segunda-feira, 7 de julho de 2008

QUEBRAR PARADIGMAS

Joachim Johan Peter de Oliveira e Silva, um nobre representante do povo alemão, entrou em um curso de pós-graduação no Brasil e o que mais ouvia, desde a primeira aula, até a última, era quebrar paradigmas. “Temos de quebrar paradigma.” Antigamente era até fácil saber quem havia feito pós-graduação ou não, pois todo mundo tinha de falar nisso de alguma maneira, para se mostrar. Mas as coisas se difundem tanto que até quem nunca foi ao dicionário ver o que significa, repete. Não que tenha de ser exclusividade de poucos, mas que seja dito, dentro do contexto, da palavra em si, senão vamos ficar repetindo “nanotecnologia para cá, nanotecnologia para lá”, sem nada a ver, como já disse o próprio inventor do conceito, só para se dizer “antenado”, “conectado”, “bombando” pela aí.
Apesar de se falar tanto em quebra de paradigma, as aulas, até nas pós-graduações são tão comuns. Pagela de chamada, reprovação por faltas, o professor apresentando as aulas como em qualquer escola comum dos dias de hoje, talvez se valendo de um retroprojetor conectado a um Vaio ou não Vaio e o grande tema que é quebrar paradigmas, torne-se questão menor. Algo assim como: “faça o que eu digo, não o que eu faço.” As escolas no Brasil são meio assim. Falam de coisas modernas, atuais e edificantes, mas nem elas seguem o que ensinam. Parece que não acreditam tanto assim nas próprias palavras.
Logo que entrei na universidade, Curso de Física, estavam pavimentando a pista de acesso ao campus. Sempre perguntei o por que não se utilizarem as faculdades existentes, para se fazer isso? Tinha Agronomia, Engenharia, Química, Física, Educação Física, Biologia... Essas faculdades, podiam muito bem, contribuir com estudos de impacto ambiental, sobre pavimentação alternativa para a região, projetos e um monte de outras coisas. Mas a universidade que ensinava tudo isso, contratava os serviços de uma empresa de pavimentação, já constituída. E os serviços foram péssimos. Uma hora por que os bloquetes – leia bem. Eu falei bloquete, não vem colocar essa mente doentia, para se chocar, colocando palavras imorais, de onde não saem - não agüentavam o peso dos veículos pesados e em poucos meses, o serviço tinha de ser refeito. Outra hora, por que o asfalto era fino demais e só servia para elevar a temperatura e fazer buracos. Outra hora, por que a piçarra fazia vítimas na própria parada de ônibus e algumas meninas que queriam ir para um lamaçal puro, todas elegantes. Imagina o que isso não custava para os bolsos da universidade.
Durante a realização dos FUM’s, sugeri várias vezes, utilizarem-se dos serviços da própria universidade. Por que a Faculdade de Engenharia Civil, não poderia contribuir com o projeto de um palco? Por que a Faculdade de Ciências da Saúde não poderia fazer o atendimento do pessoal? Por que a Faculdade de Comunicação Social não podia filmar o evento e fazer a divulgação? Por que não se podia integrar o inútil, ao desagradável? Por que não se integrar o que deveria se uma universidade, ao invés de um amontoado de faculdades? Acabava que o palco, era sempre feito pela prefeitura. E durante anos, foi uma luta para aumentar as dimensões, como se pedia. O serviço de saúde, realizado pela prefeitura. Uma ambulância, para uma multidão, em um local onde era considerado distante, à época. E a filmagem, feita por uma empresa privada, sem relação alguma com a Universidade do Amazonas que no fim, tinha serviço pago.
É a velha quebra de paradigmas, o velho discurso, muito bonito, mas pouco prático.
