disto. As instituições financeiras têm lucros enormes, enquanto a população se vê refém do sistema financeiro. Crescimento. A Bolsa de Valores atinge recordes enormes e negociações com ações nunca vistas antes, mas em contrapartida, não se vê o reflexo na sociedade que continua com altos índices de pobreza, de violência, de analfabetismo e até de desemprego o que de certa forma é contraditório. Crescimento. As empresas instaladas no Brasil, têm mark-up, ou taxas de lucro tão elevadas quanto qualquer empresa do Primeiro Mundo, enquanto não se vê convertido em melhorias para os trabalhadores, com salários mais altos que façam a economia crescer com a demanda de produtos até hoje reservados para uns “melhores” e assim, o desenvolvimento chegar sem precisar da intervenção do estado em políticas econômicas. Crescimento. Tanto faz Fernando ou Luiz, a visão é muito próxima. Vista cansada.
Mas as pessoas em geral, são levadas a pensar só sobre o que está posto e vão levando, como se novas alternativas não houvesse. É como o pessoal que decora tabuada e acha que outras maneiras não existem. 5X5=25, ou 5+5+5+5+5=25, ou 5X4=20+5=25, ou 5X6=30-5=25...
Um dia desses, estava lendo um artigo de um grande executivo de uma empresa internacional, acho que fixado nos EUA. Ele estava querendo uma nova ordem na administração das empresas, com reflexo na sociedade. Dizia que somos levados a mentir para procurar emprego e essa mentira vai se espalhando pela sociedade, inclusive na hora de representar o povo. Segundo ele, está na hora de dar um basta em tanta mentira, em tanta coisa que todo mundo sabe que não é verdade, mas vai levando, como se não houvesse outra alternativa, por que já se acostumou a isto.
É a sociedade da pose. Quem faz a pose mais bonita, ganha o apreço dos outros que sabem que não vai resolver nada, mas querem mais é se enganar.
E para mim, quem não pensa, é um preguiçoso com cartaz em néon, pregado na testa. Quem faz tudo para manter sempre as coisas como estão, é alguém que se acostumou a ir levando as coisas, mesmo que erradas, para ver se um dia, alguém aparece para resolver, sem o demover do posto. Pensar parece que exige muito mais esforço do que atividade física. “- Ah mano, não é mesmo. Eu sempre estive dos dois lados e sei que até para levantar peso, é preciso usar a mente. Fica até mais leve.”
E apesar da gente já ter entrado na Era de Aquários que para mim não quer dizer nada, apesar de já termos passado do Século XX para o XXI, sem acontecer o grande cataclismo, ainda assim estamos sendo levados a pensar como na Idade Média, época dos “iluminados”, das fogueiras para os opositores, dos grilhões para quem apresentasse idéias novas e tudo o mais.
A política como um todo, está paupérrima. Fala-se muito em liberdade, mas quando se vê, só pode concorrer a qualquer cargo que dizem popular, quem tem milhões para gastar, como se dinheiro, por si, trouxesse credibilidade, honestidade, ou competência. Os candidatos têm de gastar fortunas que se gastas nas classes mais necessitadas, resolveriam muitos problemas. Depois dizem que querem resolver os problemas desse mesmo povo.
O problema está na forma de se fazer política. Quais as idéias novas que aparecem, viáveis. Quais as outras maneiras de apresentar os programas de partido? Quais os programas dos partidos?
Ninguém pensa em mudar. No máximo se discute entre a forma representativa ampla, ou os delegados distritais. Mas tanto uma, quanto outra representação, têm vícios danosos ao debate de idéias de verdade.
Realmente alguém sabe qual a diferença entre o PSDB e o Democratas? De verdade, onde está a diferença,. entre o PDT e o PT? Entre a Hilary e o Mc Cain? Entre a política da Maggie Tatcher e o Mr. Brown? Do PSDB, para o PT? Na verdade é a mesmice tomou conta em todos os lugares. E não é por que a Esquerda e a Direita não existam. Está faltando ter idéias próprias, ou pelo menos, como disse o CEO, citado anteriormente que as pessoas sejam honestas.
