Desde quando entrei na rede – não foi para dormir -, aprendi muita coisa que não vale muito, pois a cada minuto o que era, deixa de ser e depois vem coisa nova que a gente tem de aprender do zero. Parece com alguma coisa que eu conheço, mas eu não me lembro o que é.
Já “puxei” aquele programa que aparecia em uma novela de ciganos, onde a gente ia no mapa e apertava o continente que queria conectar, já tive icq, já tive um programa de uns bonequinhos, cheio de salas que eu não lembro o nome e de onde fui expulso do Japão, por que não queriam que eu falasse português. Só podia falar japonês e inglês.Também fui expulso dos EUA e da Argentina, pelo mesmo motivo. Em contrapartida já vi alemão querendo falar alemão em sala brasileira e até engrenei um “boas vindas”, não conversei mais, não por retaliação, mas por que eu enrolo muito bem no Deutsch, mas não dá para conversar por muito tempo. Aliás, minha frase mais utilizada e preferida, é: “Ich spricht nicht Deutsch”. Já diz tudo. Já levei um pito de um italiano que enrolava no portiliano e ficou bravo quando perguntei se Gianni era homem, ou mulher. Aliás, em sala brasileira, tive de reaprender algumas coisas. Como antigamente a internet era basicamente formada por estadunidenses, ou tinha como idioma somente o inglês, as coisas eram diferentes. Entrava uma pessoa em um chat e todos tinham de se apresentar e dar boas vindas. Para chamar para conversar no reservado, tinha de pedir permissão no geral. No Brasil as coisas sempre degringolam. O H_Romeu já chama Agatha Assanhada – uns nomes mais usados em salas de bate-papo - para o reservado, sem nunca terem se conhecido, sem nunca terem conectado antes. As pessoas entram, saem e ninguém nem aí para elas. E quando aparece alguém falando um idioma estrangeiro, ao invés de se pedir que fale o idioma do Brasil, muito pelo contrário, todo mundo quer mostrar que é poliglota. Se possível, deixa-se de falar o português, para agradar o patrão. É um outro mundo. Se o ex-Presidente FkHC ia na condição de Presidente do Brasil, em viagem para outros países, mas fazia questão de falar o idioma dos outros, quer que nós cidadãos comuns não sejamos subserviente?
Já conectei em tudo que foi chat e até aprendi como ter dois codinomes ao mesmo tempo. Uma pessoa que estava em pleno vôo, decidiu conversar comigo, até a luz de apertar os cintos e desligar tudo, antes de tocar o solo, aparecesse no painel. Só falávamos no reservado. De repente apareceu uma outra pessoa que sabia tudo o que se passava entre nós do reservado e respondia pela primeira. Fiquei meio encucado, ainda mais em se tratando do horário, até que perguntei o que estava acontecendo. Então aprendi a conectar com dois nicks. Theco e Thico. Quando não aparecia ninguém para conversar com o Theco, entrava o Thico e ficávamos conversando sozinhos. Daí a pouco, aparecia gente aos montes querendo entrar na conversa. Mas coitado do Thico, toda vez em que o papo estava bacana, ele desaparecia e o pessoal queria saber o que tinha acontecido. “É meu irmão, mas ele é meio estranho, sabe?” Nada muito difícil, para quem, quando de plantão na companhia, no tempo do quartel, fazia todo mundo ficar acordado, com um papo, como se o Ronda do Dia estivesse inspecionando o ambiente. “Soldado 304 Bayma senhor, da Companhia de Comando e Serviço. Tudo em ordem. Pode inspecionar o banheiro e as instalações aqui embaixo. Selva!” Só ficavam zangados, quando apreensivos, perguntavam por que o Ronda estava demorando a inspecionar o ambiente superior. “Mas não tem ninguém aqui, além de mim. Tás ficando doido?” E como diz meu primo, Theco, é coisa de quem “cheira”. Foi por isso que tive uma discussão com um cara chato, logo nos primórdios, quando se achava e se dizia que internet era coisa de gente que não tinha o que fazer, de gente fora de foco, essas coisas. Imagina se eu sou de dar bola para a torcida adversária. Tocar piano era coisa de viado, cozinhar, coisa de maricas, vestir cor de rosa, coisa de menino mimado... Ainda bem que sempre existe amanhã. Pena que também exista o Alzheimer por conveniência e se esqueçam do passado.
