terça-feira, 15 de setembro de 2015

O PICA DE AÇO

O PICA DE AÇO
CADERNO 3 12 DE JUNHO DE 2015
Observação: este escrito, dei à minha prima Mayra para ler, acho que ela gostou, pois ela ria e até a hora de ir embora se lembrava do Pica de Aço, com um sorriso no rosto.

Lá no interior do Brasil, em uma cidade chamada Pau Grande da Ponta Grossa, havia um cidadão que espalhava o terror por onde passava. Desses tipos arrogantes que não respeitam nada, por terem algo mais do que os outros.
Algo me diz que era brasileiro e cristão. E apesar de tudo, pedia sempre que o respeitassem como é típico a esses dois aglomerados, desde a Escravidão.
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Bem, esta estória é antiga, acho que a ouvi, na adolescência; como vejo muitos “humoristas” ganhando dinheiro, contando piadas que eu já conheço, pensei em contar esta que talvez tenha quem não a conheça.
De duas, uma, Ou eu já escutei muita piada, ou o pessoal não está criando nada. O humorista mais original nestes tempos, é o Sergio Mallandro, com o Gluglu, Yeah! Yeah. Imagina! Assim como ele se diz humorista, a Claudia Raia se diz show-woman, a Grazi Massafera se diz atriz, a Sabrina Sato se diz apresentadora e a Andressa Urach se diz uma moça de família, convertida, com o agenciamento do Bispo Macedo.
Ou os valores estão invertidos, ou entramos em uma era onde valor, caráter, ética e tudo o mais é o que menos importa.
A era Neopentecostal, onde vale tudo, até se virar celebridade. O vigarista, o assassino, o prostituto, o ignorante, o nazista reescrevem sua estória de vida e se arvoram a moralistas, contra tudo e todos, e acham estarem a serviço do Senhor sem nenhuma argumentação sólida,  do nada, acham que são a verdade absoluta, o saber absoluto, o único ser pensante, mesmo que nem pensem muito, neste planeta mundano e materialista que essas pessoas se fartam, até mais do que muitos incrédulos.
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A cidade de Pau Grande da Ponta Grossa, de vez em quando, virava um caos. Era só gritar que um de seus cidadãos saíra às ruas.
Um povo como alguns que conhecemos, onde uma minoria autoritária, dita as normas, mesmo que só favoreçam a poucos. Era assim mesmo Em Pau Grande da Ponta Grossa. Um povo trabalhador, pacífico, bonachão, aqueles estereótipos que se aplica muito bem no Brasil, quando não se quer discutir nada, só fazer demagogia; onde uma minoria minúscula se sobrepunha à maioria.
Desde que isso aconteceu, o turismo fora afetado, mas de repente, um destemido, ou desinformado, chega à cidade.
Hospeda-se no Grand Hotel Palace Paraíso Resort & Spa Inn.
Dia e dias de calmaria extrema, relaxando na varanda do Hotel de repente vê a poeira subir, acompanhada de gritos pavorosos, anunciando um nome.
Foi ter com os recepcionistas que o alertaram a fama do dito morador de Pau Grande da Ponta Grossa, também conhecida como PG2.
O turista solitário resolveu explorar a cidade. Os funcionários do hotel pediram que não o fizesse, mas era teimoso, como o povo do Lula que não desistia nunca. Mesmo com todos os alertas, todos os pedidos para se preservar, fez um tour pedestrianista. Depois de muito entrar em ruas, visitar lugares insólitos, ruas de pedrinhas, outras no barro, algumas só de lama, outras com uma casca de asfalto, daqueles que se cuspir, ele forma buraco, muito usado no Brasil, para se abrir licitação para tapar buraco, a cada duas semanas, cansado, exausto, numa esquina da avenida principal, em frente à Catedral Metropolitana, ladeada à direita, pelo Templo de Salomão da IURD, à esquerda, o Templo da Perdição da Assembleia de Deus,  e quase em frente, o Templo da Esculhambação da Igreja Mundial, resolveu recostar no primeiro poste que encontrara e parou por um bom tempo. Aliás, no Código Nacional de Trânsito ele não parou, pelo tempo, ele estacionou no poste.
Alguns minutos depois de recostado, começou a correria. Maior papagaiada, o povo correndo assustado, suando em bicas, esbaforido, gritando.
- O Pica de Aço!
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Este, como bom país cristão, é contraditório. Pica é uma palavra que pode ensejar vários significados. Falar em pica, quando estão mais de duas pessoas, é tanta gente torcendo o nariz, corando, fazendo cara de carola. Já em quatro paredes, as mesmas pessoas que representaram aquele papel cristão desgraçado, são as primeiras a pedirem pica e se deixar, colocam até os ovos na boca.
Não sei se a nossa hipocrisia é genética, dos nosso ancestrais, indígenas, japoneses, árabes, portugueses, italianos, bantos, zulus, dentre tantos; ou é religioso, do nosso perfil horroroso, judaico-cristão.
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As mulheres com os vestidos quase na cabeça, as pessoas com as mãos na cabeça, as mães puxando suas filhas que juram que ainda são virgens, aos 30 anos, depois de namorarem metade do Estado – mas até prova em contrário, todo mundo é inocente. O problema é que muitas dessas virgens sabem mais as posições do Kama Sutra, do que muita puta velha. Mas essa discussão de virgindade é coisa tão superada. Porque a mulher tem de manter o selo e os homens estão perdendo inclusive as pregas? – os maridos, com medo de serem mal falados, ou pior, mal fadados, trancando suas casas com ferrolhos; e em instantes a cidade ficou deserta, como Brasília de quinta-feira à terça, onde nem um terço do Parlamento é visto por lá. E olha que o calendário gregoriano que seguimos, só tem sete dias. O pessoal em Brasília ganha por produtividade, ou o título de “representante do povo” é mais ou menos como a casa de Noca, nas Casas Legislativas.
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O turista ainda se recuperando da caminhada, lembrou-se das precauções dos recepcionistas, para os clientes, no caso, só ele mesmo.
- Proteja-se, pois ele rasga calcinha até cueca, não importa quem esteja à sua frente, só quer satisfazer seu desejo .
Não disse? É brasileiro, sem dúvida, e, cristão. Apesar do discurso de bondade, de religiosidade, de sofisma vergonhoso, é extremamente hedonista e ensimesmado, até parece que os outros não existem, só seus desejos e vontades e que têm de ser atendidos, custe o que custar, passando por cima de quem estiver na frente. Não importa se suas ações impactem nos outros, negativamente, mesmo sendo a maioria, contra uma vontade egocentrada. Mesmo assim, no culto dominical, esses brasileiros fazem a maior média, de humildes, que só pensam no Mundo de Deus, não têm olhos para vaidades. Imagina!
Então, morto de cansado o turista não arredou pé de onde estava, nem um milímetro sequer. Pensava ele que nem tarado com séculos de atraso, iria querer sodomizar umas nádegas suadas, mesmo que meladas, o que facilita o trabalho.
Os moradores de PGtrancados onde conseguiram, para se protegerem, já estavam penalizados com a situação do turista que se mostrava irredutível, ou inerte, isso, só entrando na cabeça dele, para saber.
Nas janelas das casas próximas, à prova de tiro de bazuca, muitos acompanhavam o desfecho daquela tragédia anunciada, como no livro daquele autor Colombiano, Garcia Marquez. É isso mesmo?
Alguns gritavam, como que se isso o isolasse em uma redoma de aço, com a maior soberba.
- O sangue de Cristo tem poder!
E espalmavam as palmas das mãos aos Céus, como se isso resolvesse todos os problemas, como um Mandrake dos tempos contemporâneos que se desvencilhava de todas as dificuldades, só fazendo mágica com as palmas das mãos e o Lothar, por trás.

