domingo, 10 de fevereiro de 2008

DEZ VIRTUADA

No Brasil é engraçado como as discussões nunca acabam, por que se começa com um tema e se acaba em nada. Tangenciar não é tarefa de trigonometria, é assunto de toda discussão.
Uma discussão que nunca leva a nada, ou melhor, leva a verdadeira selvageria, é sobre o trânsito.
As medidas paliativas sempre adotadas são propagadas como se fossem a solução definitiva. Fazem a maior propaganda, banquetes, alardeiam sobre as conseqüências e por fim, os índices de acidentes só aumentam. Mas como no Brasil, a Estatística é quase uma religião, os índices não querem dizer nada. Cada um interpreta a sua maneira.
No último carnaval, as notícias alardearam que o índice de mortes no trânsito diminuiu. Ótimo. Maravilhoso. Fantástico. Mas como são computados esses índices? Bem, a estatística de morte no trânsito, é feita com óbitos no local do acidente. Se as vítimas resistirem até a ambulância se afastar do local, já não é computado como vítima de trânsito. Aliás, o Brasil está ficando craque em estatística. Sempre se colocam números, para mascarar a realidade. E depois se vem dizer que a Matemática é Ciência Exata. Só que muitos não sabem que tem tanta variável, tanto C, tanto i, tanto n...
No dia em que as vítimas morrerem no local, vamos destacar que o número de vítimas com carros amarelos, ou rosa que são poucos na preferência brasileiras, foram reduzidíssimas. Ou senão, quando a coisa estiver difícil de mascarar, vamos dizer que as BMW, as Ferrari, os Jaguar e os May Bach, não registraram nenhum acidente no país. Eles são mais seguros? Até podem ser, mas são tão ínfimos em relação ao montante total que quer dizer exatamente próximo de um conjunto vazio. Mas se um dia o número de Ferrari crescer e se envolver em muitos acidentes, ainda assim se pode dizer que o número de Ferrari branca, do ano de 1902, nos mostra um índice baixíssimo de acidentes. É Brasil!
Essa mania de justificar as coisas com estatística, está virando moda. Para o mundo, o Brasil quase não tem analfabeto. Vai se pegar os índices de pessoas analfabetizadas pelo MOvimento BRasileiro de ALfabetização e agora pelo Ensino de Jovens e Adultos, temos uma educação que dá inveja até ao Fidel Castro. Na prática, temos pessoas com nível superior, sem base, sem nem saber discernir sobre o que vê e sobre o que diz saber, sem saber ao menos se expressar. Sem saber colocar no papel, o que pensa. Mas aí já é outra coisa. A analfabetização é um dado inconteste do Brasil. Isso quando não se criam filhos preguiçosos e os deixam fazer da vida, o que bem entendem. Eles não estudam no período devido, fazem um exame supletivo, qualquer, com boa sorte passam na hora de marcar os quadrinhos e depois, é entrar em uma faculdade particular sem nenhuma tradição de ensino, fazer dois anos, junto com o mestrado e até o doutorado e em dois anos e uns dias contando com as provas do supletivo, já é doutor. O que outros levaram mais de vinte anos, para concluir tudo. Ou se está gastando dinheiro com um ensino ineficaz em que se leva anos para concluir, ou se está fazendo vista grossa para uma coisa que em algum momento, vai se mostrar danosa para o país. As faculdades particulares ensinando porcamente, em sua grande maioria, inchando o mercado, o estado se fazendo de cego para o problema, por que também não aumenta as vagas das instituições públicas e vai se rolando o problema, com a esperança de estourar, nas mãos do sucessor. No Brasil todo mundo quer ser simpático. Então deixa tudo como está. E como desta maneira as coisas parecem fáceis, essas pessoas criam um ambiente onde um grupo de gente assim, vai dominando o mercado e colocando em postos chaves, pessoas com esse padrão. De repente, a solução é fazer exame de Ordem. Ainda bem que eu não fiz direito. Senão questionaria tal exame. Teria passado 4 a 5 anos em uma instituição credenciada pelo ministério afim, com classificação de ensino superior, para depois de tudo, ainda ter de prestar vestibular para exercer a minha profissão e depender de uma única prova que sobrepões todas as outras que prestei durante todo o período escolar? Se o nível está abaixo da média que se cutuque quem de direito. As instituições que despejam pessoas sem qualificação. Então só advoga quem dá a carteirada. Mas tem gente que já se acostumou na moleza de corromper, é mais fácil pagar para saber a prova antecipadamente. Mais corrupção sendo gerada. A cara do Brasil. Não se resolve nada, só se aumenta a corrupção. Se nem assim é possível ter a carteira? É fácil, entra-se com recursos juntos a algum tribunal no interior de uma terra distante e totalmente fora de questão, com uma juiz de plantão, do mesmo quilate de quem compra os gabaritos e vamos levando. E quando a corrupção se transforma em violência na nossa porta, a gente faz o maior escândalo, chora, desmaia que pelo menos as televisões e os microfones estão a nosso dispor. Em alguns casos, pode-se concorrer a algum cargo eletivo, ou simplesmente, posar para uma revista masculina. Não resolve o problema, mas dá uma grana preta.
O nível das discussões, sempre acaba no: “ai coitadinho, mas vamos dar uma chance para...”
Nunca se pensa que beneficiando-se este, vai se jogar contra um outro.
