Apesar do Feminismo, a mulher ainda está
acorrentada mentalmente à questão da beleza. Digamos assim, ao estereotipo da
beleza perfeita. Não existe. A Raimundinha tem uma bunda linda, um xoxotão, mas
a perna é fina e cambota. A Ricarda tem as coxas lindas, mas a bunda é uma
bosta, murcha que dá pena. A Valéria tem um bundão, mas cheio de celulite. Não
existe a perfeição, é uma questão de escolha.
- E aí mano, vai uma bunda linda?
- Com ou sem celulite?
- Bem, com celulite é US 500.00, sem, é R$
50,00!
- Qual a diferença?
- Sem celulite a Carlota se chamava
Alfredão nos tempos em que era zagueiro central do Pedreira Esporte Clube,
ainda não fez operação para troca de gênero, dizem as más línguas que a tromba
que ostenta, faz inveja a muito elefante adulto e com, a Soninha que continua Sonhinha, desde
o nascimento, é cheio de buraco além daquele que se olha no olho. Vai encarar?
- É macho essa bunda lisa?
- Digamos, deveria ser, ou é mais macho do
que a gente. Aguenta cada coisa, sorrindo e dando as costas aos problemas.
A mulher ainda é conquistada por uma
palavra sobre sua beleza, simplesmente. O cara pode chegar dizendo.
- Porra, tu és feia pra caralho, mal feita
de corpo que dá dó, mas eficiente, capacitada, inteligente, gosto muito de mulher
assim.
Não tem jogo, ele vai ficar sozinho e ela ainda vai espalhar um
monte de boatos sobre ele e virar a próxima vítima na boca do sapo. Mas se o
cara for pilantra, safado, sem vergonha, cafajeste, mas chegar e disser.
- Porra, gostosa, boazuda, linda, apesar
de burra e ignorante!
Esse sim, ela vai morrer de amores por
quem tem a capacidade de dizer isso, sem ter compromiso algum com a pessoa e
nem ao menos corar, ou ficar envergonhado. É fácil manter a mulher, ainda, sob
o julgo do Machismo, fazendo-a submissa, apesar de pensar que é moderna, sem
autoestima, apesar de achar que tem uma personalidade incrível e chegada a
essas questões que não significam nada, mas é tudo para elas, pois sempre vão
se achar mais gordas do que estão, mais feias do que são, menos sexies, mesmo que esteja sozinha, na
frente de dez homens de pau duro, incutem na cabeça que ela é inferior e ainda
rola, sem acento, pois depois dessa reforma pornô-ortográfica, rolar e rolar,
rola e rola, virou uma esculhambação. A Matilde rola na rola ou rola rola, o
editor de texto já marca como errado. Mas é a corrente mental a que se legou à
mulher que não se solta, nunca.
Dia desses, no Shopiing, passou um daqueles frigoríficos humanos, carne para dar e
para vender. Short bem curto, depois
soube que a moda verão é short, mas
estamos na estação chuvosa, no Amazonas. Tem gente que lê que a moda é isso,
ainda mais boiola. Um tempo desses a Revista dizia que a moda masculina era
calça com a barra pega-marreco, como chamavam no meu tempo de criança,
mostrando a meia, ou as pernas, sandália sem meias, no outro dia, acho que receberam
no mesmo dia, a mesma Revista, o que tinha de viado no meio da rua, com a
bainha arregaçada, é incrível, mocassim sem meia, ou sandália. Mulher e
roscofe, diz que vai ser moda, já estão usando para se sentirem sempre à frente
de seu tempo. Adamado, muito mais, sempre à frente, lógico! Mas a madame estava
linda, uma bunda que deu vontade, o umbigo meio aparecendo, uma blusa colada, o
pára-choque dianteiro, tipo SUV lameiro, protuberante, tudo muito apertado, só
num sapato que mais parecia perna de pau, a mulher para andar, dava a impressão
de que iria cair de boca, mas no chão. Tive vontade de dizer para ela que
estava tudo bem, caiu tudo bem, eu cairia melhor encima, mas, hoje, a caretice
está uma coisa demais, tenho até medo de fazer essas coisas, não por ela, mas
pelos outros, só teria a consertar o andar que estava escroto demais. Se eu
fosse ela, compraria um tênis, um sapato mais baixo, porque ninguém quer saber
da altura da mulher, quer saber se ela gosta de putaria, se ela se joga, se
abre, no bom sentido, de não ter pudores na hora da trepada. Chupa, dá o rabo,
