Um dia desses, eu até pensei em colocar no papel, a melodia do canto da torcida do Botafogo, com arranjo e orquestração. Ontem, Dona Therezinha falou que o Botafogo iria jogar dependendo do empate, então, ainda de manhã, falei: “Ih, o Botafogo já perdeu.” “Mas por que? “Porque quando entra com o resultado favorável, ele decepciona.”
Existe uma cultura nacional, em que time que entra em campo favorito, ao invés de fazer gol, fica fazendo uma tal de administração do tempo, administração do jogo, fica administrando, não sei o quê. E justamente, tanto em Administração, quanto em Estratégia de Guerra, quem administra, quem faz as estratégias, deve ficar fora do campo, de futebol, ou de batalha. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.
O Sport Recife que precisava perder por dois gols de diferença para chegar aos pênaltis, conseguiu fazer o improvável. Graças ao Animal – já foi irracional, hoje parece um pouco mais domesticado -, conseguiu vencer, quando podia tê-lo feito no tempo normal, sem desgaste. É mais ou menos, como quando jogávamos volley no mesmo time, eu, Piroka e Bustela. A partida parecia fácil, ao invés de se acabar logo com o jogo, ficavam brincando. Quando revertia e a começava a ficar travada, o time contrário começava a impor respeito, Piroka suava nas mãos, nos pés, como sempre, quando fica nervoso – se não fosse meu amigo de infância e não fosse casado, eu já iria ficar em dúvida -, inclusive, antes das partidas do Fluminense. Bustela começava a se desesperar e fazia que ia na bola, atrapalhava quem queria jogar e deixava a bola cair de propósito, aumentando o placar para os outros, até chegar ao desespero de querer bater em todo mundo, furar as bolas, rasgar as redes de volley – e olha que a trama, é forte, mas ele conseguia -, acabar com a brincadeira e sair de campo, querendo quebrar tudo. Não é por estar na minha presença, mas algumas vezes, consegui reverter esses placares, só no saque, mesmo com umas diferenças enormes. Isso, os dois não contam para ninguém. Só contam o gol contra que fiz no Wilhão, na pelada de futebol, quando ainda éramos pré-adolescente.
É cultural, isso de brasileiro poder decidir logo e ficar fazendo firulas, fazendo gracinhas, esnobando da cara do adversário, ao invés de fazer um, dois... cinco... dez gols, para fechar a fatura logo no começo, para não ter nenhum desespero depois. É a mania do drible. Ao invés do drible ser um instrumento para se chegar ao gol, no Brasil, é o contrário. O drible é mais importante até do que o gol. O atacante pode até cruzar direto, mas tem de esperar o adversário chegar, para driblar e talvez depois, jogar a bola na área, ou dentro das redes, se não perder a bola. Era como quando jogávamos pelada de futebol. Fazer o gol era o que menos importava para os atacantes do time. Tinham de fazer bonito. E fazer bonito, era fazer gol de placa. Fazer gol, para eles, era o que menos importava. Fazer bonito, era querer driblar todo mundo, esperar que o adversário se recompusesse, driblar um, dois, três, quatro, esperar o primeiro se recompor mais uma vez, driblá-lo de novo e depois, quando se perdia, a culpa era da zaga. É como me dizia um amigo meu do tempo da Exatas e da ginástica, quando estava apontando com quem transou, com quem iria transar, quem estava na agulha...: “Se eu transar e não contar para ninguém, não tem graça alguma. Parece que eu não gozei.” O que menos importa, é o objetivo. Brasileiro prefere se mostrar, mesmo que não ganhe nada. Ou até perca tudo. Tanto os times, quanto homem que fica querendo aparecer, não dá outra. E às vezes, acaba em picas, ou dá a bundinha e fica arrotando a maior bacaba, como o garanhão.
Outra coisa que parece estar no imaginário popular, ou como Jung dizia, uma memória celular, uma memória já vinda com as pessoas que repetiam fatos dos antepassados, mesmo que não tenham vivido no presente, é a mania de jogador que simula falta, faz cera, esse tipo de coisa que mesmo no meu time, eu não suporto. Acho uma das coisas mais imbecis do mundo e mostra que o time, ou o jogador que faz isso, não se acha preparado para ganhar jogando. Mas são coisas que não acontecem só no profissional. Desde as brincadeiras entre as crianças, a gente já vê garotinho simulando falta, gastando tempo, é uma coisa que parece intrínseca nos genes das pessoas.