Certa vez fiquei estacionado quase em frente a uma livraria, na rua que passa ao lado de um clube que agora virou academia e prossegue na frente do Benjamin Constant e pelo Instituto de Educação do Amazonas, até o Bairro de Aparecida. Nunca lembro o nome da rua.
Uma servidora da Universidade Federal do Amazonas, servia um café, até as 9:00h da manhã e arrecadou bem.
Se eu fosse da ala dos piegas, pensaria logo: “ai coitadinha, ela está tirando um troco para a família.”
Mas a coisa começa a se complicar quando se olha para o fato sem “coitadice”. Quando se olha para os lados. Ela não paga nenhum tributo, o que para a concorrência, começa a ser danosa. Ela utiliza em benefício próprio bens federais que são as carteiras e até alguns utensílios utilizados. O que ela ganha, não pagando nenhum tributo, não tendo despesas com o material utilizado, com nada pode reinvestir em produtos melhores e a concorrência ao lado e em frente, paga para trabalhar e não pode reinvestir muitas vezes. E o pior, ela utiliza a calçada por onde os pedestres podiam se proteger do trânsito, tomando todo o espaço, fazendo-os terem de passar pelo meio da rua, com um trânsito intenso que pode gerar acidentes. De coitadinha, ela passa quase a ser uma ganhadora de prêmio acumulado, sozinha. Nem se computa aí, os custos de um acidentado levado pela emergência, a um hospital público, depois para a uma funerária. Calcula-se por alto. Mas tudo é custo que começa ali. E o pior, enquanto os comerciantes vizinhos vivem única e exclusivamente da venda de seus produtos, aquela servidora federal, ausenta-se do serviço por algumas horas, onde já ganha o seu salário, para “tirar um trocado.” É uma concorrência totalmente desleal. E quem sabe, no futuro, ela não esteja fazendo palestras para um monte de desorientados sem noção, como aquele camelô que vive de palestras hoje em dia? Se ele está correto, já pensou todo mundo fechar suas empresas e entrar na informalidade e depois se vangloriar por ser esperto e ainda receber para receber palmas? Ela e ele, a vendedora de café da UFAM e o ex-camelô, pelo menos exercem uma concorrência danosa à economia. No mínimo, sem entrar nos méritos jurídicos, legais, etc e tais. Ela muito mais, por que além de concorrer com o comércio, ainda concorre com seus pares, na própria instituição a que está ligada. Quando ela se ausenta, algué, tem de ser sobrecarregado. Alguma coisa não funciona bem.
Então voltemos ao trânsito. As medidas paliativas são sempre parecidas. Variação sobre o mesmo tema, como o próprio país. Sabe uma música que a gente coloca um bemol, um sustenido, varia para o tom maior, ou menor, corre para a diminuta e só? E daí se diz que houve variação sobre um determinado tema, quando na verdade é a mesma coisa, com mudanças mínimas? É a cara das medidas das nossas autoridades.
Soluções imediatistas que já foram levadas a cabo e nunca dão cabo de nada. Diminui-se a velocidade, multas pesadíssimas, colocam-se barreiras, como quebra-molas e fiscalização eletrônica, sinais e mais sinais, para se diminuir a velocidade.
Vamos analisar como funcionam os sinais. Colocam-se semáforos de 100 em 100 metros. Não é para regular o trânsito, mas para diminuir a velocidade dos carros, como se velocidade fosse causar acidentes toda hora. Fosse assim, nenhum piloto de corrida, sairia vivo das pistas.
As pessoas confiam nos sinais e seguem tranqüilas. De repente, alguém ultrapassa sem mais, nem menos e pronto, desastre. E depois?
Há muito tempo atrás, passei por um bar que eu freqüentava todo início de noite e estava cheio de pessoas que passaram a freqüentá-lo depois e de quem não gostava muito. E o pior, encima de uma amiga minha que vivia e já estava porre. Ela só conseguia fumar mais do que bebia. Decidi nem parar e ir direto para casa. Eram 23:30. Acelerei para pegar o sinal do cruzamento entre a Recife e a Terezinha. Consegui um pouco mais de 150 km/h. Não havia nenhuma sinalização dizendo o limite de velocidade. Quando me aproximei do sinal, um carro atravessou a pista, devagarzinho e o condutor, beijando a carona, sem nem atentar para o trânsito. Romântico, lindo. Uma cena assim com um fundo musical, até que dá para se fazer demagogia. É disso que o povo gosta. Não teve jeito, bati feio. E o causador, do desastre como se pode ver, nem foi a velocidade. O outro carro vinha quase parando, enquanto o carro que eu conduzia até poucos instantes atrás, rodou sozinho, por que as rodas estavam presas à fuselagem, totalmente sem controle. Perda total. O carro ainda estava rodando, quando saí para discutir com o casal. Estava tão abestado que pedi papel e caneta deles, para anotar a placa do carro. De repente apareceu uma garota que eu sabia que já a conhecia, mas não me lembrava quem era. Depois de algum tempo. Lembrei de quando freqüentava a Prainha na Ponta Negra, quando ainda não estava poluída, ela queria aparecer, vestindo sempre uma camisa do Maluf, quando se queria as Diretas Já. Ela gostava de ser diferente e veio dizer que a culpa era minha, por que eu estava correndo. Do lado do bar em que ela estava, não se via as luzes do sinal. Não tinha ninguém na rua. Ela veio de um bar nas proximidades, encher a paciência. O problema dela era aparecer. Como nem com fio-dental aparecia na Prainha, por que tinham corpos mais bonitos, deve ter ficado traumatizada de nunca ter sido convidada para o forró, na frente da Polícia do Exército, onde, depois que se saía de sunga e de biquíni da praia, ia-se dançar agarradinho. Ela não servia nem para isso. Hoje com a moda da anorexia e da bulimia, talvez fizesse sucesso. Naquele tempo, nem se ficasse totalmente nua. E eu, com um corte no joelho, agüentando aquela menina antipática.
