A falta de critérios, ou talvez, critérios chulos e impensados, parece norma no Brasil.
Onde já se viu, eleger gente com ficha corrida, muito mais suja do que lixeira pública, para prefeito? Ou qual o critério para a se defender gente com esse perfil, de graça, quando essa mesma gente se diz boa gente? Qual critério poderia ser pior ainda? Quem sabe, defendem por que pessoa assim é de fora e o que é de fora, tem de ser melhor do que os locais oferecem, mesmo que ele seja local, assim como os outros. Onde já se viu, escolher para governador de área de preservação, pessoas reconhecidamente devastadoras de vastas regiões de floresta? Talvez por que ele se mostre como exemplo de empreendedor. O que destrói, sem se preocupar com o meio em que vive, para se dar bem hoje, sem se importar com o amanhã. E então defende-se tipo assim e se rebaixa o caboclo, por ser caboclo e não infringir nenhuma regra. É a mania de se querer denegrir o que é caboclo, mesmo que se seja caboclo. É como se ao se defender quem é adventício, tivesse-se alguma chance de deixar de ser caboclo. A tentativa desesperada que a maquilagem, o esconda de si. Como a história do pó de arroz. Sabe como foi? Os times da Cidade Maravilhosa, Capital Federal do Brasil, Rio de Janeiro que muitas vezes se acha território português, mesmo dentro do próprio estado, não admitiam negros em suas equipes. O primeiro clube a admiti-los, foi justamente o Vasco da Gama que por ser tradicionalmente português, tivesse mais chance de ser racista. É como se diz. Às vezes, de onde não se espera, saem os melhores remédios. O último clube do Rio de Janeiro a admitir negros, foi o Fluminense, clube que depois de uma dissensão, deu origem ao Flamengo. O Fluminense, clube tradicionalmente elitista, do Seu Clovis, do Piroka, do João Havelange, dos Generais Mérdici e Figueiredo e tantos outros, admitiu um jogador negro em seu cartel, sob uma imposição. Não poderia parecer negro. Então, o jogador negro entrou em campo cheio de pó de arroz, maquilagem que deixava as mulheres de antigamente, com ares europeus, como as de hoje que se pintam de louras, ou as que querem manter a juventude, na base da intervenção cirúrgica e nenhuma mudança de consciência e acabam como caricaturas muito mal acabadas e mesmo mantendo as aparências, perdem seus maridos, às vezes, até para uma mulher que se mantém digna, mantendo a idade e se mantendo como é, inclusive com cabeça, o que configura, algum conteúdo. Porém, o suor, revelou sua cor no decorrer da partida. Por que a necessidade imperiosa de se integrar a um grupo que o discriminava, principalmente antigamente, quando o futebol não dava dinheiro a ninguém? É muito parecido com a nossa história, onde muitos de nós, escondem-se sob algum efeito, alguma máscara que não nos dizem nada sobre eles, para não parecerem consigo. Por isso é que tanta gente ao Norte, é contra a demarcação de terras indígenas e prefere dar tudo a grileiros, assassinos, pistoleiros... Para ver se assim, eles têm a possibilidade de se parecerem ádvena. O meu temor de tanta vergonha de se mostrar como é, dessa gente é que cheguem ao extremo, quem sabe, ao suicídio, como ato final de se mostrar alienígena e alienado de si.
Parece que somos um povo sem noção mesmo. Queremos nos apartar de nós, como se fosse possível, separar mente, corpo, cabeça, tronco, membros e alma. A nossa história do preso português, com um leproso. “Carcereiro, não quero assustar, mas o meu companheiro de cela está a fugir aos pouquinhos. Todo dia ele aparece sem um dedo, sem uma orelha, sem um olho...”
Parece que os atos não correspondem aos fatos.
Já vi advogada que se diz “antenada” com as questões feministas, defender estuprador e para ganhar a causa, alegar que a roupa que a vítima usava, interferiu no ato, algo como dizer que uma mulher, é a culpada pelo estupro, por usar, este, ou aquele tipo de roupa. Quando se sabe que mesmo uma mulher nuazinha, prostituta de exercício, mãe de vários filhos, mas sem o consentimento dela, não há sexo. Simples. Mas adoramos buscar subterfúgios, desviando as discussões sempre. Talvez a advogada só ande de burka no meio da rua, ou de outra forma, está querendo ser estuprada.
Não sei por que, aprendemos a dissociar a realidade, desde criança. Uma mulher advoga para um estuprador o que até aí, não é incomum. Mas usar defesas machistas, é querer que o machismo fique nos tribunais e lá na rua, as pessoas respeitem a mulher, como devem. Com respeito e consideração. Só se for com os peitos e os bundões.
Isso se dá muito na escola. Parece que o que se aprende na escola, não tem correlação com a vida real. E aí, as coisas ficam realmente difíceis de serem captadas. É por isso que as Ciências Naturais, na maioria das vezes, são as grandes vilões do ensino no país.
Um afilhado que tenho e que agora virou carola do Vaticano – não puxou em nada ao dindinho -, estudava em um colégio religioso, evangélico. Era engraçado, como as informações eram divergentes. Como ele morou um tempo na minha casa, eu via as lições do caderno dele e as mensagens num tal de diário, um desses produtos que evangélico adora vender, mas tudo em nome de Deus - aquela piada antiga que dizia que o judeu vende até a mãe, mas não entrega e o árabe, vende e entrega, agora até podia ser ampliada com os evangélicos que vendem a mãe, o pai, a família, deixam em casa, cobram também pelo frete e ainda perguntam se o cliente os quer fatiados, ou picadinhos. Tudo por dinheiro -. Então nos “pontos” ele aprendiasobre mitocôndrias, meiose, mitose, aqueles negócios que eu não suportava e não sei por que, confundia todas as vezes, com as divisões dos átomos - e a única matéria de Biologia da qual gostei, foi Genética, por que me pareceu muito, com partituras. Era como se estivesse escrevendo uma música. E até hoje, acho que as pessoas têm uma música sua. No dia em que alguém transformar a leitura do código genético em pauta, bemóis, sustenidos, notas e pausas, cada pessoa vai poder ouvir o seu som inconfundível. O som original de cada um, como uma buzina personalizada e única -. Ao mesmo tempo em que ele aprendia sobre Darwin e a Evolução das Espécies, o tal diário, falava sobre Adão, Eva e o que mais me chamou a atenção. Quem escreveu o diário que não era escrito pela pessoa, mas já vinha todo escrito do colégio, odiava a possibilidade de termos descendido dos símios, sermos parentes dos macacos, dos ratos - onde já se viu. Imagina uma pessoa arrogante e metida à besta que se acha a imagem e a semelhança do Ser Superior, criador do Céu e da Terra, descender, ou ao menos, ser comparada a seres inferiores, sem alma, sem inteligência, sem valor algum -. Contradizia tudo o que a lição de Biologia ensinava. Deve ser difícil, aprender uma coisa e ser convencido de outra. Mas a educação no Brasil se dá muito por aí.
O aluno se mostra educado na presença do professor e um tremendo terrorista, quando se vê sozinho, ou sem alguém que ache superior a si. E vamos levando isso para a vida inteira. Ultrapassamos sinais vermelhos, quando nos sentimos sós. A simples presença de uma autoridade sob o semáforo, nos faz diminuir a velocidade, mesmo que esteja verde para que passemos. Êta nós!
E então essa cultura de falta de coerência se expande em todo o território nacional. Já viu gente se queixando sobre corrupção, sobre os políticos e tudo o mais e na hora da escolha dos candidatos, escolher não pelas propostas, nem pelo valor do candidato, mas por algum benefício que vá ganhar, mesmo que se configure em um ato de corrupção e imoral? Já viu querer se mostrar membro de algum grande aparato social e votar em alguém por ser ‘amigo”, mesmo que seja reconhecidamente pilantra? É a nossa cara. Queremos que os outros mudem, para continuarmos praticando as mesmas coisas. E esperamos que assim mesmo, as coisas mudem. É questão de acreditar em milagres. E olha que o brasileiro vive pedindo milagres. Mágicas que surjam do nada, sem que se precise mudar um milímetro o que faz.
Ainda tem igreja mostrando milagres na televisão e tem gente que acredita. O cara chega de muletas e sai andando. “Irmão, largue a muleta e saía correndo.” “Sim meu pastor.” E o fiel desaparece atrás das cortinas. “Irmão, como você está?” “Todo quebrado pastor. Dei um pulo e uma carreira e não consegui me equilibrar, estou pior do que estava com as muletas. Pelo menos, antes eu tinha os dentes inteiros. Agora virei um animal totalmente invertebrado!” E a platéia grita em êxtase: “Aleluia! Aleluia! O Senhor opera milagres.” É querer se enganar muito.
Essa esperança generalizada de fazer cagadas e esperar que o mundo seja lindo, chegou à internet. E olha que a rede tem poder. A palavra tem poder. Égua! Tenho de maneirar este meu jeito esdrúxulo e chulo de falar. Pata que os pariu, qual não foi minha surpresa dia desses, ao atender o telefone. Dona Ilza Garcia, ex-Presidente da APAE/Manaus, , da Casa da Mulher Executiva, senhora de destaque na sociedade amazonense, elogiando um escrito que fiz e pedindo para que escreva sobre aquela basbaquice de se mudar o horário da programação local das televisões. Coitada, ela que gosta de ver um futebolzinho às quartas tem de ver o Juvenal Antena X Ferraço. Como novela é maniqueísmo até pueril, um é bandido bonzinho, constrange os outros, tem milícia, mas o nome diz tudo. Juvenal. Deve ser irmão do Infantil e do Juvenil, quiçá do Dente-de Leite. O outro, bandido malvado, para mim, até menos do que o primeiro, pois ele apenas mostrou a uma menina lesa que ela era otária ao confundir relação sentimental, com relação de bens – coisa que ainda se vê muito por aí, por lá e por cá -, mas não constrangeu nenhuma sociedade, não mandou capanga cobrar os outros na base da bala, não tem suas próprias leis, como se fosse um Deus supremo, cometeu um crime individual, o que nem sei que se configura em crime. Ele apenas usou uma procuração, em seu favor que uma menina desnorteada passou a ele, com plenos poderes. E como ele é o “bandido”, tem um sobrenome que diz tudo, para ferrar com todo mundo. Ferrar com aço. Ferraço - esse autor, é das antigas -. Fosse eu o autor da novela, fá-lo-ia – virgem! Parece imoralidade. Esse negócio de falo ia, falo vem, falo vai... Não caiu muito legal. O chato é que se o cara não se cuidar, não ficar esperto, não encapar, vai acabar tendo de pagar pensão – morrer bem velinho e depois mandá-lo-ia para o Céu. Imagina o cara agüentar uma ex-mulher histérica que não sabe conversar com o filho, a não ser aos gritos e mesmo assim, ele não a atende. Agüentar um filho chato, mimado que quer mandar até na vontade dos outros. Ainda ter de rivalizar com outra ex-mulher, maluca, cheia de vontades que acha que é o centro do mundo, com aquela boca que parece que está fazendo careta toda hora. Ter como governanta, a Bete Farias, com a cara do inimigo do Batman totalmente deformada. O inimigo do Batman era daquele jeito, por que caiu num poço de ácido. A Bete, por que caiu numa clínica para se encher de ácido também, mas ácido botolímico, mais conhecido como botóx. E ainda tem como inimigo a dupla Juvenal Antena, com aquela dicção horrorosa que a gente nunca sabe se é o Rei do Gado, ou o caminhoneiro amigo do Bino – nem para ser amigo do Rubinho, um dos maiores pilotos de F1 de todos os tempos. Só faltou sorte à ele. O primeiro piloto brasileiro a defender a Ferrari, mas chegou justamente quando o contrato não permitia que desenvolvesse tudo o que podia. Quando pode desenvolver, o carro não desenvolve. Mas mesmo assim, um piloto respeitado e que não vive de fazer marketing pessoal de bonzinho e na realidade, um tremendo basbaque, uma franga histérica que queria tudo de bom e do melhor só para si, não assumia, ia contra as decisões coletivas, dava tapa na cara de todo o mundo e aparecia como o eleito de Deus, dizendo que havia conversado com ele, em uma curva. Vai ver, foi conversar de novo e... Atrapalhou a visão e não se mostrou como era de verdade, como muitos ainda hoje - e a outra com aquele cabelo feio e enorme que mais parece promessa de puta do cais do porto, bem vestida, quando pega um financiador e mesmo assim, gasta mal o dinheiro que dispõe. Imagina. Diz se o cara não merece ir para o Céu? Eu só acho que é uma novela onde não tem mocinho. É tudo bandido. Até entre as personagens femininas, parece até baile funk. Só tem bandida.
