quinta-feira, 26 de junho de 2008

1920_2008 - FROM NEW YORK PARA O BRASIL

Inaugurou-se uma maneira de fazer política no Brasil, onde as coligações muitas vezes são mais importantes do que a ideologia, ou os princípios programáticos de cada partido. Não se colocam na mesa, as propostas, as discordâncias, os métodos, nada de cada partido. O importante é o tempo na tv e o número de parlamentares que se pode eleger, ampliando o leque. De repente, partidos se coligam, como se fossem um só. PTB, PSOL, Democrata e PR. E temos de engolir, sem entender, mas também sem dizer nada. A política hoje, é um meio de se enriquecer rápido e pronto. É tanto o montante envolvido que sobra para o partido e até para os filiados mais próximos. Acho que no dia em que representante do povo comece a ganhar no mesmo patamar da média do povo que representa, teremos uma redução drástica de partidos e até de filiados querendo disputar cargos eletivos. Quem sabe, até um incentivo para que nasçam grandes empresas a partir daí? Ou talvez, as pessoas se apliquem nos estudos.
Para quem está de fora, os discursos parecem sempre os mesmos: “Um país mais justos para todos.” Do Democrata, ao Partido Socialista do Trabalhador Unificado. Mas o Dem não é a favor do mercado livre, sem a presença do estado? E o PSTU não prega o estado proletário? Assim como tantos partidos, esses dois, só serviram de exemplo. O discurso parece o mesmo. Nem sabem as diferenças filosóficas entre suas posições. É um tal de vai na valsa e vamos ter fé para a canoa não virar.
Fica difícil saber quem é quem. Parece que as bandeiras partidárias só servem para colocar os candidatos na rua, sem uma preocupação de formar quadros, principalmente para quando se precisar de profissional em determinada área do estado devido aos acordos da base aliada, possa se contar com um profissional que entenda tanto da área fim, quanto de como colocar os programas partidários, de acordo com a realidade. Na verdade essas coligações parecem feitas para se fazer não aliados em suma, mas alienados no público. Um povo cada vez mais alienado que não é chamado a discutir nada.
Mas para que ajam quadros competentes, tanto nas questões políticas, quanto nos cargos de direção de postos das estatais, os próprios partidos têm de discutir internamente assuntos sobre diversas realidades e exigir que seus quadros se reciclem, ou se aprimorem. Desde a ecologia, até a matriz energética, passando pela discussão sobre a posição quanto as Forças Armadas e até, sobre a política externa, ninguém tem nenhum estudo da posição da agremiação. Mas o que ainda se vê muito, é um, ou outro “dono” de partido chegar com uma resolução pronta quando se precisa e não discutir com ninguém, nem com os militantes, nem com as bases, muitas vezes nem com a direção do próprio partido e dizer que é a proposta acabada e discutida. Algumas vezes os membros dos partidos, por não saberem que o partido tem uma proposta, advogam sobre a mesma causa, de modos diversos e contraditórios. Se alguém chegar agora em um sítio da internet, acessar uma página de qualquer partido político do país e procurar assuntos de interesse público, mas sem relevância para gerar fato político, como por exemplo, uma proposta para os recursos hídricos do Brasil, ou a proposta sobre reciclagem de qualquer produto, se encontrar algum assunto correspondente, vai ser muito difícil, mas também não vai encontrar um canal de comunicação que aceite o debate amplo de quem de fora. Como se diz, “saneamento básico não dá voto”, por isso os partidos só discutem o que está em voga, o recapeamento das ruas em rede nacional. Isso dá voto. Não só na internet. Não se discute nem nas próprias sedes além do já mal discutido.
Quanto mais se reproduzir o discurso da mesmice, melhor para se fazer política, no fazer política atual. Quanto mais se fizer discurso bonito, megalomaníaco, porém sem mostrar como implementar essas propostas, melhor para se iludir os outros. “A gente subsidia o gado na Amazônia, dá apoio técnico e financeiro e ao mesmo tempo espera que as fazendas continuem do mesmo tamanho, mesmo quando o mercado demandar maior produção, por que nossos fazendeiros são diferentes dos outros e não almejam lucros, como qualquer outro empreendedor. De resto, é enganar a opinião pública, com propaganda sobre preservação” Conseguem discursar sobre coisas díspares, de um modo como se não tivessem relação alguma.