O corte no joelho, foi por que desde quando entrei na auto-escola, sempre me chamavam de otário, por que, mesmo não sendo obrigatório, aprendi a usar o cinto de segurança, em qualquer situação. Como não tem cinto para o joelho e naquela época, nem air-bag, o joelhou bateu contra o painel. Aliás, quantas vezes já não fui ridicularizado? Como dizem, o futuro adeus Pertence. Alguns espertos de antigamente, já se acabaram. Um que era doidão e ficava na praça na frente do Colégio Auxiliadora e gozava toda vez em que eu ia para casa, com os livros de piano debaixo do braço, a última vez que o vi, há muito, mas muito tempo, estava velhinho, de cabelos brancos, querendo entrar pela frente dos ônibus que desviavam dele. Deve ter morrido, todo carcomido. Era tão esperto que cheirava tudo que era droga. Outra coisa engraçada, é que antigamente quando dizia que não fumava, logo vinha a piadinha: “Não bebe, não fuma, não fod...” E hoje a Medicina conclui que o fumo dá impotência sexual e a bebida, num certo ponto, faz o machão brochar. Deve ser por isso que tem outra piadinha: “C... de bêbado, não tem dono.” Mas eu já fumei muito mais do que muita gente. Morava com um pai que morreu fumando, mesmo contra as precauções dos médicos. Uma mãe, uma tia que deixaram de fumar, depois da minha adolesc6encia. Uma sala de aula com ar condicionado, onde 99% dos alunos fumavam tanto que quem estava atrás, quase não via a lousa. Uma pós-graduação onde só tinha dois homens e eram os que não fumavam, numa sala de hotel. Duas amigas com quem saía diariamente e que tinham o hálito, como se fosse propaganda da Souza Cruz e/ou Phillip Morris. E alguns fumantes que nem se tocam que a gente está caminhando e eles ficam fumando, bem no meio do caminho. Principalmente no CSU do Parque 10 e agora, uns meninos fazendo tipo, no Parque dos Bilhares.
Quando do acidente, minha casa estava a uns 50 metros de distância, no mesmo quarteirão. E se eu quisesse entrar pela contramão, talvez nem tivesse ocorrido o acidente. Tarde da noite e alguns centímetros do cruzamento. Fui fazer tudo certinho e tive de dormir sob uma árvore frondosa da esquina do outro cruzamento, por que a perícia chegou depois da 03:00 horas. “Tivemos de demorar por que tem muito acidente de trânsito hoje.” Imagina, há mais de vinte anos atrás, quando depois da 22:00 horas, as ruas de Manaus, eram verdadeiros desertos, dito por quem saía toda noite e chegava toda manhã em casa. Os peritos, justamente naquele dia comum de um mês qualquer, de uma ano nada de especial, tinham atendido um número recorde de acidentes. Não era realmente o meu dia de sorte mesmo. Fui para casa cedo, fiz o trajeto direitinho, cruzei o sinal verde para mim tive de dormir na rua e ainda tive de escutar mentira atrás de mentira. Pior do que essas, só quando fui assistir o show do hoje Ministro Gilberto Gil, com uma outra amiga que estava marcado para as 21:00h e com tanta demora, aconteceu quase de tudo. Se não puxo minha amiga que resolveu sentar no chão para esperar na frente do palco, um cara que estava cheirando lança-perfume numa turma de gente conhecida, teria urinado encima da cabeça dela. Ele tirou o aparelho urinário na frente de todo mundo e despejou o produto ali mesmo. Depois das 03:00 horas, o cantor/compositor chegou, pedindo desculpas a todos, mas tinha ficado preso no trânsito. Manaus, 1980 e poucos. Não sei se os outros acreditaram. Só sei que se expressaram com a vogal u.
Perícia feita, tudo resolvido, chama o guincho e leva o que restou do carro para casa, por que o outro veículo se ausentou do local, mesmo com a babaquinha dando ganho de causa ao casal com quem ficou conversando um tempo, sobre as coisas deles. Eles já se conheciam desde muito. Depois de muita demora para receber o laudo técnico no Detran, um dia, um advogado teve de ser acionado para questionar o que estava acontecendo. Um laudo totalmente Mandrake. Mais ou menos, como se eu tivesse batido sozinho, no nada, pois na mesma hora, o outro carro acidentado, estava em outra esquina, um pouco mais embaixo, na rua paralela, a uns 500 metros de distância, envolvido em outro acidente. Será que eu vi um disco-voador, ou era o “espriuto” de algum maligno? Nem foi muito difícil descobrir. O condutor do outro veículo, era gerente do Lloyd’s Bank, a carona não era a esposa dele, ele estava sendo transferido para outra praça, a esposa já estava esperando na praça é nossa, etc, etc, etc. E o Detran, tinha fama de ser fácil de se corromper. Não sei hoje. Mas o pior é que eles faziam essa gracinha com os laudos e o lesionado, ainda tinha de arcar com advogado, custas e tudo o mais e depois, ficava tudo como antes. Ninguém era responsabilizado. Era sempre engano. Não sei hoje.