A diferença entre um e outro, em qualquer campanha “livre”, é o montante que se gastou.
Então como fazer para o eleitor ser representado de verdade? Com endereços eletrônicos? Sim, todos têm seu endereço na rede, mas poucos respondem e quando o fazem, o fazem de forma tão vaga, evasiva que não se sabe se é uma resposta, ou uma gozação na cara da gente. Depois, alguns candidato em quem votei, simplesmente largaram a representação, para um suplente, sem nenhum vínculo com nada. E a desculpa é que o político está representando o partido. Mas pensava que o partido, existia para representar uma forma de governo, em benefício do povo, ou daquele eleitorado. E o político, fosse o instrumento das idéias do partido, para chegar do povo, ao parlamento. Não, a história mudou. O partido é superior a tudo, o político, é um ser sem vínculo com as pessoas e o povo, é apenas discurso de campanha. O organograma que eu tinha em mente, era totalmente diferente. O povo no topo da pirâmide, os partidos feitos para representarem-no, os políticos abaixo, para levarem a diretrizes dos partidos que estavam ali para representar o povo e assim por diante. O organograma mais moderno, parece ser uma pirâmide invertida. O político para se locupletar e representar seus interesses, o partido para receber um trocado, para servir o político e o povo, com o dever de votar nos políticos, mesmo que não sejam representados. No dia em que a representação popular não for apenas um lugar para se enriquecer, nem se precisa discutir a diminuição das siglas partidárias. É só tentar.
E o pior, o Brasil fica entre a política escandinava e a estadunidense.
Os escandinavos admitem gastar muito em impostos, para receberem serviços eficientes quando precisam, como educação, saúde, transporte e muito mais, de graça.
Enquanto a noção dos norte-americanos é de ficar com o dinheiro para eles mesmos disporem como quiserem, pensando em consumir, sem contar com os entreveros que sempre aparecem na vida.
O brasileiro gasta muito com imposto e ao mesmo tempo, investe também na saúde, educação e segurança, sem ter a contrapartida de maneira alguma. Tanto o serviço público é aquém, quanto a iniciativa privada não apresenta grandes diferenças, para o que gasta o brasileiro. O SUS e os planos de saúde, só se nota diferença na hora do reajuste. As empresas de segurança particular tem tanto treinamento, quanto um soldado das policias. A forma de educar, sem fazer os estudantes interligarem os fatos, as disciplinas, é igual em todo o país. É como o vendedor, quando fui adquirir a minha guitarra: “- Olha, não compra guitarra toda enfeitada, toda diferente, por que tu não sabes em que banda tu vais tocar. Leva uma preta, como esta. E básica, por que a maioria das guitarras são iguais, o que muda é o preço, por causa da marca. As fábricas são quase as mesmas, sempre. Em raras exceções, alguém apresenta alguma diferença. Elas saem do mesmo local, do mesmo jeito. Dependendo da fama de uma ou outra marca, elas têm preços elevados, mas são as mesmas.” E eu deixei de comprar a guitarra verde, cheia de flores, por causa do conselho. E não me arrependi. Economizei bacana. E um dia desses, uma ex-colega de música me encontrou na caminhada e perguntou: “- Ainda tens tocado?” “- Nem pu...” Engasgou e ela saiu rindo. Mas tive de falar alto, para ela não pensar besteira. “- Nem punho de rede.” Não sei por que, perdi o tesào, completamente. Pela música, bem explicado.