Quando Dona Martha Falcão pegou a turma de Ecologia para dar palestras, para ensinar ecologia nas escolas públicas e para botar a mão na massa, plantando mudas de árvores frutíferas em sacos para distribuir para a população, o que depois foi feito por diversos órgãos de governo, imitado inclusive pela Agronomia; o próprio reitor era o primeiro a ser contra. Quando visitava as instalações do campus, queria que se “tirasse aquela sujeira” do meio do caminho. Eram as folhas dos bosques plantados pelos próprios alunos, deixados para virar húmus que ele considerava sujeira. Queria tudo “limpinho”. Também de nada adiantaram os bosques, pois um médico que se diz um exímio ecologista, pelo menos na frente das câmeras, quando venceu a votação para ser reitor, mandou acabar com os bosques e cimentou tudo. Economicamente, ótimo para quem participa da licitação. Pode-se ganhar muito, com pouco. Péssimo, para o escoamento das águas. Sem terra, tudo cimentado, sem escoamento, as águas não têm para onde correr, vão acabar se dissipando no ambiente e a fontes naturais vão se acabando. E a temperatura se eleva. E como o tal de centro de convivência é todo fechado, precisa de luz artificial e os bancos que eram tocos cortados, tiveram de ser comprados. Tudo eco. Economicamente, sensacional. Pode meter a mão, sem dar na vista. Ecologicamente, péssimo negócio.
Então os doutores Chico Deodato – sim, o coordenador das campanhas de um ex-governador, ex-prefeito, ex-senador que está candidato de novo e tomara que seja, ex-quecido - e Giba de Paula – médico ortomolecular -, pensaram uma forma de congregar mais a universidade. Começaram durante o FUM que pretendiam estender, ao invés de ser só de música, um Festival Universitário de Cultura, onde outras formas de expressão também tivessem vez, como as mostras de poesia que propuseram e seriam itinerantes. Os alunos, professores e administrativos de Exatas e Tecnologia, mostrariam suas poesias na própria unidade onde estudavam. O mesmo acontecendo com os outros, das outras unidades. Depois de um tempo estipulado, as poesias fariam um rodízio, para todo mundo ver. O que estava na Faculdade de Ciências da Saúde, passaria a ser exposto na Faculdade de Estudos Sociais e assim por diante. O mesmo com o cinema, o teatro, etc. Não pegou. Faltou apoio, faltou principalmente, vontade. Aquela que se ninguém tiver, nada vai para a frente. Vontade política.
E sem vontade política, é muito difícil quebrar paradigma.
A mudança de paradigma é uma coisa ruim? Talvez alguém se pergunte. No meu ponto de vista – quero deixar bem claro que tudo o que escrevo, é segundo meu ponto de vista, senão não seria um escrito meu. Quem sabe, um artigo do Paulo Coelho que finalmente declarou que plagiou, para chegar onde chegou. E ainda assim, tem gente que acredita nele. Eu me recuso a crer em que não mostra e não tem escrúpulos. É questão de fé -, não. Ou melhor, depende. Será que tudo está tão equivocado assim que se precise quebrar tanto paradigma?
Daqui a pouco vai se querer tanto paradigma que a gente vai querer até revogar a Lei Zero da Termodinâmica, só para parecer evoluído, estudado e atual. E aí, vai ser pior a emenda do que o soneto.
No tempo em que eu estudava, pelo menos na Física e na Economia, a grande questão que se discutia, era levar os conhecimentos dos centros de pesquisa, para fora dos muros. O tripé das instituições de ensino superior, eram: Ensino, Pesquisa e Extensão. E depois, se chegou à conclusão que era de suma importância, trazer-se para dentro também, ainda mais, os conhecimentos empíricos das comunidades, já praticados há tempos.
Hoje tem instituição de ensino superior que tem o tripé, assim: Lucro competitivo aos ganhos das instituições financeiras; Aprovação em massa, de qualquer maneira; e Propaganda em larga escala. Sem contar os fins. O que tem de filantropia por aí. Dá para acreditar em quem se vale de artifícios pouco legais para ter lucro que vá ensinar sobre ética aos profissionais que coloca no mercado? Como quebrar mais esse paradigma?
