sexta-feira, 23 de maio de 2008

MARCHA

A cada século, parece, pertence uma determinada caminhada. A última grande caminhada conhecida, aconteceu no Século XX e ficou na História, como a Grande Marcha, onde Mao Tse Tung, liderou os chineses e eles subiram, desceram e quase botaram a língua para fora, passando pela Grande Muralha da China, também conhecida, dependendo do estágio onde se encontre, como A Escadaria Feita Para Matar Corno De Cansaço, ou Subida Para Filho de Uma Puta À Procura da Mãe, ou, Puta Que os Pariu Quem Foi O Filho de Uma Égua Que Construiu Esta Porra, ou, Valha-me Deus E Eu Ainda Vou Descer Esta Merda À Pé, ou na descida do morro, mais conhecida, como: Agora Que Eu Me Lembrei Que Tenho Medo de Altura, ou por fim, Água, Água, Água. Eu Peço Penico e na chegada, Vá Sifo Que Eu Não Mifo. Nunca Mais Eu Entro Noutra Putaria Dessas. Foi daí que deu sono na galera e todo mundo caiu sonolento. Também pudera, depois dessa caminhada toda. E colocaram a culpa na mosca de criação do Mao. A mosca Tsé-Tsé.
O Século XXI, não poderia deixar de ter a sua grande caminhada. Começou na quinta-feira 22/05/2008, como a Marcha Para Jesus e só foi acabar no domingo 25/05/08 – um dia depois do 24 -, com o nome de Parada do Orgulho Gay, em São Paulo.
O Guiness Book, registrou como um novo recorde mundial. Não por nada, mas imagina sair de Manaus na quinta-feira e chegar em São Paulo, no domingo, caminhando por entre florestas, tendo de enfrentar a cobiça de generais e de redes de comunicação paulistas, ter cuidado com o pirarucu, para ninguém se aproveitar da tolice alheia, passar por jacarés, expostos e vendidos no Ver-o-Peso, caminhar por cima das águas, como fez o Senhor, não é fácil. E chegaram, perfazendo um tempo abaixo de todas as expectativas. E o que é mais incrível, não chegaram exaustos, como era de se pensar. Aproveitaram e foram se banhar nas águas do Rio Pinheiros. Se Jesus se banhou, uma vez, no Rio Jordão e ainda foi banho de cuia, por que eles não podiam se banhar no Pinheiros? O fato lamentável que se verificar, foi a poluição advinda depois de toda aquele monte de moita, de pelos e camisolões, passarem pelo rio. Foi um banho de água fria em que estava pensando em despoluir aquelas águas.
Então, totalmente refestelados, pegaram suas tralhas e continuaram a caminhada, rumo a o que os esperava.
Em um determinado ponto da cidade de Sampa, trocaram as faixas e o nome da caminhada. Finalmente os irmãos se revelaram. Despiram-se do preconceito, coisa que eles demonstram a toda hora - e ainda se acham perseguidos -, da discriminação, como fazem com quem não é seu igual e caíram na gandaia, com sungas mínimas, fios-dentais masculinos, jogando as faixas de: “Jesus Está Voltando”, por outras, mais pragmáticas: “Bofes, Cheguei!”.
As irmãs, pisando duro, cantavam a música do Balão Mágico: “Sou feliz, por isto estou aqui, também quero viajar no sapatão... Sou carismático, com pau de plástico, a vida fica bem mais divertida... Sou macho pacas, mulher é vida... Sou cara asmático, saco de plástico, com o meu cinturão...”
Logo, muito mais gente, veio dar seu testemunho em público. E a toda hora se viam hordas de novos crentes, principalmente, nas proximidades das Eleições - postos estrategicamente colocados, para fazer o povo pensar que assim, as coisas mudavam e ele tinha energia para pagar mais impostos, para alimentarem a fome dos nossos representantes, tanto no Executivo, quanto no Legislativo, Judiciário e nos púlpitos dos templos que colocam os seus, estrategicamente, para revigorarem os dízimos e deixarem passar as coisas Dele -. E a histeria evoluía, assim, como o fanatismo. E os participantes gritavam: “Hey, hey, hey. Nissin Miojo é nosso Rei!” Até que na segunda-feira todo mundo voltou ao normal, passou aquele transe coletivo e o que mais se ouvia, era: Hey, hey, hey. Eu dei meu testemunho, mas não sou mais gay!”
Da marcha, além do recorde batido – e coitado dos garis de São Paulo, tiveram de usar creolina e ácido muriático, para limpar a cidade, por que era um tal de bater. Bater nos outros, bater para os outros que as ruas estavam perigosas, até para o tráfego de 4X4, com pneu especial. Estava escorregando direto -, ficou a lembrança. A lembrança daquele bofe sarado. Daquele irmão que chegou sem ser visto, por trás, para indicar o caminho. Aquela Pomba do Divino – aquele moçambicano que não quis trocar o número do telefone. Ficou só no troca-troca. Aliás, ficou só no troca, por quando chegou na vez dos irmãos trocarem, desapareceu no furdunço -, furando a multidão, para chegar ao coração. “Uau!”
Muita gente trabalhou nos dias posteriores, em pé. Outros, até hoje procuram a calcinha. Nem com a ajuda providencial de gases, a bicha sai, de tão atochada no rego.
As irmãs, caminhavam com dificuldade. Aquele sapato enorme, folgado no pé, só podia dar calo e fazer ferida. Ferida no coração desesperado, sem saber notícias daquela mulher que apareceu de repente e não deixou contato. Aquelas mãos que tocavam, como tocassem harpa, enlevando as irmãs, ao Paraíso. Aquela bunda murcha, aqueles peitos amassados mas muito mais macho do que muita gente que se acha. Isto machuca e até despedaça um coração. Mesmo um coração másculo, um coração de cabra macho, mas antes de tudo, saibam todos que os brutos também amam.
Ano que vem, está decidido. Unificação total das marchas, para bater um novo recorde. Ânus para cá, bate para lá e as irmãs, ou seriam os irmãos? Sendo discriminadas até no mundo GLTBTXUZKCTEIUTNV – rapaz, quando era só GLS, até dava para decorar o que significava. Agora tem tanta bicha diferente e tanto sapatão que a cada dia colocam uma nova letra nas bibas, quando o que elas mais queriam, era que o Fenômeno colocasse uns R$ 50.000,00, na conta delas -. Desde já, está convidado para: “A Marcha de Jesus, com Todo o Orgulho Gay.”
Inventa uma letra, coloca atrás e manda bala. O mundo é gay. Sim, comprovado cientificamente. O mundo está se fodendo! E só Jesus salva!

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OBSERVADORES DE PLANTÃO