Quando havia saído da militância política e estava de saída da universidade, houve uma eleição para o diretório estudantil. De repente a chapa do Folcolares, um movimento da Igreja Católica do qual muitas pessoas conhecidas minhas fazem parte, chegou a mim para perguntar se eu estava dando apoio a alguma das chapas concorrentes. Fiquei surpreso quando em um dos panfletos, aparecia meu nome, em meio aos apoios. Talvez se tivessem me perguntado se podiam colocar meu nome na lista, quem sabe, teria até permitido. Porém, fazer as coisas sob imposição, nunca foi do meu feitio e nem permito que coisas assim proliferem. Desde o colégio, não suporto imposição. Lembro de uma vez em que cheguei para estudar, vieram me dizer para não entrar. Eu perguntei a várias pessoas o porquê e apenas diziam que era para não entrar, pronto. Bem, ninguém quis explicar uma coisa simples. Fui o único fura-greve, o único que entrou no colégio, da série em questão. Fiquei na sala de aula sozinho, como bom fura-greve. De repente, apareceu todo mundo esbaforido, correndo com medo de ser punido pela direção do colégio. E a causa, de certa maneira era justa. Queriam expulsar do colégio um dos nossos colegas da nossa sala que desenhava inclusive de graça, para tudo o que o colégio queria. Ele e a namorada seriam punidos, por que a Primeira-Dama do colégio, viu-os se beijarem em público, ou seja, na presença só dela. Um colégio onde se podia usar a roupa que quisesse, menos na Educação Física, onde se podia sair da sala a hora que quisesse, onde se podia entrar e sair como se quisesse, onde aconteciam coisas inacreditáveis, com dizia o Diretor do colégio: “Pode vir até nu para o colégio, desde que se passe pela polícia e pelas pessoas na rua.” Quem sabe, se muita gente soubesse do que estava acontecendo, qual a reivindicação de verdade, não fugisse tão fácil assim e se tivesse êxito na reivindicação? Mas alguém decidiu fazer uma manifestação, sem esclarecer o porque.
Não sou muito chegado a imposição desde criancinha. Seu Clovis dizia que eu não suportava receber ordens. Não é tanto assim, desde que as ordens sejam esclarecidas e se me mostrem coerentes, eu as cumpro sem discutir. Só não gosto de ser “massa de manobra”, como dizia o Professor Nina, um dos escolhidos para a reitoria, no tempo em que a Ditadura impunha as direções das instituições de ensino superior, quando fui eleito para o Conselho Universitário e ele me puxou pelo colarinho, para que eu deixasse daquilo. E foi justamente, quando se verificou que a direção da universidade desviava o dinheiro da instituição, para ganhar no overnight e por isso, sempre atrasava os pagamentos de tudo, mesmo que os funcionários tivessem de pagar juros de suas dívidas.
Voltando ao caso da eleição dos estudantes. Depois da conversa em que me mostraram o panfleto em que tinha meu nome no meio, decidi participar de um debate amplo entre as chapas, por dois motivos. Um, para dizer que eu, primeira pessoa do singular, estava afastado da militância estudantil, da militância política, da prática política. E segundo, para ver se o discurso das chapas ia além do que cada uma havia decorado, do que queriam mostrar para o público alvo. Na primeira questão, as chapas que concorriam, mostraram-se totalmente alienadas de questão que não fossem aquelas já batidas e debatidas. Lancei uma pergunta: “Como vivemos na Amazônia e a ecologia é uma coisa que nos interessa sobremaneira, qual a proposta de cada chapa, para o debate e a intervenção na questão da ecologia?” Matou meio mundo. Falaram, falaram e não disseram nada. Como quando não se tem idéia do que se pergunta e se quer responder com muitas palavras, para se enganar o professor. A política no Brasil está sendo feita assim. Pela primeira vez, durante anos, a chapa da qual participava, perdeu uma eleição estudantil. Os partidos políticos no Brasil, não se atém à filosofia das coisas. Não sabem como intervir, dentro de suas propostas, mesmo por que, muitos nem sabem quais são as suas propostas. É como jogar xadrez e entrar no jogo do adversário que engana. Como um jogador que só sabe mexer as peças e as mexe de qualquer maneira, sem pensar no que aquele lance pode afetar nos lances futuros, resolve-se o problema à frente, mas não se vê que aquele lance vai ocasionar um xeque-mate imediato, na próxima jogada.
As discussões na esfera política no Brasil estão acontecendo da mesma maneira de antigamente. Ninguém discute nada, ainda mais, um país carente de discussões, de se fazer pensar, apenas se impõe goela abaixo. Mesmo que hoje vivamos em um regime democrático.
