Esta é a história de vida de Alfridum.
Melhor dizer, história de morte.
Diz a lenda que o avô materno se chamava
Alfredo e a avó paterna se chamava Frida, então a criatividade uniu os nomes e
deu em Alfridum. E os brasileiros metidos a muita coisa, muitas vezes sem nada
a construir, são os primeiros a virar os beiços por causa de nomes assim.
Tempo desses, o Tom Zé, o cara que me
parou numa casa de show em Salvador,
bateu um longo papo, ele, a acompanhante que acho, é a companheira e eu,
perguntando onde eu estava, quando havia voltado, se havia resolvido morar em
Salvador, eu sem saber o que dizer, só balançava a cabeça e o motorista da van que estava contratado para o nosso
deslocamento, estacionou lá na casa do caralho, uma ladeira do cacete e estava
com TPM, buzinava, buzinando de todo jeito, quando finalmente me livrei do
compositor, dei uma corridinha, do nível do mar, até o nível daquelas ladeiras
da Bahia, quase de madrugada, tive uma distensão filha da puta. E olha que ele
estava de paletó, chique, chegando, acho que ainda não tinha nem queimado um
mato ainda, mas já estava doidão. O Tom Zé, para quem não conhece é o autor da
capa do disco que a Censura Federal, no tempo da Ditadura não entendeu e deixou
passar, o título, com a foto, do Olho. Depois é que se soube, era o olho do cu,
mas já haviam comprado, nçao dava para recolher de quem havia consumido.
Colocaram uma bolinha de gude no toba e bateram a foto, ficou um negócio de um
olho arregalado, sem cílios.
Mas ele dizia tempo desses que no tempo
dos grandes festivais - da Gazeta, Record, Tupi, Excelsior, essas redes de
televisão que a Ditadura faliu para favorecer à Globo -, junto com a Rita Lee, compões
uma música sertaneja. E eu ouvi, para mim, muito boa, com variações melódicas,
com bemóis e sustenidos e acidentes que não deixam ser essa toada que está
tudo, hoje, uma ladainha do início ao fim, com umas frases curtas e repetitivas
que dá no saco. Então havia o voto
popular que no Brasil se confunde muito com porcaria, com falta de qualidade e de
qualificação e o voto do júri técnico. Pois o júri popular virou o nariz, por
ser sertanejo, antigamente, antes dessas duplas de viados com cornos, de Zezé e
Lulu, Lalá e Didi, essas bostas que são um arremedo de Country Music, mas os lesos pensam que é sertanejo e ainda tem uns
que dizem que é de Raiz, ou seja, algo como batata podre, ou macaxeira colocada
até a garganta, sem gel lubrificante. Eu um dia, ainda vou entender o
significado de Samba de Raiz, um pagode de merda, Forró de Raiz, ou seja, uma
bosta, uma letra ridícula, uma musiquinha escrota, Sertanejo de Raiz, é aquele
Daniel que tem uma voz que parece que os colhões sobem para a goela, demagogo
que parece político safado em campanha, ou a Paula Fernandes que também tem uma
voz de bosta, que apareceu, porque inventaram que estava namorando o Roberto
Carlos e agora, é a Sertaneja Sexy, coisas que não interferem em nada com a
música em si, mas vendem que é uma delícia. Os populares que votaram contra a
música sertaneja do Tom Zé, acharam que era tosco, por ser brasileiro e popular
naquele tempo. Já o júri técnico, deu as melhores notas, por ser boa mesmo.
Venceu outra, talvez, quem sabe uma daquelas musiquinhas para velha desesperada
e homem enrustido, de: JESUS CRISTO EU ESTOU AQUI, ou, EU VOU SUBIR, O CORCOVADO E DEPOIS EU VOU
DESCER, ou, EU QUERO TER UM MILHÇÃO DE AMIGOS E PLAGIAR A TODOS ELES.
Nós temos isso de revirar o nariz para o
que é nacional de verdade e achar lindo, o que é mascarado de nacionalizado,
termo que existia na Economia antigamente, mas agora acabou, tudo é nacional. A
Philco, a Sharp, a Hiundai, a Perrier, tudo nacional. E eu sou
internacionalista. Só para ser do contra.
