Ontem, as redes de notícias no Brasil
só falavam da Marcha Pela Família, Por Deus e a Propriedade Privada, não, não é
essa, é a Parada Gay? Também não. Ah, a marcha em Paris, contra o terrorismo. Quando
no Brasil está assim, só uma coisa de fora, eu ligo para as redes
internacionais de notícias e depois de muito tempo, só a BBC fez alguma alusão
à Marcha, durante a manifestação. Eu sempre digo que as redes de comunicação
brasileiras, são porta-vozes do que se prega no estrangeiro. É mais fácil o
Manhattan Connection defender uma ação dos EUA no mundo, do que a CNN que é
estadunidense. É estranho, ou engraçado isso. Uma mesma notícia, no Brasil,
defende-se ardorosamente os interesses, principalmente dos EUA, a pessoa vira
para a BBC que é estatal da Inglaterra, eles dão a mesma notícia, com vários
pontos de vista e com uma abordagem muito mais ampla do que o maniqueísmo do
bem e o mal, até alimentado pelo William Waak que deveria ser mais inteligente,
com tantos cursos que fez, não só um dogmático apresentador que desvirtua o que
deveria ser notícia, para deturpação ideológica.
Mas no fim da noite, quando fui
assistir TV, virando e revirando os canais, Globe Award não sei o quê - o que
antecede o Oscar -, NFL, Arquivos de Sexo - que por sinal são umas francesas
feias que parecem uns travestis, as mais sexies,
sem bunda, sem cintura, pernas finas, eu hein! -, passei, acho que pelo Canal
Brasil e estava apresentando ANA MARIA A MULHER DE BRANCO.
Interessante fazer uma comparação
entre Paris e Rio de Janeiro. Todas duas chamam para si, títulos de capitais
culturais.
Paris, desde um daqueles tais reis
Luis – eu nunca sei quem é quem. Só sei que o Luís XIX era porco e virou santo.
Não tomava banho, como é típico dos franceses, para não mostrar suas “vergonhas”
ao Senhor. Só “pegava” a madame de jeito, se fossem vestidos com batas longas,
onde só se via genitália, onde haviam buracos estratégicos, isso era
Cristianismo, Catolicismo sim, fundamentalista. Hoje o cara é católico e dá até
o cu, o cara é Cristão e casa, descasa, “amiga”, trai e pode! Ainda bem que
sexo era só para procriar, pois eu fico imaginando nossa colega, a rainha,
fazendo um bola-gato num pau sujo desses que devia ter até sebo. Iria ficar uma
semana sem poder abrir a boca com aquela cola nos lábios. Superiores. Banho era
só na base da toalhinha, morreu leproso, mas pelo menos no mesmo panteão do
João Paulo II, santo – acho que foi Luís XIV, ou Luís XV que deu ordens para
que a França fosse um esmero em refinamento. Eram uns reis adamados – fui reler
um capítulo d’ O PRÍNCÍPE e de novo estava lá: Adamado. Só encontrei referência
no Houaiss, efeminado, afeminado, viado, baitola, bicha, biba – mas pelo menos
a França ficou conhecida como a região da moda, da culinária, de tudo o que se
refere à refinamento, à boas maneiras e até, onde se debate de tudo, mas tudo,
com conteúdo, com base, dentro do espectro do que se pensa. E Paris, a Cidade
Luz, não só pela iluminação pública, mas também, pelo debate de ideias, mesmo
contrárias ao establishment, o
afloramento de pensamentos e práticas que surgem e depois podem ser seguidas.
