Quando se está doente, é um momento
de extrema fragilidade e é aí que muito filho da puta se aproveita.
Uma vez a Tia Izaura estava na UTI
de um hospital cardíaco e fui visitá-la. Estávamos eu, a Fafá que já foi desta
para pior e não sei se outros parentes. De outros pacientes, mais gente, só que
ninguém podia entrar. Todo mundo esperando a boa vontade. Só podia entrar de dois
em dois parentes de cada doente, uma burocracia danada, era preciso passar por
um banho de vento, colocar uma bata, de repente ninguém entrava, mas um pessoal
chegava e já estava dentro. Perguntei quem eram.
- Ah, são os irmãos levando
conforto!
- Irmão é o cacete. Conforto é uma
merda. Estão querendo se valer do momento de fragilidade para pegar otário para
as igrejas deles. Eu vou entrar, não quero nem saber. Tira já esses
espertalhões e deixa já o pessoal que é parente entrar. Que porra é essa? Nós
não podemos, vêm uns cretinos e passam na frente de todo mundo?
É assim que pegam otários. Quando os
mulçumanos cortam cabeças de cristãos, é perseguição, agora quando eles fazem
esse tipo de joguinho de favorecer esses bandidos, privilegiar esse idiotas que
chamam de irmãos, aí é divino. Deixa os mulçumanos baixarem a guarda para os
cristãos para ver como vão se foder de verde amarelo, grená e roxo.
Quando judeu e cristão está chorando
perseguição, pode crer que eles querem é lascar os cornos dos outros.
Esse pessoal religioso se faz de
coitadinho, mas é tudo um bando de filho da puta. Valer-se de um momento
desses, para fazer “cordeiros”, pode ser até um ato de fé, lá no Além, mas
aqui, é um ato rasteiro e amoral da porra. Vigaristas!
É que nem aqueles grupos como os
Médicos da Alegria. Pelo o amor de Deus, não permitam que encham meu saco, se
eu estiver doente em um hospital. Um pessoal ridículo, sem graça, umas
gracinhas idiotas. Os caras só fazem essas merdas, para lustrarem o seu ego,
para aparecerem. Eu acredito tanto em
filantropia, quanto acredito em Coelhinho da Páscoa, em Duende da Sorte, em
Papai Noel.
A única vez que eu gostei de um
grupo desses, foi quando fui colocar combustível no carro e eles estavam vendendo
uns cartões. Entre eles, havia uma garota linda, linda, linda
Pedi um beijo, ela estava com medo de ser
punida, comprei uns cartões e mandei ela me entregar dentro do carro, com o
corpo dentro da janela do motorista. Foi um beijo prolongado e no cartão,
lógico, o número de telefone, o nome e o endereço. Mas de resto, eu dispenso
esse pessoal. Tocam mal, cantam pior, umas músicas de merda, umas piadinhas que
eu prefiro rir sozinho. Não deixem entrar no meu quarto, por favor.
Quando eu estou hospitalizado, eu
quero ficar sozinho. Já acho um saco não poder fazer o que eu quero, além de ter
regras como se fosse criancinha.
Seu Clóvis não suportava ficar em
hospital também. Um vez, ele ficou um, dois, três dias, pedia para darem alta,
nada, mais tarde, amanhã, então ele saiu de pijama e pegou um táxi e foi para
casa. Depois os médicos telefonavam que alguém teria de se responsabilizar pela
alta dele.
- Eu me responsabilizo, está bom!
Ele achava que não tinha nada, só
queriam cobrar a hospedagem. Quando ele pedia para darem alta, era melhor dar,
senão ele fugia e não tinha quem o fizesse voltar.
Só me lembro de quando tive problema
com cálculo renal e fiquei hospitalizado um dia inteiro, ia para a operação,
fui salvo pelo gongo, a pedra saiu quando eu já estava preparado para entrar na
faca, fui urinar, pronto, o raio-X comprovou que estava livre, mas tive de
ficar lá assim mesmo. Estava tudo bem, o ar-condicionado no jeito, um sol lá
fora, passei o dia lendo, até que Dona Therezinha mandou Dona Themis me fazer
companhia. Ela me fez foi raiva. Pedi à Dona Therezinha para tirá-la dali.