tem orgasmo, essas coisas, com aquele bufante, é do tipo que o cara separa o Rico
do Roco e some com a cara, mas muitas mulheres são tão travadas pela religião,
pelos conceitos sociais, que dá até medo de meter a língua nessas coisas, ela
mesma vai ficar com nojo de si, não vai querer nem beijinho, ao menos, e o
conceito arraigado e muito, ainda hoje de que só puta e mulher safada é que gostam
de sexo, muito pelo contrário, puta gosta de dinheiro, faz sexo para consegui-lo
e se possível, entrou, gozou, pagou e vamos embora, mulher safada, muitas vezes
pensa que só praticando muito, vai deixar de ser travada, pensa que o homem é
que tem de fazer tudo, ela tem de se fazer de mulher submissa, mulher
desencanada é que gosta de ter e de dar prazer, mulher que se conhece e não tem
problema com sexo, é que diz onde é melhor para si, por se conhecer, não espera
que o outro adivinhe, é como homem que tem a sexualidade resolvida, gosta de ver
uma mulher se arrepiando, o coração disparando, aquele olhar no vazio, isso
sim, dá o maior tesão. Tem mulher tão travada que nem para pegar no pau, é um
drama, o cara tem de colocar, de se excitar, porque ela parece que é só
recipiente de gala. E hoje que pau e xota dão mais doença do que rato com
raiva, até um boquete, tem de ser com camisinha, pegar na cabecinha, só com
luva cirúrgica, está ficando escroto, todo mundo cheio de dedos, vai acabar no cacete.
- E aí gata, tu chupas?
- Trouxe camisinha com sabor de uva, luva
de cirurgia craniana e chatilly?
- Mas tu gostas de levar uma linguada nas
partes?
- Só se for com proteção.
- E o que tu fazes, mesmo?
- Eu, procuro um casamento com homem
bonito, cheiroso e rico.
- E tomar no cu?
- É mais caro!
PEGOU!
Jeremias
estava no Coffee-Shop de uma
livraria, quando passou aquela mulher que todo mundo tem certeza que não foi
feita para ser intelectual. No Brasil, ainda se tem de ser ou, ou. A mulher
bonita não pode ser inteligente, a profissional não sabe cozinhar, o homem não
pode tocar piano, nem cuidar da casa, o cara másculo não pode ser gentil, essas
concepções tão “pós-modernas”.
Ela foi de uma ponta à outra, com um salto
alto para eletricista que troca a lâmpada em teto de 8 metros de pé-direito. Eu
tive uma aluna que não ia com a minha cara, mas eu ia com a dela que na
faculdade, era um pouco mais alta do que eu, mas no Shopping, onde era vendedora, o cara, sem se curvar, poderia dar um
orgasmo clitoriano, de frente um para o outro, só com a língua. Ela não usava
sapato para trabalhar, eram escadas Magirus. Bem que eu não olhava muito para
as minhas alunas, só às taradas que queriam que eu fosse ao BB Amazonas, essas
coisas, chegavam atrasadas, colocavam bilhetes no meu bolso, faziam perguntas
pessoais que não tinham nada a ver com a aula em si, mas a Aline e a ex-vizinha
dela me fizeram prometer que eu não iria “comer” nenhuma aluna, não comi, mesmo
porque não sou canibal, apesar de ser descendente de africano e de ameríndios,
mas nunca comi ninguém, elas mesmas sabem. E olha que a Ana Paula, a mais
atirada, a mais arretada, na próxima encarnação quero voltar bichona, só para
ser professor e não ter problema de segurar a onda, era alta, mas quando a
coleguinha ia trabalhar, até ela ficava baixinha na frente da outra. Ah e ainda
tive de jurar que não iria falar palavrões na sala de aula. O que o pessoal
pensa de mim porra? Caralho, tenho de melhorar a minha imagem. Eu me sentia o
próprio Silas Malafaia, até mais carola do que ele que é um cara que não me inspira
a menor confiança, nem ética, eu estava todo certinho, policiando cada palavra
que pronunciava. Puta que os pariu!
[...]
Mulher que gosta de provocar homem, só me
lembro da Mara que foi diarista aqui. Já falei de Cudaxássh, bonitinha, um
cabelo lindo, uma bunda enorme, aos 30 anos, já com 7 filhos.
Tem um rapaz novo no Condomínio, na
Portaria. Quando ela vinha para o meu quarto, limpar, só, ela ligava para ele.