E o Brasil que é um país onde quem
pensa, é sempre mandado para o ostracismo, o exílio, desde o Brasil Colônia,
passando pela República, Estado Novo, Ditadura de 1964, Governos Collour e Fernando
Henrique, sem luta, na base da imposição de armas, o Rio quis ser conhecido
como a Capital Cultural, de certa maneira, como tudo se imita, quis ser uma
Paris nos Trópicos, termo alcunhado para Manaus do Ciclo da Borracha. Mas Manaus
é no Norte, pertencia à outra Colônia Portuguesa na América, entregou-se ao
Brasil, sem grandes tratados, ou acordos, sem demandar bulhufas para se
integrar, como até hoje se faz, até as meninas dando o toba de graça para
turistas que depois ainda vão falar mal delas e como fez o Grupo Raça Negra que
passou uma semana com as garotas, pagou R$ 300,00 e em cheque sem fundo, o Rio ficou
conhecido como a Capital Federal, a BelaCap. E daí se formou todo um
estereótipo de como é o espírito do carioca, nem é do fluminense em si, mas só
do carioca. Um mito, uma exclusão de quem possa competir. O Rio é o Rio e
ninguém pode dizer menos.
Dizem que baiano é bairrista, paraense
é bairrista, gaúcho é bairrista, na verdade, para mim, é uma forma de manter
suas tradições, diferente do carioca o mais bairrista de todos, o que mais se
exalta, o que mais se eleva e enleva consigo, nem só o carioca, mas quem mora
no Rio, nem precisa ser fluminense.
- O Rio é lindo!
- O Rio é o “país” mais lindo do
mundo!
- O Rio é um mundo à parte!
Quantas músicas falam sobre a Bahia e
quantas sobre o Rio? Tirando o Dorival Caymmi, nos dias em que não estava
desmunhecando – dizem que a Carmem Miranda aprendeu aqueles trejeitos que fazia
com as mãos, conversando com Caymmi, em seus dias mais másculos -, muito
poucas. Quantos filmes sobre o Rio? Rio 4oº, Rio Babilônia, Menino do Rio, Beth
Balanço, essa exacerbação do Rio, em todas as medias, é mais ou menos como o Instituto Brasil Estados Unidos que
além de ensinar o idioma Inglês, quer fazer dos discípulos, seguidores da
ideologia norte-americana. Já dizia o Professor Salazar da Economia e pai da
minha médica e amiga Socorro, que por muito tempo foi Adjunto da SUFRAMA e
antes, viveu outros tempos na França, onde nasceu parte dos filhos, inclusive a
médica da família.
- Ensino de idioma que passa de 6
meses, vai além do idioma, é uma maneira de colocar os modos do país para os
alunos seguirem.
Não por menos o ICBEU, ou só IBEU é
citado sempre quando se fala em golpe militar de 1964. Coincidência?
Mas então, diante do que havia visto,
comparei a cultura parisiense, com a cultura carioca, sem muita consistência,
uma tradução livre.
Na marcha de Paris, quem ia à frente?
O Netanyahu. Depois fiquei pensando, os caras invadiram uma sinagoga e mataram
judeus. Explica-se, porque era uma marcha contra o terrorismo tenha o Netanyahu
participando? Ele não estava como terrorista, ditador, covarde estava como
representante do Estado de Israel, representando o povo hebreu. Tudo bem. É
outra discussão.
Mas, tirando certos tipinhos como o
Hollande que nem cheira, nem fede - é o representante do PSDB Francês -,
político sabe o que representa. Os anarquistas são anarquistas, como o pessoal
da Revista Charlie, dentro de uma linha filosófica e ideológica, não é como no
Brasil que o cara não quer pensar, pronto, é anarquista, não sabe nem o que
prega, mas é anarquista. A Madame Le Penn(is), é de Direita e defende a pena de
morte, a xenofobia, não é como no Brasil que o José Agripino, com aquele desmunhecar
de beiços, um dia é a favor do povo, no outro quer um estado de bem estar para
todos, no outro é a favor da democracia pura e irrestrita, mesmo sendo da
Extrema Direita. Até isso é estranho no Brasil, a Direita, sempre é ligada à
religião, ao exército e ao Direito, justamente por defender o estado, mas de
vez em quando o cara é de Direita e boiola. São coisas incompatíveis, mesmo
porque a Direita não suporta diversidade. O cara é de Direita, mas fala em
massas. E fica assim mesmo, todo mundo aceita, porque, primeiro, a grande
maioria vai na valsa, não tem profundidade em nada, depois quem tem, tem medo
até de ser agredido, visto que quanto mais ignorante se é, tanto mais violento.