É, não adiantam as condições tecnológicas chegarem ao ponto que chegaram, não adianta dispormos de tais aparatos, pois assim mesmo, muitos nos querem no atraso, inclusive muitos de nós. Entregam tudo de mão-beijada, para ver se sobra uma migalha para eles se sentirem felizes de comerem a sobeja de seres tão menos caboclos do que nós, por isso, considerados muito mais evoluídos. Vamos engolindo a favela do “língua plesa”, justamente na hora do futebol. E muita gente nem se toca de que o mocinho, na realidade, é o mais bandido de todos.
Mesmo quem tem seu conversor de canal fechado, um dia vai ser atingido por essa total falta de respeito para conosco ao Norte, se continuarmos calados frente aos desmandos em relação a nós.
Bem, não vou escrever, pelo menos agora, sobre o assunto. Nem vou enviar para quem quer que seja.
O que me deixou pasmo, foi ver meu ex-colega de faculdade, um ex-líder estudantil, atual Presidente do Sindicato dos Jornalistas, César Wanderlei estar a favor da ingerência dos tribunais, na educação familiar. Eu até preciso rever meu posicionamento, depois disso. Rever minhas atitudes. Logo ele que nunca foi caretão, nunca foi tradicionalista. Devo estar errado em pensar contra a medida jurídica. Aliás, eu sempre estou do lado errado. Mas quando o presente se faz passado e se chega ao futuro, não sou eu que troco de lado e faço de tudo para esconder o pretérito dos meus atos.
Não vou escrever nada sobre a programação, para ninguém, ou órgão competente, por que acho que com outra medida colocada de cima para baixo - no nosso caso ao Norte, de baixo para cima -, goela abaixo, sem consulta alguma, as coisas vão voltar ao que eram. A programação vai voltar ao normal. Em breve, passaremos a nos reger pelo horário oficial do Brasil. E já tem gente, pensando em continuar com os mesmos horários, ao invés de adiantar as horas em tudo. Ao invés de irmos ao banco que abre, às 9:00h, vamos às 10:00h. Continuamos do mesmo jeito, mudados. Mas tem gente que quer manter os mesmos horários, o que quer dizer que estaremos em permanente horário de inverno. Vamos ter de acordar de madrugada para cumprir horário, por que muita gente não pensa.
Mas as soluções arranjadas para satisfazer a todos, é que são as melhores. O horário das novelas foi mudado por ordem judicial, nem se discute, troca-se o fuso-horário. Brincadeira, pois essa mudança, estava sendo estudada há tempos. O Quartieiro vai ser solto, pronto, a gente só lembra que ele foi preso, por ser visto com mandante de mandar atirar nos índios. Esquecemos que além da denúncia de mentor, ele também tinha um arsenal em casa, ilegal, inclusive com bombas para serem jogadas contra os “invasores” da sua terra invadida. É só mudar o foco das coisas que de repente a gente esquece. O desmatamento continua? Fácil, é só apelar para as estatísticas. Pronto, de repente o desmatamento é mínimo. Pega-se uma área que já foi devastadas quase 70% do total, somente em um sítio específico. Qualquer desmatamento ali dentro, é mínimo. Então a gente tem uma queda acentuada do desmatamento da Amazônia, do Pantanal, quando a realidade é totalmente outra. Aliás, quem se valia muito de métodos estatísticos, era um cara chamado Adolf e que ficou na história, como um dos maiores religiosos/sanguinários de todos os tempos. Usava estatística para mostrar a superioridade alemã, para mostrar a popularidade dele em relação ao povo, usava inclusive a estatística, para desviar a atenção, como a história do copo. Para uns, estava meio cheio. Para outros, estava meio vazio. E estatística pode ser usada tanto contra, quanto a favor.
Pensei em fazer um abaixo-assinado em favor da programação normal, em real-time, usada até mesmo na internet, por jovens, crianças e adolescentes, para ver se a população se manifesta, visto que tudo hoje em dia, é realizado, como história em quadrinhos. As pessoas ficam sob o julgo de bandidos, de pessoas inescrupulosas que lhes reprimem, mas não fazem nada. Nem se reúnem para ver se podem fazer algo. De repente aparece um salvador individual, sem perguntar o que os outros pensam e já pensa por todos, bate e mata os “fora-da-lei”, fazendo justiça com as próprias mãos, o super-herói que não precisa se guiar pelas leis, por que ele está acima dela. Pronto, de repente, as coisas voltam à primavera sentimental, com todos curtindo a vida, na plenitude do seu ser, sem ao menos participarem das decisões quanto às suas vidas. Esperam sempre que um outro atue por eles, mesmo que nem perguntem como devem agir em seus nomes. É assim que querem a sociedade, um salvador da pátria, um cara que coloque a cara à tapa. Mas quando a porrada comer, ninguém respalda, ao menos, colocando-se em defesa das idéias. Subscrevem sempre procurações com plenos poderes aos outros e ainda ficam com raiva do Ferraço.
Eu já conheço essa ladainha. E eu não sou nem super-herói, muito menos, salvador da pátria. Eu acredito que atos em grupo surtem muito mais efeito do que atos individuais. Egocentrismo, nunca foi a minha meta. É por isso que estou procurando uma igreja onde tenha aquele abaixo-assinado, contra a filiação tantos bandidos filiados aos partidos políticos, para participar e assinar, fazendo coro com a vontade de muita gente. Lógico, posicionando-me contra a vontade do General Heleno Augusto que prefere tirar as terras das nações indígenas, para dar a gente do tope do Quartieiro. E esses que apóiam essa gente, ainda se arvoram de boa gente, gente de bem. É crer muito. Imagina!
Eu me assustei, quando a Dona Ilza disse que havia lido o meu artigo. Não pensei que as coisas basbaques que escrevo, pudessem chegar tão longe. E o pior, com um vocabulário, chulo, mas que não deixo de usar. Prefiro um vocabulário chulo que se utilize de palavrões, mas tenha conteúdo, do que um palavreado cheio de firulas, falso e desprovido de cérebro.
Mais uma vez cheguei à conclusão de que qualquer coisa que se faça, vai repercutir. E portanto, devemos ter responsabilidade, inclusive sobre nossas brincadeiras, para não nos arrependermos em nosso porvir – arrasei! Estou falando que nem aquele Ministro do STF que a mim parece esnobe além da medida, de família de usineiros, o que quer dizer, de sangue nobre, parte da realeza que por aqui chegou, com a nobreza lusitana e até hoje vive como se estivesse pairando sobre os pobres mortais, Talvez por isso, o STF esteja se mostrando em várias medidas, em várias frentes. Mas quando os usineiros não pagam os empréstimos que fazem do dinheiro público, não vejamos nenhuma ação do próprio. Ainda se sentem parte da realeza, por isso mesmo, não precisam se rebaixar para dar satisfação à plebe rude -.
Tem gente que não assume nada. Gente que quando sóbria fica quieta, fingindo-se de morto. É beber um pouco e começar a falar o que estava preso na goela e depois, sóbrio, dizer que não se lembra do que fez, nem do que falou. É de deixar qualquer um, com a pulga atrás da orelha. Outros, dizem o que querem dizer, através de piadas. E dizem que apenas piada, nada mais. Gente que precisa de máscaras para se esconder, precisa do escurinho do cinema para se mostrar. Por isso, acham que não precisam ter responsabilidade sobre nada, por que depois, é só dar uma desculpa, nem que for totalmente esfarrapada que está tudo resolvido.
Dentre as responsabilidades, a internet hoje, faz parte de toda essa visão que se deve ter das coisas. Eu sei que eu repasso emails aos borbotões, mas procuro eliminar os que acho que denigrem a dignidade das pessoas que trazem embutido, preconceitos que as pessoas não têm coragem de falar por conta própria, fascismos que as pessoas têm medo de se declarar, mas que repassam, uma tentativa de convencer os outros, a se aliarem às suas atitudes e pensamentos. Mesmo que de forma falsa.
É incrível, como até descendentes de negros, são fascistas, são racistas e discriminatórios no país, e não tenham coragem de se mostrar como são. Incrível como pessoas negras, discriminam-se, a sua cor, raça e genealogia. Incrível como gente do Norte, agora ande com adesivo, dando apoio à idéias do General Heleno Augusto. Incrível, como essas pessoas não defendem seus pontos de vista claramente, como aconteceu em uma blitz, onde o TRE/Am, retirou adesivos em favor de candidatos reconhecidamente fraudulentos, sem que ninguém marcasse posicionamento algum, apenas se mostrando com as caras mais lesas do mundo. É todo mundo valente, mas na hora de se mostrar, arregam. É incrível como se tenha arraigado um certo gene nazista, gene da eugenia, um pensamento ariano, em um país marcadamente miscigenado.
