Manazinha, baixou o espírito de Mariazinha na minha pessoa. Todo dia agora, eu fico com cheiro de cebola, alho e outros condimentos nas mãos. É que eu, de dois dias para outro, engordei tanto que não coube mais nenhuma calça neste corpinho atlético e estético à lá Gisele Bündchen que no Brasil, não sei por que, chamam de Bindchen. Não chamam Müller de Miler e Scumacher de Chumaquer por aqui? Ainda bem que o Bach não é chamado de Baque. Deve ser um idioma marciano, ou coisa parecida. Sem bunda, uns peitos grandes e totalmente torto. Estava ficando no estilo top-top model. Aliás se a Gisele Búndchen, ou Bindchen quiser dar para mim, juro que nem reparo esses detalhes sórdidos. Mas se a Naomi Campbell quiser fazer neném comigo, antes que ela envelheça. Vou ficar muito mais feliz. E aqueles ataques de histerismo dela, eu sei como cuidar. É que ainda não colocaram de jeito...
No dia da morte do Professor Jefferson Peres, não pude ir nem ao velório, muito menos ao enterro, por falta total de condições de vestir uma calça que fosse. Como pode? Um dia a calça coube direitinho, no outro, não atracou mais. Então fui atrás do que poderia ser.
A empregada de casa, exímia cozinheira de Operação Sobrevivência, estava mostrando suas qualidades culinárias. Era tudo frito. Peixe, carne, verdura, frango... E a qualidade nutricional dos alimentos, a mesma coisa, sempre. Arroz, farofa, batata frita... Mesmo grupo nutricional. E o meu sobrinho que está morando com o pai, veio me pedir umas receitas, para a empregada da casa dele, aprender a cozinhar. Ele tirou xérox e trouxe tudo no outro dia. Conheço muito bem as figuras em questão. De roast-beef à empanado. Recitas para iniciantes.
Decidi tomar vergonha e emagrecer. Decidi botar a mão na massa e aumentar os números de refeições. Diminui-se a quantidade consumida e ao mesmo tempo, a ansiedade, por que se sabe que se vai comer mais tarde e depois se acostuma. Chamei para me orientar, o George Foreman. Parece que todo lutador aposentado agora, tem um grill para oferecer. Começou com o Foreman, mas como o Hollyfield, apesar de ser muito religioso, é muito invejoso, também entrou no ramo. Oh rapazinho invejoso. Valha-me Deus! Só quero ver quando o Tyson lançar o dele. Já pensou? Deve ser uma mordida na orelha e uma porrada nas gorduras.
Se tem um cara que eu acho arrogante, é o Hollyfield. Oh bichinho metido a besta. Parece até militar brasileiro.
E por falar em milico, as Gloriosas Forças Armadas Brasileiras, estão em maus lençóis, ultimamente. Faz 29 anos que eu servi o Glorioso Exército Brasileiro, mas as coisas parecem as mesmas.
Um militar foi excluído do Exército, por que fez operação de mudança de sexo. Qual o mal nisso? As mulheres já não servem as Armas? Será que as outras estão com medo de perder mercado?
Um par de militares está preso, por ter declarado que são gays. Saíram da vala e tiraram a camuflagem. As outras ficaram nos cascos. Ser viado pode, declarar, não. O cabo cozinheiro, era enorme de gordo, requebrava abertamente, preparava os banquetes nas casas dos generais e ninguém dizia nada. Quando passaram o comando a ele, ele dando pinta na escada, perguntou com voz efeminada: ‘Ai sargento, tudo isso ao meu comando?” Mas se ele dissesse que era homossexual, seria capaz de ser preso. A terra do faz de conta. Complexo de Peter Pan direto. E ninguém pode entrar nos meandros da Justiça Militar, por que apesar de se exigir transparência de toda a sociedade brasileira, inclusive da demarcação de terras indígenas contínuas, as Forças Armadas, são um caso à parte. Elas são djou.