O cara do Rio, encheu o saco, com uma mesma pergunta: “Dá uns tecos também?” Teco, pode ser cheirar pó, brilho, cocaína, como pode ser atirar com arma de fogo. Mas o Theco, foi por que uma amiga minha me chamava de Teteco e eu achava, como ainda acho, esse papo de Teteco, coisa de mocinha, moçoila, bicha louca. Decidi abolir um TE e colocar um H no meio. Apareceu o Theco. The Corp. Ao invés de usar um nick toda hora, optei por uma marca desde o início que se pudesse identificar, quando eu conectasse nos chats. E olha que a lista era enorme. Do Brasil, à Malásia. Do México, ao Japão. No chats dos EUA, ao Chile. Dos 30+ish, aos 70. Nada como vírus para acabar com qualquer lista.
Assim como a internet e a informática, a gente tem de se refazer a cada nova pane, novo vírus que ataca, nova formatação. Inclusive, perde-se contato com páginas de hackers – os elementos que não invadem o computador dos outros, como um cracker, com a intenção de destruir -, a cada nova volta ao espaço cibernético. Ou o cara se refaz, ou fica completamente perdido.
E a gente ode atuar no mesmo mundo, em espaços diferentes, o que para muita gente, é algo difícil de fazer. Não consegue pensar na Física, na música, em Economia e Saúde ao mesmo tempo, conectando as partes que têm conexão. Longe de serem dinâmicas, são estáticas, como as microondas que não funcionam e ainda atrapalham tudo a sua volta. Pessoas que acham que só existe um caminho para tudo. Não concebem vários atalhos que fazem se chegar ao mesmo caminho desejado.
De vez em quando aparece alguém me mandando fazer alguma coisa. Apareceu gente me mandando ter um blog, pronto, criei uns 4 eu acho. Aliás, eu sempre exagero em ter as coisas. Um dia desses estava contando, de quando fui parado na estrada do Aeroporto por um carro da polícia. Estava com a outra carteira e não tinha levado a carteira de habilitação. Eu tinha umas três ou quatro e às vezes, esquecia de colocar os documentos naquela que eu estava utilizando no momento. Ainda bem que só tenho duas, ou três, hoje em dia. Email foram tantos que nem me lembro. É no yahoo, é na globo, é no hotmail, é no bigfoot, é na internext, era na netium... Tem uns que até esqueci. Devo ter perdido. Depois quiseram que eu tivesse um orkut. Um messenger, um... A internet parece ilimitada e com fome de crescer. Só não tenho um avatar o Second Life, mesmo por que acho que não prosperou como se esperava. E mais uma vez, não embarquei em barca furada. Às vezes até acho que o meu anjo-da-guarda, eu até sei o nome dele. Não é bem anjo, é uma raça inferior como o dono e tem um nome feio, algo como Mel... alguma coisa. Mas ele até que é legal comigo. Parece que me protege de furada. Foi AmWay, foi corrente, foi até gente com aids e chato que na última hora, aconteceu algo e não se concretizou. Aliás, ele trabalhou muito, principalmente na minha infância. Não morrer afogado aos 7 anos, mesmo sem saber nadar e me virar sozinho. Cair sentado num vidro, esperando virem tirar e não sofrer nada. Cair numa piscina cheio de jacaré-açú e fazerem um semicírculo e mesmo assim, nenhum atacar... É um subproduto de anjo da guarda, muito competente.
Bem, agora, depois de ter um monte, estou aprendendo como fazer de verdade um blog. Foi assim também, no começo, quando decidimos entrar na internet. Como não sabíamos nada, mudamos de provedor para outro, como se o problema fosse deles, quando a burrice era nossa. Completos analfanerds, como diz uma amiga.
Logo de cara, quando aprendi a mexer no blogo, gostei de formular enquetes. E a primeira que formulei, foi para saber o que os visitantes acharam. 100% deles acharam que “Está Bom, Mas Pode Melhorar”. Fiquei entusiasmado. Ninguém disse: “Odiei”, ou “Sofrível”. Todos, 2 visitantes, a maioria esmagadora votou e achou bonzinho. Tenho até de agradecer a estes votos que não sei de quem são, por que a enquete não permite que se saiba. Muito obrigado por popularizar tanto o meu blog.
