domingo, 18 de janeiro de 2015

BROCHAR!

Apesar do Feminismo, a mulher ainda está acorrentada mentalmente à questão da beleza. Digamos assim, ao estereotipo da beleza perfeita. Não existe. A Raimundinha tem uma bunda linda, um xoxotão, mas a perna é fina e cambota. A Ricarda tem as coxas lindas, mas a bunda é uma bosta, murcha que dá pena. A Valéria tem um bundão, mas cheio de celulite. Não existe a perfeição, é uma questão de escolha.
- E aí mano, vai uma bunda linda?
- Com ou sem celulite?
- Bem, com celulite é US 500.00, sem, é R$ 50,00!
- Qual a diferença?
- Sem celulite a Carlota se chamava Alfredão nos tempos em que era zagueiro central do Pedreira Esporte Clube, ainda não fez operação para troca de gênero, dizem as más línguas que a tromba que ostenta, faz inveja a muito elefante adulto  e com, a Soninha que continua Sonhinha, desde o nascimento, é cheio de buraco além daquele que se olha no olho. Vai encarar?
- É macho essa bunda lisa?
- Digamos, deveria ser, ou é mais macho do que a gente. Aguenta cada coisa, sorrindo e dando as costas aos problemas.
A mulher ainda é conquistada por uma palavra sobre sua beleza, simplesmente. O cara pode chegar dizendo.
- Porra, tu és feia pra caralho, mal feita de corpo que dá dó, mas eficiente, capacitada, inteligente, gosto muito de mulher assim.
Não tem jogo, ele vai  ficar sozinho e ela ainda vai espalhar um monte de boatos sobre ele e virar a próxima vítima na boca do sapo. Mas se o cara for pilantra, safado, sem vergonha, cafajeste, mas chegar e disser.
- Porra, gostosa, boazuda, linda, apesar de burra e ignorante!
Esse sim, ela vai morrer de amores por quem tem a capacidade de dizer isso, sem ter compromiso algum com a pessoa e nem ao menos corar, ou ficar envergonhado. É fácil manter a mulher, ainda, sob o julgo do Machismo, fazendo-a submissa, apesar de pensar que é moderna, sem autoestima, apesar de achar que tem uma personalidade incrível e chegada a essas questões que não significam nada, mas é tudo para elas, pois sempre vão se achar mais gordas do que estão, mais feias do que são, menos sexies, mesmo que esteja sozinha, na frente de dez homens de pau duro, incutem na cabeça que ela é inferior e ainda rola, sem acento, pois depois dessa reforma pornô-ortográfica, rolar e rolar, rola e rola, virou uma esculhambação. A Matilde rola na rola ou rola rola, o editor de texto já marca como errado. Mas é a corrente mental a que se legou à mulher que não se solta, nunca.
Dia desses, no Shopiing, passou um daqueles frigoríficos humanos, carne para dar e para vender. Short bem curto, depois soube que a moda verão é short, mas estamos na estação chuvosa, no Amazonas. Tem gente que lê que a moda é isso, ainda mais boiola. Um tempo desses a Revista dizia que a moda masculina era calça com a barra pega-marreco, como chamavam no meu tempo de criança, mostrando a meia, ou as pernas, sandália sem meias, no outro dia, acho que receberam no mesmo dia, a mesma Revista, o que tinha de viado no meio da rua, com a bainha arregaçada, é incrível, mocassim sem meia, ou sandália. Mulher e roscofe, diz que vai ser moda, já estão usando para se sentirem sempre à frente de seu tempo. Adamado, muito mais, sempre à frente, lógico! Mas a madame estava linda, uma bunda que deu vontade, o umbigo meio aparecendo, uma blusa colada, o pára-choque dianteiro, tipo SUV lameiro, protuberante, tudo muito apertado, só num sapato que mais parecia perna de pau, a mulher para andar, dava a impressão de que iria cair de boca, mas no chão. Tive vontade de dizer para ela que estava tudo bem, caiu tudo bem, eu cairia melhor encima, mas, hoje, a caretice está uma coisa demais, tenho até medo de fazer essas coisas, não por ela, mas pelos outros, só teria a consertar o andar que estava escroto demais. Se eu fosse ela, compraria um tênis, um sapato mais baixo, porque ninguém quer saber da altura da mulher, quer saber se ela gosta de putaria, se ela se joga, se abre, no bom sentido, de não ter pudores na hora da trepada. Chupa, dá o rabo, tem orgasmo, essas coisas, com aquele