CADERNO 3
Incrível como tudo vira polêmica nas
redes sociais.
Na verdade, polêmica é debater com
argumentos, critérios e responsabilidade sobre seus atos e as consequências, e,
ouvindo o que o outro tem a dizer.
Polêmica é abordar um assunto espinhoso,
mas ter posição formada, para combater os velhos conceitos, concretamente.
Hoje se chama polêmica, uma maneira de
tentar virar celebridade, sem nada a acrescentar e de certa maneira, um jeito
de cercear opinião contrária, justamente por falta de embasamento, nem se for
em uma hipótese furada. Quando tempo virou dinheiro, a pressa em tudo, acaba em
recalls de grandes marcas e a busca
pelo imediatismo está nos levando à insalubridade de vida, ninguém busca
conhecimento em livros, em bibliotecas, em enciclopédias, mas diretamente na
internet que tanto pode ser uma informação relevante, ou uma “pegadinha” em
benefício a algum interesse escuso.
-...-
Não li o tal texto que gerou “polêmica”, mas
tenho lido e escutado muito, críticas sobre o Zeca Camargo. Uma daquelas
pessoas que primam e ser simpáticos sempre, sobre algo, sobre o cantor
sertanejo que morreu em um acidente de automóvel.
Dizem que o Zeca falou que não
conhecia o tal sertanejo que saiu do camarote, varado de fome e foi correndo,
buscar um lanche numa lanchonete disponível. Um camarim, sem o mínimo para o
artista, é muita pobreza. Sinceramente, eu também. Só soube da existência do
dito cujo quando ele já nem era cujo, só dito.
Assim como paulista odeia Axé-Music,
ou como se chama a música festiva da Bahia, não vejo com nenhuma simpatia o que
chamam de sertanejo atual, uma música triste, para baixo, depressiva e sempre
como um lamento, contra uma desgraça, para vender a quem pensa que o mundo tem
de ser vivido com um Inferno, para se ter um lugar no Céu. Nem é o Sertanejo
que se conhecia antigamente em São Paulo, Minas Gerais, Goiás e em terras de
gente cafona, fica mais próximo de um arremedo sem qualidade alguma, da Country-Music, que trás no código
genético, a eugenia do Sul dos EUA. E pelo que ouvi sobre o dito cantor, “sertanejo”,
achei uma bosta. Nem o Google Translater sabe traduzir as letras dessas
celebridades que é:
Tê
Tere
Tê
Tetê!
Do início ao fim. Outra linguagem que
finalmente vem assumir o lugar do Nheengatu que era a linguagem mais utilizada
no Brasil e os europeus a proibiram, para manter a unidade nacional, mas
permitiram regiões do Sul, falando alemão,italiano, russo e muito mais.
Assim, eu faria uma música a cada
minuto. Não precisaria torrar os neurônios, pensando em letras conexas e com
algum sentido.
-...-
Eleger porcaria como representação
popular é eligir uma grande barreira contra tantos outros talentos verdadeiros
a terem motivo para continuar na busca de divulgarem suas obras.
Senão política já que se alui a ética
à estética e vice-versa, essa onda da elite Casa Grande que tanto desqualificou
a política distributiva que tirou da miséria classes antes invisíveis, dando
poder de compra e até decisório, essa prática de apresentar porcaria como
popular, quando na verdade, só interessa aos Senhores de Engenho que sabem bem
que Cultura e Educação são perigos, quando existem de verdade e feitos para
fazer pensar, ao invés de apenas alienar com modas sazonais.
Os programas a serviço do establishment só divulga porcaria, onde
repartem os lucros, colocando manifestações realmente populares de escanteio.
Eu sempre digo, como disse ontem ao
Bustela que é muito difícil valorar a arte que é imaterial e muito subjetiva,
mas tem muita coisa que se diz arte e é apenas tentativa de fazer comércio.