Várias pessoas já me disseram que eu escrevo muito bem. A Maria de Lourdes e o Tio Naná me elogiaram para a sobrinha dele. O Noval que me ensinou a repartir os assuntos, por que eu escrevo muito e não dá para ler de uma vez. Já me disseram que eu escrevo um livro por dia. Acredito que escrevo bem, por que até a Aline que esculhamba com tudo o que eu faço, lê. Se eu coloco uma mensagem nova no Zéletrônico e o meu primo Beijaminha liga três vezes do Rio, para ouvir e colocar a Soraia na linha para ouvir também e acha legal, o meu sobrinho Adams manda os colegas ligarem para ouvirem as mensagens novas, um monte de gente acha engraçado, ela, pelo contrário, sempre acha “uma merda”. O mesmo acontece com o que lê. Mas pelo menos eu sei que ela lê e ouve as mensagens do secretário-eletrônico. Então está ótimo. Ela e Dona Therezinha quando dizem que está uma merda é por que está acima da média. Têm as duas, um critério muito rígido de julgamento. Não sei se é um julgamento tão espetacular que se um dia elas gostarem, eu possa computar com sobrenatural, ou apenas um mal gosto, disfarçado em gosto refinado. Ou quem sabe, tenham tanto mal gosto que quando dizem que gostaram, vai ver, é justamente quando ninguém gosta. Mas a Cara Carol Carolina, achou que eu escrevia tão bem que me convidou para trabalhar com ela. Dois cancerianos juntos, ia ser uma coisa de louco. Na lua cheia então...
A Norminha acha que eu exagero falando sobre Deus. Deus me livre. E me lembrou até o Tenente Nagib que se corrompia para tirar pessoas da lista de convocados para o quartel e veio me ensinar como ver Deus: ”Como um pai, como uma energia do universo.” Custei a acreditar que ele, corruptível até a alma, um ser que se vende por qualquer garrafa de whisk, acreditasse num Ser Superior onisciente e que vai julgar a todos, no Dia do Juízo Final.
Foi por isso que a Monikela deixou de conectar comigo, por um bom tempo. Ela achou também que eu pego pesado com o Senhor. Mas voltou agora, justamente com mensagens sobre o Deus de amor. Tudo bem, vamos respeitar, mas entre o Deus e o amor, prefiro fazer a segunda opção.
A Mara que tinha tanto email quanto uma pessoa que eu conheço, voltou com um sítio, onde as pessoas escrevem, precursora dos blogs. Não que ela seja pré-histórica. Ela só tem tempo de conexão. E já houve até o relógio que contava só o tempo conectado. Desapareceu também.
Então lembrei de uma vez em que ficava pendurado na internet, até chegar o sono. A velha história de quando levei um pé-na-bunda, depois de um longo e dependente, ou seria doentio(?) relacionamento, etc e etc e tal e lousa... Relacionamento longo é assim para mim, eu nunca sei se ainda estou amando, se já virou dependência, se já estou de saco cheio, se é só uma fase que vai passar, para o bem, ou para o mal, se estou sem coragem de dizer que já era. É difícil saber o que se está fazendo ali dentro de verdade, ainda mais, quando as pessoas ficam grudadas desde a hora em que acordam, até a hora de dormir. Eu definitivamente, não sou uma pessoa casadoira.
Então para passar o tempo em que ficava na casa da namorada, do tempo em que chegava em casa e ainda tinha de atender o telefone dela, quando não marcava com uma outra amiga para ligar depois , para esquecer aquele vício de tanto tempo, conectava até de madrugada. Certa vez, já bem tarde, fiquei teclando com uma advogada. Nada contra a profissão, mas eu acho que os caras vão para a faculdade, aprender a ser djou! Tantos advogados na família e em volta que não poderia discriminá-los, lógico.
Então ela se apresentou como a filha de um dos maiores juristas do Brasil, no escritório de quem atuava em conjunto. E eu me apresentei como eu mesmo. Engatamos uma discussão sobre o que era mais valioso, a vida, ou a felicidade. Dizem que eu sou ruinzinho para mudar de opinião, mas encontrei alguém dez vezes pior do que eu.
Ela achava que ser feliz era tudo no mundo. Eu argumentava que não se podia ser feliz, sem ter vida.