bufante, é do tipo que o cara separa o Rico do Roco e some com a cara, mas muitas mulheres são tão travadas pela religião, pelos conceitos sociais, que dá até medo de meter a língua nessas coisas, ela mesma vai ficar com nojo de si, não vai querer nem beijinho, ao menos, e o conceito arraigado e muito, ainda hoje de que só puta e mulher safada é que gostam de sexo, muito pelo contrário, puta gosta de dinheiro, faz sexo para consegui-lo e se possível, entrou, gozou, pagou e vamos embora, mulher safada, muitas vezes pensa que só praticando muito, vai deixar de ser travada, pensa que o homem é que tem de fazer tudo, ela tem de se fazer de mulher submissa, mulher desencanada é que gosta de ter e de dar prazer, mulher que se conhece e não tem problema com sexo, é que diz onde é melhor para si, por se conhecer, não espera que o outro adivinhe, é como homem que tem a sexualidade resolvida, gosta de ver uma mulher se arrepiando, o coração disparando, aquele olhar no vazio, isso sim, dá o maior tesão. Tem mulher tão travada que nem para pegar no pau, é um drama, o cara tem de colocar, de se excitar, porque ela parece que é só recipiente de gala. E hoje que pau e xota dão mais doença do que rato com raiva, até um boquete, tem de ser com camisinha, pegar na cabecinha, só com luva cirúrgica, está ficando escroto, todo mundo cheio de dedos, vai acabar no cacete.
- E aí gata, tu chupas?
- Trouxe camisinha com sabor de uva, luva de cirurgia craniana e chatilly?
- Mas tu gostas de levar uma linguada nas partes?
- Só se for com proteção.
- E o que tu fazes, mesmo?
- Eu, procuro um casamento com homem bonito, cheiroso e rico.
- E tomar no cu?
- É mais caro!
PEGOU!
 Jeremias estava no Coffee-Shop de uma livraria, quando passou aquela mulher que todo mundo tem certeza que não foi feita para ser intelectual. No Brasil, ainda se tem de ser ou, ou. A mulher bonita não pode ser inteligente, a profissional não sabe cozinhar, o homem não pode tocar piano, nem cuidar da casa, o cara másculo não pode ser gentil, essas concepções tão “pós-modernas”.
Ela foi de uma ponta à outra, com um salto alto para eletricista que troca a lâmpada em teto de 8 metros de pé-direito. Eu tive uma aluna que não ia com a minha cara, mas eu ia com a dela que na faculdade, era um pouco mais alta do que eu, mas no Shopping, onde era vendedora, o cara, sem se curvar, poderia dar um orgasmo clitoriano, de frente um para o outro, só com a língua. Ela não usava sapato para trabalhar, eram escadas Magirus. Bem que eu não olhava muito para as minhas alunas, só às taradas que queriam que eu fosse ao BB Amazonas, essas coisas, chegavam atrasadas, colocavam bilhetes no meu bolso, faziam perguntas pessoais que não tinham nada a ver com a aula em si, mas a Aline e a ex-vizinha dela me fizeram prometer que eu não iria “comer” nenhuma aluna, não comi, mesmo porque não sou canibal, apesar de ser descendente de africano e de ameríndios, mas nunca comi ninguém, elas mesmas sabem. E olha que a Ana Paula, a mais atirada, a mais arretada, na próxima encarnação quero voltar bichona, só para ser professor e não ter problema de segurar a onda, era alta, mas quando a coleguinha ia trabalhar, até ela ficava baixinha na frente da outra. Ah e ainda tive de jurar que não iria falar palavrões na sala de aula. O que o pessoal pensa de mim porra? Caralho, tenho de melhorar a minha imagem. Eu me sentia o próprio Silas Malafaia, até mais carola do que ele que é um cara que não me inspira a menor confiança, nem ética, eu estava todo certinho, policiando cada palavra que pronunciava. Puta que os pariu!
[...]
Mulher que gosta de provocar homem, só me lembro da Mara que foi diarista aqui. Já falei de Cudaxássh, bonitinha, um cabelo lindo, uma bunda enorme, aos 30 anos, já com 7 filhos.
Tem um rapaz novo no Condomínio, na Portaria. Quando ela vinha para o meu quarto, limpar, só, ela ligava para ele. O cara era casado, ela também, mas ela insistia, acho que o cara queria ser fiel, mas até eu que sou fundamentalista, preciso segurar nessas horas, para colocar de jeito.
