Estava lendo uma revista que assino desde quando era um suplemento de uma outra revista sobre economia, e alguns fatos me impressionaram. Todos eles, dizem respeito a nós brasileiros, como pensamos o Brasil.
O primeiro fato que me chamou a atenção, foram os peitões da ex-BBB que posou para a revista. Sim, nesses casos, sempre recordo da experiência que tive ainda na puberdade, em que enfiei o nariz no meio de uns peitões desse tipo e senti o maior cheiro de chulé. Total inexperiência pueril e infanto-juvenil. Mas nem por isso, pensei em desistir, ou ser homossexual, como umas pessoas que eu conheço e se dizem “machões”.
A ex-BBB com aqueles lábios carnudos – segundo um mito que corre por aí, os inferiores correspondem aos superiores. Têm a mesma forma -, parecendo quererem ser mordidos. Preciso assistir esses BBB’s da vida. Mas o que me chamou a atenção mesmo, foram as declarações dela. Perguntou-se se ela foi discriminada na França. E ela disse que nem na Suíça, nem na França, fora discriminada, muito pelo contrário. Uma caçadora de talentos, até a levou para a televisão, pela beleza que para eles, é marcante e para mim também. Se ela quiser conversar e tal e coisa e coisa e pau, estamos aqui, para o que der e vier. E se vier e der, muito melhor para mim. Ao contrário, sobre discriminação, ela se achou discriminada no Brasil, no BBB.
Em outra reportagem, citavam o fato de hoje no futebol brasileiro não se ver mais craques conhecidos pelos apelidos. Segundo o articulista, isto começou no Rio Grande do Sul, quando um dos cartolas do Internacional, pediu à mídia desportiva, para chamar seus jogadores, pelo nome e principalmente, pelo sobrenome, para facilitar as negociações com os times europeus, visto que muita gente no Brasil, ainda se acha estrangeiro, por causa da descendência.
Outra reportagem comparava os valores dos craques brasileiros com os estrangeiros. Os craques no Brasil estão perdendo de feio.
E daí? Vamos aos fatos. Só não aceito que Iracema os Peitões de Mel, venha dizer que existe racismo e discriminação no Brasil. Onde já se viu? Aqui? Nem morto, nunca vi. Somos todos iguais. Uns muito mais iguais do que os outros. Sempre!
Estou encantado com aqueles peitos. Os lábios também. O rosto. Aliás, o umbigo é que é feio. Mas isto eu não falo mais para ninguém. A última que falei além da conta, começou a dizer que ia fazer plástica e lipoescultura e mexer ali e aqui, por que se achava feia, aproveitei a deixa e disse para ela fazer apenas uma mudança. Plástica no umbigo. “Por quê?” “Por que eu acho o teu umbigo muito feio.” A única coisa que eu achava feio nela. Nunca mais deu certo. Nem incerto. Nem com umbigo, nem sem umbigo. Eu e essa minha boca grande. Não aprendo mesmo. Há muito tempo, conectava com uma filha de milico, da Ilha do Governador. Então ela vivia falando da vida dela e do ex-namorado que casou com outra e deixou a empresa nas mãos dela. Um dia perguntou o que eu achava e eu disse para ela deixar de ser lesa e pressionar a família do ex-namorado a pelo menos dar uma porcentagem na empresa, já que ela dirigia tudo e era quem colocava a empresa nos trilhos. Ela então deixou de falar comigo para sempre. “Quando uma mulher fala da sua vida, ela não está pedindo a opinião dos outros. Só quer ser ouvida.” E eu não adivinho, ora bolas. Ainda bem que com uma menina que conheci e fomos conversar no motel, eu fiquei de boca fechada. Ela entrou direto para o banheiro e se trancou por um bom tempo. Eu já estava ficando com medo. Depois de muito tempo, saiu e falava mais do que papagaio. “Já viu um corpo assim. Duvido que você encontre uma mulher gostosa, cheirosa, bonita como eu.” Parecia que o corpo dela, era um produto em exposição, para ser vendido. E ela, a agência de publicidade, eleita para fazer a propaganda do produto. De repente ficou de um jeito que eu nem imaginava. “Pronto, a posição que todo homem gosta.” De duas uma. Ou eu não sou homem, ou nem todos os homens gostam daquela posição. Fiquei em dúvida quanto à minha sexualidade, mais fiquei calado, para não estragar a noite. Deixei-a falando o quanto quis. Nem precisava responder. Ela falava sem parar, sozinha. A Walter Ego feminina. Não sei, mas eu acho que era muito brilho. Muito açúcar. Muito tênis, como diria o pagodeiro Bello. Ainda bem que não teve overdose, senão eu estaria encrencado sem nem participar da festa.