O cara era casado, ela também, mas ela insistia, acho que o cara queria ser
fiel, mas até eu que sou fundamentalista, preciso segurar nessas horas, para
colocar de jeito.
- Ih cara, tu não és homem não?
Nunca vi uma pessoa encher o saco de
outra, até denegrindo a imagem pessoal.
Eu falava.
- Mara, ele é casado, a mulher dele sabe,
vem aqui te dar porrada, ainda vai falar pro teu marido, vai ser uma merda
danada.
- Duvido! Ela não sabe com quem está
lidando. Ela é doida, eu sou doida e meia.
Tudo bem. Um começo de noite, quando a Mara
ia embora, da casa de outra cliente também do Condomínio, ninguém entrava nem
saía na Portaria. A mulher do rapaz soube, veio dar porrada na Mara, foi
preciso apaziguar os ânimos, falou ao marido dela, ele levou os 3 filhos que
eram dele, ela ficou com mais quatro, segundo outro segurança que era a fim da
irmã dela, quem a indicou para algumas casas aqui, ela foi para Manacapuru. Eu
não sou a Mãe Dinahdegas, mas são coisas óbvias. O homem pega chifre, até para
preservar a imagem, acaba tudo, mas como se ele fosse o fodão, a mulher não,
ela faz o maior salseiro do mundo, quer esganar, matar, acabar com a concorrente,
e for casada espalha na rua para o marido da outra saber se mora com os pais,
vai até a porta fazer escândalo, para todos saberem, se mora só, vai no emprego
e faz o maior bafafá, é diferente. A Mara sifu
bonitinho. Não é doida? Todas, não escapa uma. A única coisa que dizem, uma
mulher fica calminha, é levar um pirocada no rabo, ela fica mansa que até
parece a Virgem Maria, a imagem da mulher dócil, meiga e carinhosa com o cara,
mesmo na TPM.
Ainda
bem que eu sou fiel, não caio na lábia dessas mulheres loucas.
Fui fazer o supermercado e o táxi chegou,
o taxista disse, na frente da minha musa que é da empresa que me reconheceu,
mas ele fazia a corrida do outro, logo acima.
- Sim! Rapaz, não sou fiel nem à mulher,
vou ser à supermercado? Um dia eu compro aqui, no outro, lá, no outro acolá,
nem corintiano eu sou.
[...]
Mesmo se ninguém quisesse olhar, só os
passos, como se fosse uma égua com ferraduras, chamando a maior atenção em pele
de tambor, já faziam, pelo menos as pessoas pararem de fazer o que estavam
fazendo para deixa-la passar. Toc! Toc! Toc! E tem mulher que parece aproveitar
esse detalhe e aperta o passo, para fazer mais barulho ainda. E têm aquelas que
são como uma anta com salto Luís XV mesmo. É plow! Plow! Plow! O cara tem a
nítida impressão que quando aquele jumento com ferradura velha tirar o sapato,
as frieiras gritam, o joanete se expande e pode crer que deve ser coturno 48
bico chato, com aço na sola, para não cair em armadilha de vietcong. Sem o menor charme a coleguinha mete o pé de uma vez no chão,
como se fosse bode. Nada de o calcanhar primeiro, o meio, até os dedos, já
desce tudo de uma vez. Plow! E ainda anda como se tivesse acabado de cagar e
não limpasse as nádegas. Toda aberta, deve ter assadura até os dedinhos dos
pés. Todo mundo sai de perto que se ela for caindo, é capaz de se segurar na
peruca alheia.
Então, Jerê que era casado, “muito bem
casado”, teve de voltar a atenção para ela. Ele tomava um chá quente – nem me
convide, quente, só cu e buceta e língua, quando o beijo não é salivado -, com
umas torradinhas, enquanto folheava um livro. Imagina, os dedos todos melados
de manteiga, geleia, ricota, requeijão, ainda têm os que adoçam com açúcar,
fica aquele amálgama danado, deve ser sacanagem esse negócio de cafeteria em
livraria. O cara chega na página 15 do segundo capítulo, tem de comprar outro
livro, as folhas estão todas grudadas, quando não, adoçadas! “Política de
vendas livreira”. Deve ser como o veneno
que o padre velho, metido a corrigir todo mundo, colocava na ponta dos livros proibidos
que são guardados nas igrejas mais antigas, que não deviam ser lidos, no O Nome
da Rosa, do Umberto Eco, um grande conhecedor das putarias do Vaticano, mas não
só isso, um grande escritor no geral. Quero saber que novo bom livro ele
escreveu recentemente, pois o último que tenho, é o Baudolino, o Macunaíma
europeu e preciso ler um bom romance.