Os partidos de esquerda que sempre tinham na discussão um diferencial, de repente se voltaram apenas para a vida parlamentar e esqueceram até da militância no meio da rua. Não se vê mais mobilização alguma para se exigir coisa alguma, não se vai discutir com a sociedade os problemas, nada. De repente aparece um problema que tem de ser ultrapassado, resolvido, a sociedade é posta à margem das discussões e o que se faz? Acordos de bastidores, com partidos sem a menor identidade com os outros, muitas vezes, sem representação alguma, para se levar adiante o que deveria ser levado com a mobilização popular, inclusive por que quando se chama a sociedade para o debate, fica até mais fácil de “pegar” a lei sobre a qual se legisla. O Brasil virou um país desmobilizado. Onde nem os partidos discutem com a sociedade. É cada um por si e alguém resolva o problema. O parlamento parece a Liga da Justiça onde não se discute nada com ninguém e as decisões são tomadas lá dentro, só depois é que se vai pagar. E quase sempre, caro.
Mobilização popular hoje em dia, é o político alugar ônibus, pagar as pessoas desempregadas, para agitarem as bandeiras nas inaugurações próximas às eleições, sem que essas pessoas saibam o mínimo sobre o que se discute. É por isso que gente que nunca apareceu em luta alguma, gente sem representação alguma ganha eleição. Por isso que se tem de gastar fortunas, para ser eleito, por que o debate em si, não acontece nem na sociedade, muito menos no parlamento. Por isso muita gente prefere coligar até com traidor que traga algum recurso financeiro, do que mostrar propostas. São discursos vazios, sem conteúdo algum, feitos só para constar, para aparecer diante das câmeras, para mostrar ao eleitorado que o parlamentar está lá encima, por isso, deve ser visto como uma pessoa de respeito, quando muitos não respeitam nem seu eleitorado. E o filiado é eleito, não aparece nas sessões, faz de conta e recebe no final do mês. Nem se for a verba de gabinete, mas recebe. Depois, é distribuir cesta-básica e ser reeleito.
É no próprio parlamento, onde o que menos se vê, é se palar. Discutir, ter idéias, gerar novas concepções. Também por isso, todo mundo crie sua ONG, para ver se participa da vida pública, sem necessariamente ser político, ou com um trampolim para tal. E daí, surgem as aberrações de todos os lados.
Os partidos de esquerda, partidos que se diziam diferentes, chegaram ao poder. O que realmente mudou no fazer política? Apenas um aprimoramento da arte de “conchavar” de discutir a coisa pública, nos bastidores, de distribuir benesses para obter o voto, distante da realidade.
Começou com o MDB que impuseram que se colocasse um P na frente, quando ainda se considerava de esquerda. Ainda se lutava para se eleger o governante na base do voto direto e alguns caciques, nos bastidores, faziam de tudo para derrubar essa proposta, para serem eleitos no Colégio Eleitoral. Quando chegou ao poder através do voto indireto, entregou tudo a quem fazia parte do antigo regime, de quem era o principal articulador.
Para o público, aparecia com uma proposta, nos bastidores, tudo diferente.
Veio o PSDB, partido de acadêmicos, ditos com propostas diferentes e o que houve? Pouca, ou quase nenhuma participação popular nas questões e muito acordo de bastidores. Televisões, rádios, jornais e obras públicas para os aliados, quando ainda o PSDB se dizia de esquerda. As questões estruturais, não mudaram em nada. Escolheu-se a governabilidade para culpar. “É preciso fazer alianças para se governar, senão ninguém consegue.” Dois governos e nada de reformas políticas para se poder mudar estruturalmente e não se dependa tanto de coligações meio capengas. Foi se levando, coligando-se com os mesmos PMDB, PTB que apoiaram desde o Sarney, até o Itamar, sem folga, ou descanso do poder.
Veio o PT, repetiu da política econômica, ao fazer política do PSDB e a mobilização inclusive dos seus e dos militantes do PCdoB, chegou a zero. O debate em todos os níveis morreu. A UNE, a CUT, o Movimento de Almas Negras, as Donas de Casa da Vila Cacilda Unidas morreram, ou se filiaram a uma, ou outra proposta polarizada em que se transformou o país, sem discutirem uma proposta global, tirada do seio dos seus, para apresentar aos outros. Ninguém tem contribuição a dar sobre nada. A proposta de se mudar através da discussão ampla, virou arquivo-morto. Aliás, a proposta de mudança, de revolução, virou apenas discurso. Qualquer coisa agora, é revolução, quando revolução, pelo menos antigamente, era uma forma de mudança profunda, de transformação econômica, social e política das bases. Talvez por isso, a última grande revolução mundial que ocorreu, foi o Neoliberalismo. Mudou tudo, inclusive a visão de quem não se alinha a essa proposta, mas foi a reboque. Mas o pior de tudo são os acordos eleitorais, os apoios conjunturais, sem levar em conta o depois, o lance final. De novo, aquela mania de mexer as peças para se sair do problema presente, sem se ver o todo, para que não se comprometa os lances futuros.
