sábado, 27 de dezembro de 2014

NÃO DEIXE!

Quando se está doente, é um momento de extrema fragilidade e é aí que muito filho da puta se aproveita.
Uma vez a Tia Izaura estava na UTI de um hospital cardíaco e fui visitá-la. Estávamos eu, a Fafá que já foi desta para pior e não sei se outros parentes. De outros pacientes, mais gente, só que ninguém podia entrar. Todo mundo esperando a boa vontade. Só podia entrar de dois em dois parentes de cada doente, uma burocracia danada, era preciso passar por um banho de vento, colocar uma bata, de repente ninguém entrava, mas um pessoal chegava e já estava dentro. Perguntei quem eram.
- Ah, são os irmãos levando conforto!
- Irmão é o cacete. Conforto é uma merda. Estão querendo se valer do momento de fragilidade para pegar otário para as igrejas deles. Eu vou entrar, não quero nem saber. Tira já esses espertalhões e deixa já o pessoal que é parente entrar. Que porra é essa? Nós não podemos, vêm uns cretinos e passam na frente de todo mundo?
É assim que pegam otários. Quando os mulçumanos cortam cabeças de cristãos, é perseguição, agora quando eles fazem esse tipo de joguinho de favorecer esses bandidos, privilegiar esse idiotas que chamam de irmãos, aí é divino. Deixa os mulçumanos baixarem a guarda para os cristãos para ver como vão se foder de verde amarelo, grená e roxo.
Quando judeu e cristão está chorando perseguição, pode crer que eles querem é lascar os cornos dos outros.
Esse pessoal religioso se faz de coitadinho, mas é tudo um bando de filho da puta. Valer-se de um momento desses, para fazer “cordeiros”, pode ser até um ato de fé, lá no Além, mas aqui, é um ato rasteiro e amoral da porra. Vigaristas!
É que nem aqueles grupos como os Médicos da Alegria. Pelo o amor de Deus, não permitam que encham meu saco, se eu estiver doente em um hospital. Um pessoal ridículo, sem graça, umas gracinhas idiotas. Os caras só fazem essas merdas, para lustrarem o seu ego, para aparecerem.  Eu acredito tanto em filantropia, quanto acredito em Coelhinho da Páscoa, em Duende da Sorte, em Papai Noel.  
A única vez que eu gostei de um grupo desses, foi quando fui colocar combustível no carro e eles estavam vendendo uns cartões. Entre eles, havia uma garota linda, linda, linda
 Pedi um beijo, ela estava com medo de ser punida, comprei uns cartões e mandei ela me entregar dentro do carro, com o corpo dentro da janela do motorista. Foi um beijo prolongado e no cartão, lógico, o número de telefone, o nome e o endereço. Mas de resto, eu dispenso esse pessoal. Tocam mal, cantam pior, umas músicas de merda, umas piadinhas que eu prefiro rir sozinho. Não deixem entrar no meu quarto, por favor.
Quando eu estou hospitalizado, eu quero ficar sozinho. Já acho um saco não poder fazer o que eu quero, além de ter regras como se fosse criancinha.
Seu Clóvis não suportava ficar em hospital também. Um vez, ele ficou um, dois, três dias, pedia para darem alta, nada, mais tarde, amanhã, então ele saiu de pijama e pegou um táxi e foi para casa. Depois os médicos telefonavam que alguém teria de se responsabilizar pela alta dele.
- Eu me responsabilizo, está bom!
Ele achava que não tinha nada, só queriam cobrar a hospedagem. Quando ele pedia para darem alta, era melhor dar, senão ele fugia e não tinha quem o fizesse voltar.  
Só me lembro de quando tive problema com cálculo renal e fiquei hospitalizado um dia inteiro, ia para a operação, fui salvo pelo gongo, a pedra saiu quando eu já estava preparado para entrar na faca, fui urinar, pronto, o raio-X comprovou que estava livre, mas tive de ficar lá assim mesmo. Estava tudo bem, o ar-condicionado no jeito, um sol lá fora, passei o dia lendo, até que Dona Therezinha mandou Dona Themis me fazer companhia. Ela me fez foi raiva. Pedi à Dona Therezinha para tirá-la dali. Chata para caralho, eu estava muito bem. E num hospital, tem enfermeira, médico, auxiliar de enfermagem, tanta gente, vai uma pessoa para, ao invés de ficar comportada, querer impor suas ideias. Negócio de companhia, eu sei me virar sozinho. Não permitam que Dona Themis me faça companhia, nem se eu estiver morrendo.
