domingo, 11 de janeiro de 2015

CHOVE LÁ FORA E AQUI...

É, estamos no período chuvoso, os 6 meses de toró, isso antigamente, porque hoje, a chuva, comparada com antes, é uma garoa, mas desde ontem, chove lá fora e faz um calor filho da puta em Manaus. A água bate e o calor do asfalto e dos prédios vira um fogareiro a céu aberto.
Eu até gosto, plantei umas pimenteiras que estavam no vaso, no lugar da horta e precisam de muita água para crescerem mais e darem frutos, ou seja, pimentas, eu preciso fazer uns molhos maneiros, visto que o que está no fim, já não arde nem no olho. Dona Therezinha perguntou se eu vou plantar pimenteira de todo jeito. Eu gosto de pimenta, na outra casa tinham pimenteiras de todo tipo, o que deixava o molho mais ardido, mais gostoso, eu também gosto de cabeça de peixe, gosto de mulher, apesar disso, como ler, pensar e falar em política social também ser considerado atrasado. Mas eu prefiro ser atrasado do que viver tomando no rabo e ainda sair espalhando que é onde está o prazer. Cada um sabe por onde chora. Eu prefiro do jeito antigo, eu colocando de jeito nas garotas, nas companheiras que já nascem com útero e não precisam tomar hormônios para dizer que é mulher, mulher, mulher. Mas respeito quem tenha outros prazeres, o meu é desse tipo, arcaico para cacete.
Dizem que na cabeça de peixe, é onde se concentram os nutrientes que servem até para dar tesão na cabocada. Lembro de uma conhecida, do Rio que ficava enojada da filha ter o mesmo hábito do pai e chuparem cabeça de peixe. Ela não chupava nem na hora do chove-não-molha a cabecinha que não tinha nada a ver com o peixe.
Sim, talvez seja por isso que caboco goste tanto de sexo, não precise de tanta fantasia, são nutriente presentes nos alimentos locais que dão tesão e ainda colaboram com o colágeno, com a preservação da espécie, por isso, é tirar a calcinha, o soutien e a cueca, se a indústria farmacêutica precisasse dos cabocos para comprarem Viagra, Cialis e companhia, iria morrer de fome, porque o pessoal já fica hirsuto só com o cheiro, a inhaca das coisas, a catinga da caboca. Mas hoje, o pessoal quer ser estrangeiro em casa, não come cabeça de peixe, não sabe o que está perdendo, não toma açaí, os estadunidenses levam toda a produção, só salmão, caviar, Coca-Cola e cogumelo, muitas vezes que pegam na Amazônia e comercializam como japonês, norte-americano, francês e os toscos pagam com o maior prazer, para e por serem passados para trás.
Mas voltando ao caso de Manaus, mesmo chovendo, faz mais calor do que sob um sol causticante, na verdade a Capital do Amazonas virou deserto, não tem mais volta. Nosso solo é pobre, melhor esclarecendo, paupérrimo, é mata primária que só existe no INPA, Universidade Federal do Amazonas e na Reserva Duke; depois, mata secundária e daí, campinarana, campina, gramínea, mato no sentido estrito da palavra. Quando o pessoal que veio por causa da Zona Franca procurar novas “aventuras”, Manaus não vai servir para mais nada. Só buraco, só devastação.  
- É o progresso!
Eu entendo, para mim, progresso tem a ver com saber, com cultura, com educação, com inteligência, mas ainda tem gente que acredita em Deus e faz disso, até células terroristas, fazer o quê? O tempo, segundo a Física, não é linear. Deve ser isso, em pleno 2015, tantra gente estúpida e ignorante, pensando que está arrasando. E olha que o zinco, o selênio presentes na cabeça de peixe, também servem para a inteligência.    Fiquem na Coca-Cola e no Militos para ver.
Os empresários do Amazonas não exaltaram a escolha do General Villas Boas para Ministro do Exército do Segundo Mandato do Governo Dilma? Por quê? Por ele ser contra tribos ameríndias, ser contra os recursos naturais, tão atrasado que se Deus nos livre, o Brasil entrar em uma guerra, ele vai só de folha de parreira nas partes e tacape para se defender. Mas não difere muito, de muita gente que parece ter parado no tempo e acha que basta só viver de pose.
Se fosse nos filmes de Bang-Bang, poderia até ser Sheriff do Velho Oeste e ter como assessor o chefe do FECOMÉRCIO, da FIEAM, do CIEAM  e tantos outros que há pelo menos dois séculos ultrapassados, seriam considerados de vanguarda.    
Mas como digo, o Brasil foi colonizado por jumentos, porém faz tempo, a Oceania que é mais nova, tem a Austrália e a Nova Zelândia que não me deixam mentir, nós temos pelo menos meio milênio, já poderíamos ter evoluído, não ainda apegamo-nos muito nos ancestrais, para parecer alguém. Não nos indígenas que já na “Descoberta” do Brasil, eram muito mais evoluídos do que os europeus catequizadores, mas nos baseamos justamente nos europeus e nos piores. Graças a Deus que a líder da Extrema Direita Francesa, Madame Le Penn(is) ainda não existia naquele tempo, senão estaríamos muito mais fodidos do que agora.
