Gente fina, pela primeira vez assisti à apresentação dos Bois de Parintins e fiquei quase maravilhado.
Sejamos francos. O show em si estava um espetáculo. A transmissão... Vejamos. Quando em 1958 o Brasil disputando a final da Copa do Mundo, os comunicadores falavam em detalhes tudo o que acontecia, era até de se louvar, pois naquela época, ainda não existia a televisão como o maior veículo de comunicação, nem as transmissões eram feitas por satélite ainda. Mas em pleno 2008 o comunicador pensar que a televisão é apenas visual e esquecer de deixar que se ouça o áudio, é brincadeira. “Vamos escutar a voz maravilhosa do... Vamos escutar a voz maravilhosa do... Vamos escutar a voz maravilhosa do... Vamos escutar a voz maravilhosa do...” Com aquela impostação de comentarista demagogo de telejornal que insiste em trazer à tona, coisas arcaicas como a pena-de-morte, a castração de estuprador. Quando o apresentador radiofônico colocava o áudio para se escutar, acabava a apresentação. Uma coisa ridícula. E o pior, quando se diz profissional e não sabe nada sobre a região, nem sobre o que vai cobrir, é de um descaso gritante. “Eu juro que ainda vou aprender”. A festa acabou este ano e ele ainda pretende aprender que ótimo. Pelo menos restam uns 9 anos de contrato. Dá até para se pós-doutorar. É só ter competência.
Mas não venham com pré-conceitos, pelo o amor de Deus. A outra dizendo que era difícil encontrar uma mulher loura em Parintins, é muito desconhecimento de causa. Apresento cinco, Uma amiga minha, as irmãs dela, uma inclusive ex-sinhazinha da fazenda num dos Bois e a mãe. Tanta mulher loura, sarará, olhos verdes, azuis, amarelados, morenas com olhos agatinhados, brancas com cabelos cacheados, o que quiser. É como chegar no Acre, em Cruzeiro do Sul principalmente e sair dizendo que é tudo loura pintada. Vamos conhecer as coisas primeiro, para depois dar o conceito senão invariavelmente estaremos fazendo preconceito.
Bem, a minha relação com o Boi de Parintins é sui-generis. Nunca participei diretamente em Paris da festa em si. Mas o Seu Calderaro falava sempre de uma festa no interior, em Parintins, quando ainda ninguém aparecera como o pai, ou a mãe da criança. Hoje em dia, tem mais pai do que filho de puta, ou celebridade quando os pais que abandonam os filhos se lembram que existe. Inclusive parintinenses que haviam esquecido que haviam nascido lá, sentem o maior orgulho de dizer agora que são naturais da ilha.
Seu Calderaro, a primeira pessoa influente que vi falar sobre os Bois de Parintins nos dizia, quando nos recebia enquanto lideranças estudantis, no jornal dele. E ele repetia a mesma história, quando visitava e conversava com Seu Clovis, com quem mantinha amizade desde quando estudaram juntos.
EU E O CONECIMENTO DE QUE O BOI EXISTIA
Bem, o Seu Calderaro falava da festa de Paris e eu de vez em quando, quando passava pela Ica Maceió, dava uma paradinha, para ficar com um monte de homens que tocavam umas músicas e que se divertiam. Conhecia-os das bandas de carnaval que faziam no mesmo local. As bandas de carnaval, pelo menos eram mais populares e tinha muita mulher, muitas das quais, gostosas no sentido de sambar, de remexer as cadeiras, coisa que não parece, mas eu gosto muito. Principalmente se der para dar. Der para dar papo para mim. Na verdade aquela reunião, era uma coisa meio chatinha, um monte de homem bebendo. Poucas mulheres. Eu adoro amigos, mas prefiro mulher. Pelo menos a gente pode se abraçar, fazer imoralidades, o que com amigos só o cheiro, já é impeditivo.
Depois o Seu Calderaro sempre dizia que devíamos fazer contrato com o pessoal de Parintins, exatamente dos Bois, para realizarem os trabalhos de consecução do palco e de alegorias do Festival Universitário de Música. Até que não era má idéia. O difícil era fazer o pessoal trabalhar. Um dia estavam com dor de barriga, no outro esqueciam que estavam contratados, no outro o pai havia morrido e eles sempre diziam que iam entregar no dia marcado. Acabava a festa e eles prometendo. Quem sabe não foram eles que ensinaram o Datena?
Então o pessoal que se reunia na Ica Maceió, passou a se reunir no Ministério da Agricultura, em Manaus. Eu passava para casa, mas não ligava o nome à pessoa, assim como não ligava a festa que o Seu Calderaro falava, com o pessoal da Ica.
Depois, o Ministério da Saúde recebeu tanta reclamação dos moradores do bairro de classe-A, por causa dos carros estacionados no meio da rua que não renovou contrato com o pessoal da festa. Passaram então, para um campinho de futebol, onde jogávamos uma peladinha de vez em quando.
Foi um tempo muito bom. Ingresso quase uma pechincha, ficava na porta vendo a ambiência. Das melhores. Era quase sempre um Mané acompanhado de umas 10 mulheres. E quase sempre, o Mané pagava as contas e não pegava ninguém. Eu entrava sozinho, por que sou um Mané diferente. Ficava recostado à uma árvore em frente do palco e recebia convites para dançar com a galera. Eu, um rapaz tímido, retraído, só dizia uma coisa: “Eu não sei dançar.” As moças ficavam tão tristes com o fato da minha inabilidade que me puxavam para o meio de um monte delas, para ficar balançando para aqui e para lá ao ritmo da multidão que não tinha escolha. E eu tímido, com a maior vergonha do mundo. Balançando no meio daquela multidão. De vez em quando, uma bunda na minha mão, uma delas sarrando na minha braguilha que coisa triste. Quem se fazia de difícil na academia, ficava mansa na multidão. Era gente, mas tanta gente que não acabava mais. O espaço já estava pequeno para aquela multidão. Então, esta boca grande, faladeira, não podia ficar calada.
Como saíamos de turma, no dia 6 de julho de 1991, decidi comemorar mais um ano de vida que não gostava de comemorar, num show do Lulu Santos. Pronto Bustela que nunca soube sair sozinho, levou uma turma. Ficamos amigos e saíamos daqui para ali, foi quando falei que aos sábados ia a este furdunço, a essa festa. Todo mundo ficou interessado em ir, combinamos todos, para o próximo sábado irmos juntos. No sábado, 20 de julho, duas semanas depois do meu aniversário, eis que cheguei no horário e lugar marcados para irmos. De repente só apareceu a garotinha caladinha que me tinha sido apresentada no Show do Lulu Santos. Ela tinha chegado de Brasília há pouco e não conhecia muita coisa de Manaus. Serei guia turístico? Ninguém apareceu, só a prima que resolveu não ir também na última hora. Um estava doente, outra estava menstruada, outra desistiu de ir, outra estava estudando... Era tanta gente e no fim, fomos só os dois. Nem precisava se mexer para suar naquele ambiente. Era tanta gente que para proteger aquela moça magrinha, a coloquei na minha frente. Eu conhecia muito bem os amigos que freqüentavam o local. Coitada se a pegam. Até para comprar alguma coisa para beber, estava difícil. Horas e horas na fila, para chegar ao caixa e mais horas, para se conseguir chegar ao balcão. Infelizmente, as meninas que me ensinavam a dançar estavam ao lado, mas ninguém veio falar nada comigo. Não estava entendendo. Pula para cá, pula para lá, de repente, por causa de um beijinho inocente, dois beijinhos, talvez uns três e um amasso, já saí com o estigma de estar namorando com aquela moçoila. Todo mundo já sabia que estávamos namorando. Uma coisa tão natural naquelas paradas e o que era para ser apenas mais uma pegação, durou um bom tempo. Então namoramos de verdade. Daí para a frente nunca mais pude freqüentar esses ambientes impróprios. Estava praticamente casado, só na fase de namoro.
Aliás, esse negócio de beijinho já me causou dois namoros. Parece que beijar menina de “família”, acaba em namoro. Beijar qualquer filha da puta, ninguém liga e acaba ali mesmo, ou numa pimbadinha, mas só tem retorno se os dois quiserem e sem imposição. Dois namoros por causa de beijo?
O BOI AINDA EXISTIA
Depois de anos – cronologicamente falando – afastado dessas festas pagãs, de repente, eu mesmo dancei debaixo do boi. Êêêêê boi!
Então conectando com uma amiga que estava na Mérida, falei que estava saindo sozinho. Então ela falou que a antiga turma estava andando cada um para um lado. De longe, agregou todo mundo. Começamos a sair de grupo. Uma gang enorme. De repente show da Maria Bethânia. Aline e eu – como recomendavam os livros sobre psicologia feitos nos EUA que eu lia quando adolescente: “Sorria sempre. Comece qualquer discurso, palestra, ou conversa com uma piada se possível. Olhe para todos os presentes. Não fique com parado só em um canto do palco.” Em suma, deviam se chamar: “Como ser demagogo em 10 lições. Demagogia. Faça a sua” – a irmã da aglutinadora de corações partidos, resolvemos assistir. Bem, para começar, o show atrasou mais do que o necessário. Na hora em que perguntei da “stwardress”, também conhecida com recepcionista, comissária, atendente, onde havia um toillet, ela não entendeu o que era. Toda fardada com um blazer azul marinho, gola branca e eu tive de refazer a questão e perguntar onde era o banheiro. Ainda bem que ela entendeu, senão teria de perguntar onde era o mijatório, o cagadouro, até ela entender. No meio da platéia, ela deu um grito, não um grito qualquer, pensa num grito, para a outra moça, do outro lado: “Fulana, onde tem um banheiro?” Quase eu perco a vontade de utilizá-lo. O show ainda nem tinha começado e ela já estava dando show com a minha participação, sem nem acertar o meu preço? Tudo estudante universitária. Particular, mas nível superior, era de se pensar que soubessem ser mais educadas, ou menos espalhafatosas. Eu tentando ser educado, falando baixo, perguntando onde era o toillet e ela parecia que era surda, não entendia nada do que eu perguntava, tinha de repetir em voz de alto-falante, toda vez. Eu hein!
