sexta-feira, 25 de setembro de 2015

JULGAR


CADERNO 3
Incrível como tudo vira polêmica nas redes sociais.
Na verdade, polêmica é debater com argumentos, critérios e responsabilidade sobre seus atos e as consequências, e, ouvindo o que o outro tem a dizer.
Polêmica é abordar um assunto espinhoso, mas ter posição formada, para combater os velhos conceitos, concretamente.
Hoje se chama polêmica, uma maneira de tentar virar celebridade, sem nada a acrescentar e de certa maneira, um jeito de cercear opinião contrária, justamente por falta de embasamento, nem se for em uma hipótese furada. Quando tempo virou dinheiro, a pressa em tudo, acaba em recalls de grandes marcas e a busca pelo imediatismo está nos levando à insalubridade de vida, ninguém busca conhecimento em livros, em bibliotecas, em enciclopédias, mas diretamente na internet que tanto pode ser uma informação relevante, ou uma “pegadinha” em benefício a algum interesse escuso.
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 Não li o tal texto que gerou “polêmica”, mas tenho lido e escutado muito, críticas sobre o Zeca Camargo. Uma daquelas pessoas que primam e ser simpáticos sempre, sobre algo, sobre o cantor sertanejo que morreu em um acidente de automóvel.
Dizem que o Zeca falou que não conhecia o tal sertanejo que saiu do camarote, varado de fome e foi correndo, buscar um lanche numa lanchonete disponível. Um camarim, sem o mínimo para o artista, é muita pobreza. Sinceramente, eu também. Só soube da existência do dito cujo quando ele já nem era cujo, só dito.
Assim como paulista odeia Axé-Music, ou como se chama a música festiva da Bahia, não vejo com nenhuma simpatia o que chamam de sertanejo atual, uma música triste, para baixo, depressiva e sempre como um lamento, contra uma desgraça, para vender a quem pensa que o mundo tem de ser vivido com um Inferno, para se ter um lugar no Céu. Nem é o Sertanejo que se conhecia antigamente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e em terras de gente cafona, fica mais próximo de um arremedo sem qualidade alguma, da Country-Music, que trás no código genético, a eugenia do Sul dos EUA. E pelo que ouvi sobre o dito cantor, “sertanejo”, achei uma bosta. Nem o Google Translater sabe traduzir as letras dessas celebridades que é:
Tere
Tetê!
Do início ao fim. Outra linguagem que finalmente vem assumir o lugar do Nheengatu que era a linguagem mais utilizada no Brasil e os europeus a proibiram, para manter a unidade nacional, mas permitiram regiões do Sul, falando alemão,italiano, russo e muito mais.
Assim, eu faria uma música a cada minuto. Não precisaria torrar os neurônios, pensando em letras conexas e com algum sentido.
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Eleger porcaria como representação popular é eligir uma grande barreira contra tantos outros talentos verdadeiros a terem motivo para continuar na busca de divulgarem suas obras.
Senão política já que se alui a ética à estética e vice-versa, essa onda da elite Casa Grande que tanto desqualificou a política distributiva que tirou da miséria classes antes invisíveis, dando poder de compra e até decisório, essa prática de apresentar porcaria como popular, quando na verdade, só interessa aos Senhores de Engenho que sabem bem que Cultura e Educação são perigos, quando existem de verdade e feitos para fazer pensar, ao invés de apenas alienar com modas sazonais.
Os programas a serviço do establishment só divulga porcaria, onde repartem os lucros, colocando manifestações realmente populares de escanteio.
Eu sempre digo, como disse ontem ao Bustela que é muito difícil valorar a arte que é imaterial e muito subjetiva, mas tem muita coisa que se diz arte e é apenas tentativa de fazer comércio.
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Certa vez, estava mostrando um álbum de desenhos que ainda estava preenchendo e uma moça recém admitida que eu nem conhecia, veio me perguntar se eu achava que aquilo era arte. Eu não estava, como não estou, nem nunca estive, no rótulo que se dê. Eu desenhei e pintei. Se é arte, panfletagem, o que quiserem ver, o problema não é meu.
Talvez ela tenha se chocado com A MOÇA DE PIERCING, página em que se deteve. Dona Therezinha, até hoje, não sabe onde está o piercing da moça e Dona Graci se danou, com o tamanho da joia.
Um dia Dona Therezinha descobre o piercing, como o protagonista daquela música que repetia: O NOME DELE É VALDEMAR!