Encontrei um dia desses, um ex-companheiro de lutas e de partido. Sim, eu atuei na adolescência com os ecologista/pacifistas/socialistas – sociais-democratas -, tudo muito discreto, justamente por que vivíoamos sob uma ditadura que queria entregar o Brasil para os outros e tudo que se mostrava contrário, ou de outra feita, a favor do Brasil, era considerado subversão, inclusive a defesa da ecologia; trabalhei no início da militância estudantil com os trotskystas; fui cooptado no interior de São Paulo, pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro – MR 8 –; atuei em organizações que defendiam a ecologia mais à esquerda daquelas do meu tempo da adolescência – e por defendermos a ecologia, tínhamos de nos esconder, para não sermos considerados subversivos, como qualquer partido, ou agremiação na clandestinidade - e acabei, depois de muito tempo, militando pelo PC do B, quando me filiei por conveniência partidária ao MDB. É fato notório e encerrado. E não escondo.Mas sempre atuei de forma a debater, sem me ater à ideologia de quem estava debatendo do outro lado. Primeiro as propostas, depois o debate do que pode ser aceito e do que por ventura ache divergente do que penso. Talvez por isso, era escolhido para negociar, para fazer alianças com todo tipo de gente, todo tipo de pensamento ideológico.
Meu ex-companheiro de lutas que na época era secundarista, relembrou alguns fatos passados. E a gente até riu muito. Lembrou dos tipos que apareciam nas costas e às custas do partido, cheios de falação, mas na hora da luta, jogavam a bandeira fora e se mandavam, como se não conhecessem ninguém. E para se elegerem, precisavam sempre de um batalhão de ajuda do partido. Não sabiam caminhar com as próprias pernas nunca. E até hoje se valem de subterfúgios, para conseguirem o que querem. Até diploma universitário.
E a gente riu de coisas que na época, foram barra pesada. Lembrou da Parada Militar de 7 de Setembro, quando ele na UESA e eu no Diretório Universitário, nos unimos todos para distribuir panfletos onde se questionava a independência do Brasil. Ele nem sabia que quem reservou aquele espaço estratégico, ao lado do palanque oficial, fomos a companheira Gina e eu, levados pelo Brabo, antes das 4:00h da manhã. Por diversas vezes, fomos constrangidos pelo Exército naquele dia e alertados pelas filhas dos oficiais das segundas intenções deles. E a cada incursão da PE, a das outras forças, os populares se manifestavam e eles se retraiam. Ao final do desfile, quando muita gente havia se retirado, tivemos de pular o cercado e sair correndo na direção contrária ao desfile da Banda do Exército, atrapalhando o passo rígido, alguns músicios deixando cair os instrumentos, porém, mais uma vez, com o apoio dos espectadores. Se os espectadores não vaiassem a truculência oficial, estaríamos mortos a uma hora dessas. Palavras vindas do palanque oficial. Nem lembrou da passeata pela meia-passagem, onde de novo, ele na UESA e eu no Diretório Universitário, nos reunimos para mobilizar as pessoas contra o aumento do transporte coletivo, a reivindicação da meia-passagem para os estudantes, o que ocasionou em um semana de quebra-quebra no centro da cidade, por causa das forças da repressão que jogaram água nos manifestantes, incendiando a ira dos populares que se armaram com pedras, paus, estacas e tudo que tinham à mão. Como queriam que acontecesse, a passeata saiu do controle. Como éramos poucos, no meio de tanta gente, não deu nem para pedir calma. A repressão só não esperava que chegasse onde chegasse, inclusive noticiado pelo Jornal Nacional. Desta manifestação, apesar de ter reunido para delinear os passos, avisei de antemão que não poderia participar, pois tinha uma prova muito importante, justamente no dia. Quando acabei a prova e me dirigi para a manifestação, a cidade era a própria barbaria, com fogo no meio da rua, gente correndo e impossível de entrar. Basta que na manifestação da São Sebastião, quando fuzilaram o santo, eu fiquei responsável em mobilizar todo mundo de todas as unidades e quando cheguei na praça, a polícia estava cercando tudo e ainda pedi licença aos policiais, para dar licença, para entrar. Ai se a gente não se protege. Se até o São Sebastião que além de flechado e empalado, ainda foi fuzilado, sem nenhum respeito, imagina um qualquer como eu que nunca fui santo. Hoje, é até engraçado, mas na hora... Ele não lembrou que tivemos de fazer os atos públicos e políticos, na Igreja de São José, por que as polícias estavam a fim de acabar conosco e alguns tiveram de se esconder dentro da igreja, por um bom tempo até a coisa acalmar. Os diretores do Diretório Universitário ficaram à frente de todos. Vanessa, Paulino, Levino, Brabo, Gina e eu. De vez em quando ia um à frente, para rezar: “Pelo socialismo.” “Palavras do Senhor”. “Pela democracia.” “Palavras do Senhor.” Na hora do sinal da cruz, achei que era melhor ninguém fazer nada. A companheira Gina que nunca rezou na vida, extremamente nervosa e canhota como sempre, já estava mandando o sinal da cruz com a mão esquerda. Quando alertei-a sobre a heresia, ela se exasperou: “Não vem com as tuas gracinhas. Aqui não”. Mas gracinha, é fazer o sinal da cruz com a esquerda, visto que na religião tudo o que é destro é divino e tudo o que canhestro, é do Demo. Não dos Democrata, mas do outro. Talvez nem saiba da manifestação-relâmpago, quando da chegada do General Figueiredo, onde o presidente do partido à época, chegou no campus, passou a chave da Kombi – tanto ele, quanto o meu pai, sempre divergiram do modo como eu dirigia. Mas quando precisavam de uma direção mais apurada, entregavam a mim, as chaves -. Eu estava responsável em chamar alguns membros, sem que dissessem não, para evitar que a notícia se espalhasse. No meio do caminho, uma amiga minha, pediu carona. Eu estava com as duas chaves na mão. A do Opala e a da Kombi, não dava para dizer que não. Ela teve de se meter no meio. Tive de devolver a chave, para ficar ao lado a minha amiga. No meio do caminho, enquanto panfletávamos, a sirene dos batedores do General/Presidente, anunciaram que estavam passando. Todo mundo teve de correr para a Kombi, menos minha amiga, eu e o presidente do partido que estava dirigindo. Eu tentei fazer graça para acalmar a minha amiga que estava nervosa com a sirene que nos acompanhou por um bom tempo e acabou que inclusive o motorista ficou nervoso e mandou calar. Ainda bem que todos saímos sãos e salvos. Inclusive as caronas que minha amiga pedia de vez em quando. Os shows que assistimos, a prainha de vez em quando, escondidos do noivo dela e uns jantares de vez em quando. Coitada, ao mesmo tempo em que ela se mostrava muito assustada, eu achava aquilo muito engraçado e ficava com pena dela ter se metido numa fria daquelas, sem ter nada a ver com o peixe. Ela era muito delicada. Uma delicadeza que não significava fraqueza. Mas parece que de vez em quando, tinha azar nas coisas, como um congresso em que foi conosco. Na hora de anunciarem o vôo, ela veio à mim, dizer que tinha perdido a passagem. “O que eu faço agora?” ‘Tu vais ficar. Ciao!” Ela não sabia se chorava, sorria, gritava... Estava totalmente perdida. Então levei-a ao balcão expliquei o que havia acontecido e nos comprometemos de pagar o valor devido para a segunda via, quando chegássemos ao destino. Uma amiga que num show onde cansou de esperar a atração, sentou no chão. Se eu não puxo pelo colarinho, iria tomar banho de urina, pois um dos caras de uma turma que estava se drogando ao nosso lado, puxou a mangueira para fora e apontou na direção dela.
Bem, mas isto não vem ao caso. Retornemos ao que dizíamos.
Somos um povo covarde que quando tem o poder nas mãos, pensa que pode tudo. Quando se vê em minoria, não se manifesta defendendo suas idéias. É como a nova geração que vive em um Estado de Direito, com plenas liberdades individuais, mas ainda questiona a presença de “comunistas”, de partidários deste ou daquele partido, no movimento estudantil, nas representações de toda ordem. Não só os comunistas. Hoje, temos a presença até de Democrata. Aqueles que na Ditadura, faziam de tudo, para evitar o debate, a democracia. Ora bolas, eu sempre me posicionei, mesmo contra a força. Nunca me liguei no rótulo dos outros, mas no que diziam, no que apresentavam de proposta.
No Exército, mesmo sob o medo, falava o que achava. E quando achei que a história de me manterem detido todo o tempo já estava passando dos limites, passei por cima da hierarquia, não falei com o cabo, para ele falar com o sargento, para falar com o tenente, para falar com o capitão... Entrei nos aposentos do comandante da companhia e fui questionar o motivo de tanta detenção. Mesmo quando não havia motivo algum. Nunca vi um rosto tão assustado, uma pessoa aparentar tanto medo, por todo o corpo. Nunca vi uma pessoa tomar um susto tão grande. “Meu filho, você ainda está detido? Chama o Oficial de Dia.” “Não senhor. Eu acabei de sair de mais uma detenção. Saí de uma, entrei em outra e na seqüência, fui detido de novo, mesmo por uma coisa que não cabia a mim fazer. Eu só quero dizer que estão me mantendo detido todo dia e eu quero que alguém tome uma providência.” De repente, comecei a pegar menos detenção, até acabarem por completo. Já mantinha no armário, revistas, canetas, lapiseiras de grafite, resmas de papel e bolacha recheada, esperando ser detido a qualquer momento. E mesmo assim, desenhando, ainda queriam me deter, por que não gostavam que eu desenhasse as pessoas sem a órbita dos olhos. Queriam interferir até nos desenhos que fazia, deitado no chão, debaixo dos beliches, para nem ser notado. As coisas melhoraram para o meu lado, depois disso e eu comecei a ser tratado como os outros. O Capitão realmente estava por fora do que estava acontecendo, assim como o Comandante do Batalhão, de quem eu era ordenança. Algumas pessoas não se conformavam de eu não me valer do posto em que estava e pedir vantagens pessoais. Talvez a análise que o sargenteante e o capitão fizeram, quando me chamaram para conversar, fosse a mais perfeita. “Você tem de ver que muitos desse pessoal, já tentaram entrar na universidade e você, muito mais novo, já chegou por aqui, universitário. Você tem de ver que você apresenta condições que muitos deles nunca chegarão a conhecer um dia. Você tem de ver...” Quem sabe as coisas não sejam assim mesmo? As pessoas não tenham coragem de debater, de se mostrarem e se utilizam de outros artifícios, para punirem quem eles são contra, quem se mostra, não por serem perigosas, mas por fazerem o que eles não têm coragem, ou não tentam fazer e covardemente, até atentem contra a dignidade e a vida dos outros? O chato é que, como no Quartel, essas pessoas vão passando e quem é punido por ser ele mesmo, é que tem de ver, quando era de se esperar que as pessoas responsáveis por aquelas pessoas, vissem com elas agem e as fizessem mudar de estratégia e de tortura contra quem apenas não se esconde. E ai de mim se seguisse as regras, a hierarquia. Estava tudo preparado para o “ateu” morrer. E o ateu no caso, era eu. Infelizmente, quem morreu, foi justamente o meu colega mais religioso, o que quis me converter, aquele que seguia todos os preceitos religiosos, o que se mostrava religioso e não escondia a sua visão de mundo, como alguns evangélicos que deveriam se mostrar muito mais religiosos e seguidores das Leis Divinas mas não se mostravam e seguiam todas as ordens, mesmo contra as decisões que todos tomávamos. Sim, dentro do Quartel, conseguimos algumas vitórias em relação às nossas reivindicações, como não marchar no 7 de setembro, não tirar serviço em datas comemorativas, etc. Infelizmente, o ateu sobreviveu e quem recebeu a carga que estava preparada para o outro, quem morreu, foi o Soldado Ribeiro, mas conhecido com Ribeirinho. Enterrado onde o Exército quis, apenas com a presença dos pais e dos familiares mais próximos e ninguém mais. E a Missa de Sétimo Dia, da mesma maneira, num local onde o Exército escolheu, com os mesmos parentes, sem ninguém mais a ser convidado. Inclusive eu que não pude participar nem do enterro, nem da missa, por que como disseram meus superiores, eu era ateu. Tive de descer do caminhão nas duas vezes e ficar sozinho no pelotão. Ainda bem que falei o que estava engasgado para todo mundo, dos generais, aos outros soldados presentes, na sala de emergência, lotada de tanta gente, tanta patente, quando o Ribeirinho ainda estava tomando choque. Ninguém rebateu nada do que disse. Uns otários que se achavam super-homens e quando acontecia um fato como aquele, ficavam com cara de surpresa, cara de babaca, sem saber o que fazer. Inclusive quando pedi ajuda para carregarem o cardiologista que ia atender o Ribeirinho e se acidentou no meio do caminho - quando um outro veículo não respeitou o sinal, não respeitou a sirene e abalroou a ambulância e a fez virar, evadindo-se do local, fazendo o médico perder os sentidos e eu ter de parar um carro particular, de um motorista que no local e usar o poder do estado, para ele nos levar ao hospital. Mesmo assim alguns outros carros que nos viam pedindo passagem com a buzina, o pisca-alerta e a buzina ligados, atrapalhavam de propósito o caminho, até o hospital do Exército. Acho que não era o dia do Ribeirinho - ninguém se moveu, para carregar a maca. Todo mundo estatelado, como em brincadeira de estátua. Tive de dar ordem, a um soldado que estava de plantão no hospital, para me ajudar a carregar a maca com o médico.