Então, nem adianta colocar sinaleira, quando se sabe que as pessoas podem ter sentenças a seu favor, ter as multas apagadas do sistema, de alguma forma. Sendo conhecida do..., ou amigo da..., ou sobrinha de..., ou casado com...
Dizem as más línguas em Manaus que automóvel com adesivo da campanha para governo, não é multado, nem que a vaca tussa. Mas isso deve ser intriga da oposição. E se a SUV for Nissan, azul-marinho, insulfilm 100% em todos os vidros e um adesivo com o nome do governador no vidro traseiro, dizem de novo as más línguas que pode estacionar até no meio da rua que ninguém encosta. E uma pick-up importada, cabine dupla, entrando em um condomínio de luxo, próximo à Zona Leste, à toda velocidade, sem ligar para as crianças brincando na rua, acompanhada de outros carros cheios de babas, dizem que também, ninguém tasca.
Sem dizer o perigo que os sinais representam, com tanta onda de assaltos próximos às paradas, sem nenhum policial pelas ruas. Incrível como quando se precisa de um policial no meio da rua, nunca se encontre. Deve ser muito azar da minha parte. Viatura é o que mais se compra, como não tem policial pelas ruas? As revendedoras de carros do governador, já nem têm estoque. Venderam tudo. Eu é que devo ser azarado mesmo. Certa vez, com um outro governante, um engarrafamento medonho, tudo parado e o carro de trás buzinando. Falei que o trânsito estava parado, aí é que ele buzinou mesmo e forçava com o carro. Fiz um singelo aviãozinho com os dedos e coloquei para fora e para o alto da janela. Quando olhei pelo retrovisor, um 38, apontando para a minha direção. Nem sei como consegui romper o engarrafamento. E o taxista atrás. Andei um bom tempo, procurando pelo menos um policial e nada. Ainda bem que entrei em uma garagem e ele passou reto. Eu já tenho na cabeça, todos os quartéis em Manaus, para se no caso de um dia ser seqüestrado. É pé na tábua e invasão direta, para ser contido no Corpo da Guarda. Matar o condutor, a mais de 100 km/h, só se for seqüestrador otário. Ele me mata mas vai morrer também. Jogar-se do carro em alta velocidade, é pior ainda. Então é rezar para não ser fuzilado, sem levar nada. Só à morte. Pelo menos no Corpo da Guarda de algum quartel, sempre tem um soldado. O difícil é ter nas ruas.
Então, a fiscalização eletrônica é a solução? Em Manaus, a velocidade regulamentar para passar sob a maioria dos “corujinhas”, como é chamado, é de 60 km/h. As pessoas reduzem tanto que chegam na maioria das vezes, a 30 km/h. Imagina se não tivesse a porcentagem acima, de desconto, na velocidade. E o trânsito que fluí numa certa velocidade, de repente trava. Aliás, o trânsito fluir em Manaus? Se tem uma coisa que não tem fluxo, é o trânsito. Um carro decide ficar na esquerda a 30km/h, o outro passa pela direita a 120, de repente o espaço de um carro para o outro, é de 5 caminhões de diferença, por que o primeiro que passou, está a 200, o que vem depois, está quase parando e o que vem atrás, está à milhas de distância. Isso quando os veículos da direita e da esquerda não estão com a mesma velocidade, emparelhados, a quase 40 por hora, com um monte de gente atrás. E, alguém desavisado, vai bater na traseira de alguém. A Zona Franca de Manaus pode ter acabado, mas a zona no trânsito de Manaus vai ser difícil de acabar. Sem falar no trânsito no interior do Amazonas. Aí já não é nem zona, é a maior putar... Mas esses mesmos que reduzem para passar sob os “corujinhas”, mais adiante, aceleram sobremaneira. Adianta? É como os sinais que avisam que vão mudar do verde para o amarelo. Começa a piscar o verde e uns Manés, freiam com o sinal ainda no verde, quando a legislação permite passar até no amarelo. Isto é, se não tiver nenhum Azulzinho por perto. Eles são superiores à legislação. Quem vem atrás, muitas vezes na esperança de ainda pegar o sinal aberto, olhando para cima, inevitavelmente vai bater por trás. E como em Manaus, virou tradição se frear com um pé no freio e outro na embreagem, o carro fica pendurado apenas no freio-pedal mecânico. Freio-motor por aqui, é lenda. Isso quando não acontece como aconteceu com o menino João Hélio, ou o filho do médico Lídio Toledo. Vai-se respeitar os sinais, por total ignorância sobre a legislação de trânsito e pronto, lá vem tragédia. Ficar parado em sinal, reduzir em barreira eletrônica, depois das 23:00 horas, é pelo menos, não se reciclar. Pelo menos, acreditar na justiça divina, por que por aqui, nem policial nas ruas...
Vamos então colocar os quebra-molas. Bem, eu acreditava que pessoas mais bem informadas, nem precisassem de quebra-molas para saber respeitar. Quando vim morar neste condomínio, excedia a velocidade brincando. Um dia, um dos guardas do condomínio veio me falar que o limite de velocidade, é de até 30 km/h. Desde então, entro e saio bem devagar. Até menos, depois de tanto quebra-mola. Só depois que ele me mostrou, é que vi que existem placas de limite de velocidade. Tão pequenas e tão reduzidas na altura que são menores que as placas dos meus autoramas. Deve ter sido brincadeira, quem fez aquilo. Mas outros moradores, mesmo sendo alertados, fazem questão de não respeitar. Como se não respeitando, seus status, conseguissem se elevar ainda mais. Imagina um “doutor”, recebendo ordens de um porteiro? Isto é Brasil. Todo mundo sempre tem uma desculpa. E o nível tanto econômico, quanto financeiro, não é dos piores. Mas...
