sábado, 14 de junho de 2008

DISFARCES

E o Brasil a duras penas, está tentando sair do atraso, do autoritarismo, do Coronelismo de Barranco. Mas ainda existem setores do próprio Estado que se sentem à parte. Diria, sentem-se djou. De outro mundo! Dentre alguns, podemos destacar o Judiciário que não é, não quer ser e não se considera servidor público, não precisa dar satisfação a ninguém, trabalha quando bem quer e parece que administra uma empresa privada sua, onde as “otoridades” ainda agem, como se estivessem na Corte Francesa, antes da Revolução Capitalista, distante do país. Sim, por que depois da revolução, a nobreza da França perdeu a cabeça, para deixar de ser fresca. Para ser mais exato, se fodeu ao quadrado à beça, para deixar de pensar – aliás, deixaram de pensar mesmo. Sem cabeça, quem pensa? – que não pertenciam a este mundo.
Porém, o setor mais djou do Estado Brasileiro, são as Forças Armadas. Vivem de aparências – aparências nada mais... Êta musiquinha antiga! -. Quando eu lembro do sargentão, metido a macho pacas, da Terceira Companhia... Nas horas de folga, era uma moça. E quando a gente fazia operação de selva, com o CIGS, era um tal de dar presente para um soldado todo sarado, todo bonitão. Coisa de macho.
E o tenentão da escola militar, todo duro, malhado, gritava com todo mundo, com uma voz de barítono, alto, negão, porte atlético, escroto com todo mundo nas horas de trabalho... Quando a lourinha da Vila Militar que vivia de barriga de fora, gostosa até a alma – ninguém tinha coragem de chegar junto, por que diziam que ela praticava artes marciais e jogava no chão, quem fosse enxerido. Diziam que ela jogou um sargento, na frente de todo mundo e o humilhou. Mas que dava vontade... Toda malhadinha, toda apertadinha, com uma barriguinha e se fosse só a barriguinha, a bundinha... Aliás, vontade, nunca faltava. Coragem é que não vinha. Como na vez em que o subcomandante me mandou para a casa dele, lixar o muro. Cheguei, bati palmas, apareceu na janela uma menina bonita de cara, o que dava para ver, detrás da janela, apresentei-me e comecei a fazer o serviço. No meio do caminho, o tempo fechou, o céu escureceu e os avisos de chuva começaram a aparecer. De repente, a garota, acho que era a filha do subcomandante do batalhão, falou se eu não queria entrar, pois ia chover. Eu, muito tímido, disse que iria continuar o serviço. Então a chuva caiu no centro, mandaram um dilúvio de não se ver a dois palmos à frente e o muro virou uma gosma. Não dava para distinguir nem a lixa. A menina veio de novo na janela e perguntou se eu não queria entrar. “Não te importa comigo. Eu estou sujo e todo molhado, não vou sujar a sala da tua casa.” “Imagina. Se quiser entrar, avisa.” “Obrigado! Eu fico aqui no pátio mesmo.” De repente uma escada no meio da sala, na direção da janela, e a garota subiu. Meu Deus, uma bermudinha jeans mínima, atochada no rego e eu não sabia dizer que agora eu queria entrar, pois a chuva estava forte. Faltaram palavras. Sabe quando se está afim e não vem nenhuma idéia original para se começar a puxar um papo? E o pior, a maioria das mulheres, até hoje, fica esperando o cara tomar a iniciativa, ao invés de dizer que está querendo dar uma pimbadinha. Eu torcendo para ela me chamar e o meu pensamento positivo não funcionaou. Fiquei do lado de fora. Ah se eu me pego. Fdp. Depois, quando cheguei no quartel, fiquei sabendo que ela estava sozinha em casa. Todo mundo tinha saído. Isso é o que se pode classificar como leseira baré. Bem, vamos ao que interessa - chegou junto, da motocicleta dele, parada na pracinha, ele afinou a voz e a expulsou: “Sai menina. Não atrapalha!” De repente o tenentão se revelou. Graças a Deus, foi fuzilado em Roraima, em Rondônia, sei lá. Não por ser enrustido, mas por querer ser metido a besta. Foi frescar com a paciência de um soldado que pediu permissão para ver o filho que estava doente e ele não deixou. Que Deus o guarde no Inferno, bem distante de mim.