São mitos que perduram e se vai levando, como verdade absoluta. É como o pessoal do Sul do Brasil, na questão agrária. Eles se acham os donos do mundo. Pelo menos, do Terceiro Mundo. Não basta eles terem destruído a sua mata, atlântica, agora estão subindo, destruindo todas as outras, todos os outros ambientes de diversidades inexploradas, mas já esgotadas, com um discurso de desenvolvimento que quando não se pode mais extrair nada mais, não deixa nada para as regiões, a não ser problemas, pobreza e terras áridas. Agora, acharam que destruir o Brasil, é pouco e pularam a cerca. Estão se arvorando a donos do Paraguai também. Já devastaram o meio-ambiente, para levar o “desenvolvimento” da soja e da pecuária. E o mais engraçado, é como são arrogantes. A entrevista com uns deles, pareciam treinados e diziam quase sempre a mesma coisa: “Se esses paraguaios vierem invadir nossas terras – diga-se de passagem, as terras do Paraguai -, nós já demo ordem de meter bala. Nós defendemo o que é nosso.” E eu tenho certeza que deve ter paraguaio leso, achando que eles estão certos, eles são os vetores do desenvolvimento e que se deve entregar tudo a eles. Quem sabe, qualquer dia desses não comecem uma campanha dizendo que os estrangeiros estão querendo invadir o Paraguai também? “Vamos acabar com a Biodiversidade Paraguaia, antes que os estrangeiros invadam o Paraguai.” Vai ver que a Maçonaria Paraguaia, já deve estar convidando o General Olviedo, aquele democrata de carteirinha, para discorrer sobre os perigos da perda da soberania nacional e essas coisas, para justificar a grilagem e a substituição das florestas, por pastos e campos de soja. Quem sabe, até de cultivo da cana. Deve ser por isso que tem tanta gente tonta.
E esses pensamentos vão se disseminando e mesmo que o progresso chegue, ainda nos vemos defendendo coisas do tempo do ronca. As polícias brasileiras com o aval de muita gente boa, vive mancomunada com o crime organizado e muita gente achando que é assim que tem de ser feita justiça. E quando o ex-policial que matou o oficial da polícia do Rio é morto, ao invés de preso, o Secretário de (in)Segurança Pública, ainda tem a cara de pau, de ir aos veículos de comunicação, dizer que o trabalho está concluído. Não sei por que, parece que alguém está com medo que se apure as coisas a fundo e se descubram mais nomes e quem na verdade, mandou “queimar o arquivo morto”, entende? É como se queimando arquivo, as coisas possam continuar do mesmo jeito, mas pelo menos se apresentou um “bode-expiatório”, para levar toda a culpa da corrupção, dos desmandos na (in)Segurança Pública, para o público. É como quando a polícia mata o chefe de uma boca de fumo e se apresenta querendo os louros. Muitas vezes na verdade, apenas estão a serviço de um outro chefe mais poderoso que vai ficar com a boca. Talvez por isso o tráfico nunca termina e nunca se saiba por que.
Diz-se que a evolução da Ciência e Tecnologia, leva a uma evolução social e política, mesmo por que, chega uma hora em que os dois ramos citados anteriormente, vêem-se tolhidos, necessitando de um progresso também nas relações sociais, para evoluir o quanto necessário. É como se o Brasil, tentasse progredir científica e tecnologicamente e um dos ministros do STF, fosse Direito. Sabe o Direito, um dos participantes daquele circo chamado o Povo na TV, com Roberto Jefferson, Vagner Montes e Wilton Franco, o protótipo de todos os programas “mundo-cão” até hoje, querendo puxar o país, para a Era do Fogo, ou para a Fogueira Santa da Inquisição. Quem escolheu esse ministro para o STF, não fez Direito. Meu sobrinho que está estudando Direito, ao ver os discursos, as declarações de votos no STF – que parecem discurso do Lênin e do Fidel. Pautas e pautas, sobre a mesma pauta e no fim, nem se lembra mais do que foi dito no início, só para mostrar talvez, prolixidade -, sobre as células-tronco, ficou esperançoso. Com um nível daqueles, ele acha que pode concorrer fácil.
Nem sempre as coisas são tão fáceis assim. Ele pensa que estudar garante um futuro a alguém. Não entende dos meandros de muita coisa. Não assiste aos jogos em que os nossos clubes de futebol, já entram favoritos. Aquilo da Ciência e Tecnologia, levar a um avanço na área social e política, e o contrário ser verdadeiro, nem sempre é realmente verdadeiro, ainda mais, em um país, onde há a distribuição não eqüitativa há um bom tempo e nunca se resolve, onde se penaliza mais o salário-mínimo, do que as grandes fortunas, com tanto imposto indireto, fica mais ou menos, como a ficção-científica do Isaac Azimov, onde num futuro ainda longínquo, tenhamos uma tecnologia avançadíssima, ao mesmo tempo com formas de governo, como reinados e impérios. De certa maneira, ele parece que se baseava nos países do Terceiro Mundo que insistem em manter privilégios e com isso, uma busca incessante de mascara-los com estatísticas, para não parecerem que ainda somos governados como nos tempos dos Coronéis. Não assiste futebol, nem lê as revistas de “celebridades”, onde o Ronaldo o Fenômeno, ganha milhões em Euro, vem se tratar com o Doutor Rúcula, quero dizer, Doutor Ronco, ou seria, Doutor Runco que com toda a especialização na área da Medicina, com todo o tempo de estudo e mesmo assim, não chega ao mesmo nível salarial do paciente que pelo que parece, só aprendeu a fazer KH-da, mas se muito bem na vida.