Dia desses caminhando com o Doutor Bustela, uma senhora estava tresloucada atrás do cachorro dela. Antigamente, parecia cidade do interior, com tanto cachorro no meio da rua. A garagem de casa, parecia toilet canino. Como o portão é em barras, eles passavam por entre elas e faziam as necessidades na garagem. Depois de uma reunião onde se discutiu sobre a cachorrada no meio da rua, a senhora estava aflita para não ter de pagar R$ 300,00 de multa, quando era de se esperar que pessoas mais bem informadas, não precisassem disso. Aí é que a gente vê que a nossa educação só está servindo para as estatísticas. Oi no máximo, para fazer reforma nos apartamentos dos reitores, através dessas ONG’s que vivem à custas do governo.
ONG, ainda vais ter a tua!
ONG, não adianta se desviar, ainda vais pisar na tua!
As ruas do condomínio, eram planas, de repente começaram a colocar quebra-molas, por que todo mundo quer mostrar esse poder de poder não respeitar nada, para se sentir com poder.
Há poucos dias atrás, uma pick-up enorme de um conhecido do Doutor Bustela que mora na parte da frente do condomínio, passou disparada, não respeitou os cruzamentos, nada. E sempre tem crianças brincando nas vias, hoje menos, por essa causa mesmo. Atrás do vidro traseiro, tinha escrito em um idioma que eu não conheço: DEUS JESUS. Como se vê, a questão de quebra-molas, é para gente sem educação. Mas não educação colegial que educa cada vez menos, nem educação do Além, mas educação caseira. Não adianta quebra-molas, pois pode até causar um acidente pior. De repente alguém que se acha parente do Super Homem, quer mostrar que nada o detém e passa com velocidade sobre um e de repente perde o controle do carro. Piora a coisa.
Vamos multar então. Podia até ser uma solução, caso não se conhecesse como as coisas funcionam. Para as leis saírem do papel, elas precisam que haja fiscalização. Peguemos o exemplo dos “Azulzinhos”, os agentes municipais do trânsito de Manaus. Entre o Parque 10 e o Eldorado, a gente vê um monte deles. Conversando. Os carros passam na frente deles, com adesivos, principalmente “Deus é fiel”, “Jesus te ama”... e eles nem sabem que é falta grave, por que desvia a atenção dos outros condutores. O motorista passa falando ao celular, às vezes gritando bem na frente deles... Normal. As motos mudam de uma pista para outra, no meio do trânsito pesado, ou melhor do trânsito quase parado... Normal. O motociclista com o capacete no cotovelo, para não se machucar... Niormal. E para tumultuar ainda mais, uns carros com o bagageiro aberto, ou umas pick-ups com música para todo mundo ouvir. Deve ser isso que se chama música ambiente. Só não se ouve o som da sirene. E só quem não ouve, é quem está conduzindo os veículos. Os azulzinhos até dançam.
Só me lembro do curso que fiz no Detran, para renovar a carteira. Disseram que era para aprender direção defensiva e primeiros socorros. Fazer o quê? Direção defensiva já tinha feito há tanto tempo, antes de tirar a carteira. E primeiros socorros, fiz na auto-escola, no Exército, nos cursos dos bombeiros... Mas faz tanto tempo, por que não fazer tudo de novo? Nunca se aprende tudo mesmo. Mas nessa semana, não aprendi quase nada, a não ser que já é permitido furar o sinal, depois das 23:00h, até as 06:00h da manhã. Valeu alguma coisa. Aliás, um dia desses vi ensinarem a fazer massagem cardíaca em criança, com as mãos espalmadas no peito. A coisa deve ter evoluído, inclusive os ossos das mesmas.
Perguntei se isso de colocar a música ambiente, não era proibido. E um outro colega da classe e da turma do cafezinho, pediu para colocar um adendo: “E pode ver. Os motoristas desses carros são sempre nordestinos e a música, um forró da pior qualidade.” Depois na hora do cafezinho, os outros vieram nos alertar: “Vocês são loucos? Tem um cara aí que chega com uma pick-up todo dia, com o som altíssimo, num forró amuado e ele é exatamente nordestino. Vocês nunca viram?” Da minha parte, nunca o vi, realmente, mas o errado não era eu, pela legislação.
E ainda no carnaval deste ano, depois de desfilarmos numa escola de samba, quando pegava carona com o João, presenciamos, além de nós, a irmã dele que havia chegado do Rio, muito depois das 03:00 horas da madrugada, um cidadão com o capô aberto, o volume nas alturas, dirigindo através de quase toda a cidade, sem ser importunado. Desde o Japiim, atravessando a Efigênio Sales inteira. E não é preconceito da minha parte, apenas constatação, ou corroboração com o adendo do colega. Um forró capenga, mal enjambrado, de péssimo gosto. Vai ver que tinha algum adesivo de algum deus. Ou o divino, ou o terreno. E quem tem amigo, vizinho, vizinho do vizinho do amigo de alguma autoridade, nem que seja o Cabo Cão, sabe que pode contar com o desaparecimento da multa, da noite para o dia. Então multa sem se levar a sério, sem fiscalização, é só retórica de propagandista.