-...-
Certa vez, estava mostrando um álbum
de desenhos que ainda estava preenchendo e uma moça recém admitida que eu nem
conhecia, veio me perguntar se eu achava que aquilo era arte. Eu não estava,
como não estou, nem nunca estive, no rótulo que se dê. Eu desenhei e pintei. Se
é arte, panfletagem, o que quiserem ver, o problema não é meu.
Talvez ela tenha se chocado com A MOÇA
DE PIERCING, página em que se deteve. Dona Therezinha, até hoje, não sabe onde
está o piercing da moça e Dona Graci
se danou, com o tamanho da joia.
Um dia Dona Therezinha descobre o piercing, como o protagonista daquela
música que repetia: O NOME DELE É VALDEMAR!
Tem gente que antes de ver a coisa em
si, já tenta classificar. Eu já nem ligo. Aprendi a perguntar.
- Fazes melhor?
Ou refino a pergunta.
- Qual o teu conhecimento na área?
Não é nem original, muito menos atual
que a caretice e a extrema religiosidade que muitas vezes esconde pecados
piores, sempre tentou e ainda tenta, cobrir as “vergonhas” e as “imoralidades”
de obras de consagrados artistas, o que não é, nem nunca será o meu caso. Os
afrescos da Capela Cistina, foram cobertos, por um tempo, não por serem um
acinte, mas para que o Papa e os padres não se mordessem de desejo, por aquelas
imagens de pênis expostos.
O julgamento que se tem visto, é quase
sempre na base do eu acho, mesmo porque, crítico de arte inexiste e os que se
arvoram a tal, têm menos conhecimento do que o público, sobre aquele saber e
antes de fazerem uma apanhado da obra, querem virar celebridade apenas, sem se
aprimorarem nos conhecimentos básicos ao menos.
-...-
Certa vez tocando piano, mas uma
música composta por mim, CHEIRA-COLA, uma colega de trabalho concluiu:
- Que belo forró!
Não que eu rejeite o forró como estilo
de arte, mas o que se tem feito hoje, é algo fora dos padrões mínimos. As
letras que no passado retratavam a miséria do nordestino, hoje é apenas refrão
cantado à exaustão, com conotação sexual, ou algo próximo. A música em questão,
era no compasso 4/4, mesmo não sendo off-road.
O forró, pelo menos quando se tem alguma noção de música é trinário, ¾.
Mas hoje, tem gente tocando vanerão,
jurando que é forró, em 4/4, vai ver que mudou.
Outra vez, tive um trabalho danado
para estudar harmonia e escala além da diatônica ocidental – japonesa, chinesa,
africana, árabe etc. – e levei a Acácia que entrou no mesmo ano, comigo, em
Administração, até o carro e coloquei uma fita para ela escutar.
- Só gostei do reggae!
Não é reggae, é escala africana.
Já houve quem achasse linda e
romântica. Não tem nada a ver.
Africa
Take a gun
And come in
To fight
Shout
Your sons’ names
And cry
Your Gollies!
( Golly = God in the black people language)
[...]
A letra chama à luta armada, pegar em
armas, sair daquela miséria com a força dos guerreiros.
No Recife, quando a Thânia e eu, fomos
procurar um hotel digno para ficar, pois o ex-marido dela colocou todo mundo
num lupanar de última categoria, para “economizar”, como se ele participasse do
rateio dos custos; à noite, depois das 18:00h, ninguém pode sair, com crianças
e senhoras, por causa do ambiente insalubre e a “festa” que realizavam na
piscina. Depois de tudo confirmado, só faltavam os nomes das pessoas, vi uma
bateria que não podia tocar, porque não havia baquetas, uma guitarra que também
não podia tocar, porque estava tudo desligado, do amplificador, à energia,
então sobrou só um piano de semicalda. Se a Thânia não tivesse dedurado,
ficaria até o fim da tarde.
- Que música linda, de onde vem? É da
televisão?
- Não, não é da televisão, é o meu
irmão que está tocando.