Não sei se eu me afastei muito do meio científico, ou a realidade é esta mesma, de não se ver grandes contribuições sociais, desses organismos de ensino, para a sociedade em geral. O INPA estuda a Amazônia, há um bom tempo e quando se tem um conhecimento maior sobre os produtos da Amazônia, quem utiliza em escala comercial, são outros estados, até distantes da Amazônia. O que isso contribui para o desenvolvimento regional? Por que se manter uma coisa que não influi, nem contribui? A EMBRAPA por sua vez, pesquisa, pesquisa, pesquisa a fauna e flora da região e da mesma maneira, quando se vê, a exploração industrial de todo esse estudo, é levado para fora da região. São organismos que foram implantados para ajudar no desenvolvimento regional, ou não? Quem vai quebrar esse paradigma? O circulo vicioso, até um circo viciado, onde o Sul e o Sudeste do Brasil, levam vantagem sobre todas as outras regiões do país, inclusive na exploração dos recursos naturais dos outros. E depois reclamam da violência, do trânsito, da superpopulação, da migração, quando eles mesmos são os responsáveis por isso. Se tudo de bom e do melhor, é carreado para lá, lógico que os melhores empregos, as melhores condições financeiras estejam lá, como as diretorias de planejamento das empresas do PIM. No resto do país, ficam os restos. Lógico que quem deseja um pouco mais tenha de participar do inchaço populacional e problemático dessas regiões. E lógico que com o caos se implantando, venha uma coisa puxando a outra. Engarrafamento, stress, violência... Eis um paradigma que se tem de quebrar, se alguém está com vontade de verdade de ter um país mais justo, mais desenvolvido. Aliás, hoje em dia as pessoas substituíram a “falta de educação de casa”, pela palavra inglesa: “stress”. É até mais rápido de pronunciar. Aliás, virou panacéia. “Arrogância” e o pessoal culpa o “stress”. “Jogo sujo”, dizem logo que é “stress”. “Egocentrismo”, lá vem, “stress”.
Dia desses fui caminhar na Ponta Negra com o meu amigo Bustelão. O ambiente está entregue às traças. Até barata tem nojo daquele lugar. Só fede a urina e fezes humanas. Tem até gente morando em barracas, próximo das quadras de esporte, e ninguém vê isso. Ou melhor, é melhor fazer que não se vê. É como a feira de cd’s e dvd’s piratas, em toda a extensão da Praça dos Remédios. Da igreja, até a Manaus Moderna. Será que as autoridades não vêem isso? Ou será que tirar no início, não dá tanto lucro, quanto tirar quando o tumulto já se estabeleceu de vez?
Bustelão ficou muito pútrido da vida. “Esse povinho também não ajuda. Destrói tudo.”
Eis um grande paradigma brasileiro. Entra governo, sai governo e a educação, é estatística. Enquanto as estatísticas crescem geometricamente, tem muito doutor que não sabe se expressar, não consegue fazer uma conta básica de aritmética, o que muita gente primária, fazia, quando nem existiam estatísticas.
Quando se educar o povo de verdade, quando se mostrar que ao quebrar um bem público, ele está aumentando os próprios impostos a pagar, o povo talvez até destrua menos. Sim, existem psicopatas que mesmo com toda fiscalização, sempre vão destruir as coisas. Mas isso é exceção.
Já pensou se houver educação para que menos vândalos quebrarem os óculos da estátua do poeta Drummond, em Copacabana? Já imaginou o que se vai deixar de arrecadar para os cofres particulares? Quem sabe, não são os próprios interesses fraudulentos, a incentivarem que se furtem os óculos da estátua? Imagina o que se pode economizar, educando o povo? A cada nova licitação para executar nova obra, 10% de desvio. Sim que talvez um conserto que poderia custar R$ 10,00 para qualquer pessoa física que fizesse um estudo por telefone, saia para os órgãos públicos por US$ 100.00. 10% de 100=10. Mesmo assim, é pouco. Mas multiplica por 100, por 1000, por 1.000.000. Aí os custos pegam.
Eis um grande paradigma a ser quebrado no Brasil. Educar o povo, para não quebrar o que ele mesmo paga. Mas uma educação, onde o povo se veja como ator das cenas do país, onde possa pensar e inferir de como pode atuar para mudar. Mudar para se dar bem, enquanto povo. Mudar para se dar bem individualmente, é o que se faz hoje.
Com tantas instituições de ensino superior no Brasil, não é possível que ainda, mais de 70% dos nossos políticos, só tenham o ensino primário. Em todos os níveis. E não é possível que muitos representantes com nível de escolaridade superior, quando se apresentam ao povo, repitam as mesmas ações dos outros semi-analfabetos, sem responsabilidade alguma, com as questões nacionais e/ou populares, apenas com a defesa de seus interesses mais egoístas possíveis. Falta quebrar os paradigmas também na política nacional.