Falar em retórica, o próprio Detran não comemorou o resultado do “Disk Pileque?” Segundo fontes, as seguradoras de veículos que participaram da campanha, gastaram no final, um pouco mais de R$ 600,00. Que maravilha. Fan-tás-ti-co Mr. M. Num montante de uma frota de mais de milhares de veículos, gastou-se menos de R$ 1.000,00. Isto é que é sucesso. Por que você otário, nasceu para ter sussssssscessssssso. Para quem não sabe, as seguradoras de veículos, achando que é mais negócio pagar o táxi dos bêbados do que arcar com o prejuízo dos acidentes, contatou o Detran-Am, para o motorista que estivesse se sentindo ébrio, ou inebriado no carnaval, ligaria para o serviço, diria onde estava e um carro o iria buscar no local.
Eu mesmo presenciei uma cena esclarecedora. Ou melhor, estarrecedora. Saí do desfile das escolas de samba e me dirigi ao estacionamento onde estava o carro do João. Como do lado em que fiquei, estava passando um esgoto fétido, a céua aberto, em frente ao IML, Delegacia Geral de Polícia, decidi ficar na calçada do meio da rua. Apareceu um cara totalmente embriagado, discursando sobre a “mentira” que era o carnaval, por que ele tinha um carro e uma moto e não tinha “pegado” nenhuma mulher. Ele totalmente mal vestido para o evento, com roupa normal. Não desfila e fica na porta esperando comer as sobras. Alguns homens acompanhados não gostaram da abordagem que ele fazia. Nem eu, totalmente desacompanhado. Não ia conseguir ninguém mesmo, nem na missa da Quarta Feira de Cinzas, daquele jeito. Falei para ele ligar para o tal disk pileque e ele ficou chateado, até que finalmente passou uma garota nova, bem vestida, de aspecto de “moça de família”, o que isso signifique. Ele mexeu, ela parou e então foram embora. A garota ia voltar sozinha mesmo. Se conseguiu chegar em casa, pelo menos foi acompanhada. E nem se ele quisesse estuprá-la, conseguiria. O nível de álcool não permitia. Garota corajosa, em todos os aspectos. Ou pior, tão mais irresponsável do que ele.
Então vamos reduzir drasticamente a velocidade. Será a solução?
Dia desses, conversando com uns amigos da família no shopping, a senhora falava da sobrinha-neta que está presa por tráfico no Rio e já foi alcunhada de “musa do tráfico”, pela mídia. Tinha que ser amazonense. Fazer o quê? E vai ver que nem tem silicone, nem puxa ferro desesperado, não briga para pular feito macaco-prego na frente de nenhuma bateria de escola de samba, não colocou bottox nos lábios... Os chefes do tráfico já saíram. Os pais têm como pagar a fiança. A “musa” está servindo de chacota para a imprensa marrom que não investiga os fatos a fundo.
Enquanto conversavam, lembrei da história. A família da “musa”, morava a alguns passos da casa, em que morávamos, naquela época. Estudei com a mãe, a avó, os irmãos, acho que toda a família, em algum momento, sem saber que eram parentes. De repente, comoção geral na cidade que ainda era muito menor do que hoje.
A mãe da “musa” que pelo que me lembro, era muito bonita também, digamos assim bonita até demais, segundo o meu gosto. Muito bonita. Lembrei que estudamos no campus. Como fiz matérias com turmas da Farmácia, da Educação Física, da Biologia, da Medicina, das Engenharias, da Geologia... Até da própria Física, incrível. Deixa para lá.
Bem, a mãe com filhos pequenos, estacionou o carro na garagem. O freio de mão já apresentava problemas, há algum tempo. Quando ela saiu do carro e olhou, o carro vinha descendo, visto que a garagem era num declive. As crianças filhos dela, brincando na garagem, atrás do carro. A mãe tentou segurar o carro, com a própria força. Deixou os filhos órfãos.
Existem coisas simples que podem evitar acidentes dramáticos, mas quando se sabe de algo mais. O freio está ruim? Procura o serviço especializado. Algum momento vai dar problema. Não teve tempo e tem de estacionar assim mesmo? Sabe o freio-motor, aquele onde o carro em marcha, parado ou não, segura no chão? Vai ver que ela não sabia. Morreu de acidente de automóvel. O culpado foi a velocidade? Não acredito, visto que o carro estava parado na garagem da casa dela.
Para quem não sabe dirigir, até com o carro na garagem, o que talvez nem fosse o caso da mãe da “musa”, mata.
É mais ou menos como a história de um senhor muito humilde que morreu de acidente de avião. Ele nunca entrou ao menos, em um. Naquele tempo, só viajava quem tinha condições financeiras. O avião caiu perto da Base Aérea e ele morreu. Embaixo.
Para mim, tem uma questão básica nos acidentes do Brasil. A falta de critérios na concessão das carteiras de habilitação. No dia em que se tiver critérios para se habilitar, acredito que diminui e muito o índice de fatalidades no trânsito.
Quando fui tirar minha carteira de motorista, inscrevi-me para a Carteira B, naquele tempo. As categorias, eram A, para automóvel de passeio, B, para veículos de carga até certo limite, C, para caminhões mais pesados, D, para carretas, tratores e E para veículos utilizados em mineradoras.