Pois acontece com esses nomes inventados
no Brasil. Os elitistas acham um acinte, a inteligência nacional, preferem mesmo,
a esperteza. Mas quando nos EUA pegam qualquer nome e colocam o Son – Fredson,
Raimundson, Chico Rolason, Zé Bucetason – até imitam, importam os nomes para
seus filhos. Ou quando fazem o mesmo nos países nórdicos, qualquer nome,
colocam SSEN, ou SUM – Manézãosun, Roscofessen, Chupa Rolasun, Daou Khulssen –
pronto, é lindo. Tem nome que até significam uma bosta, mas acha que é lindo. With D Ass To D Moon, Son Of Bitchson e
o cara acha que é lindo. Mas no Brasil, talvez por nosso velho complexo de
vira-lata, não pode, nem os cartórios registram mais, nomes que possam fazer os
donos tenham vergonha no futuro, ou seja, estamos criando gente sem
personalidade que por qualquer tolice, tem traumas e acha que praticam bullying contra.. Uma gente vazia que ao
invés de enfrentar a realidade, pensam que superprotegendo, fá-los-ão livres do
mundo eral. Se eu tiver um filho, acho meio difícil, já chegando aos 55 anos,
ainda usando camisinha e tirando na hora do clímax do coito para não ter
problema de camisinha furada, para depois usar fraldinha, ou ter de tomar
coquetel de remédio para todo o sempre, mas digamos, que por milagre, venham os
filhos de MacGyver, depois dos três garotos mais lindos de papai: Asdrúbal, Abigobalda
e Astolpho Dido, o quarto se vier, vai se chamar Thevissen, ou Thevisun, ou
Thevison. Já pensou? Vão achar lindo! Por acreditarem que é um nome
estrangeiro. E não me chamem de Thévis, é Thêvis, porra! Já falei de Therezinha
e Clóvis, que criatividade, meus pais não tinham como mostrar sua arte de fazer
merda, inventaram meu nome, chamavam de anagrama, hoje chamam de vergonha,
ninguém pode lidar com um nome estranho desses. Seria Clóter, mas diz a lenda
que o Clóter que conheciam, era uma bicha louca, ficaram com medo que o nome
influenciasse a sexualidade do garoto e acabou sendo Thevis mesmo macho, não um
manco do caralho, mas macho. Eu deixo o caralho para os outros que gostam
disso. Ah, mas existe sim, Thevis, antes de mim. Pesquisei, Seu Clóvis diz que
um cliente que recebeu, há muito, era Thevis também e na minha pesquisa, o
Thevis nos EUA, era o rei da pornografia, da putaria, lógico, nada a ver comigo
que sou um moço de família, quase virgem!
Sabe como é brasileiro, meus pais são
brasileiros, mesmo que tenham descendência de todo o mundo, não é bem uma
miscigenação, mas um puteiro pessoal, todo mundo aceita a viadagem, desde que
seja dos filhos dos outros. Ninguém é racista, desde que a filha não queira namorar
um negão, e tem quem diga que não é por questões racistas, mas por pena mesmo
da garota. Imaginam logo um haitiano com medidas astronômicas no falo, digamos
assim, um membro sexual do caralho e sempre acham a que a filha de casa tem uma
bucetinha e um cuzinho que não aguentam engolir tudo isso, a primeira imagem
que vem às suas cabeças, é que a pobre moçoila vai se estrepar toda se engolir
a banana pacovã do negão. E hoje, quando os relacionamentos já começam com data
de validade muito curta, pensam se a garota se estronchar na piroca do negão,
depois quiser casar de novo, nem todo mundo é avantajado, vai que se apaixona
por um japonês, um francês, um argentino, só vai ter problemas, vai ter de
fazer períneo até na goela, vai ser um problema danado. E sempre a filha de
casa, é sempre a coitadinha, a filha dos outros, é sempre uma puta que todo
mundo quer “comer”, mesmo adolescente.
BIOGRAFIA
Alfridum era um jovem como tantos outros
que ao nascerem, enfiaram-nos logo numa pia batismal, ou num lago, rio, mar
poluído, com o nariz para cima o que chamam de batismo e eu chamo de sacanagem.