Poxa, mas eu falando assim, nem pareço brasileiro. Eu deveria dizer, “oh que pena. Fiquei chocado quando soube.” Eu já disse que deixei de freqüentar igreja, lá pelos 11 anos, então, essa demagogia tão difundida, não faz parte do meu ser. Aliás, ontem fui a uma missa e tive de me conter. Ainda mais na hora em que todo mundo estava se abraçando e desejando a paz de Cristo. Deu vontade de perguntar o que significa realmente isso, mas como diz Dona Therezinha: “respeite a religião dos outros.” Mas que é uma falsidade enorme, isto é. Paz e Cristo? Inquisição, Nazismo, Cruzadas, Guerra Civil Espanhola, perseguição a outras crenças, A Noite das Garrafas... É querer esconder a realidade dos fatos.
Certa vez, o comandante da companhia, chamou todo mundo, para avisar que iríamos receber a visita de um outro comandante militar e que ninguém risse da voz dele, pois o primeiro que o fizesse, iria preso na hora. O chato, é que deu vontade de rir, não pela voz do comandante, mas por lembrar do aviso anterior. É preciso dar ordens para ninguém notar que o outro é bicha?
O namorado do contador da loja de uma ex-namorada, era oficial graduado da Aeronáutica. Todos dois bofes, casados. Com mulher mais velha e feia. Lógico. Parece uma pista para dizer que o cara é viado e só quer mostrar para o papai que ele é homenzinho, e pega o primeiro jaburu que passa na frente, mas não deixar de receber atrás. Cara casado com mulher mais velha e feia, ou é garoto-de-programa, ou foi dar o testemunho e o fizeram casar na marra. Mas continua sendo gay, mesmo contra a vontade. Do pastor que diz que foi, mas ainda grita fino, dá pulinhos de felicidade, só chama as fiéis de Shirley e os irmãos de filé.
Caso de homossexuais nas Armadas, não é de hoje. Mas, pelo menos, com os que servi, não fizeram feio. É de se pensar, eles querem combatentes que façam o serviço como especificados, ou só querem dar pinta?
O Mendes que era um cabeleireiro conhecido das minhas irmãs, era da Terceira Companhia e o pessoal da 3ª, carrega canhão e base de canhão nas costas. Pesa mais do que um homem. E ele não reclamava de nada, nunca baixou enfermaria. Só se vestia de mulher, toda pintada, com cílios postiços e peruca loura e ia para a pracinha na frente do quartel, nas horas de folga. Era preciso a gente ir pedir encarecidamente , para ele ir para casa, antes de dar confusão tanto para ele, quanto para a gente que estava de serviço.
O meu amigo de companhia, requebrava na hora de marchar, e quando chamavam a atenção dele, ele dizia que tinha uma perna mais curta do que a outra e não dava para marchar de outra maneira. Enquanto todo mundo tomava banho nu, ele não tirava a cueca, nem por nojo. Era o trezentos e alguma coisa. Quando a gente formava grupos para alguma missão, ele às vezes compunha o grupo, por isso, o número dele devia ficar próximo. Na Operação Sobrevivência ele não fazia parte do grupo. Éramos seis. Brito, Monte, Nunes, Sebastião, eu e Waldimiro. Mas em outras missões, ele foi no grupo que precisava ser maior. Eu era o 304, o Monte, 301, o Sebastião 303, o Nunes 302, o Wardimiro, como se chamava, ou Waldomiro, na Certidão, 305, o Brito, 300... Bem, eu acho que era o 299. “299”. “Zani”. “299”. Zaani”. “299”. Zaaaaaaanii, sargento. Zani!” “Fala grosso militar”. Era gay assumido e ainda deve ser, não vai deixar de ser nunca, lógico, só se virar evangélico, aí, são outras encenações. Quero dizer, outras encarnações. O cara apaga todo o passado e aparece totalmente reformulado. “Irmãos, eu perdi a rainha, perdi a princesa, perdi as aias, inclusive todas as vassalas, mas eu quero dar meu testemunho e dizer que o Sangue de Cristo tem poder e hoje, eu não sou mais gay. Aleluia! Afff! Como cansa fingir”
Uma das últimas vezes em que vi o Zani, foi numa festa junina no INPA. Faz tempo. Eu e o Menudo, um amigo meu, agrônomo, devidamente encostados, vendo a passagem dos grupos folclóricos, quando de repente, na escuridão, o vulto de duas índias vindo na nossa direção. “Menudo, olha essas índias.” “Tu não sabes mais reconhecer viado?” E quando as índias da Tribo dos Andirás, índios bravos na mitologia amazônica, mas umas bichonas no festival folclórico, passaram por nós, paguei o maior mico. “Oi Bayma!” Com uma voz toda melosa para cima de mim. Até explicar de onde eu conhecia aquela idiona... Além de servirmos juntos na mesma companhia, íamos para casa juntos, ie, quando eu não estava detido. Eu, Brito, Monte e ele que moravam na Praça 14, a uma ladeira da rua em que eu morava.