Ontem estava conversando com meu ex-professor de Economia que não gosta que tenha o nome citado nessas coisas que escrevo – deve ser parente daquela minha amiga que tem o nome de uma música onde se dizia que era a mulher de verdade, passava fome ao meu lado. Eu hein. Muito obrigado, se for para passar fome, procure seu rumo, Parece até o meu amigo Piroka que até hoje sabe a letra e a música de um samba que fizemos em parceria sobre os índios no intervalo de uma das aulas na Exatas que fez um grande rebuliço no Bloco J do mini-campus, só por que eu tenho mania de registrar as músicas. “Já pensou se faz sucesso? O meu nome vai aparecer.” Mas a conta corrente também pode aparecer. Tem os dois lados – e ele perguntava sobre o livro dele. Eu disse o que acho: “Um livro de fácil compreensão, até para quem não é da área econômica, sem o economês chato da vida, que se esmiúça a Economia, para todo mundo entender. Coloca a teoria, no dia a dia, em relação ao que acontece na prática.” Muita gente sabe recitar teoria de cor e salteado. Na hora de colocar a teoria nas questões práticas que se lhe apresentam, é totalmente outra pessoa. E hoje em dia, alguma coisa auto-explicativa, é um fenômeno. Se até a expressão da arte hoje em dia para se entender, tem de haver um manual, explicando o que o artista queria dizer, quando seria muito mais prático, a gente sentir tudo de cara.
Não é por acaso que nasceu um dia antes de mim, 12 anos antes. Mesmo signo zodiacal e chinês, como o Bush. Tinha de ser inteligente, como nós, o Bush que ganhou as eleições na roubalheira e ainda tem gente que acredita nele; o Dalai-Lama que vive de explorar da credulidade alheia, e a Babi, que apesar daquela boca horrorosa, ainda assim, tem quem a chame de bonita e gostosa. É preciso ser inteligente, para se alcançar o Nirvana.
Sir Isaac Newton dizia que ser inteligente, era se fazer compreensível. Mesmo que ele não fosse tanto assim, mas era o tal do academicismo que não deixava se dizer o que se queria dizer, diretamente. E ainda tinha de se dizer em latim. Pelamor de Deus!
Ontem estava assistindo uma palestra sobre niilismo, sobre o Nietsche, sobre o livro “Assim Falava Zaratrusta.” Eu sempre achei o Zaratrusta, rimando com outra pessoa. Acho que já li esse livro. Pelo menos está na estante há um tempão. Mas estou curioso para relê-lo. Será que eu entendi realmente a mensagem? O cara explicava tanto que parecia que estava decifrando um código secreto. O Nietsche que me fazia companhia, junto com a Bíblia – isto se chama diversidade, divergência de opiniões, dialética e em última análise, democracia - nas noites juvenis da minha insônia, parecia mais difícil no discurso do palestrante, do que entender como o Dono do Mundo faz aliança com estes homens e só dá fora, mesmo sendo o alfa e o ômega. É por isso que eu só faço acordo com mulher. Não falo em aliança, nem por decreto. Se não der certo, pelo menos a gente se fode legal. “Fode gostosinho”, como dizia uma namorada minha que parecia pagodeira. Af!
Até hoje não se quebrou esse paradigma de se achar que gente inteligente, competente, é justamente quem vive sob uma redoma de sociedade secreta. “Eu sou o guardião d’ O Segredo. Estou aqui para te fazer ver o segredo que eu sei. Vais ter de te esforçar, senão estarás alijado das coisas boas”. Da escola, até o trabalho, passando pelo ballet moderno, onde todo mundo tem de se dar um soco nas próprias costas – deve significar alguma coisa importante. “Tuberculose in concert” -, tem gente que se escuda na comunicação dificultada, para se mostrar competente.
Apesar do livro dele ser interessante, ser atual e de colocar as questões da dependência econômica e social que fazem do Brasil, um país sempre a reboque dos grandes, não tem saída.
Sinceramente, já disse que se fala muito, mas falta um plano de Marketing. Não só de propaganda.
O George Jucá, um outro amigo, fez um cd de música instrumental, só com composições regionais. Primoroso. Mandei cd até para fora de Manaus. Todo mundo que ouviu, acho lindo.