Mas ao invés de evoluirmos, ainda fomos chamar uns europeus analfabetos e sem higiene para botarem banca após a “Abolição” da Escravatura, ficou a ideia de que o “homem” é a imagem e semelhança de Deus e, portanto, a natureza tem de ser dominada. E dominação para essa gente, é destruir, como os alemães faziam nos campos de concentração na Segunda Guerra e os EUA destroem no país dos outros mesmo, com a maior cara de pau e o discurso da autopreservação, esperando sempre a comiseração de quem é leso e se deixa levar por discurso sem cabimento algum, completamente sem nexo.
Os europeus destruíram a Floresta Atlântica, foram subindo, a Caatinga, o Pantanal, cada vez mais destruindo, com a imagem do Todo Poderoso que se faça o que fizer, vem nos salvar, vem morrer por nós. E eu sou ateu, na próxima encarnação quero vir bem crédulo, só para pagar os pecados desta vida herética.
O que acontece no Norte do Brasil hoje, é apenas um microcosmos do que aconteceu no Brasil de antigamente e ainda menor, do que se pensou por eras, no mundo inteiro, quando apareceram Deuses, para justificarem a estupidez humana, onde a insensatez era vista como religiosidade santa. Deuses que eram a imagem e semelhança dos aristocratas e reis antigos, sujos, incautos, sem nada mais do que fama, para contribuírem e nos legaram um mundo violento, de elites burras e nojentas.
Mas ainda se pensa que a natureza é perpétua, até o Dia do (pré)Juizo Final. Eu sei que eu vou estar morto.  Não faço o menor esforço para levar uma vida religiosa, mesmo porque eu prefiro ser visto com uma pessoa com alguma inteligência. Nem se for de barata.
Mas não precisa ser filho de Deus, nem muito inteligente para perceber o que nos acontece. Tiraram todos os nichos de floresta que ainda existiam a nossa volta e não foi aos poucos, foi de uma porrada só, com o aval do IPAAm aquele órgão que parece um presépio no carnaval, não serve para nada. Depois, o Braga para tirar as empresas da família da falência, fez os PROSAMIN’s, uma estupidez que se fez em São Paulo lá pelos idos de 1930, até os anos de 1950 e hoje causa o maior transtorno, com uma simples garoa e uma seca dos Diabos, com as maiores tempestades. E as árvores caem e ninguém sabe. Eu sei. São as águas represadas no subsolo. Daqui a pouco, com aquela esponja que eram os leitos dos rios, São Paulo vai ter um aquífero muito maior do que o do Amazonas que é da mesma extensão e largura do Rio Amazonas, na Amazônia.  E nós em Manaus, estamos indo pelo mesmo caminho. Para o brejo. Com tanta gente (in)competente valendo-se apenas dos subsídios do Polo Incentivado de Manaus e nada mais.
As árvores estão caindo em São Paulo, é como um técnico estava explicando do porque com chuvas menos intensas do que nas grandes florestas, as águas causam tantos transtornos. Na floresta, até nas construção dos Incas, nas encostas dos morros, que não caíram até hoje, as águas pluviais escoavam com barreiras de todo jeito, troncos, galhos, raízes, a própria formação da terra. De repente a estupidez europeia inventou o sistema de escoamento das águas pluviais e até servidas, em galerias retas, quase em curvas. A água do Pinheiros entra, encontra a do Tietê, vão se avolumando, encontram dos Jardins, do Morumbi, da Zona Leste, vão aumentando a velocidade, quando estão em quantidade enorme e uma velocidade sem precedentes, o que se colocar à frente vai para as cucuias, sem dó nem piedade, porque a natureza não tem disso não, como diria um forró antigo do Gonzagão. Sem barreira, qualquer coisinha vira um monstro, como as crianças mimadas de hoje.
Acharam que desertificar Manaus era pouco, fizeram uma ponte, a Ponte que Partiu do Iranduba para cá pagaram à vista, até hoje não tem defensas, é assim que aparecem novos-ricos. Até eu, como supermercados, universidades, cachaçarias, lojas de informática, o cara recebe milhões hoje, para ir pagando com produtos e serviços, a perder de vista, até que a inflação come tudo e sem juros, a dívida cessa e o cara se arvora de empreendedor.
- Cadê as defensas da Ponte? No dia em que um navio bater e causar uma tragédia vão dar desculpas de todo jeito, menos procurar quem nos está roubando em plena luz do dia à mão armada, com o Ronda no Bairro a dar segurança a bandido.
