sábado, 14 de junho de 2008

SAMBAMOS

Ô ô ô ô ô a Mangueira chorou ô ô
Perdeu a única coisa de valor
Perdemos um grande cantor
E o país com menos samba ficamos

A Mangueira acabou sem Jamelão
O único que conseguia dar cor àquelas cores horrorosas
Com o gogó tonitruante, que acompanhamos
Acabou, sem verso, nem prosa, nem verde, nem rosa

Ficou só a falsidade ideológica da Estação Primeira
Acabou a sesta antes de cada show
Acabamos sambando na batida única do surdo
Surdo, sem ter a quem acompanhar

Ficamos tristes, sem eira, nem beira
Pois o samba, pelo menos por agora, se calou
Que pena, que perda, que absurdo
Vamos escutar esses pagodes paupérrimos, que azar

Mas quem sabe, vai puxar mais samba,
Como quem puxa carro, puxa saco e puxa fumo
Em algum bar da pós-vida
E se revelar em dias de tempestade

O Brasil perdeu mais um bamba
Tomara que não percamos o rumo
Aquela garra, aquela vontade aguerrida
Defendendo suas cores, sem dar bola para a idade

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