Sai todo mundo com sinusite, micose até nos esfíncteres, mas é como se querendo
dizer que Deus é grande, podem colocar as pessoas na merda que não serão
contaminadas. E os lesos nem se posicionam, porque o batismo tem de ser sempre
em águas poluídas. Quando João Baptista o maconheiro da Mitologia Cristã,
batizou o primo a quem já empurrava de jeito e o primo mais velho dizia que
veio para abrir os caminhos do primo mais famoso, algo assim com se fosse o
Caboco Abre Ruas daqueles tempos, as águas eram límpidas. Poluíram depois. João
Baptista e Jesus, eram porcos, uns sujismundos conhecidos, mas diziam que eram
nazarenos, todo mundo aceitava tudo, para não ir contra o divino, aguentava-se
aquela catinga entranhada nas narinas, uns dedos com frieiras que fediam mais
do que armazém de balata, pensando que era por bem. Era sujeira mesmo. Diz a
lenda que o Rio Jordão era cheio de vida, água tão límpida que mesmo no meio do
Rio, o fundo bem profundo, se alguém passasse de helicóptero há uns 5 mil pés
de altura, dava para ver peixes e outros seres vivos, no fundo, lá embaixo, sem
problema algum. Quando João Baptista meteu o pé, depois entrou Jesus para o
batismo, turvou tudo, os peixinhos subiram para fora do fio d’ água, pensavam
que estavam mandando beijinhos, não, era procurando oxigênio mesmo. Hoje, está
tudo sem vida, falta total de oxigenação. Pode cheirar que ainda tem o fedor de
frieira, de cu mal lavado. Desde então, até o mar do Oriente Médio ficou conhecido
como Mar Morto, Mar Vermelho, ou seja, federam tudo, uma sujeira escrota do
caralho. Até hoje, dizem que se sente a presença de Jesus por onde Ele passou.
Imagina, deve ser um fedor danado, eu é que vou fazer turismo religioso? Se as
agencias desse tipo de turismo, dependerem de mim, podem esperar sentado, que
eu não vou, nem com reza braba.
Dizem que a Pequena Sereia perguntou ao
Príncipe do Lago, depois que João Baptista perdeu a cabeça pela Salomé.
- Cagaram?
- Não, é um momento histórico. O primeiro
batismo cristão!
- Deus nos livre! Dois batizados desses, o
mundo vira um deserto completo, sem vida. Vou tomar um banho, para tirar essa
inhaca do corpo.
Então a pobre criança Alfridum, desde
então, viveu pensando que a vida é moleza, é só acreditava em Deus e que é só
orar, fazer promessa, nem se precisa ter responsabilidade. Tudo Deus proverá.
E Alfridum, até na hora da morte, cria
piamente – não, não é de pia, é de pio, aquele pessoal besta que acredita no
que não tem como se justificar. Não me faça como o Zacarias que hoje é
professor de Exatas e quando estudante, já era boçal, imagina hoje no Curso de
Matemática da UFAM. O professor Manu, falando em mono, bi, pluri, de repente
falou que era trivial, o aluno, à época, perguntou se era algo que significava
três.Trivial – que a vida era a outra, post-mortem.
É mano, hoje, quando os pais incentivam os filhos a serem mais espertos ainda,
onde tudo é na lei do menor esforço, o cara faz um Supletivo na vida, depois
entra numa “falcudade” dessas, onde só ensinam a dar discursos chulos e se acha
que se vai viver indefinidamente assim, com um papo insignificante e sem
resolver nada, faz como um garoto do Governo do Amazonas que veio justificar
uma balsa construída para ver o Encontro das Águas, que segundo dizem, só por
isso, vai atrair turistas, vai aumentar o fluxo turístico como nunca. Mas ele
justificava a tal balsa, pensando que só ele é inteligente, quando é apenas
esperto.
- O Governo com esta medida, está
preservando a floresta, colaborando com a sustentabilidade...