Numa reportagem de um desses colunistas sociais de televisão entrevistando uma cidadã, ela se dizia libanesa de nascimento, mas brasileira de coração. Então o telecolunista perguntou o que mais a impressionou no Brasil: “O fato das pessoas se apresentarem e além de falarem o nome, dizerem sua descendência em seguida.” Xicovslaia Johanpeterxupomasnuncuspooo, neto de holandeses, finlandeses, russos e alemães. Continuava ela que parecia que tinham vergonha de serem brasileiros.
Não sei por que, mas acredito que a discriminação da BBB se deu pelo fato dela ser nordestina, apesar dos pesares. Para mim, não sei se é birra, ou protecionismo. De todas que vi expostas – sim, por que mulher que se inscreve no BBB, é que nem gado eleito para aparecer em leilão. Sabe que tem de se mostrar inteira para as fotos. Umas, vacas leiteiras, outras gado de corte, mas sobretudo, todas com a nítida certeza que vão ser vendidas para quem der o maior lance, para servirem de alimento -, foi a que mais me atraiu em todos os sentidos. Até no sentido oposto.
Pelo que vejo, a BBB que mais se sobressaiu, foi uma gaúcha. Não que se ela viesse e me dissesse toma, eu recusaria. Quem sou eu. Mas me pareceu favorecimento sobre todas as outras. Eu gostei da nordestina e gostaria muito mais se ela estivesse na minha frente, como eu imagino. Ia sair toda mordida. Eu mordo, mordo e mordo. Ai de mim. Os lábios superiores, grandes, pequenos e anões. As bochechas do rosto e todas as outras. E lógico, morder e não comer, não tem a menor graça. Venha bichinha., venha! Oxe!
Essa gaúcha que virou a febre do BBB, até me fez lembrar de uma minha amiga. Ela me fez recordar fatos pretéritos, como diz aquele Ministro do STF que fala de um jeito tão esnobe que até parece com aquelas pessoas que detonaram a cartilagem das fossas nasais, com brilho. Parecem-se pelo menos fisionomicamente. Com algumas diferenças. A minha, nossa amiga, era muito mais sensual e apesar de ser bem cabocla, marcantemente nas feições era muito mais bonita, uns pelos leves e aloirados, por todo o corpo, em qualquer posição e qualquer brincadeirinha, arrepiava e me deixava arrepiado em ver tanto arrepio. Era uma mulher prendada nas línguas. Falava tantos idiomas que era capaz de muita gente nem acreditar. E usava a língua com grande desenvoltura. Era bonita, sensual, inteligente e gostava de conversar com as pessoas. E fazia sexo brincando. O que para mim, é um fato grandioso em uma mulher. Gostar de sexo, fazer e não ligar para a torcida de gente atrasada e reprimida. Por que o homem pode fazer sexo quando e como quer e isso não denigre sua imagem e a mulher, é logo taxada de um monte de besteirol ultrapassado? E eu, acredito que a prática traz a experiência. E a inexperiência para mim, é chato, por que o meu espírito de professor, não é muito aguçado. Eu gosto de aprender, apesar de a mulherada não ensinar muita coisa, hoje em dia. Mesmo com toda a liberação, preferem ficar totalmente passivas, quietas, sem expressar do que gostam.