Chata para caralho, eu estava muito bem. E num hospital, tem enfermeira,
médico, auxiliar de enfermagem, tanta gente, vai uma pessoa para, ao invés de
ficar comportada, querer impor suas ideias. Negócio de companhia, eu sei me
virar sozinho. Não permitam que Dona Themis me faça companhia, nem se eu
estiver morrendo.
Nessa onda de querer impor sua
ideologia nessas horas, é que Dona Therezinha fez merda.
Nós pegamos um tifo que quase nos
tifo de. Ninguém descobria o que era, e nós definhando, até que o Doutor
Dourado mandou que nos levassem lá no Hospital Tropical de Manaus, com ele.
Fomos carregados, mas ele descobriu, era tifo. Tifo deu! Mas nesse ínterim,
Dona Therezinha apelou para um macumbeiro. Ela disse que ele iria fazer uma
prática de medicina tradicional. Eu acreditei, Dona Themis que acredita até em
Papai Noel, recusou. Ele disse que eu iria sentir o pano sugando a energia,
essas coisas todas. Passei o dia, desde manhã, até a noite, com a porra de um
pano enrolado no pulso. Eu sentia uma dor do cacete, mas eu acreditei que
estava fazendo efeito. Quando tirei a merda do pano, era alho no meu pulso.
Estava com uma bolha de queimadura, enorme. Até hoje tenho a marca no pulso
direito. É se valer de um momento de fragilidade, para querer fazer os outros
acreditarem em estupidez. Dona
Therezinha não aceita que eu não seja carola. Como uma vez numa festa de 25
anos de casamento de um casal amigo da família, o padre da Nossa Senhora de
Nazaré sentou ao meu lado e perguntou quem era, falou que era o filho dela e
ele falou que conhecia as filhas, mas nem sabia que tinha filho.
- Nunca vi esse moço por aqui.
E se depender de mim, não vai ver
nunca. E ela virou para o casal e disse.
- Eu fico com a maior vergonha desse
cara com essa mania de ser ateu.
Eu é que ficaria com vergonha de
dizer que acredito em Deuses.
Imagina se eu iria acreditar em
Deus, no Diabo, porque um cara praticou uma medida de cultura popular e dera
certo. E ainda deu errado. Um bando de filho da puta. Era uma dor que parecia
que estava entrando uma agulha no meio do meu pulso. Agora, nem se for medicina
tradicional, vou querer saber se não tem nenhum vínculo com religião que só
serve para foder o mundo.
Agora, se eu estiver em plena consciência,
não deixo mais Dona Therezinha levar uns vigaristas desses. E se não estiver em
plena consciência, não deixem que se eu souber, vou ficar muito puto.
Mas tem gente que nas horas de
fragilidade são presas fáceis desses cretinos e fica a vida inteira, achando
que são a solução para todos os males do mundo.
Quando eu estiver morrendo, já
disse, chamem os médicos de órgãos. Eu quero doar tudo, pele, fígado, rins,
coração, ossos, se sobrar alguma coisa, joguem no ácido e pronto. Nada de
cremar, porque ainda fode o meio ambiente, com mais uma idiotice religiosa.
Mas eu tenho certeza que Dona Therezinha
é capaz de chamar um padre para dar extrema-unção. Eu não quero. Não acredito
em vida depois da morte, senão não se chamaria morte, apenas uma mudança e não
existe porra nenhuma dessas. Se não
estiver nas minhas funções cerebrais normais, não deixem padre, pastor, rabino,
chamem o médico, o agente funerário, não adianta que se eu pedir esses
vigaristas, incluindo os grupos de Doutores da Alegria e congêneres, que são
uns caras que ao invés de darem alento e/ou solução, só enchem a paciência do
paciente, ainda mais se for eu, pode crer que eu estou delirando.
De vigaristas eu já estou cheio. Não basta a
Venina se fazer de vítima, a Rosane Malta que foi Collour querer ser santa,
depois que são enganadas, aí falam mal de uma situação da qual faziam parte,
não basta o José Melo que está reclamando que vai pegar um governo sem
dinheiro, falando mal de seu antecessor, adivinha quem foi, ele mesmo, mas
tenta passar a imagem que se tem de ter pena, dele ser incompetente e só saber
desviar dinheiro, junto com irmão, não é de hoje.
E pode ver, todos esse vigaristas
acreditam em Deus! Mas acreditam que são tão espertos que até enganam a
Onisciência do Senhor. E ficam fazendo essas jogadas aéticas.
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