Égua mano velho, pensemos de verdade. O
que tem o cu com as calças? Ou será que ele que deve ter estudado nessas Nilton
Lins, Unip, UniNorte, pensa que é mais esperto do que todo mundo? Uma balsa
influencia na sustentabilidade da floresta? Égua! Mas os outros começam a
repetir a mesma tolice e pega. É assim que Deus sobreviveu ate hoje. E são
esses pais que não deixam os filhos amadurecerem, que não deixam os filhos
fazerem o serviço militar, mesmo achando as Forças Armadas lindas e
maravilhosas, que depois querem que o mundo seja maravilhoso para os filhos,
quando, muitas vezes, são esses filhos que crescem acreditando que tudo tem de
lhes pertencer, de qualquer maneira. Vivem se esquivando das barreiras,
querendo sempre vencer pelos atalhos da vida, que depois, acham que o mundo foi
feito só para si e todos têm de deixar fazerem o que bem entendem, senão, eles
acabam, liquidam de qualquer maneira e acham que os filhos dos outros é que são
má companhia.
Aliás, a Acácia que cria o filho, uns
garoto de uns 14 anos, mais alto do que eu, um negão forte do cacete que se der
uma mãozada em alguém quebra não só os dentes como o maxilar e cria problema
para microcirurgião otorrinolaringologista danado, como se fosse uma menininha indefesa.
O rapagão estuda num colégio há uns 100 metros de casa, mas só pode ir e vir,
de carro. Têm medo que seja sequestrado, que seja abusado sexualmente, que
queiram estuprá-lo. Imagina o cara tendo tesão pelo garoto, pesado, grande,
macho, nem com tara de décadas. Têm medo que ele não saiba se defender deste
mundo maldoso. Só de tamanho do pezinho de Ciderela, o garotinho já calça sandália
aberta, uns 48 bico chato. Ela diz mesmo.
- Medo de fazerem mal ao meu filhinho!
Mal é as pessoas viverem numa redoma. É só
ensinar a ele se defender com chutes. Se pega, aleija qualquer um. O mundo está
violento? Para mim, existem duas maneiras de enfrentar isso. Uma é colocando
cerca-elétrica, vivendo em condomínios fechados, blindando os carros, andando
com guardas-costas para onde for, o que, nem sendo bilionário, com tantos
gastos crescentes, dá para sobreviver; outra é tentar diminuir tantos cercas
que nos dividem, como prenunciava o Pensamento Liberal, onde ninguém pode
confiar no próximo, a não ser, para obter vantagens pessoais, e se partir para discutir
coletivamente, como deixar pessoas mais integradas ao meio, pessoas mais
comprometidas, pessoas mais próximas de todas e de si, que por ora e por
ideologia se apartam e mudarmos isso, para nos portarmos realmente, como
cidadãs, que ao invés de ver o mundo só por seu lado, ter uma visão mais holística
de que o que acontece na esquina, se não houver intervenção para melhor, vai
começar a chegar na porta de casa, na cozinha, até na hora de se cagar. Até do
vigilante que se paga para nos proteger, vamos começar a duvidar se ele não é
quem realmente quer nos fazer mal. É uma questão de escolha, integrar, e se
integrar ao mundo e todo mundo, ou segregar, inclusive a si do que se pode
aproveitar da vida.
Alfridum acreditava tanto em Deus, pelo
menos dizia, orava tanto, mais essa pieguice, ou estupidez do ser não se
convertia em melhoras para ele, vivia nas igrejas, mas vivia fodido, doente,
uma vida de merda, mas ele dizia que Deus o estava testando. Ora bolas, então é
melhor ser ateu, logo de cara. Deus não testa, se a gente fica doente, é por
questão natural, se o cara se fode, não é Deus querendo saber até onde vai a
fé, é putaria da vida mesmo. Imagina, eu todo santinho, fazendo tudo o que o
Senhor manda, com o pau duro, mas prefiro sublimar para não pecar e Deus
sacaneando, o tempo todo, quanto mais eu me mostro fiel, mas me lasco Deus
sacaneia, eu sigo as regras, Deus testando, ora bola, já teria chamado Deus
para uma conversa homem a homem e mandá-Lo-ia tomar no cu se acreditasse nessas
idiotices de verdade.
