No país em que eu vivo, acho que ajo totalmente fora dos padrões, não por rebeldia, aliás uma palavra que eu não suporto, tenho asco e não gosto de verdade. Nunca gostei de ser artificial, de me mostrar de um jeito e ser outro. Talvez por isso, nunca tenha sido um grande ator nas peças do colégio. Nem quando fui apenas o mordomo que tinha de abrir a porta e servir as pessoas, não conseguia parar de rir do Willys representando o pai bêbado.
Não sei se o fato de não representar está intrínseco ao dia do meu nascimento que diz que é o Dia do Não-Convencional, ou por decisão infantil, não sei, mas eu não consigo ter um tipo. Tipo assim, é muito difícil fazer tipo, para a minha personagem.
Mas o correto e não é de hoje, é fazer tipo, é ter uma imagem e não sair dela, é representar uma personagem.
Eu saía com uma amiga que achava muito original. De repente ela começou a se imitar, como o Tom Jobim que plagiava suas próprias músicas para não sair daquela imagem que criou. Achei tão chato.
Faz muito tempo em que a flexibilidade foi uma questão administrativa. Agora o correto, é o Marketing Pessoal. E o que é o Marketing pessoal? Em princípio, é fazer uma imagem e não sair dela, uma marca pessoal, não construído com os anos de vida, mas uma imagem que se deve ser fiel.
Primeiro vamos entender o que significa Marketing.
Mardeting na Administração, é uma forma de pensar o produto como se fosse o cliente, de chegar ao mercado, de cativar o público e tê-lo fiel ao produto e se possível, à marca.
Marketing na Comunicação Social, é fazer propaganda e/ou publicidade do produto e pronto.
Até hoje, muita gente tem o Marketing como a propaganda e/ou publicidade e pronto.
Então as pessoas se acostumaram a vestir uma personagem e sair fazendo o tal de Marketing Pessoal. Dizem que são assim, assadas, fazem e acontecem, inventam curricula, etc.
Vamos colocar o Marketing Pessoal, dentro do Marketing da Administração.
Marketing parte da demanda. Passa pelo planejamento, pela execução, logística, e a comunicação empresa/fornecedor/cliente. É muito mais do que isso, mas professora de Marketing, é uma amiga minha, não eu. É uma idéia simples, um esboço.
Então vamos pegar um exemplo. Uma caricatura. Não faz como uma colega minha da pós-graduação que não sabia o que era uma caricatura e analisava os meus desenhos, como o fato da minha mente atordoada querer dizer isso e aquilo... Não vamos analisar até espirro, como um sinal da psique. Ou como fizeram numa academia em que deixei a caricatura de uma fofoqueira no quadro e vieram me perguntar se eu queria expressar um símbolo fálico, na medida em que eu desenhava a pessoa. Nem me toquei para isso, desenhei – e até Dona Therezinha nem precisou que dissesse que ela achou parecido -. Eu tenho culpa do corpo da retratada ser daquele jeito? Se era fálico, ou escroto, não era problema meu. Freud era outro. Aliás, até me recomendaram a meter os peitos nos peitos dela. Mas a achava tão escrota que preferia que ela continuasse a fofocar, com aquele visual fálico.
Mas vamos ao exemplo de como as coisas estão.
Coriolano faz um curriculum que é um primor, baseado no último best-seller lançado no mundo corporativo, aprovadíssimo no recrutamento. Informações que o mercado está pedindo. Na ora da seleção apresenta-se da melhor forma possível, como o figurino manda. Cueca verde, meias pretas, cabelo de chapinha, gomalina, lenço vermelho no bolso do paletó azul-marinho, tudo dentro do esquema. Discurso perfeito e de repente é chamado para a vaga.
- Coriolano, estamos precisando fazer um comércio, para expor nossos produtos, um outlet, um show-room, entende?
- Deixa comigo!
Coriolano pesquisa projetos anteriores de abertura de firmas aqui e ali, principalmente ali. Pega uns quatro projetos de abertura de firma e apresenta a minuta, o croquis para a diretoria:
Conselho Administrativo
Presidente
Vice-Presidente
Diretor de Pessoal/Diretor Financeiro/Diretor Administrativo/Diretor de Relações Comerciais
Supervisor de Produção
Então é chamado na frente do chefe.