A minha, a nossa, a vossa, amiga, gostava de conversar, principalmente se as pessoas fossem do sexo masculino e nascidos fora do país. Não sei por que, quando falei da semelhança que achava da nossa amiga, com a gaúcha do BBB, um amigo meu, parece ter se assustado. Não compreendi a relação. Eu não sei de nada.
A última vez que soube da minha, da nossa, da vossa amiga, tinha sido levada para a Alemanha. Mania desses alemães de nos levarem umas amigas gostosas. E quanta coragem delas. Uns alemães de mais de 2 de altura e mais de 5 de largura. Mas a coragem feminina é inconcussa. Agüenta cada coisa que eu que me acho macho, ficaria no mínimo, muito puto se me quisessem empurrar.
Hoje vou ser esnobe no português, para ver se eu também viro ministro, mesmo sem nenhum mérito. Da minha parte, lógico. Vou ser também velado. Quem sabe?
Até parece que todos os fatos apontem para o Sul do Brasil.
Não que o Rio Grande do Sul seja racista, ou preconceituoso, longe de mim, falar tal coisa. Eu sou brasileiro também e não digo as coisas que eu penso, de forma direta, sem um véu a esconder as verdades. E nem que eu diga que os Pampas não nos dê craques às pampas. Mas os nomes dos craques que aparecem, são Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Kaká que ainda mantêm os devidos apelidos. Em valor, perdem até para jogador português que nunca levantou uma taça do mundo. Não adianta nos escondermos debaixo dos nossos preconceitos. Somos brasileiros. E um grande nome que bem nos representa no desporto nacional, também é gaúcha. A Dayane dos Santos. Puxa, totalmente fora dos padrões que nós queremos pensar de nós. Gaúcha, mas negra e com o sobrenome tão comum, “dos Santos” que já virou até nome de acrobacia internacional. Não é Senna, nem Schimidt. É Santos. E santo de negro, não que sejamos racistas, mas é orixá. Valha-me Deus, os evangélicos vão já exorcizar essa “macumbaria”. Ainda bem que eles também não são preconceituosos. Isto não é preconceito, tão somente ignorância pura.
Mais uma vez, a história de quem faz quem. Não é o nome, nem o sobrenome que faz a pessoa, exatamente o contrário. A Dayane é dos Santos e nem por isso, deixou de escrever seu nome no cenário internacional, com um sobrenome tão comum no Brasil. Mas não se aprende.
Parece até outra reportagem à muito tempo atrás, quando a Família Diniz ganhou um torneio de pólo. A família que perdeu, ficou indignada, não pelo fato de haver perdido, mas por haver perdido para “aqueles negros.” Segundo o que se publicou, a Família Diniz mandou investigar a árvore ginecológica dos perdedores, também conhecida como árvore genealógica e nem precisou ir muito longe. A avó dos mesmos, era uma negra que eles escondiam no baú da história. Vai dizer que isso não é a nossa cara?
A mania de se excluir o Brasil do Brasil. Excluíram os índios que já viviam aqui. Trouxeram os africanos à força para servir aos senhores, na marra. Depois que não serviam mais, excluíram-nos, deixando-os à própria sorte . Chamaram mais europeus para “limparem a raça”, coisa que muita gente repete ainda hoje, dando todas as vantagens e regalias. Faltou trabalhador para tanto pajé, enganaram os orientais com promessas nunca cumpridas. Quando esses se rebelaram, excluíram eles também. Um país que se exclui e se quer europeu de qualquer maneira. E não esqueçam que eu tenho um monte de sangue nas veias, inclusive europeu, de muitas terras férteis. Sim, sem sangue nas veias, só o Drácula. E não é brasileiro. É europeu. Não vão querer me excluir, por que eu tenho cara de índio e cabelo de negão. Eu não sou nem africano, nem europeu, nem índio. Eu sou tudo ao mesmo tempo, mas sobretudo, brasileiro. Não sei se felizmente, ou infelizmente. Apenas uma coincidência geográfica, o que não me faz nem melhor, nem pior do que ninguém.