No Pará, um soldado foi morto e a justiça deu ganho de causa para a família. Finalmente! O Exército declara que ele morreu em operação, como sempre, a Justiça acha que ele foi maltratado, torturado. Mais ou menos, o mesmo de quando fazíamos operação. Um soldado da Segunda Companhia que estava fazendo operação próximo a nós, teve de atravessar um igarapé caudaloso, com uma corredeira muito forte, ao contrário da direção. Depois de chegar em terra, teve de subir um mirante em uma árvore, como todos nós fizemos, mas, no topo do mirante, ao invés de descer por uma escada como todo mundo fez, o tenente, mandou-o segurar em uma corda de nylon e o forçou a fazê-lo se não quisesse morrer e o empurrou lá de cima embaixo. E olha que o soldado, fazia tudo o que o mestre mandava. As mãos suadas, corda de nylon, lógico que a queda foi rápida. Porém, o desfecho foi mais incrível. Acabou caindo e sentando com um toco no meio do ânus. O soldado ficou meses no hospital, com a barriga aberta, fazendo todas as necessidades por ali, enquanto o tenente foi promovido a capitão. Em uma semana o assassino, mudou de faixa, como nada tivesse acontecido. E apesar da indignação alheia, os milicos ainda disseram que não havia provas de que o soldado fora empurrado. Será que eu sou leso? Será que eu sonhei? E as práticas continuam as mesmas e ainda se diz que é um fato isolado. Não é. É comum, nas Forças Armadas Brasileiras.
Um dia desses, aconteceu com um cadete da AMAN que morreu e mais dois estão hospitalizados depois de uma “operação” e as explicações, são sempre as mesmas. Fatalidade. Sim, fatalidade, quando as coisas ocorrem, sem a concorrência de outras pessoas. Mas até hoje, os miliquinhos têm essa prática de causar fatalidade. Lembro de um colega que não lembro o nome, medroso. Quando avistamos a luz que deu show nas nossas cabeças, ele tirou o resto do tempo de serviço, na minha guarita e não voltou mais para o posto dele, nem amarrado. Ele que era arrimo de família, filho único, casado e que levou uma declaração do Tribunal de Justiça, onde trabalhava, não podia servir. Rasgaram a declaração, na frente de todo mundo. Lá dentro, quem faz as leis, são eles e pronto. O soldado tinha problemas nos joelhos e numa operação no meio do Rio Negro, tinha escrito na gandola: NN. Significado: Nada Nada.
Era instrução no meio do rio e dentre tantas, como fazer da calça, bóia salva-vidas. Quando estava no meio do rio secaram a calça dele e o deixaram. Ele já estava secretando uma gosma branca, quando todos começamos a gritar. Só assim, foi resgatado. Quase morre afogado. Tiveram de fazer respiração boca-à-boca. Se morresse, iriam dizer mais uma vez que foi uma fatalidade. Até para quem sabia nadar a coisa estava exaustiva, pois viemos de uma operação na Am 010, para o Rio Negro, sem um instante de descanso, imagina, para quem não sabia nadar e se apavorou quando se viu sozinho no meio do rio.