- Coriolano, queremos dizer da nossa satisfação quanto a sua apresentação em forma de filme. Perfeito, como gostamos. Execute.
Anos se passam e a Indústria Xie Bill, empresa chinesa, têm de investir mais e mais recursos no outlet e não sabem o por que de não alavancar, não ter o retorno esperado. No fim das contas, Coriolano é chamado para assumir um outro cargo na empresa, afinal só apresenta projetos perfeitos e de novo se abre vaga para a direção do outlet.
Dentre tantos que passam pela seleção, Portanova não se atêm aos princípios da apresentação. É desleixado com o cabelo, não se preocupa com a roupa, tem óculos com lentes enormes, é um tipo fora dos padrões. Em termos de idéias, tem algumas ótimas, mas o todo não combina. Para o escritório, para trabalhar atrás da mesa, ótimo, para se relacionar com a clientela em geral, péssimo.
Portanova é despachado das seleção e sem rumo, decide fazer seu próprio negócio. Encima do croquis da empresa, pensa a sua. Corta o Conselho Administrativo, as Diretorias e a Supervisão. Junta na Contabilidade as funções de pessoal, finanças, administração e relações comerciais. Diminui o organograma, o fluxograma e a burocracia. Ao invés de se gastar uma resma com ofícios, relatórios e outras coisas que são lindos para fazer média, mas poucos lêem – coisa de burocrata que não é do ramo -. Não é possível que se trabalhando do mesmo modo sempre, tenha um fato novo todo dia, toda semana, todo mês. Um simples telefonema, uma apresentação na intranet bastava. Ao invés do SAC que na verdade é um saco, diminui os passos entre os clientes e o pessoal responsável pelas vendas. Liga-se diretamente os fornecedores aos clientes pelo pessoal do atendimento de ponta, quem fica à frente do consumidor final. Ao invés de investir em pessoas que nunca passaram pelas vendas para responder sobre o que não sabem da produção, por isso, muitas vezes a enrolação no SAC, as dúvidas e os desejos dos clientes são repassados diretamente a quem entende. E os vendedores, para não venderem também sobre o que não sabem, fazem um curso na empresa, um canal aberto, para levarem as queixas dos clientes à produção, quando necessário. E assim o Portanova vai levando. Nunca precisou enxugar nada, por que a empresa já nasceu na medida e só cresce, até onde pode, levando em conta o mercado.
Portanova se torna o maior nome de mercado do mundo. Seu nome, por si, já é uma marca. As empresas não precisam enganar os clientes para crescerem. Elas atuam em conjunto. O SAC são os próprios vendedores do show-room que ouvem e levam as queixas dos clientes e sabem como funciona a produção. Por isso sabem o que dizem e não precisam deixar o cliente com cara de babaca. Aliás, ninguém pode querer fazer do outro, colega próximo, ou distante, fornecedor, cliente, quem quer que seja, babaca, ou se permita na empresa a política da rasteira oficializada e do babaovismo institucional. Qualquer mijada fora do penico, quem agiu dessa maneira é chamado a repensar sua atitude, a fazer uma autocrítica de verdade na frente dos colegas. Por isso, realmente se trabalha em equipe, não só como forma de discurso. O que tem de gente falando em equipe e passando rasteira nos outros, é brincadeira.
E por incrença que parível, as pessoas começaram a imitar o Portanova em todas as maneiras, inclusive na empresa onde ele não passou da seleção.
- Portanova, diga-nos uma coisa. Como esse seu jeito assim despojado, sincero faz tanto sucesso?
- Por que antes de fazer tipo, eu faço idéias, o que traz lucro para qualquer mercado.
- Mas suas roupas não são lá grandes coisas, como as pessoas imitam?
- Na hora de ganhar dinheiro, quem ganha mais? O estilista, ou o consumidor?
- Mas por que?
