Cansei de falar um monte
De dizer nada
E no fim
Nada de interessante na frente
Cansei de tocar punheta
De tirar da reta
Não botar na cama
E de ser ranheta
Cansei de buscar idéia própria
De remar contra a corrente
De querer ser diferente
E não deixar nem uma cópia
Cansei de estudar para ser burro
E quando ver
Uns ilustres incompetentes com o cabo da faca
Enquanto fico dando murro
Cansei de não ser urubu
Correr na carniça, fazer festa
Ser oportunista a toda hora
E rimar tudo com cú?
Cansei de observar a métrica
Buscar a rima
E ainda por cima ver cada coisa feia
Fazendo sucesso, sem a menor estética?
Juro que não estou com fúria
Aliás, estou achando graça
Sem rancor, nem ódio
Nem fiz isto como lamúria
Não sei por que toda pessoa que se acha normal
Adora me analisar
Botar palavras na minha boca
Ao invés de me convidar para um bacanal
Eu não quero ser assim, nem assado
Nem bonito, nem feio
Nem bom, muito menos tão ruim
Nem sóbrio, muito menos pé-inchado
Juro que pensei em fazer graça
Pensei em fazer rima
Mas bateu a preguiça
E só deu isso, para colocar na praça.
Nem pior, nem melhor do que ninguém
Quando criança eu torcia pelo Salgueiro
Nem sei se torço ainda
Apenas um ser diferente do que se tem
Eu sou muito vira-casaca
Eu na verdade não consigo ser fiel
Nem a mim mesmo
Por isso, não encuca, deixa que passa. Caraça!
Eu já experimentei vaselina
Mas na camisinha estraga
Passei par o lubrificante à base de água
Para não doer no... da mina
Só não canso de ser fiel a mim
De pensar por conta própria
De satisfazer minhas vontade
Em suma, ser assim
Eu quero é ser assim
Nem mulher-melancia
Nem o agitador da ignorância
Apenas eu, até o fim
Nem eu sei como sou
Mas talvez não acredites
Eu já disse lá em cima
Que é o fim, acabou.
Não quero preservar a violência
Para fazer discurso
Me solidarizar com todos e com tudo
E no fim, quando eleito sofrer demência.
Eu não vou falar em Deus
Para fazer bonito
Angariar seguidores
E depois, deixar todo mundo na mão, deixar os “meus”
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