Depois do show, como estava de carona, a dona do carro resolveu que iria ao Boi. Como sou muito tímido, para não fazê-la ir de norte à sul, de leste à oeste da cidade, para me deixar, depois ir para o sambódromo, no auge da minha timidez, resolvi concordar em ir para aquele antro de perdição. À muito tempo não participava de uma festa pagã dessas. Estava totalmente desenturmado. Não sabia nem como agir naquela situação. Não sei se coloquei a mão nos devidos lugares. Acho que não peguei na bunda de ninguém, mesmo por que naquele lugar, nunca se sabe distinguir bem a bunda feminina, de uma bunda transgênica, ou genérica. Na saída da minha reestréia, mais confusão. As chaves se perderam. Enquanto a dona do carro foi resolver como fazer para abrir, eu fiquei de cão de guarda. Apareceram uns caras me recomendando sair daquele local se eu não quisesse sofrer as conseqüências. Na minha santa ignorância não entendi nada e permaneci onde em entendia. Depois chegou apoio. Um dos organizadores da festa, conhecido da dona do carro, chegou com a pickup, baixou o banco e ficou dormindo ao meu lado e eu, em pé do lado de fora. Lá pelas 6 horas da manhã, ele acordou com o próprio ronco, olhou para fora do carro e perguntou por que eu estava em pé do lado de fora. A boa educação manda convidar para entrar, qualquer pessoa, o que não aconteceu com a minha pessoa. Queria que eu dormisse no carro. Eu tenho problema de sono. Imagina que o relógio que a minha prima Izabel me deu, só por que fazia tic tac, tirei tudo o que é pilha e só deixei funcionando o barômetro e o termômetro, senão não conseguiria dormir. Imagina com um ronco possante daqueles. Depois chegou chaveiro, bombeiro, macumbeiro, maqueiro e fofoqueiro. Foi uma noite que acabou às 11 da madrugada, sol a pino, num café regional. E os caras que passavam daqui para lá, de lá para cá, na verdade, eram uns amigos do alheio que me confundiram com segurança, não sei por que. Um corpinho de bailarina e uma camisa preta, dizem que estava muito parecido com os seguranças da festa. Uns seguranças chiques pelo menos.
Foi um ano inteiro participando do camarote, sem ter entrado na cota para freqüentar. Não que fosse uma coisa da qual eu gostasse, mas na falta do que fazer, por que não fazer alguma coisa? Afinal, de vez em quando, aparecia até gente bonita, gente mamada, gente totalmente diferente da gente.
Tempos de festa junina as academias tinham como prática, o tal de Aero-Boi. Dança do Boi, com movimentos de ginástica. Sim que eu não me furtei de participar de algumas dessas práticas. Inclusive por que a macharada achava que era coisa de viado e só tinha mulher. Coisa chata. Eu como não me importo em ser macho, fêmea, ou outra coisa, o que importa é o que eu acho de mim, participava de bom grado. E de vez em quando, um agrado. Quando eu tiver dúvida da minha sexualidade, eu deixo de fazer as coisas, por que os outros acham isso, ou aquilo. Por enquanto, sem dúvida, eu faço o que me dá prazer e não me agride enquanto pessoa.
No ano seguinte, participei da quota do camarote e paguei a minha parte. Se desfrutei umas 4 vezes do Camarote do Boi, foi muito.
De novo por causa de um beijo, mas dessa vez não foi no Boi, mas por que estávamos pesquisando um assunto na internet, a gente devia estar olhando para a tela do computador, mas de quando em vez, de vez em quando, quase sempre, olhava para uns cochões, pensava o que fazer com aquela boca carnuda, bem ao meu lado, realmente estava atrapalhando a concentração, então deu a maior vontade de beijar, de abraçar, etc e tar... Cheguei com a maior educação, pedindo licença, como a mamãe me ensinou. Com licença! Fui metendo a língua na maior educação. Acabou em namoro de novo. Ixi que coisinha mais estranha. Vou parar de beijar. Isso é uma coisa que complica a vida da gente. Não dá certo. É melhor que dêem para dar certo, sem precisar beijar.
De novo, pentelhação para não ir a isso, para não ir àquilo, pedido de respeito por causa de um namoro. Ela até parecia o Bernardinho em dia de jogo fácil para a seleção Era um tal de pedir tempo, pedir tempo. E quando via, ela voltava. Num desses intervalos viajei e pensando que estava livre dessas imposições maritais, eis que no meu quarto, não sei como, ela resolveu voltar a namorar. Um a semana depois, pediu mais um tempo e quando tentou reatar, já tinha esgotado os pedidos regulamentares. Uma das últimas vezes que nos encontramos, além das vezes que telefona para conversar e falar que tem um namorado novo, eu estava dançando merengue, salsa, um ritmo desses. Quando dei um selinho na companheira de dança que estava visitando a ciudad, qual não foi minha surpresa. Bem ao lado da pista, a Bernardinho, com uma cara enorme, muito p... Educadamente até fui conversar com ela e com a amiga que a acompanhava, mas ela não quis conversa. Nunca se sabe, não se pode desprezar ninguém. De repente bate um desejo, uma vontade de fazer neném, a outra pessoa em questão está em forma e não se pode chamar para uma luta no tatame, porque acabou em briga, não se falando mais. E eu, como sou educado, escuto os papos, quando ela liga para pentelhar a paciência.
Então o Boi já estava popularizado e estava entrando por um caminho chato de querer ser o axé do Norte. Mania de imitação, ou pior, falta de personalidade completa. As músicas ficaram chatinhas. Parecia música de vai baixando na boquinha da Möet Chandon de F1, vai baixando sem dar um pio e tal e coisa. Definitivamente o Boi estava uma chatice, mas popular.
DISPUTA PELA TRANSMISSÃO
Então as emissoras começaram a transmitir direto de Paris. Globo, como sempre, só passa o que interessa, comprou o pacote, não deixou ninguém passar e dava um flash de vez em quando. Ainda hoje, tem essa mania de comprar pacotes, não deixar ninguém transmitir e também não o faz. É o próprio filósofo grego Empatahphodas. Nem Ford, nem sai de Symca. Então ninguém ser resolvia a transmitir, a Cultura se dispôs. Mas a Cultura do Amazonas, é mais um cabide de emprego do que uma empresa que deseja audiência, que tem respeito pelo público, que se preocupa em ser eficiente, essas coisas assim. Imagina que as pessoas que apareciam no festival, ficavam que nem personagem de Teatro Kabuqui. A cara mais branca do que os próprios protagonistas do teatro, com a mania de focar com o farol, diretamente.
Entrou o Amazon Sat e fizeram um pool. Foi mais um poor. Os defeitos em dimensões aumentadas. Até que a RCC/SBT resolveram entrar na disputa pela transmissão. Mas sabe como é. O dono do SBT, uma pessoa de sorte que teve a sorte de ser dedo-duro e terem inventado uma história do pobrezinho que deu certo, parece a própria música dos Raimundos: Mulher de Fases, resolveu não transmitir nacionalmente. Só flashes. Pensava que era dono da Globo. Um segundo lugar, terceiro talvez, sei lá querendo fazer as mesmas ações empresariais e de Marketing, do primeiro colocado.
Então chegou 2008 e ninguém queria mais se comprometer com o contrato para transmissão de uma década. Acharam muito tempo de contrato e um valor enorme. Sabe empresário brasileiro que quer comprar preço de banana e vender a preço de ouro?
Lembrei da Festa da Colheita, na Colônia Japonesa. A família da minha namorada toda reunida e bem atrás, uma japonesinha que freqüentava o funk. Eu sou um homem sério, nem olhei para a japonesinha. Mas os pensamentos eram piores do que se olhasse. De repente resolvi comer um prato de sashimi e mãe da outra japonesa perguntou o preço: “Caro né?” “E o sorvete que a senhora está vendendo?” Acho que cada bola custava R$ 10,00, há uns 10 anos atrás.
Como ninguém se decidia a fechar contrato, uma rede local jogou a transmissão nas mãos da Band.
Mandou um pessoal despreparado, sem conhecimento, um time amador, até a morte.
Qualquer lugar onde se proponha a trabalhar em qualquer coisa, inclusive em entrevista de emprego, a pessoa tem de se mostrar a par da situação em volta, pelo menos. Mandaram o pessoal mais despreparado do mundo. Chegaram com um bordão que diz muito. “A Amazônia é do Brasil.” Só faltava completar. “Utererê, vão à...”
A AMAZÔNIA É DO BRASIL
Tomara que seja verdade, pois até agora o discurso não acompanha as ações.
Por muito tempo, a Amazônia era mais ou menos, como a lixeira do Brasil, um quintal com o qual ninguém se preocupava. Já que estava, deixava-se ficar, sem cuidado algum.
Pensava-se uma penitenciária para bandidos perigosos: “Manda para a Amazônia.” O pessoal estava sem emprego no Nordeste e no Sul: “Manda para a Amazônia.” Precisava-se de energia, até o projeto do Mac Namara: “Vamos fazer uma grande hidrelétrica na Amazônia que vai suprir a necessidade energética de toda a América do Sul, chegando até os EUA, pois a região não tem grandes riquezas nem capacidade de desenvolvimento.” Faltava alimento no mundo: “Toca fogo na floresta e planta hortaliça na Amazônia. Amazônia, o celeiro do mundo” Manda a gaúchada mais braba para grilar as melhores terras nas BR’s, até nos seringais. Sem contar com os ciclos econômicos, onde quando surgia uma oportunidade de negócios: “Manda todo mundo pra Amazônia.” Afasta o caboclo e o índio das terras férteis, dos negócios da região e dá total segurança e incentivos aos de fora. Muitos, até fora da lei mesmo. No fim das contas, quando a Amazônia vira vitrine, fica muito pouco com os amazônicos, muitos dos quais, apoiam essas idéias miraculosas, megalomaníacas, advogadas por uns seres que baixam de pára-quedas e se arvoram de grandes conhecedores de todos os problemas da região e no fim das contas, esse papo da Amazônia é nossa, é um grande embuste, um grande sofisma. Acaba o Ciclo da Borracha e se esquece o porto de lenhas. Acaba Serra Dourada e não se vê desenvolvimento algum na região. Fica um grande buraco. A Zona Franca acaba com a Cidade de Manaus e regiões limítrofes e o que fica, é muito pouco, comparado com o que ganham. Empresários incentivados da região, muito pouco, a maioria, ligado a políticos. As decisões ainda são tomadas fora do estado, da região, bem distante.As empresas dividem a operação que fica por aqui, do centro de decisão que financia inclusive os times de outras regiões bem distantes. E quando acaba aquele ciclo de riqueza da Amazônia, o Sul e o Sudeste ficam muito mais ricos e os governantes da região ficam de pires nas mãos, mendigando para se ter alguma coisinha para comer.
