A decisão do STF sobre a permanência do Exército na favela do Rio de Janeiro e a “procura” pelos assassinos dos três rapazes torturados e mortos e deixados em um lixão, são exemplos bem brasileiros. Mostram muito de como nos querem.
A Administração no Brasil parece que é feita, antes de resolver qualquer problema, para peitar as pessoas, para confrontar a maioria, para mostrar poder sobre tudo. Então a decisão do STF se mostra justa. O Exército não foi mandado para a favela para resolver problema, muito pelo contrário. Ele está ali para mostrar que tem poder, não respeita ninguém e pior, quer ser respeitado à força. O STF apenas cumpre o papel direito, ou seja, conservar as coisas como estão. É a função do Direito. É intrínseco do Direito. Se a coisa está boa, ou ruim, não cabe à “Ciência do Direito”, melhorar. Cumpre-se a lei que pela filosofia da coisa, tem de estar atrelado sempre a um fato passado. A única Ciência que só olha para o passado e não interfere no presente, para acomodar o futuro.
E não sei por que, o pessoal do Direito, uma Ciência aonde se vai para a faculdade aprender a decorar e talvez por espírito de corpo, ou reserva de mercado, não se permita que autodidatas, possam se defender sozinhos, sem pagar a Ordem, foi o precursor do ensino de Economia e de Administração, pelo menos no Brasil. Talvez por isso, achem que entendem do ramo. Aliás, eles ainda acham que são doutores. Sabem tudo.
E se criaram umas concepções meio assim, meio assadas no Brasil. Não basta que o Barão de Cairú – também com uma rima dessas, queria que fosse grandes coisas -, o primeiro economista no Brasil, um baiano metido a ser português - aliás, um país com tantos nobres assim: Barão de Cairú, Marquês de Pombal, Conde D’ Eu, queria que a colônia se transformasse em um país sério? É querer muito coisa de brasileiro leso -, traduzia os livros de Ricardo, Smith, Say e outros da época, de acordo com a vontade da Corte. Então, até hoje a gente engole cada coisa, como se fosse necessário.
A missão é ter lucro, mas de repente aparece alguém para “fazer” todo mundo “trabalhar”. E como é esse negócio de “fazer trabalhar”? Dentro de critérios econômicos, de parâmetros sociais, algo assim. Que nada, para “mostrar” quem é o chefe. Esqueceu que somos um país de aparências? Todo mundo faz Marketing Pessoal, inclusive existem cursos que estão ensinando. Na hora da logística é que percebem que Marketing vai muito além de propaganda e publicidade...
Já no Curso de Administração, acho que foi uma das matérias que fiz com o Zé Seráfico, ou seria com Heitor, vulgo Rádio Velho – daqueles que no volume máximo, ninguém escuta nada -, ou outro. Não lembro. Ele nos mandou observar esses anúncios de jornal, do PIM, procurando profissionais. Há empresas que todo final de semana, pede o mesmo profissional, para a mesma vaga. Será que é falta de gente capacitada? Não. É mais ou menos assim: “Empresa conceituada no ramo de duas rodas, procura Assistente de Supervisor de Produção, com os seguintes requisitos:
1. Boa aparência – apesar de ser ilegal, muita gente ainda se utiliza desse quesito, veladamente, ou não –
2. Com no máximo, até 25 anos de idade – outra ilegalidade que se pratica e muito -
3. 10 anos de experiência na área.
4. Inglês, francês, russo, aramaico e sueco, fluente.
5. Pós-graduação, de preferência pós-doutorado na área.
6. Proativo.
Aí, no outro final de semana, a mesma matéria de novo, nos classificados. “- Mas como? Os portões estavam cheios de gente, com curicula nas mãos. E a Josélia não foi chamada para fazer parte dos quadros da empresa semana passada?” É mano velho, só que - não soque ninguém – a Josélia, o Raimundinho, o Richard, o Yuri, a Carlota, ou qualquer outro que atender os requisitos, vai fazer frente ao Seu Jerôncio. E sabe quem é o Seu Jerôncio? É o Supervisor Chefe da Fábrica que aprendeu no chão de fábrica que tem a maior preguiça de se reciclar, não fala nem o português corretamente, imagina qualquer outro idioma e sobretudo, centralizador até o bigode. Imagina. É como gostaríamos de ser e como somos de verdade. Sabe, de repente a gente lê o ultimo best-seller sobre Administração nos EUA e quer aplicar no Brasil. É o choque da realidade totalmente em contradição ao que se gostaria de ser na verdade. Por isso, quando me mandam artigos, dizendo como ser numa entrevista de emprego, como ser diante da vida, eu, acho tudo lindo, mas pouco prático. É como Seu Clovis que adorava ditados. “Deus ajuda quem cedo madruga.” Mas se Deus não existe, o cara está acordando cedo de leso. E o pior, não vai produzir grandes coisas, pois vai ficar morto de sono e irritadiço, quando a equipe está produzindo. E não que eu ache que a teoria na prática é outra. Muito pelo contrário. Acho que quem aprende sobre Taylorismo, Fordismo, Keynesianismo, Teoria X, Reengenharia, Webberismo, Liberalismo... tem mais possibilidades de captar quando e como usar cada uma delas, em cada momento que se pede. A teoria precisa de quem a saiba aplicar na prática, quem tem conhecimento e argüição sobre cada momento.
