Conhecer o passado é um passo importante
para não ter decepções futuras.
Tenho visto o mundo cada dia mais sob o
domínio da ilusão.
As crianças já nascem com os escrúpulos
deformados, em função de um projeto do sistema político, econômico e social
permanente que faz alienados, para que fique tudo do mesmo jeito, pensando-se
que se goza de todas as liberdades possíveis e inimagináveis.
Dizem que a ética e a estética andam
juntas. Se for verdade, não se pode esperar muito das novas gerações, quanto a
esse quesito, pois são expostas ao que há de mais rude, de pior, desde a tenra
infância. Os desenhos animados mal feitos, mal desenhados de propósito, as
personagens de mau caráter, as bonecas para as meninas, cada vez piores, quando
se pensava a Barbie ser o pior exemplo, não, vêm bonecas Vampiro, Frankenstein,
Lobiswoman, quanto pior melhor. E vai se crescendo assim com uma estética
deformada, não se pode esperar que essa gente forme uma ética melhor do que tem
visto do que se chama de arte e na verdade é uma imposição do lixo cultural,
para que ninguém sai da linha de produção e seja abatida sorrindo.
E se vai crescendo com a ilusão de que se
veio predestinado, não se sabe por quê, mas se colocam essas ilusões de que o
mundo é de quem segue receitas prontas. Quanto mais saber dispomos, mais
alienam as novas gerações.
Um discurso cada vez mais vazio, com um
cenário cada dia mais luxuriante, ou glamouroso.
Não se apresentam mais as coisas, com um discurso realista, são baseadas em neurolinguística
que parece ter substituído o discurso do pensamento positivo, da varinha de
condão, é só saber falar as palavras certas, pronto, se tu queres ser rico,
vais ser, se tu não queres ter pressão alta, não tens e se pensa estar no
futuro, quando estamos regredindo a passos largos. O menino que iria ser muito
rico, entra no tráfico de drogas, de animais, de pessoas e acaba quanto tantos
outros, morto, ou aleijado e esquecido, em seu lugar, novos meninos, com as
velhas ilusões e assim se criam milhões de pessoas que acham que vão ser
diferente de tantos que fizeram o mesmo e nunca foram além do quintal de casa.
O ensino, ao invés de ensinar as pessoas a
serem cidadãos, faz indivíduos ensimesmados, pensando em enriquecer sozinho,
como se fosse possível manter esse paradoxo para todo o sempre.
Ninguém pode perder tempo, por isso a
Educação é apenas um caminho que se tem de pegar atalhos. Aliás, não se cria
vínculos, para não se criar compromisso, até a vida é uma passagem, como uma
poesia antiga, a felicidade nunca está onde a colocamos, sempre além e quanto
mais nos aproximamos dela, tanto mais ela foge de nós. E é assim que se criam
os egocêntricos, pensando que sem ter compromisso, senão consigo e seus
interesses mais mesquinhos, vai se alcançar o Reino do Céu, mas no Além. Quando
nada do que foi prometido aparece, mesmo que se diga que só depois da morte é todo
mundo stressado, tempo é dinheiro,
justamente quando se apela tanto para o discurso religioso que diz que é só ter
fé, teremos a vida eterna, um mundo de felicidade extrema, não precisaremos
mais nos deslocar, é só aprender, as boas almas podem estar em diversos lugares
ao mesmo tempo. Não há conexão alguma do discurso com a prática. Se o Fulano
vai viver eternamente, porque esse imediatismo tão severo? Se o Padre Marcelo
Rossi acredita em Deus, o Pai Todo Poderoso, por que se apresentar como um
depressivo sem esperança para voltar a ser falado?
O que se tem visto é uma concentração de
riqueza em poucas mãos cada vez maior, mas as escolas, principalmente de ensino
superior, colocam nas cabeças dos alunos que se tem de ficar rico, rico, rico.
Mas rico por que em princípio? Ficar rico para fazer o quê? O pensamento mais
generalizado é de enriquecer para não fazer nada.E se pensa um Brasil e um
mundo diferente. Mas isso é comum, uma elite rastaquera que pensa que só
dinheiro é tudo, é elixir da vida fácil, não se vai ter mais desgosto, nem
doenças, é só ter, os problemas se desvanecem por todo o sempre. Ledo engano,
quanto menos se faz, no Capitalismo, então, mais se perde, inclusive em saúde,
não só no mercado financeiro. Não dá para matar um leão a cada semana, a
sobrevivência é diária.