Meu sobrinho ainda não atentou para o fato de muita gente nem conhecer os nomes das maiores pesquisadoras de célula-tronco no Brasil, mas se saber de cor, quem foi que deu para o diretor da novela das 21:00h, quem fez um escândalo, para vender livro, quem mostrou a bunda, para lançar um novo cd, quem vai ser a capa da próxima edição da Palyboy, para depois, discutir o papel da mulher moderna, em algum programa da televisão.
As coisas não são tão simples como se pensa. Nem o tempo, nem o Universo são lineares, por que as coisas da vida seriam?
Como se poderia esperar que o Brasil, pentacampeão de futebol, em, pleno Século XXI, ainda tivesse à frente, gente como Ricardo Teixeira, Dissica e Eurico Miranda, com umas práticas antigas, arcaicas, sem avançar um milímetro sequer, apoiados pelo PT que pelo menos, conchava com essa gente e os deixa praticarem atos, como o do jogo Vasco X Sport, do dia 29 de março de 2008, onde se trancaram os portões do vestiário do visitante, para não poderem aquecer no campo. Ou então, quem imaginaria que num jogo Palmeiras X São Paulo, na maior cidade da América Latina, alguém ainda fosse capaz de jogar gás no vestiário do adversário? As coisas não acontecem botinhas, como nas novelas, onde quem faz o dever de casa, vai se dar bem no final, ou nas histórias bíblicas, em que o mal sempre se dá mal, nem que a justiça seja feita por Deus. Mas aí, já é acreditar demais. E eu não acredito que quem não viu a mão da justiça em vida, vá morrer pagão. Mas, deixemos essa elucubração para lá, pois não interessa ao assunto.
As ações vêm num crescendo, ou num decrescendo, depende, como se atua. Às vezes, nossos antepassados eram muito mais perspicazes, muito mais evoluídos do que as gerações atuais. Não quer dizer que filho de pais inteligentes, tenha de seguir pelo mesmo caminho. Se não houver uma discussão continuada, uma educação continuada, tende-se a voltar às mesmas discussões, às vezes, dos tempos das cavernas. E a gente vai ver gente, defendendo cada tese que se pensava totalmente extemporânea.
E fatos muito próximos, têm explicação totalmente diferente. Dois acidentes de trânsito, duas vítimas. Uma fatal, outra em estado grave. Os dois agressores fogem e se escondem. Dias depois se apresentam. Um é preso e o outro é solto. O preso, é que vitimou quem está em estado grave e o solto, é quem matou definitivamente uma vida. E ainda tem quem consiga explicar o inexplicável para mim. Mas indo a fundo, vai se ver que o solto, é ligado a desmanche de carro e indo mais fundo, vai se ver que os donos desses desmanches, sempre têm relações cordiais com algumas autoridades. Isto não é uma explicação legal. É leiga apenas.
Por exemplo, o paraense que veio fugido da polícia do Pará, com processos de todas as gamas nas costas, já foi ao Programa do Jô, ensinar como se bate carteira. E teve reprise do programa. Faltou dizer, para ser ainda mais ovacionado que é o Rei das Placas de Táxis, em que faz um esquema de facilitar a compra dos táxis nas suas locadoras, muitas delas em nome de laranjas, e fica recebendo uma quantia por dia, até a quitação da dívida e aí, o taxista fica com o carro, mas sem a placa e não pode atuar com aquele carro. Ou compra outro, no mesmo esquema, ou muda de profissão. E ninguém soluciona essa pendenga vergonhosa, mesmo por que, além das placas dos táxis, também aluga e vende carros e prédios, inclusive o Prédio da Delegacia Geral da Polícia Civil na Avenida Tefé, em que o esperto cidadão é o dono e o estado, o inquilino. Uma relação muito próxima entre o crime e a autoridade.