Numa outra operação, tínhamos de descer uma corda de um despenhadeiro, até embaixo. Como sempre, me deixaram para ser o último. Os outros eram religiosos e faziam as operações, uma só vez - foi por isso que uma vez no campus universitário, o Piroka não entendeu nada e achou que eu estava alterado. Um sargentinho de merda que virou tenente depois que matou gente no Araguaia e quando todos estavam dormindo, acordava-me para eu ficar na beira dos despenhadeiros, no escuro, de madrugada, fazendo apoio, pulinho de galo e pulando, até dizer: “eu amo o Diabo”, como não dizia, quem cansava era ele que passou no vestibular naquele ano, quis dar uma de engraçado para cima de mim. “Bayma, diz aqui para os nossos colegas como eu era no quartel.” “Torturador, covarde, arrogante...” O Vaquinha que era da turma dele, achou que eu estava fazendo cena. E o PIroka me cutucando, para eu acabar com aquilo. Eu estava afim de dizer quem era ele, na universidade. Queria ver se ele era tão macho assim -. No meio do caminho, começaram a pisar na corda, dentre eles, esse sargentinho que virou oficial e foi ser segurança da Coca-Cola. Tudo a ver. A corda começou a balançar, até que eu fiquei seguro só pelas mãos o que só se consegue fazer, em filme de Hollywood. De verdade, é muito difícil. Carregava um peso superior ao meu – mochila com um saco de areia que molhado, virava cimento, fuzil, cinto de serviço completo, lona etc. Cada coisa devia pesar uns 5, ou mais quilos – e tive de me segurar bastante, para não cair da corda. Não sei por que, o sargenteante, o capitão, o coronel e o general, ficavam sempre, próximos quando eu fazia as operações. Digamos que eles sabiam que havia uma vontade explícita de acontecer uma fatalidade comigo, mas não faziam nada para evitarem. O sargenteante que estava no topo do morro, deu ordem para eu não cair daquela altura, pois não iria sobrar nem cinza. Tive de me segurar até um pouco abaixo, quando não agüentei o peso e caí. O fuzil que estava com a coronha armada, caiu por cima da minha mão. Por 3 dias, procurei a enfermaria, pois não conseguia dormir de tanta dor e nunca tinha médico. Ainda bem, o médico que tínhamos, tinha por hobbie, como alguns sargentos evangélicos, atirar em cachorro e cravar a faca no meio da cabeça deles, para rasgar o crânio. Foi por isso que a moça que andava de barriga de fora e diziam, exímia em artes marciais, uma vez passando do lado de fora do muro, viu o que fizeram com nossa mascote, o Rabo Fino e ficou em estado de choque. Quando correram para cima dela, ela saiu gritando e atravessou a Estrada da Ponta Negra, sem nem olhar para os lados. E imagina que hoje esse médico é pediatra. Não deixaria um filho meu com esse cara, nem se estivesse morrendo. E até hoje o doutor requebra. Encontrei-o dia desses numa loja de artigos de decoração e ele ainda tem essa mania de requebrar. Como o diálogo entre o Caubi e o Jamelão: “E aí Jamelão, continua ainda com aquela mania de tirar uma soneca?” “Melhor do que aquela velha mania de dar a bunda.” No último dia, depois da queda, quando já estava atirando com a mão esquerda por que a direita estava totalmente inutilizada, vieram me buscar para ir à enfermaria. “De jeito algum. Eu já fiz tudo com a mão desse jeito, agora no fim eu vou baixar enfermaria? Muito obrigado.”
E engraçado que até hoje, quando morre alguém nas Forças Armadas, o obituário atesta “causa desconhecida.” Com o Ribeirinho, foi a mesma coisa, mesmo que tenham dito que ele levou um tiro de fuzil. Seria o caso do CRM e do CFM verem os diplomas desses peritos militares. Existe alguma coisa estranha. A causa desconhecida mata muito, nos quartéis, até hoje.
A outra coisa, é que o corpo já sai, no caixão, fechado e nem a família pode ver. Não dão chance de se fazer um outro exame aqui fora. Dizem que foi uma fatalidade, com tantas que acontecem nos quartéis até hoje e ninguém pode fazer nada. O Brasil está tentando mudar, mas os milicos continuam na mesma. Parece que estão em uma redoma, onde eles podem fazer tudo, sem dar satisfação ao ninguém. E quando coagem o país a aumentar seus soldos, mandas as Barbies para o meio da rua, por que eles não têm coragem de se manifestar. Coisa de milico. Adoram brincar de Barbie, por isso, casam com algumas delas, para pelo menos, dizerem que são machinhos. Sabe que muita gente acha que quem casa, é macho. Ah era o náutica! O que tem de Barbie casada... Para dizer à sociedade que é machinho. “Mamãe eu sou é homem. E como sou!”