Então fiquei na auto-escola, por quase um ano. Eram aulas sobre psicotécnico, sobre direção, sobre legislação, sobre máquinas, no meu caso e principalmente, palestras sobre a realidade do trânsito que o dono da auto-escola que não era de Manaus, dava e até hoje, acho que eram importantes. “Quando se tira a carteira, a primeira coisa que se quer mostrar, é competência ao volante. Aí é que mora o perigo.” “Em Manaus, se perde muito tempo nos sinais, por que os motoristas não ficam atentos ao fluxo. O sinal abre, aí é que primeiro da fila vai passar a marcha. Depois que ele sai, quem está atrás, aí sim, é que vai passar a primeira marcha. E depois que o segundo dá marcha, é que o terceiro, vai passar a primeira. E o quarto, já fica esperando o próximo sinal. Isso quando o motorista não passa a primeira e no meio do sinal, troca logo para a segunda, fazendo quem está atrás, pisar no freio. Assim, o fluxo de veículos fica muito difícil de fluir, por que cada um quer dirigir como bem entende.”
Mas fluxo em Manaus, só se for na época da menstruação. “Tá ligado?”
Como já era cria da casa, tive diversos instrutores, sem contar com o meu tio que depois que bati o carro, na adolescência, Dona Therezinha exigiu que eu aprendesse a dirigir e chamou o irmão dela que me serviu como meu primeiro instrutor. Ensinaram além de pedalar e segurar o volante, a trocar o óleo do carro, a trocar pneu, a trocar as lâmpadas dos faróis, além de um pouco de direção defensiva, como cavalo de pau... Eles só não se conformavam com duas coisas na minha direção. Diziam que eu fazia as curvas muito fechadas, quase raspando nos postes e dirigia muito colado no carro da frente. “Em Manaus, nunca se sabe o que o motorista da frente vai fazer.”
Sim que tive alguma dificuldade para tirar a carteira. Em princípio por que um sargento do Detran, queria que eu comprasse a carteira “por que o Seu Clóvis tem condições.” Segundo por que a instrutora do psicotécnico parece que estava na TPM. No exame dos lápis fui reprovado por que perguntei como era e ela disse que não podia encostar nas laterais, só. Tudo bem. Saí em zig-zag até o fim. Não podia. Os lápis tinham de trabalhar juntos. E depois, ela até bonitinha, foi se meter comigo numa cabina escura, com uma minissaia... Fui elogiá-la pela beleza, podíamos até conversar depois dali e acabei reprovado. Sei não!
Depois, no exame de direção, todo mundo foi reprovado. Inclusive a irmã de uma amiga minha que chegou no próprio carro, dando o maior cavalo de pau. Era mulher e quero ver quem diga que ela não sabe dirigir. Duvido. Deixa muito marmanjo no chinelo,
Nenhuma das pessoas presentes ao exame de direção passou. Como estávamos no período da Ditadura Militar, houve apenas uma única felizarda, com o nome estampado no quadro de aviso. Ninguém sabia quem era. A turma toda já se conhecia, dos exames que foram marcados na mesma época. Porém, ninguém conhecia aquela que passou sozinha no exame de direção. Nunca apareceu. Tem coisas que nem precisam de muito esforço para se descobrir. Era uma esposa de um oficial da Aeronáutica. Nada mais justo. Os milicos não fizeram a Ditadura para combater a corrupção? Por que não se premiarem, eles mesmos? Muito justo.
Da outra vez que fui remarcar para refazer os exames, passei de primeira. A instrutora do psicotécnico, era outra pessoa. Não me lembro se mulher, ou homem. Só sei que não interessava. A baliza, na segunda vez, foi a maior tortura. A ré não engatava, eu estava suando mais do que cachoeira e o inspetor apenas dizia: “Calma que eu estou vendo.” Fiz a baliza em tempo maior do que na primeira vez, muito pior e passei. Na primeira vez, parei, entrei, ajeitei o carro e saí, em tempo recorde e quem passou foi a mulher do oficial da Aeronáutica. Conta a lenda que 99,99% das mulheres deles, ficam com muita saudade quando eles viajam. Estava dando asas para cobra. E se a pegasse fumando, depois de sentarem a pua, a culpa seria dele mesmo.
Os outros exames foram feitos na carreira. Legislação e Máquina. Colocavam um slide na parede por uns 5 segundos, perguntavam o nome da peça, a gente tinha de escrever rápido e ficar olhando para o próximo que já estava sendo passado. Na legislação, do mesmo modo. Uma placa em pouquíssimo tempo na parede, escrever rápido e olhar o próximo que estava sendo passado. Até hoje não esqueci muita coisa. Principalmente que o pinhão, tem de pegar a coroa, senão não se vai adiante. E duvido que a coroa ache ruim. Só se o pinhão arrasta e não coloca dentro. O pinhão cata, coloca tudo. E tantas que não têm nem mais lembrança de como é isso. Ê vida ruim. Umas com tanto pinhão e outras sem uma obra sequer. É por isso que hoje muita gente virabrequim. E ainda tinha de escrever o que fazia o quê, com quem. Era difícil. Eram respostas mista. Marcava o quadrinho e depois escrevia na linha cheia. Passei por tudo isso e quando já estava para receber a carteira, algum fdp, modificou o jogo,depois do apito. Todo mundo tem carteira B, hoje em dia. Carteira A, só para moto.
Pelo que parece, só mudou isso, pois a mania de vender carteira, continua do mesmo jeito. De vez em quando, aparece um escândalo aqui, outro ali e não se investiga quem comprou as carteiras. Quem aprendeu, prestou concurso é que tem de aprender a se desviar desses outros que não se interessam em aprender, nem depois que já estão com as carteiras em mãos. E a discussão recai no excesso de velocidade.