- Ih cara, tu não és homem não?
Nunca vi uma pessoa encher o saco de outra, até denegrindo a imagem pessoal.
Eu falava.
- Mara, ele é casado, a mulher dele sabe, vem aqui te dar porrada, ainda vai falar pro teu marido, vai ser uma merda danada.
- Duvido! Ela não sabe com quem está lidando. Ela é doida, eu sou doida e meia.
Tudo bem. Um começo de noite, quando a Mara ia embora, da casa de outra cliente também do Condomínio, ninguém entrava nem saía na Portaria. A mulher do rapaz soube, veio dar porrada na Mara, foi preciso apaziguar os ânimos, falou ao marido dela, ele levou os 3 filhos que eram dele, ela ficou com mais quatro, segundo outro segurança que era a fim da irmã dela, quem a indicou para algumas casas aqui, ela foi para Manacapuru. Eu não sou a Mãe Dinahdegas, mas são coisas óbvias. O homem pega chifre, até para preservar a imagem, acaba tudo, mas como se ele fosse o fodão, a mulher não, ela faz o maior salseiro do mundo, quer esganar, matar, acabar com a concorrente, e for casada espalha na rua para o marido da outra saber se mora com os pais, vai até a porta fazer escândalo, para todos saberem, se mora só, vai no emprego e faz o maior bafafá, é diferente. A Mara sifu bonitinho. Não é doida? Todas, não escapa uma. A única coisa que dizem, uma mulher fica calminha, é levar um pirocada no rabo, ela fica mansa que até parece a Virgem Maria, a imagem da mulher dócil, meiga e carinhosa com o cara, mesmo na TPM.  
 Ainda bem que eu sou fiel, não caio na lábia dessas mulheres loucas.
Fui fazer o supermercado e o táxi chegou, o taxista disse, na frente da minha musa que é da empresa que me reconheceu, mas ele fazia a corrida do outro, logo acima.
- Sim! Rapaz, não sou fiel nem à mulher, vou ser à supermercado? Um dia eu compro aqui, no outro, lá, no outro acolá, nem corintiano eu sou.
[...]
Mesmo se ninguém quisesse olhar, só os passos, como se fosse uma égua com ferraduras, chamando a maior atenção em pele de tambor, já faziam, pelo menos as pessoas pararem de fazer o que estavam fazendo para deixa-la passar. Toc! Toc! Toc! E tem mulher que parece aproveitar esse detalhe e aperta o passo, para fazer mais barulho ainda. E têm aquelas que são como uma anta com salto Luís XV mesmo. É plow! Plow! Plow! O cara tem a nítida impressão que quando aquele jumento com ferradura velha tirar o sapato, as frieiras gritam, o joanete se expande e pode crer que deve ser coturno 48 bico chato, com aço na sola, para não cair em armadilha de vietcong. Sem o menor charme a coleguinha mete o pé de uma vez no chão, como se fosse bode. Nada de o calcanhar primeiro, o meio, até os dedos, já desce tudo de uma vez. Plow! E ainda anda como se tivesse acabado de cagar e não limpasse as nádegas. Toda aberta, deve ter assadura até os dedinhos dos pés. Todo mundo sai de perto que se ela for caindo, é capaz de se segurar na peruca alheia.
Então, Jerê que era casado, “muito bem casado”, teve de voltar a atenção para ela. Ele tomava um chá quente – nem me convide, quente, só cu e buceta e língua, quando o beijo não é salivado -, com umas torradinhas, enquanto folheava um livro. Imagina, os dedos todos melados de manteiga, geleia, ricota, requeijão, ainda têm os que adoçam com açúcar, fica aquele amálgama danado, deve ser sacanagem esse negócio de cafeteria em livraria. O cara chega na página 15 do segundo capítulo, tem de comprar outro livro, as folhas estão todas grudadas, quando não, adoçadas! “Política de vendas livreira”.  Deve ser como o veneno que o padre velho, metido a corrigir todo mundo, colocava na ponta dos livros proibidos que são guardados nas igrejas mais antigas, que não deviam ser lidos, no O Nome da Rosa, do Umberto Eco, um grande conhecedor das putarias do Vaticano, mas não só isso, um grande escritor no geral. Quero saber que novo bom livro ele escreveu recentemente, pois o último que tenho, é o Baudolino, o Macunaíma europeu e preciso ler um bom romance.
