quarta-feira, 2 de julho de 2008

CIRURGIA MÁGICA

Dona Caramélia – anagrama que nem o meu nome. A avó materna se chamava Carolina e a avó paterna, Amélia. Brasileiro é um povo criativo e não gosta de desagradar ninguém. Prefere uns nomes estrambóticos desses. E ainda bem que nasceu uma menina. Imagina se fosse menino e um avô se chamasse Karam e o outro fosse conhecido como Melo, como não seria? Mais conhecido como Pica de Açúcar. Com nomes assim, ou o povo tem personalidade, ou antes do Ford K, conhece o C Ford. E vai se folder -, ficou viúva e decidiu dar um upgrade em sua vida.
Aos 48 anos, queria recuperar o tempo perdido com o casamento. Sim, casamento pode até ser bom, mas é um pé no saco, nem se for quando se dorme junto e a esposa pensa que está jogando futebol e é a artilheira do time. Não tem jeito, é pé no saco.
Dona Caramélia queria voltar a dançar o que fazia antes de casar e o marido não fazia e não deixava fazer. Digamos que não era nenhum Agente 007 que tem como lema: Live and let Leave. Ou seria: Leave ande let Live? Quem sabe: “Lívia, let live.” Sei lá. Digamos que ele não era nenhum Bond, James Bond e eu não sou nenhum Kubrusly. Vamos deixar esse papo de cinéfilo para lá. Mesmo por que aquela cara que todos têm de quem brinca com o ânus, não me cairia nada bem.
Já chega que meu primo veio dos EUA me corrigir o inglês. “- Cú, não é ass e sim asshole.” Sim eu sei, mas fazer o quê? Estávamos em um ambiente cheio de gente. Vai que têm senhoras que saibam falar in English no ambiente e entenda o que se fala? O pior de tudo, se engrace, pensando em dar o seu? Se de frente já é o maior maracujá de gaveta, imagina de costas.
Eu também sei que tem tanta gente queimando a rosca que daqui a pouco vai se chamar: ash-hole já que nas atuais condições de temperatura e pressão, já se está chamando de holy-ass e até de holy-ash. Não dá nem para dizer: Suck my ass, mesmo por que é uma expressão idiomática que eu me recuso a usar, mesmo que seja para denegrir a imagem do outro. Vai que ele suck, minha imagem fica mais riscada do que disco de vinil que fez sucesso antigamente. E o papo nem era in English, era im Deutsch, com um autêntico representante teutônico, sobre como se chama aquele buraquinho mal cheiroso das alemãs. Que em português se perguntaria: “Como se chama cú?” “Fácil. Diz que tem um lugar no BBB, tirar umas fotos pra Playboy, um dinheiro disponível a mais, ou dirige um dos carros do Fenômeno no Rio que eu quero ver que não é nem preciso chamar.”
Dona Caramélia saía toda noite para o forró e não perdia o Clube Municipal no final de semana. Queria ser jovem. Deus me livre! Matriculou-se numa academia e praticava de Body-Fighting a Quickly Spinning Breaking Bones. De “Shaking Arms in the Pool” – academia brasileira adora nomes estrangeiros, é normal -, conhecido como natação no bom português, até Running Afraid the Police, conhecido no Brasil, como puxando o carro que a polícia vem aí, também conhecido entre os camelôs, como: “Olha o rapa!” Aplicava bottox nos lábios, em todos, sem exceção - e quando flexionava as coxas, ficava com a cara da Angelina Joulie com câimbras -. E não satisfeita, resolveu investir no: “Plano D. Saúde D Cara Nova”. O valor da poupança, correspondia a dois partos, um tratamento de câncer com metástase e várias visitas ao odontologista. Imagina se é barato.
Passou por todas preliminares e só não gostou, por que até agora ninguém a comeu. Mas a intenção era outra.
Na sala de cirurgia, o Dr. Astrolábio du Chevallier, perguntou o que ela desejava. Sim que o prontuário do cliente já diz tudo, mas é uma forma do médico se familiarizar com quem paga seus luxos.
- Eu quero ficar bela, como quando era solteira.
- A senhora tem certeza disso?
- Sim.
O médico se retirou da sala e na ante-sala, resolveu trocar toda a roupa. Trocou inclusive a máscara cirúrgica, por uma outra que cobria todo o seu rosto.
Quando voltou, Dona Caramélia perguntou assustada:
- Ai Mr M, o que é isto?
- Eu estudei Medicina, mas vamos ver se eu consigo fazer mágica.

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