Eu só fico triste, como a História do Brasil é tão repetitiva. Os europeus aqui aportaram e se apoderaram das terras, como se não tivesse ninguém, mais. Serviram-se do país, para enriquecerem e dos índios, até não servirem mais e os excluíram. Chamaram uns marginais que nomearam de Bandeirantes, para disseminar a cultura de Portugal”, país adentro e excluir ainda mais os excluídos. Viveram da exploração das riquezas das terras que a Coroa excluía como uma terra sem valor algum. Valeram-se dos africanos para satisfazerem todos os seus desejos. Mesmo achando-os bárbaros, sujos – não se sabe por que, europeu achava escravo negro, sujo – e sub-raça, muitos se satisfaziam sexualmente com as negras escravas, em detrimento das piolhentas brancas européias que chegavam tomando vinho de péssima qualidade e arrotavam bacaba. E a cultura européia de arrotar grandeza, disseminou até hoje.
E a nossa cultura ainda é da exclusão sistemática. Sejam das terras ao Sul, em relação às terras ao Norte, seja dos estrangeiros que chegam com uma mão na frente e outra atrás, como a Família Imperial que chegou cheia de piolho e doenças, paupérrima, fugida, com medo do Napoleão, excluídos que foram das suas regiões e chegaram com se fossem a fina nobreza européia, excluindo quem não participava do circo imperial que foi a vinda da Corte para o Brasil.
Ainda hoje, muitos que chegam, comem ovo de galinha e dizem que comeram bicho de casco. E disseminam essa cultura, entre os brasileiros. Um excluindo o próximo, achando que é melhor do que os outros, não por capacidade individual, mas por questões geográficas e no fim, temos um país dos excluídos, onde parece que na mesma região, tem guerras entre vários exércitos inimigos. É a Zona Sul do Rio de Janeiro, contra a Zona Oeste, a guerra dos “emergentes”, contra os “nomes tradicionais”. A guerra dos morros, contra os poderosos do asfalto. A guerra da corrupção, contra as famílias que deveriam merecer respeito e ter segurança pública a contento... É a guerra da Zona Leste de São Paulo, contra os condomínios da Zona Norte. É a briga dos condomínios de luxo, contra os excluídos do asfalto. É a guerra dos moradores de rua, excluídos do que se chama de sorte no Brasil, contra os donos das calçadas, donos das ruas, donos do mundo que pagam para queimarem os outros que “enfeiam” o que se arvoram a chamar de seu. É a Capital Federal do Brasil, rivalizando contra a pobreza miserável das Cidades Satélites do Distrito Federal. É invasão na Asa Sul, justamente por que uns se acham muito melhores do que todos os outros. É a exclusão histórica do Norte do Brasil que quando aparece com alguma vantagem, logo tem de se formar excluídos, tirando as terras de quem habita há anos na região, em detrimento de novos Bandeirantes, com a ficha corrida tão suja que diante deles, pau de galinheiro, é clínica de estética.
E o quanto perdemos com esta rivalidade entre e contra nós. Só começamos a dar valor ao que é nosso, quando os outros descobrem o valor que temos, como foi o caso da Lambada, do curare e agora, da copaíba.
Assim, jogamos nossas oportunidades no lixo, por que não nos consideramos racistas, discriminatórios nem preconceituosos. Não desveladamente, mas sutilmente, sempre. Mas estamos sempre querendo ser melhor do que os outros. E não por competência, mas por sermos enxotados das nossas terras e chegamos nas terras dos outros, como um mito que merece respeito, por sido excluído das suas e assim, excluindo o próximo.
Quando vamos nos enxergar como somos e não como gostaríamos de ser? Quando deixaremos de ter vergonha do que somos? Quando vamos nos sentir brasileiros que somos, sem dar tanto valor ao sobrenome, ou aos descendentes que muitas vezes vieram fugidos de seus países de origem e disseminaram esta cultura discriminatória contra nós? Quando deixaremos de nos chocar com a besteira alheia, como se nunca tivéssemos feito as nossas?