No Curso de Administração, onde todo mundo tem medo de “ficar marcado”, fui a todas as instâncias para fazer um juiz dar aula, sozinho, sem a participação de mais ninguém, além de uma amiga minha que me pedia para ficar com ela, até altas horas da noite, quando o marido a vinha buscar - e eu temeroso do marido dela pensar que eu estava fazendo alguma coisa demais com a mulher dele. O que não deixou de bater uma paixão, pelo menos da minha parte... Quando se descobriu depois que quem a estava traindo, era ele. Dentro da igreja, num desses movimentos carismáticos, do qual, ele era líder estava jantando uma garotinha muito mais nova do que todos nós -. Mas por que ela, apesar de não fazer aquela matéria comigo, forçou o Diretor da Unidade de quem era vizinha e ele se diz meu parente, a tomar uma atitude, a se posicionar quanto os requerimentos impetrados. Acabei tento de ir reclamar no Direito, com a promessa de ir ao reitor e levar o caso aos veículos de comunicação. Só assim ele deu as aulas que tinha se comprometido quando assinou um contrato com a universidade, sem chamar o aluno reclamante de filho da puta, viado, canalha... Eu hein!
Por que os estudantes de hoje, com todas as regalias democráticas das quais dispõem, só sabem reclamar da falta de estrutura da universidade, da ausência de professores e não tomam uma atitude? E ainda criticam quem os representa? E se os representa, quem votou neles? Por que votou? Como votou? E por que eles não se apresentam como alternativa? Ou, por que não se manifestam, mesmo não pertencendo a nenhuma agremiação? Sim, o eleitor pode governar, mesmo fora do governo. Mas para tanto, tem de se manifestar e tem de ter respaldo de outras pessoas que pensam igual. Mas a melhor forma de se manifestar, em qualquer situação, ainda é em grupo. Sindicato, partido, conselho de rua, clube de amigos, beberrões de fim de semana, unidos, com uma reivindicação levada a cabo.
O que acontece, é que a tecnologia atual, faz de tudo para as pessoas se pensarem sós. E a juventude nasceu sob este signo do ego isolado. É videogame, onde as pessoas não precisam integrar com ninguém, substituindo as peladas de antigamente que reunia os amigos, os colegas e todos precisavam da união, para conseguirem o que queriam. É chat, onde ninguém precisa mostrar o rosto, cara-à-cara, mesmo diante de filmadoras, substituindo a conversa de bar, de rua, olhando as estrelas, onde a gente sabia quem estava dizendo a verdade, ou não, só pelo contato físico. É a idéia de se dar bem, quanto mais as pessoas sozinhas. Ontem fiquei estupefato com um jogo que li a respeito. O jogador tem de dirigir um carro, procurar o maior número de pessoas reunidas, pois a chacina, quanto mais pessoas envolvidas, é que determina o maior número de pontos. Além de matar as pessoas nas calçadas, quem quebrar lojas, vitrines e bancos, tem uma pontuação elevada. Quem mais destruir tudo, sem motivo algum, é o vencedor. E eu que ficava assustado com os games que minha ex-namorada alugava. Na frente de tanta modernidade, aquele sangue, aquela violência, é filme pornô da década de 1970. E as pessoas são levadas a conviverem com isto, como se fosse o rumo a ser tomado. De repente, ninguém sabe explicar, quando um aluno entra em uma escola armado e sai matando indiscriminadamente, até quem não conhece.
Não sei se é totalitarismo, ou apenas uma questão de responsabilidade. Apesar de enviar emails a rodo, alguns, eu elimino, sem repassar, por achar que denigrem a condição humana. E olha que nunca fui um exemplo de responsabilidade. Pelo menos no boletim do colégio, passava raspando nesse item.
Virou moda, marido traído, colocar na internet, relações que mantiveram e filmaram, com a ex-esposa. E tem gente que repassa e ainda acha engraçado. Eu, particularmente, acredito que sexo, é uma coisa que diz respeito apenas a quem participa do ato. E além do mais, uma pessoa indigna que tem uma atitude dessas, é um covarde que deveria ficar sozinho, para o resto da vida. Como uma outra mulher pode confiar numa pessoa com atitudes assim, mesmo ele dizendo que é “uma outra pessoa”? Como alguém pode se acumpliciar de um ato covarde assim, mesmo se achando decente?
Emails gozando a mancada do Ronaldo o Fenômeno, até que passam. Mas quando passam desse ponto e tentam denegrir a imagem dele, ou de qualquer outra pessoa, passando do limite da simples gozação, eu aperto o Delete. Deve ser censura de comunista mesmo. Sabe como é. O pessoal que sempre apoiou e ainda apóia ditaduras, estados de exceção, é que se diz Democrata hoje em dia.
Eu fico encucado, quando recebo emails enviado por minhas amigas, contra a condição feminina. Estranho! Será que essas mulheres são tão machistas assim, ou apenas não se tocam que elas denigrem, não só a imagem daquela mulher específica, mas de todas as mulheres em si? E pessoas queridas, inteligentes, com nível de escolaridade superior. Será que elas acham que podem agir assim e sair incólumes nas ruas, enquanto fêmea?
Alguns vídeos que me deixaram indignados, enviados por umas amigas, traziam mulheres copulando e na maioria das vezes, mulheres negras e gordas. É de se perguntar. Mulher não pode transar? Se as mulheres não puderem transar, com quem os homens vão fazer sexo? O fato de uma pessoa ser gorda, é impeditivo de ser feliz, de procurar sexo, de se apaixonar e de levar uma vida como todas as outras? Em caso afirmativo, dentro em breve, começaremos a proibir que os gordos vivam e convivam em uma sociedade que dita o modelo de beleza anoréxica, como padrão. Por ser negra, a pessoa tem de ser motivo de piada? Só as mulheres brancas têm de sentir prazer? Diante de uma assertiva para esta pergunta, muito pouca gente vai poder fazer sexo no Brasil, mesmo quem tem a pele clara, pois descendemos na grande maioria de negros, de índios, de brancos, de todas as raças do mundo.
Será que nunca teremos responsabilidade pelo que fazemos? Será que sempre diremos que “era só uma brincadeira?”
Enviam vídeos de pedofilia explícita, vídeos que ofendem até a moral de outras pessoas. Mas se alguém perguntar para quem envia se ele é a favor disso, ninguém vai dizer que sim. “É brincadeira.” “Eu estava bêbado.” “Puxa, é uma coisa tão inofensiva.” Inofensiva como chegar no meio de muita gente e acusar alguém de alguma coisa que denigra sua imagem. Em pouco tempo, a pessoa acusada, vai ter de se explicar, vai ter reações contrárias ao que se disse brincando e no fim, a brincadeira, vai surtir um efeito devastador e verdadeiro.
Eu sempre assumi as minhas posições, mesmo quando eu era muito tímido. Algumas vezes, servia de porta-voz de colegas mais tímidos do que eu. Inclusive no Quartel. Mesmo no Quartel, com todas as condições desfavoráveis. E acho que me mostrando, as pessoas me aceitam mesmo sabendo quem eu sou. Mesmo por que eu não sei mentir muito bem. Eu não sei manter uma mentira com as mesmas características, para sempre. A coisa mais fácil, é namorada saber o que eu fiz. Por que quando eu minto, eu falo uma coisa agora, outra depois, outra mais tarde e a contradição acaba me pegando.
Pena que eu seja rodeado de pessoas que se dizem tão brincalhonas, tão alcoólatras – neste caso, causam até estupor da minha parte, pois, pelo que sei, quem perde a consciência quando bebe e até ingerindo outras drogas, deve procurar um especialista de imediato, pois tem alguma psicopatia que pode levar até ao assassinato, devido ficar totalmente fora da razão - , tão sem responsabilidade sobre nada e depois queiram viver em um mundo perfeito. E o pior de tudo, queiram deixar aos filhos que têm, um mundo sem violência, com respeito a todas as pessoas, com dignidade, mesmo não participando para que isso aconteça.
É construir um castelo de cartas e esperar que se esteja abrigado das intempéries e das calamidades, quando essas passarem por perto.
S.O.S. para Darfur. São negros, mas merecem respeito como toda gente. Aliás, como tudo no mundo. S.O.S. Floresta Amazônica. Não nos respeitamos enquanto povo, mas somos gente e merecemos respeito. Nem se for dos outros, antes que pensem que todos somos índios e comecem a nos tratar, como os tratam, desde a colonização, onde eram vistos como selvagens, sub-humanos, um lixo qualquer à mercê dos altos e baixo do filhos de Deus.