Bem, até hoje, chefe bom, é aquele que peita o funcionário, o que dá ordens, o que ouve o mínimo possível, o que faz todo mundo cumprir horário, o que deixa todo mundo trabalhando.
E aí, de vez em quando a gente vai ver a produção... Mas produção? Está todo mundo trabalhando. Todo mundo cumprindo horário certinho.
O Chiquinho das Marufas chega para ser chefe e de repente, coloca seus princípios, sem nem querer saber como são as pessoas que o rodeiam, como é política entre os funcionários da empresa, nem a política da própria empresa. Ele está se lixando. Agora o chefe é ele e todo mundo tem de caminhar nos trilhos que ele plantar. Todo mundo tem de chegar no horário, fazer de conta que está ocupado, não pode sair nem para beber água, ninguém dá opinião, pois só quem pensa é o chefe. É concepção ainda freqüente no país de empresa, de trabalho.
E a produção? “- Porra meu irmão, mas tu és chato com esse negócio de produção, hein!”
Realmente, ninguém falta, todo mundo cumpre horário, etc. Mas uma vista mais apurada, vai ver algumas coisas... A Regininha está afastada com depressão, o Astolpho, está com Lesão por Esforço Repetitivo, a Gamélia, vive emburrada e atende a todos, com coices. As máquinas estão no conserto, por problemas como sal e água frequentemente, algumas até podiam ser consertadas pelo pessoal da empresa, mas ninguém colabora, por que ninguém gosta do chefe e as quebras em todos os níveis são freqüentes e caras. O pior, o ambiente de trabalho é péssimo. O Ostrôncio de Lima, há 20 anos, está fazendo o mesmo serviço e até hoje não parece ter uma solução definitiva, para uma coisa que deveria ser realizada em 5 dias. E ele só vai trabalhar, por que tem uma filha de 5 meses, ainda está pagando a maternidade, mas é um suplício o que faz. O Seu Chiquinho, ou melhor, o Doutor Chiquinho das Marufas, está num beco sem saída, sem saber o que fazer para solucionar um problema que aconteceu na Divisão Y e com ele ainda é novato na empresa, ainda não está bem a par, mas como acha que é o chefe e o chefe na concepção dele tem de saber tudo, não pergunta a ninguém e vai metendo o pau, para ver onde acaba. Um dia ou ele aprende, ou a empresa se arrebenta. No final do mês, a conta vem alta. Os lucros foram elevados, mas os custos, muito maiores. A empresa teve de pagar horas-extras para um monte de gente que levou 10 horas, para realizar uma coisa que devia ser feito em duas. As contas de água, luz, manutenção, logística, alimentação e transporte quadruplicaram. A conta com serviço médico saiu dos limites. Parece que todo mundo adoeceu. Licença médica, entupiu o RH. Imagina se não fosse apenas três dias por semana, quinze afastado, ou acima de 30 dias, por conta da Previdência. E a produção continua a mesma, sendo feita do mesmo jeito. Maravilhoso. O Doutor Chiquinho das Marufas está realizando um grande trabalho. Faz tudo sempre igual, até o dia em que os lucros não cobrirem mais os custos e todo mundo tenha de ser mandado à merda. Com distinção e louvor.
Só para começar, entrevista com candidato a emprego é feita de uma maneira, como que a maioria das empresas desejassem esconder o jogo sobre quem são, em que atuam. “O candidato tem de se informar sobre a empresa.” Por que não se começa se apresentando a empresa, a missão, a expectativa... Classificado: “Empresa sólida na praça, procura...” Sólida, deve ser de cimento, de trator, de carro-munk, de construção civil... No mercado, deve ser verdureiro, açougueiros, peixeiro, vendedor de hortifruti... E as respostas esperadas nas entrevsitas: “Eu pretendo trabalhar com a equipe...” “Mas vais ser mandado para o Pólo Sul, sozinho.” “Eu faço uma equipe com os pingüins, ursos, focas e elefantes-marinhos. A equipe é tudo.” [ ] “Eu sou uma pessoa reativa, cumpro sempre as ordens do chefe.” “Mas nós estamos procurando uma pessoa que saiba se virar sozinha, tenha idéia própria e conduza o trabalho, da melhor maneira possível.” “Mas eu posso ser um trabalhador proativo.” “É, mas o nosso gerente, odeia pessoas dependentes.” [ ] “Sabe, eu funciono como o chefe manda. Reativo, ou proativo, depende da ordem e da política da empresa.” “Nosso chefe adora pessoas proativas.” “Maravilha, estou dentro.” “Mas o pessoal mais velho, odeia gente que quer mostrar serviço. E quando eles acham demais, pressionam o chefe e o chefe não tem como manter o proativo.” [ ] “Na verdade, nosso chefe não está nem aí para o trabalho das pessoas. Ele gosta de gente que saiba trabalhar com ele, do jeito dele.” “Deixa comigo. Sou pós-doutorado em bajulação, com especialização em Neoliberalismo puxassaquista. Deixa comigo que eu vou longe.” E ainda se confia em quem responde o que se quer escutar. Eu não confio tanto em quem não é verdadeiro, mas uma personagem para a vida. O cara que não se mostra, está escondendo alguma coisa. E quem sabe se ele não vai te trair adiante? “Nós estamos precisando de um cabra macho.” “Pois está olhando para um.” “Mas hoje eu estou com vontade de comer uma bundinha.” “Disponha. Não sou tão radical assim!” Parece até que a própria sociedade incentiva pessoas sem personalidade, sem caráter que não defendem o que pensam e só querem satisfazer o próximo, fazendo tipo. Será religioso esse mal?
