terça-feira, 8 de setembro de 2015

DIALÉTICA POPULAR DE VANGUARDA

DIALÉTICA POPULAR DE VANGUARDA
EDITORIAL  16/3/2015
Este é um veículo que tentará ver o mundo, com os olhos do cidadão, em detrimento aos interesses econômicos, disfarçados de jornalismo, mesmo porque não somos do ramo jornalístico, para querermos competir com quem planta boatos, como se estivesse noticiando um fato relevante.
Tentaremos dar nosso ponto de vista, ao invés de fingir ser um noticiário, quando na verdade está se “fazendo notícia”, no sentido de querer atuar no raciocínio do cliente, mesmo porque não o temos.
Quem nos ler, não vai ser tratado como tratam as empresas de notícias, tentando deturpar e deformar a percepção do leitor, manipulando o que bem interessa a interesses financeiros, como se todos fossemos débeis mentais.
Não seremos reprodutores apenas de pseudo-informações, quando na verdade apenas se está consolidando o raciocínio das classes abastadas, como se houvesse isenção na media.
Não falaremos em paz, como tanto se fala, quando existem diversos interesses e classes. Só pode haver paz, quando os direitos e deveres e oportunidades e tudo o mais, for igual para todos, livres para escolherem e se manifestarem, sem serem manipulados, desde a escola, até o telejornal, para serem mansos, contra si.
Esperamos sinceramente ter a capacidade de não nos deixar influenciar por quimeras, boatos, inverdades e interesses escusos, mascarados de populares e atinentes a todos, interesses mesquinhos, atitudes psicopatas, baseados apenas no ensimesmamento e no egocentrismo de uma classe reduzida numericamente, mas que desde as tribos de clãs, vêm oprimindo e segregando a grande maioria, com seus instrumentos de fazer cordeiros, na verdades, umas bestas que não se tocam que são apenas objetos, no mercado de trocas. O tal “capital humano”, ou “recurso humano”, tão arrotado por gente estúpida sem nada mais, do que a imitação, como critério para se mostrar.
Por ora, é o que temos a dizer!
Um mundo sem amarras, sem o jogo de interesses que faz o povo infeliz, pensando que a felicidade é querer imitar o comportamento de quem não tem mais do que dinheiro na conta, mas uma falta de inteligência gritante. Como se riqueza material fosse inversamente proporcional à inteligência.
Inclusão, contra a segregação tão comum nos meios nazifascistas.  


 DIALÉTICA POPULAR DE VANGUARDA
CADERNO DE CULTURA  16/3/2015
RECEITAS
Bolo Marcha dos Derrotados
Bem amigas, nestes tempos em que todos acham que têm opinião e na verdade, têm um problema psicofecal muito sério, pensam, fede, onde Ronaldo, o Fenômeno, dos meios transexuais, com o Pré-Primário incompleto, ou inconclusivo é formador de opinião, até sobre assuntos que exigem mais conteúdos do que se encontra nas calcinhas dos travestis, e junto com o neto de Tancredo e o filho de Arthur Virgílio Filho, as vozes contrárias, tonitruantes e defensoras da democracia, aos primeiros e últimos momentos da Ditadura de 1964, colocaram no mundo, diante de nós, tipos esquisitos que por ora, querem o golpe, por não saberem se colocar no lugar dos perdedores que estão se fazendo contumazes, no caminho contrário à luta de seus antepassados que lutaram contra o obscurantismo, mesmo em perigo de serem eliminados, seus sucessores, como bebês dos anos de 1960 que eram mantidos com muito álcool e muito pó, depois da higiene, talvez por isso, sejam tão nocivos, tão díspares de seus parentes e tão abobalhados e covardes, serviram de modelo para a receita a seguir.
Uma receita que só caberia agora, como o Brigadeiro que se consagrou na campanha eleitoral do Brigadeiro Eduardo Gomes e desde então, virou um dos símbolos nacionais.
INGREDIENTES
250 g – Castanha do Brasil, ou Castanha da Amazônia;
500 g – Mudubim e Castanha de Caju;
2 l – Leite de cabra, ou Leite Glória;
1/1 l – Leite de Coco;
2 colheres (sopa) – Azeite de Oliva;
2 unid. – Abacates Médios;
1 ½ kg – Tucumã
30 g – Mari-mari, só o óleo
MODO DE FAZER
Amiga espevitada, frustrada, recalcada e mal amada, corta a Castanha do Brasil, também conhecida como Castanha da Amazônia em tiras bem finas e reserva.
 O mesmo procedimento com o mudubim, também conhecido como amendoim e as castanhas de caju.
Em um liquidificador, junta o leite de cabra, ou Leite Glória, com o leite de coco. Adoça e reserva também.
Em outro recipiente, amassa o abacate, junta com o óleo do mari-mari, mais o azeite de oliva.
Finalmente corte em tiras finas, o tucumã.
Misture todos os recipientes e consuma sem moderação.
O próximo passo muito importante, é estar próximo do vaso sanitário. Em breve deve estar saindo o bolo. Na verdade, o bolo fecal, tão ao nível do debate atual, com gente desinformada, querendo da o furo, só se for o do fim do espinhaço.
Tem gente falando e digitando muita merda, para posar de bacana, eis um auxílio deveras atual. Se cagar e pouco, só tem outro jeito. Dar a tarraqueta, mas aí, eu não sou do ramo. Nem sou fenômeno para aconselhar o pessoal.


DIALÉTICA POPULAR DE VANGUARDA
POLITIQUICE  16/3/2015
COMPLEXO DE VIRA-LATA
Observação: caros e preclaros camaradas, leitores do que digito, permitam-me resumir este texto, pois no caderno, são exatamente 27 páginas, utilizados todos os espaços, inclusive a linha final, sem tirar. XVII como está grafado, não tenho paciência para reproduzir tudo isso. Vai no resumo.

Não é de hoje que o discurso do colonizador nos coloca para baixo, para nos roubar nossas riquezas mais preciosas, inclusive nossa qualidade de vida que a elite não suporta que saia de seu âmbito particular.
Mas não pensemos que é algo local, apenas. É um sistema muito bem planejado que acontece lá,acolá e cá. Nosso problema é que nós não mudamos nossos conceitos arcaicos, voltam como se nunca tivessem sido pensados e até praticados. E os grandes nomes nacionais, ainda são os pelegos a serviço dos interesses estrangeiros que nãopermitem mudanças estruturais, apenas paliativas por todo o sempre.
Um país que marca passo, onde os filhos, ao invés de evoluírem mais do que os pais, involuem, ou regridem como seus antepassados mais longínquos. Tem até um dito: Avô desembargador, pai juiz, filho oficial de justiça e neto mendigo.
Mais ou menos como a Wanessa Camargo que é filha de um dos Camargo de uma dupla de country-music brasileira, um jaburu de calcinha que não deslancha nem a pau, apesar dos pais investirem muito na carreira. O pior é que pai e tio tocam de ouvido e ela poderia aprender o básico sobre música, mas nem tocar, ela consegue. Só se ouve falar da família, não por seus feitos artísticos, mas pelos escândalos pessoais que saem do âmbito familiar e acabam sendo “marketing pessoal”. O pai usa calça apertada e fala fino, além de pagar os michés da mulher, a mãe é um tuiuiú de biquíni, metida a celebridade, por ter sido amasiada com outra subcelebridade, o marido persegue quem ele não gosta, em suma, as discussões de bordel e de puteiro, chamadas antigamente de briga de estância, apresentadas como publicidade institucional. Não por ser próprio do país, mas próprio da imitação que se faz, de tudo de ruim dos outros.
Sertanejo e pagode, surgiram no Governo Collour, aquele que uma descarada inescrupulosa confiscou o dinheiro de todo mundo para garantir o aporte do capital estrangeiro, uma das primeiras medidas de força, neoliberais. Naquele tempo, só tinha dinheiro, capitalista internacional, ou narcotraficante que foram os apoios desses grupos mixurucas, com o intuito de passar sua mensagem subliminarmente na música e até na arte em geral.
E para manter essa corja de gente incapacitada, apartada da nossa realidade vendendo, é preciso colocar como formador de opinião, outros sem caráter, sem escrúpulos e sem conhecimento de nada, para repetirem o que manda o diretor, no “ponto”. E de repente todo mundo repete o que diz o Zezé, o Zé Lelé, o Baiolé, como se fossem grandes especialistas.
- O quê? O Zezé falou que celular é a coisa mais saudável do mundo!
- E “mermo”? E ele estudou o quê mesmo?
- Não, e ele se formou na escola da vida. Ele plantava bananeira e o irmão, mandioca nos fundos.
-...-
No MATERIALISMO DIALÉTICO E MATERIALISMO HISTÓRICO, Stalin, Coleção Bases, n0. 10, 3ª edição, abril 1982, logo na Apresentação está assim dito e serve para nos mostrar como se tem discutido, sem base em nada, apenas na emoção de momento:
A jovem geração de marxistas brasileiros foi criada em meio a uma avalanche de trabalhos antiestalinistas, nos quais a indicação permanente é a de que deveriam rejeitar a qualquer custo tudo aquilo que por ventura “cheirasse” a estalinismo. Em nome do anti-estalinismo tudo é permitido, inclusive ser estalinista.
Que não se assuntem os estalinistas encapuzados, não pretendo defendê-lo aqui, pois sou também um crítico ferrenho dos desvios burocráticos e históricos a que ele nos levou, mas não pretendo ver o diabo onde ele não existe.”
Belo Horizonte, outubro de 1978. Antonio Roberto Bertelli.
Ainda se tem muito disso, em tudo, quando por má-fé, ou por falta de inteligência, todo mundo opina, sem ao menos procurar se embasar e antes de se discutir, muitos que se dizem democratas, já marcam seus interlocutores. Não se quer saber o que o outro pode apresentar, apenas se quer vencer o discurso, mesmo que não nos traga nada de novo. Rotulando-se, tenta-se anular, pelo menos, 50% da atenção que se poderia colocar no discurso alheio.
- Olha, ele é comunista.
- Ela é puta.
- Ele é cego.
- Ela tem AIDS.
Como se isso, fizesse pessoas sem discernimento, que não pudessem contribuir, alijando, quando a democracia deveria ser um exercício de integração. Não, muitos autodenominados democratas, nem se tocam o quanto segregam, talvez, até por medo de não ter nada mais a apresentar, do que o simples dedodurismo, ou cagoetagem, tão feios em passado próximo.
Hoje, ser X9 até dá status.
Algo muito engraçado nestes dias, os tais democratas que votaram no candidato derrotado, exigirem respeito aos votos conseguidos por ele, mas se esquecem de repeitar os votos majoritários da candidata vencedora.  Tem quem se dê bem, deturpando e desvirtuando a realidade.