Parece que quando o cidadão não tem habilidade para nada que preste, caso fosse levado para fazer exame psicológico, seria internado em manicômio de doentes perigosos, já tem índole de assassino e aí, para não ficar sem fazer nada na vida civil, decide não fazer nada nos quartéis e se habilita a ser militar. De repente o cara se acha acima das leis, acima de tudo. Muitos só ficam abaixo dos outros. Mas é uma questão de opção. Só não podem declarar. É um lugar onde se pode colocar toda a bestialidade do mundo, sem serem importunados. E gastando o dinheiro público, em absolutamente nada de verdadeiro. Quando vêem que ninguém os acha necessários, começam a colocar medo na sociedade, com receios de invasões das FARC aqui, com receio de se perder a soberania nacional em terras contínuas ali, como para justificar o não fazer nada, a falta de um conjunto de obras concretas. Elas têm de se mostrar necessárias.
Até depois de dar baixa, os miliquitos são arrogantes. Não viu o caso daqueles ex-brigadeiros que como criancinhas, ainda soltam balões e deixam as pessoas em perigo? Eles se acostumam a brincar a vida inteira e ainda acham que são sérios. Imagina! E quando se mostra que estão fora das normas vigentes, eles enquadram as leis: “Essa lei não serve para nós. A lei está fora da lei. Vamos continuar soltando balões, ninguém vai nos impedir. Nós não achamos que a lei seja justa” É a arrogância militar que tem de ser revista, desde as escolas militares, até a reserva. Umas criaturas que querem brincar de Fort Apache já grandinhos, não querem se adequar às leis. Eternas criancinhas, gastando o dinheiro da nação. Isso, quando não levam na mão grande mesmo e ninguém fala nada. Uns se calam, por que os processos nas Forças Armadas, serem sempre obscuros. Outros, por medo de sofrerem um golpe, já que as Armas Brasileiras, vivem prometendo golpes e mais golpes, quando não atendidas. Na vida civil, isso seria visto como coação e é crime. Mas os milicos são djou.
Quando morava próximo das casas dos generais – aliás, sempre fui vizinho de milico, coisa estranha -, um dia o carro que eu dirigia deu problema. Não sei se furou pneu, ou foi uma pane no motor. Encostei o carro na calçada do general. De repente apareceu um oficial: “Tire já o seu carro daqui, por que isto é área militar.” “Ah não. Isto é área civil. Vocês se meteram por aqui, por que quiseram. Quando tem festa na área militar, os milicos estacionam encima da calçada da minha casa que fica numa área civil e ninguém diz nada. Eu moro ali na esquina. Se quiserem, carreguem o carro até a minha garagem eu agradeço. Mas só se carregarem.” Só sei que o carro ficou sendo muito bem guardado, em frente à guarita da casa do general, até o socorro chegar. Acho que só chegou no outro dia, visto o horário já avançado em que pregou.
E os milicos, continuam com a mesma ideologia de séculos passados. O país querendo avançar e os milicos puxando para trás. Enquanto não se quebrar paradigmas dentro das caserna – eu preferiria que quebrassem a cara -, milico vai achar que é superior ao cidadão brasileiro.