Tem gente que antes de ver a coisa em si, já tenta classificar. Eu já nem ligo. Aprendi a perguntar.
- Fazes melhor?
Ou refino a pergunta.
- Qual o teu conhecimento na área?
Não é nem original, muito menos atual que a caretice e a extrema religiosidade que muitas vezes esconde pecados piores, sempre tentou e ainda tenta, cobrir as “vergonhas” e as “imoralidades” de obras de consagrados artistas, o que não é, nem nunca será o meu caso. Os afrescos da Capela Cistina, foram cobertos, por um tempo, não por serem um acinte, mas para que o Papa e os padres não se mordessem de desejo, por aquelas imagens de pênis expostos.
O julgamento que se tem visto, é quase sempre na base do eu acho, mesmo porque, crítico de arte inexiste e os que se arvoram a tal, têm menos conhecimento do que o público, sobre aquele saber e antes de fazerem uma apanhado da obra, querem virar celebridade apenas, sem se aprimorarem nos conhecimentos básicos ao menos.
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Certa vez tocando piano, mas uma música composta por mim, CHEIRA-COLA, uma colega de trabalho concluiu:
- Que belo forró!
Não que eu rejeite o forró como estilo de arte, mas o que se tem feito hoje, é algo fora dos padrões mínimos. As letras que no passado retratavam a miséria do nordestino, hoje é apenas refrão cantado à exaustão, com conotação sexual, ou algo próximo. A música em questão, era no compasso 4/4, mesmo não sendo off-road. O forró, pelo menos quando se tem alguma noção de música é trinário, ¾.
Mas hoje, tem gente tocando vanerão, jurando que é forró, em 4/4, vai ver que mudou.
Outra vez, tive um trabalho danado para estudar harmonia e escala além da diatônica ocidental – japonesa, chinesa, africana, árabe etc. – e levei a Acácia que entrou no mesmo ano, comigo, em Administração, até o carro e coloquei uma fita para ela escutar.
- Só gostei do reggae!
Não é reggae, é escala africana.
Já houve quem achasse linda e romântica. Não tem nada a ver.
Africa
Take a gun
And come in
To fight

Shout
Your sons’ names
And cry
Your Gollies!
( Golly = God in the black people language)
[...]
A letra chama à luta armada, pegar em armas, sair daquela miséria com a força dos guerreiros.
No Recife, quando a Thânia e eu, fomos procurar um hotel digno para ficar, pois o ex-marido dela colocou todo mundo num lupanar de última categoria, para “economizar”, como se ele participasse do rateio dos custos; à noite, depois das 18:00h, ninguém pode sair, com crianças e senhoras, por causa do ambiente insalubre e a “festa” que realizavam na piscina. Depois de tudo confirmado, só faltavam os nomes das pessoas, vi uma bateria que não podia tocar, porque não havia baquetas, uma guitarra que também não podia tocar, porque estava tudo desligado, do amplificador, à energia, então sobrou só um piano de semicalda. Se a Thânia não tivesse dedurado, ficaria até o fim da tarde.
- Que música linda, de onde vem? É da televisão?
- Não, não é da televisão, é o meu irmão que está tocando.
De repente a recepcionista correu ao bistrô, para avisar que era proibido tocar os e nos instrumentos.
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Eu sempre considerei que em arte, ainda mais no Brasil, há quem faça e quem classifique. Muitas vezes, quem classifica, não tem nenhuma capacidade de fazer nada.
- Você acha que isto é arte?
Pode ser, como não ser. Muita gente ainda se incomoda com o pau de Davi do Michelangelo. E olha que não condiz com o tamanho do nariz dos italianos que se considera que significa algo relacionado ao tamanho da genitália. Então está confirmado, não tem correlação alguma.
Mas, quando ainda compunha e enviava fitas às gravadoras, era um trabalho danado. Além de compor, de tocar cada instrumento em separado, em juntar tudo de uma vez, colocar voz, havia a parte meramente burocrática. Registrar em cartório, tirar cópias das letras e das partituras, enviar ao Rio e aproveitar a Izabel fazendo mestrado e doutorado, para ela registrar na Escola Nacional, ainda tinha a pior parte, classificar cada música. Então resolvi tudo, chamando de POP ROCK. Eram valsas, frevos, forrós, rocks, metals, baladas, mas e muito chato, individualizar um calhamaço de papel e de músicas.