- Respeitem meu perdedor. Mas eu não tenho que respeitar o vencedor, porque não gosto. Eu sou democrata.
A falta de conhecimento das coisas, faz garotos bradarem ser um absurdo os 12% na taxa Selic. Desconhecem talvez o texto constitucional que o Sinistro Gilmar Mendes tirou, que não deveria nunca ultrapassar este patamar, justamente quando as taxas de juros no Governo Fernando Henrique, para favorecer a ciranda financeira internacional, ultrapassavam os 45%, sem a menor vergonha.
Quando se debate hoje, os índices de Governo, sempre são de 2003 para cá, porque os índices dos filhotes da burguesia eram aviltantes, escorchantes. Nível de desemprego antes de 2003? Dívida junto ao FMI? Produção? Número de miseráveis sem acesso ao básico? Nível de escolaridade. Soberania nacional?
-...-

É tudo lindo, mas de 2003 para cá. Talvez por nos termos acostumados a um país mais distributivo, depois de 503, finalmente o Brasil saiu do círculo de escravizar a maioria e respeitar o próximo, acabar com tanta segregação velada, um país que se constrói diferente, que até parece que sempre foi assim.  O Brasil foi sempre amigável com os brasileiros, principalmente os mais desvalidos, sempre permitiu o acesso a bens e serviços, até há pouco, inimagináveis, com o discursos de que era utopia, o país tinha de ser aquilo, um lixo para dentro e uma prostituta vagabunda de pernas abertas, grátis, para os interesses forasteiros.
Engraçado como ações vistas nos primórdios da antiga URSS, vigoram ainda hoje, na Venezuela, no Brasil, na Argentina e agora no Brasil. Ou seja, sempre contra governos populares, seja em que data, mesmo que se diga que a democracia é aceitar que o outro também exista e se manifeste. Não parece.
A paralisação do escoamento da produção em rodovias. São comandos sempre atrelados ao atraso, ao reacionarismo. Porém, é até bom que assim façam, pois estão nos mostrando e demonstrando que já passou da hora de investir-se pesadamente em ferrovias. O que um caminhão desses, leva em dias, uma malha ferroviária possibilitaria o escoamento, sem engarrafamentos e outros transtornos, em vagões que pegam mais do dobro de cada caminhão parado e ecologicamente danoso ao meio-ambiente, de Norte a Sul. 
Não são fatos isolados e despidos de convergência. Ao mesmo tempo em que o Primeiro Ministro de Israel desrespeita o Presidente Negro dos EUA dentro dos EUA, os próprios EUA colocam a Venezuela, do nada, na lista de inimigos do mundo, a Presidente da Argentina é acusada pela media que se valeu do apoio aos Generais Sanguinolentos, sem prova alguma, de assassina e a Presidenta do Brasil é acusada de corrupta, justamente por permitir pela primeira vez que as instituições públicas, pratiquem política de estado, atinja quem quer que seja, não há interferência. E a media que desde os primeiros golpes de estado, sempre se locupletou, incentiva a Marcha dos Derrotados e ainda diz que é espontânea.
Na Marcha Popular de 13 de março de 2015, não houve divulgação da media, já para  a Marcha dos Recalcados de 15 de março de 2015,  vinculou-se a Operação Lava Jato – que segundo o Ruy Castro, mostra a quantas se está distante do Português bem falado. Esqueceram um artigo feminino A, entre o Lava e o Jato, parece que se está lavando a aeronave, ao invés de se falar em lavar mui rapidamente, com presteza. Imagina se o cara é ruim em se expressar, como não deve ser o que esconde? – e pior, tão espontânea que a Globo em pleno domingo, parou sua programação, desde o Globo Rural, para incitar a participação de pessoas manipuláveis à participação “espontânea”. A Globo tem expertise em golpes. Não por menos, O Globo ajudou a derrubar o Presidente João Goulart e um ano depois, recebeu a TV Globo com um golpe na Time-Life, até então, uma potência golpista internacional, que é detentora das ações da CNN e outras empresas “democráticas” que nivelam as informações, a partir dos interesses de Wall Street ou quem sabe, da indústria bélica norte-americana, como se não tivessem conexão alguma. O jornalismo de photoshop,  sempre maquiando para enganar os menos atentos.
A Globo tem um William Bonner como redator-chefe. Ele como publicitário, sabe como vender, com escamotear a verdade, para parecer que a propaganda é alguma informação relevante.
-...-
De repente Fulano aparece dizendo que o mercado quer, o mercado é assim, o mercado só permite, como se fosse uma figura palpável. O povo elegeu a Dilma, mas o mercado quer o golpe. De novo?
Em outro livro, do tempo de Curso de Economia, Professor Noval Benaion, também conhecido como Garotão, Geografia Econômica, ou História Econômica Geral, chamado O NASCIMENTO DAS FÁBRICAS, Edgar de Decca, cita como nos formamos, mesmo que muitos pensem o Brasil, a partir de Veneza, ou de Londres, como se eles tivesses chegado ao patamar onde estão, esperando milagres. Diz:
O estabelecimento do mercado é também o estabelecimento de um dado registro do real, no qual os homens pensam e agem, conforme determinadas regras do jogo. Assim, o mercado não só impõe aos homens determinadas tecnologias, “eficazes”, como também impede que lhes seja possível pensar outras tecnologias.
[...]
Somos induzidos, então, a pensar dentro de uma lógica definida, que não é ditada por leis de mercado, mas sim regidos por mecanismos sutis de controle social.
[...]
Pensar, portanto, é pensar segundo regras já definidas e o seu contraponto. No nível da sociedade, é justamente a impossibilidade de pensar além das regras.
Portanto, ao falarmos em mercado ou em divisão social do trabalho não estamos nos referindo à questão de maior ou menor produtividade do trabalho, mas sim à apropriação mesma dos saberes.
Diante do exposto, é fácil perceber, porque, por trás de todo golpes, sempre estão empresários de todos os setores e até pessoas que não pertencem às classes abastadas, mas esperam se integrar a elas, de qualquer maneira.
-...-
Infelizmente, no Amazonas, após a morte do Seu Calderaro que foi um incansável democrata, a liderança do golpismo midiático, ficou a cargo d’ A Crítica, inclusive com a prática de requenta a mesma notícia, diversas vezes e ditas de maneira a causar danos. Quando interessa, colocam como manchete na capa, depois apresentam nos diversos cadernos, como se fossem notícias diferentes. Alguém já disse que na América do Sul, atualmente, existe algo como a Operação Condor, não para caçar e matar “subversivos”, mas para apresentar notícias contra governos populares, de maneira que os faça serem malvistos e malquistos. A mesma notícia sobre a Presidente Kirchner, sai no El Clarín, no Estadão, em toda a media mancomunada, para fazer crer que a opinião nacional está contra, quando na verdade, é mais uma “lei de mercado”. Um acordo, não para desenvolver nossos interesses internos, tão somente, para garantir as vantagens do capital estrangeiro.
O jornal de Seu Calderaro que era pródigo em grandes articulistas, tinha páginas e páginas com interesses, desde a capa, até a página de esportes, um caderno B, com realmente cultura e conhecimento, de repente, na nova fase do jornalismo de manipulação de massas, virou um jornaleco de quinta categoria, quando se tem computadores e toda série de recursos, só se tem visto erros grosseiros de Português, quando, no tempo da máquina de escrever, Seu Peri ficava o dia inteiro lendo e corrigindo qualquer erro, talvez, por terem pessoas realmente cultas, não esses “colões” da media paulista, dos interesses paulistas, como se vivêssemos em São Paulo e o pior, carrega-se na futilidade, em colunas sociais, em fofocas de celebridades, nada que realmente acrescente à cultura local, muito pelo contrário, até atrapalha. Mas é o primeiro a exigir um país de Primeiro Mundo, quando se aliou a quem sempre deixou o povo brasileiro de mãos abanando, diante de nossas riquezas. Até sugeriria que o título: DE MÃOS DADAS COM O POVO, mudasse. Algo como MÃO BOBA, ou talvez, MANETA. Não me falem em crise jornalística que eu não engulo. Até as fotos são do tempo da Manaus Magazine. A “linda esposa”, sai com três bocas, como se fosse uma foto em 3De ninguém conserta isso. É como se o comandante da embarcação levasse o barco em uma direção e os passageiros descontentes, fizessem tudo para atrapalhar. Quando o barco aderna, culpa o comandante, sem levar em conta sua atuação. A quem interessa isso? Dizem que Seu Calderaro está revirando no túmulo, vendo seu jornal que lutava pela democracia, nas mãos de quem se aliou ao golpe.
O paulista da Makenzie tenta formar opinião. Sempre com o pezinho no atraso. É contra o Dia da Consciência Negra, é contra qualquer dia popular. E o jornal acompanha, com um discurso de que atrapalham a produção. Mas o mesmo jornal trás os dias dos santos da Igreja Católica e esses feriados, na discute. A mania de se falar em democracia, mas só se dar a palavra, a um lado, sem permitir ao menos a defesa dos outros.
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O livro supracitado, mostra como o Brasil, ainda Colônia de Portugal, foi o primeiro a setorizar a produção, o que se chamaria depois, de fábrica. Mas como bons portugueses, deixaram o modo de produção setorizado, para lá e os ingleses levaram a fama. E desde a colonização, o modo de produção se desenvolveu, sem criar, ou espalhar saberes, apenas a exploração do trabalho alheio, sem o devido aperfeiçoamento da mão de obra fabril, até hoje. O conceito antigo de dar do bom e do melhor aos mais abastados e à periferia, ainda hoje, apenas migalhas.        
Interessante sabe, segundo relata o autor que a segregação no Brasil é tão atuante, que até entre os escravos, havia divisão de classes, apesar de estarem no mesmo nível, considerados sub-humanos, sem alma e animais em pocilgas. Desde aí, reproduz-se o modo de divisão dos outros, como se não houvesse outro jeito de lidar com o próximo. Não se busca conhecimento, apenas se repete o que é dito.
Até hoje, tem quem diga que o golpe de 1964 decorreu por causa das reformas de base de João Goulart. Que reformas eram essas que as senhoras carolas e os senhores com amantes, tinham medo que nos entregasse ao Comunismo? Já foram pesquisar?
