quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

NÃO TENHO NADA COM ISSO!

Nestes tempos em que ser fútil é posar de intelectual, aparece gente sem conteúdo algum, querendo ser celebridade. E assim era a Família Schirowsky de Almeida & Almeida - fazem questão de acentuar o Almeida & Almeida como se fosse grandes coisas. Tu conheces algum Almeida & Almeida que tenha feito alguma coisa de destaque no mundo? Nem eu -, daquelas famílias reacionárias até o topo que de repente querem posar de vanguarda. E acham que só fazendo pose, já basta.
Guilhermo Schirowsky de Almeida & Almeida chegou até a frequentar programas matinais, dominicais e sensacionalistas, sobre bullying. Os pais brigaram muito com os coleguinhas dele que o chamava, já naquela época, de Porta-Jóia de Rola, sabe como são as crianças, impiedosas,mas verdadeiras. Por isso, os pais achava que era extrema violência contra o coitadinho, hoje é “artista” em uma casa LGBTTTTTTTTTTTKLMXYZ – velhos tempos aquelas em que eram só Lésbicas, Gays e Simpatizantes que na verdade eram enrustidos, hoje se inventou tanto baitola, é Travesti, Transexual, Transgênero, Thiaguinho, Travado, Travoso, Tocaia, só as mulheres homossexuais é que continuam sendo ou mulher-macho, ou sapatão e pronto – onde seu show é famoso e atrai gente do mundo inteiro, ainda mais evangélicos. Começa como Menino Jesus, depois vai percorrendo todo o corolário de Cristo, segundo João, Segundo Mateus, segundo Chiquinha, segundo Kardek e segundo Elixico Paregórico Xarope Xavier, o Homem dos espíritas, até o dia em que bate as botas de fraldão, pregado na cruz, sem poder desmunhecar com os pulsos, aproveita para desmunhecar com os cílios postiços e os seguidores abestalhados ficam fazendo vigília na catacumba. Então ele reaparece dos mortos,  espalhando purpurina, de asinhas, voando por cima de todos e cantando:
Pensaro que fumo mas vortemo
Oi nós aqui traveco!
Os neopentecostais então, saem aos prantos, inconsoláveis da apresentação da Vida de Cristo Sem Tirar Só Pondo, como é o título do programa.
Certa vez, os pais dele adentraram ao camarim, pensando que o mancebo fosse leão, perceberam que é uma tremenda tigresa, estava devidamente de quatro, com um cara desconhecido colocando a agulha no disco, entende? Colocando lenha na padaria. Municiando o quiosque. Colocando de jeito no zebesquefe do filho deles. Bem, se ainda não entenderam, vou ser claro, estava dando o boga, o bocal, o caneco, o furico, a rabiola, a urna, a tripa-gaiteira, o flaite, o raitioflaite, o latifúndio dorsal, o fiofó, a rabadela, o mucumbu, estava dando o cu, pronto! E eis o susto e ao mesmo tempo o constrangimento de todas as partes, inclusive do diretor teatral que fingia muito bem que era muito macho, aliado do Bolsonaro no Colégio Militar, até as Agulhas Negras.
- Meu garoto!
- Meu papito!
- Menino dos céus, este homem está machucando você querido?
- Não mamãe, é o meu prazer!
- Viste Cinthia Cleia? Viste? Eu bem que avisei, esse negócio de não deixar o garoto enfrentar as adversidades da vida, iria acabar assim. Protegemo-lo tanto que olha o que ele está fazendo. Um apelido era violência, um cara enrabando nosso garoto, é prazer. E nós brigamos com todo o nosso círculo de amizade, pensando que o estávamos resguardando da violência do mundo. E ele dando a retaguarda sem sentir dor.
- É, mea culpa! Admito, fui muito boazinha na educação dos meninos, quem engole uma maçaroca dessas, sem nem gemer, aguenta muito mais e eu pensando que ele era fraco.
- Meu filho, por que aquele estátua de São Sebastião?