São culturas que vão passando de pai para filho e fica difícil se ter outra visão da coisa. Ainda mais, quando o povo não contradita nada e acha tudo normal, inclusive, acredita que o estado, é o/do governante e a prefeitura o/do outro, por isso, nem tenta ficar a par do que fazem com seus impostos, taxas e contribuições. Por que acha que não é da sua alçada. Acha que o bem público não é seu. E quem não se acha dono da coisa, numa sociedade Capitalista, não tem por que zelar pela coisa. É mais ou menos como as crianças. Nas sociedades tribais, as crianças são de responsabilidade de todos. Nas sociedades ditas mais civilizadas, as crianças são bens individuais, portanto, as crianças nas ruas, nos bueiros, debaixo da ponte, não sendo minha, eu faço que nem vejo. O problema também não é meu, até o dia em que venham me atacar, roubar, ou atentar contra a minha vida. Aí, eu viro fera e quero que resolvam o meu problema de uma hora para outra. O problema das crianças, pode até continuar. O meu problema é que tem de ser solucionado sempre. É sempre assim. A (in)Segurança Pública, não é problema meu, até eu ser atingido, até quebrarem a cerca-elétrica e me roubarem. Mas se isso acontecer, eu fico indignado com a falta de respostas para o meu problema em particular.
Então, fica-se nas mãos de bandidos, mesmo que se pague tudo, para ser considerado otário. E os bandidos, fazendo-nos de gato e sapato, inclusive fazendo vencedoras de concurso de miss.
No máximo, a prestação de faz de contas para os cidadãos, é uma propaganda dizendo que a autoridade é honesta. Uma honestidade estranha, quando se permite que coisas fora da lei aconteçam debaixo do nariz, com uma conivência estranha, para quem é honesto e se pauta pela honestidade. É uma honestidade que muitas vezes nem parece tanto.
E os mitos vão ficando cada vez mais fortes. Tem o mito do árbitro de futebol no Brasil, não expulsar, nem dar cartão, antes dos 10 minutos iniciais. Tem o mito que diz que nos 10 minutos finais de cada tempo, das partidas nos campeonatos no Brasil, as equipes não se esforçam mais, não procurem mais o gol, esperem o apito final da partida. Só em casos raros, vemos um, ou outro time, fazendo um gol, jogando alguma coisa, antes dos 10 minutos finais. E assim mesmo, quem o fez, faz muito mais feito, nos pênaltis. Tem o mito do “administrador” esportivo, quase sempre alguém que não tem nada com a área profissional, nem estudou o necessário para ser classificado assim, não tem visão nenhuma de negócios e “administra” o futebol, como os donos de escravos antigos. Trocaram os sobrenomes apenas. E é um tal de professor para cá, professor para lá e quando os técnicos vêm falar, pelo o amor de Deus, parecem até o Mão Santa. Deus me livre!
Nem todo mundo que está na frente de uma sala de aula, é mestre, assim como nem todo técnico, é professor de alguma coisa.
A Tecnologia no Brasil, está avançadíssima, a Ciência, nem tanto. Depende quase que única e exclusivamente de recursos públicos. E como conseguimos? Importando peças, para montar nos parques industriais, como tecnologia de ponta. E ao mesmo tempo que temos nichos de Primeiro Mundo, temos lixo nos rios, falta de saneamento básico, favelas e mendigos nas ruas.
É como se o Brasil tivesse começado errado, os brasileiros banidos das suas propriedades, para dar lugar a cidadãos de outros mundos, excluídos dos seus. Então, começamos a produzir os nossos excluídos. E o modelo foi se disseminando, cada vez mais para dentro. Os excluídos da Corte, embrenhavam-se mais para o interior, fazendo excluídos, os povos que habitavam anteriormente aquelas terras. E os agora excluídos nas suas terras, procuravam novas terras, para chegarem como os experts, os maiorais, tentando excluir os outros que por acaso, estavam mais dentro do país. E a cada nova investida, exércitos de novos excluídos vão se fazendo pelo caminho. E quando se cheira alguma oportunidade no ar, tenta-se resolver o problema dos excluídos nacionais, mandando-os, para o interior, mesmo que não tenham nenhuma intimidade com a região. Ninguém pensa em fazer diferente, de primeiro fazer desenvolver a região, com as oportunidades para os que já estão por lá e depois, com o aumento da produção, da economia, ir se buscando diminuir os excluídos dos outros lugares, absolvidos pelo mercado que cresceu de forma planejada, de forma racional. A idéia geral, até hoje, é continuarmos com o mesmo modelo que já se mostrou ultrapassado e ultra passado.
E no futebol, é a mesma coisa. Repetem-se velhas fórmulas, como se só houvesse esse modelo. Os times repetem as mesmas táticas, como se o tempo não passasse, como se fossem da mesma região do país e como se fossem a mesma coisa. É até proibido pensar em fazer um placar elástico. Um gol, recua-se e se fica esperando o adversário, até cansar e levar. Então, tentar procurar fazer mais um gozinho sequer. As oportunidades podem até surgir, mas vamos mantendo placares de 1X0. Hoje em dia, 3X1, já é goleada. Falta de oportunidades de gol? Não, ideologia de perdedor. Garantir o mínimo, quando se pode ganhar muito mais.