       Reforma Agrária, nem aqui, nem nos EUA, nem no Japão, em lugar algum, é coisa de comunista. Mas é um avanço, tanto que tanto que todos os países desenvolvidos, até hoje, fizeram a sua, em algum momento. Os EUA fizeram a reforma agrária, depois da Guerra da Secessão, dando terras, tecnologia, extensão rural e o que precisavam, aos ex-escravos recém libertos. O Japão, que em Economia se chama de Reforma Agrária Tardia, fez a sua, nos anos de 1960 e depois disso, avançou economicamente, como nunca. Então, acusar a reforma agrária de incitação ao golpe, é até estupidez, ou ignorância;
       Direitos aos ferroviários e aos estivadores, aos marinheiros que ainda eram tratados sob a chibata, literalmente falando, ou é pura insensibilidade, ou falta de conhecimento. A escravidão, segundo a mitologia, acabou no Brasil, quando a Princesa Izabel assinou a tal Lei Áurea que jogou os escravos na sarjeta e trouxe com todas as regalias, uns europeus boçais, desdentados, que acabaram a Floresta Atlântica, chamando de mato e hoje seus descendentes se acham a nobilíssima extirpe das Coroas Europeias;
       Lei de Alugueres, onde o proprietário não podia colocar na rua, famílias inteiras, cônscias de seus deveres, por puro prazer, ou desejo? Façam-me um favor. Vão aprender a soletrar, para depois estudarem História e Filosofia, onde existe a discussão do que é Ética.
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São esses golpistas que falam muito em poder do voto, mas não aceitam serem derrotados, que falam em mudanças, mas nem conhecimento têm, muito facilmente repetirão os mesmos erros do passado, por serem estúpidos, desinformados, aparvalhados, que acham que golpe é solução política?
- É só por uns meses. Depois os militares entregam o poder aos civis.
Eu já ouvi isso. Ademais, militar entende muito, de matar os outros, de guerras, essas coisas ultrapassadas. Quer dizer então que eu, formado, com conhecimentos diversos, tudo o mais, tenho menos capacidade de procurar soluções, do que um General que cuida de cavalos? Não julguem suas incapacidades, como se fossem referenciais para todos os outros.  Se os golpistas não se acham capacitados, nem para escolher Presidente, não significa que eu tenha de ser igual, infantis que não tomam decisões, precisam sempre da mamãe, do papai, do General para dizer o que é melhor para eles. Isso significa imaturidade, gente que prefere sempre que outros decidam por si, porque eles são apenas marionetes.
- Mamãe, eu uso cueca, ou calcinha.
- Vá com aquela calcinha de bolinhas douradas
menino.
- Mamãe, vou de carro, ou de moto?
- Vá se lascar menino!
Que liderança empresarial é essa que tanto fala em democracia e tanto tolhe a discussão embasada e incentiva o fanatismo, a falácia, a fanfarronice, como neo-jacobinos.
Tudo como antes, segundo o NASCIMENTO DAS FÁBRICAS, concentração de riquezas, lindo, distribuição entre todos, é motivo de pessoas se valerem até para vender camisas e outras bugigangas.
É que sempre nos desrespeitamos, para parecermos superiores. Seja o policial que mora na periferia que trata o “doutor” com distinção e o vizinho com cachorro vira-lata, ou  médico que na clínica particular, trata o cliente a pão de ló e no hospital público, com até mas recursos, trata a pessoa como se estivesse lidando com um boneco inanimado. Um tempo desses, uma menina “gostosinha”, mostrou a operação de cesariana. A marca deixada, é como um ódio à pobreza. Fosse em uma clínica particular, muito difícil o cretino fazer uma coisa daquelas, tão fácil de suturar, tão fácil de tratar gente, como gente. Mas não, são pessoas recalcadas, mal amadas que falam muito em felicidade, para talvez, quem sabe, se enganarem e um dia serem realmente felizes. O lixo que de repente virou “doutor” e por isso, acha que destratando quem pensa inferior, de sua classe social passada, vai ser grandes coisas, vai se sentir o bambambã. Ledo engano, vai todo dia, se sentir uma porcaria de pessoa. O lixo no meio de todo luxo que possa comprar, ou adquirir, ou ganhar, seja como for, do lixo veio, mais lixo vai se transformar.
 É o legado de nossa Escravidão que durou até o século retrasado, a mais longa e a úlitma a terminar. Ainda hoje, temos problema de nos vermos como iguais. Até o preto descendente de escravos, quer se sobressair, tratando mal e porcamente, quem ele decide que é o novo escravo que ele tem de tratar nos ferros.
Depois, o cara vai à igreja, chora porque Jesus morreu na cruz e todo mundo acha que é um santo.
Nosso Apartheid velado, pelo visto, vai perdurar por muito tempo, enquanto não sairmos no braço, não tirarmos as máscaras de quem ainda se sente o Coronel do Engenho, o todo poderoso da Casa Grande.
Quando em uma reunião social, um dia antes do Segundo Turno, fala-se em tortura como se fosse a coisa mais natural, deve-se em parte ao tratamento dispensado ao escravo que a “Santa” Igreja considerava um ser sem alma, portanto, passível das maiores atrocidades. Mesmo que essa mesma porcaria de instituição que não faz falta alguma, que só trouxe violência e desumanidade à Terra, finja que só pregue o amor, a paz, mas é só cinismo e descaramento.
No NASCIMENTO DAS FÁBRICAS, tem como se devia tratar os negros sujos, em nome de Jesus. O que ainda vemos nos porões e até na concepção de tratamento ao outro, como se ainda não fosse nada, apenas coisa.
O regimento elaborado por João Fernandes Vieira em 1663, com respeito ao castigo do escravo, estipulava que “depois de bem açoitado o mandará pisar com navalha, ou faca que corte bem, e dar-lhe-á com sal, sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente, e sendo fêmea, será açoitada à guisa de baiona dentro de casa com o mesmo açoite.”
Como sei que muitos não vão procurar se informar, digo logo. Baiona é a mesma urtiga, folha que causa dores e coceiras intermináveis.
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Essa perversidade cristã contumaz me lembrou de uma operação noturna, onde eu era o primeiro a desbravar a escuridão da noite. O primeiro homem baixa o boné, tateia a frente e todos os outros, seguram no cinto de serviço, para seguirem. Sei que senti uma dor, uma coceira ao mesmo tempo, quando pude me ver no espelho, estava todo marcado, sujo e mais preto do que sou. No outro dia fui ver por onde passamos. Um milímetro à direita, cairíamos em um despenhadeiro enorme, sem salvação. E o que me atacou, cupim. Era uma casa de cupim enorme, justamente no caminho onde tínhamos de passar. E se chama serviço militar, para cuidar da pátria. Como se pode cuidar de quem nos maltrata?
Mas e o amor de Cristo. Um cara que na se envolveu com nada, não se sentia deste mundo, era superior a tudo e fora de órbita, mas amava a todos. Que amor estranho. Amar sem se envolver, sem saber o que o outro pensa, o outro quer, o outro demanda também, já chegar a decidir, da própria cabeça. Eita!
Este cinismo da elite nacional, também me fez recordar do Tenente Nagib, um descendente de árabe, R2 que por uma caixa de whisk,  tirou do serviço militar, dois dos meus amigos e num domingo, quando fui obrigado a ler a missa inteira, ele veio dizer que é preciso crer em Deus e tinha até uma fórmula para mim.
- Imagine que Deus é o seu pai. E acredite em tudo o que ele faz.
Já disse, quando adquirir uma impressora 3D, vou confeccionar diversos troféus Diógenes, o Grego que se vestia com um tonel e uma lamparina na mão, à procura de um homem honesto, ele mesmo, um Cínico, ou cínico.
O problema de nunca sairmos do ciclo de desrespeito, para sermos respeitados como superiores, é que todos os algozes dos períodos terríveis, como os escravocratas, os Coronéis, até recentemente os Generais ditadores, é que perdoamos, justamente quem, com o poder na mão, não perdoa ninguém. É um exemplo tácito de que o crime tem perdão, desde que quem se vale dos períodos inomináveis da História, enriqueçam com a miséria humana. Agora, continuamos a achar que é democrático, pedir a volta do golpe, a segregação de uma minoria numérica que pensa que o mundo foi feito só para si. Os Adões, onde até Eva era para seu deleite, segundo o Gênesis, palavra do Senhor. Eles são únicos, apesar de circunscritos em uma realidade diversa.
Hoje não conseguiram mergulhar o Brasil em mais um período obscuro, mas como não se fez nada, nem chamar-lhes à responsabilidade, quem sabe, daqui há pouco, amanhã, depois de amanhã, até conseguirem.
Mas o maior cinismo, é dizer que a ditadura, foi para manter as liberdades, contra o Comunismo. Liberdade de quê? A liberdade de deliberar de uma minoria?
Sobre o “espontaneísmo” das massas, Lenin, em O QUE FAZER, ou COMO ILUDIR O POVO, ou ainda UM PASSO À FRENTE, DOIS ATRÁS, não lembro qual, ou outro qualquer, fazia duras críticas aos sociais-democratas da Rússia que combatiam primordialmente os comunistas e se esqueciam que o problema era a elite. Mais ou menos como fez Trotsky, durante a II Guerra que mirou a URSS e se esqueceu que o problema eram o modelo econômico que só pode resistir, com guerras, com destruição, com a tal “obsolescência programada”, como se o mundo suportasse tanta demanda de suas fontes, indefinidamente, ou seja, eternamente, como é pensamento tosco-religioso.
Não muito diferente de uns tais ex-PTistas que se desiludiram do PT, e quando se pensava que iriam votar na Luciana Genro, ou outro proposta mais consistente, eis que votam no candidato mais à Direita, o neto do Tancredo, nitidamente aliado à Extrema Direita e com umas propostas inconsistentes, ao menos, para quem se diz aliado ao povo, demandante de políticas populares e que tirem o Brasil do marasmo, dos privilégios de uns poucos, desde a carta de Pero Vaz. Ou seja, eu quero um Brasil diferente e me alio, justamente ao que trás o ranço do continuísmo, do atraso, da falta de compromisso com o coletivo. Serei leso, ou é isso mesmo que eu entendi? Tem gente tirando a máscara, querendo dizer que é apenas a segunda pele. Faz parte do jogo democrático, as pessoas mudarem suas posições, agora o que é horroroso, é não se assumir. Eu não gosto de enrustido, nem na sexualidade. Será tão vergonhoso, dizer o que se é?
Tudo bem agir como o Coronel Senador Jarbas Passarinho, quando diante do AI 5, decretou:
- Às favas os escrúpulos.
Só não é certo, dizer que o sentido é outro. Eu entendo muito bem, pelo menos eu.