- É o Padroeiro da Causa. É assim que todos nós gostaríamos de morrer, uma flecha de Cupido no coração, um tronco veiudo nas costas, contorcendo de prazer.
- É, não tem jeito deste rombo em diante, Cinthia Cleia, daqui pra frente, nem dando o testemunho, nem o sangue de Cristo tem poder.
Mas sabe como são essas famílias metidas a tradicionais, o que é deles, sempre é melhor. Dia desses, em um programa humorístico, estavam falando da diferença entre baitola e boiola. Baitola é sempre o filho dos outros, o da casa, é boiola. Então saíram divulgando as maravilhas do filho, sem dizer o outro lado que ele entrega como um ato de filantropia vai à Bíblia para dizer que está certo: “daí a quem tem fome, com a mão direita, sem que a esquerda saiba, quem cuida dos mais humildes, está dando a Pai”. E ele que era religioso até a alma, dava tudo, sem cobrar nada e se o Caboco Enrabador for pobre, ainda dá mais do que apenas o robiscopi  - aquele filme famoso do policial que virou robot e só ficou o cu e a catinga – ele dava uma chupadinha, batia um punhetinha, qualquer coisa para ser visto como cristão.
A família era assim, só mostrava o lado mais bacana, quem está aqui fora, pensa que é propaganda de margarina, de automóvel de luxo, de condomínio vertical, só tem beleza. A Família Feliz, como era vista por muita gente.
VALÉRIA KATIÚSCIA
Bem, eram dois filhos, a representante feminina na Família Schirowsky de Almeida & Almeida, era Valéria Katiúscia, uma menina chata, mimada, antipática que achava que era feminista, quando na verdade, como definiu uma feminista recentemente, era femista, aquelas mulheres que não entendem nada da luta pela condição feminina e querem apenas trazer para o lado feminino, tudo aquilo que foi reprovado no machismo, inclusive aquela mania de achar que só por ter nascido com uma sexualidade, já é competente, está acima dos outros, é capaz, mesmo sem precisar se especializar nas coisas e que pode dominar, segregar, ao invés de se juntar a todos.
Valéria Katiúscia confundia arrogância com personalidade, queria se impor, sendo antipática, derrubando os outros, querendo tudo só para si, mas com um discurso pronto para enganar por quem se deixa levar só por discurso fácil.
Era daquelas que sempre dizia que a mulher ainda vai dominar o mundo, o discurso do machismo, apenas com o sinal invertido.
Mas quando o pneu furava, apelava para o pai, o irmão, o namorado, até para o amigo de pós-graduação, como aconteceu comigo.
[...]
Eu estava estudando, tranquilamente, como havia me comprometido, quando me inscrevi na pós-graduação, quando uma amiga chegou atrasada e descascou encima de mim.
- O pneu furou, tu nem pra teres celular. Fiquei numa rua escura, erma, apareceu um cara querendo ajudar, eu fiquei apavorada, não tinha como te chamar, tive de ligar pro meu noivo.
O noivo que acabou logo em seguida, com o discurso de que a amava demais, não podia ficar com ela, nem eu entendi, mas vai que tem algum fundamento, afinal, a relação era deles, não sou conselheiro matrimonial para me meter e entender as razões de tanto amor. Já dizia Shakespeare: “entre o Céu e a Terra... nem a vã filosofia...”  Esqueci essa porra. Serei borracheiro? Direitos iguais, então aprende a trocar pneu, a trocar a vela do motor, a reparar o nível de água no radiador e de óleo no cárter.
É daquelas que arranja confusão com todo mundo, quando deveria se defender, liga para o pai, o irmão, o namorado, quer que todos os homens a defendam, Tipo mulher no trânsito. Quando está saindo da garagem e a rua está com o tráfego intenso, faz todo tipo de charme, pede com uma cara de coitada, o cara deixa, lá na frente, quando tem de ceder para o outro, espera, aí aparece aquele monstro sem alma detrás do volante que passa por cima se o cara frescar, não dá a vez, nem se for para ambulância com sirene e luzes acesas.  O cara fica com a maior peninha, aliás, tudo o que se baseia em pena, em dó, acaba como o Renner e os sertanejos que viraram celebridade, não porque têm um produto bom a apresentar, mas porque eram pobrezinhos, coitadinhos, agora, abusam da petulância.