Invoquei até a Ciência Política, onde diz que a vida de cada pessoa, é o bem mais precioso. Uma pessoa em perigo pode matar o outro, para preservar a sua vida. Uma pessoa em extrema necessidade de se alimentar pode surrupiar comida e mesmo assim argumentar legítima defesa. Mas convenhamos, além de ser djou, ela era do sexo feminino e brasileira.
Não que as mulheres sejam frágeis, não saibam pensar, ou coisa parecida, mas a mulher brasileira ainda tem muito ranço da “dondoca”, da “mulher para casar”, da “mulher de verdade” e repete coisas que atentam inclusive contra sua dignidade. Falam uma coisa e fazem o contrário. Talvez para se mostrar evoluídas, quando não têm convicção sobre o que falam. É cultural, antes de ser sexista. Tem mulher brasileira diferente, óbvio. Independente de verdade, faz faculdade para se sustentar e ser profissional de verdade e não párea agir como disse uma sexólologa nacionalmente conhecida, certa vez em uma palestra: “vocês acham que as mulheres estão fazendo faculdade para serem donas do próprio nariz? Tem muita mulher que vai para a faculdade, principalmente aquelas onde há muito homem, para pegar um marido e se possível, parar de trabalhar e ser tão Amélia, quanto as mulheres de antigamente”. Palavras de Marina Colassanti. Tem mulher brasileira que já abomina ser celebridade mostrando a bunda em revistas masculinas e quer se mostrar como uma pessoa que pode contribuir com a sociedade, através da cabeça e não só, sentando na cabeça dos outros. Mas ainda são poucas. É um número que parecia crescente, mas que pelas atitudes dos últimos anos, parece estagnado, voltando ao passado, onde as mulheres famosas e ditas independentes, são aquelas que fazem sucesso com a bunda, com o silicone, não por causa de um defeito, mas para satisfazer o “homem”, ou aparecendo como a Flor do Lácio Arrependida, por ter tido um caso com um homem casado e famoso. A maioria ainda pensa como os contos de fada. Ter um homem de qualquer maneira – eu tive uma experiência pessoal que a decisão não era casar comigo, ou com um outro, por gostar. Mas era casar com o primeiro que aparecesse, pela necessidade de casar. É como se alguém confecciona um paletó e o primeiro que aparecer, tenha de vestir, mesmo não sendo para o seu corpo -, constituir família, ser feliz para o resto da vida. Quando vai ver, mulher brasileira ainda pensa que barriga segura marido e fica totalmente deformada. Um amigo meu, a cada nova investida fora de casa a mulher tinha um filho. Já me disseram que ele está casado com outra e ela cheia de filhos. A gatinha vira a maior leoa de circo. Gorda, sem dentes e só a carcaça para dizer que ainda é a mesma. Algumas ainda pensam que têm de manter a relação, tem de agüentar um príncipe encantado que de uma hora para outra, virou ogro, não a respeita, tem outras no meio da rua, não permite que ela progrida, tem de ser a escrava do cara, só por que tem de manter o casamento. Tem muita gente que casa não por gostar do outro, mas por amar casar e pronto. E ainda tem daquelas que para manter a aparência de estar casada, bem casada, engole sapo, ao invés de beijá-lo para transformar alguma coisa e vai dividindo a infelicidade, para parecer feliz para a opinião pública. As mulheres precisam evoluir muito. Inclusive as homossexuais que são tratadas como se fossem gays e se vêem misturadas no mesmo balaio de gatos, quando se sabe, têm reivindicações particulares, em determinados momentos.
Então, foi difícil, muito difícil convencer a advogada de que o amor, a felicidade, o sexo, qualquer coisa, só existe se existir vida. Mesmo para quem acredita na vida após a morte, só pode existir qualquer coisa dessas, durante a vida. Esta, ou outra, Mas decidimos ir dormir e a bichinha não mudou de idéia. Deve ser daquele tipo que responde à essa pergunta: “Tem filhos?” “Eu não sou casada.” Como se uma coisa dependesse estritamente da outra. E eu deixei no blog, uma enquete sobre isso mesmo. Pelo menos os dois que responderam a outra, por favor, respondam a esta. Se possível, as outras também. Quero ver pelo menos 50% de divergência. Já dizia um cara antipático para mim: “A unanimidade é burra.” Só faltaram completar: “Filha de vosso ventre.”