O Zani era gay assumido e o Queiroz, fazia o tipo do machão assumido, desde quando nos conhecemos, no alistamento. Mas na hora das operações, o Zani nunca baixou enfermaria, nunca pediu para ninguém levar o seu material, sempre cumpriu a missão até o fim. Enquanto o Queiroz, muito metido a macho, baixava enfermaria no meio das operações, o que quer dizer que o soldado, não volta para completar a missão, pedia para o Wardimiro carregar o cinto de serviço, o fuzil, a mochila... E como o Wardimiro era um caboco leso, muito alto e forte, saía das operações, carregado de material e o Queiroz, chegava todo em frangalhos e o pior, nem se lembrava de pagar o que devia. Depois queria dizer que era mais macho do que todo mundo. O típico militar. Se caga todinho quando a coisa aperta e quer aparecer de machão, aqui fora.
As Forças Armadas não são contra homossexuais, em suas frentes. Nem nas suas costas. O que não se admite, é que o gay se declare como tal. Fica tudo na base da dissimulação, como se o homossexualismo não existisse. O militar pode até ser viado, mas tem de se fazer de macho, nas Forças Armadas. Tem de fazer força. E como fazem. Até a veia do pescoço incha. Imagina como não deve ser duro, querer se cagar e ter de segurar a merda! Vai dizer que não fazem força? Muito mais do que nos quartéis, onde ficam o dia inteiro, coçando o saco, até aparecer uma missão, uma operação, gastando o dinheiro do país. Aliás, dos países que ainda mantém uma coisa medieval dessas.
O homossexual no quartel tem de camuflar. É coisa de milico, um pessoal que vive se escondendo da realidade. Força do hábito. Qualquer dia desses, vão sair tocando aquela música: “Mamãe, eu sou é homem, mamãe eu sou é homem e como sou!” Acho mais interessante, mostrar a realidade e cantar a música do Tiririca: “Ele é viado, mas é meu amigo. Ele é baitola, mas é meu amigo. Ele pode ser tudo, mas é meu amigo.”
Não sei por que, Forças Armadas e Igreja pensam sempre, muito iguais. E todos os dois, são os setores mais atrasados sempre, numa sociedade. E querem fazer a realidade, totalmente apartada da realidade.
Parece que quem camufla a vida inteira, tem de se mostrar mais macho do que todo mundo. E na verdade, são mesmo. Pelo menos, mais machos do que eu, pois, eu, primeira pessoa do singular, eu mesmo, pessoa física de mim, não sentaria numa trolha, nem por reza. Não ficaria com o orifício exposto para a lua, para colocarem de jeito, pelas minhas costas, nem por remédio. Então esses caras, são machos mesmo. Fazer cocô para dentro, pelo menos até agora, não é uma experiência que eu tenha vontade de provar. Eu até gosto de empurrar o cocô das outras, mas de um outro, deve ser uma experiência estranha. Bunda cabeluda, velha, feia, sem carnes dos lados e o pior, o cara quer fazer carícias na frente e vem com um penduricalho, muito maior do que aquilo que se esperava pegar, mesmo excitado. E um saco velho pendurado, todo enrugado, não é uma coisa que me dê tesão, pelo menos até o momento. É preciso ser muito macho para não se importar com esses pequenos detalhes. Pequeno, é jeito de falar. Se a mana decide fazer troca-troca, o cara percebe que não era nem pequeno, nem detalhe. Égua!