Mas as discussões nunca são de mudança, são apenas de remendos. PSDemB X PT. Privatização X Estatização. Rio X São Paulo. Febre Amarela X Dengue. Levam-se as pessoas a pensarem que a polarização é o melhor. Na política se restringe a pensar como as coisas estão postas, quando outras idéias existem, dentro e fora da mesma. Mas o melhor para “todos” é que se pense assim. Na economia, trava-se uma discussão, muitas vezes vazia. Dependendo da ocasião, da finalidade, da gerência das coisas, a privatização é melhor em certos casos, como a estatização em outros. E se faz campanha contra o funcionário público, como se acabando com a credibilidade dele e nele, a idéia de privatizar tudo, consiga avançar. Tem empresa privada que é um caos. Tem empresa pública que compete com o mercado internacional. Tem funcionário público tão bem preparado quanto qualquer diretor de qualquer empresa. Tem funcionário em qualquer setor que só cumpre horário e só serve para fazer número. A questão é de como se gerir os negócios, para se cumprir as metas, a missão de cada empresa, cada função, cada setor, cada departamento. Então se discute quem é melhor, o Rio, ou São Paulo, quando o Brasil, é muito maior, muito mais vasto e com diversidades enormes. O pior é quando se tem de decidir entre ficar doente com dengue, ou com febre amarela, como se ser saudável, não fosse uma possibilidade plausível.
Na verdade, estamos crescendo, mas continuando do mesmo jeito. Uns se achando os donos do mundo e outros se achando inferiorizados.
No sábado Dia Internacional da Mulher, estava assistindo um programa chamado Soletrando. O apresentador ficou extasiado ao saber da presença de uma índia do Norte do país. Até trocou a forma de falar o nome do estado. Deixou de chamar Rôrãima e passou a chamar Roraima, como se diz, em português de qualquer país que adotou este idioma. Não fez como o pessoal da Semana de Arte Moderna que soube da existência do Monte Macunaima e de repente fez todo o país falar Macunaíma. Não sei se por estupidez, ou por frescura extrema, como era próprio da turma.
Então o apresentador fez tudo, para mostrar a representante macuxí, de uma nação do extremo Norte do país, para todo o Brasil. Mas na hora de soletrar, ao invés de representar sua cultura, parecia querer representar a cultura do “colonizador”. “- Soletre SERELEPE.” “Serelepe. S Ê R Ê L Ê P Ê.” Sabe diz muito da nossa educação. Somos levados a imitar o que os outros dizem, sem ao menos pensarmos de maneira independente. E isso, não é educação, pelo menos quando se estuda aquelas matérias, ligadas à área. Educação liberta. Conhecimento que é passado e repassado e apaga o cérebro, apenas escraviza. Nós não pensamos de maneira autônoma. Aliás, muitas vezes, nem pensamos mesmo. A garota pode até nem ter culpa de querer representar a cultura que não é sua, mas a professora e o sistema de educação de Roraima e do Norte, pelo menos, estão colocados ali, para fazer média. Dizer que isso é educação, é caçoar da cara da gente. É chamar-nos pejorativamente de índios. Pelo menos nesta região do país, o que dizem ser educação, é piada. Um povo que tem vergonha de ser ele mesmo e se finge de outro, é um povo quase sem educação que aprendeu a reproduzir um papel que enfiaram goela abaixo.
Depois da garota soletrar como paulista, fiquei atento para as propagandas. Incrível, todas pareciam feitas em outro estado. “Uma empresa genuinamente amazonense, feita para você.” Mas espera aí. Amazonense não fala tu, na segunda pessoa do sujeito? E aí um canal por satélite da região, a cara e a voz do Amazonas: “Programa Falando Com Você.” Será que eu estou em São Paulo? E vem um supermercado dizendo que é da terra. Deve ser minhoca. Amazonense é que ele não é. E oferece, com um tipo estranho: “Abóbora, mexerica, aipim...” Égua, mas por que isto? Simples, quando os próprios governantes em todas as ocasiões vão buscar gente sem a menor identidade com a região, para gerir pastas importantes do estado, quando se tem universidades saindo pelo ladrão, é dizer que o povo da região não tem competência. No máximo, ele serve como capacho, ordenança, menino de recados, para levar um cafezinho, dar um recado, ou proteger o cidadão que interessa e não é este povo.