E o Botafogo entrou favorito e saiu frito. Então, deixei de pensar em colocar no papel, a melodia e reescrevi a letra do canto da torcida:
Ninguém segura
Este meu tremor
Entra ganhando
Sai perdendo
Que horror
Nem adianta jura
É perdedor
É só empatar
Não se segura
Se fumou
Existe uma cultura nacional, em que time que entra em campo favorito, ao invés de fazer gol, fica fazendo uma tal de administração do tempo, administração do jogo, fica administrando, não sei o quê. E justamente, tanto em Administração, quanto em Estratégia de Guerra, quem administra, quem faz as estratégias, deve ficar fora do campo, de futebol, ou de batalha. Não dá para fazer tudo ao mesmo tempo.
O Sport Recife que precisava perder por dois gols de diferença para chegar aos pênaltis, conseguiu fazer o improvável. Graças ao Animal – já foi irracional, hoje parece um pouco mais domesticado -, conseguiu vencer, quando podia tê-lo feito no tempo normal, sem desgaste. É mais ou menos, como quando jogávamos volley no mesmo time, eu, Piroka e Bustela. A partida parecia fácil, ao invés de se acabar logo com o jogo, ficavam brincando. Quando revertia e a começava a ficar travada, o time contrário começava a impor respeito, Piroka suava nas mãos, nos pés, como sempre, quando fica nervoso – se não fosse meu amigo de infância e não fosse casado, eu já iria ficar em dúvida -, inclusive, antes das partidas do Fluminense. Bustela começava a se desesperar e fazia que ia na bola, atrapalhava quem queria jogar e deixava a bola cair de propósito, aumentando o placar para os outros, até chegar ao desespero de querer bater em todo mundo, furar as bolas, rasgar as redes de volley – e olha que a trama, é forte, mas ele conseguia -, acabar com a brincadeira e sair de campo, querendo quebrar tudo. Não é por estar na minha presença, mas algumas vezes, consegui reverter esses placares, só no saque, mesmo com umas diferenças enormes. Isso, os dois não contam para ninguém. Só contam o gol contra que fiz no Wilhão, na pelada de futebol, quando ainda éramos pré-adolescente.
É cultural, isso de brasileiro poder decidir logo e ficar fazendo firulas, fazendo gracinhas, esnobando da cara do adversário, ao invés de fazer um, dois... cinco... dez gols, para fechar a fatura logo no começo, para não ter nenhum desespero depois. É a mania do drible. Ao invés do drible ser um instrumento para se chegar ao gol, no Brasil, é o contrário. O drible é mais importante até do que o gol. O atacante pode até cruzar direto, mas tem de esperar o adversário chegar, para driblar e talvez depois, jogar a bola na área, ou dentro das redes, se não perder a bola. Era como quando jogávamos pelada de futebol. Fazer o gol era o que menos importava para os atacantes do time. Tinham de fazer bonito. E fazer bonito, era fazer gol de placa. Fazer gol, para eles, era o que menos importava. Fazer bonito, era querer driblar todo mundo, esperar que o adversário se recompusesse, driblar um, dois, três, quatro, esperar o primeiro se recompor mais uma vez, driblá-lo de novo e depois, quando se perdia, a culpa era da zaga. É como me dizia um amigo meu do tempo da Exatas e da ginástica, quando estava apontando com quem transou, com quem iria transar, quem estava na agulha...: “Se eu transar e não contar para ninguém, não tem graça alguma. Parece que eu não gozei.” O que menos importa, é o objetivo. Brasileiro prefere se mostrar, mesmo que não ganhe nada. Ou até perca tudo. Tanto os times, quanto homem que fica querendo aparecer, não dá outra. E às vezes, acaba em picas, ou dá a bundinha e fica arrotando a maior bacaba, como o garanhão.
Outra coisa que parece estar no imaginário popular, ou como Jung dizia, uma memória celular, uma memória já vinda com as pessoas que repetiam fatos dos antepassados, mesmo que não tenham vivido no presente, é a mania de jogador que simula falta, faz cera, esse tipo de coisa que mesmo no meu time, eu não suporto. Acho uma das coisas mais imbecis do mundo e mostra que o time, ou o jogador que faz isso, não se acha preparado para ganhar jogando. Mas são coisas que não acontecem só no profissional. Desde as brincadeiras entre as crianças, a gente já vê garotinho simulando falta, gastando tempo, é uma coisa que parece intrínseca nos genes das pessoas.