Não há muito tempo, quando se conectava na internet e se dizia que se era da Amazônia, havia sempre duas reações diferentes.
~ - Where r u from? Where d u leave?
~ - I’m from Amazon. And leave here too.
~ - Oh a beautiful place. Fantastic, enjoyable…
De outra forma, em outra situação:
~ - Onde você mora orra meu?
~ - No Amazonas.
~ - Ixi, no fim do mundo?
~ - Depende do referencial. Eu moro muito mais próximo do mundo civilizado. Tenho o mesmo fuso de Nova Iorque. Quando é verão no hemisfério desenvolvido, é verão por aqui também. Quando faz 40º e, Nova Iorque, por aqui estamos chegando perto. O mapa do Brasil, começa de cima para baixo. Encima ficamos nós, como se fosse um corpo humano e correspondêssemos à cabeça, ao cérebro. Sul e Sudeste, correspondem ao intestino grosso, para baixo, repara no mapa. Então...
Mas isso são bobagens imensas que não se deve levar em consideração.
Vamos ver até que ponto a Amazônia é Brasil de verdade.
Vamos começar com a transmissão do Boi de Parintins. Quando a gente tem respeito pelo outro, a gente se prepara para cobrir as coisas dos outros. Numa visita de um representante do Japão, duvido que não se informe como se deve agir diante dele. Isto se chama respeito. Numa entrevista com o Sarkozy, duvido que não se prepare para saber mais sobre a vida pessoal e política dele. Em contrafeita, mandam seus representantes para a Amazônia e os caras começam a trocar tudo. É boto cor de rosa, é xamã – sim que há uma suspeita de que os asiáticos chegaram por aqui, muito antes dos espanhóis e muito antes do que os portugueses, mas dizer que pajé é xamã, é brincadeira, ou quem sabe, ignorância mesmo -, é... deixa para lá. São coisas muito pequenas para nos importarmos. Vamos ao que interessa. A Amazônia é do Brasil.
A presença do Exército Brasileiro na Amazônia, sempre foi uma lástima. Dizimaram aldeias, tribos, dividiram aldeias no meio, com estradas, sem se importarem com nada disso, abriram a Transamazônica, apesar de todos os protestos contra, estupraram, viciaram e abriram caminho para os catequistas mudarem a cosmo-visão desses povos. Agora estão se colocando contra. São meios esquecidos. E tem gente da Amazônia que ainda fala no Calha Norte. Saudosismo. Mas isso são águas passadas, vamos ao que interessa.
Os índios, ameríndios, ancestrais do Brasil como se queira chamar diferentemente do tempo do Caramuru, não desejam mais só espelho. Índio está fazendo mestrado, doutorado, está aparecendo com competência intelectual, o que muita gente acha que por isso, deixou de ser índio. É como se brasileiro que fala outro idioma a não ser o português, deixasse de ser brasileiro, por isso. Quer dizer, tem índio competente para assumir qualquer função, mesmo as que exigem diploma. O Comando Militar da Amazônia está preocupado com a soberania da Amazônia. Muito bom que isso aconteça. Pelo menos, fazem alguma coisa, antes que o sangue coalhe. Dentro dessa preocupação de soberania, será que estamos vendo a presença indígena nas tropas? Sim, pelo menos em São Gabriel, as tropas parecem vitrinas de shopping, todo mundo olhando, chamando a maior atenção por causa da presença de soldados indígenas. Mas dentro da realidade atual, será que existem oficiais índios? Será que há NPOR’s espalhados pela Amazônia, para permitir a presença do povo da região no oficialato, nem que seja R2? Competência não falta a muito índio, por que só podem chegar a sargento? Bem, vamos deixar para lá, pois se até negro como oficial já é difícil, imagina índio. Não que as Gloriosas Forças Armadas sejam discriminatórias e racistas. Longe de mim, dizer algo assim.
Vamos ver outras atitudes em relação à região, das Armas. Quando mandam seu pessoal para a região, preparam-no para enfrentarem o choque de culturas? O pessoal do Sul acostumado a fazer tudo por baixo do pano: “- Ai tchê, mas que vontade de dar uuuuu... Bah! Deixa pra lá que é pecado. Eu me viro!”. Acostumados a fazerem cara de paisagem quando se fala de sexo, de repente encontram pessoas liberadas, como agem? Saem falando encima de seus conceitos “puritanos”, como se fossem melhores, por esconderem sua sexualidade, ou parecerem espécies assexuadas. Mas isso não importa. Importam outras coisas. Tem sempre amazônida, achando que ser educado, é não ter personalidade e dentro de sua própria casa, ter de mudar de hábitos, por que muita gente vem para cá e quer trazer todos os seus costumes, toda a sua cultura, suas tralhas e até suas manias, ao invés de voltar para onde veio, já que têm tanta saudade, ou se acostumar aos costumes do lugar onde decidiu morar. Duvido que queiram voltar! Mas esquece.
Bem, a Amazônia é Brasil. Vamos ver. A industria naval foi a pique. Antes, o Rio de Janeiro atendia a grandes pedidos e era considerado em primeiro lugar na construção naval. Em segundo vinha o Amazonas. À industria naval do Rio, foram feitos aportes de vultosas quantias em dinheiro, para executar obras de bilhões de dólares. Enquanto a indústria naval do Amazonas ainda amarga uma crise enorme. E segundo a desculpa mais fácil de se dar, é que a indústria amazonense, só faz casco de madeira. Lá venho eu de novo, com a história da industrialização daquele paíszinho que se tornou a segunda maior potência econômica do mundo, um tal de Japão. Seria muito difícil abrir linhas de crédito, financiamentos a longo prazo, estímulos econômicos e financeiros e coação jurídica para mudar a matriz, de casco de madeira, para alumínio, aço, ferro o que fosse? Seria muito difícil incentivar escolas especializadas em Engenharia Naval, Design e Arquitetura Naval, Desenho Técnico Naval? Será que o povo é tão burro que não pode aprender, não pode mudar sua concepção?
E quando se constroem barcos, navios, plataformas e outras coisas dessas, a gente sabe que a economia como um todo, cresce, por que a industria naval tem de comprar dos fornecedores, do isopor, à madeiras. O pessoal envolvido vai girar a economia, comprando coisas novas, a cada novo acréscimo de salário. Os designers e arquitetos vão procurar lojas de decoração e urbanismo, para decorarem cada nova obra e a economia vai se renovando. Mas a Amazônia é Brasil e isso não importa.
Digamos que a região está desenvolvida bastante e de novo não se precise mais da presença do Estado nela. Apesar do número de votos conseguidos para eleger o Presidente da República, apesar de toda a retórica da preservação, fecham postos básicos que interferem na economia de qualquer estado. Que tal voltar com os postos da FUNASA, FUNAI, Polícia Federal, IBAMA, ELETRONORTE e outros, em regiões da Amazônia, inclusive nas capitais que mandaram tudo para o Rio de Janeiro? Deixa para lá. É tudo bobagem. Vamos deixar essas picuinhas de lado. A Amazônia é do Brasil. Só acho que alguém deveria dizer que antes, tem de ser dos amazônidas, para não gerar riquezas de novo e depois, deixar um povo na miséria, enquanto os mesmos de sempre, voltam babeados, para suas terras.
Mas isso vai custar, pois os amazônidas ainda acham que quem chega é que sabe os problemas que enfrentamos e deixam todo mundo fazer o que bem entendem. Talvez um dia, saibam se impor e pedir respeito.
A Amazônia é do Brasil sim, mas antes de tudo, muito pelo desejo de queremos ser brasileiros, do que o esforço do Brasil em nos atender, no manter como Brasil, a nos ver e tratar com respeito.
De resto, sabe o Ford? Vai sifu quem acha que sabe mais do que os amazônidas, caído de pára-quedas de uma terra distante. Quer um exemplo, a Hidrelétrica de Balbina. Os caboclos da região diziam que o regime das águas tinha de ser respeitado, diziam como deveria ser feita e o pessoal de Brasília, alguns amazonenses, achavam que sabiam mais do que quem vivia na região. Olha o que aconteceu. Já nasceu defasada na oferta energética e agora, causando sérios transtornos a comunidades inteiras no entorno. Será que a Transamazônica já não foi bastante?
FESTIVAL FOLCLÓRICO
Fiquei surpreso, maravilhado, com o que vi este ano nas festas folclóricas.
De princípio, a volta dos Bois de Manaus. Quem em criança ia ver os Bois na Praça General Osório, palco de tantos festivais e que os militares chegaram e expropriaram e fecharam a praça, para servir de ginásio e campo de futebol para o Colégio Militar, foi surpreendente, ver depois de anos, uma tentativa de recuperação daquela tragédia que nos abateu e que até hoje não conseguimos superar. A presença militar na Amazônia.
O Corre-Campo que até hoje tenho na lembrança, certa vez quando apareceu com 4 pernas e mexendo as partes. Uma coisa de inimaginável, para a época. Faz as contas, vou fazer em muito breve, 4.8. Eu era criança, quer dizer, faz tempo pacas.
Com o fim da Praça da Saudade, para edificar a arrogância militar brasileira, perdemos o tipiti, uma das danças das que eu mais gostava. Perdemos muitas manifestações culturais. E depois vêem falar em soberania. “Quer me enganar, é?”
Quando existia a Praça General Osório, o Festival Folclórico, era único. O resto, os bois iam dançar nas ruas onde havia festas e eram convidados, na frente das casas, assim como as quadrilhas e outras manifestações culturais. Não que militar não seja culto, mas não parece. Da cultura indígena, passando pela cabocla, até a cultura popular, eles tentam acabar de todas as formas. Talvez uma forma de pensar diferente, quem sabe. Enquanto pensamos com a massa cinzenta, quem sabe, outros não pensam com a massa fecal? E por que não? Cada ser é diferente do outro. Todo o apoio à diversidade, inclusive à biodiversidade e a diversidade de opção sexual.
Bem, agora, o que mais se vê, é dança gaúcha e árabe. Sim que o folclore retrata a cultura do lugar, as tradições que constituíram a cultura geral e é dinâmico. Não podemos descartar a contribuição dessas duas culturas, para a região. Uma imposta, outra vindo espontaneamente. Mas outras culturas além da nordestina também contribuíram e muito e nem por isso se vê uma Dança Hebraica, Japonesa... Os gaúchos estão com tudo, querendo mudar toda a cultura.