De repente a recepcionista correu ao
bistrô, para avisar que era proibido tocar os e nos instrumentos.
-...-
Eu sempre considerei que em arte,
ainda mais no Brasil, há quem faça e quem classifique. Muitas vezes, quem
classifica, não tem nenhuma capacidade de fazer nada.
- Você acha que isto é arte?
Pode ser, como não ser. Muita gente
ainda se incomoda com o pau de Davi do Michelangelo. E olha que não condiz com
o tamanho do nariz dos italianos que se considera que significa algo
relacionado ao tamanho da genitália. Então está confirmado, não tem correlação
alguma.
Mas, quando ainda compunha e enviava
fitas às gravadoras, era um trabalho danado. Além de compor, de tocar cada
instrumento em separado, em juntar tudo de uma vez, colocar voz, havia a parte
meramente burocrática. Registrar em cartório, tirar cópias das letras e das
partituras, enviar ao Rio e aproveitar a Izabel fazendo mestrado e doutorado,
para ela registrar na Escola Nacional, ainda tinha a pior parte, classificar cada
música. Então resolvi tudo, chamando de POP ROCK. Eram valsas, frevos, forrós,
rocks, metals, baladas, mas e muito chato, individualizar um calhamaço de papel
e de músicas.
Quando enviava, ainda tinha de fazer
cópia das fitas e enviar um encarte com as letras, todas bem digitadas e
organizadas. Fosse hoje, classificá-la-ias de jazz. Tudo é jazz. Ella
Fitzgerald – Traditional Jazz, Jamiroquai
– Acid Jazz, Irmãos Marsalles – Modern Jazz, Alicia Keys – Romantic Jazz, Diana Krall – World Jazz, Jorge Benjor – Brazilian Jazz e assim por diante.
Estudei estilo no piano, no violão, na
percussão, na composição e arranjo, na regência, em tudo, mas classificar a
minha, é o grande problema. Julgar os outros é fácil, ter autocrítica é que
pega. Quando se compõe, sem classificar, ou se ater a um estilo só, como hoje,
o cara não é músico, é roqueiro, ou metaleiro, começa a ficar difícil. Às veze
o cidadão não sabe nem pegar no instrumento, mas já se autodenomina.
Os velhos estereótipos que ao invés do
cara aprender a tocar um instrumento, aprender solfejo, leitura e escrita de
partitura, ele acha que tem de deixar o cabelo grande, tem de fumar maconha,
cheirar pó, fazer tipo e o essencial é invisível aos olhos, quero dizer, é
inaudível. Toca-se mal, mas papai, mamãe, namorada, vizinho, acham que ser
bacana, é dizer que está tudo bem. Bem mal! É o país do salve, salve simpatia,
onde para não ferir suscetibilidades, todo mundo tem dizer que está bem, tudo
bom, maravilha e vamos marcando passo.
Pelo menos com a Dona Sonia, quem
recebia as fitas, acho que da Sony, nunca teve problema, pois nunca reclamou. Reclamou
sim, da putaria que minha ex-namorada fez, como ele disse.
- Você é aquele rapaz que a
empresária, namorada, noiva, sei lá representava. Ela dificultou bastante para
o seu lado. Ela brigou com todo mundo, em seu nome, deixou seu nome sujo na
praça, você vai ter de começar do zero!
-...-
Às vezes é muito fácil distinguir o
que é arte do que um embuste para ganhar dinheiro. Devo dizer que tem se
tornado mais difícil hoje, quando qualquer porcaria tem o rótulo de arte.
Inda mais quando se intitula “intervenção”.
Um tal de Jandr Reis, numa primeira exposição das obras de Miró no Brasil que
eu, particularmente não suporto – mas dizem que o mérito, é ele ter se
expressado como o fazem as crianças, só se forem as espanholas, pois eu fui
criança e não me lembro de fazer um grafismo horroroso daqueles. Eu ainda
guardo desenhos de duas sobrinhas, quando ainda crianças e do irmão dos meus
sobrinhos, mas devo dizer, muito mais compreensíveis do que aquilo -, fez uma “intervenção”.