Onde já se viu, eleger gente com ficha corrida, muito mais suja do que lixeira pública, para prefeito? Ou qual o critério para a se defender gente com esse perfil, de graça, quando essa mesma gente se diz boa gente? Qual critério poderia ser pior ainda? Quem sabe, defendem por que pessoa assim é de fora e o que é de fora, tem de ser melhor do que os locais oferecem, mesmo que ele seja local, assim como os outros. Onde já se viu, escolher para governador de área de preservação, pessoas reconhecidamente devastadoras de vastas regiões de floresta? Talvez por que ele se mostre como exemplo de empreendedor. O que destrói, sem se preocupar com o meio em que vive, para se dar bem hoje, sem se importar com o amanhã. E então defende-se tipo assim e se rebaixa o caboclo, por ser caboclo e não infringir nenhuma regra. É a mania de se querer denegrir o que é caboclo, mesmo que se seja caboclo. É como se ao se defender quem é adventício, tivesse-se alguma chance de deixar de ser caboclo. A tentativa desesperada que a maquilagem, o esconda de si. Como a história do pó de arroz. Sabe como foi? Os times da Cidade Maravilhosa, Capital Federal do Brasil, Rio de Janeiro que muitas vezes se acha território português, mesmo dentro do próprio estado, não admitiam negros em suas equipes. O primeiro clube a admiti-los, foi justamente o Vasco da Gama que por ser tradicionalmente português, tivesse mais chance de ser racista. É como se diz. Às vezes, de onde não se espera, saem os melhores remédios. O último clube do Rio de Janeiro a admitir negros, foi o Fluminense, clube que depois de uma dissensão, deu origem ao Flamengo. O Fluminense, clube tradicionalmente elitista, do Seu Clovis, do Piroka, do João Havelange, dos Generais Mérdici e Figueiredo e tantos outros, admitiu um jogador negro em seu cartel, sob uma imposição. Não poderia parecer negro. Então, o jogador negro entrou em campo cheio de pó de arroz, maquilagem que deixava as mulheres de antigamente, com ares europeus, como as de hoje que se pintam de louras, ou as que querem manter a juventude, na base da intervenção cirúrgica e nenhuma mudança de consciência e acabam como caricaturas muito mal acabadas e mesmo mantendo as aparências, perdem seus maridos, às vezes, até para uma mulher que se mantém digna, mantendo a idade e se mantendo como é, inclusive com cabeça, o que configura, algum conteúdo. Porém, o suor, revelou sua cor no decorrer da partida. Por que a necessidade imperiosa de se integrar a um grupo que o discriminava, principalmente antigamente, quando o futebol não dava dinheiro a ninguém? É muito parecido com a nossa história, onde muitos de nós, escondem-se sob algum efeito, alguma máscara que não nos dizem nada sobre eles, para não parecerem consigo. Por isso é que tanta gente ao Norte, é contra a demarcação de terras indígenas e prefere dar tudo a grileiros, assassinos, pistoleiros... Para ver se assim, eles têm a possibilidade de se parecerem ádvena. O meu temor de tanta vergonha de se mostrar como é, dessa gente é que cheguem ao extremo, quem sabe, ao suicídio, como ato final de se mostrar alienígena e alienado de si.
Parece que somos um povo sem noção mesmo. Queremos nos apartar de nós, como se fosse possível, separar mente, corpo, cabeça, tronco, membros e alma. A nossa história do preso português, com um leproso. “Carcereiro, não quero assustar, mas o meu companheiro de cela está a fugir aos pouquinhos. Todo dia ele aparece sem um dedo, sem uma orelha, sem um olho...”
Parece que os atos não correspondem aos fatos.
Já vi advogada que se diz “antenada” com as questões feministas, defender estuprador e para ganhar a causa, alegar que a roupa que a vítima usava, interferiu no ato, algo como dizer que uma mulher, é a culpada pelo estupro, por usar, este, ou aquele tipo de roupa. Quando se sabe que mesmo uma mulher nuazinha, prostituta de exercício, mãe de vários filhos, mas sem o consentimento dela, não há sexo. Simples. Mas adoramos buscar subterfúgios, desviando as discussões sempre. Talvez a advogada só ande de burka no meio da rua, ou de outra forma, está querendo ser estuprada.
Não sei por que, aprendemos a dissociar a realidade, desde criança. Uma mulher advoga para um estuprador o que até aí, não é incomum. Mas usar defesas machistas, é querer que o machismo fique nos tribunais e lá na rua, as pessoas respeitem a mulher, como devem. Com respeito e consideração. Só se for com os peitos e os bundões.
Isso se dá muito na escola. Parece que o que se aprende na escola, não tem correlação com a vida real. E aí, as coisas ficam realmente difíceis de serem captadas. É por isso que as Ciências Naturais, na maioria das vezes, são as grandes vilões do ensino no país.
Um afilhado que tenho e que agora virou carola do Vaticano – não puxou em nada ao dindinho -, estudava em um colégio religioso, evangélico. Era engraçado, como as informações eram divergentes. Como ele morou um tempo na minha casa, eu via as lições do caderno dele e as mensagens num tal de diário, um desses produtos que evangélico adora vender, mas tudo em nome de Deus - aquela piada antiga que dizia que o judeu vende até a mãe, mas não entrega e o árabe, vende e entrega, agora até podia ser ampliada com os evangélicos que vendem a mãe, o pai, a família, deixam em casa, cobram também pelo frete e ainda perguntam se o cliente os quer fatiados, ou picadinhos. Tudo por dinheiro -. Então nos “pontos” ele aprendiasobre mitocôndrias, meiose, mitose, aqueles negócios que eu não suportava e não sei por que, confundia todas as vezes, com as divisões dos átomos - e a única matéria de Biologia da qual gostei, foi Genética, por que me pareceu muito, com partituras. Era como se estivesse escrevendo uma música. E até hoje, acho que as pessoas têm uma música sua. No dia em que alguém transformar a leitura do código genético em pauta, bemóis, sustenidos, notas e pausas, cada pessoa vai poder ouvir o seu som inconfundível. O som original de cada um, como uma buzina personalizada e única -. Ao mesmo tempo em que ele aprendia sobre Darwin e a Evolução das Espécies, o tal diário, falava sobre Adão, Eva e o que mais me chamou a atenção. Quem escreveu o diário que não era escrito pela pessoa, mas já vinha todo escrito do colégio, odiava a possibilidade de termos descendido dos símios, sermos parentes dos macacos, dos ratos - onde já se viu. Imagina uma pessoa arrogante e metida à besta que se acha a imagem e a semelhança do Ser Superior, criador do Céu e da Terra, descender, ou ao menos, ser comparada a seres inferiores, sem alma, sem inteligência, sem valor algum -. Contradizia tudo o que a lição de Biologia ensinava. Deve ser difícil, aprender uma coisa e ser convencido de outra. Mas a educação no Brasil se dá muito por aí.
O aluno se mostra educado na presença do professor e um tremendo terrorista, quando se vê sozinho, ou sem alguém que ache superior a si. E vamos levando isso para a vida inteira. Ultrapassamos sinais vermelhos, quando nos sentimos sós. A simples presença de uma autoridade sob o semáforo, nos faz diminuir a velocidade, mesmo que esteja verde para que passemos. Êta nós!
E então essa cultura de falta de coerência se expande em todo o território nacional. Já viu gente se queixando sobre corrupção, sobre os políticos e tudo o mais e na hora da escolha dos candidatos, escolher não pelas propostas, nem pelo valor do candidato, mas por algum benefício que vá ganhar, mesmo que se configure em um ato de corrupção e imoral? Já viu querer se mostrar membro de algum grande aparato social e votar em alguém por ser ‘amigo”, mesmo que seja reconhecidamente pilantra? É a nossa cara. Queremos que os outros mudem, para continuarmos praticando as mesmas coisas. E esperamos que assim mesmo, as coisas mudem. É questão de acreditar em milagres. E olha que o brasileiro vive pedindo milagres. Mágicas que surjam do nada, sem que se precise mudar um milímetro o que faz.
Ainda tem igreja mostrando milagres na televisão e tem gente que acredita. O cara chega de muletas e sai andando. “Irmão, largue a muleta e saía correndo.” “Sim meu pastor.” E o fiel desaparece atrás das cortinas. “Irmão, como você está?” “Todo quebrado pastor. Dei um pulo e uma carreira e não consegui me equilibrar, estou pior do que estava com as muletas. Pelo menos, antes eu tinha os dentes inteiros. Agora virei um animal totalmente invertebrado!” E a platéia grita em êxtase: “Aleluia! Aleluia! O Senhor opera milagres.” É querer se enganar muito.
Essa esperança generalizada de fazer cagadas e esperar que o mundo seja lindo, chegou à internet. E olha que a rede tem poder. A palavra tem poder. Égua! Tenho de maneirar este meu jeito esdrúxulo e chulo de falar. Pata que os pariu, qual não foi minha surpresa dia desses, ao atender o telefone. Dona Ilza Garcia, ex-Presidente da APAE/Manaus, , da Casa da Mulher Executiva, senhora de destaque na sociedade amazonense, elogiando um escrito que fiz e pedindo para que escreva sobre aquela basbaquice de se mudar o horário da programação local das televisões. Coitada, ela que gosta de ver um futebolzinho às quartas tem de ver o Juvenal Antena X Ferraço. Como novela é maniqueísmo até pueril, um é bandido bonzinho, constrange os outros, tem milícia, mas o nome diz tudo. Juvenal. Deve ser irmão do Infantil e do Juvenil, quiçá do Dente-de Leite. O outro, bandido malvado, para mim, até menos do que o primeiro, pois ele apenas mostrou a uma menina lesa que ela era otária ao confundir relação sentimental, com relação de bens – coisa que ainda se vê muito por aí, por lá e por cá -, mas não constrangeu nenhuma sociedade, não mandou capanga cobrar os outros na base da bala, não tem suas próprias leis, como se fosse um Deus supremo, cometeu um crime individual, o que nem sei que se configura em crime. Ele apenas usou uma procuração, em seu favor que uma menina desnorteada passou a ele, com plenos poderes. E como ele é o “bandido”, tem um sobrenome que diz tudo, para ferrar com todo mundo. Ferrar com aço. Ferraço - esse autor, é das antigas -. Fosse eu o autor da novela, fá-lo-ia – virgem! Parece imoralidade. Esse negócio de falo ia, falo vem, falo vai... Não caiu muito legal. O chato é que se o cara não se cuidar, não ficar esperto, não encapar, vai acabar tendo de pagar pensão – morrer bem velinho e depois mandá-lo-ia para o Céu. Imagina o cara agüentar uma ex-mulher histérica que não sabe conversar com o filho, a não ser aos gritos e mesmo assim, ele não a atende. Agüentar um filho chato, mimado que quer mandar até na vontade dos outros. Ainda ter de rivalizar com outra ex-mulher, maluca, cheia de vontades que acha que é o centro do mundo, com aquela boca que parece que está fazendo careta toda hora. Ter como governanta, a Bete Farias, com a cara do inimigo do Batman totalmente deformada. O inimigo do Batman era daquele jeito, por que caiu num poço de ácido. A Bete, por que caiu numa clínica para se encher de ácido também, mas ácido botolímico, mais conhecido como botóx. E ainda tem como inimigo a dupla Juvenal Antena, com aquela dicção horrorosa que a gente nunca sabe se é o Rei do Gado, ou o caminhoneiro amigo do Bino – nem para ser amigo do Rubinho, um dos maiores pilotos de F1 de todos os tempos. Só faltou sorte à ele. O primeiro piloto brasileiro a defender a Ferrari, mas chegou justamente quando o contrato não permitia que desenvolvesse tudo o que podia. Quando pode desenvolver, o carro não desenvolve. Mas mesmo assim, um piloto respeitado e que não vive de fazer marketing pessoal de bonzinho e na realidade, um tremendo basbaque, uma franga histérica que queria tudo de bom e do melhor só para si, não assumia, ia contra as decisões coletivas, dava tapa na cara de todo o mundo e aparecia como o eleito de Deus, dizendo que havia conversado com ele, em uma curva. Vai ver, foi conversar de novo e... Atrapalhou a visão e não se mostrou como era de verdade, como muitos ainda hoje - e a outra com aquele cabelo feio e enorme que mais parece promessa de puta do cais do porto, bem vestida, quando pega um financiador e mesmo assim, gasta mal o dinheiro que dispõe. Imagina. Diz se o cara não merece ir para o Céu? Eu só acho que é uma novela onde não tem mocinho. É tudo bandido. Até entre as personagens femininas, parece até baile funk. Só tem bandida.