São mitos que perduram e se vai levando, como verdade absoluta. É como o pessoal do Sul do Brasil, na questão agrária. Eles se acham os donos do mundo. Pelo menos, do Terceiro Mundo. Não basta eles terem destruído a sua mata, atlântica, agora estão subindo, destruindo todas as outras, todos os outros ambientes de diversidades inexploradas, mas já esgotadas, com um discurso de desenvolvimento que quando não se pode mais extrair nada mais, não deixa nada para as regiões, a não ser problemas, pobreza e terras áridas. Agora, acharam que destruir o Brasil, é pouco e pularam a cerca. Estão se arvorando a donos do Paraguai também. Já devastaram o meio-ambiente, para levar o “desenvolvimento” da soja e da pecuária. E o mais engraçado, é como são arrogantes. A entrevista com uns deles, pareciam treinados e diziam quase sempre a mesma coisa: “Se esses paraguaios vierem invadir nossas terras – diga-se de passagem, as terras do Paraguai -, nós já demo ordem de meter bala. Nós defendemo o que é nosso.” E eu tenho certeza que deve ter paraguaio leso, achando que eles estão certos, eles são os vetores do desenvolvimento e que se deve entregar tudo a eles. Quem sabe, qualquer dia desses não comecem uma campanha dizendo que os estrangeiros estão querendo invadir o Paraguai também? “Vamos acabar com a Biodiversidade Paraguaia, antes que os estrangeiros invadam o Paraguai.” Vai ver que a Maçonaria Paraguaia, já deve estar convidando o General Olviedo, aquele democrata de carteirinha, para discorrer sobre os perigos da perda da soberania nacional e essas coisas, para justificar a grilagem e a substituição das florestas, por pastos e campos de soja. Quem sabe, até de cultivo da cana. Deve ser por isso que tem tanta gente tonta.
E esses pensamentos vão se disseminando e mesmo que o progresso chegue, ainda nos vemos defendendo coisas do tempo do ronca. As polícias brasileiras com o aval de muita gente boa, vive mancomunada com o crime organizado e muita gente achando que é assim que tem de ser feita justiça. E quando o ex-policial que matou o oficial da polícia do Rio é morto, ao invés de preso, o Secretário de (in)Segurança Pública, ainda tem a cara de pau, de ir aos veículos de comunicação, dizer que o trabalho está concluído. Não sei por que, parece que alguém está com medo que se apure as coisas a fundo e se descubram mais nomes e quem na verdade, mandou “queimar o arquivo morto”, entende? É como se queimando arquivo, as coisas possam continuar do mesmo jeito, mas pelo menos se apresentou um “bode-expiatório”, para levar toda a culpa da corrupção, dos desmandos na (in)Segurança Pública, para o público. É como quando a polícia mata o chefe de uma boca de fumo e se apresenta querendo os louros. Muitas vezes na verdade, apenas estão a serviço de um outro chefe mais poderoso que vai ficar com a boca. Talvez por isso o tráfico nunca termina e nunca se saiba por que.
Diz-se que a evolução da Ciência e Tecnologia, leva a uma evolução social e política, mesmo por que, chega uma hora em que os dois ramos citados anteriormente, vêem-se tolhidos, necessitando de um progresso também nas relações sociais, para evoluir o quanto necessário. É como se o Brasil, tentasse progredir científica e tecnologicamente e um dos ministros do STF, fosse Direito. Sabe o Direito, um dos participantes daquele circo chamado o Povo na TV, com Roberto Jefferson, Vagner Montes e Wilton Franco, o protótipo de todos os programas “mundo-cão” até hoje, querendo puxar o país, para a Era do Fogo, ou para a Fogueira Santa da Inquisição. Quem escolheu esse ministro para o STF, não fez Direito. Meu sobrinho que está estudando Direito, ao ver os discursos, as declarações de votos no STF – que parecem discurso do Lênin e do Fidel. Pautas e pautas, sobre a mesma pauta e no fim, nem se lembra mais do que foi dito no início, só para mostrar talvez, prolixidade -, sobre as células-tronco, ficou esperançoso. Com um nível daqueles, ele acha que pode concorrer fácil.
Nem sempre as coisas são tão fáceis assim. Ele pensa que estudar garante um futuro a alguém. Não entende dos meandros de muita coisa. Não assiste aos jogos em que os nossos clubes de futebol, já entram favoritos. Aquilo da Ciência e Tecnologia, levar a um avanço na área social e política, e o contrário ser verdadeiro, nem sempre é realmente verdadeiro, ainda mais, em um país, onde há a distribuição não eqüitativa há um bom tempo e nunca se resolve, onde se penaliza mais o salário-mínimo, do que as grandes fortunas, com tanto imposto indireto, fica mais ou menos, como a ficção-científica do Isaac Azimov, onde num futuro ainda longínquo, tenhamos uma tecnologia avançadíssima, ao mesmo tempo com formas de governo, como reinados e impérios. De certa maneira, ele parece que se baseava nos países do Terceiro Mundo que insistem em manter privilégios e com isso, uma busca incessante de mascara-los com estatísticas, para não parecerem que ainda somos governados como nos tempos dos Coronéis. Não assiste futebol, nem lê as revistas de “celebridades”, onde o Ronaldo o Fenômeno, ganha milhões em Euro, vem se tratar com o Doutor Rúcula, quero dizer, Doutor Ronco, ou seria, Doutor Runco que com toda a especialização na área da Medicina, com todo o tempo de estudo e mesmo assim, não chega ao mesmo nível salarial do paciente que pelo que parece, só aprendeu a fazer KH-da, mas se muito bem na vida.