Enquanto o Brasil discute leis contra a homofobia, contra a violência contra os LGBT e companhia ilimitada, enquanto se pensa em punir quem discrimina as pessoas pela opção sexual, quando já existem leis contra o racismo e contra o preconceito, as bichas estreladas, quero dizer, os milicos, estão indo exatamente na contramão. Aliás, não é de hoje que as Forças Armadas parecem estar em guerra, contra a sociedade brasileira. Nunca estão em conformidade com o que se pensa no país.
Não que sejam atrasados, preconceituosos, discriminatórios. São muito piores do que isso.
O Brasil já se democratizou, já admite pensamentos de diversas matizes ideológicas, mas ainda tem general, falando em subversão, tratando brasileiro, como inimigo que se tem de combater no próprio território nacional. Como se o Brasil estivesse a mil por hora e as cabeças formadas nas escolas militares, ainda estivessem paradas no tempo, num tempo em que as Armas serviam ao Rei.
Eis uma grande falha na nossa Democracia, mudam-se as leis, mudam-se as aparências, mas nada se faz, para se mudar a cabeça dos brasileiros. Então, apesar de termos leis contra o racismo, ainda temos racistas que não têm coragem de se mostrar por inteiro e se apresentam, como piadistas, onde passam o seu recado, como uma coisa leve que não machuca a ninguém. Apesar de se ter lutado para acabar com a tortura, ainda existe uma grande aceitação da tortura, pela sociedade, dito pela ONU. É como se a tortura fosse visto como uma coisa feia, quando aparece nas novelas, na televisão e quando vira notícia internacional. Aí as pessoas se colocam contra, para não se mostrarem sozinhas, como é comum entre os brasileiros. Porém, em casos em que o indivíduo se sente atingido, particularmente, ou em grupo, a tortura é vista como método normal que deve ser utilizado sim. Tipo assim – gostou? Estou voltando a ser adolescente -, corte com bisturi e sem anestesia na minha carne, é brutalidade, nos outros, é um mal necessário. A velha sociedade que se pensa individualmente até hoje, na maioria das questões. Por isso, enquanto a criminalidade está fora dos muros das casas de cada um e enquanto se puder pagar engenhocas eletroeletrônicas, segurança patrimonial individual, o problema da Segurança Pública é dos outros. Tem até quem ache uma grande idéia, o Caveirão e as ações da polícia mal preparada do Rio, sob o comando de um neonazista disfarçado. Quando os bandidos conseguem entrar na casa da gente, aí se vai para a televisão, chama a Xuxa, o Padre Marcelo Rossi, os sertanejos, essa turma que adora aparecer, não pelo que faz, mas na base dos escândalos, do disse-me-disse, do tal de Marketing Pessoal e então a violência está demais. Tipo os pais do rapaz que foi morto com um tiro no trânsito, recentemente. O pai, apesar de tudo, ainda estava puto com os Direitos Humanos. “Cadê os Direitos Humanos?” Estava sendo feito. O agressor foi procurado, preso, dentro do que especificam as leis brasileiras. Como predizem os Direitos Humanos. Ninguém foi torturado, o Estado está cuidando do preso como deve, por que perguntar sobre os Direitos Humanos? Seria mais lógico querer Direitos Humanos para o casal Jatobá/Nardoni que está sendo tratado como bicho em exposição, onde a polícia anuncia onde e quando eles vão aparecer, como querendo que alguém os apague e dê o caso por encerrado e quando a escolta, não coloca nem colete à prova de balas e os leva para o meio da multidão, como querendo incitar que a população faça justiça com as próprias mãos e a perícia técnica não seja colocada em cheque. Aí sim, é questão de Direitos Humanos, inclusive por que a Constituição diz que o preso, é de responsabilidade do Estado. Como permitem que fotógrafos se aproximem dos camburões onde os réus estão presos e façam o que bem entendam? Pode-se até pensar que o fotógrafo vá tirar uma foto, mas como garantir que aquela pessoa é fotógrafa e que ela não vai agir contra a vida dos outros? Como, o Estado permite que se filme o preso dentro de um camburão, totalmente isolado, para se passarem as imagens na televisão? E como as pessoas que gritam contra os Direitos Humanos, muitas vezes por total ignorância, outras, por interesses espúrios, aceitam tudo isso, sem fazer nada?