É, não adiantam as condições tecnológicas chegarem ao ponto que chegaram, não adianta dispormos de tais aparatos, pois assim mesmo, muitos nos querem no atraso, inclusive muitos de nós. Entregam tudo de mão-beijada, para ver se sobra uma migalha para eles se sentirem felizes de comerem a sobeja de seres tão menos caboclos do que nós, por isso, considerados muito mais evoluídos. Vamos engolindo a favela do “língua plesa”, justamente na hora do futebol. E muita gente nem se toca de que o mocinho, na realidade, é o mais bandido de todos.
Mesmo quem tem seu conversor de canal fechado, um dia vai ser atingido por essa total falta de respeito para conosco ao Norte, se continuarmos calados frente aos desmandos em relação a nós.
Bem, não vou escrever, pelo menos agora, sobre o assunto. Nem vou enviar para quem quer que seja.
O que me deixou pasmo, foi ver meu ex-colega de faculdade, um ex-líder estudantil, atual Presidente do Sindicato dos Jornalistas, César Wanderlei estar a favor da ingerência dos tribunais, na educação familiar. Eu até preciso rever meu posicionamento, depois disso. Rever minhas atitudes. Logo ele que nunca foi caretão, nunca foi tradicionalista. Devo estar errado em pensar contra a medida jurídica. Aliás, eu sempre estou do lado errado. Mas quando o presente se faz passado e se chega ao futuro, não sou eu que troco de lado e faço de tudo para esconder o pretérito dos meus atos.
Não vou escrever nada sobre a programação, para ninguém, ou órgão competente, por que acho que com outra medida colocada de cima para baixo - no nosso caso ao Norte, de baixo para cima -, goela abaixo, sem consulta alguma, as coisas vão voltar ao que eram. A programação vai voltar ao normal. Em breve, passaremos a nos reger pelo horário oficial do Brasil. E já tem gente, pensando em continuar com os mesmos horários, ao invés de adiantar as horas em tudo. Ao invés de irmos ao banco que abre, às 9:00h, vamos às 10:00h. Continuamos do mesmo jeito, mudados. Mas tem gente que quer manter os mesmos horários, o que quer dizer que estaremos em permanente horário de inverno. Vamos ter de acordar de madrugada para cumprir horário, por que muita gente não pensa.
Mas as soluções arranjadas para satisfazer a todos, é que são as melhores. O horário das novelas foi mudado por ordem judicial, nem se discute, troca-se o fuso-horário. Brincadeira, pois essa mudança, estava sendo estudada há tempos. O Quartieiro vai ser solto, pronto, a gente só lembra que ele foi preso, por ser visto com mandante de mandar atirar nos índios. Esquecemos que além da denúncia de mentor, ele também tinha um arsenal em casa, ilegal, inclusive com bombas para serem jogadas contra os “invasores” da sua terra invadida. É só mudar o foco das coisas que de repente a gente esquece. O desmatamento continua? Fácil, é só apelar para as estatísticas. Pronto, de repente o desmatamento é mínimo. Pega-se uma área que já foi devastadas quase 70% do total, somente em um sítio específico. Qualquer desmatamento ali dentro, é mínimo. Então a gente tem uma queda acentuada do desmatamento da Amazônia, do Pantanal, quando a realidade é totalmente outra. Aliás, quem se valia muito de métodos estatísticos, era um cara chamado Adolf e que ficou na história, como um dos maiores religiosos/sanguinários de todos os tempos. Usava estatística para mostrar a superioridade alemã, para mostrar a popularidade dele em relação ao povo, usava inclusive a estatística, para desviar a atenção, como a história do copo. Para uns, estava meio cheio. Para outros, estava meio vazio. E estatística pode ser usada tanto contra, quanto a favor.
Pensei em fazer um abaixo-assinado em favor da programação normal, em real-time, usada até mesmo na internet, por jovens, crianças e adolescentes, para ver se a população se manifesta, visto que tudo hoje em dia, é realizado, como história em quadrinhos. As pessoas ficam sob o julgo de bandidos, de pessoas inescrupulosas que lhes reprimem, mas não fazem nada. Nem se reúnem para ver se podem fazer algo. De repente aparece um salvador individual, sem perguntar o que os outros pensam e já pensa por todos, bate e mata os “fora-da-lei”, fazendo justiça com as próprias mãos, o super-herói que não precisa se guiar pelas leis, por que ele está acima dela. Pronto, de repente, as coisas voltam à primavera sentimental, com todos curtindo a vida, na plenitude do seu ser, sem ao menos participarem das decisões quanto às suas vidas. Esperam sempre que um outro atue por eles, mesmo que nem perguntem como devem agir em seus nomes. É assim que querem a sociedade, um salvador da pátria, um cara que coloque a cara à tapa. Mas quando a porrada comer, ninguém respalda, ao menos, colocando-se em defesa das idéias. Subscrevem sempre procurações com plenos poderes aos outros e ainda ficam com raiva do Ferraço.
Eu já conheço essa ladainha. E eu não sou nem super-herói, muito menos, salvador da pátria. Eu acredito que atos em grupo surtem muito mais efeito do que atos individuais. Egocentrismo, nunca foi a minha meta. É por isso que estou procurando uma igreja onde tenha aquele abaixo-assinado, contra a filiação tantos bandidos filiados aos partidos políticos, para participar e assinar, fazendo coro com a vontade de muita gente. Lógico, posicionando-me contra a vontade do General Heleno Augusto que prefere tirar as terras das nações indígenas, para dar a gente do tope do Quartieiro. E esses que apóiam essa gente, ainda se arvoram de boa gente, gente de bem. É crer muito. Imagina!
Eu me assustei, quando a Dona Ilza disse que havia lido o meu artigo. Não pensei que as coisas basbaques que escrevo, pudessem chegar tão longe. E o pior, com um vocabulário, chulo, mas que não deixo de usar. Prefiro um vocabulário chulo que se utilize de palavrões, mas tenha conteúdo, do que um palavreado cheio de firulas, falso e desprovido de cérebro.
Mais uma vez cheguei à conclusão de que qualquer coisa que se faça, vai repercutir. E portanto, devemos ter responsabilidade, inclusive sobre nossas brincadeiras, para não nos arrependermos em nosso porvir – arrasei! Estou falando que nem aquele Ministro do STF que a mim parece esnobe além da medida, de família de usineiros, o que quer dizer, de sangue nobre, parte da realeza que por aqui chegou, com a nobreza lusitana e até hoje vive como se estivesse pairando sobre os pobres mortais, Talvez por isso, o STF esteja se mostrando em várias medidas, em várias frentes. Mas quando os usineiros não pagam os empréstimos que fazem do dinheiro público, não vejamos nenhuma ação do próprio. Ainda se sentem parte da realeza, por isso mesmo, não precisam se rebaixar para dar satisfação à plebe rude -.
Tem gente que não assume nada. Gente que quando sóbria fica quieta, fingindo-se de morto. É beber um pouco e começar a falar o que estava preso na goela e depois, sóbrio, dizer que não se lembra do que fez, nem do que falou. É de deixar qualquer um, com a pulga atrás da orelha. Outros, dizem o que querem dizer, através de piadas. E dizem que apenas piada, nada mais. Gente que precisa de máscaras para se esconder, precisa do escurinho do cinema para se mostrar. Por isso, acham que não precisam ter responsabilidade sobre nada, por que depois, é só dar uma desculpa, nem que for totalmente esfarrapada que está tudo resolvido.
Dentre as responsabilidades, a internet hoje, faz parte de toda essa visão que se deve ter das coisas. Eu sei que eu repasso emails aos borbotões, mas procuro eliminar os que acho que denigrem a dignidade das pessoas que trazem embutido, preconceitos que as pessoas não têm coragem de falar por conta própria, fascismos que as pessoas têm medo de se declarar, mas que repassam, uma tentativa de convencer os outros, a se aliarem às suas atitudes e pensamentos. Mesmo que de forma falsa.
É incrível, como até descendentes de negros, são fascistas, são racistas e discriminatórios no país, e não tenham coragem de se mostrar como são. Incrível como pessoas negras, discriminam-se, a sua cor, raça e genealogia. Incrível como gente do Norte, agora ande com adesivo, dando apoio à idéias do General Heleno Augusto. Incrível, como essas pessoas não defendem seus pontos de vista claramente, como aconteceu em uma blitz, onde o TRE/Am, retirou adesivos em favor de candidatos reconhecidamente fraudulentos, sem que ninguém marcasse posicionamento algum, apenas se mostrando com as caras mais lesas do mundo. É todo mundo valente, mas na hora de se mostrar, arregam. É incrível como se tenha arraigado um certo gene nazista, gene da eugenia, um pensamento ariano, em um país marcadamente miscigenado.