Beijos.
Já “puxei” aquele programa que aparecia em uma novela de ciganos, onde a gente ia no mapa e apertava o continente que queria conectar, já tive icq, já tive um programa de uns bonequinhos, cheio de salas que eu não lembro o nome e de onde fui expulso do Japão, por que não queriam que eu falasse português. Só podia falar japonês e inglês.Também fui expulso dos EUA e da Argentina, pelo mesmo motivo. Em contrapartida já vi alemão querendo falar alemão em sala brasileira e até engrenei um “boas vindas”, não conversei mais, não por retaliação, mas por que eu enrolo muito bem no Deutsch, mas não dá para conversar por muito tempo. Aliás, minha frase mais utilizada e preferida, é: “Ich spricht nicht Deutsch”. Já diz tudo. Já levei um pito de um italiano que enrolava no portiliano e ficou bravo quando perguntei se Gianni era homem, ou mulher. Aliás, em sala brasileira, tive de reaprender algumas coisas. Como antigamente a internet era basicamente formada por estadunidenses, ou tinha como idioma somente o inglês, as coisas eram diferentes. Entrava uma pessoa em um chat e todos tinham de se apresentar e dar boas vindas. Para chamar para conversar no reservado, tinha de pedir permissão no geral. No Brasil as coisas sempre degringolam. O H_Romeu já chama Agatha Assanhada – uns nomes mais usados em salas de bate-papo - para o reservado, sem nunca terem se conhecido, sem nunca terem conectado antes. As pessoas entram, saem e ninguém nem aí para elas. E quando aparece alguém falando um idioma estrangeiro, ao invés de se pedir que fale o idioma do Brasil, muito pelo contrário, todo mundo quer mostrar que é poliglota. Se possível, deixa-se de falar o português, para agradar o patrão. É um outro mundo. Se o ex-Presidente FkHC ia na condição de Presidente do Brasil, em viagem para outros países, mas fazia questão de falar o idioma dos outros, quer que nós cidadãos comuns não sejamos subserviente?
Já conectei em tudo que foi chat e até aprendi como ter dois codinomes ao mesmo tempo. Uma pessoa que estava em pleno vôo, decidiu conversar comigo, até a luz de apertar os cintos e desligar tudo, antes de tocar o solo, aparecesse no painel. Só falávamos no reservado. De repente apareceu uma outra pessoa que sabia tudo o que se passava entre nós do reservado e respondia pela primeira. Fiquei meio encucado, ainda mais em se tratando do horário, até que perguntei o que estava acontecendo. Então aprendi a conectar com dois nicks. Theco e Thico. Quando não aparecia ninguém para conversar com o Theco, entrava o Thico e ficávamos conversando sozinhos. Daí a pouco, aparecia gente aos montes querendo entrar na conversa. Mas coitado do Thico, toda vez em que o papo estava bacana, ele desaparecia e o pessoal queria saber o que tinha acontecido. “É meu irmão, mas ele é meio estranho, sabe?” Nada muito difícil, para quem, quando de plantão na companhia, no tempo do quartel, fazia todo mundo ficar acordado, com um papo, como se o Ronda do Dia estivesse inspecionando o ambiente. “Soldado 304 Bayma senhor, da Companhia de Comando e Serviço. Tudo em ordem. Pode inspecionar o banheiro e as instalações aqui embaixo. Selva!” Só ficavam zangados, quando apreensivos, perguntavam por que o Ronda estava demorando a inspecionar o ambiente superior. “Mas não tem ninguém aqui, além de mim. Tás ficando doido?” E como diz meu primo, Theco, é coisa de quem “cheira”. Foi por isso que tive uma discussão com um cara chato, logo nos primórdios, quando se achava e se dizia que internet era coisa de gente que não tinha o que fazer, de gente fora de foco, essas coisas. Imagina se eu sou de dar bola para a torcida adversária. Tocar piano era coisa de viado, cozinhar, coisa de maricas, vestir cor de rosa, coisa de menino mimado... Ainda bem que sempre existe amanhã. Pena que também exista o Alzheimer por conveniência e se esqueçam do passado.
