quarta-feira, 2 de julho de 2008

NOSSA VOZ SEM FORÇA.

Tenho falado que nos ensinam desde criancinha a dizer uma coisa, para parecer simpático e fazer outra, principalmente se a gente achar que ninguém vai saber.
Há muito tempo atrás, quando ainda existia, gritava-se nos Congressos da UNE: “A UNE somos nós, nossa força, nossa voz!”
...A UNE
Reúne
Futuro e tradição
A UNE, a UNE, a UNE é nossa voz!
Parte do hino, ou melhor, final do hino dos estudantes, com letra de Vinícius de Morais.
Tempos em que se tinha de ter conteúdo para ser votado, mesmo que fora dos muros das universidades, imperasse a Lei Falcão, onde os políticos foram equiparados por baixo e para os representantes do poder não se mostrarem vazios, aparecia todo mundo com cara de pomba-galega baleada, na frente da televisão. O contrário do Datena que ainda não percebeu que a televisão não é apenas visão, mas áudio, eles deixavam a foto, como se não soubessem que a tele significa comunicação que envolve, áudio, visual e até mensagem corporal, e uma voz cavernosa por trás, dizendo o número de cada candidato, nome, sobrenome até o apelido do coitado. Se na propaganda eleitoral antigamente tinha o Bem-te-vi, hoje temos o Surubim, mas não vamos entrar em detalhes. São coisas sórdidas que não interessam.
As coisas mudaram, tudo ficou muito mais fácil, seja por causa da Constituição eleita democraticamente, seja pela tecnologia.
Ficou tudo tão fácil que qualquer bunda-mole, literalmente falando, não precisa mais se deslocar para fazer merda no vaso sanitário e aparece como representante do povo. Não se precisa ter mais escrúpulos, propostas, ou credibilidade, quero dizer, ficha limpa na praça. O exercício político limpa qualquer coisa, até Balanço Contábil no vermelho. Basta ter quem financie as campanhas para depois ser contemplado nas licitações que a política virou leilão. Ganha quem der mais. Finalmente nos conscientizamos de que vivemos em um Regime Capitalista. Tudo por dinheiro.
Ficamos com o discurso bonito, porém totalmente sem sentido, diante das ações implementadas.
Vejamos. O Governo Federal entrou no discurso da “Amazônia é do Brasil”. O discurso preservacionista. Mas as ações não acompanham, ou melhor, não acompanhavam o discurso. Até há muito pouco tempo atrás, o IBAMA – quando era um único órgão de vigilância e permissionário de políticas ambientais – ia atrás de quem devastava os biomas brasileiros e o a CEF, BB, BNDES e outros organismos ligados a ministros próximos no Planalto Central, davam subsídios, abriam linhas de crédito, financiavam, quem queria comprar trator para as fazendas da Amazônia, quem queria expandir o número de reses na região, para rizicultores, sojicultores, cafeicultores e plantadores de feijão que queriam expandir a fronteira agrícola, para além da Amazônia se possível, e tantas e tantas outras incoerências como essas. Dizem que o Governo, pelo menos a União, está sendo mais criteriosa no financiamento agrícola, mesmo por que, a fronteira já bateu a porta e entrou sem pedir licença na Amazônia. Já passou de Itacoatiara. Mas o “companheiro Minc” que tem sobrenome de baleia e que muitos ambientalistas dizem que é mais farol do que conseqüência, quer fazer churrasco com boi pirata. Coitado daquele outro Boi de Parintins que não entra no Bumbódromo, vai virar churrasco na Granja do Torto. Vai sair tortinho, com os drinks servidos. Só quero avisar que eu não como carne vermelha, mas como a Catirina, adoro a língua do Boi. E se tiver uma maminha, uma chuleta, um coxão, mole, ou duro – cavalo dado, não se olha os dentes – de alguma pessoa caridosa, de uma alma amiga que queira me dar, estamos aqui.
Eu, sinceramente gosto muito pouco de quem tem um discurso e a prática totalmente diferente do que diz. Parece que está querendo me chamar de leso. E leso, até posso ser, mas não permito que me chamem, sem a minha conivência, sem a minha complacência.
Ao mesmo tempo em que o Governo do Amazonas ganha – existe dúvida quanto a isso. Muitas vezes, quando se ganham prêmios, é por que já se pagou caro – prêmios internacionais por causa da floresta em pé, mesmo que ele faça justamente o contrário da primeira lição ecológica de cimentar tudo, o que causa pouca evasão das águas, pluviais, subterrâneas, marítimas, fluviais, ou lacustres, e o fim das matas ciliares, responsáveis por rios, lagos e igarapés, quando se troca a margem, por sacas de cimento, ou uma tal urbanização acimentada,ele tem como principal meta, vacinar o gado da região, o que de alguma maneira, é um contra-senso, para quem quer preservar a Amazônia. É como um dia desses estava ouvindo um discurso de alguém fora da nossa realidade, fora de foco e fora de moda, sobre a Zona Franca de Manaus: “Um modelo que deu certo que não precisou derrubar uma árvore...” Coitado, não tem como comparar Manaus, Iranduba, Itacoatiara, Rio Preto da Eva, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Vila de Balbina... antes da ZFM e agora, para se ver que esse discurso não passa de discurso. E o que se vai deixar ao fim dos subsídios, da subvenção, da isenção federal, antes do que riquezas, rombos enormes, problemas estruturais que se vai ter de consertar com o que sobrar. E pelo visto, com meninos tão famintos, vai ficar muito pouco. Não foram só árvores que se quedaram ao dito desenvolvimento. Rios, igarapés, lagos e até cascatas. Apesar de toda a cascata na política.