Nessa onda de querer impor sua ideologia nessas horas, é que Dona Therezinha fez merda.
Nós pegamos um tifo que quase nos tifo de. Ninguém descobria o que era, e nós definhando, até que o Doutor Dourado mandou que nos levassem lá no Hospital Tropical de Manaus, com ele. Fomos carregados, mas ele descobriu, era tifo. Tifo deu! Mas nesse ínterim, Dona Therezinha apelou para um macumbeiro. Ela disse que ele iria fazer uma prática de medicina tradicional. Eu acreditei, Dona Themis que acredita até em Papai Noel, recusou. Ele disse que eu iria sentir o pano sugando a energia, essas coisas todas. Passei o dia, desde manhã, até a noite, com a porra de um pano enrolado no pulso. Eu sentia uma dor do cacete, mas eu acreditei que estava fazendo efeito. Quando tirei a merda do pano, era alho no meu pulso. Estava com uma bolha de queimadura, enorme. Até hoje tenho a marca no pulso direito. É se valer de um momento de fragilidade, para querer fazer os outros acreditarem em estupidez.  Dona Therezinha não aceita que eu não seja carola. Como uma vez numa festa de 25 anos de casamento de um casal amigo da família, o padre da Nossa Senhora de Nazaré sentou ao meu lado e perguntou quem era, falou que era o filho dela e ele falou que conhecia as filhas, mas nem sabia que tinha filho.
- Nunca vi esse moço por aqui.
E se depender de mim, não vai ver nunca. E ela virou para o casal e disse.
- Eu fico com a maior vergonha desse cara com essa mania de ser ateu.
Eu é que ficaria com vergonha de dizer que acredito em Deuses.
Imagina se eu iria acreditar em Deus, no Diabo, porque um cara praticou uma medida de cultura popular e dera certo. E ainda deu errado. Um bando de filho da puta. Era uma dor que parecia que estava entrando uma agulha no meio do meu pulso. Agora, nem se for medicina tradicional, vou querer saber se não tem nenhum vínculo com religião que só serve para foder o mundo.
Agora, se eu estiver em plena consciência, não deixo mais Dona Therezinha levar uns vigaristas desses. E se não estiver em plena consciência, não deixem que se eu souber, vou ficar muito puto.
Mas tem gente que nas horas de fragilidade são presas fáceis desses cretinos e fica a vida inteira, achando que são a solução para todos os males do mundo.
Quando eu estiver morrendo, já disse, chamem os médicos de órgãos. Eu quero doar tudo, pele, fígado, rins, coração, ossos, se sobrar alguma coisa, joguem no ácido e pronto. Nada de cremar, porque ainda fode o meio ambiente, com mais uma idiotice religiosa.
Mas eu tenho certeza que Dona Therezinha é capaz de chamar um padre para dar extrema-unção. Eu não quero. Não acredito em vida depois da morte, senão não se chamaria morte, apenas uma mudança e não existe porra nenhuma dessas.  Se não estiver nas minhas funções cerebrais normais, não deixem padre, pastor, rabino, chamem o médico, o agente funerário, não adianta que se eu pedir esses vigaristas, incluindo os grupos de Doutores da Alegria e congêneres, que são uns caras que ao invés de darem alento e/ou solução, só enchem a paciência do paciente, ainda mais se for eu, pode crer que eu estou delirando.
 De vigaristas eu já estou cheio. Não basta a Venina se fazer de vítima, a Rosane Malta que foi Collour querer ser santa, depois que são enganadas, aí falam mal de uma situação da qual faziam parte, não basta o José Melo que está reclamando que vai pegar um governo sem dinheiro, falando mal de seu antecessor, adivinha quem foi, ele mesmo, mas tenta passar a imagem que se tem de ter pena, dele ser incompetente e só saber desviar dinheiro, junto com irmão, não é de hoje.

E pode ver, todos esse vigaristas acreditam em Deus! Mas acreditam que são tão espertos que até enganam a Onisciência do Senhor. E ficam fazendo essas jogadas aéticas.

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