Se o cliente de cafeteria de livraria quer voltar ao capítulo anterior para revisar alguma coisa, já era de tão untadas e até pretas que estão as páginas. Ainda bem que com o Jornal A Crítica, nem se precisa de nada disso, a tinta que usam, o papel é tudo tão escroto que o cara sai sujo, só de ler, de folhear simplesmente. Não se pode ler jornal em Manaus, com roupa clara. E as fotos, até hoje não acertaram. Principalmente nas colunas sociais.
“A bela aniversariante Chiquinha das Candongas, ladeada dos convidados mais íntimos!”
Encontrar a Chiquinha na foto, é que nem encontrar o Wallie. Depois, ninguém sabe quem é quem, nem que conheça de longas datas. A boca morde o olho, o queixo vai parar no lugar o ouvido, parece filme 3D, sem o óculos devido. Deus me livre. E olha que é o melhor de Manaus, imagina o resto. E olha que tem tempo isso e ninguém melhora. É como filmar em Manaus, que, acho nos anos de 1980, eu estava do lado de um cara da Globo, no Teatro Amazonas que estava falando para outro cinegrafista local que não se coloca a luz, diretamente no que se quer filmar que fica tudo branco. Até hoje as pessoas são entrevistadas, a gente pensa que é o Gasparzinho, o Chico Xavier, a Mãe Zulmira, só fantasma, não aprendem. Mas como digo, sempre os preços são exorbitantes.
E me lembrei de umas fotos de uma amiga minha da ginástica. Falaram que era aniversário dela, para eu fazer um bolo. Fiz, mas não anotei, também fui o único que não comi. Era com cupuaçu, pedaços caramelizados de cupuaçu encima, crocante, o pessoal disse que estava gostoso e deveria estar, porque não sobrou nada, eu até hoje não sei o gosto.
Mas na hora da foto, fiquei ao lado da minha amiguinha, o noivo dela tirando a foto do grupo, acho que a coleguinha saiu com os olhos arregalados. Ninguém percebia, mas quando o noivo anunciava o passarinho, a coleguinha só faltava dar chilique, o noivo nem percebia. Casaram. Fui até ao casamento, o cara é gente fina, mas preferia a mulher dele.
Agora me lembrei dos Piratas do Tietê. Apresentavam uma mulher ao Capitão, ele dizia logo.
- Ih, comi muito a senhora sua mãe!
[...]
Falar em morte, Dona Therezinha disse que a tia do Archer que foi fuzilado na Indonésia, levou uma carta que a avó dele havia escrito para ele. Falei que só se ela baixou numa sessão espírita, numa mesa branca e psicografaram. A Dona Lurdes morreu, faz tempo.
E Dona Therezinha só se lembra de um almoço que ela ofereceu ao casal, em um domingo, éramos todos pré-adolescentes. Depois do banho, o sítio de Dona Therezinha, lá foi todo mundo para a casa da Dona Lurdes. Todos molhados, cheios de areia, com sunga e a casa, muito chique, já naquele tempo, toda ar condicionada. O carpete ficou um lixo, ela dizia que não era nada, para ela, os empregados da casa ficaram muito putos. Os garçons devidamente aparamentados, até com luvas brancas e o Benjamin, o mais novo de todos, com areia até o pescoço. Acho que era, onde hoje é um hotel, na Rua Belo Horizonte.
Dona Therezinha diz que o colunista do Jornal do Comércio da época que pertencia à família, queria que ela fosse uma das 10+, ela recusou, porque ia ao Mercado Municipal, com bolsa de compras, sem nenhum luxo, não daria certo, afrontar um título tão elegante, sendo tão deselegante. Hoje é até fino, ser chique e ir ao Mercado, como uma pessoa comum. É hippister se não me engano, o pessoal que pode, mas não ostenta, o antônimo de sertanejo, rapper e pagodeiro que se endividam todo, mas vivem de ostentação, vivem de fazer pose para curtir o que dá satisfação, mesmo que depois da gravação, peguem o busão lotado, para voltar para a comunidade.
[...]
Bem, Finalmente ela se sentou, Jeremias pode voltar à leitura. Por pouco tempo.
- Prazer, eu sou Keyla, o senhor pode me ajudar?