Os Peter Pan’s nacionais, têm de se convencer que esta não é a Terra do Nunca, mas a nossa terra para sempre.
O primeiro fato que me chamou a atenção, foram os peitões da ex-BBB que posou para a revista. Sim, nesses casos, sempre recordo da experiência que tive ainda na puberdade, em que enfiei o nariz no meio de uns peitões desse tipo e senti o maior cheiro de chulé. Total inexperiência pueril e infanto-juvenil. Mas nem por isso, pensei em desistir, ou ser homossexual, como umas pessoas que eu conheço e se dizem “machões”.
A ex-BBB com aqueles lábios carnudos – segundo um mito que corre por aí, os inferiores correspondem aos superiores. Têm a mesma forma -, parecendo quererem ser mordidos. Preciso assistir esses BBB’s da vida. Mas o que me chamou a atenção mesmo, foram as declarações dela. Perguntou-se se ela foi discriminada na França. E ela disse que nem na Suíça, nem na França, fora discriminada, muito pelo contrário. Uma caçadora de talentos, até a levou para a televisão, pela beleza que para eles, é marcante e para mim também. Se ela quiser conversar e tal e coisa e coisa e pau, estamos aqui, para o que der e vier. E se vier e der, muito melhor para mim. Ao contrário, sobre discriminação, ela se achou discriminada no Brasil, no BBB.
Em outra reportagem, citavam o fato de hoje no futebol brasileiro não se ver mais craques conhecidos pelos apelidos. Segundo o articulista, isto começou no Rio Grande do Sul, quando um dos cartolas do Internacional, pediu à mídia desportiva, para chamar seus jogadores, pelo nome e principalmente, pelo sobrenome, para facilitar as negociações com os times europeus, visto que muita gente no Brasil, ainda se acha estrangeiro, por causa da descendência.
Outra reportagem comparava os valores dos craques brasileiros com os estrangeiros. Os craques no Brasil estão perdendo de feio.
E daí? Vamos aos fatos. Só não aceito que Iracema os Peitões de Mel, venha dizer que existe racismo e discriminação no Brasil. Onde já se viu? Aqui? Nem morto, nunca vi. Somos todos iguais. Uns muito mais iguais do que os outros. Sempre!
Estou encantado com aqueles peitos. Os lábios também. O rosto. Aliás, o umbigo é que é feio. Mas isto eu não falo mais para ninguém. A última que falei além da conta, começou a dizer que ia fazer plástica e lipoescultura e mexer ali e aqui, por que se achava feia, aproveitei a deixa e disse para ela fazer apenas uma mudança. Plástica no umbigo. “Por quê?” “Por que eu acho o teu umbigo muito feio.” A única coisa que eu achava feio nela. Nunca mais deu certo. Nem incerto. Nem com umbigo, nem sem umbigo. Eu e essa minha boca grande. Não aprendo mesmo. Há muito tempo, conectava com uma filha de milico, da Ilha do Governador. Então ela vivia falando da vida dela e do ex-namorado que casou com outra e deixou a empresa nas mãos dela. Um dia perguntou o que eu achava e eu disse para ela deixar de ser lesa e pressionar a família do ex-namorado a pelo menos dar uma porcentagem na empresa, já que ela dirigia tudo e era quem colocava a empresa nos trilhos. Ela então deixou de falar comigo para sempre. “Quando uma mulher fala da sua vida, ela não está pedindo a opinião dos outros. Só quer ser ouvida.” E eu não adivinho, ora bolas. Ainda bem que com uma menina que conheci e fomos conversar no motel, eu fiquei de boca fechada. Ela entrou direto para o banheiro e se trancou por um bom tempo. Eu já estava ficando com medo. Depois de muito tempo, saiu e falava mais do que papagaio. “Já viu um corpo assim. Duvido que você encontre uma mulher gostosa, cheirosa, bonita como eu.” Parecia que o corpo dela, era um produto em exposição, para ser vendido. E ela, a agência de publicidade, eleita para fazer a propaganda do produto. De repente ficou de um jeito que eu nem imaginava. “Pronto, a posição que todo homem gosta.” De duas uma. Ou eu não sou homem, ou nem todos os homens gostam daquela posição. Fiquei em dúvida quanto à minha sexualidade, mais fiquei calado, para não estragar a noite. Deixei-a falando o quanto quis. Nem precisava responder. Ela falava sem parar, sozinha. A Walter Ego feminina. Não sei, mas eu acho que era muito brilho. Muito açúcar. Muito tênis, como diria o pagodeiro Bello. Ainda bem que não teve overdose, senão eu estaria encrencado sem nem participar da festa.