Essa era Valéria Katiúscia, uma menina mimada que achava que era Menina Super Poderosa, aquele desenho animado, de umas garotas muito mal desenhadas, tudo em bastonetes, mas que virou febre, como muita porcaria alicerçada na propaganda apenas.
O CASAMENTO TRADICIONAL
De repente aquela menina que não entendeu nada, quer fingir ser uma coisa que não é, conheceu Ricardo Lourival da Cunha Neves num bar. Sabe como é amor de noite, todo mundo fazendo o maior tipo, aquele machão que na verdade nas horas vagas é uma moça, todo mundo querendo dar para ele, ele a fim de dar para os bofes, até as 3:00h da madrugada, onde quem não se armou, está pegando até sarampo no teto, tem quem acredite em amor de bar, em promessa de bar. O cara promete mundos e fundos, no outro dia diz que estava bêbado e não cumpre nem à caceta. O pior é quando o cara pega aquela gatinha, quando acaba do “vamos ver” que ela aparece só de toalha, saindo do banheiro, ele percebe que é o maior jaburu. Comprou Suzie por Boneca Frankenstein, aquelas bonecas que representam bem este mundo pós-moderno, sem ética alguma, representado bem pela estética do que chamam de arte contemporânea, uma merda. A mulher tirou a peruca, os cílios, as unhas postiças, o salto alto, é preciso olhar para baixo para encontrá-la, a dentadura, o olho de vidro, o bundex, enfim, o que sobra, não dá para fazer uma Boneca Barbie. Só o cuí e se o cara não segurar a madame, é capaz de tirar até o I e ficar só o cu. Assim mesmo, todo murcho.
Ah sim, para esclarecer quem não é do Amazonas. Cuí s.m. (c1607 cf. RelCar) 1B resto do tabaco reduzido a pó.  2 AMAZ farinha de mandioca fina, peneirada. ETIM tupi ku’i   ‘farelo, farinha, pó’ .
É chamado para ouriço também, ou ibaracuí, ou cuí,
Ela achava que era amor, acredita em amor à primeira vista que os profissionais da área, dizem que é apenas tesão, na maioria das vezes não resiste à primeira pirocada, não se sedimenta e acaba em amor, em compromisso, em companheirismo, apenas uma maneira de satisfação sexual, cada um para o seu lado e Deus contra todos. Mas ela insistia que era o amor dela, logo ela que como uma antiga namorada, tinha tantos ex que eu dizia que para não se esquecer, tinha três cd’s, só com o primeiro nome de cada um, cheios. E eu acho que inaugurei o quarto cd, ou pelo andar da carruagem, a conexão USB dela, mesmo casada, ainda tem quem ache que ela pule a cerca. Mas não me interessa, o que tinha de ser feito, já fizemos, agora são águas passadas. Mas Valéria Katiúscia tinha de casar, casar, casar, havia encontrado o homem da vida dela. Só se fosse gato, sete vidas no Brasil, nove nos EUA, porque o que já passou de homem e passou todos pelos peitos deve ter desabrochado a florzinha, faz tempo, está para murchar de tanto que foi regada.
Então a Família Schirowsky de Almeida & Almeida resolveu fazer uma festa de luxo, ao estilo dos casamentos de príncipes e princesas de antigamente. Gente tão “antenada”, tão atual. Imagina! Quando antigamente casamento não tinha nada com amor, era a consolidação de poderes.