Foi o que um pesquisador, dia desses,
falava e os outros participantes não acreditavam. Ele dizia que o mundo, hoje,
é menos violento que há tempos atrás e reputa isso, à Educação. Ninguém
acreditou, eu acredito, para mim, como disse à Dona Therezinha, o que há é a
sensação de violência maior. Antes só se sabia que o vizinho havia batido nos
filhos, as notícias eram muito locais, hoje, faltou assunto, o cara coloca no
Jornal da Record, a notícia que Dona Jurema foi atropelada em Cingapura, Dona
Mariana teve os olhos tirados pelo namorado ciumento em Karashi, baixou a Pomba-Gira
no terreiro da branca e a Maria Padilha saiu batendo em todo mundo.
Quando quis ir ao shopping em Recife, acho que menos de
500 metros do hotel onde estava, falaram para ir de táxi, por causa da violência
e o taxista me disse que se a Globo fosse em Recife, ao invés do Rio, o Brasil
iria conhecer níveis absurdos de violência. É justamente isso mesmo, um lugar
como Apuí, pode ser violento até a raiz, mas distante da grande media, só se sabe da violência do Rio,
justamente quando o Governo não é aliado da Famiglia
Marinho, a notícia serve até como pressão política e/ou propaganda de uma
tendência ligada à ela. E daí se acostumou a fazer jornalismo e entretenimento,
além das suas funções, uma maneira de fazer escravos mentais, ao que se
apresenta e ai de quem for contra. Até o Roberto Carlos vira bom moço. Foi
sempre plagiado, caridoso, amigo dos fãs, e quando todo mundo diz o contrário e
sabe o contrário, aí a culpa é do TOC. Ele só usava trogloditas para afastarem
os fãs, por causa do TOC, ele só plagiava por causa do TOC, ele só fungava, por
causa do TOC, ele só era um grande filho da puta fascista, por causa do TOC.
Coitadinho!
É o típico comportamento carioca. Não
se tem base de nada, apenas se dissemina um comportamento, na base do “liberdade
é uma calça velha azul e desbotada”. Ontem até tinha outra frase que
exemplifica bem isso, mas esqueci por ora. O laissez-faire completo que todo mundo espera que acabe sempre em coeteris paribus. Uma espécie de defesa
do estado-mínimo e a Anarquia de Esquerda, é o estilo de vida cultural do Rio.
Mais ou menos como o Programa de Governo da Marina Silva que era neoliberal,
como quase de todos, inclusive da Dilma que segurou a onda, até ser votada como
uma representante de programas sociais, e a Marina queria a volta da
meritocracia e muita gente estudada defendia uma tolice dessas. Meritocracia é
Max Webber, Neoliberalismo é Milton Friedman e os Chicago Boys, como o Joaquim
Levy. Não dá para falar em burocracia com empresas que precisam de agilidade
para decidir. Aliás, todo muito mente muito, justamente porque no Brasil, como
muita gente não sabe nada, não tem conteúdo, é só jogar ao vento, todo mundo
segue para não parecer fora de moda.
Ontem mesmo, estava pensando sobre o
Comunismo no Brasil. Marx, Engels, Lenin e companhia, dizem que é preciso levar
a teoria para as massas. Nos partidos com esses títulos, nem os militantes têm
essa teorização devida. Muitas vezes, os partidos ditos comunistas, são quase
como Maçonaria, Rosa Cruz, só os eleitos têm acesso à informação, à teoria,
como se não fosse uma luta popular e de massas. Vão levar o que não sabem? Vão
fazer como o Durango Duarte quando éramos da mesma base da Exatas/Tecnologia, e
ele quis cooptar o Miguel, namorado que eles arranjaram para a Norminha, para
votar nas propostas no Congresso de Engenharia e ela acabou convencendo o
Miguel a votar nas propostas do PT com ela, coisa que quando ela ia aos Congressos
da UNE, sempre votava nas propostas da Viração; eu vinha, acho que para ir à
casa da Dedeia, ou para o Partido que eram “confronte” e passei em frente da
Pinguim, uma sorveteria da época e o Durango ao Miguel dizia que o Comunismo
era tão perfeito que eu disse que não tinha nem gripe. Eu me meti naquele papo
sem fundamento algum e falei que não era assim, era melhor do que hoje, mas
certas características, independem de fatores políticos, sociais, ideológicos,
até no Comunismo vamos morrer, vamos ter doenças, separações, desavenças,
desilusões, suicídios, depressão mesmo que se tenham condições para se tratar muito
melhores do que hoje, sem precisar ser de classe social abastada etc., mas o
que ele dizia, era coisa de quem não estuda nada a começa a falar na base do “achismo”.