Quando enviava, ainda tinha de fazer cópia das fitas e enviar um encarte com as letras, todas bem digitadas e organizadas. Fosse hoje, classificá-la-ias de jazz. Tudo é jazz. Ella Fitzgerald – Traditional Jazz, Jamiroquai – Acid Jazz, Irmãos Marsalles – Modern Jazz, Alicia Keys – Romantic Jazz, Diana Krall – World Jazz, Jorge Benjor – Brazilian Jazz e assim por diante.
Estudei estilo no piano, no violão, na percussão, na composição e arranjo, na regência, em tudo, mas classificar a minha, é o grande problema. Julgar os outros é fácil, ter autocrítica é que pega. Quando se compõe, sem classificar, ou se ater a um estilo só, como hoje, o cara não é músico, é roqueiro, ou metaleiro, começa a ficar difícil. Às veze o cidadão não sabe nem pegar no instrumento, mas já se autodenomina.
Os velhos estereótipos que ao invés do cara aprender a tocar um instrumento, aprender solfejo, leitura e escrita de partitura, ele acha que tem de deixar o cabelo grande, tem de fumar maconha, cheirar pó, fazer tipo e o essencial é invisível aos olhos, quero dizer, é inaudível. Toca-se mal, mas papai, mamãe, namorada, vizinho, acham que ser bacana, é dizer que está tudo bem. Bem mal! É o país do salve, salve simpatia, onde para não ferir suscetibilidades, todo mundo tem dizer que está bem, tudo bom, maravilha e vamos marcando passo.
Pelo menos com a Dona Sonia, quem recebia as fitas, acho que da Sony, nunca teve problema, pois nunca reclamou. Reclamou sim, da putaria que minha ex-namorada fez, como ele disse.
- Você é aquele rapaz que a empresária, namorada, noiva, sei lá representava. Ela dificultou bastante para o seu lado. Ela brigou com todo mundo, em seu nome, deixou seu nome sujo na praça, você vai ter de começar do zero!
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Às vezes é muito fácil distinguir o que é arte do que um embuste para ganhar dinheiro. Devo dizer que tem se tornado mais difícil hoje, quando qualquer porcaria tem o rótulo de arte.
Inda mais quando se intitula “intervenção”. Um tal de Jandr Reis, numa primeira exposição das obras de Miró no Brasil que eu, particularmente não suporto – mas dizem que o mérito, é ele ter se expressado como o fazem as crianças, só se forem as espanholas, pois eu fui criança e não me lembro de fazer um grafismo horroroso daqueles. Eu ainda guardo desenhos de duas sobrinhas, quando ainda crianças e do irmão dos meus sobrinhos, mas devo dizer, muito mais compreensíveis do que aquilo -, fez uma “intervenção”. Melou as mãos de tinta e melecou os quadros do artista, o que encareceu e muito, a franquia do seguro de grandes obras, para o Brasil. Foi logo contratado para a Secretaria do Estado do Amazonas de Cultura. Quando expõe o que chama de arte, são uns fuxicos que a mãe costura, ele junta e diz que é opus Dei. Ou umas pinturas, quase rupestres, mas já escreveu seu nome no hall e no rol dos grandes artistas. Já fez merda!
Tem gente que busca a fama, não a consagração de uma obra. Então, qualquer bosta, j[á diz que é arte.
Em uma entrevista, Chico Cesar declarou que tentou emplacar seu nome no circuito musical, até que uma amiga disse para mudar seu estilo. Não era o estilo musical, mas cortar o cabelo de forma estranha, usar umas bermudas 5 números acima do seu peso, tudo para chamar a atenção. Então, virou Cult, como a Maria Gadú e o grande sucesso que levava algumas ao delírio.
Mama África
A minha mãããããaããããe
É mãe solteira!...
Eu acho que vou recomeçar a compor. Não precisa muito.
Chumabalaiê
Minha é da África
Iê!Iê Iê
Puta solteira kkkk!
A irmã do Romero Britto veio a público, dizer como é a linha de produção daquela baboseira toda, para o meu gosto.
Uma amiga das minhas irmãs, do colégio de freiras, gosta tanto do Miró, quanto do Britto.
- Justamente por me remeterem à minha infância!
Égua foi traumática. Na minha infância eu ia pintura clássica, barroca, romântica, hiperrealista, surrealista, talvez por isso,goste de arte autoexplicativa, onde o autor não precisa ficar ao lado, fazendo discurso para o visitante compreender um pouco.