Existia um projeto da Prefeitura de Manaus, onde gravava um cd, todo mundo que mostrasse um trabalho. Tudo lindo e maravilhoso. Gastos para cá, gastos para lá e... Ficava tudo no estoque, tudo nas caixas.
Certa vez, regravaram em cd, as músicas do Grupo A Gente que foi gravado num show do Teatro Experimental do TESC, em rolo de fita, grupo do qual fazia parte essa gente de quem falo. Fui atrás na Livraria Valer e nem a moça que atendia, sabia que existia. Tive de pedir licença e ir ao estoque, para mostrar. Caixas e caixas, tudo fechadinha, arrumadinha, até com teia de aranha, mas sem saída. É como dizem: “Eu fiz a minha parte”. O cara grava cd’s, ganha por fora e não distribui. Depois sai dizendo que contribuiu com a cultura.
Ótimo para quem atua nas licitações. O que não se ganha com tudo isso? Quanto não se gasta, para se fazer lixo? A quem interessa isso?
Era justamente a discussão sobre fazer um disco, um cd do FUM. Fazer tudo bem, mas e a distribuição? E o FUM, antes que critiquem, naquele momento, era um canal para se divulgar a produção musical do Amazonas que não tinha ainda, grande divulgação. Depois o pessoal do FECANI veio ver como se fazia, um hoje político, quando era responsável pelo CSU do Parque 10, nos convidou para discutir como fazer o Festival de Verão – e eu, jovem, muito jovem ainda, fui interpelado por uma outra jovem de bermuda jeans, colada ao corpo e muito curtíssima: “Você tem fogo?” Logo eu que não fumo. Não sei por que, pessoas da diretoria vieram me dizer que era a esposa do presidente. Mas o que eu fiz demais? Logo eu, um rapaz tímido de pai e mãe -.
Marketing mais ou menos isso. Planejamento, execução, divulgação e logística.
Vejamos os exemplos dos livros impressos na gráfica da Universidade Federal do Amazonas.
A gráfica tem títulos e mais títulos, interessantíssimos muitas vezes, mas quase ninguém sabe. Então perguntei quem é o responsável pela gráfica. Pessoa competente, um nome respeitado que trabalhou com a Dona Therezinha e que sempre esteve à frente de muitas causas relevantes. “Mas a equipe dele é pequena. Eles têm de bater o escanteio, cabecear, fazer o gol e correr para o abraço.”
Eu não sei se por não ter uma visão do “certo” que sempre procuro uma solução fora dos padrões, mas dá para agir de outras formas.
Quando cheguei no DDRH, um departamento de políticas de capacitação de pessoal, estavam atônitas, sem saber o que fazer, pois teriam de entregar um projeto até as 18:00 horas de Brasília. Já era à tarde e nem o Sedex era capaz de fazer o serviço a tempo. Peguei um rapaz que entendia tudo de computação, o projeto em questão e fomos de departamento, em departamento, procurando um scanner. Copiamos tudo e enviamos, antes do prazo final por email. Em princípio, por que não usar os mecanismos de que se dispõe. Depois, por que não tentar, mesmo sendo incomum? Foi aceito.
Quando o Doutor Simonette me chamou para assumir o Almoxarifado que estava tumultuado, a primeira coisa que fiz, foi reunir os setores e exigir todos os pedidos do dia, em uma única requisição, em horários diferentes, para cada setor. A economia foi enorme. Até de tempo. O pessoal desacostumado, chegava e ficava bravo: “Me dá uma caneta?” “Coloca na requisição de amanhã.” “Mas é só uma caneta.” “Eu sei. Faz esse exercício. 1+1=2. 2+2=4.4+4=8. Vai multiplicando isso e vai ver no fim, o que dá.” Economizou até no tempo. A gente tinha tempo até de fazer as coisas pessoais. Eu aproveitava para visitar a loja do Piroka e de vez em quando, toda tarde, grudar nos beiços de uma “amiga” casada. Seu Clovis sempre dizia que toda pessoa muito preguiçosa, fazia o serviço rapidinho, para ficar mais tempo ocioso. O João que trabalhava comigo, ao invés de ficar batendo papo no tempo ocioso, falei para trazer os livros e tarefas e estudar. Estudava no horário de serviço, sem deixar de atender nenhum pedido. E ainda tinha tempo de pensar na quadrilha junina que coordenava. Pediu-me até uma música que fiz para a Beija-Flor na Roça – nem sei se existe ainda –, lá do Alvorada – um bairro que já me deu tanto, por que não retribuir? - e sempre cumprimos nossa missão. Dona Maria saía para fazer o jogo do bicho, a lotomania, a mega-sena, a raspadinha, a tele-sena e todos os outros jogos que houvesse, o que fazia diariamente. E mesmo quando o João se abestalhava e mostrava a caricatura dela, que eu fazia, ela morria de rir. E toda vez que alguém sonhava comigo, jogava no camelo e ganhava. Serei tão feio assim? Os outros que trabalhavam conosco, também tinham tempo de sobra, para fazer o que bem entendessem, desde que cumprissem as tarefas.