Melou as mãos de tinta e melecou os quadros do artista, o que encareceu e
muito, a franquia do seguro de grandes obras, para o Brasil. Foi logo
contratado para a Secretaria do Estado do Amazonas de Cultura. Quando expõe o
que chama de arte, são uns fuxicos que a mãe costura, ele junta e diz que é opus Dei. Ou umas pinturas, quase
rupestres, mas já escreveu seu nome no hall
e no rol dos grandes artistas. Já fez merda!
Tem gente que busca a fama, não a
consagração de uma obra. Então, qualquer bosta, j[á diz que é arte.
Em uma entrevista, Chico Cesar
declarou que tentou emplacar seu nome no circuito musical, até que uma amiga
disse para mudar seu estilo. Não era o estilo musical, mas cortar o cabelo de
forma estranha, usar umas bermudas 5 números acima do seu peso, tudo para
chamar a atenção. Então, virou Cult, como a Maria Gadú e o grande sucesso que
levava algumas ao delírio.
Mama África
A minha mãããããaããããe
É mãe solteira!...
Eu acho que vou recomeçar a compor.
Não precisa muito.
Chumabalaiê
Minha é da África
Iê!Iê Iê
Puta solteira kkkk!
A irmã do Romero Britto veio a
público, dizer como é a linha de produção daquela baboseira toda, para o meu
gosto.
Uma amiga das minhas irmãs, do colégio
de freiras, gosta tanto do Miró, quanto do Britto.
- Justamente por me remeterem à minha
infância!
Égua foi traumática. Na minha infância
eu ia pintura clássica, barroca, romântica, hiperrealista, surrealista, talvez
por isso,goste de arte autoexplicativa, onde o autor não precisa ficar ao lado,
fazendo discurso para o visitante compreender um pouco.
Antes, até os pintores e artistas
plásticos em geral que descambara para o Expressionismo, Impressionismo,
Abstracionismo, Cubismo etc., tinham de estudar desde a pintura clássica, até
definir seu estilo. Agora, o cara está entediado dessa vida de pequeno-burguês,
manda alguma coisa na tela, sem perspectiva, sem atentar às formas e já se
intitula qualquer coisa, só porque quer. É como o roqueiro, na pintura o cara
nem aprende Geometria, já se intitula Pós-Minimalista Hard-Core de Ação. Não
quer dizer porra nenhuma, mas parece que é coisa pacas.
Mas hoje, até pintura, não precisa
expressar nada, tem-se feito quadros,para combinar cm a cor da parede, com o
lustre da cozinha, com a arandela do jardim e basta. Ou seja, desvirtua-se o
principal, para fazer qualquer medíocre, consagrado.
E se tem de apelar para personal-picture, ou coisa que o valha.
- Compre este quadro, porque o autor
pertence à Escola Teutônica original e combina bem com a mesa de centro na sala
de estar.
- Mas é uma bosta!
- Eu também aço, mas é um investimento
para futuro.
E vamos engolindo muito lixo, porque
sempre tem quem diga que na visão do autor, queria dizer isso, aquilo, mas
sinceramente, para mim, parece ultrassonografia que todo mundo chora, arrepia,
mas, sinceramente, eu vejo um monte de preto e branco, nunca vi nada demais. E
tem médico que jura para a mãe lacrimosa.
- Olha os pezinhos da criança. É de
bailarino.
E os presentes juram que veem também,
entre ais e uis. Eu sou como o Steve Wonder, não vejo nada.
Eu preciso ser mais maleável,
manipulável. Como na pós-graduação em que a Silvia, a representante de classe
me convidou para ir à casa dela, para o Thomé, o segundo colocado na votação,
fazer um trabalho para benzer a casa visto que ele era o líder dos Carismáticos
no Amazonas. Na hora marcada, estávamos todos reunidos, Thomé, Silvia, as Pic e
Nic das filhas dela e eu. Viam um senhor idoso que andava pela casa e tocava o
zaralho, importunando a família, lá no Jardim Europa, imagina. Tudo bem. Sal,
água benta, azeite, uma cruz, um terço e aquele canudo de ferro para aspergir
as coisas.