Entre a crise da PETROBRÁS que pode ser sanada com gestão, e a crise hídrica, silenciada para não interferir nos votos, eu tenho muito mais preocupação com a segunda que vai afetar por muito tempo, desde a higiene pessoal, até a produção nacional, visto que os setores principais da economia, quais sejam, indústria e agropecuária, dependem e demandam muito do recurso hídrico e as principais empresas nesses ramos, está justamente no Sudeste, onde a falta de verdade, levou o país ao caos ambiental. Vamos apostar, quem vai ser pior? Eu continuo achando que a PETROBRÁS com novas rotinas e capacitação dos seus funcionários, recupera em pouco tempo, tudo o que foi perdido, já não digo o mesmo, da crise hídrica, principalmente em Minas Gerais e São Paulo, Estados (des)governados pelo PSDB que tanto se arvora de grande gestor. Ninguém diz como o Brasil quase chegou ao abismo, no Governo de Fernando Henrique? Uns governantes que tratam o funcionário público, como mercadoria sem nenhum valor, como prega o Zé Serra, como podem entender de administração? Quem diz essas asneiras, entende quanto de condução da coisa pública. Ou é mais uma falácia?
Um gestor eficaz e eficiente faz uma ciclovia encima de uma calçada, como se fez no Boulevard Álvaro Maia, tirando a mobilidade do transeunte, e pior, à preço de pista de autódromo de Fórmula 1? Vou aprender Administração e Economia, com pessoal do PSDB. Pelo menos eu saio sabendo me autopromover, mesmo sem fazer nada.
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Eu sempre digo que o patrono da Publicidade, tinha de ser Jesus. Agora, quem sabe, o tucano do PSDB.
Muito se fala em “aparelhamento do estado”, frase feita pelo Governador de São Paulo, irresponsável pela crise hídrica por que passa o país. Termo tirado dos gabinetes do Delegado Paranhos Fleury. Aparelho, era o local onde a organização de base, ou onde os militantes procurados se reuniam, na clandestinidade. Trazer um termo desses, em plena democracia, soa como saudade de quando a Policia Federal só servia para procurar “subversivo”.
Mas o que acontece com um tal de Mauro Ricardo que no Governo Fernando Henrique, veio de São Paulo dirigir a SUFRAMA e por pouco, não a extingue, hoje, é Secretário de Fazenda do Governo do PSDB do Paraná, justamente quem toma decisões que levam à greve professores, policiais, inferniza a sociedade constituída, como se fizesse planos econômicos mirabolantes, para soldadinhos de chumbo, ou brincasse de Fort Apache. Esse rapaz que tem se mostrado um incompetente sem salvação, não faz parte do “aparelhamento de estado” do PSDB, ou eu serei leso de novo?
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Interessante que mesmo com uma inflação inercial e um terrorismo que incite à crise, os índices comparativos com o Governo do PSDB, ainda dão de goleada. A elite mascara, ou não permite que se discuta baseado em índices. É sempre o mesmo discurso, como se tivesse alguém manipulando essa gente.
- Não vamos falar do passado!
Mas sem passado, tendemos a cometer os mesmos enganos, indefinidamente. Uma elite que continua com a cabeça do Fred Flintstone, mas pensa que usando as roupas dos Jetsons, vão ser contemporâneas.
Dizer que é espontâneo, a incitação contra o jogo democrático de empresas sempre fascistas, é brincar com nossa inteligência, é pensar que todos somos lesos, só eles, espertos.
Seu Calderaro que nos recebia no sofá, líderes estudantis, sem distinção e depois quando visitava Seu Clóvis, colegas de escola, que teve entre seus funcionários, Fabio Lucena e Aldísio Filgueira, deve estar pedindo para reencarnar, vendo no que se transformou uma empresa sólida que deixou, acima de tudo, com credibilidade, DE MÃOS DADA COM O POVO, hoje, à reboque de ideias alienadas e alheadas de quem não está no círculo de esnobismo e futilidade sem fim.
Mas enquanto viveu, fez sua parte. Não pode ser culpado pela ação de outros, mesmo que sejam próximos.
Quando A Crítica não está reproduzindo o que mandam de São Paulo, vale-se apenas de fofoca e da exposição sem fim de mulheres seminuas, até nas páginas esportivas. É como se alguém construísse um castelo e entregasse na mão de outrem que sem capacidade, fosse dilapidando, inutilizando-o, pouco a pouco.
No país, empresas ditas de comunicação, como o Estadão e a Folha, entre outras e principalmente as Organizações Globo, do jornal, às emissoras à cabo, apenas fazem o que fizeram até o golpe de 1964, atuarem como uma força acima das leis, a serviço de forças do atraso e de interesse puramente financeiros.
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O que o livro DERRUBANDO MITOS chama de Efeito Aura, de se colocar todas as melhores características no rico, na pessoa abastada, no NASCIMENTO..., cita como sempre se teve esse estereotipo no Brasil.
“...compreendia-se o homem de empresa sob outras dimensões, como expoente de uma fidalguia, de inteligência e de ética, que completava-se o homem de ação. (Alice P. Canabrava, página 43)
É por isso que nem se pensa qual a motivação de revistas como The Economist, Exame, jornais, como Valor Econômico e Jornal do Comércio de Recife, em dizerem que está tudo como não gostariam que estivesse. No mesmo livro de Phil Rosezweig, DERRUBANDO MITOS, ele questiona porque as empresas classificadoras de “mercado”, não terem rebaixado a nota dos EUA, causador da crise econômica de 2008/10 e até hoje, não terem reavaliado para baixo, as notas das empresas envolvidas na geração da crise. Mas tem quem confie piamente nessas notas, nessas classificações, como confiam nas análises de mercado, quando a Miriam Leitão que se vendeu ao outro lado, nos anos de 1970, diz que a Bolsa de São Paulo fechou em queda, porque o Lula espirrou, O IBOVESPA abriu em alta, porque o “mercado” aposta na derrota da Dilma, mas quando o Índice Nasdaq, ou a Bolsa de Tóquio caem, ou têm variação, ninguém vincula ao político da hora, é sempre uma questão de finanças.
Sem contra que Phil diz que as análises que levam muita gente a cometer erros crassos, são feitas por jornalistas, muitas vezes sem entenderem nada de Economia, na base da emoção.
No Brasil, um caso emblemático, foi do Pimenta Neves que colocou a Sandra Gomide, que segundo dizem, era tão inteligente quanto um musgo de jardim, na editoria de Economia e Fianças e Negócios. Podia não entender desses negócios, mas no teste do sofá, era craque no negócio dos outros.
Empresas que selecionam candidatos desse jeito, são capazes de fazerem programas para influenciar, sobre as novas ondas do “mercado” de emprego.
- Use blazer azul-marinho, vá com uma pasta, nem se for com papel em branco, diga sempre que ama a função mesmo que nem saiba qual...
E se perdem valores, porque nem sempre o candidato tem poder para usar um estilo da moda, nem de comprar esses manuais de Recursos Humanos, onde gente sem preparo algum, seleciona outra gente, seguindo esse perfil, da roupa, da resposta pronta e no fim, a empresa não é produtiva, por “economizar” em profissionais que não são da área.
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O auge do Neoliberalismo jogou mais do que a economia no lodo, mas a relação das pessoas com o mundo, o endeusamento a todo custo, do dinheiro, do consumo, como significado de progresso material. Nem por isso esses valores se perderam, depois da crise. Ainda há jovens pensando que ficarão ricos, é só..., e velhos obtusos que seguem os mesmos princípios, mesmo que a não obtenção de suas metas o tenham feito recalcados e até infelizes com ódio de tudo e de todos.
E esses que não associam nada com nada, juram que acreditam que a crise Vargas, a crise de 62, o golpe de 64 foram espontâneos, como hoje, não foram planejado na Escola das Américas, nunca.
Como escreveu Noam Chomsky em MÍDIA PROPAGANDA POLÍTICA E MANIPULAÇÃO:
“...a primeira   operação de propaganda governamental de nossa era, aconteceu no governos de Woodrow Wilson, eleito presidente em 1916 com a plataforma “PAZ SEM VITÓRIA”
Daí, parte a mostrar, como a utilização da media, fez, em um semestre, o povo dos EUA que era contra a participação na guerra, um povo belicista, raivoso, a fim de trucidar o “inimigo”. E desde então, os EUA inventam um inimigo, a cada instante. Já foi o Comunismo, o Narcotráfico, o Terrorismo, o Fundamentalismo, no dia em que faltar um inimigo, o “mercado” estadunidense  entra em colapso.
Não só lá, aprenderam, como cá. A media nacional, desde o Primeiro Governo Lula, tenta desestabilizar plantando notícias. Podem não chegarem ao golpe, mas passam a sensação de que as forças reacionárias, impopulares, são melhores do que medidas que nos respeitem a todos. Perderam uma eleição, mas esperam enfraquecer o oponente, até serem colocados no ostracismo. Infelizmente não tem sido assim. Um dia talvez consigam ser o Quarto Poder realmente, de fato e de direito. Mas desde quando a Globo quis dar um golpe, junto com o IBOPE, nas eleições do Rio que elegeram Brizola, nunca a força da media mudou a percepção popular para valer. Talvez no debate Collour X Lula, em que o Boni orientou o candidato do Fascismo – PRONA – a utilizar uma pasta com papel em branco, para desestabilizar um candidato ainda sem maturidade devida.
E para não me estender mais, citarei outra passagem do MÍDIA:
Afinal de contas, estamos falando do mundo dos negócios, que, portanto, controla a mídia e dispõe de amplos recursos.
[...]
Esse e objetivo principal de uma propaganda bem feita:criar um slogan do qual ninguém vai discordar e todos vão apoiar.
[...]
É preciso incutir nele o medo dos inimigos.
[...]
Tudo começa sempre com uma ofensiva ideológica que cria um monstro imaginário, seguido das campanhas para destruí-lo.
Não parece muito com nossa realidade atual, com primeiro, a tentativa de achincalhamento da capacidade de Oscar Niemeyer, depois do Governo Lula e agora, mais visceral, mais irascível, com os perdedores postando nos carros, dizeres: FORA DILMA E LEVA JUNTO O PT. Não parece muito as passeatas “democráticas”, onde os partidos, principalmente de Esquerda, são cerceados de se manifestarem? Imagina esses “democratas desde quê” no poder. Aniquilarão todos e qualquer que não pensar igual.
Por serem maioria, pensarão que podem exterminar as minorias, quando o conceito de democracia atual, é justamente de como se tratam os adversários e as minorias.
É o cara que não torce por seu time, mas contra o time dos outros. Talvez por não confiar tanto.
A História tem nos mostrado que quem começa assim, acaba mal. Os Camisas Pretas, começaram alijando os partidos adversários, com dizeres muito próximos, depois partiram para a aniquilação física, sem pena. E a Alemanha até hoje, tem uma dívida com a humanidade, por causa de um líder austríaco megalomaníaco e sobretudo, capitalista até o topo. Não era maluco, apenas defendia o livre mercado, a economia sem intervenção, esses discursos falaciosos até hoje.