É por isso que a Sininho que se diz de Esquerda, vai às ruas, com um grupo
mínimo, para quebrar as coisas, ao invés de aproveitar o ensejo e discutir
embasada nas teorias que defende. É por isso também que na primeira vez em que
participei, como INDEPENDENTE, junto com o pessoal do Mato Grosso do Sul, de um
Congresso da UNE, vários líderes vieram me cooptar e dentre tantos, a Pituca,
Tuca, Turra, Piturra, sei lá qual deles era o certo, que defendendo as
bandeiras trotskistas, era muito capaz, mas ficamos a madrugada inteira no
alojamento onde eu dormia, conversando e eu que não pertencia a nenhum grupo,
mas já havia lido muita teoria, achei que ela era muito fraca, inconsistente na
teoria. Depois pensei que fosse por ser trotskista e eu li sobre Comunismo, mas
depois, os trotskistas, antes de me alijarem, por ter feito contato tanto com a
OLP, quanto com o MR8, mandavam teorias de Trotsky mimeografada, discussões e
vi que não divergiam tanto, até o Trotsky deixar de ser Menchevique e querer se
arvorar a Bolchevique. Do Exército Branco, para o Exército Vermelho.
O Cazuza não cantava: “ideologia, eu
quero uma pra viver”, justamente o garotinho da mamãe, do Rio Zona Sul,
viciado, que não respeitava as regras pré-estabelecidas e queria fazer as suas
e era aceito, só por ser filho do Pai João da Som Livre? Ele praticava sim uma
ideologia, o Anarquismo de Direita, ao menos, que é pior até do que Nazismo. Se
fosse em outro contexto, aquela frescura de menino mimado, não seria aceito,
nem com reza. Digamos, até sendo capitalista, mas fora do Brasil, duvido. Era
uma ideologia de país subdesenvolvido, onde filhinho de papai quer inventar moda.
Os atingidos pela TPM Social. Furam fila, por se acharem melhores do que os
outros, buzinam, quando os outros não seguem o fluxo, e não querem que façam o
mesmo, quando ele faz na sua vez, pessoas que se fossem das classes mais baixas
do país, seriam logo executadas, como se tem praticado, num país onde a
ideologia vigente, é a da segregação muito forte, com cunho escravocrata
disfarçadamente.
Em Paris, até antes dos ataques à
Revista, fala-se tudo, debate-se tudo. No Rio, representando o Brasil, não. As
coisas são fechadas, herméticas, mesmo que se queira dizer que é uma discussão
democrática. Tudo é na base do pragmatismo feio.
A todos os Congressos da UNE que
participei, devo dizer que havia organização, seguia-se uma linha definida, no
Congresso do Rio, acho que o último do qual participei, o pessoal ainda queria
que eu fosse ao Congresso de Goiás, talvez até reencontrasse a Ângela, como
reencontrei aquela mulher que acho, deve ser uns 5 anos mais velha, a primeira
com quem tive contato, em Campinas, quando esperávamos sozinhos, na frente do
Teatro Carlos Gomes, no Taquaral e depois no Rio, onde fomos fazer o desjejum
na UERJ e as garotinhas tolas, riram, por ela falar com sotaque nordestino,
apesar dela, só com jeans e camisa de
malha, ser muito mais alta, mais bonita, mais sex e pelo visto, mais inteligente, do que as três que se
misturadas, não dariam uma, para competir. Talvez encontrasse a Angela, como
reencontrei a Rosa Elisa Villanueva, acho que no Congresso de Piracicaba,
depois que formamos um grupo de dormir e de noitada em Campinas também. Mas
decidi que não tinha nada a ver. Em todos os Congressos, a organização cedia a
alimentação, fazia uns quentões, os shows
eram de música popular, principalmente forró e sertanejo, mas não esse country music disfarçado, no Rio
esculhambou geral. Haviam barracas para vender bebidas, comidas, o café da
manhã cada um tinha de se virar, quanto aos shows, só rock. Como falar em cultura, quando não SAE sabe nem o que seguir,
não se tem uma linha definida de nada?