E um pesquisador francês, certa vez, ligou o fato das ditaduras militares, apoiadas pelos EUA, com o tráfico de drogas. Deve ter algum fundo de verdade, pois o Capitão Guimarães, grande torturador, agora é contraventor. O Delegado Fleury, morreu em condições até hoje pouco claras. Exímio nadador, morreu afogado, em companhias não tão nobres assim. Dizem que não pagou os traficantes, quis ser mais esperto do que os patrões. E agora, o Glorioso Exército Brasileiro, pegou 3 jovens favelados, dizem que por desacato a autoridade – mas quando só tem autoridade, não se pode comprovar o desacato, não é isso que diz a lei? O desacato não é levado em conta -, os prendeu – imagina, “otoridades” sendo desacatadas. Vai ver que os jovens fizeram careta para os milicos – e foram entregues ao tráfico de drogas e apareceram mortos no lixão. Como o Exército que fora para o morro, pelo requerimento de um bispo/político, sobrinho do Bispo que pelo que se sabe, não é lá grande exemplo de dignidade, nem de isenção, para combater o crime organizado, de repente entrega uns jovens para os traficantes? Estranho, muito estranho, mas pelo o que eu conheço e pelas alianças do PT, não vai dar em nada, podes crer amizade! O Bispo Crivela é o nome da base aliada, para governar o Rio. Então, todo mundo esquece quem são os bispos. Faz de conta que ninguém conhece a história deles. É o fazer política atual. Se o Beira-Mar tiver votos e for da base, a gente esquece quem foi ele e faz de conta que é um grande homem. É só chamar o Sinésio Campos, para ele defender os aliados e nem se lembrar o grupo a que pertencem. Ele se esquece que no futuro, pode até se dar mal com as declarações que faz hoje.
Quando vão mudar os quartéis. Quando a transparência vai também poder entrar do Corpo da Guarda, para trás? Quando milico vai deixar de ser um idiota, débil mental que se locupleta com o dinheiro público e vai produzir alguma coisa de útil? Quando superfaturamento e desvio de dinheiro também nos quartéis, vai poder ser investigado, como qualquer em qualquer Administração Pública?
E quando Dona Therezinha foi comprar terras na Ponta Negra, foi impedida, por que era área militar. Ninguém podia comprar terras por aquelas bandas. Aliás, essa coisa de área militar, tem de acabar. Por que, eles que não produzem nada de valor, têm de ser tratados diferentes? A Ponta Negra de repente virou área militar. Ninguém podia fazer nada por ali. Depois disseram que as terras tinham sido griladas, com o beneplácito de nossa honrosa Armada e virou área de grande empreendimento imobiliário. Como pode? E são esses menino que falam em soberania, em estado democrático? Para inglês ver. Deixa a transparência entrar na caserna. Vai tanta gente presa. Por lavagem de dinheiro, por associação com o tráfico, por assassinato com requintes de crueldade, com tantos artigos para responderem que talvez não sobre uma viva alma nos quartéis. Não é fato isolado, a tortura no Exército Americano no Iraque, nem é fato isolado, mortes em exercícios, no Exército Brasileiro. Estão querendo te chamar de leso.
Mas vamos ao que interessa, as receitas. Comida. Eu adoro comer. Sentado à mesa, deitado, em pé e até na escada. Comer é muito bom. Ser comido, aí é uma questão para se perguntar ao Frei Sardinha. Vai ver que ele gostou. Ele era bispo, não era? Ora bolas, São Sebastião engoliu uma tora enorme – até hoje, quando vou à Igreja de São Sebastião, fico imaginando como ele conseguiu engolir aquela tora toda. Fazendo os cálculos do perímetro do orifício e o da tora, é de se imaginar como não ficaram as veias do pescoço. E era daqueles paus, cheios de veias. Mas parece que não estava nem aí. Pela pose – e ainda tinha uma flecha do Cupido, no peito. Tem gosto para tudo. E as paixões são as mais estranhas do mundo. Gosto é uma questão bem pessoal. Uma amiga minha não dizia que tinha mais prazer fazendo sexo anal do que qualquer outra coisa. E olha que era um corpo maravilhoso. Assim, visto com olhos de quem está de fora. Era a baixinha mais volumosa do mundo. Peitão, bundão, cinturinha, bu... Era a maior confusão. Era noiva de um juiz, mas quando brigávamos a mãe dela vinha dar sermão: “Minha filha gosta tanto de você, por que vocês brigam?...” Eu também gostava. A Mô, como a chamava até que era bem bonita. Ela entendia Amor, a Dona Maria que trabalhava comigo e outros, entendiam Mocréia, aí, vai da interpretação de cada um. A última vez em que nos encontramos, estávamos, Dona Therezinha e eu, no banco, tratando de uma conta corrente. Ela veio até nós e nos mostrou o filho e o marido. Mas como disse, estava separando. Deixou o telefone, mas nunca liguei. Acho que estou ficando medroso. Não que seja falta de vontade, é falta de coragem mesmo. Não sei por que – e ficou na história do Catolicismo.