Um país onde os pós-graduados estão interessados apenas no acréscimo salarial, onde um grande volume de “intelectuais”, é de analfabetos funcionais, onde escolas de ensino superior deformam seus egressos, quando só pensam no lucro, e, onde formadores de opinião, cada vez mais, são os menos instruídos, qualquer tolice tem milhões de seguidores, baseados apenas no achismo. Que contribuição ao país, dessa elite golpista.
Na base do “euachismo” se faz crer que o Brasil é uma ilha em crise, num mundo paradisíaco.
Como disse Dona Ignês Izquierdo que a conheci, quando Secretária do Reitor Hamilton Mourão, uma turma toda do SNI na Reitoria, mas sempre nos ajudou quando pedíamos para corrigir nossas redações e que faleceu recentemente, na pós-graduação, quando perguntou à uma colega assistente social que ia vender beleza, a análise sobre um assunto.
- Eu acho...
- Minha filha, aqui, todos somos profissionais. Esse discurso do eu acho, é para quem não tem conhecimento, não tem conteúdo. Continue.
“Eu acho” que ela nem teve condições de continuar.
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Volto a repetir.Enquanto não tornarmos consequentes pessoas, grupos e setores que defendem o golpismo e a tortura, como penalização, estaremos sempre assustados com crises artificiais, criadas para mudar para a não mudança de sempre. Ou seja, o estado inercial, sem mudanças.
Só para terminar de verdade, Thomas Piketty que não é comunista, no início d’ O CAPITAL NO SÉCULO XXI, deixa bem claro sua não vinculação com o Socialismo Científico, diz:
Por exemplo, em 2013 - 2014 a taxa de crescimento da economia mundial sem dúvida deverá superar os 3%, graças à expansão muito rápida dos países emergentes.”
Sinceramente, diante do exposto, espera-se que as grandes potências em crise, o G7 fique de braços cruzados, esperando que sua hegemonia passe ao comando de países, até há pouco, subdesenvolvidos e dependentes de suas políticas econômicas, mesmo que detentores de insumos e commodities? As transnacionais que segundo o próprio Piketty, ainda hoje, mantêm grande soma das riquezas do mundo, paradas, mesmo que isso leve à uma pobreza crescente, vão permitir mudanças profundas, inclusive do mando de campo?
Usam os vira-latas para gritarem contra a corrupção, a roubalheira, quando eles próprios não são flor que se cheire.
O Executivo e o Legislativo refletem seu povo. Enquanto não nos respeitarmos, enquanto não analisemos a partir de nossas conveniências, o país, enquanto não nos policiarmos em procurar as soluções mais fáceis, mesmo que sejam difíceis aos demais, não podemos gritar que o país está mal, quando nós, somos parte deste país. A parte reflete o todo, assim como o todo é constituído das partes. Acho que é mais ou menos assim, a Física Quântica, nas palavras do Stephen Hawking. Não dá para construir um todo, sem a participação das partes, nem que as partes não tenham relação com o todo. É como pensam esses golpistas, que em menos de 3 meses, já foram às ruas, “espontaneamente”.
- Depois tu ganhas uma ração Totó. Não morde, covarde!      


DIALÉTICA POPULAR DE VANGUARDA
OBITUÁRIO  16/3/2015
CONSUELO DE MEDEIROS VALLE
Começaria dizendo que é com grande pesar, o que soaria piegas, mas para mim, foi com grande pesar, apesar de saber que temos prazo de vida e a idade avançada nos faz mais próximos da morte. São fatos que se sabe acontecerão, mas, mesmo assim, abatem quem tem sentimentos.
Faleceu em 7 de março de 2015, na Cidade, consequentemente no Estado do Rio de Janeiro, a senhora Consuelo de Medeiros Valle, viúva do meu tio Rodolpho Gumarães Valle – sim, com PH, porque P(h)odia mesmo -, portanto, minha tia por afinidade, ou como dizem em Inglês, aunt in Law, ou traduzindo, tia por questões legais de matrimônio.
No dia anterior meu primo Benjamin ligou para perguntar se eu estava zangado com ele, pois nunca mais recebera meus enfadonhos e-mails. Falei-lhe que estou sem computador, mais exatamente, quebrou o carregador do notebook e o computador de mesa, fui fazer uma programação, está inútil até de ligar. E a última mensagem que consegui transmitir, foi respondendo um questionamento dele, sobre onde está a Presidenta Dilma e disse que está no lugar, onde o candidato dele gostaria de estar, mas perdeu, está provando o o lado pejorativo de quando o partido dele desgovernou o país e quem não era aliado, chamavam de perdedor, quem não pensava como neoliberal, era perdedor. Agora, eles perdem sempre e não se conformam. Disse mais, PTista era o lado da família dele, mas diante do contexto, o programa mais próximo das minhas convicções populares, votei e continuo apoiando a Presidenta. Eu sou brasileiro, o Brasil não é Nova Iorque, tem problemas estruturais que não vão ser resolvidos sem levar em conta que as periferias existem, portanto, não me envergonho de dizer que continuo internacionalista, mas como dizia Mao Tsé Tung, primeiro se luta pela transformação em casa, para depois a revolução internacional. O enrustido Gandhi disse algo mais ou menos igual. Primeiro se transforme, para depois querer transformar o mundo. Mas o Gandhi, para mim, foi um traidor, um midiático e pior, enrustido, se ele esconde até a sexualidade, imagina o que não é capaz de fazer para se dar bem.
Como diz Stalin no MATERIALISMO DIALÉTICO E MATERIALISMO HISTÓRICO.  O socialista científico, materialista, histórico e dialético, diferente do idealista, trabalha com o que tem no momento, ao invés de esperar que as condições imaginárias apareçam, sem que se trabalhe para tanto. E é o que eu tenho sentido nas discussões golpistas dos insatisfeitos com um governo que também crie oportunidades para quem sempre foi relegado ao esquecimento, como se não houvesse solução para se dirimir um pouco, visto que ainda, infelizmente, somos capitalistas, ou um país que ainda adota o Capitalismo, até me convençam do contrário.
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Na hora do até mais:
- Beijos nas tias!
E retribuí, mandando beijos às mulheres da família, excetuado ele que estava conversando comigo, não precisava. Uma senhorona!
- Soraia, Sofia e Concom!
- A mamãe voltou pra UTI!
- Mesmo assim, quando puderes, dá um beijo nela por mim!
E ainda consolei.
- Meu primo, às vezes, é melhor que não sofra.
Idade avançada para os padrões atuais, muitos problemas, já estava antecipando.
No dia seguinte, menos de 24 horas depois, meu sobrinho ligou para dar a notícia da “passagem”, como esse pessoal metido à espírita, tem mania de dizer. Liguei para minha prima Dorinha, a única com quem consegui me comunicar, ou melhor, ligar, porque esse foi um daqueles dias lacrimosos onde até para dizer alô, a voz embarga. Logo eu que não tenho problema com a morte. Sei que se pode morrer sem ainda nascer, mas é uma questão de sentimento que eu ainda não consegui controlar. E talvez nem queira. Já falei, não nasci para ser ator.
Foi até bom que ela tenha falado sem parar, pois eu não conseguia dizer mais nada apenas escutei.
- Mamãe morreu meu primo! Mamãe morreu!... O pessoal já está chegando aqui. Acabou de falecer. Agora mesmo. Minha mãezinha!
(Bem, acho que vou deixar para digitar depois, porque já não estou enxergando nada.)
Dona Therezinha soube, assim que o avião pousou, ela recebeu um telefonema exatamente quando desembarcava.
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Assim como Dona Therezinha, Concom também foi vítima da arrogância ignorante, religiosa e petulante de Dona Dolores Guimarães Valle, tanto prima do Ulisses, quanto minha avó. Aliás, só soube do parentesco, quando a própria Concom revelou que quando os filhos eram perseguidos pela Ditadura e até o meu primo Enéas foi sequestrado, torturado e deixado sem roupa, sem dinheiro, nem nada, para se virar, longe de Brasília, onde estudava e militava politicamente, ela apelou ao parlamentar, apelando para o parentesco que era próximo, de primos, como dizem, em primeiro grau, mas primeiro grau são pais, ou filhos, primos são a partir do segundo, ou terceiro graus, não sei bem.
Porém a Concom, em toda sua vida, sempre mostrou um lado doce de ser, mesmo agredida, não tinha armas, ou talvez forças para reagir, defendia-se na muralha que construiu, naquele corpo pequeno, mas aguerrido, apesar de não demonstrar isso aos quatro ventos, como se faz, com qualquer tolice, mesmo sem expressividade alguma.
Dona Dolores atentou contra a paz da família, não por ser preta, como Dona Therezinha, mas por ter tido uma filha preta e mulher, o que na concepção religiosa e preconceituosa de Dona Dolores, era inconcebível. Só podia nascer macho e de pele branca.
Mas Dona Dolores só colocou seus preconceitos para fora, depois de desposar um preto daqueles que se fosse ao circo, o domador confundiria com macaquinho bem vestido e colocaria no palco, na base de chicotada, porém, instruído, bem posicionado socialmente e que a deu alguma posição. Até então, pelo menos não demonstrava tanto racismo, tanto preconceito, tanta tolice.
 Concom teve de se exilar na casa da mãe, com minha prima Fátima que como eu, fomos rechaçados segregados, banidos, num primeiro momento, quando ainda nem sabíamos que mundo era aquele, da casa da “Vovozinha” que não gostava de pretos. Pelo menos depois que se travestiu de pequeno-burguesa nacional.
Lá, tanto mãe quanto filha, adoeceram.
Mais um capítulo de como Concom atuava no mundo, sem seguir os estereótipos de seu tempo.
Dona Dolores criou quatro filhos, sendo viúva. Mas de uma forma que mais pareciam marionetes, do que homens de família. Até que dois se rebelaram e consideraram escolher a família, ao invés de ouvir os conselhos infelizes da mãe deles e o outro, adulto, podendo ficar na Vila Militar, sem dar satisfação, decidiu largar o Exército, porque Dona Dolores não aceitava que tivesse casado com uma mulher “desquitada”, como se dizia à época. E ele, sem a família presente, decidiu pedir reserva, ao invés de morar longe, sem que a mães soubesse. Eram uns filhos muito obedientes que para mim, fazem homens sem muita atitude, ou que demoram muito a tomar uma decisão.
Depois de tempo, tio Rodolpho – aquele com PH – decidiu desconsiderar Dona Dolores e foi buscar Concom e Fátima na casa de Dona Minerva, a outra que nem conheci. Bateu à porta, veio a dita senhora atender e perguntou o que ele queria.
- Vim buscar minha família.
- Bem, se ela for uma Campelo de Medeiros, não vai, mas vou chamá-la e deixar a decisão em suas mãos.