O cara do Rio, encheu o saco, com uma mesma pergunta: “Dá uns tecos também?” Teco, pode ser cheirar pó, brilho, cocaína, como pode ser atirar com arma de fogo. Mas o Theco, foi por que uma amiga minha me chamava de Teteco e eu achava, como ainda acho, esse papo de Teteco, coisa de mocinha, moçoila, bicha louca. Decidi abolir um TE e colocar um H no meio. Apareceu o Theco. The Corp. Ao invés de usar um nick toda hora, optei por uma marca desde o início que se pudesse identificar, quando eu conectasse nos chats. E olha que a lista era enorme. Do Brasil, à Malásia. Do México, ao Japão. No chats dos EUA, ao Chile. Dos 30+ish, aos 70. Nada como vírus para acabar com qualquer lista.
Assim como a internet e a informática, a gente tem de se refazer a cada nova pane, novo vírus que ataca, nova formatação. Inclusive, perde-se contato com páginas de hackers – os elementos que não invadem o computador dos outros, como um cracker, com a intenção de destruir -, a cada nova volta ao espaço cibernético. Ou o cara se refaz, ou fica completamente perdido.
E a gente ode atuar no mesmo mundo, em espaços diferentes, o que para muita gente, é algo difícil de fazer. Não consegue pensar na Física, na música, em Economia e Saúde ao mesmo tempo, conectando as partes que têm conexão. Longe de serem dinâmicas, são estáticas, como as microondas que não funcionam e ainda atrapalham tudo a sua volta. Pessoas que acham que só existe um caminho para tudo. Não concebem vários atalhos que fazem se chegar ao mesmo caminho desejado.
De vez em quando aparece alguém me mandando fazer alguma coisa. Apareceu gente me mandando ter um blog, pronto, criei uns 4 eu acho. Aliás, eu sempre exagero em ter as coisas. Um dia desses estava contando, de quando fui parado na estrada do Aeroporto por um carro da polícia. Estava com a outra carteira e não tinha levado a carteira de habilitação. Eu tinha umas três ou quatro e às vezes, esquecia de colocar os documentos naquela que eu estava utilizando no momento. Ainda bem que só tenho duas, ou três, hoje em dia. Email foram tantos que nem me lembro. É no yahoo, é na globo, é no hotmail, é no bigfoot, é na internext, era na netium... Tem uns que até esqueci. Devo ter perdido. Depois quiseram que eu tivesse um orkut. Um messenger, um... A internet parece ilimitada e com fome de crescer. Só não tenho um avatar o Second Life, mesmo por que acho que não prosperou como se esperava. E mais uma vez, não embarquei em barca furada. Às vezes até acho que o meu anjo-da-guarda, eu até sei o nome dele. Não é bem anjo, é uma raça inferior como o dono e tem um nome feio, algo como Mel... alguma coisa. Mas ele até que é legal comigo. Parece que me protege de furada. Foi AmWay, foi corrente, foi até gente com aids e chato que na última hora, aconteceu algo e não se concretizou. Aliás, ele trabalhou muito, principalmente na minha infância. Não morrer afogado aos 7 anos, mesmo sem saber nadar e me virar sozinho. Cair sentado num vidro, esperando virem tirar e não sofrer nada. Cair numa piscina cheio de jacaré-açú e fazerem um semicírculo e mesmo assim, nenhum atacar... É um subproduto de anjo da guarda, muito competente.
Bem, agora, depois de ter um monte, estou aprendendo como fazer de verdade um blog. Foi assim também, no começo, quando decidimos entrar na internet. Como não sabíamos nada, mudamos de provedor para outro, como se o problema fosse deles, quando a burrice era nossa. Completos analfanerds, como diz uma amiga.
Logo de cara, quando aprendi a mexer no blogo, gostei de formular enquetes. E a primeira que formulei, foi para saber o que os visitantes acharam. 100% deles acharam que “Está Bom, Mas Pode Melhorar”. Fiquei entusiasmado. Ninguém disse: “Odiei”, ou “Sofrível”. Todos, 2 visitantes, a maioria esmagadora votou e achou bonzinho. Tenho até de agradecer a estes votos que não sei de quem são, por que a enquete não permite que se saiba. Muito obrigado por popularizar tanto o meu blog.