Meu sobrinho ainda não atentou para o fato de muita gente nem conhecer os nomes das maiores pesquisadoras de célula-tronco no Brasil, mas se saber de cor, quem foi que deu para o diretor da novela das 21:00h, quem fez um escândalo, para vender livro, quem mostrou a bunda, para lançar um novo cd, quem vai ser a capa da próxima edição da Palyboy, para depois, discutir o papel da mulher moderna, em algum programa da televisão.
As coisas não são tão simples como se pensa. Nem o tempo, nem o Universo são lineares, por que as coisas da vida seriam?
Como se poderia esperar que o Brasil, pentacampeão de futebol, em, pleno Século XXI, ainda tivesse à frente, gente como Ricardo Teixeira, Dissica e Eurico Miranda, com umas práticas antigas, arcaicas, sem avançar um milímetro sequer, apoiados pelo PT que pelo menos, conchava com essa gente e os deixa praticarem atos, como o do jogo Vasco X Sport, do dia 29 de março de 2008, onde se trancaram os portões do vestiário do visitante, para não poderem aquecer no campo. Ou então, quem imaginaria que num jogo Palmeiras X São Paulo, na maior cidade da América Latina, alguém ainda fosse capaz de jogar gás no vestiário do adversário? As coisas não acontecem botinhas, como nas novelas, onde quem faz o dever de casa, vai se dar bem no final, ou nas histórias bíblicas, em que o mal sempre se dá mal, nem que a justiça seja feita por Deus. Mas aí, já é acreditar demais. E eu não acredito que quem não viu a mão da justiça em vida, vá morrer pagão. Mas, deixemos essa elucubração para lá, pois não interessa ao assunto.
As ações vêm num crescendo, ou num decrescendo, depende, como se atua. Às vezes, nossos antepassados eram muito mais perspicazes, muito mais evoluídos do que as gerações atuais. Não quer dizer que filho de pais inteligentes, tenha de seguir pelo mesmo caminho. Se não houver uma discussão continuada, uma educação continuada, tende-se a voltar às mesmas discussões, às vezes, dos tempos das cavernas. E a gente vai ver gente, defendendo cada tese que se pensava totalmente extemporânea.
E fatos muito próximos, têm explicação totalmente diferente. Dois acidentes de trânsito, duas vítimas. Uma fatal, outra em estado grave. Os dois agressores fogem e se escondem. Dias depois se apresentam. Um é preso e o outro é solto. O preso, é que vitimou quem está em estado grave e o solto, é quem matou definitivamente uma vida. E ainda tem quem consiga explicar o inexplicável para mim. Mas indo a fundo, vai se ver que o solto, é ligado a desmanche de carro e indo mais fundo, vai se ver que os donos desses desmanches, sempre têm relações cordiais com algumas autoridades. Isto não é uma explicação legal. É leiga apenas.
Por exemplo, o paraense que veio fugido da polícia do Pará, com processos de todas as gamas nas costas, já foi ao Programa do Jô, ensinar como se bate carteira. E teve reprise do programa. Faltou dizer, para ser ainda mais ovacionado que é o Rei das Placas de Táxis, em que faz um esquema de facilitar a compra dos táxis nas suas locadoras, muitas delas em nome de laranjas, e fica recebendo uma quantia por dia, até a quitação da dívida e aí, o taxista fica com o carro, mas sem a placa e não pode atuar com aquele carro. Ou compra outro, no mesmo esquema, ou muda de profissão. E ninguém soluciona essa pendenga vergonhosa, mesmo por que, além das placas dos táxis, também aluga e vende carros e prédios, inclusive o Prédio da Delegacia Geral da Polícia Civil na Avenida Tefé, em que o esperto cidadão é o dono e o estado, o inquilino. Uma relação muito próxima entre o crime e a autoridade.
São culturas que vão passando de pai para filho e fica difícil se ter outra visão da coisa. Ainda mais, quando o povo não contradita nada e acha tudo normal, inclusive, acredita que o estado, é o/do governante e a prefeitura o/do outro, por isso, nem tenta ficar a par do que fazem com seus impostos, taxas e contribuições. Por que acha que não é da sua alçada. Acha que o bem público não é seu. E quem não se acha dono da coisa, numa sociedade Capitalista, não tem por que zelar pela coisa. É mais ou menos como as crianças. Nas sociedades tribais, as crianças são de responsabilidade de todos. Nas sociedades ditas mais civilizadas, as crianças são bens individuais, portanto, as crianças nas ruas, nos bueiros, debaixo da ponte, não sendo minha, eu faço que nem vejo. O problema também não é meu, até o dia em que venham me atacar, roubar, ou atentar contra a minha vida. Aí, eu viro fera e quero que resolvam o meu problema de uma hora para outra. O problema das crianças, pode até continuar. O meu problema é que tem de ser solucionado sempre. É sempre assim. A (in)Segurança Pública, não é problema meu, até eu ser atingido, até quebrarem a cerca-elétrica e me roubarem. Mas se isso acontecer, eu fico indignado com a falta de respostas para o meu problema em particular.
