Não querendo tripudiar sobre a dor dos
remanescentes da Família Archer Pinto, de prestigiosos veículos de comunicação
no Amazonas, muito menos a incerteza de estar no corredor da morte, do próprio
condenado à morte, mas eu, pessoalmente, comparei o fato da execução do
brasileiro na Indonésia, com alguns discursos internos no Brasil.
ESCLARECIMENTOS
Eu que fui detido algumas muitas vezes no “Glorioso”
Exército Brasileiro por ser ateu, devo dizer que até me acostumar, estar sem
poder fazer o que se quer, é uma coisa que é preciso trabalhar a cabeça para não
enlouquecer, imagina estar preso e além disso, sabendo que se vai acabar
executado, ainda mais num meio onde parece que nascemos para viver
indefinidamente, ou no máximo que saberemos quando morreremos.
Eu, particularmente, acho que não se pode
preparar para morrer, porque a morte é um fato e não diz quando vem. Só se sabe
que vem. Por isso, se o médico diz que se tem só dois anos de vida, ou se
alguém diz que se será executado daqui a 12 anos, sinceramente, quem me diz que
não morreria, ou morrerei antes? Mas a ilusão de que a vida é eterna, é terna e
leva muita gente a se desesperar quando marcam a hora da morte, como se
interrompessem um direito de viver até o fim dos tempos.E ainda te quem
acredite que depois da morte, ainda haja vida, mas nessas horas, ninguém
acredita.
Eu, pessoalmente, sou contra a pena de
morte, a tortura, a segregação social, como prisões, classes e, principalmente,
contra a redução da maioridade penal, quando não temos nem como transformar os
adultos, imagina colocar crianças e adolescentes, para aprenderem a ter ódio
contra a sociedade fora das celas. É querer apagar o sol com a peneira, ao
invés de se procurar soluções, não mais problemas.
CONTINUANDO
Eu já enviei uma letra de uma música
antiga que eu compus, que dizia:
In
my country
It’s
been said
There
are two weights
And
two measures
To
the same play…
Quem não viu, quem não recebeu, quem está
querendo ler, está lá no wordpress.com.
O que eu acho interessante é que até há
pouco tempo, pessoas de bem, pessoas até inteligentes, pessoas em posição
social de respeito e outras, eram a favor da pena de morte, da redução da
maioridade penal, inclusive da tortura para presidiários. Lembra disso? Talvez
no fragor da campanha eleitoral, onde a Extrema Direita saiu das catacumbas e
mostrou de novo suas garras, como diz o Chomsky, muitas vezes a opinião pública
é levada a concordar através da histeria e do intenso bombardeio na media.
[...]
Uma coisa que eu gostei, foi ele dizer que
não via as pessoas se posicionarem contra a Guerra do Golfo, ou até mesmo,
contra a posição de bombardear Saddam Hussein, quando Israel estava no Líbano,
fazendo até pior. Eu me posicionei, até fiquei visto como aliado do “terrorismo
internacional”. Tive uma, ou várias discussões aqui na internet mesmo, neste
Batcanal, quando dizia que a Invasão do Iraque, era apenas uma mania de desviar
a atenção, sobre o que realmente está por trás, as crises econômicas
capitalistas, desde de 1929, causadas sobretudo pelos EUA. Bem, agora é fácil
todo mundo ser contra, mas à época, era todo mundo a favor, mesmo porque os
meios de comunicação “democráticos”, colocavam os adversários de Reagan,
Tatcher, João Paulo II, Bush’s e outros, como monstros, como “terroristas” o
que até hoje cola.
Bem, mas agora, quando justamente um
brasileiro estava no corredor da morte, para ser executado, por um crime que no
Brasil é grave, não existe nem julgamento, a polícia mata “suposto envolvimento
com o tráfico” e os meios de comunicação veiculam como coisa normal, houve uma
consternação contrária a tudo o que pediam antes, aqui dentro. Será que depois
disso, mudarão seus conceitos e melhor, dirão que são umas bestas manipuláveis?
Qualquer idiota com a comunicação utilizada como arma, os convence, sem que
essas pessoas possam sair do senso-comum?
ESCLARECIMENTO II
Eu sou a favor da descriminalização das
drogas, a favor que as pessoas sejam responsáveis por si e por seus atos, sem
prejudicarem os demais.