Se o cliente de cafeteria de livraria quer
voltar ao capítulo anterior para revisar alguma coisa, já era de tão untadas e
até pretas que estão as páginas. Ainda bem que com o Jornal A Crítica, nem se
precisa de nada disso, a tinta que usam, o papel é tudo tão escroto que o cara
sai sujo, só de ler, de folhear simplesmente. Não se pode ler jornal em Manaus,
com roupa clara. E as fotos, até hoje não acertaram. Principalmente nas colunas
sociais.
“A bela aniversariante Chiquinha das
Candongas, ladeada dos convidados mais íntimos!”
Encontrar a Chiquinha na foto, é que nem
encontrar o Wallie. Depois, ninguém sabe quem é quem, nem que conheça de longas
datas. A boca morde o olho, o queixo vai parar no lugar o ouvido, parece filme
3D, sem o óculos devido. Deus me livre. E olha que é o melhor de Manaus,
imagina o resto. E olha que tem tempo isso e ninguém melhora. É como filmar em
Manaus, que, acho nos anos de 1980, eu estava do lado de um cara da Globo, no
Teatro Amazonas que estava falando para outro cinegrafista local que não se
coloca a luz, diretamente no que se quer filmar que fica tudo branco. Até hoje
as pessoas são entrevistadas, a gente pensa que é o Gasparzinho, o Chico
Xavier, a Mãe Zulmira, só fantasma, não aprendem. Mas como digo, sempre os
preços são exorbitantes.
E me lembrei de umas fotos de uma amiga
minha da ginástica. Falaram que era aniversário dela, para eu fazer um bolo.
Fiz, mas não anotei, também fui o único que não comi. Era com cupuaçu, pedaços
caramelizados de cupuaçu encima, crocante, o pessoal disse que estava gostoso e
deveria estar, porque não sobrou nada, eu até hoje não sei o gosto.
Mas na hora da foto, fiquei ao lado da
minha amiguinha, o noivo dela tirando a foto do grupo, acho que a coleguinha
saiu com os olhos arregalados. Ninguém percebia, mas quando o noivo anunciava o
passarinho, a coleguinha só faltava dar chilique, o noivo nem percebia.
Casaram. Fui até ao casamento, o cara é gente fina, mas preferia a mulher dele.
Agora me lembrei dos Piratas do Tietê.
Apresentavam uma mulher ao Capitão, ele dizia logo.
- Ih, comi muito a senhora sua mãe!
[...]
Falar em morte, Dona Therezinha disse que
a tia do Archer que foi fuzilado na Indonésia, levou uma carta que a avó dele havia
escrito para ele. Falei que só se ela baixou numa sessão espírita, numa mesa
branca e psicografaram. A Dona Lurdes morreu, faz tempo.
E Dona Therezinha só se lembra de um
almoço que ela ofereceu ao casal, em um domingo, éramos todos pré-adolescentes.
Depois do banho, o sítio de Dona Therezinha, lá foi todo mundo para a casa da
Dona Lurdes. Todos molhados, cheios de areia, com sunga e a casa, muito chique,
já naquele tempo, toda ar condicionada. O carpete ficou um lixo, ela dizia que
não era nada, para ela, os empregados da casa ficaram muito putos. Os garçons
devidamente aparamentados, até com luvas brancas e o Benjamin, o mais novo de
todos, com areia até o pescoço. Acho que era, onde hoje é um hotel, na Rua Belo
Horizonte.
Dona Therezinha diz que o colunista do
Jornal do Comércio da época que pertencia à família, queria que ela fosse uma
das 10+, ela recusou, porque ia ao Mercado Municipal, com bolsa de compras, sem
nenhum luxo, não daria certo, afrontar um título tão elegante, sendo tão
deselegante. Hoje é até fino, ser chique e ir ao Mercado, como uma pessoa
comum. É hippister se não me engano,
o pessoal que pode, mas não ostenta, o antônimo de sertanejo, rapper e
pagodeiro que se endividam todo, mas vivem de ostentação, vivem de fazer pose
para curtir o que dá satisfação, mesmo que depois da gravação, peguem o busão
lotado, para voltar para a comunidade.
[...]
Bem, Finalmente ela se sentou, Jeremias
pode voltar à leitura. Por pouco tempo.
- Prazer, eu sou Keyla, o senhor pode me
ajudar?
