terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

O CARAMURU CARA-PÁLIDA DA NOSSA HISTÓRIA

Na estória, ou história sobre o Caramuru, a tradição era de comer, no bom sentido, os forasteiros. Os índios até tentaram, porém, a filha do chefe se engraçou do viajante e abriu para ele. Ao invés de ele ser comido, a filha do chefe e as outras filhas dos outros, é que foram comidas, no mal sentido.
Elas abriram para ele.
Ele abriu, para o representante de Portugal que até aquele momento, não havia conseguido, vencer os índios, tendo de se refugiar, cada vez mais para dentro da Bahia.
O representante de Portugal abriu para os Jesuítas que foram “evangelizar” os pagãos.
As tribos da Bahia, não por acaso, foram as primeiras a sumirem, enquanto povo, enquanto cultura, enquanto nação. E o Diogo Mainard, opa, quero dizer, o Caramuru, deixou o tesouro que amealhou, para os Jesuítas que exterminaram os índios, pagãos e incultos, segundo os filhos de Jesus.
E parece praga, como as histórias se repetem, seja em que época for, no Brasil.
Chegaram os europeus no Brasil, as filhas dos Ricos Senhores, os chefes da época se engraçaram deles e abriram para eles. Eles viraram Barões do Café e exterminaram as matas...
Os portugueses chegaram em Manaus, as filhas dos Coronéis, os chefes do pedaço, engraçaram-se por eles e eles ficaram milionários, cheios de não-me-toques.
Chegaram as empresas na época da Zona Franca de Manaus e mudaram até os costumes.
Impuseram que se imitasse o Rio de Janeiro e São Paulo que já imitam os EUA e a Europa.
A roupa clara, por causa do sol, foi abolida, em detrimento de paletó e do vestido de noite, quanto mais escuros melhor.
O pé-direito-duplo que os ingleses trouxeram em suas construções, para conservar a temperatura agradável, foi baixado para pé-direito-simples de 3 metros e agora, até de 1 metro e poucos, para economizar espaço, segundo a propaganda. Quem sabe, também o calor, desumano. Estamos imitando os grandes condomínios do Rio e de São Paulo que já imitam os condomínios da Flórida, de Nova Iorque e do Novo México.
A planta da Alfândega de Manaus, desenhada em pele de carneiro, acho que eu e Piroca, vimos, quando fazíamos Construção Civil, ainda no colégio, toda em pedras vindas de Portugal que conservavam a umidade do ar, foi feita com o pé-direito-duplo. De repente, os intelectuais da Zona Franca, meteram uma laje no meio e tiveram de gastar muito mais com iluminação e ar condicionado.
As ocas e malocas, foram relegadas à condição de caboquice. Hoje se está chegando à conclusão de que construções daquele tipo, redonda, alta, espaçosa, conservam o ar fresco, não deixam o ambiente cheio de fumaça, no caso de se fazer fogo em seu interior e no caso de churrasqueira, não faz aquele fumacê todo, na vizinhança.
A História do Brasil, não é evolutiva, é repetitiva. Repetimos sempre o que os poderosos nos mandam. Rio e São Paulo imitam EUA e Europa e a periferia do Brasil, os imita. No fim, queremos ser tão escoceses, quanto um Sir, de kilt e tudo, num calor de verão tropical e sub-equatorial.
Estão se fazendo as mesmas obras em nome da civilização, como já se fez no Rio e em São Paulo de poluir os mananciais de água, de se assorear os rios, de se degradar o meio ambiente, em nome de um progresso que já se viu que causa danos irreparáveis para toda a vida. Não adianta termos conhecimento destes fatos e somos sabedores de toda uma tecnologia mais atual que não interfere tanto. Não adianta. A nossa história, é de repetir os que os que achamos mais desenvolvidos, já fizeram.
A gente passa no Coroado, na Betânia, na Compensa, no Parque dos Bilhares, na frente do Passeio do Mindu, etc e aquilo que um dia já foi rio, cercado de sacas de cimento, algumas vezes, até preso atrás das grades e quando resta alguma coisa, totalmente poluído, fétido, esgotos a céu aberto, com todo tipo de porcaria sendo despejada dentro, sem nenhum tratamento e o que é pior, sem nenhuma preocupação. Qual a diferença para o mangue no Rio e as Marginais de São Paulo?