E o pior de tudo é que a gang no poder estendeu seus tentáculos em todos os Poderes e até no setor privado. Não tem Ministério Público, Tribunal de Contas, nem pensar, Justiça então, todos acabam o dia numa happy-hour entre amigos, onde todos são aliados, sem a menor vergonha de mostrar ao público votante e contribuinte que só se fazem de adversários nas eleições para sempre estarem roendo o osso.
Já não basta a Ditadura ter aberto a BR 319, matando indígenas sem pena e até padres que ficavam do lado dos povos tribais, em nome de Deus, como disse um General Amazonense que fez parte da sublevação covarde, sobre a Ditadura que os milicos deram o golpe, por causa do chamado da Santa Mãe de Deus. Na verdade, como diz no Tortura Nunca Mais, a imagem da santa nos jornais, era apenas a senha para a Direita fazer arruaças, era uma santa lá da casa do caralho, acho que até hoje, tem nos classificados dos jornais locais e o pessoal pensa que as pessoas são santas mesmo. Devem ser as senhas do pessoal da FIEAM do CIEAM, do SEBRAE, do FECOMÉRCIO  e tantas representações empresariais locais, com saudade da Ditadura. Tão inteligentes!
Bem, o Sul do Amazonas, mais parece o cu nas zonas. Uma gauchada violenta e semianalfabeta, um pessoal que faz o mesmo que seus ancestrais fizeram com o Brasil. Meter o pau-Brasil na roda da gente.
Não satisfeitos, levaram a mesma prática para Iranduba, Manacapuru, Novo Airão e alhures. Um sargento do Exército que trabalhou para a Ditadura, depois enriqueceu com agiotagem e jogo, virou símbolo de hotel de selva, agora grilou as terras depois da Ponte, com capangas armados, mas parece que ninguém está vendo. Só quando não tiver mais jeito, vêm o Ministério Público, a Justiça fazer média na media, mas aí eles mesmos já deram as terras de graça, por usucapião. Mas é o que aconteceu em Manaus, onde as zonas eram divididas entre famílias que se tornaram notórias. Centro, benchimol e Benzecri, que se estendiam até o Tarumã que antigamente era um município. Ponta Negra, Loureiro, V8, Nascimento e assim por diante. Quando a gente espera que essa raça pense um pouco mais, apenas repete o que já se tornou esquecida pelo tempo encardido. Mas isto é Capitalismo, não tem jeito. Sempre vai haver um espertalhão para se fazer de gente boa.
Mas o terrível nem é o poder à propriedade, na forma de bandidagem, como já dizia Goethe, sobre como se amealham riquezas, todo rico, um dia foi ladrão. Hoje, até talvez não, dá para enriquecer ganhando nos jogos lotéricos, com uma música fuleira, sendo BBB, ou participando d’ A Fazenda, ou seja, quanto menos se puder desconstruir a sociedade, o sentido de cidadania, mais se ganha. Bambã, Dado Dolabela, Zezé de Camargo e Luciano, quanto mais se mostrar idiota, com seguidores, mais se ganha nestes tempos em que o sistema está em perigo e se tem de fazer o povo não pensar, senão cai de uma vez.
A tragédia daí, é que vai ficar mais quente no entorno de Manaus. Mais deserto. Tem até a Secretaria, ou uma pasta da Região Metropolitana, que o Reneé, meu ex-vizinho e ex-colega que se formou em Geologia, é o responsável, por ser maçon e nada mais. Grão-Mestre, imagina as gramíneas, com essa falta de escrúpulos. E são assim que os religiosos se proliferam no poder. Com negociatas que envergonham até quem é materialista, mas não falam nada esse povo que acredita no Além. Além da ignorância.
A tal Região Metropolitana deveria cuidar disso, mas os grileiros sempre são amigos do rei, ele não vai perder uma boquinha dessas, por bobagem. Hoje mesmo, deve estar nas mesas de bacarat, ou nas roletas conhecidas inclusive pelas autoridades que se fazem de tolas e se negocia até os escrúpulos por dívidas astronômicas.
Manaus, Iranduba, Cacau Pirêra que pertencia ao Adalberto Valle, Manacapuru, Novo Airão completamente, “modernas”, sem capilaridade no solo, só asfalto e cimento, onde se troca uma pupunheira, por uma Palmeira Imperial e onde o som dos periquitos incomoda, quem vive com a mão na buzina, como se estivesse numa constante TPM social.
Se está ruim, espera que vai ficar pior, inclusive no que chamam de “progresso”, um monte de analfabeto sem leitura, sem cultura, inventando inclusive as leis divinas, segundo sua conveniência mais simplista e imediata.
Será que antes do Fim dos Tempos, ainda seremos um povo desenvolvido de verdade? Tenho cá minhas muitas dúvidas e como não acredito em vida depois da morte, senão não se precisaria morrer, acho que perdemos grandes oportunidades de sairmos desta mediocridade de gente que se escolhe por ser turva das ideias, por ser obsoleta e obtusa, para e por preservar o pensamento sobrenatural que já se fez sem conexão com nenhuma realidade real.

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OBSERVADORES DE PLANTÃO