Em outro ponto o que restou das quadrilhas tradicionais evoluiu se for possível se chamar assim. É um tal de se pensar que se vai ver quadrilha e no meio, aparece uma tal de steet dance, coisinha chata até como jazz, ainda mais nos festivais folclóricos. Mas como desgraça pouca é fantasia, hoje existe festival em todas as regiões da cidade. E com disputas, não só no Festival Oficial. Mas qual seria o oficial mesmo? Se isso por si, fosse pouco, ainda há uma divisão entre festival estadual e municipal. Ao invés de se juntarem forças e dinheiro para se fortalecer o Festival de Manaus, dividem-se. Deve ser por que deve ser mais fácil para desviar verbas, só isso. Sem contar que as Festas Juninas rompem até o mês de agosto. Deveriam se chamar logo, Festas Trimensalinas, ou Festas Juninas, Julhinas e Agostinas. Pronto. Antes de mostrar desorganização, mostram o descaso com a cultura. Com a cultura que não entre no Teatro Amazonas, ou seja, a cultura popular. A não ser que seja um Festival de Parintins que serve como vitrina e extrapole o nível regional. Aí, aparece todo mundo querendo pagar o Mucilon, para ter visibilidade.
Então no Festival Folclórico Estadual de Manaus, reapareceram os Bois de Manaus, sim que não é de hoje, mas as propostas deste ano, são alvissareiras para quem viu o auge dos Bois.
O Festival de Manaus no quesito Boi, seguiu a mesma linha do Boi de Parintins. Por anos se ficou no dois pra lá, dois pra cá, imitando Parintins que superou Manaus em termos de festa junino. Manaus ficou tão atrelada a Paris que nos três dias de Boi de Paris, as atividades folclóricas da Capital, dão um tempo.
De repente, este ano, o Boi Corre-Campo, entrou com a proposta de reviver as tradições. Ao invés de inventar umas coreografias cheias de frescuras, veio arrastando o pé como se fazia antigamente, com as burrinhas, com a presença marcante da Mãe Catirina e do Pai Francisco que atualmente, deu lugar a Sinhazinha da Fazenda, Porta Estandarte e Cunhã Poranga. Ainda timidamente, dançavam e se apresentavam como faziam os Bois da Cachoeirinha, do Parque Dez, do Seringal Mirim...
Como agora tudo se imita de Paris, o que antes era caminho contrário, hoje os Bois têm até alegorias não comparáveis ainda às de Paris, mas já se mostram em evolução.
Quem sabe se houver um maior aporte de verbas para o Festival de Manaus, poderíamos ter um mês inteiro, atraindo turistas para a região. Alguns dias em Manaus e mais 3 em Paris. Parintins, para quem não sabe o que significa Paris na linguagem regional. São Paulo = São Paulo de Olivença. Mônaco = Manacapuru. Silvers = Silves. Tamanho P = Porrudo _ Enorme. Tamanho G – Gitinho _ Pequeninho. Tamanho M = Mussa. Como diz aquela piada, em que o cara no Baixo Amazonas perguntou: “- Tu és Mussa?” “- Não senhor, sou Abraim. Eu até já fudo.”
Seria uma grande tacada se as autoridades deixassem as arrogâncias, os personalismos bem longe e se aplicassem em construir um planejamento turístico para a época junina.
COMO?
Turismo, antes de planos mirabolantes, requer duas coisas. Vontade política e infra-estrutura.
Com a transmissão nacional do Boi de Parintins, vistoso como se mostrou, é de esperar que mais pessoas queiram apreciá-lo de perto. Justo, muito Justus.
Aproveitando-se da deixa, poder-se-ia chamar, para o Festival de Manaus, desde que os Bois voltassem a ter personalidade própria e não quisessem ser uma cópia dos Bois de Parintins que começaram imitando os de Manaus e passaram a ser imitados pelos mesmos... Seriam duas oportunidades de turismo na região se houver estudo, se houver disponibilidade e se houver diferenças entre os Bois de Manaus e de Paris.
ELUCUBRAÇÕES
Digamos que com a transmissão nacional o Festival de Paris venha muito mais gente para o Festival de Parintins. Ótimo. Mas as soluções em volta?
De princípio, o período letivo dos estudantes que utilizam o Centro Cultural como escola, tem de ser refeito, revisto e modificado, para não ficarem sem aulas, por causa do festival. Cultura e educação, são importantes inclusive para bem receber o turista e se cuidar da cidade para que seja aprazível, tanto para quem nela mora, como para quem a visita. Não adianta querer matar o povo do local de fome, de falta de planejamento e se fazer planos mirabolantes para agradar o turista. Uma região bem cuidada, até se torna mais econômica para a prática do turismo.
Bem, energia para a ilha e para muitas regiões da Amazônia é Brasil, de 18 às 20:00 horas, com intervalo para se recarregar a usina, de novo das 21 às 22:30 horas, um ponto para ser revisto.
Hotéis, pousadas, albergues, tudo ótimo. Mas quem seria capaz de planejar um investimento para durar no máximo um mês e ficar fechado por 11 meses seguidos? Como fazer com que o festival seja apenas uma isca para atrair turistas interessados em visitar a ilha o ano inteiro? Talvez com o Museu do Festival, onde fiquem expostas as indumentárias de cada ano apresentado, com palco para apresentações estilizadas, para não cansar de Boi. Apresentações de atrações incentivadas e propagadas nacional e internacionalmente, como a Expoagro de Paris, a procissão da padroeira e outras atividades que possam ser atrativos para o turismo local. Problema existe, mas secretário de estado está no cargo, não para vender beleza e receber como alto executivo, mas para trazer soluções.
Como chegar à ilha? Eis mais um gargalo. Via aérea e fluvial. Uma é cara para os padrões regionais, outra é lenta e perigosa. Cadê um estudo de um ponto mais próximo, talvez de Itacoatira, de Itapiranga, ou até de Silves, para fazer uma ponte, uma ferrovia, algo dê mais uma oportunidade de se chegar lá? Assim, talvez seja lucrativo, pensar em manter pousadas o ano inteiro no interior. E a Amazônia não é Brasil, custa financiar uma ligação por terra? Se o Canal da Mancha existe e atrai turistas, por que não se pode fazer algo menor na região? A Amazônia é Brasil de verdade?
Existem hospitais, atendimento ao público, esgotos, aeroporto, porto, pessoas capacitadas e voltadas para o turismo? Quanto tudo isso tem como melhorar se o aumento do fluxo de pessoas?
A capacidade do bumbódromo, em caso de maior fluxo turístico, vai ter de ser aumentada, senão vai se cair naquela mania de fazer a propaganda e na hora de entregar o produto, não se estava preparado para a grande demanda e ao invés de se ganhar clientes, vai se perder uma grande oportunidade de negócios. Mesmo por que se o fluxo de turistas aumentar, sem aumentar a capacidade de recepção, o que inevitavelmente vai acontecer, as cadeiras reservadas ao povão, vão ter de ser cobradas e o preço de tudo vai aumentar. Inflação em junho que vai retirar a participação da população e um problema para os outros meses.
Quando a procura aumenta e a oferta se mantém no mesmo patamar, o preço aumenta. Introdução à Economia. Isto se não houver um outro produto que substitua o produto A. Se existir, perde-se clientela e dinheiro e tudo o que se investiu em propaganda, vai gerar lucro para a concorrência. Mercadologia/Marketing.
Como fazer a propaganda do turismo na Amazônia, oferecendo-se o mesmo conforto para o turista e para o local ao mesmo tempo? Hoje, a capacidade do bunbódromo já se mostra insuficiente para a população em trânsito. Hoje, muita gente vai a Paris, para assistir ao festival do lado de fora, em telões. Uma clientela que sai insatisfeita e uma oportunidade em se ter mais lucros, sem precisar aumentar o preço.
E uma coisa muito importante. Chega da Amazônia ser do Brasil, mas na hora de receber os lucros da riqueza gerada, fica-se chupando o dedo, para não dizer outras coisas piores que se chupam por aqui Coisas feitas para não se passar fome, como o chibé.
Nem pensa que chibé, é aquilo que tu pensaste. É apenas farinha, água e açúcar para enganar a fome. O que podes ter confundido, é xibiu, mas tem muita gente que não chupa, com nojo, ou por ser cabeludo.
Como fazer que se utilizem serviços e bens, gerados na própria região para gerar economia para a região? Nesse caso, dez vezes mais a favor de um buffet sediado em Manaus e explorada por uma mineira, do que um buffet sediado no Rio, dirigido por amazonense. Nada contra ninguém, mas uma questão de lógica, de ISS, ICMS de impostos indiretos, taxas e outras contribuições. A sede da empresa converte os impostos para a região onde está localizada. Por que se tem de vir para cá, trazendo tudo de fora? Por que não se deixar um pouco dos recursos trazidos e pouco deixados?
A Amazônia é Brasil sim, mas o Brasil tem de respeitar os amazônidas que vivem nela e para quem devem ser carreados os lucros que gera. Não é possível se fazer um festival em Parintins, ou onde quer que seja e o maitre venha de São Paulo, o buffet do Rio, as garçonetes do Espírito Santo, o contramestre, de Santa Catarina, o frango de Saragoza, o caviar de Moscou e quando se pensa que vai se ter lucros, partem como chegaram e deixam muito lixo, muita destruição, doenças, tudo para o Estado, Município, arcar por conta própria, mesmo que tenha ficado muito pouco de todo o dinheiro que passou.
Quando vamos ter negociadores de verdade que saibam chegar, exigir a parte que nos toca, colocar na mesa a percentagem relativa aos votos que ajudaram a eleger este ou aquele político, colocar o quanto a região trás de visibilidade para todo o país, o quanto trás de credibilidade e ajuda? Ao invés de político dizer que é amigo do Presidente, deste ou daquela personalidade e não se ver revertida toda essa amizade, esse bem querer, em obras, em financiamentos, em desenvolvimento regional?
Eu não me importo se o Fulano gosta do Cicrano, se dá para o Shunda, ou se odeia o Mané. Quero ver como a ação se reverte em dividendos para a região. Falar em planejamento, em Plano Amazônia Sustentável e se colocar nas mãos de um advogado que sabe planejar tanto, quanto eu sei falar russo, que voltou à pouco à realidade nacional, é querer enganar na base do discurso. E de discurso, eu ando cheio.