Antes, até os pintores e artistas plásticos em geral que descambara para o Expressionismo, Impressionismo, Abstracionismo, Cubismo etc., tinham de estudar desde a pintura clássica, até definir seu estilo. Agora, o cara está entediado dessa vida de pequeno-burguês, manda alguma coisa na tela, sem perspectiva, sem atentar às formas e já se intitula qualquer coisa, só porque quer. É como o roqueiro, na pintura o cara nem aprende Geometria, já se intitula Pós-Minimalista Hard-Core de Ação. Não quer dizer porra nenhuma, mas parece que é coisa pacas.
Mas hoje, até pintura, não precisa expressar nada, tem-se feito quadros,para combinar cm a cor da parede, com o lustre da cozinha, com a arandela do jardim e basta. Ou seja, desvirtua-se o principal, para fazer qualquer medíocre, consagrado.
E se tem de apelar para personal-picture, ou coisa que o valha.
- Compre este quadro, porque o autor pertence à Escola Teutônica original e combina bem com a mesa de centro na sala de estar.
- Mas é uma bosta!
- Eu também aço, mas é um investimento para futuro.
E vamos engolindo muito lixo, porque sempre tem quem diga que na visão do autor, queria dizer isso, aquilo, mas sinceramente, para mim, parece ultrassonografia que todo mundo chora, arrepia, mas, sinceramente, eu vejo um monte de preto e branco, nunca vi nada demais. E tem médico que jura para a mãe lacrimosa.
- Olha os pezinhos da criança. É de bailarino.
E os presentes juram que veem também, entre ais e uis. Eu sou como o Steve Wonder, não vejo nada.
Eu preciso ser mais maleável, manipulável. Como na pós-graduação em que a Silvia, a representante de classe me convidou para ir à casa dela, para o Thomé, o segundo colocado na votação, fazer um trabalho para benzer a casa visto que ele era o líder dos Carismáticos no Amazonas. Na hora marcada, estávamos todos reunidos, Thomé, Silvia, as Pic e Nic das filhas dela e eu. Viam um senhor idoso que andava pela casa e tocava o zaralho, importunando a família, lá no Jardim Europa, imagina. Tudo bem. Sal, água benta, azeite, uma cruz, um terço e aquele canudo de ferro para aspergir as coisas.
- Fechem os olhos!
Porra, eu tomei um susto, caiu uma porra na minha testa, abri os olhos e perguntei o que era aquilo.
- Água benta.
- Avisa porra, antes de jogar.
Pela viscosidade, era azeite e daqueles misturados a óleo de cozinha.
Depois, perguntou o que cada um sentiu.
- Eu me arrepiei!
- Eu senti meus ombros pesados.   
- Eu senti alguém na minha nuca!
- E você Thevis?
-Não senti porra nenhuma. De verdade, só senti a água na minha testa.
- Você tem o espírito muito forte!
Vai ver que é gordo, como eu.
Mas o pessoal é facilmente manipulado. Senti depois, quando foi servido um lanche, batatas fritas e acabei derrubando o sal.
- Não tem problema, pode comer.
Não sobrou nem a sombra. Sal refinado, branquinho, pelo menos serviu para aplacar meus pecados estomacais.
Já havia avisado que era ateu e reafirmei, quando convidado, mas disseram que não teria problema.
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 Li em algum lugar que pessoas que não sabem se expressar com desenhos, não aõ maduras. Então, diante dessa onda moderna de deformar a arte, poder-se-ia dizer que o mundo está ficando imaturo?
Mas apesar de tudo, a coisa mais difícil de julgar, é arte, alguém de fora, colocar um crivo no sentimento e na visão de mundo de quem se expressa, o artista.
Sempre digo que a maior sinuca de bico que me colocaram, foi no II Festival Universitário de Música. Desde o Primeiro, realizado no Olímpico Club, quando quase foi cancelado, pois até o inicio, havia uma dúzia de gatos pingados. Depois, foi chegando gente, mas mesmo assim, foi algo muito irrisório.
No ano seguinte, decidiu-se fazer intramuros da Universidade. Foi no ICHL que depois virou Economia e virou FES e agora, é Uninorte, entre a Major Gabriel e a Emílio Moreira e a Ramos Ferreira.
Até o início, de novo por pouco não foi cancelado. Como o patrocínio era só da Prefeitura e do Governo, o que eu já havia dito para procurarmos expandir os patrocínios e só depois de muita insistência, no III FUM é que finalmente procuramos outros patrocinadores que se tornaram maior do que o Governo e a Prefeitura.