Escolheram véu com pedrarias da mais refinada mina sul-africana. O vestido foi desenhado por Mark Jacobs, aquele gay que adora chamar a atenção, vestindo minissaia, ao invés de fazer coisa que o valha em seu afazer. Só destoou de tudo, o local escolhido. Mesmo sob protestos das famílias, ela queria que fosse realizado na Maria das Patas. Uma casa de leniência, ou de conforto masculino, como se chama puteiro, educadamente, que ficava em Manaus. Eu, moço de família, não entendia porque a Maria se chamava das Patas. Então me explicaram, para não chamar as funcionárias de putas, ela preferiu se intitular de Maria das Patas, era uma cafetina muito frequentada por anos - e até por piriquita mesmo -, chegando a se instalar no Bairro de Adrianópolis, lugar considerado chique, ainda hoje.
Bateu o pé que tinha de ser ali. Hoje, casamento é um negócio para quem não tem nada mais a apresentar, do que tolice, a oportunidade de se mostrar. O amor em si, não importa, como não importava antes, mas é tanta gente querendo ser original no casamento que acaba sendo apenas mais um casal de idiotas. È gente casando de paraquedas, no fundo do mar, nu, no balão, virou um motivo para quem não amadurece, brincar de ser gente grande.
Ela queria casar na Maria das Patas. E casou. Hoje, mulher impõe tanta coisa, mesmo dizendo que a luta é por um espaço no mercado, respeito para a condição feminina, mas parece que é uma maneira de continuar a ser tratada, como objeto, como mercadoria, sob a tutela de um macho que tem de realizar até vontades antes inimagináveis das mulheres submissas de antigamente que nem precisam ser evangélicas e serem orientadas pela filha do Bispo Edyr Macedo que prega na TV de hoje que mulher de Deus, é mulher que tem de realizar todas as vontades do seu homem; Não sei se ele pedir sexo anal, ela tem de perder as pregas, se não é pecado a sodomia, nas igrejas protestantes. Vai ver que não, era como o rico não ir ao Reino do Céu, de repente Lutero que não era o Martinho da Vila e não foi devagar, devarinho de maneira alguma, chegou botando banca, dizendo que agora se pode enriquecer bastante e viver nababescamente na Terra, desde que faça filantropia, para assegurar um lugar no Céu, assim do nada, como todo mundo que quer abrir sua igrejinha, para ficar rico, em nome de Jesus que pregava a humildade e ate a conformação, contra a soberba. E ai de quem discutir tanta vontade a ser satisfeita pela “mulher pós-industrializada”, é tachado de atrasado, quando muita coisa é feita, como se fossem nossas vovozinhas, dependentes dos pais dos maridos, ou relegadas ao caritó, como uma coisa de menor valor. Mulher só existia se estivesse sob a chancela de um macho e muitas vezes, um homenzinho de bosta que só tem o título de macho, por causa do penduricalho que muitas vezes, hoje, só funciona com tesão de farmácia e depois de rodar a manivela num terra.
As pessoas ouvem o galo cantar, já saem fazendo coisas que pensam ser da hora, mas são tão atrasadas, quanto de tempos imemoriais.
Ontem, quando acompanhei Dona Therezinha ao Banco Itaú, aquele dos lucros exorbitantes, mas um atendimento de merda, até para os correntistas considerados top, caiu o sistema em toda Manaus, mas nem ao menos para virem ao cliente na sala especial, dar satisfação do que estava acontecendo, as gerentes pegaram o beco, o banheiro parecia chiqueiro, apesar do serviço de faxina terceirizado ter gente a todo momento, mas conversando lá na frente, a cabocada não sabe apertar o botão de descarga, tinha mais mijo, até no chão, do que em estádio de futebol, de times de trogloditas; estava falando ao taxista que em todas as relações, pode ser econômica, política, sentimental, de amizade, tudo, quem tem o poder econômico é quem manda. O cara pode até num primeiro momento dizer que é bonzinho, mas diante de uma coisa que se vê sem saída, apela para o seu poder de financiar as coisas.
- Amor, deixa de trabalhar, a mulher pós-moderna pode até decidir ser doméstica, como uma ato de soberania.