Vejamos, PMDB e PT fizeram aliança no Amazonas. O líder do governo, um membro do PT. Até aí, tudo bem. Mas os discursos feitos pelo líder do governo, nos fazem crer que se está diante do Salvador, ou algo parecido. Como se não houvesse nenhuma mácula em toda a sua história.
Louvar o aliado, como se não houvesse amanhã, é de um amadorismo sem par. Conhecendo-se os grupos que estão na política que vieram do mesmo tronco e dizem que atualmente, são adversários - tem quem acredite -, e discursar como o líder do governo discursa, colocando o executor num pedestas é não ter visão alguma de futuro. Em um determinado ponto do percurso, quando a base não estiver mais aliada – ou se espera que essa gente fisiologista vá ser aliada a vida inteira? Pensam que vão ficar à frente do poder, por toda a vida e nunca perderão uma única eleição? – poderão usar esses discursos ingênuos, para mostrarem como esses dirigentes políticos discursam de acordo com o momento. Corroborando com a idéia de que para ser político, precisa-se ser ladino, esperto, inescrupuloso. Talvez por falta de uma discussão interna, de uma maior coerência frente o próprio partido.
Os partidos de esquerda ficaram imediatistas, como qualquer bom capitalista. Querem ganhar no parlamento, mesmo que maculem sua imagem. Talvez pensem que as alianças que fazem atualmente se dão, motivadas pelas propostas, pela evolução política e de caráter dos outros partidos. Parece que não entendem, ou entendem pouco da história política do país.
Aliança, o PMDB faz desde que o poder saiu das mãos dos militares. Foi governo quando a inflação no Brasil bateu todos os recordes, muito próxima da inflação histórica da Alemanha, antes do Hitler tomar o poder. Já fez aliança com Collour, com Itamar que era do PMDB, com Fernando Henrique e com Lula. A aliança de certos partidos, como o PTB, não é com as propostas de governo, mas com o poder, pura e simplesmente. Seu Clovis dizia que tinha gente que diz - dentre tantas, o filho dele -: “Hay gobierno, soy contra.” Pero, actualmente, lo que se puede dicir, é que hay muchas personas, muchas agremiaciones partidárias que hacen un debate em lo sentido contrário: “Hay gobierno, estoy haciendo parte.”
A esquerda, ou os partidos esquecem que a opinião pública se dá conta desses conchavos e até agora as coisas são aceitas assim, mas um dia, as coisas mudam e o que era aceito, vira uma imoralidade, uma coisa desmoralizada e escorraçada do seio social. E quem tinha essa prática, é escorraçado do mesmo jeito.
O voto de cabresto era visto como uma coisa natural na política. Hoje, pelo menos é mal visto, mesmo sabendo-se que muita gente ainda se vale desse artifício. Um dia, vai deixar de existir por completo. Lavar a honra, era aceito como uma coisa natural do homem traído, mesmo que tivesse várias amantes. Hoje, só os brucutus ainda advogam a causa. A própria sociedade vê quem “lava a honra”, de maneira diferente do que via antigamente.
Domingo 22 passado, pessoas ligadas a este e tantos outros governos que eu acho que é sempre a mesma gang – saíram do mesmo tronco genealógico, apenas se distribuíram em partidos diferentes, para estarem sempre no poder e enganarem os trouxas, mas sempre as mesmas pessoas lucrando com a coisa pública -, discutiam a atuação do PCdoB na administração pública municipal, dizendo que falharam em várias frentes. Fiz parte dessa agremiação, mas faz tempo, não decido nada. Já estava perdendo respeito quando decidi sair, mesmo tendo representações de peso e não precisando da ajuda de ninguém, para ganhar eleição.
Se for verdade que foram incompetentes, só me resta lastimar. Fazer o quê? Sou tão deles, como do Fantasma Futebol Clube, ou membro das Forças Armadas. Resta-me ver as propostas e a atuação de cada partido colocado na vitrine e manter, ou mudar o voto. A democracia nos dá, antes do direito, o dever da escolha. É por isso que lutei por ela e não arredo pé da sua manutenção. Não respondo pelo o que não sou responsável.