Bem, como havíamos coordenado uma manifestação contra o aumento da passagem de ônibus, União Estadual dos Estudantes Secundaristas – UESA e Diretório Universitário – DU que depois passou a se chamar Diretório Central e o povo que se uniu aos estudantes, sai para o confronto, quando a Polícia não permitiu a passeata pacífica e os Bombeiros jogaram água no povo, saiu do controle e foram 3 dias de quebra-quebra no Centro de Manaus, só assim, aparecendo no Jornal Nacional. Então, o Mestrinho e acho que o Amazonino, Governador e Prefeito, não liberaram verbas, e ainda perseguiram os líderes estudantis, os companheiros de Partido, roubaram nossas Kombis, prenderam alguns, uma confusão danada, então decidimos que só havia uma saída. Pedir dinheiro aos colegas. Só moeda, eu fui escalado para o ICHL que era oposição à nossa tendência. Era uma PTzada. Tudo bem, na primeira sala onde entrei, pedi licença, falei que havia uma informação para dar. Um fulano que hoje é Presidente do Instituto Histórico e Geográfico, puxou um jornal e colocou na cara. Foi até bom. Eu estava nervoso, dei uma esculhambação no mal educado, foi até bom que depois estava pronto para ir de sala em sala. Só moedas, quem tivesse. Arrecadamos tanto que fizemos o que precisava, o Brabo ainda comprou uns panos e jogou do telhado até o palco, ficou bonito, e ainda sobrou uma merreca.
Quando retornei à noite, para o início do FUM, decidiram que eu iria representar o Diretório.
Era a Chapa Clarear, 3 mulheres e 3 homens, da Viração. A Unidade decidiu se retirar do Diretório. Mas a companheira Ruth ficou grávida e antes das eleições, pediu para sair, não aguentaria o ritmo, visto que era daquelas que se ficasse de lado, todos pensariam que tinha ido embora. Então entrei em seu lugar. Ficaram 2 mulheres e 4 homens. A Vanessa também estava grávida, mas como Presidente, apesar dos conselhos médicos, continuou até o fim.     
Tive de ficar sentadinho, quietinho, o Maestro Nivaldo Santiago não queria nem que eu me mexesse. Tinha de me dedicar exclusivamente a julgar.
Eu, quietinho, começou finalmente, depois de tanto problema. Eram dois estudantes apresentando, representando a Universidade. A mulher, da Exatas/Tecnologia, era a Norminha. Ela falaria primeiro. Olhou a plateia, deu branco. Deve ter ficado uns 5 minutos, muda. Era inteligente, simpática, comunicativa, mas naquele contexto, quase dá pau, Quando tentei levantar, o Maestro e os companheiros Vanessa e Levino me seguraram. Aí ela deslanchou e foi tudo ótimo. O cara era da quota do ICHL, não me lembro quem era.
Mas isso era o de menos. O mais difícil foi dar nota mais alta para Fulano, em relação a Cicrano. Para mim, ali, todos se revelavam artistas, sem a intenção comercial de apenas vender, mesmo porque ali só era uma porta de se apresentar a um público restrito, como muitos têm feito, travestidos de artistas, apenas para vender um produto, com vemos em todos os níveis das manifestações artísticas, filme, dança, teatro, música, escrita etc.
E de repente Xongas tinha entrado primeiro, leva nota alta, o Xunda vem depois, não dá para apagar, não dá para reavaliar, pois sempre tem quem acha que é tudo manipulado, os vencedores já estão escolhidos há muito tempo.
Se houvesse manipulação, seria muito fácil fazer isso, na escolha das fitas. Enviavam fitas gravadas e as letras e tudo o mais, para se inscreverem. Houve um tempo que vinham de todo o Brasil. Ficava a critério do Maestro e um grupo que ele escolhia. Não estou bem certo, mas em até o Noval participou como jurado no FUM. Se houvesse manipulação, era escolher um monte de música de menor qualidade e colocar a escolhida para competir. Pessoal que discute só por voluntarismo. Não tinha nem como saber o nome dos candidatos. Eram feitos na base de números.
Tem muita gente que não faz, não faz ideia do que fazer e não quer que se faça. Fica arara, quando alguém sai da mesmice.
Não sou contra críticas, muito pelo contrário, não suporto aquela frase de vigarista esperto: “não julgueis para não serdes julgados”. Mas vamos ter critérios, vamos buscar argumentar com alguma base.