Mas feio mesmo, uma prática totalmente desapartada do discurso, foi a morte daquele rapaz humilde que ficou 49 dias, perdido na floresta.
Em princípio, parece que aquela região onde todo mundo está se perdendo, está mais inóspita do que quando fiz algumas operações. E olha que naquele tempo, já se teve de entrar com equipes especiais e até com o Parasar, por causa de uns manés que dividiram a equipe e ficaram comendo tracajá, enquanto a outra parte, seguia com a bússola nas mãos. É tanta gente se perdendo que não sei o que acontece. Devia se chamar: Cabaço do Norte. Nunca vi se perder tanto.
Segundo dizem, o rapaz que morreu nos braços do pai era acostumado no mato, foi encontrado imóvel e morreu de fome ali. Será que ninguém o deixou com alguma seqüela que não permitiu que ele se virasse? Aquela região é uma região alagada, portanto, palmeira é o que não falta. E palmeira, além do fruto, ainda contribui com o palmito. Acho que ainda não mudou, mas é uma região em que se tropeça em tracajás – não confunde. Tartaruga é da água e tracajá, vive na terra -. É só fazer fogo, virar o bicho vivo por cima, tirar a carcaça debaixo e comer com ele ainda se mexendo. E se faltar sal, mistura com terra que nem se percebe. Em caso de se querer coisa mais nutritiva, com tanta água em volta, é certo que sempre se encontre uma cobra, uma anta, ou uma variedade enorme de peixes. A variedade é tanta que dá para comer de piranha à veado. É só escolher e de graça.
E apesar de ser uma região extremamente montanhosa, quase uma região de serra, nos vales existem charcos, igarapés e rios à vontade. Qualquer mateiro dos mais rudes, sabe que é só seguir uma direção, rio acima, ou rio abaixo que se vai encontrar gente. E por ali, vai se sair em Itacoatiara, Presidente Figueiredo, Silves, Manaus, Itapiranga, Rio Preto da Eva e se abestalhar, em alguma aldeia indígena, ou até mesmo em Parintins, ou Humaitá. Mas aí o caboco vai ter de ser bom, muito bom, bom demais em natação. Sem contar que vai ficar com os braços e pernas dormentes por um bom tempo.
Mas a discussão não é esta. A discussão é o gogó que faz da política brasileira, terra de demagogos sem caráter algum.
Quando um empresário que hoje ocupa uma Secretaria de Estado pensando que por que fez uma Operação Borboleta no Colégio Militar de Manaus, tinha capacidade para enfrentar sozinho a floresta – primeira lição não apreendida. Na mata e nas águas, nunca se deve entrar sozinho, ou pelo menos, sem que fique alguém olhando, mesmo que se seja especialista -, seguindo mapas tirados da internet – segundo grande erro. A floresta se transforma a cada minuto. E se parece a cada metro. Não tem como seguir mapas – se achou perdido – aliás, se achava, mas quando se achou perdido, teve de esperar resgate para acharem-no, perdido-.
De repente para resgatar o empresário influente, entrou gente do Corpo de Bombeiros, do Exército Brasileiro, do Parasar, etc e etc. Só faltaram chamar o Mc Gyver, o Bond, James Bond – Her Majesty’s Agent - e o Jackass, Jack Bauer – US plagiary -. Foi um aparato enorme que parecia até, coisa de cinema.
Anos depois, na mesma região, quando os conhecimentos já deviam se mostrar avançados, inclusive com a presença do SIVAM e do SIPAM que segundo a propaganda oficial, ir-se-ia vigiar a Amazônia tão de perto, que permitiria ver inclusive com uma precisão enorme, o deslocamento dos animais. Eu acho que fui enganado. Puxa, além de tudo isso, no Comando da Polícia Militar, está um evangélico, de onde seria de se esperar compaixão, humildade, amor ao próximo, Deus no coração, aqueles chavões que os cristãos adoram citar, deixados por El Salvador quando veio se imolar por nós, - não sei por que. Se com o Pai, o Todo Poderoso, viu as alianças serem desfeitas, quebradas todas, sem exceção, esperava que com Ele, apenas o Homem, a coisa fosse diferente? Ai Jisus, eu acho que a humanidade não tem conserto. Os ‘homens” prometem, juram de pés juntos e no fim, não cumprem. E não é da política de hoje. Se Deus não acabou com tudo, na gênese, quando Adão carcou a Eva que Deus estava reservando para Si, poder-se-ia esperar que os filhos da puta que viriam depois, tivessem pena de alguém? -, sem contudo praticarem de verdade. E pelo o que eu sei, os Bombeiros são afeitos às ordens do Comando da Polícia Militar.
49 dias e foi preciso o pai procurar o filho mata à dentro sozinho, sem contar com ajuda alguma, por terra, por fogo, por água, ou ar. Tudo bem que a Sociologia depois do Karl Heinrich Marx nos diga que os governos sirvam à classe dominante, mas pelo menos, sejamos menos descarados do que estamos sendo agora. Menos garganta e um pouco mais de ação em prol do povo, já que se anda ao lado do arcebispo metropolitano de Manaus e de todos os pastores evangélicos, ou seja, está se acendendo vela para Deus e para o Diabo ao mesmo tempo.

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OBSERVADORES DE PLANTÃO