Numa reportagem de um desses colunistas sociais de televisão entrevistando uma cidadã, ela se dizia libanesa de nascimento, mas brasileira de coração. Então o telecolunista perguntou o que mais a impressionou no Brasil: “O fato das pessoas se apresentarem e além de falarem o nome, dizerem sua descendência em seguida.” Xicovslaia Johanpeterxupomasnuncuspooo, neto de holandeses, finlandeses, russos e alemães. Continuava ela que parecia que tinham vergonha de serem brasileiros.
Não sei por que, mas acredito que a discriminação da BBB se deu pelo fato dela ser nordestina, apesar dos pesares. Para mim, não sei se é birra, ou protecionismo. De todas que vi expostas – sim, por que mulher que se inscreve no BBB, é que nem gado eleito para aparecer em leilão. Sabe que tem de se mostrar inteira para as fotos. Umas, vacas leiteiras, outras gado de corte, mas sobretudo, todas com a nítida certeza que vão ser vendidas para quem der o maior lance, para servirem de alimento -, foi a que mais me atraiu em todos os sentidos. Até no sentido oposto.
Pelo que vejo, a BBB que mais se sobressaiu, foi uma gaúcha. Não que se ela viesse e me dissesse toma, eu recusaria. Quem sou eu. Mas me pareceu favorecimento sobre todas as outras. Eu gostei da nordestina e gostaria muito mais se ela estivesse na minha frente, como eu imagino. Ia sair toda mordida. Eu mordo, mordo e mordo. Ai de mim. Os lábios superiores, grandes, pequenos e anões. As bochechas do rosto e todas as outras. E lógico, morder e não comer, não tem a menor graça. Venha bichinha., venha! Oxe!
Essa gaúcha que virou a febre do BBB, até me fez lembrar de uma minha amiga. Ela me fez recordar fatos pretéritos, como diz aquele Ministro do STF que fala de um jeito tão esnobe que até parece com aquelas pessoas que detonaram a cartilagem das fossas nasais, com brilho. Parecem-se pelo menos fisionomicamente. Com algumas diferenças. A minha, nossa amiga, era muito mais sensual e apesar de ser bem cabocla, marcantemente nas feições era muito mais bonita, uns pelos leves e aloirados, por todo o corpo, em qualquer posição e qualquer brincadeirinha, arrepiava e me deixava arrepiado em ver tanto arrepio. Era uma mulher prendada nas línguas. Falava tantos idiomas que era capaz de muita gente nem acreditar. E usava a língua com grande desenvoltura. Era bonita, sensual, inteligente e gostava de conversar com as pessoas. E fazia sexo brincando. O que para mim, é um fato grandioso em uma mulher. Gostar de sexo, fazer e não ligar para a torcida de gente atrasada e reprimida. Por que o homem pode fazer sexo quando e como quer e isso não denigre sua imagem e a mulher, é logo taxada de um monte de besteirol ultrapassado? E eu, acredito que a prática traz a experiência. E a inexperiência para mim, é chato, por que o meu espírito de professor, não é muito aguçado. Eu gosto de aprender, apesar de a mulherada não ensinar muita coisa, hoje em dia. Mesmo com toda a liberação, preferem ficar totalmente passivas, quietas, sem expressar do que gostam.
A minha, a nossa, a vossa, amiga, gostava de conversar, principalmente se as pessoas fossem do sexo masculino e nascidos fora do país. Não sei por que, quando falei da semelhança que achava da nossa amiga, com a gaúcha do BBB, um amigo meu, parece ter se assustado. Não compreendi a relação. Eu não sei de nada.