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Hoje se julga muito sem conhecimento, sem estudo, sem nada mais aprofundado. Só para aparecer, ser celebridade dos15 minutos.
Até para se expressar as pessoas estão tão rasas que só conseguem rimar Cervejão com João, ou fazer refrões com Tetereteteteretetere, é falta de expandir horizontes, de se fartar com a mesmice, de achar que o minimalismo, é a moda. O cara, ou a cara quer meter o pau nos outros, mas é tão ruim em colocar para fora que acaba ninguém entendendo.
Quanto menos conhecimento se tem, mais se tenta inventar, na verdade é uma maneira de desviar a atenção da sua ignorância.
Esse público que consome porcaria, porque o Hulk, o Faustão, o Gugu, a Sabrina mostraram no programa, sem perceber o que tem por trás, é quem tem “polemizado” de forma fundamentalista.
Quando eu vejo o Presidente da Câmara, a Vereadora Pastora, o profeta televisivo, o professor que não instrui, mas impõe um só pensamento, sinto que quem mais tem se vendido ao Diabo, são esses tão metidos a povo de Deus.
Quem discute política, ciência, ética e tudo o mais, segundo e seguindo os dogmas religiosos, parece esquecer que quando Jesus, o Salvador foi inquirido à porta do templo, falou o que muitos não compreenderam ainda:
A Cesar o que é de Cesar. A Deus o que é de Deus.
Eu, ateu de carteirinha, entendo bem, ainda bem, quando concluiu.
Meu Reino não é deste mundo...
Jesus mesmo, disse que na Terra se viva como terráqueo, no Céu, como sei lá o quê. Mas como digo, a ignorância é tanta que nem os que dizem seguir, os néscios, compreendem bem seus princípios.
Estamos numa época, onde todo mundo se intitula de tudo, mas não vai atrás de se aprimorar, a entender o que segue.
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Eu gosto da dialética, a pergunta, a réplica, a hipótese, a tese e a antítese. Hoje se fala em debate quando na verdade, parece-se estar num monólogo, onde só quem pensa e fala igual, é aceito.
A internet mesmo, tem sido um treino de arrogância, de egolatria, de ensimesmamento, de prepotência, de nazifascismo, quando a pessoa começa a debater e muitas vezes, por falta de argumento, bane o outro, deleta de sua lista, bloqueia. Quando se faz isso em particular, num momento em que estiver em maioria, vai fazer o mesmo em público.
O próprio criador da World Wide Web, a WWW, diz que se tem perdido grande chance de debater, utilizando a web, apenas para replicar bobagens.
Eu, egresso do Curso de Física, devo dizer que gostava mais de Física II, não acredito na ORDEM É PROGRESSO. Nunca. Só há progresso, no caos. Não fosse o caos, não existiria o Universo. Como ficarmos na mesmice, com medo de evoluir?
Discuta sim, é o que prega o Socialismo Dialético. Só assim se supera a inoperância. A tal perfeição, só existe depois da morte, pois a morte, de certa maneira, é o fim até da alma que significa movimento. Anima, do grego. A perfeição só é atingida no fim de um processo. Enquanto há vida e movimento, tudo é imperfeito.
Tem gente pesando como se pensava no Império Romano, achando que os outros são atrasados.
Eu continuo julgando os outros e a mim, tentando perceber de onde partem alguns pensamentos, algumas práticas. Trem muita gente que segue uma linha bem definida, mas que nem sabe que faz parte de um contexto, um pensamento.
Não acredito ser respeito, calar, diante do que não se concorda, pois muitas vezes,a pessoa pensa que está arrasando, sem limites, vai avante, até se firmar como a verdade absoluta.
Respeito é discordar, mas permitir que os outros também existam, desde que não coleque todos em perigo.
Talvez por isso, tanto salva, salve simpatia, o Brasil seja uma país mal resolvido. Continua racista, continua segregando, continua atrasado, continua, continua atrasado, mas muita gente para não ser visto como “tóxico”, “subversivo”, “chato”, cala diante de gente que se acostumou a defender o ultrapassado, considerando-se de vanguarda.
Foi com gente que não se calou, como Darwin, Kepler, Marx, Curie, Sócrates e outross que saímos do lugar comum, do básico.

E para finalmente mostrarem que estavam corretos em seus pensamentos, tiveram de se superar, de debater na base do simplismo que nos tem atormentado com tanta gente sem conteúdo, querendo, de uma hora para outra, ser o dono da verdade.  

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