Sejamos francos. O show em si estava um espetáculo. A transmissão... Vejamos. Quando em 1958 o Brasil disputando a final da Copa do Mundo, os comunicadores falavam em detalhes tudo o que acontecia, era até de se louvar, pois naquela época, ainda não existia a televisão como o maior veículo de comunicação, nem as transmissões eram feitas por satélite ainda. Mas em pleno 2008 o comunicador pensar que a televisão é apenas visual e esquecer de deixar que se ouça o áudio, é brincadeira. “Vamos escutar a voz maravilhosa do... Vamos escutar a voz maravilhosa do... Vamos escutar a voz maravilhosa do... Vamos escutar a voz maravilhosa do...” Com aquela impostação de comentarista demagogo de telejornal que insiste em trazer à tona, coisas arcaicas como a pena-de-morte, a castração de estuprador. Quando o apresentador radiofônico colocava o áudio para se escutar, acabava a apresentação. Uma coisa ridícula. E o pior, quando se diz profissional e não sabe nada sobre a região, nem sobre o que vai cobrir, é de um descaso gritante. “Eu juro que ainda vou aprender”. A festa acabou este ano e ele ainda pretende aprender que ótimo. Pelo menos restam uns 9 anos de contrato. Dá até para se pós-doutorar. É só ter competência.
Mas não venham com pré-conceitos, pelo o amor de Deus. A outra dizendo que era difícil encontrar uma mulher loura em Parintins, é muito desconhecimento de causa. Apresento cinco, Uma amiga minha, as irmãs dela, uma inclusive ex-sinhazinha da fazenda num dos Bois e a mãe. Tanta mulher loura, sarará, olhos verdes, azuis, amarelados, morenas com olhos agatinhados, brancas com cabelos cacheados, o que quiser. É como chegar no Acre, em Cruzeiro do Sul principalmente e sair dizendo que é tudo loura pintada. Vamos conhecer as coisas primeiro, para depois dar o conceito senão invariavelmente estaremos fazendo preconceito.
Bem, a minha relação com o Boi de Parintins é sui-generis. Nunca participei diretamente em Paris da festa em si. Mas o Seu Calderaro falava sempre de uma festa no interior, em Parintins, quando ainda ninguém aparecera como o pai, ou a mãe da criança. Hoje em dia, tem mais pai do que filho de puta, ou celebridade quando os pais que abandonam os filhos se lembram que existe. Inclusive parintinenses que haviam esquecido que haviam nascido lá, sentem o maior orgulho de dizer agora que são naturais da ilha.
Seu Calderaro, a primeira pessoa influente que vi falar sobre os Bois de Parintins nos dizia, quando nos recebia enquanto lideranças estudantis, no jornal dele. E ele repetia a mesma história, quando visitava e conversava com Seu Clovis, com quem mantinha amizade desde quando estudaram juntos.
EU E O CONECIMENTO DE QUE O BOI EXISTIA
Bem, o Seu Calderaro falava da festa de Paris e eu de vez em quando, quando passava pela Ica Maceió, dava uma paradinha, para ficar com um monte de homens que tocavam umas músicas e que se divertiam. Conhecia-os das bandas de carnaval que faziam no mesmo local. As bandas de carnaval, pelo menos eram mais populares e tinha muita mulher, muitas das quais, gostosas no sentido de sambar, de remexer as cadeiras, coisa que não parece, mas eu gosto muito. Principalmente se der para dar. Der para dar papo para mim. Na verdade aquela reunião, era uma coisa meio chatinha, um monte de homem bebendo. Poucas mulheres. Eu adoro amigos, mas prefiro mulher. Pelo menos a gente pode se abraçar, fazer imoralidades, o que com amigos só o cheiro, já é impeditivo.
Depois o Seu Calderaro sempre dizia que devíamos fazer contrato com o pessoal de Parintins, exatamente dos Bois, para realizarem os trabalhos de consecução do palco e de alegorias do Festival Universitário de Música. Até que não era má idéia. O difícil era fazer o pessoal trabalhar. Um dia estavam com dor de barriga, no outro esqueciam que estavam contratados, no outro o pai havia morrido e eles sempre diziam que iam entregar no dia marcado. Acabava a festa e eles prometendo. Quem sabe não foram eles que ensinaram o Datena?
Então o pessoal que se reunia na Ica Maceió, passou a se reunir no Ministério da Agricultura, em Manaus. Eu passava para casa, mas não ligava o nome à pessoa, assim como não ligava a festa que o Seu Calderaro falava, com o pessoal da Ica.
Depois, o Ministério da Saúde recebeu tanta reclamação dos moradores do bairro de classe-A, por causa dos carros estacionados no meio da rua que não renovou contrato com o pessoal da festa. Passaram então, para um campinho de futebol, onde jogávamos uma peladinha de vez em quando.
Foi um tempo muito bom. Ingresso quase uma pechincha, ficava na porta vendo a ambiência. Das melhores. Era quase sempre um Mané acompanhado de umas 10 mulheres. E quase sempre, o Mané pagava as contas e não pegava ninguém. Eu entrava sozinho, por que sou um Mané diferente. Ficava recostado à uma árvore em frente do palco e recebia convites para dançar com a galera. Eu, um rapaz tímido, retraído, só dizia uma coisa: “Eu não sei dançar.” As moças ficavam tão tristes com o fato da minha inabilidade que me puxavam para o meio de um monte delas, para ficar balançando para aqui e para lá ao ritmo da multidão que não tinha escolha. E eu tímido, com a maior vergonha do mundo. Balançando no meio daquela multidão. De vez em quando, uma bunda na minha mão, uma delas sarrando na minha braguilha que coisa triste. Quem se fazia de difícil na academia, ficava mansa na multidão. Era gente, mas tanta gente que não acabava mais. O espaço já estava pequeno para aquela multidão. Então, esta boca grande, faladeira, não podia ficar calada.
Como saíamos de turma, no dia 6 de julho de 1991, decidi comemorar mais um ano de vida que não gostava de comemorar, num show do Lulu Santos. Pronto Bustela que nunca soube sair sozinho, levou uma turma. Ficamos amigos e saíamos daqui para ali, foi quando falei que aos sábados ia a este furdunço, a essa festa. Todo mundo ficou interessado em ir, combinamos todos, para o próximo sábado irmos juntos. No sábado, 20 de julho, duas semanas depois do meu aniversário, eis que cheguei no horário e lugar marcados para irmos. De repente só apareceu a garotinha caladinha que me tinha sido apresentada no Show do Lulu Santos. Ela tinha chegado de Brasília há pouco e não conhecia muita coisa de Manaus. Serei guia turístico? Ninguém apareceu, só a prima que resolveu não ir também na última hora. Um estava doente, outra estava menstruada, outra desistiu de ir, outra estava estudando... Era tanta gente e no fim, fomos só os dois. Nem precisava se mexer para suar naquele ambiente. Era tanta gente que para proteger aquela moça magrinha, a coloquei na minha frente. Eu conhecia muito bem os amigos que freqüentavam o local. Coitada se a pegam. Até para comprar alguma coisa para beber, estava difícil. Horas e horas na fila, para chegar ao caixa e mais horas, para se conseguir chegar ao balcão. Infelizmente, as meninas que me ensinavam a dançar estavam ao lado, mas ninguém veio falar nada comigo. Não estava entendendo. Pula para cá, pula para lá, de repente, por causa de um beijinho inocente, dois beijinhos, talvez uns três e um amasso, já saí com o estigma de estar namorando com aquela moçoila. Todo mundo já sabia que estávamos namorando. Uma coisa tão natural naquelas paradas e o que era para ser apenas mais uma pegação, durou um bom tempo. Então namoramos de verdade. Daí para a frente nunca mais pude freqüentar esses ambientes impróprios. Estava praticamente casado, só na fase de namoro.
Aliás, esse negócio de beijinho já me causou dois namoros. Parece que beijar menina de “família”, acaba em namoro. Beijar qualquer filha da puta, ninguém liga e acaba ali mesmo, ou numa pimbadinha, mas só tem retorno se os dois quiserem e sem imposição. Dois namoros por causa de beijo?
O BOI AINDA EXISTIA
Depois de anos – cronologicamente falando – afastado dessas festas pagãs, de repente, eu mesmo dancei debaixo do boi. Êêêêê boi!
Então conectando com uma amiga que estava na Mérida, falei que estava saindo sozinho. Então ela falou que a antiga turma estava andando cada um para um lado. De longe, agregou todo mundo. Começamos a sair de grupo. Uma gang enorme. De repente show da Maria Bethânia. Aline e eu – como recomendavam os livros sobre psicologia feitos nos EUA que eu lia quando adolescente: “Sorria sempre. Comece qualquer discurso, palestra, ou conversa com uma piada se possível. Olhe para todos os presentes. Não fique com parado só em um canto do palco.” Em suma, deviam se chamar: “Como ser demagogo em 10 lições. Demagogia. Faça a sua” – a irmã da aglutinadora de corações partidos, resolvemos assistir. Bem, para começar, o show atrasou mais do que o necessário. Na hora em que perguntei da “stwardress”, também conhecida com recepcionista, comissária, atendente, onde havia um toillet, ela não entendeu o que era. Toda fardada com um blazer azul marinho, gola branca e eu tive de refazer a questão e perguntar onde era o banheiro. Ainda bem que ela entendeu, senão teria de perguntar onde era o mijatório, o cagadouro, até ela entender. No meio da platéia, ela deu um grito, não um grito qualquer, pensa num grito, para a outra moça, do outro lado: “Fulana, onde tem um banheiro?” Quase eu perco a vontade de utilizá-lo. O show ainda nem tinha começado e ela já estava dando show com a minha participação, sem nem acertar o meu preço? Tudo estudante universitária. Particular, mas nível superior, era de se pensar que soubessem ser mais educadas, ou menos espalhafatosas. Eu tentando ser educado, falando baixo, perguntando onde era o toillet e ela parecia que era surda, não entendia nada do que eu perguntava, tinha de repetir em voz de alto-falante, toda vez. Eu hein!