E ela queria saber um livro bom para
entreter e ao mesmo tempo aprender coisas. Como já disse, jerê era “muito bem
casado”, nem olhava para as mulheres, para não se desviar da imagem de homem
fiel. Já falei do meu colega de trabalho, administrador e pastor protestante
que estava olhando para o chão, porque a Tinão, segundo ele, havia ido
trabalhar, muito sensual. E ele colocava nos vidros do carro, por todo lado: “Eu
amo a minha esposa!” Eu dizia que só faltava complemento: “E a dos outros
também se me derem bola!” Vou já olhar para o chão, por causa da sensualidade
dos outros. Só me lembro uma vez, fazendo circuito na academia, eu e a Nasla,
como sempre, éramos grandes amigos, falávamos de homem para homem, quando no
abdominal, de cabeça para baixo, vi aquela moçoila correndo, para cá e para lá.
De costas parecia que cantava: “Pom! Ba!” “Pom! Ba!” Acho que até a Nasla ficou
de pau duro. Que coisa mais linda, mais cheia de graça. Era a Minha Velha que
eu nem havia notado, ainda.
Parece que eu estava adivinhando, a última
vez que encontrei a Nasla, dei uns beijinhos, a namorada dela só faltava me
fuzilar com os olhos, era bem vistosa também, mas vamos respeitar, eu conheci a
Nasla antes. Quem estava ao lado da Nasla, quando ela deu porrada na esposa do
atual Diretor do Detran e ainda meteu a porrada nos três da musculação que tentaram
apartar, ela esfregando o rosto da mulher no asfalto? Quem estava na sauna com
ela, quando ela quis dar porrada no primo invejoso dela? Quem segurou, para ela
não dar porrada num tal de Edinho Serrão, metido a fashion stylist e como ela
dizia.
- Seja homem. Olha o salto alto do cara.
Isso é coisa de mulher. Isso é fome? Magro que parece que passa fome. Metido a
entender de moda, todo mal vestido, vai se arrumar...
Nem se conheciam, ela se invocou com o
cara que estava com uma turma enorme e só estávamos os dois, conversando na
escada. Eu estava sossegado no camarote, ela chegou e me puxou para a escada. E
faz uma cagada dessas. E pior que o cara ao invés de ir embora, dava satisfação
ao que ela falava, o clima ficou quente, se ela dá só uma bofetada no cara, ele
desmancharia todo. Ele é fino, ela era toda encorpada, não era gorda, nem
grossa, era mulherão, ainda mais quando malhava as coxas, torneava o corpo na
musculação. E Dona Therezinha que conhecia, diz que a mãe dela, era muito mais
bonita que qualquer filha. Imagina!
Se o Céu existe, finalmente o Folote vai
ter tempo para “comer” aquela mulher, como ele chegou para me perguntar se nós
tínhamos alguma coisa juntos, uma relação, falei que não, ele insistiu, até que
pediu licença.
- Com licença então, que eu vou comer
aquela mulher!
Não aguentou nem a primeira rodada de
cerveja com ela, imagina fazer o resto. Só fico com pena que ela morreu e eu
nem disse a presepada do Folote que era a fim dela e eu os fiz se sentarem bem
juntinhos e ele quis dar uma de macho, enquanto ela estava só começando, ele já
estava de olho vermelho, sonolento e se despediu de todo mundo, quando a noite
só estava começando, numa sexta-feira, depois que a turma que se reunia sempre,
fez a ginástica, a sauna e se deslocou para o bar.
Não comeu, como dissera e aquela voz grave
de antes, se tornou uma voz de pedido de desculpas, mansinha, passou uma
gaussiana e se mandou.
Gaussiana é termo referente à Gauss, em
Física III e IV, de eletricidade. Se o Eduardo Braga passar uma gaussiana no
Ministério, a Polícia Federal e o Ministério Público fecham circuito.
IS THIS THE END?
Papo vai, papo vem, mulher sabe como mexer
até com os instintos de homem metido a fiel, aliás, eu acho que o cara muito
fiel, vive reprimido, ele só não tem coragem de fazer o que tem em mente, mas
intimamente, pensa mais em sacanagem do que quem não precisa fazer tipo.
Pela primeira vez Jerê iria trair uma
relação. Era virgem nesse artigo!
Keila o levou ao escritório e disse que
ali ela só tinha um sócio que já havia ido para casa para ver a família.