O que ocorre atualmente, é que a base aliada nem sabe quais os programas de governo, nem quais as propostas que podem ser levadas para o governo. Se aliam de uma maneira estranha. Como as calçadas nas ruas pelo Brasil. Aliadas, uma com uma altura, outra acima, outra abaixo, mas são aliadas. Por isso, recentemente, um ministro da base aliada, filiado, ou fisiologado ao PMDB de agora, defendia em pleno Governo Lula, a privatização do setor do qual é dirigente. E ficou por isso mesmo. Talvez por que o governo não tenha proposta também, ou talvez, por que não saiba colocar sua proposta de governo, na mesa de discussão, traçar metas e programas e mesmo aliado, não permita que se desvie dos rumos traçados. Eu apenas acho que mesmo sendo aliado, de qualquer base, ou que se deseje o apoio de quem quer que seja, ainda assim, têm-se de ter propostas e pontos de vistas diferentes, senão os partidos seriam os mesmos e não se precisaria gastar tanto dinheiro com eles. O grande erro dos partidos é não levarem contribuição para o debate dentro dos governos e não respeitarem os princípios programáticos de quem está no poder. Aliás, estão mais preocupados em levar as contribuições para casa. Por serem aliados, ficam mudos, concordantes em tudo, na hora de ficar na boquinha. Depois, começam a divergir da proposta do próprio governo do qual faziam parte e ajudaram a criar. É puro oportunismo.
Quando se faz parte da base de apoio se cala, não dá para se pintar de oposição, quando se deixa a boquinha.Tem militante e partido que quando se está na base, no governo, parece que tudo está às mil maravilhas. Quando deixa a base, ou se tem candidatura própria, de repente tudo muda. Quem fazia parte do governo, só enxerga os erros, quando está fora. Dentro do governo, nunca divergem, nem levam o debate para que se melhore a administração. Parece que ainda acreditam na ORDEM E PROGRESSO. Só há progresso com ordem. Pelo menos na Bandeira Nacional. Não corroborada nem nas Ciências Naturais, nem nas Ciências Humanas, mas pelo menos, nos é um símbolo. Talvez por isso tenhamos tanto medo do caos e o mantenhamos sempre mascarado.
Muitas outras vezes, quem faz oposição cerrada aos governos, quando pega um cargo qualquer, parece que por sua presença, tudo muda, tudo vai às mil maravilhas. Ninguém houve uma discordância qualquer, mas também nenhuma mudança de hábitos. O governo continua do mesmo jeito, mas o opositor que tinha várias questões para mudar, esquece-as. E o que tem de gente se arvorando de oposição para pegar uma boquinha, denigre até a imagem de gente reconhecida internacionalmente. Eu ficaria com vergonha de mim. Mas eu tenho um pensamento antigo. Estou ultrapassado. Nunca fui oportunista nem quando jogava futebol.
Hoje, os nomes entram e saem das agremiações, como se entra ou sai de um apartamento alugado. O anticomunista de ontem, é o nome mais visível do Partido Comunista. Será que mudou tanto? O empresário que tratava seus trabalhadores em regime de escravidão, agora está agitando as bandeiras do partido que defende os trabalhadores. E muitas vezes, expulsa o militante histórico, para aparecer. Muitas vezes nem os líderes dos partidos sabem o por que das coisas, ou não querem saber. Muitas vezes, quem estava no partido Vermelho, vai sem a menor vergonha para o partido Azul. Parece que não há critérios para se mudar, para se filiar a nenhuma partido, a não ser, recursos. Estamos chegando ao tempo em que só participava da vida política, quem tinha muitos recursos mercantis, financeiros e econômicos. “De volta para o futuro. O filme”
Como confiar em quem defendia uma bandeira e muda tão rapidamente de lado, de ideologia, de programa e de ação? Eu sou muito descrente, como sempre. Preciso ser mais moderno. Oportunista, portanto crente. Mas por aqui, não se exige nada de ninguém. O ser público que em outros países tem de mostrar dignidade onde estiver, no Brasil não precisa mostrar nem no que representa. Reitor, juiz, parlamentar, governante em geral em outros países, no exercício da função, mesmo fora dela, representa-a e qualquer atitude fora dos padrões, responde pelo ato. No Brasil, político, ministro, policial e qualquer governante, pode aparecer bêbado, fazendo strip-tease que logo se esquece. Ele é uma pessoa pública, mas tem sua vida particular. Ele faz na privada o que mostra em público. A pessoa que escolheu a vida pública acha que pode agir de qualquer maneira, na sua vida privada.
Tem gente que não sabe nem por que da existência desse, ou daquele partido. Entra na onda, como se entra numa fila, por brincadeira.
Se por acaso se chegar hoje no PT e até mesmo no PSOL e perguntar o que acham do dízimo, muitos militantes vão discordar, não vão nem saber discorrer sobre e não vão saber o porquê da sua existência.