Quando resolvi deixar de lado o estágio em O&M no último capítulo da prorrogação, para fazer estágio em Marketing, o professor de Marketing não sabia como convocar os alunos. “Faz o seguinte: prega uns cartazes em cartolina mesmo, por onde os alunos passam, com hora e lugar, para uma primeira reunião.” Se deu certo no Congresso da UNE, quando resolvemos convocar os estudantes de Economia, para criarmos a Executiva Nacional de Economia, por que não daria certo em uma faculdade? E o Haroldo, aluno de Economia da UFF, ainda se lembrava de mim, quando se encontrou com o meu primo, no Rio. Eu me lembro de quase todo mundo. Só troquei os nomes. Não sei se a menina que ficou comigo e fazia Engenharia em Goiás era Ângela e a noiva do Renildo Calheiros que levou uma bronca minha na Executiva de Economia, era a Angélica, ou o contrário. Só não lembro do nome da pentelhinha de Alagoas que estudava no Rio, lindíssima, moreníssima, bronzeadíssima no inverno, até com marquinha de biquini que ficou ao meu lado vários dias e ao final, quando todos trocamos endereço, ela me pediu para escrever tudo para ela, num papel à parte e como não o fiz, ela me roubou o caderno e nunca mais nos vimos, por que acabou o congresso E a agenda usurpada, era onde estavam anotados todos os nomes, inclusive o dela.
Ela era uma baixinha lindíssima. Se não fosse tanto, teria ido buscar a agenda. Mas quando me toquei que fiquei sem os contatos, já era tarde. Até o cara que nos deu carona, depois de uma festa em um sítio distante, onde me escondi da Claudia, filha do prefeito do lugar e que era arrogante e pensava que mandava em todo mundo. Um dia, quando acordei, ela estava de pé, me vigiando. Logo comigo? Era muito bonita, mas muito mandona, queria que eu atraísse a baixinha que estava na frente comigo, para a estuprarmos. Terei cara de otário? Ficou tão zangado com o não que resolveu nem dirigir mais o carro. Como eu dirigia um Opala em Manaus, também, algumas pessoas de Manaus que estavam no carro, pediram-me para dirigir. Mas o câmbio, era no volante e eu não sabia como engatar a ré. Não sou desses que dão a ré em qualquer lugar! Acho que ninguém, nem ela, soube por que o cara não queria dirigir.
Seu Clovis dizia sempre que eu era um iconoclasta. Eu nem sabia o que era isso. Tive de me valer do Pai dos Burros.
Quando entrei na Administração e quando fiz pós-graduação, o que mais ouvi, foi como quebrar paradigmas. Pena que não tenha dado tempo de discutir com Seu Clovis, por que ele bateu fofo, quando eu ainda estava no meio da pós. Estava afim de me apresentar, como o “paradigma’s breaker”. Iconoclastia é a pedida para não ficar na mesmice. É a busca de caminhos que sejam um atalho e ao mesmo tempo, não se caia nos mesmos buracos, como se não houvesse outra solução.