E ela queria saber um livro bom para entreter e ao mesmo tempo aprender coisas. Como já disse, jerê era “muito bem casado”, nem olhava para as mulheres, para não se desviar da imagem de homem fiel. Já falei do meu colega de trabalho, administrador e pastor protestante que estava olhando para o chão, porque a Tinão, segundo ele, havia ido trabalhar, muito sensual. E ele colocava nos vidros do carro, por todo lado: “Eu amo a minha esposa!” Eu dizia que só faltava complemento: “E a dos outros também se me derem bola!” Vou já olhar para o chão, por causa da sensualidade dos outros. Só me lembro uma vez, fazendo circuito na academia, eu e a Nasla, como sempre, éramos grandes amigos, falávamos de homem para homem, quando no abdominal, de cabeça para baixo, vi aquela moçoila correndo, para cá e para lá. De costas parecia que cantava: “Pom! Ba!” “Pom! Ba!” Acho que até a Nasla ficou de pau duro. Que coisa mais linda, mais cheia de graça. Era a Minha Velha que eu nem havia notado, ainda.
Parece que eu estava adivinhando, a última vez que encontrei a Nasla, dei uns beijinhos, a namorada dela só faltava me fuzilar com os olhos, era bem vistosa também, mas vamos respeitar, eu conheci a Nasla antes. Quem estava ao lado da Nasla, quando ela deu porrada na esposa do atual Diretor do Detran e ainda meteu a porrada nos três da musculação que tentaram apartar, ela esfregando o rosto da mulher no asfalto? Quem estava na sauna com ela, quando ela quis dar porrada no primo invejoso dela? Quem segurou, para ela não dar porrada num tal de Edinho Serrão, metido a fashion stylist e como ela dizia.
- Seja homem. Olha o salto alto do cara. Isso é coisa de mulher. Isso é fome? Magro que parece que passa fome. Metido a entender de moda, todo mal vestido, vai se arrumar...
Nem se conheciam, ela se invocou com o cara que estava com uma turma enorme e só estávamos os dois, conversando na escada. Eu estava sossegado no camarote, ela chegou e me puxou para a escada. E faz uma cagada dessas. E pior que o cara ao invés de ir embora, dava satisfação ao que ela falava, o clima ficou quente, se ela dá só uma bofetada no cara, ele desmancharia todo. Ele é fino, ela era toda encorpada, não era gorda, nem grossa, era mulherão, ainda mais quando malhava as coxas, torneava o corpo na musculação. E Dona Therezinha que conhecia, diz que a mãe dela, era muito mais bonita que qualquer filha. Imagina!
Se o Céu existe, finalmente o Folote vai ter tempo para “comer” aquela mulher, como ele chegou para me perguntar se nós tínhamos alguma coisa juntos, uma relação, falei que não, ele insistiu, até que pediu licença.
- Com licença então, que eu vou comer aquela mulher!
Não aguentou nem a primeira rodada de cerveja com ela, imagina fazer o resto. Só fico com pena que ela morreu e eu nem disse a presepada do Folote que era a fim dela e eu os fiz se sentarem bem juntinhos e ele quis dar uma de macho, enquanto ela estava só começando, ele já estava de olho vermelho, sonolento e se despediu de todo mundo, quando a noite só estava começando, numa sexta-feira, depois que a turma que se reunia sempre, fez a ginástica, a sauna e se deslocou para o bar.
Não comeu, como dissera e aquela voz grave de antes, se tornou uma voz de pedido de desculpas, mansinha, passou uma gaussiana e se mandou.
Gaussiana é termo referente à Gauss, em Física III e IV, de eletricidade. Se o Eduardo Braga passar uma gaussiana no Ministério, a Polícia Federal e o Ministério Público fecham circuito.
IS THIS THE END?
Papo vai, papo vem, mulher sabe como mexer até com os instintos de homem metido a fiel, aliás, eu acho que o cara muito fiel, vive reprimido, ele só não tem coragem de fazer o que tem em mente, mas intimamente, pensa mais em sacanagem do que quem não precisa fazer tipo.
Pela primeira vez Jerê iria trair uma relação. Era virgem nesse artigo!
Keila o levou ao escritório e disse que ali ela só tinha um sócio que já havia ido para casa para ver a família.