- Porra caralho, parece serviço público?
Quem mais trabalha, mais dão trabalho, quem mais segue as regras, mas tem de
ser testado, os outros, parece que se dão bem melhor, quem vive só fazendo
conchavo, coçando o saco, não faz nada, é que é visto como o cara, porque o
outro faz por todos? O que o Senhor quer da vida mesmo? Decide homem de Deus!
Vá tomar no Kurtz porra!
Alfridum morreu virgem, novo, brocha, com
pneumonia, sem dentes, micose por todo o corpo, doença para dar e vender, mas feliz,
que nem a felicidade daquele povo do Butão que vive no atraso, mas acha que é o
mais feliz do mundo, vive tomando no Butão e acha divino. Um câncer do cacete,
uma dor do caralho, mas assim que o pastor foi dar a extrema-unção, ele se
sentiu reconfortado e morreu sorrindo. Deus me livre de ser leso assim.
O VELÓRIO
Pronto, sabe como são essas tolices. Logo
que souberam que Alfridum havia batido as botas, abotoado o paletó de madeira,
logo se formou aquele falatório que ele foi um santo. Mais ou menos, como
quando o safado, nazista e assassino do João Paulo II morreu que um grupo de
pilantras já surgiu com cartazes, exigindo a canonização daquele filho da puta.
Uma vida de bandido, de repente virou divino depois de morto. Mas, comparando Afridum
a Hoão Paulo II, era mesmo santo. Ou besta, ignorante, parvo!
Se o Céu existisse de verdade, os
prisioneiros de guerra dos campos de concentração nazistas que ele e o
Ratizinger ajudaram a manter, iriam tirar satisfação com aquele bandido, pilantra,
seria o primeiro linchamento no Nosso Lar, os judeus que tanto choram o
Holocausto, principalmente e fazem crer que foram os principais perseguidos
pelo Nazismo, até que se torne verdade, iriam mostrar o que é bom para tosse.
Com o Ratzinger não, esse negócio de tomar no cu, dizem as más línguas, ele até
gosta, teriam de fazer outra penitência.
Então, como no enterro da mãe do
Governador José Melo, ficou lotado, desde o velório. Aparecem os parentes que
nem se comunicavam há tempos, os amigos, os curiosos, os que querem ver se o
cara morreu mesmo, os que tinham rixa para ver se enterram, não tem com voltar,
os puxa-sacos que no caso do “Santo” Alfridum, queriam que levasse um pedido a
Deus, como se o cara fosse um tipo de Sed-Ex do Além, gente pacas, a maioria,
que não tem porra nenhuma a haver com o morto, que faz da morte alheia, algo
como um entretenimento e vida.
O que mais chamou a atenção dos presentes
ao velório e ao enterro do “santo”, foi que ele mesmo consolava as pessoas,
como ele mesmo dizia a acreditava.
- Esta vida é apenas uma passagem. A
verdadeira vida é depois do desencarne.
Não, não é papo de vendedor de sex-shop querendo vender gel-lubrificante,
com esse negócio de passagem, nem de açougueiro, explicando os tipos de cortes
de carne, o desencarne, é tipo assim, leite sem lactose, café descafeinado,
trigo sem glúten, essas coisas que inventam, para elevar o preço dos produtos,
mesmo que não se justifique, pois ao invés de acrescentarem alguma coisa, tiram
tudo, como Alimento Orgânico que não usa agrotóxico, não usa agricultura intensiva,
nem trator, nem diesel, nem querosene, nem porra nenhuma, mas só o nome já
encarece o produto.
Observação. Minha cara e querida amiga
Acácia, a Senhora dos Orgânicos, responsável pela Feirinha dos Orgânicos, também
conhecida como a Feira dos Ricos e Poderosos, nada contra vossa pessoa. Beijos!
É o que dizem, eu apenas transcrevo.