Aprendemos a impor superioridade, sobre os outros. Os estrangeiros tomam conta do sul e sudeste, estes se interiorizam e querem mostrar domínio sobre os do interior do Brasil. E quando não se tem quem pisar, vai se buscar nos países fronteiriços, mais periféricos do que nós. Invadimos a Colômbia, o Peru, o Paraguai, a Guiana, para impingir os nossos valores.
No caso do Brasil no Haiti, há coisa mais parecida com a “ajuda humanitária” dos EUA, quando chegam no país dos outros? Dá para diferenciar as ações imperialistas implementadas pelos EUA, ou pelo Brasil? Os haitianos, ao invés de serem estimulados, a terem orgulho da sua cultura, da sua raça, da sua história, estão querendo aprender Português, querem vir morar no Brasil, tratam os brasileiros, como se fossem uns deuses e acham que tudo que tem a ver com este país, é melhor do que é eles têm.
Há mais reprodução do modelo imperialista estadunidense do que o Brasil chegar na Bolívia, construir um gasoduto e mandar para o Brasil, a troco de nada? E quando os bolivianos se sentiram lesados, ainda se aventou em invadir país dos outros, por que esses, estavam querendo ganhar alguma coisa, com o que lhes é de direito?
O Brasil, diferente da China e da Índia que querem desenvolver, mas não para integrar o G7, mas para ser respeitado e respeitando os outros, o Brasil quer crescer, como os EUA. Pisando nos menores e escondendo sua pobreza.
Sabe por que somos repetitivos? Por que primeiro fazemos, para depois pensarmos. E discutir, nem pensar. Somos autóctones. Ou seja, mesmo com gorro do NY Lakers, paletó YSL, perfume do Vallentino, sapato italiano, e cueca Hugo Boss, continuamos os mesmos índios. Pensando da mesma maneira. Querendo ser estrangeiro em casa. E as filhas dos chefes, quando abrem as pernas, não satisfazem apenas os seus desejos, instintos. Elas abrem caminhos, para que os ádvenas introduzam, não só o seu instrumento sexual. Abrem espaços para eles exterminarem qualquer coisa que lembre da cultura dela.
Existe uma grande diferença entre um índio manter relação com uma cara-pálida e uma índia, ser introduzida por um mascarado qualquer. Ainda é um ranço cultural que levamos, até hoje.
Daí se percebe por que povos que se mantiveram quase intactos em sua cultura, com os judeus e os orientais, relutam em deixar que suas filhas, mantenham relação com pessoas de outras culturas.
Hoje já nem tanto, mesmo por que, há tempos, um estudo mostrou que se os judeus continuassem fechados em seu núcleo, desapareceriam. Hoje já não se vê judia casada com cara-pálida. Além de chegar à conclusão de que, precisavam “choramingar” mais, sobre suas pragas. Dizia que tinham de aprender com os cristãos. Isto foi um estudo que li de verdade. Aprenderam a fazer como os cristãos que choram o Cristo na cruz, apesar dos pesares, mas isto é outra história.
O Brasil, é miscelânea do mundo, não pode se fechar, nem preservar nada de seu. Tem de imitar por toda a vida.
É o país mais cheio de louras do mundo. É o parlamento mais caro do mundo. É a segunda frota de helicópteros e jatos executivos do mundo. É uma das piores distribuições de rendas do mundo. Estatisticamente, comparado com a riqueza gerada, é o país mais miserável do mundo.
E quando imitamos, é sempre o pior que nos têm a oferecer, os outros. É Playboy que nunca respeita os cidadãos. É escândalo para poder aparecer. É BBB. É rave, com drogas sintetizadas nas cabeças.
E sabe o que gera desenvolvimento, progresso de verdade? É procurar sua identidade, como fez o Japão, os Tigres Asiáticos, a China, o Canadá, ou manter, como faz a França. Por enquanto, estamos procurando imitar a dos outros. Baixando a cabeça para os outros e nos considerando inferiores, por não sabermos pensar.
Não é por menos que nossa representante nas passarelas internacionais, chama-se Gisele Bündchen. Sabe como se chama a top-model mais famosa da Inglaterra? Naomi Campbel. É até engraçado, né?
Negra na mídia brasileira, só se for para mostrar a bunda, na novela das oito. Quando a cor, no Brasil, é mero detalhe, pois o sangue que nos circula, tem mais blend do que scotch whysk.
Descendente de índio, nem se fala.
Temos vergonha da nossa cara e fazemos de tudo, para parecermos com os outros.

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