- Fechem os olhos!
Porra, eu tomei um susto, caiu uma
porra na minha testa, abri os olhos e perguntei o que era aquilo.
- Água benta.
- Avisa porra, antes de jogar.
Pela viscosidade, era azeite e
daqueles misturados a óleo de cozinha.
Depois, perguntou o que cada um
sentiu.
- Eu me arrepiei!
- Eu senti meus ombros pesados.
- Eu senti alguém na minha nuca!
- E você Thevis?
-Não senti porra nenhuma. De verdade,
só senti a água na minha testa.
- Você tem o espírito muito forte!
Vai ver que é gordo, como eu.
Mas o pessoal é facilmente manipulado.
Senti depois, quando foi servido um lanche, batatas fritas e acabei derrubando
o sal.
- Não tem problema, pode comer.
Não sobrou nem a sombra. Sal refinado,
branquinho, pelo menos serviu para aplacar meus pecados estomacais.
Já havia avisado que era ateu e
reafirmei, quando convidado, mas disseram que não teria problema.
-...-
Li em algum lugar que pessoas que não sabem se
expressar com desenhos, não aõ maduras. Então, diante dessa onda moderna de
deformar a arte, poder-se-ia dizer que o mundo está ficando imaturo?
Mas apesar de tudo, a coisa mais
difícil de julgar, é arte, alguém de fora, colocar um crivo no sentimento e na
visão de mundo de quem se expressa, o artista.
Sempre digo que a maior sinuca de bico
que me colocaram, foi no II Festival Universitário de Música. Desde o Primeiro,
realizado no Olímpico Club, quando quase foi cancelado, pois até o inicio,
havia uma dúzia de gatos pingados. Depois, foi chegando gente, mas mesmo assim,
foi algo muito irrisório.
No ano seguinte, decidiu-se fazer
intramuros da Universidade. Foi no ICHL que depois virou Economia e virou FES e
agora, é Uninorte, entre a Major Gabriel e a Emílio Moreira e a Ramos Ferreira.
Até o início, de novo por pouco não
foi cancelado. Como o patrocínio era só da Prefeitura e do Governo, o que eu já
havia dito para procurarmos expandir os patrocínios e só depois de muita insistência,
no III FUM é que finalmente procuramos outros patrocinadores que se tornaram
maior do que o Governo e a Prefeitura.
Bem, como havíamos coordenado uma
manifestação contra o aumento da passagem de ônibus, União Estadual dos
Estudantes Secundaristas – UESA e Diretório Universitário – DU que depois
passou a se chamar Diretório Central e o povo que se uniu aos estudantes, sai
para o confronto, quando a Polícia não permitiu a passeata pacífica e os
Bombeiros jogaram água no povo, saiu do controle e foram 3 dias de
quebra-quebra no Centro de Manaus, só assim, aparecendo no Jornal Nacional.
Então, o Mestrinho e acho que o Amazonino, Governador e Prefeito, não liberaram
verbas, e ainda perseguiram os líderes estudantis, os companheiros de Partido,
roubaram nossas Kombis, prenderam alguns, uma confusão danada, então decidimos
que só havia uma saída. Pedir dinheiro aos colegas. Só moeda, eu fui escalado
para o ICHL que era oposição à nossa tendência. Era uma PTzada. Tudo bem, na
primeira sala onde entrei, pedi licença, falei que havia uma informação para
dar. Um fulano que hoje é Presidente do Instituto Histórico e Geográfico, puxou
um jornal e colocou na cara. Foi até bom. Eu estava nervoso, dei uma
esculhambação no mal educado, foi até bom que depois estava pronto para ir de
sala em sala. Só moedas, quem tivesse. Arrecadamos tanto que fizemos o que
precisava, o Brabo ainda comprou uns panos e jogou do telhado até o palco,
ficou bonito, e ainda sobrou uma merreca.