Ela foi. O que julgar? Viveram juntos até o tio detectar um câncer por causa do vício em cigarro e morrer, mesmo para os padrões dos anos de 1970, muito cedo, no auge de sua contribuição ao seu meio.
Depois de investir numa família construída com percalços e momentos de alegruia, ainda teve mais seis filhos, dois dos quais não resistiram além da infância.
O que deu certo para um, pode não dar para outro. A Concom enfrentou as dificuldades, construindo o que pensava ser o melhor para si. Talvez ainda tenhamos muito a aprender com sua postura, por muito tempo, antes de largar um problema, enfrentar e tornar o que é problemático, em satisfatório.
É muito fácil jogar uma coisa no lixo, ao primeiro sinal de problema. Mas e depois, até em termos de consciência, era o que se queria, ou se vai ficar com um peso, de que a não tentativa, foi a pior escolha e não se pode voltar ao ponto que se desvencilhou, quando um pequeno conserto pode ser muito melhor para tudo.
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Uma passagem que diz muito de como era a Concom, foi certa vez, quando revelou.
- Eras, o Rodolpho parece que é louco, vai às “primas” e chega em casa, querendo fazer o mesmo comigo!
Submissa? Talvez não, por em diversas oportunidades, foi quem levou a “casa” nas costas, com seis meninos “endiabrados” e um doente. Romântica?Talvez. Mas, acima de tudo uma mulher que não ligava para a posse do outro. Ela se satisfazia no momento em que estavam juntos e não aceitava o que achava que não era para ela. Para mim, uma relação de companheirismo, de complementação, ao invés de ficar enjaulando o outro, como se fosse mercadoria com nota fiscal e tudo o mais. Talvez tenha sido muito mais segura de si, do que muita gente que se acha o tal e mostra uma autoestima baixíssima.
Dizia isso, não com zanga, com quem se sentisse ferida, mas com um ar de graça, achava até engraçado tudo isso.
Outra lembrança de como ela estava além do seu tempo, foi nos anos de 1970, primórdios do Formigal, sítio de Dona Therezinha, quando fomos conversar todos, na grama e sentamos, cada um, numa cadeira de macarrão. Alguém reclamou que os mucuins estavam picando, que as formigas estavam subindo pelas pernas que os insetos não estavam dando tréguas.
Muito pouco se falava em Ecologia, se falavam naqueles tempos. Então ela disse uma frase que hoje, seria lapidar, naquele tempo, parecia fora de foco, mas se mostrou dentro da realidade futura.
- Eles estão no seu ambiente. Nós é que invadimos o espaço que é deles!
Hoje, quando se está passando por essa crise ambiental, climática e de exaurir os recuros naturais por futilidade ideológica, poderia muito bem resumir o que precisamos fazer.
Não que fosse descrente, sempre foi muito religiosa, tanto que depois de viúva, até chegou a frequentar uma ordem no Outeiro da Glória, onde seguiu todos os passos para se purificar quase indo se enclausurar, até o fim da vida. Mas não era tola de achar que Deus é bom e não tem que ter percepção para a realidade no nosso entorno.
Também era assistente social e atuava na área.
Nós invadimos o espaço da fauna e da flora, porque quisemos nos fazer sobrenaturais e a natureza, era algo que se tinha de “dominar”, ou seja, exterminar, para construir uma mundo de cimento e asfalto por todos os lados, como se isso fosse possível.
As lembranças mais recentes, é de quando acolhido no apartamento dela, quando já jovem adulto que era muito bem recebido. Principalmente de passagem, depois de um congresso de estudante, quando Dona Regina minha professora de piano me permitia, ou me concedia duas semanas de férias, não mais, a cada ano e aproveitava lá.
A única vez em que não tive todas as regalias dispensadas, foi quando o Benjamin foi chamado para a AMAN e a Concom foi ministrar m curso em Brasília e eu fiquei com a minha prima Minerva no apartamento e combinamos de eu cozinhar e ela lavar as louças e as panelas. Quando via, vinha o pessoal do Volleyball do Fluminense, uma cabocada feia, a única que eu pedi para conhecer a Cilene da Seleção – não sei como conseguia saltar, com aquela protuberância nas costas, apesar de ser branca -, nunca apareceu.
Talvez para compensar essa desconsideração, só agora, depois de todos bem maduros, apresentou-me a Monica, também ex-Seleção. A Moniquinha. Modo de expressão, pois ela cresceu muito mais do que eu. O último fio de cabelo meu, chega à altura do seio dela. Quem passou a me chamar de Stevinho e pegou o apelido carinhoso.
Depois de se refestelarem, sempre estavam atrasadas para o treino e eu além de cozinhar, tinha de lavar os pratos e panelas sujas. 
Mas até aí, a Concom deixou uma comida de reserva, na geladeira, nós é que decidimos fazer umas compras no mercadinho mais abaixo da rua, inclusive a matruz que a Minervina batia no liquidificador, com leite, para não gripar.
Foi quando o Ulisses Silva Dias que tinha sido mandado para o Colégio Militar de Manaus, com o irmão, Achiles, por terem sido reprovados no CMRJ, foi me visitar e de cara se encantou com a Minerva.
- E aí?
- Aí o quê?
- Tem alguma lance entre vocês?
- É minha prima rapaz!
- Posso chegar junto?
- Problema é de vocês.
Então fomos sair para uma gafieira e no engarrafamento da Voluntário da Pátria, no horário de volta para casa, a Minerva avistou o tio Joel, irmão de Seu Clóvis, do primeiro casamento dos pais dele. Tímido, tímido, mas agarrando uma carne nova, no meio da rua.
- Tio Joel!
O tio rodou o poste, tentou se esconder, dispensou a garota, depois de muito tempo, acenou.
- Oi meus filhos! Tudo bem com vocês?
 Empatou a peladinha do dia, do Tio. O que tem demais, ele, viúvo, dono de si, dar uns amassos em quem quer que fosse? Estava mais certo do que eu.
Quando estávamos chegando à gafieira, acho que a Estudantina, uma blitz da polícia.
- Saiam do carro!
O Ulisses não conseguiu o Opala da família, foi de Fusca mesmo. Ele, retinto, eu preto, a Minerva, deixa para lá, mas uns olhos azuis,ou furta-cor, depende do momento e dizem as más línguas, uma das mulheres mais lindas de Manaus do nosso tempo de adolescente. Não reparo nesses detalhes sórdidos. Todos os meus amigos elogiam-na, a única que disse que era uma merda, foi a Acácia, quando perguntei à Maninha se tinham estudado juntas no Auxiliadora.
Mas na blitz já cumpri a ordem.
- Posição de revista!
 Agora, penso que por ter acabado de sair do Exército, saber como posicionar para a revista, tenham me confundido com meliante. Levei tanta porrada que saí com o couro quente. Até o Ulisses dar a maior carteirada.
- Chame o comandante da operação já.
Lá veio o oficial e apareceu carteira de tudo. Colégio Militar do Rio de Janeiro, Colégio Militar de Manaus, Clube Militar, II Exército, OAB, acho que até dos filhos de Gandhi e da Seara da Mãe Dondinha de Octocina de Jesus, algo assim. Quanta carteira numa só bolsa. De repente todo mundo virou “doutor”.
- Não “doutor”!
- Sim senhor “doutor”.
- Isso é coisa que se faça? O rapaz está visitando a cidade, vocês o tratam assim?
- Desculpe “doutor”...
O jeito foi voltar para casa e gelar a orelha com gelo.
-...-
Numa das muitas acolhidas, o Enéas que morava próximo ao Vidigal e pediu permissão ao traficante da área, para ter um atelier no morro, foi me mostrar o que era gay. Eu nem sabia que havia diferença entre boiola, baitola, fifí, viado, gay... Eram uns argentinos com mais bíceps, tríceps, deltoides do que eu, mais bigode do que senhora portuguesa, com uns shorts apertados e cada um, com um cachorro do tamanho de uma onça.
- Isto é gay!
Tudo bem, mas na hora do pega para capar, pode ser gay, bicha, biba, roscofe, não entra. Não faz parte do meu cardápio. Não sei se é genético, ou foi educação dos meus pais, mas não sinto a menor atração.
Em outra oportunidade, ele ainda estava casado e morava há dois andares abaixo da Concom e a Susane resolveu fazer uma almoço alemão. A verdadeira porcaria. Era joelho de porco, orelha de porco, cabeça de porco, nem a porca da Casas da Banha conhecia tanto de porco assim. Eu não comia porco nessa época, o que me salvou foi a salada e as batatas, de todo jeito também, assada com queijo, assada com ervas. E então iríamos o casal, a amiga da Susane e eu, ao baile de carnaval. Na hora H, a alemã baixou enfermaria. Comeu feijoada com caipirinha, teve de voltar à Alemanha com uma rolha, para não sumir do mapa.
Outra vez, um encontro na casa da Dorinha e de Sir Fred. Batida de todo jeito, ela preparou cada uma melhor do que a outra. Detalhe, ela não bebe nem para provar.
Então, numa das vezes, a Dorinha resolveu me levar ao Aeroporto, acho que iria ao Congresso ainda.
- Eu me viro.
- Não, eu te levo.
Voo marcado para as 4:00h, 3:45h mais ou menos, ela chegou, vamos, era logo do outro lado, no Santos Dumont. À pé, eu chegaria em minutos. Ela entrou num trevo,, num daqueles viadutos que vão para todos os lados e virava, virava, virava, voltávamos para o mesmo lugar. Ela entrava de novo, virava, virava, virava e eu suando, pensando que iria perder o voo. Não sei como, ela finalmente acertou a saída e o Aeroporto era na descida logo.
Pior do que ela foi a Fátima, um tempo depois de inaugurarem o Sambódromo da Sapucaí. Passamos em frente, ou detrás, o trânsito fluindo rápido, de repente uma bifurcação. A motorista parou o carro no meio do trânsito, era carro desviando para a direita, para a esquerda, para ler a placa de localização. Saída para o Centro, Saída para Cascadura, Saída para o Diabo que os Carregue.
Se eu não tenho nervos de aço e esfíncteres de cola mil!!!
-...-
Lembro de uma vez, quando eu pedi ao Benja me levar ao Fundão. Descemos para pegar um ônibus e a Concom foi junto, com seu salto alto majestoso. Fez parada para um e ele parou. Quando ela ia subindo, caiu feio no chão. Ralou a perna. Então começou a confusão. O Benja ainda adolescente, chamando o motorista para brigar, muita gente apoiando. Segundo o Benja, quando ela pisou no primeiro degrau, o motorista andou com o veículo, o que ocasionou a queda. Deslocou o ônibus, só por aquele espírito de porco brasileiro, onde o desrespeito parece fazer bem ao ego.