A última vez que soube da minha, da nossa, da vossa amiga, tinha sido levada para a Alemanha. Mania desses alemães de nos levarem umas amigas gostosas. E quanta coragem delas. Uns alemães de mais de 2 de altura e mais de 5 de largura. Mas a coragem feminina é inconcussa. Agüenta cada coisa que eu que me acho macho, ficaria no mínimo, muito puto se me quisessem empurrar.
Hoje vou ser esnobe no português, para ver se eu também viro ministro, mesmo sem nenhum mérito. Da minha parte, lógico. Vou ser também velado. Quem sabe?
Até parece que todos os fatos apontem para o Sul do Brasil.
Não que o Rio Grande do Sul seja racista, ou preconceituoso, longe de mim, falar tal coisa. Eu sou brasileiro também e não digo as coisas que eu penso, de forma direta, sem um véu a esconder as verdades. E nem que eu diga que os Pampas não nos dê craques às pampas. Mas os nomes dos craques que aparecem, são Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Kaká que ainda mantêm os devidos apelidos. Em valor, perdem até para jogador português que nunca levantou uma taça do mundo. Não adianta nos escondermos debaixo dos nossos preconceitos. Somos brasileiros. E um grande nome que bem nos representa no desporto nacional, também é gaúcha. A Dayane dos Santos. Puxa, totalmente fora dos padrões que nós queremos pensar de nós. Gaúcha, mas negra e com o sobrenome tão comum, “dos Santos” que já virou até nome de acrobacia internacional. Não é Senna, nem Schimidt. É Santos. E santo de negro, não que sejamos racistas, mas é orixá. Valha-me Deus, os evangélicos vão já exorcizar essa “macumbaria”. Ainda bem que eles também não são preconceituosos. Isto não é preconceito, tão somente ignorância pura.
Mais uma vez, a história de quem faz quem. Não é o nome, nem o sobrenome que faz a pessoa, exatamente o contrário. A Dayane é dos Santos e nem por isso, deixou de escrever seu nome no cenário internacional, com um sobrenome tão comum no Brasil. Mas não se aprende.
Parece até outra reportagem à muito tempo atrás, quando a Família Diniz ganhou um torneio de pólo. A família que perdeu, ficou indignada, não pelo fato de haver perdido, mas por haver perdido para “aqueles negros.” Segundo o que se publicou, a Família Diniz mandou investigar a árvore ginecológica dos perdedores, também conhecida como árvore genealógica e nem precisou ir muito longe. A avó dos mesmos, era uma negra que eles escondiam no baú da história. Vai dizer que isso não é a nossa cara?
A mania de se excluir o Brasil do Brasil. Excluíram os índios que já viviam aqui. Trouxeram os africanos à força para servir aos senhores, na marra. Depois que não serviam mais, excluíram-nos, deixando-os à própria sorte . Chamaram mais europeus para “limparem a raça”, coisa que muita gente repete ainda hoje, dando todas as vantagens e regalias. Faltou trabalhador para tanto pajé, enganaram os orientais com promessas nunca cumpridas. Quando esses se rebelaram, excluíram eles também. Um país que se exclui e se quer europeu de qualquer maneira. E não esqueçam que eu tenho um monte de sangue nas veias, inclusive europeu, de muitas terras férteis. Sim, sem sangue nas veias, só o Drácula. E não é brasileiro. É europeu. Não vão querer me excluir, por que eu tenho cara de índio e cabelo de negão. Eu não sou nem africano, nem europeu, nem índio. Eu sou tudo ao mesmo tempo, mas sobretudo, brasileiro. Não sei se felizmente, ou infelizmente. Apenas uma coincidência geográfica, o que não me faz nem melhor, nem pior do que ninguém.