- Por que quem faz, não imita. O grande estilista não é aquele que sabe desenhar baseado na idéia dos outros, mas quem revoluciona as idéias de todo mundo, com coisas nunca vistas antes.
Acho que me perdi um pouco na história do Cocó, ou Coriolano para os íntimos.
Atualmente as pessoas acham que fazer Marketing é propaganda e/ou publicidade e basta. Todo mundo quer aparecer na foto e bonito. Mas quando se passa para os outros níveis, de satisfação do mercado, o Marketing vai por águas abaixo.
De novo eu digo que as pessoas estão esquecendo um dito da Filosofia – ah, Dona Themis um tempo desses chegou muito zangada, acho que leu alguma coisa sobre religião e estava muito, como diria, muito... muito zangada, com essa coisa de Filosofia. “A tua Filosofia, pode não ser a minha. Cada um tem a sua.” Digamos, uma Filosofia para cada um, como a Casa da Mãe Joana. Um mercado individualizado, onde cada um faz o seu Deus? Todo mundo faz o que bem entende -: “a pessoa é quem faz a roupa, não o contrário.”
Tem gente que está se alarmando por que tem motoqueiro assaltando com motos de primeira linha e vestidos com roupas de grife, para ninguém poder desconfiar. Tem assaltante roubando joalheria, vestido de paletó, gravata e pasta executiva. Sabe por que não se desconfia? Por que a gente acha que não é preconceituoso, mas avalia os outros, pela aparência. A gente acha que quem veste Boss, realmente é o boss, ou o chefe. Quem está maltrapilha, não deve ser ninguém.
Contam que em Manaus, logo no início da Zona Franca, um senhor chegou de bermuda e chinelos em uma loja fina. Ninguém o atendia até que ele escolheu vários tapetes persas, mandou baixar e tirou bolos de dinheiro do bolso. Era um dos homens poderosos de Manaus. Comprou mais do que queria.
Outra história que virou lenda. Um Secretário de Segurança na Ponta Negra, metido a arrogante, viu um negro sem camisa, ou com uma camisa com dizeres: Tem um viado me olhando [na frente] Continua me olhando [atrás]. E mandou prender o “negão”. No meio do caminho, o preso acionou pelo celular, o comando do Exército na região. Quando o camburão e o Secretário apareceram na frente do Comando Militar da Amazônia, receberam ordem de prisão. Prenderam o Comandante Militar da Região sem motivo. Arrogância X Arrogância. Depois de dias preso, foi solto com a intervenção do Presidente da época que como diria um bom cristão, foi uma bênção para a região. Só apoiou o que não prestava, mandava a Polícia Federal se afastar de crimes visíveis, foi uma coisa divina. Foi o inventor do fazer política, congregando a maioria das forças políticas, sem ver as conseqüências que isso poderia trazer ao país. E com esse congraçamento, a gente esquece até os crimes de quem nos é aliado. A forma mais moderna do fazer político. Fazer de conta que é tutto bona gente!.
A gente está sendo levado a agir de uma forma e de se apresentar de outra. Faz tipo aqui e faz cocô ali e esconde debaixo do tapete e ainda se limpa com a cortina e joga a culpa nos outros.
Um dia desses, o motorista que serve Dona Therezinha casou na igreja dele. Perguntei se ele já não havia casado na igreja com a ex-esposa: - Sim casei, mas foi na Igreja Católica.
A gente vai burlando inclusive as leis de Deus. “O que Deus uniu, homem nenhum separa.” Mas eu posso casar na Igreja Católica com uma, na Batista com outra, na Presbiteriana com outra, na Renascer com outra, na Universal com outra e assim por diante. O Deus não é o mesmo, o Cristo não é o mesmo?
- É e não é. Sabe como é. São diferentes.
Eu não compreendo nem como a pessoa se batiza em uma igreja e depois se vai batizar de novo em outra. Acho que as pessoas estão se batizando aqui, fazendo a Primeira Comunhão ali, a Crisma acolá e assim por diante, só com o batizado em diversas igrejas. Está todo mundo querendo se enganar, ou tomar um banho nas águas do Senhor de vez em quando?