Várias pessoas já me disseram que eu escrevo muito bem. A Maria de Lourdes e o Tio Naná me elogiaram para a sobrinha dele. O Noval que me ensinou a repartir os assuntos, por que eu escrevo muito e não dá para ler de uma vez. Já me disseram que eu escrevo um livro por dia. Acredito que escrevo bem, por que até a Aline que esculhamba com tudo o que eu faço, lê. Se eu coloco uma mensagem nova no Zéletrônico e o meu primo Beijaminha liga três vezes do Rio, para ouvir e colocar a Soraia na linha para ouvir também e acha legal, o meu sobrinho Adams manda os colegas ligarem para ouvirem as mensagens novas, um monte de gente acha engraçado, ela, pelo contrário, sempre acha “uma merda”. O mesmo acontece com o que lê. Mas pelo menos eu sei que ela lê e ouve as mensagens do secretário-eletrônico. Então está ótimo. Ela e Dona Therezinha quando dizem que está uma merda é por que está acima da média. Têm as duas, um critério muito rígido de julgamento. Não sei se é um julgamento tão espetacular que se um dia elas gostarem, eu possa computar com sobrenatural, ou apenas um mal gosto, disfarçado em gosto refinado. Ou quem sabe, tenham tanto mal gosto que quando dizem que gostaram, vai ver, é justamente quando ninguém gosta. Mas a Cara Carol Carolina, achou que eu escrevia tão bem que me convidou para trabalhar com ela. Dois cancerianos juntos, ia ser uma coisa de louco. Na lua cheia então...
A Norminha acha que eu exagero falando sobre Deus. Deus me livre. E me lembrou até o Tenente Nagib que se corrompia para tirar pessoas da lista de convocados para o quartel e veio me ensinar como ver Deus: ”Como um pai, como uma energia do universo.” Custei a acreditar que ele, corruptível até a alma, um ser que se vende por qualquer garrafa de whisk, acreditasse num Ser Superior onisciente e que vai julgar a todos, no Dia do Juízo Final.
Foi por isso que a Monikela deixou de conectar comigo, por um bom tempo. Ela achou também que eu pego pesado com o Senhor. Mas voltou agora, justamente com mensagens sobre o Deus de amor. Tudo bem, vamos respeitar, mas entre o Deus e o amor, prefiro fazer a segunda opção.
A Mara que tinha tanto email quanto uma pessoa que eu conheço, voltou com um sítio, onde as pessoas escrevem, precursora dos blogs. Não que ela seja pré-histórica. Ela só tem tempo de conexão. E já houve até o relógio que contava só o tempo conectado. Desapareceu também.
Então lembrei de uma vez em que ficava pendurado na internet, até chegar o sono. A velha história de quando levei um pé-na-bunda, depois de um longo e dependente, ou seria doentio(?) relacionamento, etc e etc e tal e lousa... Relacionamento longo é assim para mim, eu nunca sei se ainda estou amando, se já virou dependência, se já estou de saco cheio, se é só uma fase que vai passar, para o bem, ou para o mal, se estou sem coragem de dizer que já era. É difícil saber o que se está fazendo ali dentro de verdade, ainda mais, quando as pessoas ficam grudadas desde a hora em que acordam, até a hora de dormir. Eu definitivamente, não sou uma pessoa casadoira.
Então para passar o tempo em que ficava na casa da namorada, do tempo em que chegava em casa e ainda tinha de atender o telefone dela, quando não marcava com uma outra amiga para ligar depois , para esquecer aquele vício de tanto tempo, conectava até de madrugada. Certa vez, já bem tarde, fiquei teclando com uma advogada. Nada contra a profissão, mas eu acho que os caras vão para a faculdade, aprender a ser djou! Tantos advogados na família e em volta que não poderia discriminá-los, lógico.
Então ela se apresentou como a filha de um dos maiores juristas do Brasil, no escritório de quem atuava em conjunto. E eu me apresentei como eu mesmo. Engatamos uma discussão sobre o que era mais valioso, a vida, ou a felicidade. Dizem que eu sou ruinzinho para mudar de opinião, mas encontrei alguém dez vezes pior do que eu.
Ela achava que ser feliz era tudo no mundo. Eu argumentava que não se podia ser feliz, sem ter vida.