Sem contar que estávamos no Maracanã,
quando não ia dormir no apartamento da Concon, com a Minerva e o Beija a Minha,
e num domingo, entrei em um elevador, conheci o “Maraca” todo, até chegar ao
último andar e depois de muito tempo, virem uns soldados da Aeronáutica, dizer
que eu não podia ficar ali, pois estavam realizando concurso para a FAB. Se eu
tivesse de passar informações, passaria, iria embora e nem perceberiam, pelo
tempo que vieram dizer que era área que não se podia frequentar. Uma
esculhambação como meta e princípio. Mas se vende isso, como se fosse o País
das Maravilhas, a Madona compra terras na favela, “Oh!”, quando na verdade se
está de novo, colocando quem não tem grandes recursos, para mais longe, vão
ficar nos morros, só Brad Pitt, Bill Gates e a periferia vai para onde? Novo
problema social, novas exclusões que por ora se pensa: “oh!”, como numa trepada
rápida,l com um orgasmo quase silencioso. É tudo festa, quando acaba, termina
em merda. O morro, foi para onde os excluídos que foram combater Antonio
Conselheiro, foram mandados, bem longe dos Senhores. A “Santa” Igreja negociou
com o Estado o fim do Morro, acho que com nome de santo, ou santa, acho que era
o Morro de São Carlos se não me engano, no Centro, para erigir ali, aquela
bosta arquitetônica, da Catedral que mais parece um balde de criança fazendo
castelo de areia da praia. E ninguém protestou. Isso é cultura? E no outro
morro, colocaram a imagem de Cristo em forma de cruz, para o Congresso
Eucarístico, como se a Cidade do Rio fosse um apêndice do Vaticano e ficou como
símbolo maior. Cultura Cristã! Entendo! E o Cristianismo tem cultura? É outra
discussão.
Se a moda é ser de Direita, todo
mundo segue, quem discordar é alijado. Cultura onde não haja debate de ideias,
sempre haja cerceamento, nem que seja veladamente, é esquisito, parece a “democracia”
da Inquisição, ou as “liberdades” dos países religiosos fundamentalistas. Só
para inglês ver.
Imagina a Beth Faria, por ter uns 70
anos de idade, ir à praia em Paris, de biquíni e ser vaiada. Aconteceu em
Ipanema, Rio de Janeiro. Como se pode dizer que pessoas assim, pertencem à uma
Capital Cultural? E não eram os favelados não, área de intelectuais, artistas,
pensadores livres, imagina o resto.
- Ah, mas ela está velha pra usar biquíni.
Quer dizer que tem idade, até para ir
à praia? Se a pessoa estiver disposta e quiser pegar surf, aos 80 anos, vai ser
ridicularizada, porque não é mais gatinha? É isso que se chama de debate, de
liberdade sobre todas as coisas?
Não temos cultura, nós gostaríamos de
ter, mas nossa preguiça é tanta que preferimos, até em termos das leis divinas,
seguir o que outros dizem, o que ouvimos dizer, o que pensamos ser, ao invés de
procurarmos ser realmente condizentes com as regras que seguimos. Ou até a
falta de regras que gostaríamos de inventar e apenas descobrimos a pólvora,
depois do Fim de Ano e Copacabana.
E vendo parte do filme, ou
documentário da Ana Maria, vi que é esse o estilo de se fazer gente alienada,
como símbolo da Capital Cultural do Brasil.
O Poeta Simpatia, a Ana Maria, muita
gente é exposta ao ridículo simplesmente, para o deleite de gente sem
responsabilidade alguma se divertir com a desgraça alheia, quando se espera de
gente com cultura elevada que seja solidária, não na hora de aparecer no Criança
Esperança, ou nas câmeras da rua, mas ter empatia com os problemas alheios, não
só os colocar como marionetes para virarem brinquedo de gente estúpida.