Quando o Professor Zé Seráfico – um dos muitos professores que tive que conheciam Seu Clovis, antes de mim - mandou fazer um trabalho sobre alguns municípios dos estados brasileiros, a primeira coisa que fiz, foi convocar as colegas de equipe que tinham celular, para ligarem para as suas casas e mandarem o pessoal – irmãs, filhos, maridos e aderentes - pesquisar no que tivesse. Mapa, internet, livro de Geografia... Mesmo assim, faltou muita coisa para completar a minha missão pessoal. Saí no meio do campus, perguntando se havia alguém de Rondônia. Indicaram logo, uma turma, quase que só de rondonienses. Foi a coisa mais rápida do mundo. Foram tantos municípios que extrapolaram o pedido inicial. Uma amiga minha, reclamou, por que eu usei métodos fora do esquema da sala de aula. “Mas eu disse que não podia se utilizar? É a mania das pessoas acharem que tudo é proibido e acabarem não realizando as coisas.”
Eu acho que sou ótimo para quebrar paradigmas, pelo menos, para sair do esquema, é comigo mesmo.
Dirigir o CAFIS/CAFUA, sem ajuda de ninguém, sem verbas, sem nada, não foi fácil, mas foi um grande aprendizado. Muitas vezes as chapas eram formadas e depois do tempo das eleições, todo mundo tirava o time e uns poucos, tinham de levar adiante. Uns burros de carga que não sei por que, sempre acaba nas minhas costas.
Precisávamos congregar os estudantes. Quem estudava Exatas/Tecnologia, tinha de ficar exclusivamente para o curso. Durante a hora do almoço, muita gente não ia nem em casa. Comia no próprio bandejão e ficava esperando o horário das 14:00 hora, para recomeçar tudo. Então, uns 15 minutos antes do término das aulas próximas ao almoço, saía da sala em que estava e dava uma corrida até a TV Educativa, hoje Cultura, mas só mudaram o nome. Se mudou alguma coisa, foi para pior e muito pior.
Tinha tanto documentário importante estocado, tanto assunto relacionado à Física. Fizemos um acordo e pegávamos toda semana, um assunto. O Laboratório I de Física, ficava lotado. Vinha gente de tudo o que era lugar. Até de fora da universidade. Quando terminava, abria-se a discussão. Discutiam tanto que chegava a hora da aula e não se chegava a uma conclusão. Depois era dar uma outra carreira até a tv, para entregar o filme no prazo. A coisa começou a dar certo e então começaram a não querer liberar mais nada para o curso, não sei por que. Atrasavam a entrega, até que um dia, o ex-marido da minha amiga Margá, um cara que atuou comigo no CAFIS, mas faz questão de ser antipático e tinha pedido re-opção para a Engenharia, e o meu amigo da academia de ginástica, que desde o início da atuação no movimento estudantil, sempre atuamos juntos, ele no CA de Química, começaram a encher a paciência, por causa do atraso do filme. Chamei logo para a porrada lá fora e acho que é por isso que ele achava que eu sempre me metia em confusão. Ainda bem que não saíram, pois eu sou uma pessoa de paz. Aliás, é uma palavra em voga atualmente. De novo! Não vê a Colômbia cheia de problemas, sem pelo menos a sinalização de se conversar para haver alguma mudança, mas está todo mundo querendo paz! É lindo! Paz seria o contrário de quebrar paradigma? Fica tudo como está e ninguém fala mais nisso. Faz de conta que não tem problema, até que eles reapareçam com mais força. Mas queira Deus, já não estejamos por aqui.
Vejamos o que a gráfica da UFAM poderia fazer para resolver a falta de estrutura, a falta de pessoal e até de material.
A gráfica é da Universidade do Amazonas, certo? A UFAM tem o curso de Comunicação, entre tantas faculdades, onde tem propaganda e publicidade, certo? Por que não se utilizar esse pessoal, alunos e professores, para realizarem um trabalho de divulgação desses títulos?
A UFAM tem a FESES - Faculdade de Estudos Sociais -, justamente onde esse professor ministra o Curso de Economia. E ao lado, tem o Curso de Administração. Dentre tantas matérias, tem Marketing – acho que até hoje se chama Mercadologia - e Logística. Será que existem laboratórios dos cursos? Não seria um grande trabalho, para os alunos, fazerem um estudo de Marketing, para levar para fora dos muros acadêmicos, a produção da gráfica universitária que desde quando entrei na universidade tem os mesmos problemas? Parece doença crônica que vem no código genético. E sobretudo, seria uma grande oportunidade para se ver a questão da interdisciplinaridade tão bonito quando se fala, mas pouco utilizado.