Encontrei um dia desses, um ex-companheiro de lutas e de partido. Sim, eu atuei na adolescência com os ecologista/pacifistas/socialistas – sociais-democratas -, tudo muito discreto, justamente por que vivíoamos sob uma ditadura que queria entregar o Brasil para os outros e tudo que se mostrava contrário, ou de outra feita, a favor do Brasil, era considerado subversão, inclusive a defesa da ecologia; trabalhei no início da militância estudantil com os trotskystas; fui cooptado no interior de São Paulo, pelo Movimento Revolucionário 8 de Outubro – MR 8 –; atuei em organizações que defendiam a ecologia mais à esquerda daquelas do meu tempo da adolescência – e por defendermos a ecologia, tínhamos de nos esconder, para não sermos considerados subversivos, como qualquer partido, ou agremiação na clandestinidade - e acabei, depois de muito tempo, militando pelo PC do B, quando me filiei por conveniência partidária ao MDB. É fato notório e encerrado. E não escondo.Mas sempre atuei de forma a debater, sem me ater à ideologia de quem estava debatendo do outro lado. Primeiro as propostas, depois o debate do que pode ser aceito e do que por ventura ache divergente do que penso. Talvez por isso, era escolhido para negociar, para fazer alianças com todo tipo de gente, todo tipo de pensamento ideológico.
Meu ex-companheiro de lutas que na época era secundarista, relembrou alguns fatos passados. E a gente até riu muito. Lembrou dos tipos que apareciam nas costas e às custas do partido, cheios de falação, mas na hora da luta, jogavam a bandeira fora e se mandavam, como se não conhecessem ninguém. E para se elegerem, precisavam sempre de um batalhão de ajuda do partido. Não sabiam caminhar com as próprias pernas nunca. E até hoje se valem de subterfúgios, para conseguirem o que querem. Até diploma universitário.
E a gente riu de coisas que na época, foram barra pesada. Lembrou da Parada Militar de 7 de Setembro, quando ele na UESA e eu no Diretório Universitário, nos unimos todos para distribuir panfletos onde se questionava a independência do Brasil. Ele nem sabia que quem reservou aquele espaço estratégico, ao lado do palanque oficial, fomos a companheira Gina e eu, levados pelo Brabo, antes das 4:00h da manhã. Por diversas vezes, fomos constrangidos pelo Exército naquele dia e alertados pelas filhas dos oficiais das segundas intenções deles. E a cada incursão da PE, a das outras forças, os populares se manifestavam e eles se retraiam. Ao final do desfile, quando muita gente havia se retirado, tivemos de pular o cercado e sair correndo na direção contrária ao desfile da Banda do Exército, atrapalhando o passo rígido, alguns músicios deixando cair os instrumentos, porém, mais uma vez, com o apoio dos espectadores. Se os espectadores não vaiassem a truculência oficial, estaríamos mortos a uma hora dessas. Palavras vindas do palanque oficial. Nem lembrou da passeata pela meia-passagem, onde de novo, ele na UESA e eu no Diretório Universitário, nos reunimos para mobilizar as pessoas contra o aumento do transporte coletivo, a reivindicação da meia-passagem para os estudantes, o que ocasionou em um semana de quebra-quebra no centro da cidade, por causa das forças da repressão que jogaram água nos manifestantes, incendiando a ira dos populares que se armaram com pedras, paus, estacas e tudo que tinham à mão. Como queriam que acontecesse, a passeata saiu do controle. Como éramos poucos, no meio de tanta gente, não deu nem para pedir calma. A repressão só não esperava que chegasse onde chegasse, inclusive noticiado pelo Jornal Nacional. Desta manifestação, apesar de ter reunido para delinear os passos, avisei de antemão que não poderia participar, pois tinha uma prova muito importante, justamente no dia. Quando acabei a prova e me dirigi para a manifestação, a cidade era a própria barbaria, com fogo no meio da rua, gente correndo e impossível de entrar. Basta que na manifestação da São Sebastião, quando fuzilaram o santo, eu fiquei responsável em mobilizar todo mundo de todas as unidades e quando cheguei na praça, a polícia estava cercando tudo e ainda pedi licença aos policiais, para dar licença, para entrar. Ai se a gente não se protege. Se até o São Sebastião que além de flechado e empalado, ainda foi fuzilado, sem nenhum respeito, imagina um qualquer como eu que nunca fui santo. Hoje, é até engraçado, mas na hora... Ele não lembrou que tivemos de fazer os atos públicos e políticos, na Igreja de São José, por que as polícias estavam a fim de acabar conosco e alguns tiveram de se esconder dentro da igreja, por um bom tempo até a coisa acalmar. Os diretores do Diretório Universitário ficaram à frente de todos. Vanessa, Paulino, Levino, Brabo, Gina e eu. De vez em quando ia um à frente, para rezar: “Pelo socialismo.” “Palavras do Senhor”. “Pela democracia.” “Palavras do Senhor.” Na hora do sinal da cruz, achei que era melhor ninguém fazer nada. A companheira Gina que nunca rezou na vida, extremamente nervosa e canhota como sempre, já estava mandando o sinal da cruz com a mão esquerda. Quando alertei-a sobre a heresia, ela se exasperou: “Não vem com as tuas gracinhas. Aqui não”. Mas gracinha, é fazer o sinal da cruz com a esquerda, visto que na religião tudo o que é destro é divino e tudo o que canhestro, é do Demo. Não dos Democrata, mas do outro. Talvez nem saiba da manifestação-relâmpago, quando da chegada do General Figueiredo, onde o presidente do partido à época, chegou no campus, passou a chave da Kombi – tanto ele, quanto o meu pai, sempre divergiram do modo como eu dirigia. Mas quando precisavam de uma direção mais apurada, entregavam a mim, as chaves -. Eu estava responsável em chamar alguns membros, sem que dissessem não, para evitar que a notícia se espalhasse. No meio do caminho, uma amiga minha, pediu carona. Eu estava com as duas chaves na mão. A do Opala e a da Kombi, não dava para dizer que não. Ela teve de se meter no meio. Tive de devolver a chave, para ficar ao lado a minha amiga. No meio do caminho, enquanto panfletávamos, a sirene dos batedores do General/Presidente, anunciaram que estavam passando. Todo mundo teve de correr para a Kombi, menos minha amiga, eu e o presidente do partido que estava dirigindo. Eu tentei fazer graça para acalmar a minha amiga que estava nervosa com a sirene que nos acompanhou por um bom tempo e acabou que inclusive o motorista ficou nervoso e mandou calar. Ainda bem que todos saímos sãos e salvos. Inclusive as caronas que minha amiga pedia de vez em quando. Os shows que assistimos, a prainha de vez em quando, escondidos do noivo dela e uns jantares de vez em quando. Coitada, ao mesmo tempo em que ela se mostrava muito assustada, eu achava aquilo muito engraçado e ficava com pena dela ter se metido numa fria daquelas, sem ter nada a ver com o peixe. Ela era muito delicada. Uma delicadeza que não significava fraqueza. Mas parece que de vez em quando, tinha azar nas coisas, como um congresso em que foi conosco. Na hora de anunciarem o vôo, ela veio à mim, dizer que tinha perdido a passagem. “O que eu faço agora?” ‘Tu vais ficar. Ciao!” Ela não sabia se chorava, sorria, gritava... Estava totalmente perdida. Então levei-a ao balcão expliquei o que havia acontecido e nos comprometemos de pagar o valor devido para a segunda via, quando chegássemos ao destino. Uma amiga que num show onde cansou de esperar a atração, sentou no chão. Se eu não puxo pelo colarinho, iria tomar banho de urina, pois um dos caras de uma turma que estava se drogando ao nosso lado, puxou a mangueira para fora e apontou na direção dela.
Bem, mas isto não vem ao caso. Retornemos ao que dizíamos.
Somos um povo covarde que quando tem o poder nas mãos, pensa que pode tudo. Quando se vê em minoria, não se manifesta defendendo suas idéias. É como a nova geração que vive em um Estado de Direito, com plenas liberdades individuais, mas ainda questiona a presença de “comunistas”, de partidários deste ou daquele partido, no movimento estudantil, nas representações de toda ordem. Não só os comunistas. Hoje, temos a presença até de Democrata. Aqueles que na Ditadura, faziam de tudo, para evitar o debate, a democracia. Ora bolas, eu sempre me posicionei, mesmo contra a força. Nunca me liguei no rótulo dos outros, mas no que diziam, no que apresentavam de proposta.
No Exército, mesmo sob o medo, falava o que achava. E quando achei que a história de me manterem detido todo o tempo já estava passando dos limites, passei por cima da hierarquia, não falei com o cabo, para ele falar com o sargento, para falar com o tenente, para falar com o capitão... Entrei nos aposentos do comandante da companhia e fui questionar o motivo de tanta detenção. Mesmo quando não havia motivo algum. Nunca vi um rosto tão assustado, uma pessoa aparentar tanto medo, por todo o corpo. Nunca vi uma pessoa tomar um susto tão grande. “Meu filho, você ainda está detido? Chama o Oficial de Dia.” “Não senhor. Eu acabei de sair de mais uma detenção. Saí de uma, entrei em outra e na seqüência, fui detido de novo, mesmo por uma coisa que não cabia a mim fazer. Eu só quero dizer que estão me mantendo detido todo dia e eu quero que alguém tome uma providência.” De repente, comecei a pegar menos detenção, até acabarem por completo. Já mantinha no armário, revistas, canetas, lapiseiras de grafite, resmas de papel e bolacha recheada, esperando ser detido a qualquer momento. E mesmo assim, desenhando, ainda queriam me deter, por que não gostavam que eu desenhasse as pessoas sem a órbita dos olhos. Queriam interferir até nos desenhos que fazia, deitado no chão, debaixo dos beliches, para nem ser notado. As coisas melhoraram para o meu lado, depois disso e eu comecei a ser tratado como os outros. O Capitão realmente estava por fora do que estava acontecendo, assim como o Comandante do Batalhão, de quem eu era ordenança. Algumas pessoas não se conformavam de eu não me valer do posto em que estava e pedir vantagens pessoais. Talvez a análise que o sargenteante e o capitão fizeram, quando me chamaram para conversar, fosse a mais perfeita. “Você tem de ver que muitos desse pessoal, já tentaram entrar na universidade e você, muito mais novo, já chegou por aqui, universitário. Você tem de ver que você apresenta condições que muitos deles nunca chegarão a conhecer um dia. Você tem de ver...” Quem sabe as coisas não sejam assim mesmo? As pessoas não tenham coragem de debater, de se mostrarem e se utilizam de outros artifícios, para punirem quem eles são contra, quem se mostra, não por serem perigosas, mas por fazerem o que eles não têm coragem, ou não tentam fazer e covardemente, até atentem contra a dignidade e a vida dos outros? O chato é que, como no Quartel, essas pessoas vão passando e quem é punido por ser ele mesmo, é que tem de ver, quando era de se esperar que as pessoas responsáveis por aquelas pessoas, vissem com elas agem e as fizessem mudar de estratégia e de tortura contra quem apenas não se esconde. E ai de mim se seguisse as regras, a hierarquia. Estava tudo preparado para o “ateu” morrer. E o ateu no caso, era eu. Infelizmente, quem morreu, foi justamente o meu colega mais religioso, o que quis me converter, aquele que seguia todos os preceitos religiosos, o que se mostrava religioso e não escondia a sua visão de mundo, como alguns evangélicos que deveriam se mostrar muito mais religiosos e seguidores das Leis Divinas mas não se mostravam e seguiam todas as ordens, mesmo contra as decisões que todos tomávamos. Sim, dentro do Quartel, conseguimos algumas vitórias em relação às nossas reivindicações, como não marchar no 7 de setembro, não tirar serviço em datas comemorativas, etc. Infelizmente, o ateu sobreviveu e quem recebeu a carga que estava preparada para o outro, quem morreu, foi o Soldado Ribeiro, mas conhecido com Ribeirinho. Enterrado onde o Exército quis, apenas com a presença dos pais e dos familiares mais próximos e ninguém mais. E a Missa de Sétimo Dia, da mesma maneira, num local onde o Exército escolheu, com os mesmos parentes, sem ninguém mais a ser convidado. Inclusive eu que não pude participar nem do enterro, nem da missa, por que como disseram meus superiores, eu era ateu. Tive de descer do caminhão nas duas vezes e ficar sozinho no pelotão. Ainda bem que falei o que estava engasgado para todo mundo, dos generais, aos outros soldados presentes, na sala de emergência, lotada de tanta gente, tanta patente, quando o Ribeirinho ainda estava tomando choque. Ninguém rebateu nada do que disse. Uns otários que se achavam super-homens e quando acontecia um fato como aquele, ficavam com cara de surpresa, cara de babaca, sem saber o que fazer. Inclusive quando pedi ajuda para carregarem o cardiologista que ia atender o Ribeirinho e se acidentou no meio do caminho - quando um outro veículo não respeitou o sinal, não respeitou a sirene e abalroou a ambulância e a fez virar, evadindo-se do local, fazendo o médico perder os sentidos e eu ter de parar um carro particular, de um motorista que no local e usar o poder do estado, para ele nos levar ao hospital. Mesmo assim alguns outros carros que nos viam pedindo passagem com a buzina, o pisca-alerta e a buzina ligados, atrapalhavam de propósito o caminho, até o hospital do Exército. Acho que não era o dia do Ribeirinho - ninguém se moveu, para carregar a maca. Todo mundo estatelado, como em brincadeira de estátua. Tive de dar ordem, a um soldado que estava de plantão no hospital, para me ajudar a carregar a maca com o médico.