Está todo mundo fazendo tipo, fazendo média. Das empresas às famílias. Ninguém está disposto a ser natural, por que o primeiro que aparecer como, vai ser sobrecarregado de atribuições e vai ter de pensar de maneira própria.
Dia desses recebi um email da minha amiga, consultora sentimental, ombro amigo Norminha dizendo que eu estava com muito rancor em relação a Deus. Deus me livre! Quem sou Deus?
Bem, não posso ter rancor em relação ao que não acredito. É básico, senão eu estaria me enganando, dizendo que não acredito, quando na verdade, estaria com raiva do Ser Superior. Quanto ao que escrevi, não é rancor, nem ódio, é apenas a constatação de que muita gente que vive pentelhando o ouvido da gente com a palavra Deus, na verdade, apenas faz tudo ao contrário do que prega a Palavra.
É a mania de se fazer uma imagem, para se apresentar ao público. Já viu aquelas carolas que vivem na igreja, colaboram na quermesse, são obreiras e no fim das contas, estão pregando o ódio, a violência, desconfiam de Deus e do Diabo? Para o público se apresentam como umas pessoas que pregam a Palavra, as eleitas, mas na verdade, pregam tudo o que manda o Testamento ao contrário.
Um tempo desses me contaram uma história relevante para o fato. Umas dondocas foram entregar donativos em um desses abrigos para pessoas necessitadas e chegaram no cabeleireiro divulgando tudo e rindo de uma outra pessoa que era rica e estava nesse asilo. Os fatos não correspondem aos atos. Em princípio, filantropia é um ato para se desculpar com Deus, pelo fato de se amealhar fortunas. Max Webber. Os católicos diziam que as pessoas tinham de ser humildes: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino dos Céus.” “Eu vos digo: rico, o cara passa pelo buraco que bem quiser hoje em dia.” Se o pessoal está se prostituindo de qualquer maneira para ser celebridade, imagina na frente de uma riqueza. Brincadeira! Era isso que eu queria dizer, mas não é bem isso que tu entendeste. Entendeu?
Para os interesses da igreja dominante da época, uma boa justificativa, todo mundo ser humilde. Todo mundo deixava o bens para os clérigos, vivia na maior miséria, ignorância e insalubridade, enquanto a igreja vivia muito bem obrigada. Mas acabava todo mundo no Céu. Da boca. Todo mundo mal falado. Inclusive os clérigos com banheiras de ouro, quanta humildade. Mas ou menos como dizer: ”Não faça sexo irmão que é pecado. Deixa que eu faço por ti. Manda a Chica aqui para mim.” Acho até que vou fundar uma igreja: “Não sede um pecador. Dê a irmã aqui para o irmão, para ela dar ao irmão e garanta o seu lugar no Condomínio Paraíso Céu Azul. Mas não manda baranga, nem jaburu pelo o amor de Deus, por que Deus merece coisa boa. Deixa de sacanagem!”
Então houve a cisão e quem cindiu, apoiou o Capitalismo que tinha como princípio basilar a acumulação de riquezas. Webber justificou que se podia ser cristão, porém pagando um preço para entrar nos Reinos do Senhor, a filantropia. A cada nova filantropia, um aposento melhor, tipo o Fome Zero que troca entradas de shows e jogos por alimentos não perecíveis.
Os EUA dominaram o mundo e colocaram suas idéias, como princípios que todos têm de seguir. Como são evangélicos, têm na filantropia, como os maçons que também foram expulsos do seio do Catolicismo e se uniram ao Capitalismo, uma forma de pagar um quartinho nos Céus, mesmo amealhando dinheiro, fortuna e o que seja, ou seja, querendo enganar a Palavra de Deus. Filantropia abre portas no Céu. “Aja agora, pensando no futuro.” Parece propaganda de condomínio.