E mesmo que pessoas assim alcancem seu
objetivo, com esse pensamento arcaico que pouco mudou por séculos, em breve será
escrava de si. Vai querer gastar mais do que entra, não para sua satisfação
pessoal, mas para mostrar aos outros e mesmo com uma fortuna de trilhões, vai
se quebrar a cabeça para pagar as contas cada dia mais altas, para preservar o
que sobra, enfim, o que se pensa ser solução, ainda mais para quem é pouco
inteligente, acaba sendo uma prisão. O cara ostenta, como a prática atual diz
para se fazer, com tanta gente focada em ostentar, não pensa, não tem tempo
para ver outros caminhos e cada dia mais fica tolhida de sua liberdade de
cognição, depois reclama da violência, visto que ele mesmo chama isso para si,
dos amigos falsos, dos amores por interesse, e perde a vida, quando pensava que
era só achar o pote de ouro, o Duende da Sorte o abençoaria para todo o resto da
vida eterna.
Mas diante de um contexto desses que a
cada dia fica mais difícil, mesmo com uma produção recorde, tantos miseráveis,
sem ter o que beber, muito menos comer, mesmo com a promessa de que de repente
a boa vontade vai fazer todo mundo ciente de que os outros também existem e
ninguém vai querer mais do que o outro, todo mundo com a esperança de que vá se
dar bem, por que... É quando a realidade diz o contrário. E a pessoa acredita
que é muito difícil ter de enfrentá-la, quando a realidade não é para ser
enfrentada, mas aprendida.
O estudante entra numa “falcudade” que ao
invés de formar pessoas pensantes, forma jumentos ambulantes, e por si só, já
acredita que vai ganhar mais, por causa do curso superior. Se houver postos de
trabalho, se houver empresas que tenham compromisso com pessoas que pensem
longe, senão ele vai se especializar cada dia mais e vão chamar os menos
competentes, até para ter pouco custos com a mão de obra. Mas o que se tem
visto, desde quando me joguei no Encontro das Águas para fugir de quem me
queria escravo é que as oligarquias é que sempre se dão bem e manipulam o
discurso vigente, para manter a multidão como mero espectador, pensando que não
pode fazer nada para também ter algum alento nesta vida. É muito difícil nascer
numa classe menos favorecida e ascender socialmente, mesmo gastando os tubos
numa “falcudade”. Dentre 1.000 que tentam, um consegue, mas não muda o cenário da
pobreza cada dia mais gritante, ou, melhor dizendo, piora. A sociedade de
castas do Hinduísmo é nítida inclusive nos EUA. Quando as “raças inferiores”
conseguem um pouco mais, com muita luta, as elites que já se utilizaram da Ku
Klux Klan, de uma pena de morte feita para penalizar apenas os negros, mesmo
que tenha dado errado e alguns brancos, de origem humilde sejam penalizados
também, um sistema eleitoral que só permitiu a ascensão de um não branco, por
causa da imigração de outras raças, quando se veem ameaçadas, colocam seu
batalhão nas ruas, seja matando negro para deixar um mensagem explícita, ou
perseguindo “cucarachas” para
voltarem aos seus guetos, seja retirando movimentos como o Occupy à força, apesar do discurso das liberdades e de democracia,
ou é manipulando a opinião pública sem grandes discernimentos que vira joguete
nas mãos dos mais poderosos, como se diz, dos regimes totalitários, mas tudo
dentro da “democracia capitalista”.
Só gostaria de perguntar o que te leva a
crer que quanto mais pessoas nascem no mundo, menos postos de trabalho são
abertos, mais a robotização nas linhas de produção, mais as riquezas estão concentradas
em poucas mãos, por que tu acreditas piamente que contigo vai ser diferente do
que foi à tantos outros que já tentaram, sem ter pai rico, sem ter herança de
peso, não estar entre as negociatas que dão lucros exorbitantes, apesar de se
falar tanto contra a corrupção, vais ser o único a ter “sorte”?
O que acontece é que se forma uma geração
enorme cheia de expectativas, na base do “é só”, ela faz a tarefa de casa como
mandam as instituições privadas, ser “colaborador”, fazer networking que para mim continua sendo coisa de grupelhos, não de
capacidades, de nazifascistas para favorecer amigos, entra no mercado, não com
o intuito de contribuir, mas somente de ser o grande esperto que vai se dar
bem, depois se não der, abrir uma ONG, como
muitas “falcudades” pregam para receber sozinho o dinheiro público, ou de um
público que acredita em filantropia, mas se todo mundo tiver a sua ONG, mesmo
se forem remuneradas, vai ser cada vez menor o ganho, e por fim, partir para o
serviço público, como uma fonte em que ganha muito e se trabalha pouco e se
lesa a pátria com golpes e corrupção, apesar de todo mundo não dizer claramente
isso. Mas, outra vez, vamos usar o pouco da inteligência que nos resta, se as
vagas são limitadas em 10, inscrevem-se 1.000, por que tudo leva a crer que é
só estudar, ser competente e bonzinho, Papai Noel dá de presente de fim de ano
um cargo público? A cada dia mais vai faltar vaga no setor público, privado,
terreno, internacional e ainda se vai ter o discurso de quem é “bom” se
estabelece, mesmo que tudo nos leve a crer que quanto pior, mais fácil de se
ganhar dinheiro com gente assim e depois que se vire.