Mas a idéia de que para representar uma idéia, ou ideologia se tem de ser aquilo, ainda é passada até hoje para a sociedade. De vez em quando assisto a uma novela das oito horas da noite, em Manaus. E o autor parece que pertencia à juventude da PUC-SP, UCRS, ou Makenzie, no tempo da falta de direitos do estado cerceado de todas as liberdades. Ele apresenta um líder estudantil tão estereotipado, como pensavam os alunos dessas instituições que se diziam “apolíticos”, mas estavam sempre do lado da Ditadura. Como se alguém só pudesse lutar pelas causas do proletariado se fosse proletário também. Uma idéia estreita, vazia em si. Talvez, na mesma linha de raciocínio, só se pudesse estudar e medicar sobre a lepra, quem fosse leproso. Quem sabe, todo psiquiatra, tem de ser louco, para entender do assunto. Ou só poderia se manifestar sobre o Apartheid, quem fosse sul-africano. Em suma, para essa gente, só pode advogar sobre uma causa, quem participou do crime. As idéias não se renovam. E parece que quando se pensa que se avançou, forças do tempo das cavernas voltam das catacumbas, para difundir “novas idéias”, tão atrasadas, quanto antigas. Mas é uma sistemática campanha pelo atraso de toda a emissora que antes de qualquer coisa, é uma concessão pública. Mas não adianta, cada um faz o que bem entende e se concede a quem bem se entende. Não existem critérios, nem uma visão do todo, na questão das comunicações. E as empresas faltam com a verdade, mas nada é feito e no máximo, um de seus representantes vem falar sobre liberdade. Aquela liberdade que se dizia nos anos de 19760/70. “Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada que você pode usar, do jeito que quiser, não usa quem não quer...” e a repressão comendo solta., Quem sabe, liberdade para comprar Victoria Secrets, consumir Mc Donald’s, beber Coca-Cola. Mesmo que a calcinha aperte, mas é chique usar os segredos da vitória. Mesmo que a alimentação do Ronald não faça nenhum bem, é vistoso, freqüentar tais lugares. Mesmo que o remédio em forma de refrigerante faça mal ao sistema ósseo e digestivo, ninguém tem coragem de recusar. Liberdade? Exatamente. A liberdade de ser escravizado por uma propaganda que não te deixa pensar. E pior, sempre te mantém na maior ignorância. Liberdade é isso?
Bem, cada um pensa como quer. Se até a Verdade Absoluta são tantas, o que dizer da realidade? Mas pensar é coisa que não se estimula com a Educação de hoje.
As pessoas apenas trocam de lugar e acham que fizeram um grande avanço.
Certa vez o partido do qual eu fazia parte, escolheu para o parlamento, um cidadão pelo fato de ser humilde. De certa forma, uma visão estreita das coisas. Mas não digam nada ao pessoal desse partido, pois tem gente que nunca erra. São seres quase mitológicos, por isso mesmo, nunca aprendem com os erros. Deixa para lá. Assim que assumiu, o cidadão esqueceu de tudo e se bandeou para o outro lado. Não que a culpa tivesse sido dele. Apenas, não tinha internalizado a idéia do que representava. A educação dele foi falha.
É como no Dia Internacional da Mulher. Não adianta a mulher estar no mercado de trabalho, sem internalizar o que significa realmente a luta feminista. Ela vai fazer número mas não vai contribuir em nada, com a causa. Ela vai se representar individualmente, mas não a mulher como um todo. O Dia Internacional da Mulher, desse jeito, virou apenas consumo.
Uma pesquisa revelou que os postos de trabalho ocupados pela mulher, estão diminuindo. De certa forma, quando do advento de vento em popa do Neoliberalismo, já se discutia que se estava substituindo postos em que homens atuavam para colocar mulher, não por qualquer revolução, ou reforma, mas como forma de diminuir salários. Depois se iria chamar os mesmos trabalhadores para perceberem menos. Isto é, se eles quisessem. E haveriam de querer, com o arrocho econômico em toda a sociedade.