Invoquei até a Ciência Política, onde diz que a vida de cada pessoa, é o bem mais precioso. Uma pessoa em perigo pode matar o outro, para preservar a sua vida. Uma pessoa em extrema necessidade de se alimentar pode surrupiar comida e mesmo assim argumentar legítima defesa. Mas convenhamos, além de ser djou, ela era do sexo feminino e brasileira.
Não que as mulheres sejam frágeis, não saibam pensar, ou coisa parecida, mas a mulher brasileira ainda tem muito ranço da “dondoca”, da “mulher para casar”, da “mulher de verdade” e repete coisas que atentam inclusive contra sua dignidade. Falam uma coisa e fazem o contrário. Talvez para se mostrar evoluídas, quando não têm convicção sobre o que falam. É cultural, antes de ser sexista. Tem mulher brasileira diferente, óbvio. Independente de verdade, faz faculdade para se sustentar e ser profissional de verdade e não párea agir como disse uma sexólologa nacionalmente conhecida, certa vez em uma palestra: “vocês acham que as mulheres estão fazendo faculdade para serem donas do próprio nariz? Tem muita mulher que vai para a faculdade, principalmente aquelas onde há muito homem, para pegar um marido e se possível, parar de trabalhar e ser tão Amélia, quanto as mulheres de antigamente”. Palavras de Marina Colassanti. Tem mulher brasileira que já abomina ser celebridade mostrando a bunda em revistas masculinas e quer se mostrar como uma pessoa que pode contribuir com a sociedade, através da cabeça e não só, sentando na cabeça dos outros. Mas ainda são poucas. É um número que parecia crescente, mas que pelas atitudes dos últimos anos, parece estagnado, voltando ao passado, onde as mulheres famosas e ditas independentes, são aquelas que fazem sucesso com a bunda, com o silicone, não por causa de um defeito, mas para satisfazer o “homem”, ou aparecendo como a Flor do Lácio Arrependida, por ter tido um caso com um homem casado e famoso. A maioria ainda pensa como os contos de fada. Ter um homem de qualquer maneira – eu tive uma experiência pessoal que a decisão não era casar comigo, ou com um outro, por gostar. Mas era casar com o primeiro que aparecesse, pela necessidade de casar. É como se alguém confecciona um paletó e o primeiro que aparecer, tenha de vestir, mesmo não sendo para o seu corpo -, constituir família, ser feliz para o resto da vida. Quando vai ver, mulher brasileira ainda pensa que barriga segura marido e fica totalmente deformada. Um amigo meu, a cada nova investida fora de casa a mulher tinha um filho. Já me disseram que ele está casado com outra e ela cheia de filhos. A gatinha vira a maior leoa de circo. Gorda, sem dentes e só a carcaça para dizer que ainda é a mesma. Algumas ainda pensam que têm de manter a relação, tem de agüentar um príncipe encantado que de uma hora para outra, virou ogro, não a respeita, tem outras no meio da rua, não permite que ela progrida, tem de ser a escrava do cara, só por que tem de manter o casamento. Tem muita gente que casa não por gostar do outro, mas por amar casar e pronto. E ainda tem daquelas que para manter a aparência de estar casada, bem casada, engole sapo, ao invés de beijá-lo para transformar alguma coisa e vai dividindo a infelicidade, para parecer feliz para a opinião pública. As mulheres precisam evoluir muito. Inclusive as homossexuais que são tratadas como se fossem gays e se vêem misturadas no mesmo balaio de gatos, quando se sabe, têm reivindicações particulares, em determinados momentos.
Então, foi difícil, muito difícil convencer a advogada de que o amor, a felicidade, o sexo, qualquer coisa, só existe se existir vida. Mesmo para quem acredita na vida após a morte, só pode existir qualquer coisa dessas, durante a vida. Esta, ou outra, Mas decidimos ir dormir e a bichinha não mudou de idéia. Deve ser daquele tipo que responde à essa pergunta: “Tem filhos?” “Eu não sou casada.” Como se uma coisa dependesse estritamente da outra. E eu deixei no blog, uma enquete sobre isso mesmo. Pelo menos os dois que responderam a outra, por favor, respondam a esta. Se possível, as outras também. Quero ver pelo menos 50% de divergência. Já dizia um cara antipático para mim: “A unanimidade é burra.” Só faltaram completar: “Filha de vosso ventre.”
Beijos.
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