Bem manazinha, vamos à receita de um pacu e de um frango. Não é para comer o pacu de nenhum frango, como parece, fazia o professor de agronomia da UFAM, metido a gatinho e sempre metido a irresponsável. Daqueles que quando se lutava contra a Ditadura, ele fazia de tudo, para ser do contra. É desses tipos que têm saudade de ditaduras, talvez para acobertar suas práticas nem tão legais assim.
Primeiro, a receita do pacu dos outros. No meu, nem por milagre.
Pegue os pacus já tratados – sem intestinos, sem escamas - e tempere-os. Limão a gosto, setembro, outubro, novembro e dezembro. Shoyu nas entranhas e por fora. Coloque junto, 3 dentes de alho, uma colher/sopa de orégano e vinagre. Bata no liquidificador, no mixer, ou na centrifugadora. Despeje tudo por cima e dentro da barriga e se quiser, ainda acrescente leite de coco. Uma hora para marinar e depois, é colocar aos cuidados do George. 3 minutos de um lado, 3 do outro e é correr para o abraço. É só meter no pacu dos outros.
A outra receita, é de frango.
Descongele o gajo, tire a pele no tapa. Puxando até sair por inteiro. Uma lavadinha com água, por que ninguém é europeu para comer as coisas com pitiú. Limão para tirar e dar gosto e sal. Não exagera no sal, por que é uma coisa que não faz bem mesmo. Quando salgam a comida, minhas papilas gustativas, muito finas, perdem a vontade de comer. Salgado, nem o que eu gosto de comer. E olha que às vezes as pessoas acham que está no ponto de sal e as minhas papilas – coisa chique -, já estão achando que passou. Eu tenho alergia a muito sal. Nem de pipoca eu gosto, por que é muito salgada.
Com um garfo, ou uma faca, faça furos, como se estivesse picando aquele ex-namorado, aquela ex-namorada que te traiu, para o tempero entrar até a alma. Vinagre por todo o frango. Em um recipiente, coloque uma colher/sopa de orégano, mangarataia, cortada em pedaços, dentes de alho a gosto e com um pilão, amasse tudo de uma vez, bem amassadinho, como sempre desejaste fazer com, a cara do cara que te tomou a namorada, ou a cara da cara que te tomou o namorado e te deixou ma mão. Bem, na mão, para os meninos. Com as meninas, no dedo mesmo, ou no vibrador, mais moderno.
Mas a mulherada, em sua maioria, não bate uma, por que ainda acha que é pecado. Aliás, nada melhor do que mulher, para manter as tradições. Uma enquête feita nas ruas, perguntava sobre o que achavam do Exército em dispensar de suas fileiras, o militar que trocou de sexo. Os homens, sem exceção, acharam uma brutalidade, um fato fora da realidade. As mulheres na grande maioria, aprovavam o ato do Exército. Incrível, como mulher adora levar as tradições adiante, mesmo que estejam decaídas.
Depois de tudo bem moído, despeje azeite, daqueles que não entram no Baixo Amazonas, nem por decreto. Extra-virgem, é coisa desconhecida, do Baixo Amazonas, até o Pará.
Misture tudo e espalhe por cima do frango. Se quiser, ainda acrescente leite de coco. Abafe e deixe pegar o gosto, por umas três horas. Ou melhor, faça isso de manhã bem cedo e vá trabalhar. Depois, é colocar no George Foreman, por 5 minutos cada lado, em caso de coxa e no caso de peito – ai como eu gosto. De peito, mas da galinha, prefiro chupar uma coxinha. É muito ótimo -, por 2 minutos e meio cada lado e correr para o abraço.