Quando pessoas usam outras para se divertirem,
mesmo sabendo que aquelas não respondem satisfatoriamente por si, não se pode
dizer que são ao menos aculturadas. E é o que tem acontecido muito no Ri.
O cara “rala” para ter um tostão
trocado, vai ao Maracanã e se veste de gambá, aí vira SÍMBOLO DO RIO, porque
quem estava em casa achou engraçadinho. Não se quer saber do dia a dia, apenas
da fantasia que se vista, desde quando o carnaval passou a ser um espetáculo
internacional? Então o Rio é só isso? Seus cidadãos passam mal, são mal
tratados, uma minoria tem vez para tudo, mas para aparecer, basta o cara
colocar uma melancia na cabeça e nada muda, fica todo mundo vivendo mal, mal
assistido, miserável, mas o cara acha que ascendeu socialmente, à “classe” de
celebridade.
- Oh, como o Ri é cultural!
Cultura? Vai falar com um cara desses
sobre assuntos diversos, não dura cinco minutos, de repente ele defende o
Capitalismo, daqui a pouco, até pela falta de cultura mesmo, de conhecimentos
aprofundados, já é anarquista, depois é fascista, dependendo das circunstância,
é tudo e nada ao mesmo tempo. Liiiiiindo! Parecem as fantasias dos Bailes de Carnaval
chiques, que as fantasias pareciam as mesmas, só as da categoria Originalidade,
de vez em quando tinham algo a mais a dizer, mas os desfilantes davam títulos
como tese de doutorado em universidades brasileiras: O URUBU BALEADO COM O CU
SUJO NA CASA DO REI LEÃO PARA O CONSUMO DIÁRIO DE DONA MARICOTA. Não dizia nada
com nada, mas ficava muita gente estupefata.
Em suma, realmente chego à conclusão
de que os títulos são bem dados às duas cidades.
Paris a Capital da Cultura Mundial. Até
há pouco, até para expor uma tese, uma teoria, ia-se a Paris, senão não se
tinha vez.
Rio a Capital da Cultura Nacional.
Sim, o Brasil tem cultura? O Brasil
tem uma linha definida ideologicamente, entre seus partidos e concidadãos? O
político diz uma coisa na propaganda, seguindo um “marketeiro” que não sabe nem
o que está dizendo, depois não precisa fazer realmente o que prometeu, seguir
sua plataforma política, mesmo porque ninguém liga mesmo para essas coisas sem
importância, como teoria. Cada um faz a sua e acabamos vivendo como nos
primórdios das tribos de clãs, onde uma minoria tinha tudo e aquele monte de
miserável em volta, para fazer as vontades dos senhores.
O Brasil tem argumentos para defender
uma proposta?
O Rio é a cara deste Brasil que ainda não deixou de
pensar como Escravagista e faz de pessoas, principalmente sem sintonia com a
realidade, ou famélicas que desejam um pedaço de pão em troca de um tostão, os
bobos da corte para o deleite de quem se acha acima de todos, elite Zona Sul. O
Rio “maravilha”, é só no asfalto, subiu os morros, mesmo com as UPP’s, falta o
estado, falta infraestrutura, faltam escolas, bancos, parece que é o Norte, ou
o Nordeste, fazendo fronteira com o Ri “Cidade Maravilhosa, cheia de encantos
mil”. Ou seja, a cara do Brasil, que até para dar o golpe de estado, levou em
conta uma classe bem pequena, para dizer que era vontade de todos. Ou seja,
mentimos até quando queremos dizer que a coisa é séria. É a luta de classe
safada, por ser sempre mascarada, onde quem quer ascender socialmente, ou pelo
menos ter uma refeição por dia, tem de agradar ao rei, ao dono do poder, senão
não ascende da casta dos mais miseráveis, não aparece no Caldeirão do Hulk, nem
na Fátima Bernardes, como um idiota que é submisso aos mandos e desmandos de
quem pisa nos seu igual.
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