Escritório amplo, chuveirinho, melhor do que o Drive In que havia na Ponta Negra e agora está ao lado do Motel Assyrius que a torneirinha ficava abaixo do dedo mindinho do pé. Até banho tcheco era difícil, sem falar que a melhor posição naquele ambiente de amor, era no capot do carro, se o motor fosse dianteiro, no mínimo 30 minutos para colocar a caboca deitada e começar a brincar. Banco de trás, só vi em cinema, não funciona. E o atendimento de fino trato. Era apertar uma campainha, tinha água, água com gás, água natural, água “torneiral”, água do Rio Negro, água da Ponta Negra, cerveja, cerveja quase gelada, cerveja choca, gelo, Corote, 51, Rabo Fino, uma variedade incrível.
Espalha tudo, deita na mesa de trabalho, rola no chão, nunca Jeremias tinha se jogado tanto fazendo sexo, sempre teve muitos pudores, mas desta vez, se sentia livre para fazer o que bem quisesse. De repente a porta se abre.
- Keila!
- Ah, é meu sócio, meu ex-marido também.
- E agora?
- Nós somos ótimos amigos.
De repente o cara entra.
- Que putaria é esta? Vou matar.
- Calma, vocês não são bons amigos? Se for por minha causa, eu vou me embora!
- Fica!
- Alejandro, mas o que é isso?
- O que é isso, pergunto eu. Namoramos cinco anos, fomos casados doze e tu nunca me deste a bunda. “Ah dói!” “Hoje eu estou com disenteria!” “Eu não sou mulher disso!” Agora tu nem bem conheces esse vagabundo, olha só.
- Eu não tenho nada a ver com isso. Eu sou casado. Ela que deu ré no croquete, eu sou humano, como diriam os paulistas, o mano, não tenho sangue de barata.
- Sua filha da puta!
- Calma mermão. Se o problema é esse, o cu é seu, vocês fiquem se resolvendo que eu tenho família, já está tarde...
- Fica!
Nada se resolvia, quando Jerê questionou Alejandro. Já fez contato de pele, segurou no ombro do outro, sabe como são as coisas.
- Respira fundo, tu estás muito nervoso por uma coisa que só serve pra fazer merda e acabou em merda. Não vai sujar o teu nome, por causa disso que é um buraco fedido da porra, lembra dos teus filhos, da tua atual esposa. Respira irmão, senão tu podes ter um enfarto, não vai ser bom pra ninguém. Deixa eu tirar isso daqui de dentro, também, já amoleceu, vou dar uma lavadinha, depois conversamos.
De repente.
- Gostei de ti!
- Em que sentido? Podemos conversar. Sem beijinho por enquanto, por favor!
- Não cara, podemos fazer negócio. Eu filmei tudo, para não enviar para a tua esposa, podemos conversar.
E tem homem que acha que mulher bonita, tem de ser, sempre burra. Burro é quem acredita nisso.
- Então tudo isso é um golpe?
- Não, negócios. É como a gente vive. Nossos clientes não podem nem abrir a boca, para não se denunciarem, ninguém fica sabendo da satisfação que damos.
- Mas o que tu queres? Eu sou pobre!
- Nunca se é tão pobre que não se possa ceder um pouco a um irmão.
- Olha, não estraguem meu casamento por uma burrice minha, por favor!
- Não, é só cooperar!
Nisso, sons de sirenes, uma confusão danada, os parceiros, Alejandro e Keila saíram correndo pela porta dos fundos. A outra, não a que o Jeremias estava babando, quando o Alejandro veio estragar tudo.
Quando finalmente se restabeleceu, Jeremias se vestiu e foi para a rua. Eram ambulâncias do SAMU, atendendo pessoas num carro que se chocara com outro, parado e estacionado na frente do escritório e quando a polícia chegou, identificou o proprietário. Keila Margarida Gusmão Abrecht.

Jeremias não falou nada, também nunca mais deu bola para ninguém, nem para o garçon, nessas lanchonetes de livraria. Não é colégio para o cara estar lanchando e lendo antes da prova. E foram felizes para sempre, até que a esposa de Jeremias foi envolvida num caso com o pastor e a fofoca se espalhou na comunidade cristã de Deus me livre. O Jerê cheio de virtudes, de fidelidade e o pastor, há mais tempo do que o casamento em si, papava a madame, e ainda exigiu teste de paternidade, de ADN nos garotos, pois suspeitava que pelo menos mais da metade, era filho dele. Jerê pirou. Ele com medo de trair descobriu que a vida é assim mesmo. Eita vida mais ou menos! 

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