Depois do show, como estava de carona, a dona do carro resolveu que iria ao Boi. Como sou muito tímido, para não fazê-la ir de norte à sul, de leste à oeste da cidade, para me deixar, depois ir para o sambódromo, no auge da minha timidez, resolvi concordar em ir para aquele antro de perdição. À muito tempo não participava de uma festa pagã dessas. Estava totalmente desenturmado. Não sabia nem como agir naquela situação. Não sei se coloquei a mão nos devidos lugares. Acho que não peguei na bunda de ninguém, mesmo por que naquele lugar, nunca se sabe distinguir bem a bunda feminina, de uma bunda transgênica, ou genérica. Na saída da minha reestréia, mais confusão. As chaves se perderam. Enquanto a dona do carro foi resolver como fazer para abrir, eu fiquei de cão de guarda. Apareceram uns caras me recomendando sair daquele local se eu não quisesse sofrer as conseqüências. Na minha santa ignorância não entendi nada e permaneci onde em entendia. Depois chegou apoio. Um dos organizadores da festa, conhecido da dona do carro, chegou com a pickup, baixou o banco e ficou dormindo ao meu lado e eu, em pé do lado de fora. Lá pelas 6 horas da manhã, ele acordou com o próprio ronco, olhou para fora do carro e perguntou por que eu estava em pé do lado de fora. A boa educação manda convidar para entrar, qualquer pessoa, o que não aconteceu com a minha pessoa. Queria que eu dormisse no carro. Eu tenho problema de sono. Imagina que o relógio que a minha prima Izabel me deu, só por que fazia tic tac, tirei tudo o que é pilha e só deixei funcionando o barômetro e o termômetro, senão não conseguiria dormir. Imagina com um ronco possante daqueles. Depois chegou chaveiro, bombeiro, macumbeiro, maqueiro e fofoqueiro. Foi uma noite que acabou às 11 da madrugada, sol a pino, num café regional. E os caras que passavam daqui para lá, de lá para cá, na verdade, eram uns amigos do alheio que me confundiram com segurança, não sei por que. Um corpinho de bailarina e uma camisa preta, dizem que estava muito parecido com os seguranças da festa. Uns seguranças chiques pelo menos.
Foi um ano inteiro participando do camarote, sem ter entrado na cota para freqüentar. Não que fosse uma coisa da qual eu gostasse, mas na falta do que fazer, por que não fazer alguma coisa? Afinal, de vez em quando, aparecia até gente bonita, gente mamada, gente totalmente diferente da gente.
Tempos de festa junina as academias tinham como prática, o tal de Aero-Boi. Dança do Boi, com movimentos de ginástica. Sim que eu não me furtei de participar de algumas dessas práticas. Inclusive por que a macharada achava que era coisa de viado e só tinha mulher. Coisa chata. Eu como não me importo em ser macho, fêmea, ou outra coisa, o que importa é o que eu acho de mim, participava de bom grado. E de vez em quando, um agrado. Quando eu tiver dúvida da minha sexualidade, eu deixo de fazer as coisas, por que os outros acham isso, ou aquilo. Por enquanto, sem dúvida, eu faço o que me dá prazer e não me agride enquanto pessoa.
No ano seguinte, participei da quota do camarote e paguei a minha parte. Se desfrutei umas 4 vezes do Camarote do Boi, foi muito.
De novo por causa de um beijo, mas dessa vez não foi no Boi, mas por que estávamos pesquisando um assunto na internet, a gente devia estar olhando para a tela do computador, mas de quando em vez, de vez em quando, quase sempre, olhava para uns cochões, pensava o que fazer com aquela boca carnuda, bem ao meu lado, realmente estava atrapalhando a concentração, então deu a maior vontade de beijar, de abraçar, etc e tar... Cheguei com a maior educação, pedindo licença, como a mamãe me ensinou. Com licença! Fui metendo a língua na maior educação. Acabou em namoro de novo. Ixi que coisinha mais estranha. Vou parar de beijar. Isso é uma coisa que complica a vida da gente. Não dá certo. É melhor que dêem para dar certo, sem precisar beijar.
De novo, pentelhação para não ir a isso, para não ir àquilo, pedido de respeito por causa de um namoro. Ela até parecia o Bernardinho em dia de jogo fácil para a seleção Era um tal de pedir tempo, pedir tempo. E quando via, ela voltava. Num desses intervalos viajei e pensando que estava livre dessas imposições maritais, eis que no meu quarto, não sei como, ela resolveu voltar a namorar. Um a semana depois, pediu mais um tempo e quando tentou reatar, já tinha esgotado os pedidos regulamentares. Uma das últimas vezes que nos encontramos, além das vezes que telefona para conversar e falar que tem um namorado novo, eu estava dançando merengue, salsa, um ritmo desses. Quando dei um selinho na companheira de dança que estava visitando a ciudad, qual não foi minha surpresa. Bem ao lado da pista, a Bernardinho, com uma cara enorme, muito p... Educadamente até fui conversar com ela e com a amiga que a acompanhava, mas ela não quis conversa. Nunca se sabe, não se pode desprezar ninguém. De repente bate um desejo, uma vontade de fazer neném, a outra pessoa em questão está em forma e não se pode chamar para uma luta no tatame, porque acabou em briga, não se falando mais. E eu, como sou educado, escuto os papos, quando ela liga para pentelhar a paciência.
Então o Boi já estava popularizado e estava entrando por um caminho chato de querer ser o axé do Norte. Mania de imitação, ou pior, falta de personalidade completa. As músicas ficaram chatinhas. Parecia música de vai baixando na boquinha da Möet Chandon de F1, vai baixando sem dar um pio e tal e coisa. Definitivamente o Boi estava uma chatice, mas popular.
DISPUTA PELA TRANSMISSÃO
Então as emissoras começaram a transmitir direto de Paris. Globo, como sempre, só passa o que interessa, comprou o pacote, não deixou ninguém passar e dava um flash de vez em quando. Ainda hoje, tem essa mania de comprar pacotes, não deixar ninguém transmitir e também não o faz. É o próprio filósofo grego Empatahphodas. Nem Ford, nem sai de Symca. Então ninguém ser resolvia a transmitir, a Cultura se dispôs. Mas a Cultura do Amazonas, é mais um cabide de emprego do que uma empresa que deseja audiência, que tem respeito pelo público, que se preocupa em ser eficiente, essas coisas assim. Imagina que as pessoas que apareciam no festival, ficavam que nem personagem de Teatro Kabuqui. A cara mais branca do que os próprios protagonistas do teatro, com a mania de focar com o farol, diretamente.
Entrou o Amazon Sat e fizeram um pool. Foi mais um poor. Os defeitos em dimensões aumentadas. Até que a RCC/SBT resolveram entrar na disputa pela transmissão. Mas sabe como é. O dono do SBT, uma pessoa de sorte que teve a sorte de ser dedo-duro e terem inventado uma história do pobrezinho que deu certo, parece a própria música dos Raimundos: Mulher de Fases, resolveu não transmitir nacionalmente. Só flashes. Pensava que era dono da Globo. Um segundo lugar, terceiro talvez, sei lá querendo fazer as mesmas ações empresariais e de Marketing, do primeiro colocado.
Então chegou 2008 e ninguém queria mais se comprometer com o contrato para transmissão de uma década. Acharam muito tempo de contrato e um valor enorme. Sabe empresário brasileiro que quer comprar preço de banana e vender a preço de ouro?
Lembrei da Festa da Colheita, na Colônia Japonesa. A família da minha namorada toda reunida e bem atrás, uma japonesinha que freqüentava o funk. Eu sou um homem sério, nem olhei para a japonesinha. Mas os pensamentos eram piores do que se olhasse. De repente resolvi comer um prato de sashimi e mãe da outra japonesa perguntou o preço: “Caro né?” “E o sorvete que a senhora está vendendo?” Acho que cada bola custava R$ 10,00, há uns 10 anos atrás.
Como ninguém se decidia a fechar contrato, uma rede local jogou a transmissão nas mãos da Band.
Mandou um pessoal despreparado, sem conhecimento, um time amador, até a morte.
Qualquer lugar onde se proponha a trabalhar em qualquer coisa, inclusive em entrevista de emprego, a pessoa tem de se mostrar a par da situação em volta, pelo menos. Mandaram o pessoal mais despreparado do mundo. Chegaram com um bordão que diz muito. “A Amazônia é do Brasil.” Só faltava completar. “Utererê, vão à...”
A AMAZÔNIA É DO BRASIL
Tomara que seja verdade, pois até agora o discurso não acompanha as ações.
Por muito tempo, a Amazônia era mais ou menos, como a lixeira do Brasil, um quintal com o qual ninguém se preocupava. Já que estava, deixava-se ficar, sem cuidado algum.
Pensava-se uma penitenciária para bandidos perigosos: “Manda para a Amazônia.” O pessoal estava sem emprego no Nordeste e no Sul: “Manda para a Amazônia.” Precisava-se de energia, até o projeto do Mac Namara: “Vamos fazer uma grande hidrelétrica na Amazônia que vai suprir a necessidade energética de toda a América do Sul, chegando até os EUA, pois a região não tem grandes riquezas nem capacidade de desenvolvimento.” Faltava alimento no mundo: “Toca fogo na floresta e planta hortaliça na Amazônia. Amazônia, o celeiro do mundo” Manda a gaúchada mais braba para grilar as melhores terras nas BR’s, até nos seringais. Sem contar com os ciclos econômicos, onde quando surgia uma oportunidade de negócios: “Manda todo mundo pra Amazônia.” Afasta o caboclo e o índio das terras férteis, dos negócios da região e dá total segurança e incentivos aos de fora. Muitos, até fora da lei mesmo. No fim das contas, quando a Amazônia vira vitrine, fica muito pouco com os amazônicos, muitos dos quais, apoiam essas idéias miraculosas, megalomaníacas, advogadas por uns seres que baixam de pára-quedas e se arvoram de grandes conhecedores de todos os problemas da região e no fim das contas, esse papo da Amazônia é nossa, é um grande embuste, um grande sofisma. Acaba o Ciclo da Borracha e se esquece o porto de lenhas. Acaba Serra Dourada e não se vê desenvolvimento algum na região. Fica um grande buraco. A Zona Franca acaba com a Cidade de Manaus e regiões limítrofes e o que fica, é muito pouco, comparado com o que ganham. Empresários incentivados da região, muito pouco, a maioria, ligado a políticos. As decisões ainda são tomadas fora do estado, da região, bem distante.As empresas dividem a operação que fica por aqui, do centro de decisão que financia inclusive os times de outras regiões bem distantes. E quando acaba aquele ciclo de riqueza da Amazônia, o Sul e o Sudeste ficam muito mais ricos e os governantes da região ficam de pires nas mãos, mendigando para se ter alguma coisinha para comer.