Parece que muitas vezes o Brasil quer aparecer de galo no cenário internacional, quando na verdade, é um frangote medroso que não tem coragem de defender o que pensa de verdade. Não é à toa que nossas Armas vivam de aparências. Sabe aquela música do Chico Buarque, cantada pela Maria Bethânia?: “Oh pedaço de mim...” As Armas são parte do Brasil, por isso, como os políticos, reproduzem muito do que está no nosso íntimo. Preferem camuflar, fazer de conta que a realidade não existe, do que sentar, para discutir como pode se mudar.
Falar em Padre Marcelo Rossi, como nas Forças Armadas, na Igreja o cara pode até ser gay, mas não pode assumir de maneira alguma, senão não chega a ser Papa. Pode até responder processo contra a pedofilia, mas tem de se mostrar impressionado com a mesma, dentro do Vaticano. E, como que para enfrentar a sociedade, quando a Igreja tem de falar sobre homossexualidade no Brasil, manda o Padre Marcelo Rossi e o Dom Agnelo Bitencourt, com aquela boca mole, babando feito uma louca. Mais tresloucadas com que a Rogéria, mas querem nos fazer crer que não existe homossexual. Tudo isso, para dizer que o homossexualismo não existe e é uma coisa da cabeça dos homens.
Até que sim, tem de ser da cabeça dos homens, pois se não viesse da cabeça, seria lesbianismo. Mas mesmo até o lesbianismo tem cabeça. Comprada em sex-shop, mas é uma cabeça, presa ao cós.
Voltando ao que interessa.
Não adianta querer se mostrar um país desenvolvido, fazendo leis modernas, quando não se age para mudar o pensamento da sociedade, para mostrar o porquê das leis, mudando paradigmas – acho lindo esta palavra. Todo mundo que faz pós-graduação, adora falar, para aparecer. Pior do que mudar paradigmas, é a tal de entorno. Pelo o amor de Deus -. É por isso que muitas leis no país existem, mas ninguém respeita. Como dizem, não pega. Nem os juristas. É a mania de se viver de aparências, de querer mostrar aos outros, o que não se é. No fim das contas, a própria sociedade que exige que se viva uma história que não é dela, choca-se com crimes de pedofilia, de homofobia e tantos outros, como que se a pessoa que se camuflou durante anos, não consiga mais se segurar e se mostre, em atos contrários ao que a sociedade pede para não se mostrar, mesmo sabendo que existem.
Sem mudar a cabeça da sociedade, não se vai muito longe. E os fatos nos mostram muito disso. No futebol brasileiro, time que entra com a vantagem no marcador, quase sempre perde. É a ideologia do “Deus já me deu muito. Já tenho o bastante”. Parece que não se pode querer ir além do estabelecido. É por isso que empresa no Brasil, apesar da falácia de “eu faço isto peloos meus filhos”, não emplaca 100 anos. O cara está fazendo para se dar bem, mas tem de se desculpar para os outros, com um conto da caronchinha. É uma ideologia de se desculpar por tudo, que parece não querer evoluir, de não ter coragem de se discutir. Até em casa lotérica, em dia de jogo acumulado, tem gente se desculpando, no meio de uma fila enorme. Uns dizendo que vão ajudar a mãe, o pai, o irmão, os vizinhos, os pobres, isso e aquilo, quando se sabe que, ou é leso e vai ficar sem um tostão, ou é altamente demagogo. Outros, dizendo que só querem um pouquinho. Até os funcionários das lotéricas, parecem querer nos levar a pensar como os demagogos de plantão. Oferecem bolão disso, bolão daquilo e estranham quando eu digo que não quero repartir nenhum prêmio com ninguém. Eu quero ganhar sozinho e em grande quantidade. Até a mãe de uma ex-namorada que apesar de não ser brasileira, pegou toda a demagogia nacional, dizia que eu queria sempre tudo, é por isso que eu não ganhava nada. A pessoa não pode pensar grande, tem de pensar no varejo. E quando quer um pouco mais, entra nos esquemas fraudulentos, aí sim, pode. Esse pensamento pega. É demagogia passada através da religião e até da educação e boas maneiras. Inclusive na pós-graduação, certa vez quando falávamos de amenidades, uma amiga e eu, ela usou um termo muito religioso, pejorativo, querendo dizer que eu sempre queria mais, como se fosse pecado. Nunca lembro a porra do termo. Ambicioso. Dona Therezinha que é religiosa, lembrou. Tive de mostrar que não há nada demais, em querer mais, em ser ambicioso, desde que não se passe pelo pescoço dos outros, como muito religioso faz, desde que não se queira subir, dando rasteira no próximo, como muito carola age, nem querendo ser feliz, com a infelicidade alheia, o que é um contra-senso no Capitalismo, mas é outra discussão. Por enquanto vamos ao que interessa.