Quando retornei à noite, para o início
do FUM, decidiram que eu iria representar o Diretório.
Era a Chapa Clarear, 3 mulheres e 3
homens, da Viração. A Unidade decidiu se retirar do Diretório. Mas a
companheira Ruth ficou grávida e antes das eleições, pediu para sair, não
aguentaria o ritmo, visto que era daquelas que se ficasse de lado, todos
pensariam que tinha ido embora. Então entrei em seu lugar. Ficaram 2 mulheres e
4 homens. A Vanessa também estava grávida, mas como Presidente, apesar dos
conselhos médicos, continuou até o fim.
Tive de ficar sentadinho, quietinho, o
Maestro Nivaldo Santiago não queria nem que eu me mexesse. Tinha de me dedicar
exclusivamente a julgar.
Eu, quietinho, começou finalmente, depois
de tanto problema. Eram dois estudantes apresentando, representando a
Universidade. A mulher, da Exatas/Tecnologia, era a Norminha. Ela falaria
primeiro. Olhou a plateia, deu branco. Deve ter ficado uns 5 minutos, muda. Era
inteligente, simpática, comunicativa, mas naquele contexto, quase dá pau, Quando
tentei levantar, o Maestro e os companheiros Vanessa e Levino me seguraram. Aí
ela deslanchou e foi tudo ótimo. O cara era da quota do ICHL, não me lembro
quem era.
Mas isso era o de menos. O mais
difícil foi dar nota mais alta para Fulano, em relação a Cicrano. Para mim,
ali, todos se revelavam artistas, sem a intenção comercial de apenas vender,
mesmo porque ali só era uma porta de se apresentar a um público restrito, como
muitos têm feito, travestidos de artistas, apenas para vender um produto, com
vemos em todos os níveis das manifestações artísticas, filme, dança, teatro,
música, escrita etc.
E de repente Xongas tinha entrado
primeiro, leva nota alta, o Xunda vem depois, não dá para apagar, não dá para
reavaliar, pois sempre tem quem acha que é tudo manipulado, os vencedores já
estão escolhidos há muito tempo.
Se houvesse manipulação, seria muito
fácil fazer isso, na escolha das fitas. Enviavam fitas gravadas e as letras e
tudo o mais, para se inscreverem. Houve um tempo que vinham de todo o Brasil.
Ficava a critério do Maestro e um grupo que ele escolhia. Não estou bem certo,
mas em até o Noval participou como jurado no FUM. Se houvesse manipulação, era
escolher um monte de música de menor qualidade e colocar a escolhida para
competir. Pessoal que discute só por voluntarismo. Não tinha nem como saber o
nome dos candidatos. Eram feitos na base de números.
Tem muita gente que não faz, não faz
ideia do que fazer e não quer que se faça. Fica arara, quando alguém sai da
mesmice.
Não sou contra críticas, muito pelo
contrário, não suporto aquela frase de vigarista esperto: “não julgueis para
não serdes julgados”. Mas vamos ter critérios, vamos buscar argumentar com
alguma base.
-...-
Hoje se julga muito sem conhecimento,
sem estudo, sem nada mais aprofundado. Só para aparecer, ser celebridade dos15
minutos.
Até para se expressar as pessoas estão
tão rasas que só conseguem rimar Cervejão com João, ou fazer refrões com
Tetereteteteretetere, é falta de expandir horizontes, de se fartar com a
mesmice, de achar que o minimalismo, é a moda. O cara, ou a cara quer meter o
pau nos outros, mas é tão ruim em colocar para fora que acaba ninguém
entendendo.
Quanto menos conhecimento se tem, mais
se tenta inventar, na verdade é uma maneira de desviar a atenção da sua
ignorância.