Não há muito tempo, quando se conectava na internet e se dizia que se era da Amazônia, havia sempre duas reações diferentes.
~ - Where r u from? Where d u leave?
~ - I’m from Amazon. And leave here too.
~ - Oh a beautiful place. Fantastic, enjoyable…
De outra forma, em outra situação:
~ - Onde você mora orra meu?
~ - No Amazonas.
~ - Ixi, no fim do mundo?
~ - Depende do referencial. Eu moro muito mais próximo do mundo civilizado. Tenho o mesmo fuso de Nova Iorque. Quando é verão no hemisfério desenvolvido, é verão por aqui também. Quando faz 40º e, Nova Iorque, por aqui estamos chegando perto. O mapa do Brasil, começa de cima para baixo. Encima ficamos nós, como se fosse um corpo humano e correspondêssemos à cabeça, ao cérebro. Sul e Sudeste, correspondem ao intestino grosso, para baixo, repara no mapa. Então...
Mas isso são bobagens imensas que não se deve levar em consideração.
Vamos ver até que ponto a Amazônia é Brasil de verdade.
Vamos começar com a transmissão do Boi de Parintins. Quando a gente tem respeito pelo outro, a gente se prepara para cobrir as coisas dos outros. Numa visita de um representante do Japão, duvido que não se informe como se deve agir diante dele. Isto se chama respeito. Numa entrevista com o Sarkozy, duvido que não se prepare para saber mais sobre a vida pessoal e política dele. Em contrafeita, mandam seus representantes para a Amazônia e os caras começam a trocar tudo. É boto cor de rosa, é xamã – sim que há uma suspeita de que os asiáticos chegaram por aqui, muito antes dos espanhóis e muito antes do que os portugueses, mas dizer que pajé é xamã, é brincadeira, ou quem sabe, ignorância mesmo -, é... deixa para lá. São coisas muito pequenas para nos importarmos. Vamos ao que interessa. A Amazônia é do Brasil.
A presença do Exército Brasileiro na Amazônia, sempre foi uma lástima. Dizimaram aldeias, tribos, dividiram aldeias no meio, com estradas, sem se importarem com nada disso, abriram a Transamazônica, apesar de todos os protestos contra, estupraram, viciaram e abriram caminho para os catequistas mudarem a cosmo-visão desses povos. Agora estão se colocando contra. São meios esquecidos. E tem gente da Amazônia que ainda fala no Calha Norte. Saudosismo. Mas isso são águas passadas, vamos ao que interessa.
Os índios, ameríndios, ancestrais do Brasil como se queira chamar diferentemente do tempo do Caramuru, não desejam mais só espelho. Índio está fazendo mestrado, doutorado, está aparecendo com competência intelectual, o que muita gente acha que por isso, deixou de ser índio. É como se brasileiro que fala outro idioma a não ser o português, deixasse de ser brasileiro, por isso. Quer dizer, tem índio competente para assumir qualquer função, mesmo as que exigem diploma. O Comando Militar da Amazônia está preocupado com a soberania da Amazônia. Muito bom que isso aconteça. Pelo menos, fazem alguma coisa, antes que o sangue coalhe. Dentro dessa preocupação de soberania, será que estamos vendo a presença indígena nas tropas? Sim, pelo menos em São Gabriel, as tropas parecem vitrinas de shopping, todo mundo olhando, chamando a maior atenção por causa da presença de soldados indígenas. Mas dentro da realidade atual, será que existem oficiais índios? Será que há NPOR’s espalhados pela Amazônia, para permitir a presença do povo da região no oficialato, nem que seja R2? Competência não falta a muito índio, por que só podem chegar a sargento? Bem, vamos deixar para lá, pois se até negro como oficial já é difícil, imagina índio. Não que as Gloriosas Forças Armadas sejam discriminatórias e racistas. Longe de mim, dizer algo assim.
Vamos ver outras atitudes em relação à região, das Armas. Quando mandam seu pessoal para a região, preparam-no para enfrentarem o choque de culturas? O pessoal do Sul acostumado a fazer tudo por baixo do pano: “- Ai tchê, mas que vontade de dar uuuuu... Bah! Deixa pra lá que é pecado. Eu me viro!”. Acostumados a fazerem cara de paisagem quando se fala de sexo, de repente encontram pessoas liberadas, como agem? Saem falando encima de seus conceitos “puritanos”, como se fossem melhores, por esconderem sua sexualidade, ou parecerem espécies assexuadas. Mas isso não importa. Importam outras coisas. Tem sempre amazônida, achando que ser educado, é não ter personalidade e dentro de sua própria casa, ter de mudar de hábitos, por que muita gente vem para cá e quer trazer todos os seus costumes, toda a sua cultura, suas tralhas e até suas manias, ao invés de voltar para onde veio, já que têm tanta saudade, ou se acostumar aos costumes do lugar onde decidiu morar. Duvido que queiram voltar! Mas esquece.
Bem, a Amazônia é Brasil. Vamos ver. A industria naval foi a pique. Antes, o Rio de Janeiro atendia a grandes pedidos e era considerado em primeiro lugar na construção naval. Em segundo vinha o Amazonas. À industria naval do Rio, foram feitos aportes de vultosas quantias em dinheiro, para executar obras de bilhões de dólares. Enquanto a indústria naval do Amazonas ainda amarga uma crise enorme. E segundo a desculpa mais fácil de se dar, é que a indústria amazonense, só faz casco de madeira. Lá venho eu de novo, com a história da industrialização daquele paíszinho que se tornou a segunda maior potência econômica do mundo, um tal de Japão. Seria muito difícil abrir linhas de crédito, financiamentos a longo prazo, estímulos econômicos e financeiros e coação jurídica para mudar a matriz, de casco de madeira, para alumínio, aço, ferro o que fosse? Seria muito difícil incentivar escolas especializadas em Engenharia Naval, Design e Arquitetura Naval, Desenho Técnico Naval? Será que o povo é tão burro que não pode aprender, não pode mudar sua concepção?
E quando se constroem barcos, navios, plataformas e outras coisas dessas, a gente sabe que a economia como um todo, cresce, por que a industria naval tem de comprar dos fornecedores, do isopor, à madeiras. O pessoal envolvido vai girar a economia, comprando coisas novas, a cada novo acréscimo de salário. Os designers e arquitetos vão procurar lojas de decoração e urbanismo, para decorarem cada nova obra e a economia vai se renovando. Mas a Amazônia é Brasil e isso não importa.
Digamos que a região está desenvolvida bastante e de novo não se precise mais da presença do Estado nela. Apesar do número de votos conseguidos para eleger o Presidente da República, apesar de toda a retórica da preservação, fecham postos básicos que interferem na economia de qualquer estado. Que tal voltar com os postos da FUNASA, FUNAI, Polícia Federal, IBAMA, ELETRONORTE e outros, em regiões da Amazônia, inclusive nas capitais que mandaram tudo para o Rio de Janeiro? Deixa para lá. É tudo bobagem. Vamos deixar essas picuinhas de lado. A Amazônia é do Brasil. Só acho que alguém deveria dizer que antes, tem de ser dos amazônidas, para não gerar riquezas de novo e depois, deixar um povo na miséria, enquanto os mesmos de sempre, voltam babeados, para suas terras.
Mas isso vai custar, pois os amazônidas ainda acham que quem chega é que sabe os problemas que enfrentamos e deixam todo mundo fazer o que bem entendem. Talvez um dia, saibam se impor e pedir respeito.
A Amazônia é do Brasil sim, mas antes de tudo, muito pelo desejo de queremos ser brasileiros, do que o esforço do Brasil em nos atender, no manter como Brasil, a nos ver e tratar com respeito.
De resto, sabe o Ford? Vai sifu quem acha que sabe mais do que os amazônidas, caído de pára-quedas de uma terra distante. Quer um exemplo, a Hidrelétrica de Balbina. Os caboclos da região diziam que o regime das águas tinha de ser respeitado, diziam como deveria ser feita e o pessoal de Brasília, alguns amazonenses, achavam que sabiam mais do que quem vivia na região. Olha o que aconteceu. Já nasceu defasada na oferta energética e agora, causando sérios transtornos a comunidades inteiras no entorno. Será que a Transamazônica já não foi bastante?
FESTIVAL FOLCLÓRICO
Fiquei surpreso, maravilhado, com o que vi este ano nas festas folclóricas.
De princípio, a volta dos Bois de Manaus. Quem em criança ia ver os Bois na Praça General Osório, palco de tantos festivais e que os militares chegaram e expropriaram e fecharam a praça, para servir de ginásio e campo de futebol para o Colégio Militar, foi surpreendente, ver depois de anos, uma tentativa de recuperação daquela tragédia que nos abateu e que até hoje não conseguimos superar. A presença militar na Amazônia.
O Corre-Campo que até hoje tenho na lembrança, certa vez quando apareceu com 4 pernas e mexendo as partes. Uma coisa de inimaginável, para a época. Faz as contas, vou fazer em muito breve, 4.8. Eu era criança, quer dizer, faz tempo pacas.
Com o fim da Praça da Saudade, para edificar a arrogância militar brasileira, perdemos o tipiti, uma das danças das que eu mais gostava. Perdemos muitas manifestações culturais. E depois vêem falar em soberania. “Quer me enganar, é?”
Quando existia a Praça General Osório, o Festival Folclórico, era único. O resto, os bois iam dançar nas ruas onde havia festas e eram convidados, na frente das casas, assim como as quadrilhas e outras manifestações culturais. Não que militar não seja culto, mas não parece. Da cultura indígena, passando pela cabocla, até a cultura popular, eles tentam acabar de todas as formas. Talvez uma forma de pensar diferente, quem sabe. Enquanto pensamos com a massa cinzenta, quem sabe, outros não pensam com a massa fecal? E por que não? Cada ser é diferente do outro. Todo o apoio à diversidade, inclusive à biodiversidade e a diversidade de opção sexual.
Bem, agora, o que mais se vê, é dança gaúcha e árabe. Sim que o folclore retrata a cultura do lugar, as tradições que constituíram a cultura geral e é dinâmico. Não podemos descartar a contribuição dessas duas culturas, para a região. Uma imposta, outra vindo espontaneamente. Mas outras culturas além da nordestina também contribuíram e muito e nem por isso se vê uma Dança Hebraica, Japonesa... Os gaúchos estão com tudo, querendo mudar toda a cultura.