Escritório amplo, chuveirinho, melhor do
que o Drive In que havia na Ponta Negra e agora está ao lado do Motel Assyrius
que a torneirinha ficava abaixo do dedo mindinho do pé. Até banho tcheco era
difícil, sem falar que a melhor posição naquele ambiente de amor, era no capot do carro, se o motor fosse dianteiro,
no mínimo 30 minutos para colocar a caboca deitada e começar a brincar. Banco
de trás, só vi em cinema, não funciona. E o atendimento de fino trato. Era
apertar uma campainha, tinha água, água com gás, água natural, água “torneiral”,
água do Rio Negro, água da Ponta Negra, cerveja, cerveja quase gelada, cerveja
choca, gelo, Corote, 51, Rabo Fino, uma variedade incrível.
Espalha tudo, deita na mesa de trabalho,
rola no chão, nunca Jeremias tinha se jogado tanto fazendo sexo, sempre teve
muitos pudores, mas desta vez, se sentia livre para fazer o que bem quisesse. De
repente a porta se abre.
- Keila!
- Ah, é meu sócio, meu ex-marido também.
- E agora?
- Nós somos ótimos amigos.
De repente o cara entra.
- Que putaria é esta? Vou matar.
- Calma, vocês não são bons amigos? Se for
por minha causa, eu vou me embora!
- Fica!
- Alejandro, mas o que é isso?
- O que é isso, pergunto eu. Namoramos
cinco anos, fomos casados doze e tu nunca me deste a bunda. “Ah dói!” “Hoje eu
estou com disenteria!” “Eu não sou mulher disso!” Agora tu nem bem conheces
esse vagabundo, olha só.
- Eu não tenho nada a ver com isso. Eu sou
casado. Ela que deu ré no croquete, eu sou humano, como diriam os paulistas, o
mano, não tenho sangue de barata.
- Sua filha da puta!
- Calma mermão. Se o problema é esse, o cu
é seu, vocês fiquem se resolvendo que eu tenho família, já está tarde...
- Fica!
Nada se resolvia, quando Jerê questionou
Alejandro. Já fez contato de pele, segurou no ombro do outro, sabe como são as
coisas.
- Respira fundo, tu estás muito nervoso
por uma coisa que só serve pra fazer merda e acabou em merda. Não vai sujar o
teu nome, por causa disso que é um buraco fedido da porra, lembra dos teus
filhos, da tua atual esposa. Respira irmão, senão tu podes ter um enfarto, não
vai ser bom pra ninguém. Deixa eu tirar isso daqui de dentro, também, já amoleceu,
vou dar uma lavadinha, depois conversamos.
De repente.
- Gostei de ti!
- Em que sentido? Podemos conversar. Sem
beijinho por enquanto, por favor!
- Não cara, podemos fazer negócio. Eu
filmei tudo, para não enviar para a tua esposa, podemos conversar.
E tem homem que acha que mulher bonita,
tem de ser, sempre burra. Burro é quem acredita nisso.
- Então tudo isso é um golpe?
- Não, negócios. É como a gente vive. Nossos
clientes não podem nem abrir a boca, para não se denunciarem, ninguém fica
sabendo da satisfação que damos.
- Mas o que tu queres? Eu sou pobre!
- Nunca se é tão pobre que não se possa
ceder um pouco a um irmão.
- Olha, não estraguem meu casamento por
uma burrice minha, por favor!
- Não, é só cooperar!
Nisso, sons de sirenes, uma confusão
danada, os parceiros, Alejandro e Keila saíram correndo pela porta dos fundos. A
outra, não a que o Jeremias estava babando, quando o Alejandro veio estragar
tudo.
Quando finalmente se restabeleceu,
Jeremias se vestiu e foi para a rua. Eram ambulâncias do SAMU, atendendo
pessoas num carro que se chocara com outro, parado e estacionado na frente do
escritório e quando a polícia chegou, identificou o proprietário. Keila Margarida
Gusmão Abrecht.
Jeremias não falou nada, também nunca mais
deu bola para ninguém, nem para o garçon,
nessas lanchonetes de livraria. Não é colégio para o cara estar lanchando e
lendo antes da prova. E foram felizes para sempre, até que a esposa de Jeremias
foi envolvida num caso com o pastor e a fofoca se espalhou na comunidade cristã
de Deus me livre. O Jerê cheio de virtudes, de fidelidade e o pastor, há mais
tempo do que o casamento em si, papava a madame, e ainda exigiu teste de
paternidade, de ADN nos garotos, pois suspeitava que pelo menos mais da metade,
era filho dele. Jerê pirou. Ele com medo de trair descobriu que a vida é assim
mesmo. Eita vida mais ou menos!
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