No Curso de Administração, onde todo mundo tem medo de “ficar marcado”, fui a todas as instâncias para fazer um juiz dar aula, sozinho, sem a participação de mais ninguém, além de uma amiga minha que me pedia para ficar com ela, até altas horas da noite, quando o marido a vinha buscar - e eu temeroso do marido dela pensar que eu estava fazendo alguma coisa demais com a mulher dele. O que não deixou de bater uma paixão, pelo menos da minha parte... Quando se descobriu depois que quem a estava traindo, era ele. Dentro da igreja, num desses movimentos carismáticos, do qual, ele era líder estava jantando uma garotinha muito mais nova do que todos nós -. Mas por que ela, apesar de não fazer aquela matéria comigo, forçou o Diretor da Unidade de quem era vizinha e ele se diz meu parente, a tomar uma atitude, a se posicionar quanto os requerimentos impetrados. Acabei tento de ir reclamar no Direito, com a promessa de ir ao reitor e levar o caso aos veículos de comunicação. Só assim ele deu as aulas que tinha se comprometido quando assinou um contrato com a universidade, sem chamar o aluno reclamante de filho da puta, viado, canalha... Eu hein!
Por que os estudantes de hoje, com todas as regalias democráticas das quais dispõem, só sabem reclamar da falta de estrutura da universidade, da ausência de professores e não tomam uma atitude? E ainda criticam quem os representa? E se os representa, quem votou neles? Por que votou? Como votou? E por que eles não se apresentam como alternativa? Ou, por que não se manifestam, mesmo não pertencendo a nenhuma agremiação? Sim, o eleitor pode governar, mesmo fora do governo. Mas para tanto, tem de se manifestar e tem de ter respaldo de outras pessoas que pensam igual. Mas a melhor forma de se manifestar, em qualquer situação, ainda é em grupo. Sindicato, partido, conselho de rua, clube de amigos, beberrões de fim de semana, unidos, com uma reivindicação levada a cabo.
O que acontece, é que a tecnologia atual, faz de tudo para as pessoas se pensarem sós. E a juventude nasceu sob este signo do ego isolado. É videogame, onde as pessoas não precisam integrar com ninguém, substituindo as peladas de antigamente que reunia os amigos, os colegas e todos precisavam da união, para conseguirem o que queriam. É chat, onde ninguém precisa mostrar o rosto, cara-à-cara, mesmo diante de filmadoras, substituindo a conversa de bar, de rua, olhando as estrelas, onde a gente sabia quem estava dizendo a verdade, ou não, só pelo contato físico. É a idéia de se dar bem, quanto mais as pessoas sozinhas. Ontem fiquei estupefato com um jogo que li a respeito. O jogador tem de dirigir um carro, procurar o maior número de pessoas reunidas, pois a chacina, quanto mais pessoas envolvidas, é que determina o maior número de pontos. Além de matar as pessoas nas calçadas, quem quebrar lojas, vitrines e bancos, tem uma pontuação elevada. Quem mais destruir tudo, sem motivo algum, é o vencedor. E eu que ficava assustado com os games que minha ex-namorada alugava. Na frente de tanta modernidade, aquele sangue, aquela violência, é filme pornô da década de 1970. E as pessoas são levadas a conviverem com isto, como se fosse o rumo a ser tomado. De repente, ninguém sabe explicar, quando um aluno entra em uma escola armado e sai matando indiscriminadamente, até quem não conhece.
Não sei se é totalitarismo, ou apenas uma questão de responsabilidade. Apesar de enviar emails a rodo, alguns, eu elimino, sem repassar, por achar que denigrem a condição humana. E olha que nunca fui um exemplo de responsabilidade. Pelo menos no boletim do colégio, passava raspando nesse item.
Virou moda, marido traído, colocar na internet, relações que mantiveram e filmaram, com a ex-esposa. E tem gente que repassa e ainda acha engraçado. Eu, particularmente, acredito que sexo, é uma coisa que diz respeito apenas a quem participa do ato. E além do mais, uma pessoa indigna que tem uma atitude dessas, é um covarde que deveria ficar sozinho, para o resto da vida. Como uma outra mulher pode confiar numa pessoa com atitudes assim, mesmo ele dizendo que é “uma outra pessoa”? Como alguém pode se acumpliciar de um ato covarde assim, mesmo se achando decente?
Emails gozando a mancada do Ronaldo o Fenômeno, até que passam. Mas quando passam desse ponto e tentam denegrir a imagem dele, ou de qualquer outra pessoa, passando do limite da simples gozação, eu aperto o Delete. Deve ser censura de comunista mesmo. Sabe como é. O pessoal que sempre apoiou e ainda apóia ditaduras, estados de exceção, é que se diz Democrata hoje em dia.
Eu fico encucado, quando recebo emails enviado por minhas amigas, contra a condição feminina. Estranho! Será que essas mulheres são tão machistas assim, ou apenas não se tocam que elas denigrem, não só a imagem daquela mulher específica, mas de todas as mulheres em si? E pessoas queridas, inteligentes, com nível de escolaridade superior. Será que elas acham que podem agir assim e sair incólumes nas ruas, enquanto fêmea?
Alguns vídeos que me deixaram indignados, enviados por umas amigas, traziam mulheres copulando e na maioria das vezes, mulheres negras e gordas. É de se perguntar. Mulher não pode transar? Se as mulheres não puderem transar, com quem os homens vão fazer sexo? O fato de uma pessoa ser gorda, é impeditivo de ser feliz, de procurar sexo, de se apaixonar e de levar uma vida como todas as outras? Em caso afirmativo, dentro em breve, começaremos a proibir que os gordos vivam e convivam em uma sociedade que dita o modelo de beleza anoréxica, como padrão. Por ser negra, a pessoa tem de ser motivo de piada? Só as mulheres brancas têm de sentir prazer? Diante de uma assertiva para esta pergunta, muito pouca gente vai poder fazer sexo no Brasil, mesmo quem tem a pele clara, pois descendemos na grande maioria de negros, de índios, de brancos, de todas as raças do mundo.
Será que nunca teremos responsabilidade pelo que fazemos? Será que sempre diremos que “era só uma brincadeira?”
Enviam vídeos de pedofilia explícita, vídeos que ofendem até a moral de outras pessoas. Mas se alguém perguntar para quem envia se ele é a favor disso, ninguém vai dizer que sim. “É brincadeira.” “Eu estava bêbado.” “Puxa, é uma coisa tão inofensiva.” Inofensiva como chegar no meio de muita gente e acusar alguém de alguma coisa que denigra sua imagem. Em pouco tempo, a pessoa acusada, vai ter de se explicar, vai ter reações contrárias ao que se disse brincando e no fim, a brincadeira, vai surtir um efeito devastador e verdadeiro.
Eu sempre assumi as minhas posições, mesmo quando eu era muito tímido. Algumas vezes, servia de porta-voz de colegas mais tímidos do que eu. Inclusive no Quartel. Mesmo no Quartel, com todas as condições desfavoráveis. E acho que me mostrando, as pessoas me aceitam mesmo sabendo quem eu sou. Mesmo por que eu não sei mentir muito bem. Eu não sei manter uma mentira com as mesmas características, para sempre. A coisa mais fácil, é namorada saber o que eu fiz. Por que quando eu minto, eu falo uma coisa agora, outra depois, outra mais tarde e a contradição acaba me pegando.
Pena que eu seja rodeado de pessoas que se dizem tão brincalhonas, tão alcoólatras – neste caso, causam até estupor da minha parte, pois, pelo que sei, quem perde a consciência quando bebe e até ingerindo outras drogas, deve procurar um especialista de imediato, pois tem alguma psicopatia que pode levar até ao assassinato, devido ficar totalmente fora da razão - , tão sem responsabilidade sobre nada e depois queiram viver em um mundo perfeito. E o pior de tudo, queiram deixar aos filhos que têm, um mundo sem violência, com respeito a todas as pessoas, com dignidade, mesmo não participando para que isso aconteça.
É construir um castelo de cartas e esperar que se esteja abrigado das intempéries e das calamidades, quando essas passarem por perto.
S.O.S. para Darfur. São negros, mas merecem respeito como toda gente. Aliás, como tudo no mundo. S.O.S. Floresta Amazônica. Não nos respeitamos enquanto povo, mas somos gente e merecemos respeito. Nem se for dos outros, antes que pensem que todos somos índios e comecem a nos tratar, como os tratam, desde a colonização, onde eram vistos como selvagens, sub-humanos, um lixo qualquer à mercê dos altos e baixo do filhos de Deus.
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