Sabe, alguns profissionais, dizem que
mulher que pinta e borda quando nova, depois que têm filhos, depois que casa,
depois que vira senhora, fica reacionária, fica carola até mais do que as lesas
que se mantiveram castas, fica tudo como o que eram contra. São as esposas mais
dedicadas e submissas, o que eu disse à Tinão, quando me pediu em casamento, eu
não a queria indo contra sua índole, ter de se castrar para ser fiel, querendo
dar para todo mundo, mas fazendo-se de santa, essas mulheres viram as mãezonas
que não deixam seus filhos passarem por nada do que elas mesmas passaram
incólumes, criando-os como se pudessem livrá-los das maldades do mundo, quando
na verdade criam filhos indefesos, aparvalhados, por não aprenderem a se
defender, sendo presas fáceis de qualquer pilantra que chega com uma conversa
mole que agrada, mas não leva à nada. Mas por não terem anticorpos, por não
terem aprendido a se defender, a pensar por si, são levados no bico, fácil,
fácil.
Ainda no velório, Dona Maria Padilha, ao
lado de Dona Jurema, filhas da Mãe Pomba-Gira de lbuquerque e Silva, choravam
às pencas. Os parentes, mais próximos, ainda preparando o corpo, não entendiam
tanto chrororô. Mas Alfridum levantou da pedra ainda, para consolá-las. Lógico
que as pessoas, ainda não acostumadas àquilo, assustaram. Muita gente pensava
que não sabia falar Francês, quando no susto, percebeu que o boga aprendeu
sozinho. Dá aquela travada, parece que a boquinha de macaco está dizendo.
- Oui!
- Suis!
Mas logo ele esclareceu que apenas estava
fazendo seu papel, continuava morto, mas como Jesus que saiu da catacumba, como
Miss encima de caminhão dos bombeiros, mandando beijinhos para todo mundo,
jogando purpurina para a plateia, ele apenas queria mostrar que a morte na
verdade não significa o fim, mas o início.
Tudo bem, mas eu prefiro ficar por aqui
mesmo, não tenho a menor esperança, nem desejo de ir para a vida eterna. Basta esta
mesmo, passageira, mas é melhor curtir em vida, do que ser curtido em morte.
- Calma senhoras, eu estou bem.
- Bem? Tu estás morto e antes de morrer,
estavas fodido!
- Não, é apenas a vontade de Deus.
- Egua da vontade escrota. Não podia fazer
um mundo onde não se precisaria morrer para viver eternamente?
- Não, Deus sabe o que faz.
- Eu é que não entendo nada. Se Ele sabe,
não conta para a gente, fica matutando consigo e pronto.
E assim, o próprio morto se dava ao
desplante, ou ao transplante de consolar os presentes. Ninguém mais se
assustava com isso, o velório e o enterro, então, ficaram até mais lotados.
Todo mundo queria ver o morto se manifestar, e tinham aqueles que se faziam de
pesarosos, só para fazer Alfridum se levantar do túmulo.
Estevão que era agnóstico, um tipo assim
que não acredita, acreditando, não é ateu, nem religioso, é como um ser
apolítico, esses negócios que não se explicam pela consciência real, foi
conferir se era verdade, o morto levantar, para dizer que a morte é linda,
maravilhosa, é outro mundo.
Cortou cebola, pingou limão nos olhos e
foi para perto do caixão. E não é que foi verdade? Lá Alfridum levantou.
- Irmão, eu fui desta para melhor.
- Melhor? Vais viver vendo a raiz de grama
por baixo, escureceu tudo, não vais poder nem ter tesão por ninguém. Melhor?
- Sim, esta vida é apenas frivolidade, a
vida real é a morte. Não vou precisar me preocupar com o boleto do cartão de
crédito, não vou precisar mais me preocupar com meu time jogando, não vou mais
ter de me preocupar com que roupa eu vou sair.
- Por falar nisso, pois eu, ainda tenho de
me preocupar. Com licença que vou em casa me lavar, passar o papel-higiênico e
troca a cueca. Se der, ainda tomo um banho e tento voltar.
- O que foi irmão em Cristo?
- Quando tu levantaste, os esfíncteres que
estão fracos, não seguraram como deviam e eu me borrei todinho. Como dizem por
aí estou todo cagado. Fica em paz irmão. Eu hein!
E assim Afridum provou que tudo é possível, ainda mais
para quem é ignorante em tudo.
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