As senhoras mais velhas formaram rodas de oração, com os terços nas mãos, bradando.
- O Senhor é meu pastor e nada me fartará.
Se oração resolvesse qualquer coisa, o Haiti estaria reconstruído, pois o Papa mandou suas bênçãos, não resolveu xongas, o Ayrton Senna e o Tancredo Neves seriam imortais, pois o que  oraram por eles e já estavam até mortos. Resolveu? E o que eu conheço de gente que vai à igreja rezar por um casamento eterno. Tem muitas, ainda esperando ao menos um namorado. Mas ilusão é isso mesmo, nada mais do que ilusão.
Alguns mulçumanos, com o sotaque carregado ainda, sussurrando, porque Alá não é surdo, como todo Deus monoteísta, tem o poder da oniciência, até calado Ele escuta, compenetravam-se da sorte do turista e emanavam fluidos positivos, murmurando.
- Alá é glande! Alá é glande!
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A poeira baixou, o sol baixou, só o residente não baixou a bola, ou o taco, o que seja.
Viu aquela pessoa desprevenida no poste e logo pensou em baixar o pau no turista.
Pegou à traição, deu um beijo no cangote, mas como sofria de hipertensão, tanto sal, do suor, o fez ficar tonto, por segundos.
Colocou sem instrumento de trabalho para fora da braguilha, furou o traje do andarilho e colocou até o feijãozinho, onde a coruja se expressa com um UH!. E cheio de si, questionou o turista.
-- Por que não fugiste? Não ouviste falar em mim? Eu sou o Pica de Aço falado. Ai!
- Muito prazer, eu sou o Cú de Alicate!
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Desde esse dia a cidade de Pau Grande da Ponta Grossa voltou a ser civilizada. O turismo voltou a contribuir com a arrecadação total das contas publicas. O turista resolveu então se mudar de vez para a cidade, onde abriu um gabinete médico, na especialidade de circuncisão especializada. Só o Pica de Aço é que ninguém, nunca mais teve notícia.
Uns dizem que virou o macaco da festa no Céu. Mas isso é outra piada velha.
Outros, mais preconceituosos, dizem que decidiu dar o testemunho, como o dito macaco e abriu. Sim, abriu uma igreja e virou pastor. Não bem de almas, mas de homens que o seguem. Segundo fontes fidedignas, em sua nova missão de apresentar o Homem aos cordeiros, dizem que tem ódio de tudo, principalmente de sexo. Dizem que essa fúria toda, é só em público, porque fora das bocas, fica com calo na boquinha. Especialistas dizem não entender o porque tanta aversão ao sexo, pois, segundo eles, não tenho nada com isso, sexo é bom para a a derme, a epiderme, bom para as funções intestinais, segundo quem chupa e engole, para a saúde física, a saúde mental, a saúde espiritual, para a memória e, principalmente, para a criatividade. Já sabe, quando estiveres diante de alguém bloqueado das ideias, pode ter certeza que não fode, faz tempo. Já subiu para a cabeça, a de cima e já coalhou.
A INTERPOL diz ter identificado uma pessoa com as mesmas características do Pica de Aço,com apenas uma característica que não bate. Agora, está compenetrado, calmo, pregando a Palavra, em Descalvado da Vaga Lembrança, em nome de Jesus.

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