Eu só fico triste, como a História do Brasil é tão repetitiva. Os europeus aqui aportaram e se apoderaram das terras, como se não tivesse ninguém, mais. Serviram-se do país, para enriquecerem e dos índios, até não servirem mais e os excluíram. Chamaram uns marginais que nomearam de Bandeirantes, para disseminar a cultura de Portugal”, país adentro e excluir ainda mais os excluídos. Viveram da exploração das riquezas das terras que a Coroa excluía como uma terra sem valor algum. Valeram-se dos africanos para satisfazerem todos os seus desejos. Mesmo achando-os bárbaros, sujos – não se sabe por que, europeu achava escravo negro, sujo – e sub-raça, muitos se satisfaziam sexualmente com as negras escravas, em detrimento das piolhentas brancas européias que chegavam tomando vinho de péssima qualidade e arrotavam bacaba. E a cultura européia de arrotar grandeza, disseminou até hoje.
E a nossa cultura ainda é da exclusão sistemática. Sejam das terras ao Sul, em relação às terras ao Norte, seja dos estrangeiros que chegam com uma mão na frente e outra atrás, como a Família Imperial que chegou cheia de piolho e doenças, paupérrima, fugida, com medo do Napoleão, excluídos que foram das suas regiões e chegaram com se fossem a fina nobreza européia, excluindo quem não participava do circo imperial que foi a vinda da Corte para o Brasil.
Ainda hoje, muitos que chegam, comem ovo de galinha e dizem que comeram bicho de casco. E disseminam essa cultura, entre os brasileiros. Um excluindo o próximo, achando que é melhor do que os outros, não por capacidade individual, mas por questões geográficas e no fim, temos um país dos excluídos, onde parece que na mesma região, tem guerras entre vários exércitos inimigos. É a Zona Sul do Rio de Janeiro, contra a Zona Oeste, a guerra dos “emergentes”, contra os “nomes tradicionais”. A guerra dos morros, contra os poderosos do asfalto. A guerra da corrupção, contra as famílias que deveriam merecer respeito e ter segurança pública a contento... É a guerra da Zona Leste de São Paulo, contra os condomínios da Zona Norte. É a briga dos condomínios de luxo, contra os excluídos do asfalto. É a guerra dos moradores de rua, excluídos do que se chama de sorte no Brasil, contra os donos das calçadas, donos das ruas, donos do mundo que pagam para queimarem os outros que “enfeiam” o que se arvoram a chamar de seu. É a Capital Federal do Brasil, rivalizando contra a pobreza miserável das Cidades Satélites do Distrito Federal. É invasão na Asa Sul, justamente por que uns se acham muito melhores do que todos os outros. É a exclusão histórica do Norte do Brasil que quando aparece com alguma vantagem, logo tem de se formar excluídos, tirando as terras de quem habita há anos na região, em detrimento de novos Bandeirantes, com a ficha corrida tão suja que diante deles, pau de galinheiro, é clínica de estética.
E o quanto perdemos com esta rivalidade entre e contra nós. Só começamos a dar valor ao que é nosso, quando os outros descobrem o valor que temos, como foi o caso da Lambada, do curare e agora, da copaíba.
Assim, jogamos nossas oportunidades no lixo, por que não nos consideramos racistas, discriminatórios nem preconceituosos. Não desveladamente, mas sutilmente, sempre. Mas estamos sempre querendo ser melhor do que os outros. E não por competência, mas por sermos enxotados das nossas terras e chegamos nas terras dos outros, como um mito que merece respeito, por sido excluído das suas e assim, excluindo o próximo.
Quando vamos nos enxergar como somos e não como gostaríamos de ser? Quando deixaremos de ter vergonha do que somos? Quando vamos nos sentir brasileiros que somos, sem dar tanto valor ao sobrenome, ou aos descendentes que muitas vezes vieram fugidos de seus países de origem e disseminaram esta cultura discriminatória contra nós? Quando deixaremos de nos chocar com a besteira alheia, como se nunca tivéssemos feito as nossas?
Os Peter Pan’s nacionais, têm de se convencer que esta não é a Terra do Nunca, mas a nossa terra para sempre.
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