Aí vem o pessoal do Direito e acha que Administrar, é seguir uma cartilha. Aliás, tem até administrador formado que pensa que administrar, é seguir cartilha, é ter uma solução definitiva para tudo. Como o militar do Glorioso Exército Brasileiro que era meu aluno e queria que eu dissesse a melhor maneira de administrar. E não admitia que não houvesse uma fórmula geral para tudo. Imagina ele na Microsoft, com as mesmas diretrizes do quartel? Imagina ele recebendo o Príncipe do Japão, como trata os subalternos no quartel. Não sei por que, o Exército é a força mais rude de todas. Tinha tanto aluno da Aeronáutica e as cabeças, totalmente diferentes do militar do Exército. São muito diferentes.
Com o militar do Exército, parecia que estava todo tempo querendo brigar, com os da Aeronáutica, só não participei do Big Brother Amazonas, por recomendação exterior, mas conversávamos muito e até nos encontrávamos em shows. Parecia que o Santos Dumont, estava na mesma sala com o primeiro homem que dominou o fogo. É muita diferença. E patentes equivalentes.
Mas quando se fala nas Armas nas ruas, mandam logo o Exército. É querer peitar a sociedade. Por que não mandam uns cães de caça? Pelo menos, eles só atacam para se defender, ou quando recebem ordens. Coitado, o militar do Exército era rude, mas rude, mas tinha mania de querer sacanear com o professor que era eu. Eu ensinava Administração e ele perguntava sobre tudo, para ver se eu conhecia e estava seguro, fora até do que se estava ministrando. De vez em quando, chegava em sala de aula e ele queria ver se eu sabia de Economia também. Queria que eu resolvesse as questões que o professor anterior tinha deixado. Eu dizia como se devia fazer, mas como ele não é mais esperto do que eu, dizia para ele fazer pelo menos o trabalho manual. Imagina uma pessoa dessas que quer peitar inclusive o professor, peitar só por peitar, com poder nas mãos. É o Exército nas ruas.
Então mandaram o Glorioso Exército Brasileiro para o Haiti. ‘Missão: diminuir a violência.” E os anos se passam e... Os generais que voltam, estão sendo condecorados. “Égua maninho, o Exército está fazendo um trabalho e tanto no Haiti, não é mesmo?” Que nada leso. O próprio Presidente do Haiti diz que acha que já é tempo de se substituir o Exército, por professores, médicos, construtores, coisas com mais de futuro. E a violência? Sabe a Cidade de Deus antes da Ditadura? Era o Haiti, antes da chegada da Força de Paz. Sabe o que está se transformando com a intervenção militar? O Complexo do Alemão, aquele que fica logo na frente do Aeroporto do Galeão, na Linha Verde, Amarela, Azul e Branca - nunca sei que cor são aquelas. Só sei que não é a Linha Verde, por que a Linha Verde, leva ao Interior da Bahia, de Salvador -. Oxi!
E tem general querendo a presença do Exército nas ruas do Brasil inteiro. Valha-me Deus. Não bastam as balas perdidas, a violência contra crianças, a guerra do trânsito... Estão querendo trazer a Faixa de Gaza, o Iraque e o Afeganistão de uma só vez para cá? Acham pouco a violência que já temos nas ruas?
Mas por que os generais estão sendo condecorados quando voltam do Haiti? Por que eles cumpriram horário. Fizeram o papel que muitos acham que se chama trabalho. Cumpriram horário, mas não a missão, não mudaram uma vírgula para melhor, quer dizer, fizeram tudo o que todo mundo fez e as coisas só pioraram. Mas a culpa não foi deles. Vai ver que surgiu do nada.
E se a coisa ficar ruim, empurra com a barriga, até um outro assumir e quem sabe, ter alguma idéia de como solucionar o problema, ou seja, fazer o que devia ter sido feito, quando se contrata, ou se coloca um profissional em um determinado lugar para administrar. Mas tem muita gente que acha que administrar, é criar dificuldades, é mostrar como o trabalho é duro e só. Para mim, administrar, é encontrar solução e pronto. Simples, não é mesmo? Não interessa se o profissional trabalhe 2, 6, 8 horas. Não interessa se no meio do trabalho, ele escute rock, jogue xadrez, faça sexo para ter idéias. Trazendo soluções e se possível em menos tempo possível, o que quer dizer, economizando nos outros itens, como energia, hora-extra, serviço médico, etc, melhor. E ainda transformar a empresa, em um ambiente lucrativo, para todos, bem melhor. Lucros financeiros, sociais, interpessoais...
Mas o que tem a ver o cós com as calças? O que tem a ver administração com a decisão do STF?