O discurso do individualismo está muito
arraigado, todo mundo quer ser rico, sem ao menos ter mais inteligências, só
ser rico, como toda a colonização brasileira, em que se vinha retirar tudo,
para vender in bruto e ainda volta
transformado e se paga três vezes mais o valor que se vendeu para eles. Mas tem
quem defenda o que está posto, sem tirar, nem por. Não deu certo aos outros,
como a adolescência está chegando a idades mais senis, ainda se pensa, com 40
anos que não se morre e consigo, tudo tende a dar certo, por se acreditar na
sorte como um fator que se pode manipular no momento que se quiser.
Por fim, para não me prolongar, pensemos
futuramente. As riquezas para poucos, o mundo lotado de gente, a pobreza e o
desemprego a cada dia maiores, mesmo que as esperanças que na verdade são a
desvirtuação dos fatos digam que a economia capitalista está dando sinal de
sair da crise, nem nos EUA que se valem da propaganda enganosa e fala da
ditadura dos outros, mas não vê que manter o povo na estupidez pessoal, é até
pior do que a ditadura às claras, o que se descortina na verdade é que vai
haver muita mudança sistêmica. Digamos que o plano de ser rico dê certo, sem
cultura, sem conhecimento, sem inteligência alguma, manipulado de toda forma,
aí o mundo vira para um sistema que não admita riqueza individual. Ao invés de
te libertares, vais procurar sarnas para te coçar. Vais ser visto como o inimigo
da maioria, vais ter de pagar mais impostos e procurar um emprego compatível
com a tua capacidade, vais notar que sem networking,
sem privilégios, com menos maracutais, estás perdido e agora?
Menos discurso e mais seriedade. Tudo é
muito bonito, tudo é uma questão de fé, mas o que nos tem mostrado desde muito
é que quanto mais individualizado se tem ficado, mais se tem perdido, inclusive
da liberdade que não é uma calça velha, azul e desbotada, mas antes de tudo, é
o poder de saber inferir sobre a realidade, saber prever o que pode vir a ser o
futuro, com o que se tem aprendido com o passado e feito no presente, ao invés
de ser apenas uma marionete manipulada pelos mesmos órgãos que desde a
Escravidão, dizem que é só... Só ser esperto, só ter fé, só pensar positivo,
só... E quando as pessoas se veem desesperançadas de terem seguido a cartilha
certinha e não ter dado nada certo, muitos são usados como recursos humanos
mesmo, onde se usa, abusa e quando dá sinal de obsolescência, de desgaste se
muda por uma peça mais nova, mesmo que não mais capacitada, mas que dê lucro
aos mesmos de sempre, como qualquer mercadoria de mercado, mesmo que num
momento determinado tenham tido a ilusão de que seriam os novos-ricos por
estarem próximo à riqueza, sendo apenas os novos manipulados e depois caiam no
ostracismo, aí advém a depressão. E dizem que a depressão é a doença do século.
Por que seria? Será que é apenas um fator emocional, ou político, social,
econômico etc.? Para mim, leigo no assunto, depressão tem muito a ver com um
mundo onde se pensou fantástico e maravilhoso e quando a realidade mostrou que
é real, a pessoa cai na fuga de consciência, uma fuga dos seus sonhos
desfeitos, sem saber como lidar com a realidade que parece tão “seca”, tão
violenta para quem pensava o mundo como um conto de fadas e no fim, percebe que
não era Cinderela, nem Peter Pan, a realidade que se nos apresenta é bem outra,
é tão plural que para uma mesma questão, são variáveis e constantes de todo
jeito que é difícil achar que fazendo o que os outros fizeram num momentum específico, vai dar o mesmo
resultado agora. Mas diferente dos contos de fada, dá para mudar, dá para se
precaver das porradas do mundo onde se pensou estar no topo e se percebeu que
se continua no substrato, lutando para manter a riqueza alheia, quando se
queria participar do bolo.
Pode
existir um mundo onde não haja pirâmide social, todos pertencem ao mesmo plano
e quanto mais conectados e juntos, mais evoluem, mas coletivamente.
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