Em outra passagem bíblica, está escrito: “Não diz com a esquerda, o que deste com a direita.” O que tem de gente sendo soberbo, falando alto sobre a filantropia que faz, para ter crédito na praça, não é brincadeira. Parece que acham que falando alto, Deus vai escutar melhor. E depois, vêm dizer que são religiosos. Não sei se estou sendo claro, o que eu digo é que estamos cultivando a imagem, sobre a verdade. Muita gente se diz religiosa, mas nunca leu os livros sagrados e quando os lê, diz decorado a página, o versículo e o capítulo, mas não interpreta. Como o motorista que já casou duas vezes perante Deus e acha que é tudo diferente. Parece que só tem Roberto Carlos o cantor que. vive fazendo músicas demagógicas com o nome Dele e quando vai se ver, o cara tem TOC, mas tão profundo que já virou RETOC, censura biografias, plagia a música dos outros, ganha nos tribunais, valendo-se da influência, é cheio de coisas que não ficam bem a uma pessoa humilde...
Tem gente que aprendeu a se mostrar conforme se pede no momento. Teve gente que já me disse que eu deveria ter dito que acreditava em Deus, no quartel. A questão para mim, seria, até onde eu posso confiar em mim? Quando o Sargento Cruz me fizesse a pergunta:
- Qual sua religião.
- Nenhuma.
- Você acredita em Deus?
- Não.
- Quando morrer, como se vai fazer?
- Enterra e pronto, não precisa fazer mais nada.
- Mas você não acredita nem um pouquinho?
A resposta, segundo os novos mandamentos, deveria ter sido:
- Qual sua religião?
- A mesma do comandante. Qualquer uma que vocês gostarem.
- Você acredita em Deus?
- Bem, dependendo de quem me pergunta. O que o senhor gosta? Prefere um ateu, ou um religioso? Qual a sua?
- Quando morrer como se vai fazer?
- Depende dos seus desejos. O senhor é necrófilo? Eu não ligo, vou estar morto mesmo.
Eu, não acredito em quem muda muito de opinião, dependendo da ocasião. Para mim, ser falso, não é uma questão de etiqueta, mas uma questão de falta de caráter. E quando a gente começa a querer se apresentar como uma personagem, no fim das contas, nem a gente mesmo se conhece. Na frente das pessoas, eu me apresento de uma maneira educada, no escuro, eu libero meus monstros. Orando, louvando a Deus, eu sou caridoso, amoroso, compreensivo... No trânsito, eu quero que o outro se dane, que o outro se dê mal... Vamos exemplificar. Quanto a aprovação da legalização da união homossexual, o Bush é totalmente religioso, crente em Deus Pai todo poderoso... Para invadir o Iraque e o Afeganistão, usa de todos os artifícios possíveis, inclusive da mentira, para testar novas armas nem que para isso, tenha de matar os outros. Não diz que a vida é sopro de Deus e só a Ele é dado o direito de tirá-la. Meditemos... Aun. Aun. Aun... Bush acredita em Deus para a platéia, mas é o próprio Diabo. Vixe e foi nascer logo no mesmo dia que eu. Seremos? Bush crê em Deus, só na medida que o interessa, como muita gente. Bush não acredita em Deus, mas não quer ficar mal com o eleitorado. Bush é o próprio Deus que pode tirar a vida de todo mundo.
É uma mania de se fazer média que está danado.
Hoje vi o Senador Paim falando sobre a falta de sensibilidade quanto aos portadores de necessidades especiais. Lia uma carta de um Raimundo de Manaus, Amazonas, em que dizia que está desempregado e ninguém quer dar emprego a ele. Inscreveu-se em um concurso público do estado – o estado de gente religiosa e de muita propaganda - quando ainda tinha pernas. Como é diabético, teve de ser amputado. Quando foi chamado para o cargo, não pode assumir, por ser deficiente, cadeirante, mesmo tendo de trabalhar em função burocrática e não braçal, mesmo por que, tem curso superior e está fazendo especialização. Ninguém o quis. Ninguém teve iniciativa de admiti-lo. Nem a iniciativa privada, nem o setor público. Agora espera se o fato ficar notório, o que vai aparecer de gente “consternada”, oferecendo uma vaga. Ainda mais agora, período eleitoral.