Espera para ver, ela fica dependente do marido financeiramente, na primeira porrada, ele se coloca acima e ai dela se não cumprir o que ele manda. Enquanto se os dois tiverem como se manter, a relação em casa é diferente, mesmo que muitas mulheres ainda casem com Reis do Lar, façam a dupla jornada de trabalho, relevem tudo, achando que é amor, quando apenas são uma mulheres atrasadas que trabalham também fora de casa, mas ainda submissas.
Não tem jeito, as pessoas têm mania de discutir encima do eu achismo, ao invés de se basearem no que se tem de conhecimento. A mesma coisa com pobre, o filantropo é bonzinho, mas deixa o pobre que vive de altruísmo, colocar seu ponto de vista contrário, para ver se continua a ser beneficiado. E o taxista pensou um pouco e concordou. O mundo pode até rodar, mas as coisas não mudam por um passe de mágica. Estava discutindo, sobre produção e distribuição. Não tem jeito, como ele disse, dia desses na Feira da PanAir que virou mesmo Feria da Panaír, o cara chegou com uma canoa cheia de peixes e vendeu tudo por R$ 100,00. Eu disse que o vendedor da Feira, iria colocar o preço de R$ 100,00 em cada peixe. Quem menos faz, é quem mais lucra. O problema não é de produção, dá para alimentar 3 vezes a raça humana e mesmo assim, ainda existe uma miséria, uma fome muito grande, mas como o sistema é de lucros, o vendedor não vai dar de graça, senão acostuma e não tem lucros. Se não vende, mesmo que sejam milhares de peixes que ele só teve de colocar a rede e trazer para a Feira, ele joga no lixo.
É como as crises cíclicas do Capitalismo, pode crer, mesmo que robots estejam à frente da produção, o problema é distribuir. Quanto mais robots, mais desemprego, menos consumidores, acaba em crise e para se vender o que é novo, para ter novos lucros, é preciso destruir o velho, lá vêm guerras, até grupos pagos para quebrar, para roubar, possibilitando assim que se venda mais e não se estagne a produção.
Mas inda se discute muito sem base de nada, como se tudo fosse novidade, só porque algum best-seller escreveu um livro novo dizendo que tudo mudou, como o Bush que decretou o fim da luta de classes e muita gente comemorou, mesmo que no auge do Neoliberalismo, a luta de classes fosse selvagem. Tem gente que vive esperando milagre, ao invés de adaptar ao mundo real.
A SURPRESA
O casamento foi aquele espetáculo, sim, hoje, todo mundo quer ter seus 15 minutos de fama, sem apresentar nada que o distinga da plebe rude, como dizem, sendo moderno, pois o princípio básico do Modernismo era o escândalo em torno das obras. Não se precisa fazer nada demais, ganha quem grita mais alto. Fica a disputa entre a Madonna e a Riahanna que se promovem, fazendo papel de puta rameiras, sem nada mais do que umas musiquinhas fuleiras, mas celebridades internacionais. E as pessoas continuam, achando que são muito contemporâneas. Isso o Oswald e o Mario de Andrade,o Villa Lobos já faziam sem seguir nenhum manual de Escoteiro Mirim, de como chamar a atenção.
Mas dali em diante, parece que a festa acabara no momento em que se teve de limpar o salão. Muita gente ainda acha que casamento é só a festa, o dia a dia, ou melhor, o dia seguinte, quando a ficha cai, cada um quer tirar o cu da reta.
Nunca mais foram o mesmo casal apaixonado, mesmo porque paixão não resiste por muito tempo, é coisa de gente imatura, enquanto parceiros, só funcionou até o momento de dar satisfação aos outros, o que hoje é muito comum. O cara não é nada, nem faz por onde, mas vive querendo aparecer, com selfies, com  “seguidores”, ou seja, gente mais desqualificada do que os outros que tentam pegar carona na fama alheia.