Se há excesso, é excesso de mordomias. É de corrupção. O que parece que o grande legado da Ditadura Militar, foi corrupção em todos os níveis, logo eles que vieram bem intencionados, em acabá-la. Extirpá-la dos seio da sociedade pacífica do Brasil.
E quando não se quer investigar a raiz da questão, é por que muita gente se beneficiou, se beneficia, pensa em se beneficiar, ou beneficiar alguém, com esta prática. E ao invés de se resolver o problema, prepara-se um discurso e se vale de estatísticas, furadas.
O Brasil precisa se discutir de verdade. Enquanto ficarmos com discursos piegas, bonitinhos, chorosos, etc, nunca vamos nos resolver.
Como o deputado que a mim, sempre pareceu com cara de quem tem um cromossomo a menos – desculpem as pessoas com Síndrome de Down, pela comparação, Perdão de verdade! -, vir justificar a compra de tantos carros, para a ALE: “O dinheiro não saiu dos cofres públicos, foi doação...” E para a consecução do Programa Amazônia sustentável, uma certa instituição financeira que já trabalha com este grupo no governos há anos, servir como justificativa: “O banco... doou R$ 200.000.000,00...” Será que a iniciativa privada de uma hora para outra, tem como CEO, o Papai do Céu pensando que ainda estamos no Natal? Mano, coloca um pouco na minha conta corrente também. Tanta caridade e ninguém pensa em mim? Essas instituições de filantropia, sem fins lucrativos, devem estar muito ricas. Jogando dinheiro fora à toa? Devem ser como eu, sem segundas intenções.
Por enquanto, carteira de habilitação, é presente do deputado para sua amante, do empresário, para sua filha que eles acham que não têm competência para conseguir passar no exame, ou do sargento, para quem paga. E os índices de violência no trânsito crescentes e o pessoal estudando, não como resolver o problema, mas como mascarar.
Velocidade não mata. O que mata, é a desaceleração. Se qualquer veículo conseguir ser veloz, sem nenhum obstáculo, nunca vai ocorrer um acidente. Se na frente houver um muro, um poste, ou uma árvore, ele vai parar e aí sim, vai acontecer um acidente feio.
Enquanto o Ayrton Senna corria, ele continuava vivo. O problema é que quem sabe, distraiu-se conversando com Jesus e não viu o muro. O problema foi o muro. Ou melhor a desaceleração que sofreu, por causa do muro. Se ele continuasse correndo em qualquer velocidade, nunca aconteceria um acidente. A menos que ele ultrapassasse muitas vezes a velocidade do som, sem estar preparado. Mas aí, são outros quinhentos. E aí não seria acidente, mas desintegração.
O que mata no trânsito brasileiro, é que se estagnou nas mesmas discussões e não se quer ver onde começam realmente os problemas. Muita gente acha que dirigir, é apertar o acelerador, passar a marcha e continuar com o pé na embreagem. Com muita sorte, não vai fazer o carro ficar instável.
O que mais mata no Brasil, é que ninguém quer tomar as medidas necessárias, para não parecer antipático e se espera que algum dia, alguém resolva. Quando já estiverem sem limites, ou quando Jesus voltar?
E não existe nada mais danoso a todos, do que cada um querer ser beneficiado em detrimento de todo mundo.
Todo mundo quer ser esperto sozinho e espera que assim, o país se desenvolva sem corrupção. Ê povo crédulo!
Um dia as coisas melhoram. Sabe aquelas mensagens: “Você é responsável...”?
É a cara do Brasil. Eu procuro um dentista e deparo com um consultório montado. Acontece alguma coisa ruim, vou reclamar: “Você é responsável...”
Entro em um supermercado e tem um determinado produto sendo exposto para a venda. Compro e dá problema: “Você é responsável...”
Pego um ônibus interestadual que fica na rodoviária e dá um problema. De repente alguém vem dizer: “Você é responsável...”
Eu não me acho realmente. Devo ser muito irresponsável, pois eu sempre acredito que existam órgão competentes para fiscalizar, onde as pessoas que estão empregadas nele, recebem, para fazer justamente este serviço e de repente, eu é que tenho de trabalhar para eles e de graça?
Já pensou eu entrar num consutório médico-odontológico e exigir que o “doutor” me mostre o diploma que já está exposto na parede, a carteira do CRM/CRO, os últimos talões de conta com o conselho... Ele mostra tudo isso e eu, leigo e leso com sou, vou saber o que é falso, ou verdadeiro? Nem sou pago para isso.
O jeito é enfrentar o trânsito com fé em Deus. Deve ser por isso que Mr. Bustela que não acreditava em nada, depois que casou, apareceu até com um monte de crucifixo pendurado no retrovisor. Já pareciam com contas da Umbanda. Já diz o ditado popular: “Fé em Deus e pé na tábua.” Por que esperar solução de verdade... É melhor culpar a velocidade mesmo. Sujeito indeterminado em tempo ausente, no pretérito da porra nenhuma de futuro incerto. Pronto!
E desde há muito, acredito muito pouco em mudanças em doses homeopáticas. Ou se muda no tapa, ou se converte à mesmice. Com dizia o livro que li no aeroporto do Recife, sobre a História da Maçonaria. Um grupo queria pegar o poder da igreja por dentro, outros, pelas beiradas. Dizia o livro que a Maçonaria achava que se ficasse por perto, querendo o poder galgando degrau a degrau, quando se chegasse ao meio do caminho, já se estaria corrompido.
A História do Brasil recente, parece corroborar com essa idéia. E o pior é que respinga até em quem se dizia revolucionário.

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