Até onde eu sei, o dízimo político não foi criado em nenhuma igreja, nenhuma religião. É uma forma do parlamentar saber que o cargo eletivo não pertence a ele. De saber que o partido vem antes da questão pessoal. É também uma forma de colaborar com as despesas internas dos partidos de esquerda que até um tempo atrás, não eram ricos e nem podiam ser, estatutariamente. A proposta de fidelidade partidária passou e a discussão nem foi feita, para mostrar a quem pertence o filho. Nem se discutiu com a população que está afeita ao fato. Discussão zero. Talvez ao primeiro sinal de um golpe de estado, conchave-se nos bastidores e a população nem fique sabendo, por que se desaprendeu como mobilizar pessoas.
As discussões são feitas nos partidos e nas casas dos representantes de forma tão superficial que as escolhas de apoio das esquerdas, têm se mostrado totalmente equivocadas. Não conseguem enxergar como o futuro pode ser alterado, com as escolhas atuais. Tem partido de esquerda, defendendo os aumentos dos salários e das ajudas-de-custo no Legislativo, como a coisa mais natural do mundo. Está todo mundo perdido que nem favelado no Rio, entre a polícia, a milícia e os traficantes. E qual as soluções que os partidos têm para as favelas? Parece que a forma mais fácil, é meter as Forças Armas para coagir a população e assim se camuflar a violência que só aumenta à cada minuto. As práticas se repetem, mesmo quando os partidos têm nomes diferentes.
Vamos atuar na base da suposição. Fazendo de conta que um determinado candidato seja apoiado pelas esquerdas no Rio e tenha vindo de uma igreja marcadamente não tão ilibada, nem tão ética assim e que à frente, estejam pessoas que dizem que mudaram da marginalidade para a vida cidadã, mas que sempre passam por cima, tanto de questões éticas, quanto de dogmas religiosos, para alcançarem o que desejam. Suponhamos que este suposto candidato no Rio, ou em qualquer outro lugar do país - o Rio, é apenas um exemplo para a suposição -, não tenha um programa político de idéias, não tenha proposta política alguma e atue apenas na base do assistencialismo, do cabresto eleitoral/religioso e tenha apenas o desejo de tomar o poder nacional, estadual, municipal, para fazer o quê? Já diziam o mestre Carlinhos de Jesus no meio de uma roda de bambas: “A César o que é de César, a Deus, o que é de Deus.”
Suponhamos que esse candidato consiga, através de falcatruas políticas, de tijolo em tijolo, ancorado por redes de comunicação próprias que deturpam a notícia, quando do interesse de seus responsáveis, seja apoiados pelas esquerdas, tome o poder como desejam na base, para realizar o seu “trabalho”. Extrapolemos e suponhamos para a escolha do secretariado. Um exercício de suposição puro. Para a Secretaria de Segurança, escolhe o Tonho Bucho, conhecido por ter liderado grupos de extermínio, tráfico de drogas e máquinas de caça níquel. Dizem que ele se regenerou logo após ter visto a luz e após o testemunho. É um outro homem, totalmente diferente do que era. Não mata nem uma mosca mais. Para a Secretaria de Finanças, escole o Chico Tira Tripa, diz a lenda, ex-chefe de quadrilha que assaltava bancos, fazia falcatruas através da internet e mandava matar os adversários, sem dó nem piedade. É acreditar para ver, até onde vamos, ou melhor, até onde se vai. Para a Chefia de Polícia, o Secretário escolhe o Cabo Rado que em uma semana passa de cabo, para sargento, subtenente, tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel. Só não chega a general, por que o posto maior da polícia no Brasil, é coronel. E no mesmo dia, assuma o comando geral. É brincar muito com coisa séria.
Sabe Nova Iorque nos anos de 1920, em que os gangsteres, dominavam a cena política? Al Capone escolhia o prefeito que escolhia o xerife e escolhia as ações da polícia? Dá para imaginar, ou supor, como podemos estar deixando o país nas mãos de marginais? Eles colocam os seus em postos chaves e quando precisamos, não podemos nem abrir a boca. Somos levados a crer que bandido se regenera com um simples testemunho, mude de vida, só por fé e deixe a vida nababesca, para ralar como qualquer um, sem poder econômico, nem vida marginal e sem especialização a não ser no crime. Eu preciso ser menos descrente.
Mas vamos supor. Pelo menos isso, não machuca ninguém.