Um dia Ricardo Lourival estava escalado para ir ao Oriente. Sim a terra do pessoal que não abre os olhos, nem depois de tirar a ramela dos olhos. A terra em que fim de ano, é desgraça para todo lado, todo ano parece que é o fim do mundo. Foi ao aeroporto e na saída, como todo casal norte-americano do Sul, despediu-se na porta, para todos verem. Lá dentro nem se tocam, cada um dorme em seu quarto, mas em público, até dá inveja a quem acredita em muita cena de novela.
É como as senhoras aqui de casa com quem eu fico puto, toda vez que vamos sair. Todo mundo esperando o táxi, elas paradas, quando chega, aí é que vão procurar as bolsas, ver se está tudo no jeito, arrumar o que falta e o carro esperando, quando chegam do lado de fora da rua, é que resolvem rezar. Pauta que pariu, não dá para fazer essa porra, enquanto esperam?
- Não, só pode ser feita na hora em que se sai de casa.
Então sai antes e reza, ora, louva, mas não atrapalha. Esse caralho de religiosidade já é um saco, ainda atrapalha o mundo real.
Mas Ricardo Lourival até esperou o voo em que iria, mas era da Asia Air, aquele em que o piloto pensou que Airbus era submarino e se lascou no fundo do mar. Então, quando os passageiros foram avisados que não iriam nem com reza braba, decidiu voltar para casa, era conformado, nem pediu uma hospedagem por conta e uma putas para não entrar com um processo, contra empresa. Era recém-casado, achava que tinha de ser fiel. Como a máxima no futebol: “quem não faz, leva!” Fidelidade, é sinal de que se está procurando chifre. Quem é fiel? A torcida do “Curingão”. Ah, acredito.
Lá foi ele, querendo fazer uma surpresa à amabilíssima esposa, que deveria ter voltado do trabalho há tempos, devia estar com saudades, na cama, sem o marido querido, entrou sem fazer estardalhaço, pé ante pé. Quando chegou ao quarto, pensou que o cunhado estava na casa.
- Guilhermo, na nossa cama, porra?
- Opa!
Foi um susto tão grande que o ferro do cara amoleceu como se estivesse sob alta temperatura.
- Mas o que é isso? Vou matar os dois.
- Peraí amigão, eu não tenho nada a ver com vocês. Conversem aí, mas deixa eu voltar pra casa. Sou um homem casado, diretor de empresa com muitos funcionários com famílias grandiosas, amo a minha esposa, tenho muitos filhos que ainda dependem de mim. Vira esse trabuco pra lá mermão.
- Vou matar. Olha que desde quando namoro com essa filha da puta que eu peço pra meter no anel. Ela não deixa eu meter nem o dedo, de repente conhece um vagabundo qualquer e já sai entregando, sem conversa. Filhos da puta!
- Me respeite!
- Respeite? Eu estou armado.
- Bem, não precisa respeitar, mas vamos conversar como amigos. Eu ainda sou muito novo para morrer, tenho apenas 54 anos, dizem que o homem vai viver até os 500 anos, imagina eu morrer hoje, é um desperdício. São quase 1.000% de tudo o que eu poderia aproveitar.
- E tu estás aproveitando com a mulher dos outros?
- Não eu nem sabia que ela era casada.  
- Como é, Alfredo?
- Bem, eu pensei que fosse brincadeira dela, esta mulher vive na putaria, juro que eu pensava que ela era solteira e desimpedida. O papo de casada, era só pra dificultar e ter mais de quem a procurava. Tenha piedade de um bom cristão que só quer fazer o bem aos outros.
- Metendo no cu, né?
- Olha, nem das xadangas eu gosto...
- Que porra é essa?
- Que porra amigo?
- Xadangas?
- Ah, nem de cu eu gosto, ela disse que estava coçando, eu não queria sujar meus dedos, não sei onde estão as coisas nesta casa nova, foi a única solução. Me desculpa, já está tarde, se eu chegar tarde em casa, minha mulher começa a desconfiar que eu estou na putaria. Fiquem aí discutindo a relação. Eu não tenho nada com isso. Obrigado por tudo!