Então, fica-se nas mãos de bandidos, mesmo que se pague tudo, para ser considerado otário. E os bandidos, fazendo-nos de gato e sapato, inclusive fazendo vencedoras de concurso de miss.
No máximo, a prestação de faz de contas para os cidadãos, é uma propaganda dizendo que a autoridade é honesta. Uma honestidade estranha, quando se permite que coisas fora da lei aconteçam debaixo do nariz, com uma conivência estranha, para quem é honesto e se pauta pela honestidade. É uma honestidade que muitas vezes nem parece tanto.
E os mitos vão ficando cada vez mais fortes. Tem o mito do árbitro de futebol no Brasil, não expulsar, nem dar cartão, antes dos 10 minutos iniciais. Tem o mito que diz que nos 10 minutos finais de cada tempo, das partidas nos campeonatos no Brasil, as equipes não se esforçam mais, não procurem mais o gol, esperem o apito final da partida. Só em casos raros, vemos um, ou outro time, fazendo um gol, jogando alguma coisa, antes dos 10 minutos finais. E assim mesmo, quem o fez, faz muito mais feito, nos pênaltis. Tem o mito do “administrador” esportivo, quase sempre alguém que não tem nada com a área profissional, nem estudou o necessário para ser classificado assim, não tem visão nenhuma de negócios e “administra” o futebol, como os donos de escravos antigos. Trocaram os sobrenomes apenas. E é um tal de professor para cá, professor para lá e quando os técnicos vêm falar, pelo o amor de Deus, parecem até o Mão Santa. Deus me livre!
Nem todo mundo que está na frente de uma sala de aula, é mestre, assim como nem todo técnico, é professor de alguma coisa.
A Tecnologia no Brasil, está avançadíssima, a Ciência, nem tanto. Depende quase que única e exclusivamente de recursos públicos. E como conseguimos? Importando peças, para montar nos parques industriais, como tecnologia de ponta. E ao mesmo tempo que temos nichos de Primeiro Mundo, temos lixo nos rios, falta de saneamento básico, favelas e mendigos nas ruas.
É como se o Brasil tivesse começado errado, os brasileiros banidos das suas propriedades, para dar lugar a cidadãos de outros mundos, excluídos dos seus. Então, começamos a produzir os nossos excluídos. E o modelo foi se disseminando, cada vez mais para dentro. Os excluídos da Corte, embrenhavam-se mais para o interior, fazendo excluídos, os povos que habitavam anteriormente aquelas terras. E os agora excluídos nas suas terras, procuravam novas terras, para chegarem como os experts, os maiorais, tentando excluir os outros que por acaso, estavam mais dentro do país. E a cada nova investida, exércitos de novos excluídos vão se fazendo pelo caminho. E quando se cheira alguma oportunidade no ar, tenta-se resolver o problema dos excluídos nacionais, mandando-os, para o interior, mesmo que não tenham nenhuma intimidade com a região. Ninguém pensa em fazer diferente, de primeiro fazer desenvolver a região, com as oportunidades para os que já estão por lá e depois, com o aumento da produção, da economia, ir se buscando diminuir os excluídos dos outros lugares, absolvidos pelo mercado que cresceu de forma planejada, de forma racional. A idéia geral, até hoje, é continuarmos com o mesmo modelo que já se mostrou ultrapassado e ultra passado.
E no futebol, é a mesma coisa. Repetem-se velhas fórmulas, como se só houvesse esse modelo. Os times repetem as mesmas táticas, como se o tempo não passasse, como se fossem da mesma região do país e como se fossem a mesma coisa. É até proibido pensar em fazer um placar elástico. Um gol, recua-se e se fica esperando o adversário, até cansar e levar. Então, tentar procurar fazer mais um gozinho sequer. As oportunidades podem até surgir, mas vamos mantendo placares de 1X0. Hoje em dia, 3X1, já é goleada. Falta de oportunidades de gol? Não, ideologia de perdedor. Garantir o mínimo, quando se pode ganhar muito mais.
E o Botafogo entrou favorito e saiu frito. Então, deixei de pensar em colocar no papel, a melodia e reescrevi a letra do canto da torcida:
Ninguém segura
Este meu tremor
Entra ganhando
Sai perdendo
Que horror
Nem adianta jura
É perdedor
É só empatar
Não se segura
Se fumou
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