Uma outra pesquisa feita entre as maiores empresas do mundo, constatou que os cargos de chefia, eram ocupados por menos de 6% das mulheres. Mas mesmo assim, ainda tem quem ache que o simples fato de uma mulher ocupar o cargo em uma empresa, é uma vitória feminista.
Realmente o que foi celebrado neste dia?
O aumento de casamentos. O aumento de casos de mães que se desfazem de bebês, como se joga o lixo fora. A luta ferrenha contra métodos contraceptivos e o aborto, inclusive com hordas de mulheres à frente. O aumento do stress, do colesterol, das cardiopatias e da jornada de trabalho, nas mulheres ativas no mercado. Mas elas se acham donas de si. Elas se empavonam todas, quando recebem mensagens neste dia, como se fosse mensagem do Dia das Mães. Elas podem fumar em público, como os homens faziam. Podem dispor de prostitutos, como os homens faziam. Podem posar para as revistas masculinas com altos cachês, como as prostitutas de antigamente faziam. Podem sustentar um homem mais novo, como os homens faziam com as menininhas. Podem ficar bêbadas e jogadas na sarjeta, como sempre alguns homens fazem. Além de assumirem postos de trabalhos, destinados aos homens. Mas qual a mudança real? No que aqueles cargos fortalecem a luta por direitos. O que mudou no casamento? O fato da mulher trabalhar fora de casa e em casa parecer escrava, ou fato de algumas se casarem e se manterem como madame, sem trabalhar, nem dentro, muito menos fora de casa?
A educação precisa ser reformulada urgentemente, para fazer as pessoas pensarem e saberem o que querem de verdade. Não esta educação/mercadoria que só serve para gerar diplomas e títulos, sem gerar mudanças no indivíduo.
O que mudou a administração da Zona Franca de Manaus, quando da presença do atual secretário de estado do Governo Serra, em São Paulo, para a administração da amazonense atual? Mudou a maneira de interagir com o esporte, com a cultura, com o envio de capital, com investimentos pesados de verdade, em toda a região? A sociedade é ouvida, ou como em todos os níveis, um grupo de “iluminados” pensa o que é melhor para todos?
A propaganda vive alardeando que o Amazonas mudou. Em quê? Os interiores que estão saindo do marasmo, devem tudo ao gás de Urucu, não a uma política de estado que leva o desenvolvimento. A Capital do Amazonas continua sendo constantemente povoada, agora não só com o pessoal do interior do estado, mas pelo pessoal de estados vizinhos a quem o projeto deveria beneficiar também. O gasoduto desde o início do primeiro Governo Lula, até agora não sai. Alguém sabe o que está dificultando a conclusão das obras? Como a sociedade participa das estratégias? Uma tal de CIGÁS representa os interesses da população? A quem interessa e a quem pertence? Isto também é educação. E investigação, pode ser cultura.
O Sul do Amazonas continua sendo invadido, por que o estado como política regional, pouco chega até lá e não apresenta nenhum estudo de implantação de programas de acordo com a vocação das regiões. Aliás, até agora os incentivos vocacionados, são ao gado, à soja e aos grãos, como todo. Será que algum estudo levou a esta conclusão tão ilustre? O que virou moda, é distribuir bolsa. Todo mundo distribui bolsa, como distribuíam ranchos os Coronéis de Barranco e acham que são modernos. O Bolsa Floresta, dá possibilidade de se ser auto-suficiente na produção, criação, pesquisa e regionalização da pesca, da cultura da seringueira, da cultura da andiroba, da copaíba, do cupuaçu, do tucumã. Não mesmo. O que existe, é um roubo generalizado com programas, que gastam milhões para serem implantadas algumas centenas de enfeites e pronto. Tudo propaganda e se vive como se vivia no século passado, com o caboclo vivendo do extrativismo, sem nenhum plano de plantio da juta e da malva, em condições necessárias para não adoecer de ficar com o corpo mergulhado no rio. A propaganda é moderna, mas as coisas são antigas. É pura ilusão. Tudo antes no quartel de Abrantes. Mas pelo menos, o estado vive ganhando prêmios. Mas também, com R$ 200.000.000,00 doados, é fácil pagar para mudar os votos de qualquer votante.