Mas o que vejo, a grande maioria que se
posiciona, é justamente a favor da “guerra” contra as droga, sem legalizar,
continuar do mesmo jeito, sem ninguém saber quem e o quê está por trás do
narcotráfico e principalmente, gastando muito dinheiro jogado fora, ao invés de
cobrar impostos de quem produz e comercializa as drogas uma nova concepção
diante do narcotráfico. O comum é que se siga o modelo que não deu certo, mas
que não se quer sair. Fica um círculo vicioso, não dá certo, mata-se de todos
os lados, gastam-se fortunas e não se resolve, mas ainda se acredita que se vai
vencer a guerra. É como a discussão de que o “Comunismo” não deu certo, mas
ninguém questiona se por sua vez, o Capitalismo que é mais antigo, deu solução
aos problemas que se repetem ciclicamente.
CONTINUANDO II
No meu ponto de vista, a diferença da
morte do brasileiro, para a pena de morte para os brasileiros, consiste nos
mesmos pontos de sempre. Preconceito, racismo, uma ideia de que o povo são só
os outros, para o povo tudo o que é ruim e mal feito e pior, uma sensação de
que estamos na Casa Grande e o “resto” que se constitui na maioria, ainda vive
na Senzala.
O Archer executado na Indonésia era
branco, garotão de praia, pode até ser verdade, mas eu não engulo o argumento
de que só traficou, para pagar uma dívida em um país onde a moeda local é
muito, mas muito inferior ao câmbio com o Real, isso leva a todos a se
consternarem no país onde a lourinha sulista, mesmo sem bunda, mesmo sem
cintura, com pernas finas, vence sempre o modelo do mulherão brasileiro que
geneticamente, não pode ser macérrima, anêmica e apática.
O elitismo nacional, não é um fator
defendido só pelas elites, mas por quem quer estar, ou se mostrar como parte da
elite. O estereótipo é nossa meta. Não interessa se o cara é rico, é
intelectual, é safo, interessa fazer o tipo. Vivemos de pose! E assim sendo,
muitos que podem ser vítimas dessas injustiças, defendem-nas, para parecerem
que não são quem são.
Eu digo, o Rio de Janeiro é a Capital
Cultural do Brasil, muita gente que vive fodida, segue a moda do asfalto, Rio
Zona Sul, para parecer que também é “carioca” que tem tudo e pode tudo, não
precisa se preocupar com nada, porque é feliz e já nasce com o cu virado ao
Redentor. Basta!
Enquanto se puder fazer as classes
injustiçadas pensarem como a elite, que assim sendo, lúpen-proletariado,
estarão salvas dos infortúnios do povo, não teremos mudanças e quando as temos,
perpetuamos as práticas consideradas arcaicas, como o racismo e a questão de
sempre consideramos que ainda estamos na Escravidão. Mesmo que se mantenham
veladamente e se diga que somos receptivos a todos. Todos europeus, brancos,
louros e olhos azuis. Pergunta aos congoleses, aos haitianos se têm a mesma boa
vida no Brasil Gente Boa.
Por mim, quando se fala em redução da
maioridade penal, quando se fala em pena de morte, quando se fala em tortura
aos presos, quando se fala em tratar mal o próximo, sempre se pensa que só pode
atingir o próximo, nunca que possa estar próximo de nós. Depois, pensa-se logo
que só é marginal, bandido e “safado”, como virou palavra de ordem na media sensacionalista, preto, pobre,
puta e potencialmente sem voz e vez na sociedade.
Quando acontece de um dos modelos do Brasil
Branco e do Brasil Elitista ser vitimado, aí até quem é defensor radical das
práticas arcaicas citadas, é capaz de querer até invadir a Indonésia, para
tirar satisfação contra um dos seus, vitimado por práticas que eles mesmos
defendem, contra os outros. Então, o Archer, era outro na Indonésia, pelo
pensamento corrente, o Governo está certo.
Infelizmente, somos levados pela imposição de certos
assuntos, para desviar a atenção de outros mais importantes. E o Archer, serviu
para desviar a atenção do Brasil, das mazelas que nos cercam, por um tempo. E
agora, qual a nova questão que se sobrepõe sobre todas as outras discussões? A
separação do Zezé de Camargo, da Grazi Massafera, do Kaká já estão ficando
chatos. O BBB? “Bial está pobre e deve ganhar mais de R$ 3milhões para
apresentar um assunto tão relevante ao país?” E tome meme e tome discussão inútil em medias
que podiam tirar o brasileiro desta pobreza mental!
Nenhum comentário:
Postar um comentário