Em outro ponto o que restou das quadrilhas tradicionais evoluiu se for possível se chamar assim. É um tal de se pensar que se vai ver quadrilha e no meio, aparece uma tal de steet dance, coisinha chata até como jazz, ainda mais nos festivais folclóricos. Mas como desgraça pouca é fantasia, hoje existe festival em todas as regiões da cidade. E com disputas, não só no Festival Oficial. Mas qual seria o oficial mesmo? Se isso por si, fosse pouco, ainda há uma divisão entre festival estadual e municipal. Ao invés de se juntarem forças e dinheiro para se fortalecer o Festival de Manaus, dividem-se. Deve ser por que deve ser mais fácil para desviar verbas, só isso. Sem contar que as Festas Juninas rompem até o mês de agosto. Deveriam se chamar logo, Festas Trimensalinas, ou Festas Juninas, Julhinas e Agostinas. Pronto. Antes de mostrar desorganização, mostram o descaso com a cultura. Com a cultura que não entre no Teatro Amazonas, ou seja, a cultura popular. A não ser que seja um Festival de Parintins que serve como vitrina e extrapole o nível regional. Aí, aparece todo mundo querendo pagar o Mucilon, para ter visibilidade.
Então no Festival Folclórico Estadual de Manaus, reapareceram os Bois de Manaus, sim que não é de hoje, mas as propostas deste ano, são alvissareiras para quem viu o auge dos Bois.
O Festival de Manaus no quesito Boi, seguiu a mesma linha do Boi de Parintins. Por anos se ficou no dois pra lá, dois pra cá, imitando Parintins que superou Manaus em termos de festa junino. Manaus ficou tão atrelada a Paris que nos três dias de Boi de Paris, as atividades folclóricas da Capital, dão um tempo.
De repente, este ano, o Boi Corre-Campo, entrou com a proposta de reviver as tradições. Ao invés de inventar umas coreografias cheias de frescuras, veio arrastando o pé como se fazia antigamente, com as burrinhas, com a presença marcante da Mãe Catirina e do Pai Francisco que atualmente, deu lugar a Sinhazinha da Fazenda, Porta Estandarte e Cunhã Poranga. Ainda timidamente, dançavam e se apresentavam como faziam os Bois da Cachoeirinha, do Parque Dez, do Seringal Mirim...
Como agora tudo se imita de Paris, o que antes era caminho contrário, hoje os Bois têm até alegorias não comparáveis ainda às de Paris, mas já se mostram em evolução.
Quem sabe se houver um maior aporte de verbas para o Festival de Manaus, poderíamos ter um mês inteiro, atraindo turistas para a região. Alguns dias em Manaus e mais 3 em Paris. Parintins, para quem não sabe o que significa Paris na linguagem regional. São Paulo = São Paulo de Olivença. Mônaco = Manacapuru. Silvers = Silves. Tamanho P = Porrudo _ Enorme. Tamanho G – Gitinho _ Pequeninho. Tamanho M = Mussa. Como diz aquela piada, em que o cara no Baixo Amazonas perguntou: “- Tu és Mussa?” “- Não senhor, sou Abraim. Eu até já fudo.”
Seria uma grande tacada se as autoridades deixassem as arrogâncias, os personalismos bem longe e se aplicassem em construir um planejamento turístico para a época junina.
COMO?
Turismo, antes de planos mirabolantes, requer duas coisas. Vontade política e infra-estrutura.
Com a transmissão nacional do Boi de Parintins, vistoso como se mostrou, é de esperar que mais pessoas queiram apreciá-lo de perto. Justo, muito Justus.
Aproveitando-se da deixa, poder-se-ia chamar, para o Festival de Manaus, desde que os Bois voltassem a ter personalidade própria e não quisessem ser uma cópia dos Bois de Parintins que começaram imitando os de Manaus e passaram a ser imitados pelos mesmos... Seriam duas oportunidades de turismo na região se houver estudo, se houver disponibilidade e se houver diferenças entre os Bois de Manaus e de Paris.
ELUCUBRAÇÕES
Digamos que com a transmissão nacional o Festival de Paris venha muito mais gente para o Festival de Parintins. Ótimo. Mas as soluções em volta?
De princípio, o período letivo dos estudantes que utilizam o Centro Cultural como escola, tem de ser refeito, revisto e modificado, para não ficarem sem aulas, por causa do festival. Cultura e educação, são importantes inclusive para bem receber o turista e se cuidar da cidade para que seja aprazível, tanto para quem nela mora, como para quem a visita. Não adianta querer matar o povo do local de fome, de falta de planejamento e se fazer planos mirabolantes para agradar o turista. Uma região bem cuidada, até se torna mais econômica para a prática do turismo.
Bem, energia para a ilha e para muitas regiões da Amazônia é Brasil, de 18 às 20:00 horas, com intervalo para se recarregar a usina, de novo das 21 às 22:30 horas, um ponto para ser revisto.
Hotéis, pousadas, albergues, tudo ótimo. Mas quem seria capaz de planejar um investimento para durar no máximo um mês e ficar fechado por 11 meses seguidos? Como fazer com que o festival seja apenas uma isca para atrair turistas interessados em visitar a ilha o ano inteiro? Talvez com o Museu do Festival, onde fiquem expostas as indumentárias de cada ano apresentado, com palco para apresentações estilizadas, para não cansar de Boi. Apresentações de atrações incentivadas e propagadas nacional e internacionalmente, como a Expoagro de Paris, a procissão da padroeira e outras atividades que possam ser atrativos para o turismo local. Problema existe, mas secretário de estado está no cargo, não para vender beleza e receber como alto executivo, mas para trazer soluções.
Como chegar à ilha? Eis mais um gargalo. Via aérea e fluvial. Uma é cara para os padrões regionais, outra é lenta e perigosa. Cadê um estudo de um ponto mais próximo, talvez de Itacoatira, de Itapiranga, ou até de Silves, para fazer uma ponte, uma ferrovia, algo dê mais uma oportunidade de se chegar lá? Assim, talvez seja lucrativo, pensar em manter pousadas o ano inteiro no interior. E a Amazônia não é Brasil, custa financiar uma ligação por terra? Se o Canal da Mancha existe e atrai turistas, por que não se pode fazer algo menor na região? A Amazônia é Brasil de verdade?
Existem hospitais, atendimento ao público, esgotos, aeroporto, porto, pessoas capacitadas e voltadas para o turismo? Quanto tudo isso tem como melhorar se o aumento do fluxo de pessoas?
A capacidade do bumbódromo, em caso de maior fluxo turístico, vai ter de ser aumentada, senão vai se cair naquela mania de fazer a propaganda e na hora de entregar o produto, não se estava preparado para a grande demanda e ao invés de se ganhar clientes, vai se perder uma grande oportunidade de negócios. Mesmo por que se o fluxo de turistas aumentar, sem aumentar a capacidade de recepção, o que inevitavelmente vai acontecer, as cadeiras reservadas ao povão, vão ter de ser cobradas e o preço de tudo vai aumentar. Inflação em junho que vai retirar a participação da população e um problema para os outros meses.
Quando a procura aumenta e a oferta se mantém no mesmo patamar, o preço aumenta. Introdução à Economia. Isto se não houver um outro produto que substitua o produto A. Se existir, perde-se clientela e dinheiro e tudo o que se investiu em propaganda, vai gerar lucro para a concorrência. Mercadologia/Marketing.
Como fazer a propaganda do turismo na Amazônia, oferecendo-se o mesmo conforto para o turista e para o local ao mesmo tempo? Hoje, a capacidade do bunbódromo já se mostra insuficiente para a população em trânsito. Hoje, muita gente vai a Paris, para assistir ao festival do lado de fora, em telões. Uma clientela que sai insatisfeita e uma oportunidade em se ter mais lucros, sem precisar aumentar o preço.
E uma coisa muito importante. Chega da Amazônia ser do Brasil, mas na hora de receber os lucros da riqueza gerada, fica-se chupando o dedo, para não dizer outras coisas piores que se chupam por aqui Coisas feitas para não se passar fome, como o chibé.
Nem pensa que chibé, é aquilo que tu pensaste. É apenas farinha, água e açúcar para enganar a fome. O que podes ter confundido, é xibiu, mas tem muita gente que não chupa, com nojo, ou por ser cabeludo.
Como fazer que se utilizem serviços e bens, gerados na própria região para gerar economia para a região? Nesse caso, dez vezes mais a favor de um buffet sediado em Manaus e explorada por uma mineira, do que um buffet sediado no Rio, dirigido por amazonense. Nada contra ninguém, mas uma questão de lógica, de ISS, ICMS de impostos indiretos, taxas e outras contribuições. A sede da empresa converte os impostos para a região onde está localizada. Por que se tem de vir para cá, trazendo tudo de fora? Por que não se deixar um pouco dos recursos trazidos e pouco deixados?
A Amazônia é Brasil sim, mas o Brasil tem de respeitar os amazônidas que vivem nela e para quem devem ser carreados os lucros que gera. Não é possível se fazer um festival em Parintins, ou onde quer que seja e o maitre venha de São Paulo, o buffet do Rio, as garçonetes do Espírito Santo, o contramestre, de Santa Catarina, o frango de Saragoza, o caviar de Moscou e quando se pensa que vai se ter lucros, partem como chegaram e deixam muito lixo, muita destruição, doenças, tudo para o Estado, Município, arcar por conta própria, mesmo que tenha ficado muito pouco de todo o dinheiro que passou.
Quando vamos ter negociadores de verdade que saibam chegar, exigir a parte que nos toca, colocar na mesa a percentagem relativa aos votos que ajudaram a eleger este ou aquele político, colocar o quanto a região trás de visibilidade para todo o país, o quanto trás de credibilidade e ajuda? Ao invés de político dizer que é amigo do Presidente, deste ou daquela personalidade e não se ver revertida toda essa amizade, esse bem querer, em obras, em financiamentos, em desenvolvimento regional?
Eu não me importo se o Fulano gosta do Cicrano, se dá para o Shunda, ou se odeia o Mané. Quero ver como a ação se reverte em dividendos para a região. Falar em planejamento, em Plano Amazônia Sustentável e se colocar nas mãos de um advogado que sabe planejar tanto, quanto eu sei falar russo, que voltou à pouco à realidade nacional, é querer enganar na base do discurso. E de discurso, eu ando cheio.
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