O Benja foi mais do que um homem, virou o Super-Homem.
- Respeita que ela é minha mãe. Fica de palhaçada aí... Você puxou o ônibus.
- Não puxei.
Aí vieram os transeuntes, uma confusão danada.
- Eles fazem de propósito.
- Puxou sim filho da puta.
Depois de muita baixaria, finalmente os ânimos amainaram.
Bem, ela embarcou e depois fomos nós à UFRJ. A programação era a seguinte: encontrar com a militância da Física, acertar minha participação na Executiva Regional, visitar o Laboratório de Física, almoçar e voltar para casa.
De repente encontrei uma companheira, depois de cumprir a programação que estava sozinha num alojamento que é feito em quatro. Uma sala no meio, um quarto em cada lateral e cada quarto, quatro pessoas. Ou seja, 16 no total. Mas eram férias, ela estava só.
Fomos para o quarto dela, andamos lá por baixo, os megafones chamando para os restaurantes “piratas”, os próprios alunos faziam a comida, vendiam, no alojamento.
A tarde foi virando noite, já estava escurecendo, quando a companheira perguntou.
- Quer dormir comigo?
Querer, eu queria e não era para dormir. O problema é que tinha o Benjamin, um adolescente que ia ao teatro, só para ver as atrizes de trocando, imagina. Deixá-lo lá, era um perigo. Deixá-lo voltar sozinho, outro. E voltar no outro dia, pior ainda. Só no Fundão, para se deslocar de uma lado para o outro, tinha de pegar ônibus. Do alojamento, até o ponto que leva para fora, outro ônibus. Do Fundão, tinha de ir para a Faculdade de Direito, acho que no Largo do Machado, depois pegar outros ônibus... Ou seja, era muito complicado.
Mas antes de eu dizer qualquer coisa, o adolescente tarado já se pronunciou.
- Eu durmo!
Ela deu aquela olhada de cima a baixo e rebateu.
- Te enxerga garoto. Eu convidei o Thevis.
No Congresso, no Rio, de novo, acho que dormi um dia no Maracanã e as outras noites, para o apartamento da Concom. Todo dia, a mesma linha. No domingo, último dia, entrei no ônibus, já estava diferente. A parada mudou de mão. De repente o ônibus estava indo em direção completamente oposta. Cutuquei o motorista e perguntei se ia ao Maracanã.
- Não, esta linha passa no Maracanã, nos dias úteis. No domingo ela muda a rota. Você quer ir ao Maracanã?
Nunca vi tanta presteza, tanta diligência, com um estranho.
- Vou fazer o seguinte, fique ai que quando passar um carro para lá, eu digo para você.
De repente, na outra via, ela fez parar o ônibus e parou na paralela.
- Leva o rapaz ao Maracanã. Ele já pagou.
O outro motorista parou em frente, até fora do ponto.
- É aqui! Você sabe andar aqui, né?
Lógico, entre a UERJ e o Maracanã, era moleza. Justamente onde encontrei uma companheira do primeiro Congresso e de manhã, quando acordamos, ela me convidou para tomarmos café na UERJ. É só uma passarela a separar um local do outro. A garota era linda, pele morena clara, cabelos pretos bem longos, como os olhos, bem negros, esguia, e tinha um detalhe, trajava sempre calças jeans e camiseta branca de algodão. Ela era muito linda e inteligente, feminina, sem deixar de ser feminista e um monte de coisa. Acho que era mais velha, ao menos uns 5 anos.
Então no balcão o atendente perguntou o que ela queria. Fiz tudo para ela não notar, para não ficar constrangida, mas fiquei com vontade de bater boca com as três bucéfalas que já naquele tempo, iam à faculdade, de bolsa, com vestido de luxo, essas futilidades todas. Ela fez o pedido, por causa do sotaque nordestino, as idiotinhas ficaram rindo, fazendo mangoça, caçoando veladamente, cutucando uma à outra, por baixo do balcão. Tomara que a companheira não tenha notado e se notou, tinha personalidade demais e beleza que as três juntas, com todas as suas joias, não conseguiam chegar perto, ofuscar pelo menos o dedo mindinho do pé. Na verdade, quem parecia uma matutas eram elas.
A primeira vez que nos vimos, esperávamos o início do Congresso, no Teatro Carlos Gomes, no Taquaral, em Campinas. Ceguei muito cedo, pois havia ido só, fiquei no batente, vendo o pessoal no lago, no parque, então ela chegou, ficamos conversando, estava um friosinho gostoso e um sol ao mesmo tempo, só no Congresso do Rio nos reencontramos.
Não declinarei o nome dela, porque também não sei.
-...-
Em 2001 quando estive no Rio, acolhido pela Sofria, a Soraia a o Benjamin, emagreci bem, com as caminhadas toda manhã, até o começo da tarde e com o cardápio vegetariano da gaúcha cheia de noves foras, cheia de conceitos para comer.
- Não pego em coisa morta!
Ainda não pediu o divórcio?
Talvez vivam uma união onde o sexo não importa. Mais morto do que o meu primo... Estão pesquisando um remédio só para ele. Guindastissh. E ele é mais novo do que eu, 4 anos, nasceu na Ditadura. Em pensar que mais novo, ele chamava as meninas com o dedo e o pior é que elas vinham, quando tentou me jogar a mãe de uma namorada, uma senhora de idade, eu com poucos vinte anos, ela toda afim, agora segundo fontes fidedignas, virou ferrolho de igreja, a única mulher para ele, é a sua esposa. Égua!
Mas saciava o dia inteiro e o paladar era tão, ou mais gostoso do que o cardápio tradicional.  
Um domingo a Fátima como o Julio, o Cesar, convidaram para uma feijoada na casa deles. Soraia falou para forramos o estômago, porque almoço naquela casa, é depois das 18:00h, no mais tardar, começando segunda-feira. Comemos algumas couves de Bruxelas fritas, aguentamos esperar o “almoço” que realmente saiu depois do jogo do Fluminense, o Benjamin que havia ido à Bahia para ministrar um curso, chegou, mudou de roupa e ainda não tínhamos almoçado. Aliás a Senhora dele me questionou, ciuminhos das alunas de pós-graduação da Bahia e do Paraná.  É muito ciúme para pouca gente.
- Essas baianas.
- Fica calma que eu conheço o Benjamin. Antes, eu até diria outra coisa, mas agora que casou, é tão fiel que eu acho que brochou.
Baianas e paranaenses, ah meu Deus do Céu... Eu gosto! E gosto muito.
Neste ano, bem cedo, quando todos ainda dormiam, eu descia para o Aterro do Flamengo, para caminhar. Parecia que combinava com uma atriz da Globo, na ida e na vinda, íamos juntos, como se nos conhecêssemos.
Era Aterro, Santos Dumont, Estação Naval, Marina da Glória, estádio de remo, Aterro de novo, Porcão Churrascaria, Praia de Botafogo, um túnel que eu não sei o nome, o Posto Manaus, Copacabana e volta. Na caminhada, uma moça com traços orientais – acho que na outra encarnação fui samurai, ou monge budista, adoro orientais – ficava olhando, eu a olhava, às vezes fazíamos o mesmo caminho, mas não tive coragem de chegar junto. E não devia ser muito difícil.
Benjamin mandou fazer uma chave da porta, para quando eu saísse, não a deixasse aberta. Friozinho de manhã, chovia mais tarde, fazia sol, todos os tempos possíveis. No fim, sentava numa barraca e pedia uma água de coco. Uma vez fui tão elogiado, só porque estava sentado, chegou mãe e filha e a filha ficou em pé. Cedi o banco à ela, parecia coisa de outro mundo.
- De onde saiu um homem desses?
- Tá vendo, ainda existem cavalheiros.
- Ah se metade fosse assim!
Quanta carência de homem. Tem muito moleque, mas homem mesmo, não sei.
Um desses dias, resolvi caminhar mais um pouco. Depois do Aterro, passei por uma loja, perto do metrô do Largo do Machado e entrei para comprar camisetas e shorts. O dono era um cara chato pacas. Primeiro me perguntou se eu estava caçando coquinho, ou se eu estava pescando Tatuí.
- Não entendi nada, cara.
- É que todo dia você passa com uniforme, como quem não faz nada na vida.
- Eu estou de férias porra!
Para me vender as regatas, foi a maior discussão. Queria que eu levasse as maiores.
- Eu quero estas.
- Mas se comigo elas apertam, você que é maior, é muito forte, vai levar as menores?
Eita cara chato.
Então, numa rua grande, no Largo, fiquei esperando o sinal, quando de repente, aquele corpo de bermudas, tênis e meias, espreguiçando-se no poste, do outro lado. Ninguém mais do que o Noval. Quando cruzamos o caminho, ele me perguntou.
- E aí, não vais pra Concom?
- O que tem lá?
- Um almoço. Não te convidaram?
- Não estou nem sabendo.
- Já estou indo pra casa para me aprontar.
Continuei caminhando, acho que estava indo para a Zona Norte, resolvi voltar. Cheguei no apartamento, depois de 12:30h, quando a Madame me avisou.
- Ah Thevis, esqueci de avisar. A Concom ligou ontem, pra te covidar para um almoço hoje.
Tomei uma banho rápido, inverno, só tomava banho frio, o suor escorria ainda mais.
- De que lado pego o metrô?
- Do outro lado.
Já estava atrasadíssimo. O metrô foi parar na gare, no ponto final de verdade, onde tem um protetor e não tem mais saída. Visualizei o mapa, estava na Zona Norte, onde tudo é inferior, dos vagões, às pichações, até o anúncio. Na Zona Sul, é assim:
- Estação Glória. Saída pelo lado direito.
Aquela voz de aeroporto. Na Zona Norte, é quase um ascinte.
- Estação São Cristovão. Se quiser sair, procure onde vai abrir a porta. Não encha a paciência e vá pro Inferno.
Um mesmo país, tanta discriminação, tanta segregação e tem quem ache que é assim mesmo. Mas ou menos como São Paulo que não sei se terminaram, mas existia a Rodoviária Sul/Sudeste e a Rodoviária Nordeste/Norte. Não conheci essa. Mas da mesma maneira, é uma maneira de tratar os iguais, como se fossem inferiores.
Corri para a outra plataforma, chegou o metrô, entrei, acho que passeei pelo Rio inteiro, por baixo da terra, na maioria do percurso. Em São Cristóvão o metrô sai da terra e sobe uma plataforma suspensa. Depois de um tempo, cheguei ao almoço na casa da Concom. Já levei uma esporro. Maria Minerva estava famélica.
- Qual é meu irmão, eu tenho de trabalhar. Enquanto o sobrinho querido da mamãe não chegava, ela não deixou nem beliscar.
A Dorinha já estava de saída.