O Lidovaldo que era do bando do Tonho Bucho, faz um assalto que todo mundo vê no meio da rua. De repente, algumas testemunhas se apresentam e ao invés de se ir atrás dos bandidos que cometeram o crime, processam-se as testemunhas, por terem aberto a boca e são presas diretamente pelo staff do Tonho Bucho na Secretaria. O desembargador Áureo Plúmbeo, Chiquitita Mete Bala e Pedro Lombroso que fazem parte do colégio que decide tudo nos tribunais, é que julgarão o futuro dos “alcagüetes”. Escolhidos para seus cargos com a ajuda implacável do administrador público, do governo presente, não podem decepcionar. Os Poderes são independentes, pelo menos na Constituição do Brasil. Todas as ações impetradas em favor das testemunhas ficam engavetadas, ou desaparecem dos tribunais, num passe de mágica. E os X9 populares vão mofando nas delegacias, até o dia em que forem feitos reféns em alguma rebelião de presos. E a rede de comunicação do governante, como que para constranger o resto da população, mostra o que acontece a quem fala demais.
Dessa forma, os governantes nem precisam mais ser eleitos para assumirem cargos eletivos. Escolhem entre eles, em forma de rodízio. E quem discorda, tem o mesmo destino das testemunhas já citadas. Inclusive livros que divergem do ponto de vista do grupo são queimados como faziam na Alemanha Nazista. Enquanto isso, os impostos são elevados quase que diariamente, novos impostos aparecem quase a toque de caixa e a contrapartida para o cidadão, é lenta, sempre falta gente para implementar as ações, falta material, é tudo muito difícil de realizar a contento, total falta de vontade política para se resolver os problemas, o material se estraga sob as intempéries, novo material é comprado diariamente sem licitação, e só quem consegue aparecer nas listas da Forbes e da Fortune, é o pessoal ligado ao governo. Empreiteiros, fornecedores e baba-ovos em geral. As finanças do governo estão sempre no vermelho, apesar das arrecadações recordes, ou como dizem no Jornal Nacional: “Récorde”. Coisa de “héterossexual”. Ninguém faz oposição, todo mundo é aliado. Uma ditadura branca. Quem já foi da UDN, hoje dá apoio a esse governo fictício que se diz progressista. No nosso exercício de suposição, que fique bem claro. Enquanto as finanças do governo vão de mal a pior, não se pode dizer o mesmo das finanças do Chico Tira Tripa, sempre pagando para ser eleito o Empreendedor do Ano, o Homem de Visão da vez, esses títulos que acredita quem não conhece e deixa muita gente orgulhosa. Mas na verdade, o Chico, é um homem de visão realmente. 5 graus em cada olho, mas uma pessoa de visão. Atua no ramo da aviação, da indústria de informática, no comércio de shopping, em várias áreas. Diversificou bem o dinheiro público, em benefício próprio.
E assim a política de alianças vai de vento em popa. O povo é que parece ter entrado pelo cano, como polpa enlatada. Por fim, o grupo se fecha tanto, quase uma república fundamentalista que tem força inclusive para deixar na ilegalidade, quem o apoiou no começo da caminhada política, por total falta de visão do todo, das questões estruturais. Ou por puro interesse mesquinho.
Mas a prática da suposição pode ser um terreno perigoso. É melhor esquecer.
Suponhamos que num determinado momento um certo político aparece numa lista de supostos pedófilos, de pessoas que fazem sexo com meninas de famílias pobres, entregues à sanha de quem gosta de se sentir poderoso, na base do passar por cima de tudo e de todos, inclusive por cima das leis que protegem crianças e adolescentes. Digamos que esse político fictício, tenha sido sempre foi pau-mandado, sempre fez o que o “chefe da gang” mandava fazer, inclusive desestabilizar partidos de oposição com sua presença.
Tudo, lógico, na base da suposição. Suponhamos que esse político exerça toda forma de coerção para tirar seu nome da lista da CPI da Pedofilia e mesmo assim, não veja surtir efeito, inclusive contra a representante de um partido de esquerda, convocada para colher informações sobre o assunto. De repente, o nome desse político suspeito de pedofilia desaparece como que por encanto da lista da CPI. A representante do partido de esquerda que inclusive testemunhou a repressão contra um membro da polícia local, chega a chorar quando sabe do ocorrido. Supondo que um outro político que se diz ilibado, tenha recebido apartamentos e quantia em dinheiro, justamente para fazer a diligência de salvar o outro, para apagar esse “engano”. A ficha suja se limpa num passe de mágica. Então de repente, a gente pula as partes. Deixa o passado morto, como querem muitos e parte para o presente. O político suspeito de pedófilo e muito temeroso do resultado final do julgamento, de repente se apresenta como candidato majoritário para as eleições. O partido, um desses nanicos que parecem escola particular: “Papai pagou, passou.” A ficha criminal nem é vista, como de tantos filiados aos partidos nacionais. Qualquer um pode pagar para ter imunidade parlamentar. Pode querer matar adversários políticos, invadir terra de tribos indígenas, incrementar o trabalho escravo em suas fazendas, destruir a natureza e mesmo assim, ter imunidade, ser considerado um ótimo quadro partidário.