É que a presença do Exército nos morros, antes de ser a solução, sempre trouxe problemas. É como a presença do Exército junto a tribos. São casos e mais casos de estupro, alcoolismo, vícios em geral, suicídios, desvios de conduta e não é caso esporádico, nem por acaso. É por que as Forças Armadas no Brasil ainda têm o ranço de quando defendiam os interesses da Coroa. O povo parece o inimigo a ser abatido. Estão a serviço apenas de uma forma de pensar, de uma única ideologia, quando devem defender o país, nas condições em que se encontra. Defender o pluralismo sobre tudo. Mas ainda existe uma fábrica de fazer cabeças nas escolas militares que ninguém muda. E parece que até se estimula.
E nas escolas de Direito, também existe uma ideologia que permanece imutável, acho que desde quando o Ruy, o Ruy Barbosa era estudante. Que coisa mais arcaica. Mas aí, e coisa que vem de dentro. Está contido no se do Direito. Ser, ou não ser. É questão de jurisdição.
Então o Exército sobe o morro para... Resolver algum problema. Não, Para peitar os moradores do morro, para não respeitarem os cidadãos que moram por lá, para levarem seus preconceitos e discriminações, em forma de autoridade e quando se pede a saída do Exército, com prova suficiente para mostrar que eles estão fazendo justamente o contrário que se deseja, vem um juiz, uma turba de juízes, ministros, sei lá e mostra que eles vão permanecer peitando os cidadãos, pois acha que autoridade é isso. Eles mesmos, cheios de preconceitos. Uns bundas-moles que em algum momento já vieram de lá, consideram quem está no mesmo patamar cidadãos de primeira e os cidadãos do morro, de última categoria, como se o país, fosse dividido entre ricos e pobre, brancos e índios, nobres e plebe. Mas nós, brasileiros? Racismo, preconceito, essas paradas assim. Não, nós nem sabemos o que é isso. A gente faz de conta que não existe. Continuemos fazendo tipo. Tipo assim!
E o delegado, quer saber quem matou os três favelados. Eu, leigo nas leis e nas investigações criminais, diria, sem conhecimento profundo de causa que quem matou os jovens, foi a ideologia militar brasileira que ainda tortura, fura com faca de serviço e até com espada. “Espada meu amigo?” É, formatura de escola militar cada cadete troca o sabre pela espada. Deu para ligar? Os rapazes que “desrespeitaram a autoridade militar”, além de serem crivados de balas, ainda foram perfurados com objetos contundentes, como facas e espadas. Parece que eu estou vendo como morreram. Como o Rabo Fino. Tiros e mais tiros, eles já sem reação se tiveram alguma, em algum momento e de repente o oficial, como o pediatra que era médico no quartel, resolve acabar com o sofrimento e tira a espada e os seguidores, suas facas de serviço. E olha que são 29 anos de diferença, entre os fatos, mas continua tudo com antes, no Quartel de Abrantes.
Pelo menos foram mortos, condignamente. Uma verdadeira cerimônia militar. O oficial com luvas, empunhando a espada, os recrutas, quem sabe, até com lenço de cerimônia no pescoço. Tudo o que nossos militares podem nos oferecer.
Quando vamos mudar o sentido de administrar no país? Ao invés de querer pessoas que cumpram horários, pessoas que não acrescentem nada, vamos querer pessoas que pensem soluções e no fim de cada missão, tenhamos novas e novas idéias de como elevar a produtividade, ao invés de cumprir horário e não fazer absolutamente nada de concreto?
“Pô gente boa, até o mano Raul - Raúl Castro -, já está incentivando a produtividade em Cuba, país onde o setor público, emprega a maioria dos cidadãos. O mano velho, mandou o mano Raul procurar novos caminhos, pensar diferente e ele quer mudar, investindo em produtividade. Sabe o que é isso? Por que nós ainda estamos pensando em colocar o Exército nas ruas?”
“Mudarse, sin perder los princípios.”
Não vamos sair mudando, por mudar, como muita igreja evangélica que nem sabe o que é dogma e para fazer tipo, para atrair adeptos, é a favor do aborto – “a vida é o sopro de Deus. Só ele pode tirá-la” -, do casamento homossexual – “Sodoma e Gomorra foram varridas do mapa, por causa das práticas de seus filhos que viraram estátuas de sal” - e até do divórcio – “o que Deus une, filho da puta algum desune”-. Isto se chama dogma e não se pode mudar, a não ser que se use o Seu Nome em vão. Mas o que tem de evangélico que já casou mais de mil vezes, já fez mais de cinco abortos e confunde o abrir o caminho, com abrir as pregas com força e acaba confundindo o sangue anal com o Sangue de Cristo, é brincadeira.
Vamos saber por que as coisas têm de ser assim, ou assado. Pelo fim da pose totalmente sem conteúdo. Ao invés de investir em Marketing Pessoal, por que não investir em educar as pessoas, para que consigam pensar por conta própria? De repente aquelas pessoas que são vistas como competentes, por repetirem alguma coisa que ouviram em algum lugar, vão ter de se mostrar de verdade.Talvez assim, a violência, o abandono e os crimes contra as crianças diminuam. Tem muita gente querendo ter filhos, não para criá-los, mas para mostrar aos outros que é adulto, ou segue os preceitos da sociedade, sem pensar nos problemas que advêm com eles. E no primeiro problema, a solução é se desfazer deles, de qualquer maneira. E de preferência, que ninguém saiba. Quem faz tipo, só quer mostrar para os outros. Nunca resolve nada. Nada de concreto, a não ser que seja pedreiro, mestre-de-obras, ou engenheiro.