Já pensou no pessoal da Administração fazer o projeto, estudar o mercado, a distribuição, o pessoal da Economia contribuir para ver até quando se poderia atender a demanda, no caso de uma grande procura. Até onde, a gráfica poderia atender, no caso de uma demanda crescente? E mandar para os humanóides, a questão da divulgação? Quem, como e onde distribuir, isso é logística. Onde há gargalo e como se pode acabar com eles, para o Planejamento de Marketing não ficar só na propaganda, e na hora da distribuição, decepcionar o cliente? Já pensou a universidade quebrando, ela mesmo que ensina tão bem sobre os paradigmas? E assim, saindo daquele ambiente hermético, disseminando conhecimentos e discussão para muita gente? Disseminando a discussão e até formas de pensar o país, o mundo e a Amazônia, de forma diferente do que nos empurram goela abaixo?
Eu, falei para ele utilizar o YouTube, a internet, para divulgar o trabalho. E por que não? Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amar valerá. Já zumbia a Gal Costa nos tímpanos da gente, com aquela voz... Digamos assim, muito aguda, para não dizer coisa pior.
Vamos integrar os discursos à prática. Pelo menos na universidade.
Ontem também assisti a reitora da UEA, discursando sobre a “realidade” amazônica. Como discurso, daria um Nobel da Paz. Com prática, não seria aceito nem para o Nobel de Economia.
Depois, vêm com esse papo de quebrar paradigma. Se as próprias instituições são as primeiras a levarem formas arcaicas de ver o mundo, para dentro das cabeças de quem vai sair, para divulgar o que ensinam.
Por que não se discute a relação Parque Industrial de Manaus? O quanto fica de benefício para a região, qual a porcentagem de pessoal local aproveitado nas indústrias, qual a produção e proporção deles no chão de fábrica, na supervisão e até nas diretorias? E o porque a distribuição se dá assim? Por que ainda hoje, se vai buscar profissionais fora da região? Por que profissionais são contratos e permanecem nas fábricas até completarem 9 anos, 11 meses e 29 dias? E o que fazer para que o Programa Amazônia Sustentável não repita os mesmo erros e faça com que quem está estabelecido na região seja contemplado com o desenvolvimento e não se o alije do processo, quando se descobre um filão novo? Tudo isso é quebra de paradigma.
Parece que discursar é mais bonito do que quebrar os paradigmas de verdade.
No máximo, tem faculdade repetindo o discurso do pessoal do PIM. Fazendo as grades curriculares como eles querem e mesmo assim, não atendendo a demanda quando passa do posto de supervisão para cima. Será só problema de logística, visto que tem gente bastante com capacidade para atuar no mercado, ou algo mais? E depois, bateu eleição, tudo o que é político sustenta a defesa da Zona Franca, como se estivesse ameaçada pelo pessoal de fora, quando a grande questão a resolver, é aqui dentro.
Realmente, um dos grandes problemas nacionais, é quebrar paradigmas. Mas a grande mudança mesmo, vai se dar, quando deixar de ser discurso e virar prática diária. Senão vai se ficar como o meu professor de Filosofia, no Curso de Economia que falava sobre as discussões sobre Deus e depois no final da aula, ficava conversando que ia à igreja com a mãe. “Vem cá, como tu falas tudo isso em sala de aula e ainda acreditas em Deus?” “Virou costume.”
Repetir os mesmos erros, cumprir horário, sem mudar nada de lugar, manter tudo como está, mesmo se sabendo que tem de haver alguma mudança, parece que dá mais visibilidade, do que pensar algo diferente. Além de doer, quem quebra paradigmas, tem de ter tanta resistência quanto um corredor de 1400 metros com barreiras. Pois as barreiras são muitas. De todos os lados.
É preciso quebrar também esse paradigma, do “bom profissional”, ser aquele que mantém as regras, mesmo quando elas se verificam ultrapassadas.
E o nosso Joachim Johan Peter de Oliveira e Silva, um nobre representante do povo alemão, foi querer quebrar paradigmas, acabou quebrando a empresa e por fim, a própria cara. Ninguém queria mudar. Nem se fosse para melhor. É melhor cantar: “A gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando essa vida.”, do que cantar: “A vira virou, meu coração navegador. A vira virou, essa galera...”

Nenhum comentário:

OBSERVADORES DE PLANTÃO