Então na nossa suposição, o candidato suspeito de pedofilia, com práticas nem sempre leais e idôneas, é o nome de peso a concorrer, por que traz recursos. De repente a política volta aos tempos da barbaria. Sedes de jornais contrários a eles sofrem atentados. Quem não faz campanha pelo candidato, mesmo em período fora do prazo permitido, é demitido por justa causa. Quem não se mostra a favor, é perseguido, pessoal e profissionalmente. E até o político que não mediu esforços para tirar o nome do candidato da lista de supostos pedófilos e arrogantes sociais, diz-se temeroso por sua e pela vida dos seus, tendo recebido ameaças de morte. De certa forma, o feitiço virando contra o feiticeiro. Nesses casos, eu até acho justo. É como um juiz, sabedor da ficha marginal de determinado pessoa, a coloca à solta por interesses espúrios e depois sofre na própria carne, o mal advindo justamente de quem libertou.
De repente, a representante da CPI que se debulhou em lágrimas quando soube da retirada do nome, ligada ao partido de quem dá apoio à candidatura dessa criatura, não entende nada. Como, alguém que se diz digno, pode fazer campanha para quem já se mostrou não ser tanto assim, tendo outros nomes que podem representá-lo? É como se eu me dissesse honrado mas só escolhesse apoiar bandido. Alguma coisa estranha tem por baixo dos panos. Ainda mais quando se pode escolher nomes mais respeitados, mais leais e com práticas menos oportunistas.
Estamos entregando o ouro ao bandido. Parece norma, só se fazer coligação, não pela proposta dos partidos e candidatos, mas pelos votos, ou recursos financeiros que podem agregar, mesmo que facciosos. E quem sabe se já não estamos e nem percebemos, como aconteceu em Nova Iorque na década de 1920, a se repetir no Brasil da década de 2000? Gangsteres escolhendo pessoas ligadas à Máfia, para os postos-chaves, para tomarem o poder do cidadão de bem? Interesses pessoais sobrepujando-se sobre o bem comum. A quem interessa? Não à grande maioria, tenho certeza. Mudar se faz necessário urgentemente. Mas quem o fará? Os políticos interessados em enriquecer na coisa pública a quem não interessa nenhuma mudança significativa? Ao povo totalmente desmobilizado? Ou quem sabe, chamemos o Hulk para ver se ele dá um jeito nas coisas. Por que zangado muita gente já ficou, mas ainda não deu para se transformar em homem verde e poderoso que decide tudo na base da porrada. No máximo, algumas vezes a cueca nos aperta, mas no saco escrotal e na hora errada. Nem por isso nos consideramos o Hulk.
“Nessas horas, é preciso muito cuidado.”
Supus! Nada aqui é real. Alguma semelhança com a realidade, é a mais pura coincidência. Quanta suposição.
Enquanto isso, o país resolve cada problema que aparece de forma conjuntural, mesmo que agrave a crise estrutural no futuro, sem nenhum planejamento do todo, sem a visão holística de verdade, sem nenhum profissional da área.
De repente se precisa de um ministro para a geração de energia, qualquer um serve, desde que da base aliada. Coloca-se um advogado. Ele vai aprender alguma coisa até o fim do mandato e vai acrescer no curriculum, mais esse cargo. Precisa-se fazer média com um partido para deixar de fazer oposição, cria-se uma ministério do planejamento estratégico e se escolhe alguém do partido, para calar a boca. Qualquer um serve, até mesmo um advogado para planejar. Pronto, resolvido. A defesa do Brasil está pior do que a Seleção do Dunga, coloca-se qualquer um. De preferência um advogado, desde que seja da base. O trânsito está péssimo, alguém precisa estudar um modo de fazê-lo fluir. Um advogado, por que não? Engenharia de Tráfego faz parte da grade curricular. O meio ambiente vai de mal a pior, o que fazer na Capital da Floresta Amazônica que apesar de tudo, é o município mais desarborizado de todos. Escolha um advogado para atuar na ecologia. Sabe tudo.
Será que entendem tanto, de tanta coisa? A questão não é essa. A questão posta é se levar a coisa pública com a barriga, fazer média com a população, calar quem pode fazer oposição e esperar que a bomba não estoure enquanto se está governando. Um dia alguém, um super-herói, vai baixar com a solução pronta. Por enquanto, vamos dando paliativos para crises agudas de câncer de próstata. Quem sabe, com algum milagre, ou pensamento positivo, curemos o paciente? Supostamente, esta é a política da qual fazemos parte. Queiramos ou não. E que nos deixa sempre caminhando em círculos, enquanto os outros estão crescendo.

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