Esse público que consome porcaria,
porque o Hulk, o Faustão, o Gugu, a Sabrina mostraram no programa, sem perceber
o que tem por trás, é quem tem “polemizado” de forma fundamentalista.
Quando eu vejo o Presidente da Câmara,
a Vereadora Pastora, o profeta televisivo, o professor que não instrui, mas impõe
um só pensamento, sinto que quem mais tem se vendido ao Diabo, são esses tão
metidos a povo de Deus.
Quem discute política, ciência, ética
e tudo o mais, segundo e seguindo os dogmas religiosos, parece esquecer que
quando Jesus, o Salvador foi inquirido à porta do templo, falou o que muitos
não compreenderam ainda:
A Cesar o que é de Cesar. A Deus o que
é de Deus.
Eu, ateu de carteirinha, entendo bem,
ainda bem, quando concluiu.
Meu Reino não é deste mundo...
Jesus mesmo, disse que na Terra se
viva como terráqueo, no Céu, como sei lá o quê. Mas como digo, a ignorância é
tanta que nem os que dizem seguir, os néscios, compreendem bem seus princípios.
Estamos numa época, onde todo mundo se
intitula de tudo, mas não vai atrás de se aprimorar, a entender o que segue.
-...-
Eu gosto da dialética, a pergunta, a
réplica, a hipótese, a tese e a antítese. Hoje se fala em debate quando na
verdade, parece-se estar num monólogo, onde só quem pensa e fala igual, é
aceito.
A internet mesmo, tem sido um treino de
arrogância, de egolatria, de ensimesmamento, de prepotência, de nazifascismo,
quando a pessoa começa a debater e muitas vezes, por falta de argumento, bane o
outro, deleta de sua lista, bloqueia. Quando se faz isso em particular, num
momento em que estiver em maioria, vai fazer o mesmo em público.
O próprio criador da World Wide Web, a
WWW, diz que se tem perdido grande chance de debater, utilizando a web, apenas
para replicar bobagens.
Eu, egresso do Curso de Física, devo
dizer que gostava mais de Física II, não acredito na ORDEM É PROGRESSO. Nunca.
Só há progresso, no caos. Não fosse o caos, não existiria o Universo. Como
ficarmos na mesmice, com medo de evoluir?
Discuta sim, é o que prega o
Socialismo Dialético. Só assim se supera a inoperância. A tal perfeição, só
existe depois da morte, pois a morte, de certa maneira, é o fim até da alma que
significa movimento. Anima, do grego. A perfeição só é atingida no fim de um
processo. Enquanto há vida e movimento, tudo é imperfeito.
Tem gente pesando como se pensava no
Império Romano, achando que os outros são atrasados.
Eu continuo julgando os outros e a
mim, tentando perceber de onde partem alguns pensamentos, algumas práticas. Trem
muita gente que segue uma linha bem definida, mas que nem sabe que faz parte de
um contexto, um pensamento.
Não acredito ser respeito, calar,
diante do que não se concorda, pois muitas vezes,a pessoa pensa que está
arrasando, sem limites, vai avante, até se firmar como a verdade absoluta.
Respeito é discordar, mas permitir que
os outros também existam, desde que não coleque todos em perigo.
Talvez por isso, tanto salva, salve
simpatia, o Brasil seja uma país mal resolvido. Continua racista, continua
segregando, continua atrasado, continua, continua atrasado, mas muita gente
para não ser visto como “tóxico”, “subversivo”, “chato”, cala diante de gente
que se acostumou a defender o ultrapassado, considerando-se de vanguarda.
Foi com gente que não se calou, como
Darwin, Kepler, Marx, Curie, Sócrates e outross que saímos do lugar comum, do
básico.
E para finalmente mostrarem que
estavam corretos em seus pensamentos, tiveram de se superar, de debater na base
do simplismo que nos tem atormentado com tanta gente sem conteúdo, querendo, de
uma hora para outra, ser o dono da verdade.
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