A Administração no Brasil parece que é feita, antes de resolver qualquer problema, para peitar as pessoas, para confrontar a maioria, para mostrar poder sobre tudo. Então a decisão do STF se mostra justa. O Exército não foi mandado para a favela para resolver problema, muito pelo contrário. Ele está ali para mostrar que tem poder, não respeita ninguém e pior, quer ser respeitado à força. O STF apenas cumpre o papel direito, ou seja, conservar as coisas como estão. É a função do Direito. É intrínseco do Direito. Se a coisa está boa, ou ruim, não cabe à “Ciência do Direito”, melhorar. Cumpre-se a lei que pela filosofia da coisa, tem de estar atrelado sempre a um fato passado. A única Ciência que só olha para o passado e não interfere no presente, para acomodar o futuro.
E não sei por que, o pessoal do Direito, uma Ciência aonde se vai para a faculdade aprender a decorar e talvez por espírito de corpo, ou reserva de mercado, não se permita que autodidatas, possam se defender sozinhos, sem pagar a Ordem, foi o precursor do ensino de Economia e de Administração, pelo menos no Brasil. Talvez por isso, achem que entendem do ramo. Aliás, eles ainda acham que são doutores. Sabem tudo.
E se criaram umas concepções meio assim, meio assadas no Brasil. Não basta que o Barão de Cairú – também com uma rima dessas, queria que fosse grandes coisas -, o primeiro economista no Brasil, um baiano metido a ser português - aliás, um país com tantos nobres assim: Barão de Cairú, Marquês de Pombal, Conde D’ Eu, queria que a colônia se transformasse em um país sério? É querer muito coisa de brasileiro leso -, traduzia os livros de Ricardo, Smith, Say e outros da época, de acordo com a vontade da Corte. Então, até hoje a gente engole cada coisa, como se fosse necessário.
A missão é ter lucro, mas de repente aparece alguém para “fazer” todo mundo “trabalhar”. E como é esse negócio de “fazer trabalhar”? Dentro de critérios econômicos, de parâmetros sociais, algo assim. Que nada, para “mostrar” quem é o chefe. Esqueceu que somos um país de aparências? Todo mundo faz Marketing Pessoal, inclusive existem cursos que estão ensinando. Na hora da logística é que percebem que Marketing vai muito além de propaganda e publicidade...
Já no Curso de Administração, acho que foi uma das matérias que fiz com o Zé Seráfico, ou seria com Heitor, vulgo Rádio Velho – daqueles que no volume máximo, ninguém escuta nada -, ou outro. Não lembro. Ele nos mandou observar esses anúncios de jornal, do PIM, procurando profissionais. Há empresas que todo final de semana, pede o mesmo profissional, para a mesma vaga. Será que é falta de gente capacitada? Não. É mais ou menos assim: “Empresa conceituada no ramo de duas rodas, procura Assistente de Supervisor de Produção, com os seguintes requisitos:
1. Boa aparência – apesar de ser ilegal, muita gente ainda se utiliza desse quesito, veladamente, ou não –
2. Com no máximo, até 25 anos de idade – outra ilegalidade que se pratica e muito -
3. 10 anos de experiência na área.
4. Inglês, francês, russo, aramaico e sueco, fluente.
5. Pós-graduação, de preferência pós-doutorado na área.
6. Proativo.
Aí, no outro final de semana, a mesma matéria de novo, nos classificados. “- Mas como? Os portões estavam cheios de gente, com curicula nas mãos. E a Josélia não foi chamada para fazer parte dos quadros da empresa semana passada?” É mano velho, só que - não soque ninguém – a Josélia, o Raimundinho, o Richard, o Yuri, a Carlota, ou qualquer outro que atender os requisitos, vai fazer frente ao Seu Jerôncio. E sabe quem é o Seu Jerôncio? É o Supervisor Chefe da Fábrica que aprendeu no chão de fábrica que tem a maior preguiça de se reciclar, não fala nem o português corretamente, imagina qualquer outro idioma e sobretudo, centralizador até o bigode. Imagina. É como gostaríamos de ser e como somos de verdade. Sabe, de repente a gente lê o ultimo best-seller sobre Administração nos EUA e quer aplicar no Brasil. É o choque da realidade totalmente em contradição ao que se gostaria de ser na verdade. Por isso, quando me mandam artigos, dizendo como ser numa entrevista de emprego, como ser diante da vida, eu, acho tudo lindo, mas pouco prático. É como Seu Clovis que adorava ditados. “Deus ajuda quem cedo madruga.” Mas se Deus não existe, o cara está acordando cedo de leso. E o pior, não vai produzir grandes coisas, pois vai ficar morto de sono e irritadiço, quando a equipe está produzindo. E não que eu ache que a teoria na prática é outra. Muito pelo contrário. Acho que quem aprende sobre Taylorismo, Fordismo, Keynesianismo, Teoria X, Reengenharia, Webberismo, Liberalismo... tem mais possibilidades de captar quando e como usar cada uma delas, em cada momento que se pede. A teoria precisa de quem a saiba aplicar na prática, quem tem conhecimento e argüição sobre cada momento.