Parece que tudo nos leva a pensar sempre em pouquinho. Ao invés de tentarmos superar os obstáculos, apenas fazemos de conta que não existem e não ultrapassamos os limites. Todo mundo concorda com tudo, pela frente e fica cochichando por trás, dizendo que não concorda.
Quando não deixaram o Aurélio Miguel e alguns outros desportistas, medalhistas olímpicos, participarem de um dos JUB’s, justamente por que eram de nível olímpico, dá para notar como sempre queremos regredir. Ao invés de elevarmos o nível, deixando todos competirem de igual, para igual sempre fazemos leis, para beneficiar quem não quer se preparar, quer tudo na lei das vantagens pessoais. Não é por menos que até hoje, tenhamos empresários que ainda pesam do mesmo modo como pensavam os Coronéis de Barranco, querendo até ditaduras, para se locupletarem, com medo da competição, ou por não quererem se preparar, para enfrentar no debate, aqueles que se colocam contra os seus desejos e interesses.
Não adianta o Estado Brasileiro fazer Ministérios das minorias, das raças, contra o preconceito e a discriminação, quando ainda admite em suas bases, escolas que preparam militares, como se ainda estivéssemos em séculos passados, como se ainda fossem escalados para combaterem “subversivos”, e subversivos, por pensarem diferentemente do que não pensam nas Armas.
Ainda hoje, tem muita gente que odeia quem fala, quem se mostra, quem discute o que pensa. Não pelas idéias em sim, mas pelo fato de terem idéias e de terem coragem de revelá-las. E ainda pensam: “Numa ditadura, iriam ver o que é bom.” Quer dizer, ao invés de debaterem, de rivalizarem com palavras e idéias, preferem calar todos e tudo e viver na mesmice. Assim, ninguém aparece mais do que eles que não fazem idéia de nada – lembrei da americana, amiga de Dona Themis, quando dizia que eu não fazia idéia de nada, quando defendia a Guerra no Afeganistão e no Iraque e deixou de conectar comigo. Democrata! Ou será republicana? -. Não fazem idéia? Fazem sim, mas umas idéias ultrapassadas, arcaicas e fora de moda.
Uma coisa que muita gente que ainda sonha com ditadura tem de se acostumar, é que na democracia as coisas aparecem. Não dá para camuflar por muito tempo. As minorias existem e se manifestam, e podem se manifestar, o que desagrada muita gente que ainda não evoluiu e prefere viver a vida, como se fosse um conto de fadas, onde tudo acaba bem no final. Aliás, mais uma vez, uma coisa bem religiosa. O cara sofre, sofre, sofre e no fim se dá bem. É o Rambo, é o Rocky o Lutador, são as novelas, é a ideologia incrustada na cabeça das pessoas. Parece com o quê? Não é a própria história da Mulher Maravilha? Louro, olhos azuis, o Homem, filho de mulher de carpinteiro, sofreu nas mãos de seus algozes e depois de morrer na cruz, subiu aos Céus, limpinho, sem mácula, para ficar ao lado direito de Deus Pai, Todo Poderoso, mesmo que digam que Deus é energia, mas tem lado esquerdo e direito. São, ou não, as imagens religiosas, passadas por gerações e a gente nem se toca em repeti-las?