Depois do trauma, a esposa de Alfredo até desconfiava que ele a estava traindo. Nunca mais quis saber da mulher alheia. Ficou tão fiel que a mulher enjoou dele e contratava michés, para se satisfazer sexualmente. Ele tinha ficado muito chato. Homem fiel é que nem leite condensado com açúcar e mel, até as papilas gustativas femininas que adoram uma coisa adocicada, acabam querendo coisa mais bitter.  Ah, não sou eu que digo, apenas transcrevo o que já ouvi dizer de umas amigas.
Acabou em divórcio do lado de Valéria Katiúscia, Ricardo Lourival não conheceu Seu Clóvis que dizia que é melhor comer um banquete acompanhado, do que merda sozinho. O que tem demais um chifre? Desde que ninguém saiba, tudo bem, lavou escaldou, já está pronto para uso, desde que sobre um cuzinho para nós, um boquete sem segundas intenções, maravilhoso. O problema é trazer companhia para casa, no caso dessas pessoas casadas que transam fora, sem preservativo, nem se preservarem, podem voltar acompanhadas, até para sua cama, com uma gonorreia, um sífilis, um cancro, uma AIDS, aí é inaceitável, no caso da AIDS que não tem antibiótico que dê jeito, até se for inaceitável o cara está fodido pelo lado mais negativo possível.
Então Valéria Katiúscia pediu emprego ao irmão, visto que perdeu por todos os lados, as benesses a que estava acostumada e ela chamou mais clientes à casa de diversão madura, como também chamam bordel, para não parecer que é lugar de esculhambação, com seu número, do que Guilhermo com a vida de Jesus. Encarnou Luz Del Fuego. Sentava em tudo o que era cobra, já aparecia despida, contorcia-se de todo jeito e no fim, acendia um isqueiro e mandava aquela flatulência, iluminando o ambiente por inteiro. Para isso, 10% de todo lucro tinha de ser investido em ovo choco, em couve-flor, em repolho, em cerveja quente, em pickles, suco integral de uva, essas coisas que causam gases abdominais que acabam em bufas anais. Os clientes faziam leilão, para consumir o Bufante em Chamas, como era conhecida. E a cada noite, o leilão da argola dela gerava mais lucros. Assim dispostos. 10% para os insumos dos gases, 60% para Valéria Katiúscia, 15% para a casa e os 15% que sobravam, para corromper autoridades que faziam vista grossa para a putarias que até hoje são ilegais, eu quero ver quem não gosta. O pessoal quer fingir religiosidade a Deus, mas se arrepia todo, ao primeiro sinal de uma saliência às escondidas.
Bem, vou ficando por aqui, tenho de comer e muito, para alimentar este corpinho de mais de 100kg, é o meu charme, fazer o quê?   
Mais uma história que não se sustenta, onde as pessoas ao invés de serem, querem dar satisfação aos de fora e acaba mal. E eu não tenho nada a ver com isso. Eu sou contra casamento, relacionamento muito grudento e principalmente, fidelidade, no meu caso, lógico. Se a minha parceira quiser ser fiel, eu até incentivo.
Ah, já ia me esquecendo, como muitas, a Família Schirowsky de Almeida & Almeida não podia sair por baixo, reinventou a história do casamento de Valéria Katiúscia, a culpa toda era do marido que não era homem suficiente e coitadinha, ela teve de procurar homem na rua, porque o seu cônjuge era muito fraco e isso a levou a um trauma tão absurdo que hoje ela vive representando um papel para fugir da realidade que se tornou tão cruel com ela. Mesmo assim, é uma mulher que se sustenta por seu próprio trabalho. E a Família Schirowsky de Almeida & Almeida continua sendo vista como uma das guardiãs dos valores mais cristãos e éticos, - coisas que são como água e azeite, mas tem quem acredite – da sociedade mais pura, como a Virgem Maria.

Assim, continua se iludindo a humanidade. 

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