Bem, até hoje, chefe bom, é aquele que peita o funcionário, o que dá ordens, o que ouve o mínimo possível, o que faz todo mundo cumprir horário, o que deixa todo mundo trabalhando.
E aí, de vez em quando a gente vai ver a produção... Mas produção? Está todo mundo trabalhando. Todo mundo cumprindo horário certinho.
O Chiquinho das Marufas chega para ser chefe e de repente, coloca seus princípios, sem nem querer saber como são as pessoas que o rodeiam, como é política entre os funcionários da empresa, nem a política da própria empresa. Ele está se lixando. Agora o chefe é ele e todo mundo tem de caminhar nos trilhos que ele plantar. Todo mundo tem de chegar no horário, fazer de conta que está ocupado, não pode sair nem para beber água, ninguém dá opinião, pois só quem pensa é o chefe. É concepção ainda freqüente no país de empresa, de trabalho.
E a produção? “- Porra meu irmão, mas tu és chato com esse negócio de produção, hein!”
Realmente, ninguém falta, todo mundo cumpre horário, etc. Mas uma vista mais apurada, vai ver algumas coisas... A Regininha está afastada com depressão, o Astolpho, está com Lesão por Esforço Repetitivo, a Gamélia, vive emburrada e atende a todos, com coices. As máquinas estão no conserto, por problemas como sal e água frequentemente, algumas até podiam ser consertadas pelo pessoal da empresa, mas ninguém colabora, por que ninguém gosta do chefe e as quebras em todos os níveis são freqüentes e caras. O pior, o ambiente de trabalho é péssimo. O Ostrôncio de Lima, há 20 anos, está fazendo o mesmo serviço e até hoje não parece ter uma solução definitiva, para uma coisa que deveria ser realizada em 5 dias. E ele só vai trabalhar, por que tem uma filha de 5 meses, ainda está pagando a maternidade, mas é um suplício o que faz. O Seu Chiquinho, ou melhor, o Doutor Chiquinho das Marufas, está num beco sem saída, sem saber o que fazer para solucionar um problema que aconteceu na Divisão Y e com ele ainda é novato na empresa, ainda não está bem a par, mas como acha que é o chefe e o chefe na concepção dele tem de saber tudo, não pergunta a ninguém e vai metendo o pau, para ver onde acaba. Um dia ou ele aprende, ou a empresa se arrebenta. No final do mês, a conta vem alta. Os lucros foram elevados, mas os custos, muito maiores. A empresa teve de pagar horas-extras para um monte de gente que levou 10 horas, para realizar uma coisa que devia ser feito em duas. As contas de água, luz, manutenção, logística, alimentação e transporte quadruplicaram. A conta com serviço médico saiu dos limites. Parece que todo mundo adoeceu. Licença médica, entupiu o RH. Imagina se não fosse apenas três dias por semana, quinze afastado, ou acima de 30 dias, por conta da Previdência. E a produção continua a mesma, sendo feita do mesmo jeito. Maravilhoso. O Doutor Chiquinho das Marufas está realizando um grande trabalho. Faz tudo sempre igual, até o dia em que os lucros não cobrirem mais os custos e todo mundo tenha de ser mandado à merda. Com distinção e louvor.
Só para começar, entrevista com candidato a emprego é feita de uma maneira, como que a maioria das empresas desejassem esconder o jogo sobre quem são, em que atuam. “O candidato tem de se informar sobre a empresa.” Por que não se começa se apresentando a empresa, a missão, a expectativa... Classificado: “Empresa sólida na praça, procura...” Sólida, deve ser de cimento, de trator, de carro-munk, de construção civil... No mercado, deve ser verdureiro, açougueiros, peixeiro, vendedor de hortifruti... E as respostas esperadas nas entrevsitas: “Eu pretendo trabalhar com a equipe...” “Mas vais ser mandado para o Pólo Sul, sozinho.” “Eu faço uma equipe com os pingüins, ursos, focas e elefantes-marinhos. A equipe é tudo.” [ ] “Eu sou uma pessoa reativa, cumpro sempre as ordens do chefe.” “Mas nós estamos procurando uma pessoa que saiba se virar sozinha, tenha idéia própria e conduza o trabalho, da melhor maneira possível.” “Mas eu posso ser um trabalhador proativo.” “É, mas o nosso gerente, odeia pessoas dependentes.” [ ] “Sabe, eu funciono como o chefe manda. Reativo, ou proativo, depende da ordem e da política da empresa.” “Nosso chefe adora pessoas proativas.” “Maravilha, estou dentro.” “Mas o pessoal mais velho, odeia gente que quer mostrar serviço. E quando eles acham demais, pressionam o chefe e o chefe não tem como manter o proativo.” [ ] “Na verdade, nosso chefe não está nem aí para o trabalho das pessoas. Ele gosta de gente que saiba trabalhar com ele, do jeito dele.” “Deixa comigo. Sou pós-doutorado em bajulação, com especialização em Neoliberalismo puxassaquista. Deixa comigo que eu vou longe.” E ainda se confia em quem responde o que se quer escutar. Eu não confio tanto em quem não é verdadeiro, mas uma personagem para a vida. O cara que não se mostra, está escondendo alguma coisa. E quem sabe se ele não vai te trair adiante? “Nós estamos precisando de um cabra macho.” “Pois está olhando para um.” “Mas hoje eu estou com vontade de comer uma bundinha.” “Disponha. Não sou tão radical assim!” Parece até que a própria sociedade incentiva pessoas sem personalidade, sem caráter que não defendem o que pensam e só querem satisfazer o próximo, fazendo tipo. Será religioso esse mal?