Numa democracia, os índios são gente como a gente; os negros, judeus, amarelos ainda são discriminados e não dá para dizer que não, mas podem se manifestar; e o homossexualismo, está aí, na cara de todo mundo. Uns no pau, outros nos lábios, alguns no brioco, mas é uma coisa que existe e se manifesta, mesmo contra a vontade de quem quer esconder o mundo. Não adianta querer mascarar, querer que as pessoas sejam o que não são, e que não se declarem como têm de ser.
O Estado Brasileiro tem de avançar como um todo. Temos de mudar as cabeças de setores do Estado que pensam que não são pagos pelo dinheiro do contribuinte que não querem ser vistos como funcionários públicos, ainda cheios de preconceitos, contra a própria sociedade que os sustenta, como ainda acontece hoje nas Força Armadas Brasileiras, onde discriminam inclusive quem é civil, na maior cara de pau, como se gerissem negócios próprios. Ou como as Faculdades de Direito que ainda formam pessoas que vão aprender a não pensar dentro da realidade, mas como não permitir o desenvolvimento do que tem de desenvolver.
Um dia ainda vamos parar de nos mostrar de um jeito e pensar de outro. Isso cansa. É melhor ver a realidade como é, do que querer viver uma fantasia que não interessa nem a quem se camufla.
O cara brincar de guerra de esconde-esconde, mesmo depois de adulto, até passa, pois é inerente do ofício de militar. E querem se fazer de gente séria, adultos responsáveis. Mas querer brincar que não faz parte de toda uma sociedade, que não existem diferenças pessoais, interpessoais, de gênero de de preferência sexual, é brincadeira demais. Uns cidadãos que não fazem falta, vivem a maior parte do tempo mais ociosos possível, ainda querem confrontar a sociedade que paga seus soldos, falando pejorativamente quando tratam do cidadão, aí é demais.
Se tem de fazer leis, comecemos a fazer uma lei simples. A lei do pensamento. Não adianta querer se deixar escolas militares e de Direito, pensando como se ainda estivéssemos nas cavernas, para depois virem falando em soberania nacional, quando, pelo menos fazem vista grossa para a corrupção, para os desmandos na sociedade.
E ademais, quem tem muito medo de homossexual, na verdade, não está com medo da preferência do outro, mas da concorrência. Calma mana que hoje em dia, as manas estão saindo da toca, por causa do espaço que conseguiram com lutas sociais e assim, tem para todas. Pode brincar de ser machão, constituir família que as monas estão crescendo a passos largos. Um dia, só veremos quem é homem, mulher, ou outra denominação qualquer, para brincar nos buracos sexuais, para escolher parceiro no sexo. Um dia, vamos aprender que a capacidade, que a hombridade, não está no gênero pessoal e escolha sexual, mas nas atitudes de cada um. Um dia, ser macho, é não querer furtar a nação com superfaturamentos que já duram bastante tempo e ninguém faz nada, mas defender o interesse de todos. Um dia, ainda vais sair da trincheira mana! E nem vais mais atrapalhar a fodinha de quem é heterossexual, para mostrar o que não és, fazendo filho em mulher, para se camuflar de machinho. Sai do armário mana. Deixa de frescura.
Ser homem, não é querer aparecer de homem, mas ter certeza do que se é, sem precisar dar satisfação aos outros. Eu aprendi quando adolescente, quando passava na frente da praça do Colégio Auxiliadora, cheio de livros de piano, onde uns caras ficavam fazendo gracinhas, mas não tinham coragem de pular para cima, por que como eles mesmos diziam, eu era mais forte do que eles, então ficavam empurrando os outros. Mona, aprende a ser homem.
E como diria um paulista: “Se os manos já servem as Forças Armadas há muito tempo, se as minas foram admitidas há pouco tempo, por que discriminar as manas?”
“Quá, quá, quá
Chega de camuflar!
Mas não dá
Só querer dissimular!”
Montanha!

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OBSERVADORES DE PLANTÃO