E para acompanhar?
Batata souté. Acho que é assim que se escreve. Eu não sei francês.
Corte a batata ao meio, quem quiser tire a casca, sal, orégano, azeite extra-virgem. Enrole a batatosa em papel laminado e meta no forno pré-aquecido. Uns 15 minutinhos e pronto. Quem gostar, espalha um queijo ralado por cima.
Ou ovo pochet, acho que é assim também que se escreve. Esse negócio de receita em francês, eu fiz uma vez uma sobremesa para o restaurante do meu primo que ninguém soube falar direito, Os garçons inventaram um nome próprio. Ainda bem que Dona Themis fala francês fluentemente e na dúvida, ela auxilia. Mas é um idioma meio assim, cheio de biquinho. Rapaz!
Numa xícara untada com azeite, ao invés de manteiga, o que dá um sabor de azeitona na boca, quebre um, dois, ou quantos ovos quiser e puder. Só não queira quebrar os meus que doem. Sal, páprica – veja bem, eu disse páprica. Não vai dar uma de Mané Sem Braço e dizer que é pra pica. Quer sentar, inventa outra coisa -, orégano, noz moscada o que bem entender de colocar. Coloque a xícara num recipiente com água fervendo, tape a boca da xícara, e coloque no forno pré-aquecido. Quem gosta de ovo mole, uns 15 minutos, já está no ponto. Quem gosta de ovo nem tão mole nem tão duro, uns 20 minutos, está no ponto. Quem é tarada e gosta de ovo durinho, 40 minutos e o ovo fica duro, como o meu, na hora de brincar de neném e tocar o “Ouviram Du” no meu trombone.
E nunca se esqueça de uma saladinha com muita alface regional, lisa, muita berinjela para ajudar no emagrecimento, muito jerimum, para ajudar na digestão e na visão, muito tomate para evitar cânceres e a oxidação das células, umas cebolinhas, para a circulação, quem não gosta de crua, é só deixar um pouco na água fervendo, ou como queria que eu fizesse a mãe de uma ex-namorada: “Minha filha só come cebola se for ralada. Meu filho só come alho se for passado no liquidificador...” “Quem quiser comer, coma, quem não quiser, não coma. Já estão pegando um boi cheio de chifre.” E não é que todo mundo comia tudo e até repetia? Ora bolas, uma mulher casada que nem sabia cozinhar e ainda eu é que tinha de fazer as vontades dela? Nem cheguei perto. Aliás, a gente parecia imã com os mesmos pólos. Não dava nem para chegar perto. Minha namorada era outra. E ela engolia tudo.
Então, é só baixar o “espríuto” de Mariazinha que todo mundo quer comer a comida feita por ela. Quero dizer, por mim. Mariazinha dirige um fogão que dá gosto. Não é nenhum Schumacher, mas faz graça na frente de um fogão, não é por estar na presença dela. Quero dizer, na minha presença. Esse negócio de Espiritismo, confunde a gente. Nunca se sabe quem é quem. Como diria o Xico: “Ningué é de ninguém.” Então não se esquece de mim. Fazemos qualquer negócio. Casada, solteira, viúva... Troca, vende e facilita.
Ainda bem, por que o pessoal estava tão acostumado a comer frituras todo dia e o pior, só sabia usar aqueles temperos industrializados tipo aji-no-moto que no país deles, são proibidos e mandam para o Brasil. Do tipo é o amor, o tempero da titia, da vovó, da bisavó, da pqp... que fazem mal até a medula. Quando não temperam com pimenta do reino. Uma amiga minha, enfermeira, diz que a pimenta do reino não é dissolvida no organismo e vai ficando, formando um bolo, até um dia o comensal se dar de mal a pior.
Bom apetit!
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