Aí vem o pessoal do Direito e acha que Administrar, é seguir uma cartilha. Aliás, tem até administrador formado que pensa que administrar, é seguir cartilha, é ter uma solução definitiva para tudo. Como o militar do Glorioso Exército Brasileiro que era meu aluno e queria que eu dissesse a melhor maneira de administrar. E não admitia que não houvesse uma fórmula geral para tudo. Imagina ele na Microsoft, com as mesmas diretrizes do quartel? Imagina ele recebendo o Príncipe do Japão, como trata os subalternos no quartel. Não sei por que, o Exército é a força mais rude de todas. Tinha tanto aluno da Aeronáutica e as cabeças, totalmente diferentes do militar do Exército. São muito diferentes.
Com o militar do Exército, parecia que estava todo tempo querendo brigar, com os da Aeronáutica, só não participei do Big Brother Amazonas, por recomendação exterior, mas conversávamos muito e até nos encontrávamos em shows. Parecia que o Santos Dumont, estava na mesma sala com o primeiro homem que dominou o fogo. É muita diferença. E patentes equivalentes.
Mas quando se fala nas Armas nas ruas, mandam logo o Exército. É querer peitar a sociedade. Por que não mandam uns cães de caça? Pelo menos, eles só atacam para se defender, ou quando recebem ordens. Coitado, o militar do Exército era rude, mas rude, mas tinha mania de querer sacanear com o professor que era eu. Eu ensinava Administração e ele perguntava sobre tudo, para ver se eu conhecia e estava seguro, fora até do que se estava ministrando. De vez em quando, chegava em sala de aula e ele queria ver se eu sabia de Economia também. Queria que eu resolvesse as questões que o professor anterior tinha deixado. Eu dizia como se devia fazer, mas como ele não é mais esperto do que eu, dizia para ele fazer pelo menos o trabalho manual. Imagina uma pessoa dessas que quer peitar inclusive o professor, peitar só por peitar, com poder nas mãos. É o Exército nas ruas.
Então mandaram o Glorioso Exército Brasileiro para o Haiti. ‘Missão: diminuir a violência.” E os anos se passam e... Os generais que voltam, estão sendo condecorados. “Égua maninho, o Exército está fazendo um trabalho e tanto no Haiti, não é mesmo?” Que nada leso. O próprio Presidente do Haiti diz que acha que já é tempo de se substituir o Exército, por professores, médicos, construtores, coisas com mais de futuro. E a violência? Sabe a Cidade de Deus antes da Ditadura? Era o Haiti, antes da chegada da Força de Paz. Sabe o que está se transformando com a intervenção militar? O Complexo do Alemão, aquele que fica logo na frente do Aeroporto do Galeão, na Linha Verde, Amarela, Azul e Branca - nunca sei que cor são aquelas. Só sei que não é a Linha Verde, por que a Linha Verde, leva ao Interior da Bahia, de Salvador -. Oxi!
E tem general querendo a presença do Exército nas ruas do Brasil inteiro. Valha-me Deus. Não bastam as balas perdidas, a violência contra crianças, a guerra do trânsito... Estão querendo trazer a Faixa de Gaza, o Iraque e o Afeganistão de uma só vez para cá? Acham pouco a violência que já temos nas ruas?
Mas por que os generais estão sendo condecorados quando voltam do Haiti? Por que eles cumpriram horário. Fizeram o papel que muitos acham que se chama trabalho. Cumpriram horário, mas não a missão, não mudaram uma vírgula para melhor, quer dizer, fizeram tudo o que todo mundo fez e as coisas só pioraram. Mas a culpa não foi deles. Vai ver que surgiu do nada.
E se a coisa ficar ruim, empurra com a barriga, até um outro assumir e quem sabe, ter alguma idéia de como solucionar o problema, ou seja, fazer o que devia ter sido feito, quando se contrata, ou se coloca um profissional em um determinado lugar para administrar. Mas tem muita gente que acha que administrar, é criar dificuldades, é mostrar como o trabalho é duro e só. Para mim, administrar, é encontrar solução e pronto. Simples, não é mesmo? Não interessa se o profissional trabalhe 2, 6, 8 horas. Não interessa se no meio do trabalho, ele escute rock, jogue xadrez, faça sexo para ter idéias. Trazendo soluções e se possível em menos tempo possível, o que quer dizer, economizando nos outros itens, como energia, hora-extra, serviço médico, etc, melhor. E ainda transformar a empresa, em um ambiente lucrativo, para todos, bem melhor. Lucros financeiros, sociais, interpessoais...
Mas o que tem a ver o cós com as calças? O que tem a ver administração com a decisão do STF?
É que a presença do Exército nos morros, antes de ser a solução, sempre trouxe problemas. É como a presença do Exército junto a tribos. São casos e mais casos de estupro, alcoolismo, vícios em geral, suicídios, desvios de conduta e não é caso esporádico, nem por acaso. É por que as Forças Armadas no Brasil ainda têm o ranço de quando defendiam os interesses da Coroa. O povo parece o inimigo a ser abatido. Estão a serviço apenas de uma forma de pensar, de uma única ideologia, quando devem defender o país, nas condições em que se encontra. Defender o pluralismo sobre tudo. Mas ainda existe uma fábrica de fazer cabeças nas escolas militares que ninguém muda. E parece que até se estimula.