Acho que estamos aprendendo a nos mostrar tão artificiais, que até a caridade, o amor e o respeito, têm de estar conforme a demanda pública. Isso se chama pieguice, demagogia. Se o mercado pede que se dê espaço ao deficiente, de repente os anúncios de empresas pedem um “portador de necessidades especiais”, sem dizer para qual função, ou cargo, como se todos fossem iguais, só para constar. Um portador de necessidades especiais, para servir de vitrine e ser esquecido no fundo do quintal, como se não pudesse contribuir. Quando aparece um portador de necessidade especial competente, apto a assumir a função requerida, as mesmas empresas, os mesmo governos, as próprias pessoas que adoram fazer média, oferecendo um “cargo de portador de necessidades especiais”, são os primeiros que o destratam, por não estarem inseridos no Plano de Marketing, nos planos da publicidade naquele momento.
Não sei por que é tão difícil viver sem máscaras. Parece que todo dia é Carnaval em Veneza. Até para se aproximar de quem se quer ficar junto por muito tempo, é preciso disfarçar.
Bem, dizem que eu não sou nem um pouco romântico. Talvez não seja mesmo, de fazer tipo de ser piegas, de mentir para conquistar. Mas optei por ter relações mais camaradas, ou mais companheiras. Eu não fico segurando a mão da minha namorada enquanto caminho, eu acho que somos independentes e sabemos o caminho a seguir. Acho que é melhor do que aquele que segura a mão da parceira, como se estivesse segurando uma coleira de um cachorro que comprou gastando muito dinheiro. Não sou nem possessivo, nem vejo a companhia como propriedade, objeto que me pertence e eu posso dispor como quiser. Não suporto dirigir com gente pendurada no meu pescoço. É uma forma de não alimentar as carências e de preservar as vidas, minha, dela e de quem mais entrar no raio de ação. Não fico dando beijos, fazendo cenas de carinho no meio da rua. É o meu jeito. Melhor do que fazer cenas na rua e encher a mulher de porrada, fora da vista dos outros. Eu sou grosso, muito grosso, não só com as namoradas, mas com qualquer um, quando fico zangado. Nas nunca bati numa namorada, nunca usei da violência física. Aliás em qualquer situação, para chegar a tanto, é preciso me tirar do sério e muito. Não dou palpite na roupa de quem sai comigo. Eu sempre escolho mulheres adultas, por isso, acho que elas sabem escolher o melhor para si. Eu me visto como eu gosto e acho que cada um veste o que tem e o que acha melhor. Já saí com cada pessoa vestindo cada minissaia, com cada biquíni, mas nunca falei nada, nem mandei voltar para mudar de roupa. Eu não sou cego, nem sou leso e percebo que sempre tem quem fique lambendo os beiços de longe. Mas pelo menos naquele momento eu me garanto. Quando formos todos para casa, o cara que estava lambendo os beiços se quiser ter prazer, vai ficar na mão, lembrando do que viu e eu vou ficar no meio. Mas tem mulher ainda nos dias de hoje que acha que o parceiro que não dá ordens, não manda, não ama. Tem gosto para tudo. Não faço juras de amor eterno, mas enquanto estou junto, faço de tudo para que a pessoa cresça, procure um horizonte mais adiante que possa enxergar além do próprio umbigo. Não quero escrava, nem pessoa que só saiba concordar comigo, por não saber pensar por conta própria. também nunca sei o que pode acontecer no próximo minuto de jurar pela eternidade. Eu acabo de jurar aqui e de repente aparece uma outra pessoa e eu me interesso, ou aparece o Ricardão e eu danço, por isso acho que a vida e o amor têm de ser levados a cada momento, enquanto durar. E quanto menos artificial, melhor.
Imagina duas coisas que podem durar por anos, a gente ter de ser artificial? Não dá para enganar por todo o sempre.
Uma coisa ruim na vida, é não confiar no que nos está na frente. Quanto mais se sabe como é a realidade, muito melhor para saber como agir. Seja no amor, ou na vida.
E o pior de tudo é que a gente está fazendo tipo a todo momento, mas quer que o amante, o político, o pastor, o outro se mostre de verdade. Apenas estão refletindo a imagem que nos voltam como espelhos.
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