A região vive até hoje quase exclusivamente do extrativismo. Onde há grandes campos onde existe a política de grandes plantações de seringueira, para serem extraídas, de tucumanzeiros, para serem explorados comercialmente, de copaíba, para se estudar até como forma de remédio e o cultivo em larga escala de peixes ornamentais que já estão há muito, dando sinais de esgotamento? Não há nenhum estudo aparente que seja mostrado à sociedade. É muito dinheiro gasto, sem que se saiba para quê. Até hoje, os peixes ornamentais são pegos nos lagos do interior, tirados do seu habitat ao milhões, para gerarem alguns centavos aos caboclos e serem exportados em dólar, ou euros.
Dia desses, um programa discutia sobre uma rede de cosméticos que se utiliza dos produtos regionais, para ganhar muito dinheiro. Alguém dizia que cada quilo do insumo da floresta equivalia a um milionésimo de centavo que chegava ao caboclo, enquanto o produto final, era vendido em centenas de real. E um outro programa local, alardeando que assim, o caboclo tinha condições de comprar suas coisas, seus bens de consumo. Como são as coisas. Como um mesmo fato, motiva pensamentos tão distantes. Graças a Deus, somos levados a pensar positivamente. O caboclo extrai tudo e fica mais pobre, enquanto a empresa revende a preços exorbitantes. Maravilhoso. Um dia, a modernidade ainda chega por estas bandas. E o conceito de Ford, onde cada trabalhador que produzia os carros da empresa, deveria poder também adquiri-los, ainda vai nos tornar o mais pós-moderno possível.
Na verdade, a sociedade foi levada a pensar individualmente. Os políticos pensam em si, ou no máximo no partido, como se não existisse mais nada, além deles. E para não sucumbirem, têm de entrar nos esquemas, mesmo que estes, vão contra o próprio povo que dizem representar. Quando têm de discutir algum tema que diga respeito ao todo, fecham-se nos congressos e pensam a melhor maneira de se dar bem, com o mal de todos. As organizações não governamentais, por preguiça, atrelaram-se aos governos, como secretarias independentes, com isso, não podem pensar de forma independente. De não governamental, passam a difundir os programas de governo. A propaganda pressiona as pessoas a consumirem até o que não faz bem, mas consumir, para mostrar aos outros que se está podendo. É como o esquema da Am Way. Quem chegava a determinado posto, tinha de consumir determinados produtos, para mostrar aos outros, como eles também podiam ser consumistas. E as pessoas, sem pensar, vão acreditando que só se pode vencer, trapaceando, roubando muitos para se ter tudo para si, orando para se dar bem sozinho, mesmo que as coisas continuem do mesmo jeito e por fim, todos achando que alguma coisa tem de ser feita. Mas quem? A Educação está perfeita. Dona Maricota passa os pontos todos os dias, sem nem pensar.
É como nos engarrafamentos de São Paulo. O prefeito que é muito cheio de moralismo, mas já esteve envolvido nos escândalos dos Governos Paulo Maluf e Pitta, acredita que não há engarrafamento. “É por que as câmeras estão sendo ampliadas e todos pensam que o engarrafamento aumentou.” As revendedoras de carro, despejam centenas de carros por semana, sem se importarem com as conseqüências. Os governos insistem no modelo de transporte, do veículo individualizado. E os cidadãos reclamam dos intermináveis engarrafamentos. Mesmo sabendo que a culpa de tudo isto é a quantidade de veículos. Mas sempre esperam que o outro deixe o carro em casa.
Se a Educação está perfeita o que falta? Discutir de forma ampla? O que é isto, nós não somos Cuba. Nós temos liberdade. Nós aprendemos com Dona Maricota e não desviamos um milímetro das lições que ela ensinou. Que liberdade é esta? Temos mesmo? Tu já pensaste hoje?

Nenhum comentário:

OBSERVADORES DE PLANTÃO