E nas escolas de Direito, também existe uma ideologia que permanece imutável, acho que desde quando o Ruy, o Ruy Barbosa era estudante. Que coisa mais arcaica. Mas aí, e coisa que vem de dentro. Está contido no se do Direito. Ser, ou não ser. É questão de jurisdição.
Então o Exército sobe o morro para... Resolver algum problema. Não, Para peitar os moradores do morro, para não respeitarem os cidadãos que moram por lá, para levarem seus preconceitos e discriminações, em forma de autoridade e quando se pede a saída do Exército, com prova suficiente para mostrar que eles estão fazendo justamente o contrário que se deseja, vem um juiz, uma turba de juízes, ministros, sei lá e mostra que eles vão permanecer peitando os cidadãos, pois acha que autoridade é isso. Eles mesmos, cheios de preconceitos. Uns bundas-moles que em algum momento já vieram de lá, consideram quem está no mesmo patamar cidadãos de primeira e os cidadãos do morro, de última categoria, como se o país, fosse dividido entre ricos e pobre, brancos e índios, nobres e plebe. Mas nós, brasileiros? Racismo, preconceito, essas paradas assim. Não, nós nem sabemos o que é isso. A gente faz de conta que não existe. Continuemos fazendo tipo. Tipo assim!
E o delegado, quer saber quem matou os três favelados. Eu, leigo nas leis e nas investigações criminais, diria, sem conhecimento profundo de causa que quem matou os jovens, foi a ideologia militar brasileira que ainda tortura, fura com faca de serviço e até com espada. “Espada meu amigo?” É, formatura de escola militar cada cadete troca o sabre pela espada. Deu para ligar? Os rapazes que “desrespeitaram a autoridade militar”, além de serem crivados de balas, ainda foram perfurados com objetos contundentes, como facas e espadas. Parece que eu estou vendo como morreram. Como o Rabo Fino. Tiros e mais tiros, eles já sem reação se tiveram alguma, em algum momento e de repente o oficial, como o pediatra que era médico no quartel, resolve acabar com o sofrimento e tira a espada e os seguidores, suas facas de serviço. E olha que são 29 anos de diferença, entre os fatos, mas continua tudo com antes, no Quartel de Abrantes.
Pelo menos foram mortos, condignamente. Uma verdadeira cerimônia militar. O oficial com luvas, empunhando a espada, os recrutas, quem sabe, até com lenço de cerimônia no pescoço. Tudo o que nossos militares podem nos oferecer.
Quando vamos mudar o sentido de administrar no país? Ao invés de querer pessoas que cumpram horários, pessoas que não acrescentem nada, vamos querer pessoas que pensem soluções e no fim de cada missão, tenhamos novas e novas idéias de como elevar a produtividade, ao invés de cumprir horário e não fazer absolutamente nada de concreto?
“Pô gente boa, até o mano Raul - Raúl Castro -, já está incentivando a produtividade em Cuba, país onde o setor público, emprega a maioria dos cidadãos. O mano velho, mandou o mano Raul procurar novos caminhos, pensar diferente e ele quer mudar, investindo em produtividade. Sabe o que é isso? Por que nós ainda estamos pensando em colocar o Exército nas ruas?”
“Mudarse, sin perder los princípios.”
Não vamos sair mudando, por mudar, como muita igreja evangélica que nem sabe o que é dogma e para fazer tipo, para atrair adeptos, é a favor do aborto – “a vida é o sopro de Deus. Só ele pode tirá-la” -, do casamento homossexual – “Sodoma e Gomorra foram varridas do mapa, por causa das práticas de seus filhos que viraram estátuas de sal” - e até do divórcio – “o que Deus une, filho da puta algum desune”-. Isto se chama dogma e não se pode mudar, a não ser que se use o Seu Nome em vão. Mas o que tem de evangélico que já casou mais de mil vezes, já fez mais de cinco abortos e confunde o abrir o caminho, com abrir as pregas com força e acaba confundindo o sangue anal com o Sangue de Cristo, é brincadeira.
Vamos saber por que as coisas têm de ser assim, ou assado. Pelo fim da pose totalmente sem conteúdo. Ao invés de investir em Marketing Pessoal, por que não investir em educar as pessoas, para que consigam pensar por conta própria? De repente aquelas pessoas que são vistas como competentes, por repetirem alguma coisa que ouviram em algum lugar, vão ter de se mostrar de verdade.Talvez assim, a violência, o abandono e os crimes contra as crianças diminuam. Tem muita gente querendo ter filhos, não para criá-los, mas para mostrar aos outros que é adulto, ou segue os preceitos da sociedade, sem pensar nos problemas que advêm com eles. E no primeiro problema, a solução é se desfazer deles, de qualquer maneira. E de preferência, que ninguém saiba. Quem faz tipo, só quer mostrar para os outros. Nunca resolve nada. Nada de concreto, a não ser que seja pedreiro, mestre-de-obras, ou engenheiro.
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