- Eu tenho de ir, senão não chego no SERPRO. Você demorou muito.
Não era um almoço, mas um banquete. Além dos pratos diversos, as baixelas como numa palácio.
- Ah, a mamãe baixou toda a prataria que ela comprou no estrangeiro pra ti.
Obrigado!
Depois de refestelar bastante, hora de voltar. Acho que já umas 16:00h. O Noval falou para irmos juntos. Eu falei no metrô, a Mayra falou de carro, o Noval resolveu que fossemos à pé.
- Pra fazer a digestão, depois de um almoço desses!
Nunca vira o Noval tão zangado. Caminhando, já perto de uma parada de ônibus lotada, um carro cheio de meninos, cantou o pneu e de dentro, gritaram. O Noval perguntou:
- O que eles disseram?
- Bucetão!
Os caras já haviam dado marcha no carro e o Noval chamando para a briga.
- Vai ver que nunca viram uma buceta na vida. Idiotas...
Se dão marcha a ré, acho que o Noval iria fazer cara de paisagem, pois éramos os três e eles eram de monte.  O Noval estava muito valente, até parece que tinha comido feijão. Um professor doutor, gritando aquelas baixarias em pleno meio da rua, num local apinhado de gente.
Nem Sonrisal faria uma digestão tão rápida. Quem diria, o Noval. Diante do que ele fez com a filha dos outros, aquilo era apenas um palito de dente.
Como diria o Pensador do Nepal no curdos outros.
- No cabaço alheio é refresco!
Dizem que Deus escreve por linhas tortas, o que ele não tem coragem de dizer na cara. O pessoal que se fartou com a filha alheia, agora tem filhas. Como se comportarão?
-...-
Antes de eu regressar para Manaus.Concom chamou a neta mais velha e deixou a seu encargo, uma noite de foundué. Baixelas, pratarias, réchauds, castiçais, velas, tudo do bom e do melhor. E os acompanhamentos, morango no chocolate, carne no queijo, banana, camarão, rapaz, nem o Rei Luiz XV passou tão bem.
Acho que a última vez que a vi.
-...-
Pelo menos deixou lembranças, cumpriu seu papel, até mais do que simples mãe, esposa e cidadã.
A Missa de Sétimo Dia caiu exatamente na sexta-feira 13,
Estava planejando ir à manifestação democrática dos trabalhadores, mas não daria tempo de ainda ir em casa e pegar Dona Therezinha. No largo da Catedral e a Missa, na São Sebastião.
Um dia tenebroso, chuvoso, há tempos meus pés não inchavam, problemas para calçar sapatos, o jeito foi ir de tênis mesmo. Só agora tomei a primeira dose da Benzetacil que é de 12 meses. Até falei ao Doutor Sinésio.
- Mas um ano sem beber.
- Mas por quê?
- Porque eu estou tomando antibiótico.
- Quem disse que é proibido? Tome uma dose daquela vodka no congelador, antes, outra durante e outra depois. Deixe de tolice.
Na clínica, quem me atendeu foi a Gloria, ou Doutora Glória agora, contemporânea de tempos universitários e falei para ela sobre. Tem opinião diametralmente contrária. Por via das dúvidas, não está me fazendo falta, deixa beber só água e suco, quando tiver. 
Como disse a Lilian, agora, também, Doutora Lilian, contemporânea de campus universitário, mas muito antes, quando chegou à Manaus, de Inglês.
- O velho é doido, só passa medicação para matar tudo de uma vez, mas é o melhor na área.
Às 17:10h, chamei um táxi. Ainda deixei claro à atendente que era uma corrida para o Centro, pedi presteza e celeridade, por favor. Às 17:45h o taxista liga para dizer que está preso em um engarrafamento em frente ao condomínio, ainda vai ao Viaduto e voltar. Às 17:55h o táxi finalmente estava na porta de casa.
Saímos do Condomínio e do outro lado da pista, o trânsito fluía sem interrupção alguma. Já fiquei achando que era mentira. A chuva se fez torrencial, do lado que estávamos, sim, estava parado. Nem ia para a frente, muito menos para trás. Parado. Dona Therezinha reclamando que eu não chamei o táxi à tempo, a culpa era minha, não chegaríamos nem depois da Missa e quando fluía um pouco, o taxista não andava, passavam na frente, ele ligado no smartphone. Era preciso alertá-lo. Parecia que estava em casa, sem problema algum. Eu dizia uma coisa, ele fazia outra. Falei para ele pegar a Djalma.
- Não o trânsito está fluindo na Maceió.
Não adiantava falar e Dona Therezinha com nhenhenhem no meu ouvido. Resolvi respirar fundo, relaxar, para não começar a soltar os cachorros. Eu já estava nervoso.
Às 16:05h, estávamos presos na Maceió. O taxista não largava o smartphone. Acho que estava gostando dos engarrafamentos. De novo, falei para ele pegar a Djalma.
- Não, depois do sinal, flui.
Tudo parado.
-  Pega a Djalma.
- Não, vamos continuar. No Cemitério, o trânsito flui.
Meu Deus do Céu. Dona Therezinha irritando atrás, o taxista irritando na frente, mas se eu desse um soco no maxilar dele, ela iria ficar contra mim.
Não tinha mais jeito, só havia um caminho e o cara no smartphone. No Cemitério, tudo parado, uma dificuldade para andar um milímetro e ele jogando.
Quando finalmente a rua que passa ao lado do Cheik Clube, ele queria pegar à esquerda, ir por um caminho mais distante. Falei tão ríspido, mas fruto da raiva que estava segurando.
- Eu não estou pedindo, eu estou mandando ir em frente. Não vai pra lugar nenhum. Vai em frente, quem dá as ordens sou eu. Chega de babaquice. Faz o que eu estou mandando. Vai reto. Nem tenta desviar o caminho, pois não vai dar certo. Não vou permitir mais esses caminhos idiotas. Agora!
O cara de repente largou a merda da geringonça, deu marcha de verdade no carro, quase bate os outros que dobravam à esquerda. Subimos, próximo ao Luso Sporting Club, alterei a voz de novo, desta vez, mais calmo.
- Dobra!
Finalmente chegamos. Em frente à Igreja, pediu milhões de desculpas. Eu saí logo, para não dar um soco no cara. Eu me segurei por quilômetros.
- Desculpe por favor. Desculpe! Por favor me perdoe!
Mania cristã de pedir desculpas e repetir a mesma coisa sempre. Ou não faz, ou não pede desculpas. Agora fica pedindo desculpas e repetindo a mesma porcaria. Então não faz.
Chegamos, mais de 18:30h, a chuva apertou ainda mais.
A Igreja lotada, uma turma de Carismáticos. Os soberbos fingidos, ou os fariseus pós-modernos. Deus me livre!  E a ostentação da fé, muito mais para a plateia, do que uma coisa interiorizada, uma crença verdadeira. Espalmam as mãos bem altas, jogam-se no chão, beijam a passagem das pessoas, como os religiosos à porta do templo sagrado que Jesus deu um piti danado.
De repente uma garota com um discurso rasteiro, foi falar no púlpito. Formatura de Enfermagem. Se aquela é a oradora, imagina os outros que perderam. Não disse nada com nada, muita bobagem, um discurso de grupo escolar. E uma gritaria de menino na hora da merenda, a cada tolice que ela arrotava. Relevei pela idade, mas eu, até mais novo, não diria uma baboseira daquelas, o pessoal está ficando cada vez mais infantilizado. Mas depois, Dona Therezinha veio me dizer que teve a mesma impressão que eu tive do discurso de bosta daquela garotinha. Então a coisa está realmente tosca.
O conjunto das músicas, o “cantador” não alcançava os agudos, os “tocadores” tocavam mal e porcamente, uma verdadeira palhaçada. Relevei, por já ter entrado naquele circo, com o VÁSEFODERZÔMETRO no limite máximo, antes de estourar.
Finalmente acabou aquele negócio mal ajambrado e Dona Therezinha veio lá da frente, com as irmãs do Jefferson Peres, primas da Concom.
- Nós também chegamos atrasadas. O trânsito hoje está caótico. O Leopoldo foi ao Aeroporto e esperava volta antes da Missa terminar.
No nosso caso, o atraso foi decorrente daquele taxista viciado em rede social. Se fosse outro, daria tempo e ainda sobraria, chegaríamos antes de começar a Missa.
Mas chegamos a tempo de escutar o celebrante pronunciar o nome de Consuelo de Medeiros Valle. O  único nome que ele pronunciou que se tenha entendido. As outras família devem ter saído frustradas da Igreja.
O que ficou, foram as palavras da Lindoca, viúva do Jefferson, quando Dona Therezinha estava organizando a Missa de Sétimo Dia.
- Therezinha, ela ia ser monja, vivia rezando, né, diferente de mim que nunca mais fui à igreja. Já está no Céu.
Mesmo se fosse ironia, se realmente o Céu fosse um lugar dos justos, dos puros de alma, a frase não teria destino mais acertado do que no caso da Concom que foi ao seu modo, uma alma elevada, pura, pacífica e boníssima, de não guardar rancores, indubitavelmente descreve a pessoa mais do que merecedora.
Apesar de tudo, a Concom em sua simplicidade, tirante as baixelas, prataria e o sininho para chamar a empregada, o que pode ter sido um jeito de se premiar em vida, a Concom deve ter tido uma vida plena de felicidade e deixou por onde passou, seu jeito cativante de ser. Mais do que merecido, tudo o que se fez e ainda há de se fazer por sua memória.      


DIALÉTICA POPULAR DE VANGUARDA
PRÓLOGO  16/3/2015
Como já citado, estou sem computador, portanto, escrevendo, ao invés de digitar. As medias são distintas, como diriam os publicitários e a dinâmica diferente, como diriam os mecânicos.
Comecei hoje, depois de comprar este caderno, hoje, às 18:00h, depois de 53 páginas de um caderno de 100 folhas, ou seja, mais da metade, ou seja, exatamente 53% de todo o caderno, estou com calo no dedo polegar e no maior de todos.
A caneta Pilot 0.7, novinha está falhando com pouca tinta, eu já não estou enxergando mais porra alguma, e agora, são exatamente 2:43h, ainda vou tomar, nem que seja, um copo com água, passar o fio dental e escovar os dentes, tomar um banho e talvez, bater uma bronha para relaxar e tentar dormir alguma coisa.
Ver-nos-emos na próxima edição.
Para finalizar, o mundo talvez não saiba, mas perdeu uma das últimas pessoas doces, pacíficas, fraternas e de bem com a vida, fossem quais fossem as condições que se apresentassem no caminho, não como um estereótipo para se autopromover, como se vive hoje, mas algo intrínseco da Concom.

Adeus! Farewell

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