quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

WHAT’S UP MAN?

Dia desses entrei num táxi e o motorista como que constrangido, mostrou que não havia som, porque roubaram o aparelho automotivo. Eu disse que para mim, era indiferente.
- Quando eu dirijo sozinho, prefiro nem colocar som!
Não falei que é porque o pessoal diz que eu corro muito, que eu sou quebra-carro, as pessoas falam demais, mas quando chegaram essas lombadas eletrônicas que chamam de corujinha em Manaus, pardal no Rio e por aí afora, constatei na prática o que havia aprendido na teoria. Carro com tração traseira saiu do controle, mete o pé no acelerador, o volante para o outro lado e não tem problema. Ainda estavam em teste e chegou uma notificação para mim: “NO MOMENTO É SÓ UM AVISO DE QUE VOCÊ EXCEDEU A VELOCIDADE PERMITIDA NO PERÍMETRO”. A foto do carro, realmente a traseira ia tão baixa e só eu que parecia encostar no chão. Acho que o limite era de 60km/h e digamos, a velocidade excedida era de 2 vezes mais 60, nada demais.
Primeiro eu não ligo o rádio, porque acho que atrapalha a concentração. Estava assistindo um programa no BandSports e o Fittipaldi disse que não gosta de rádio, a comunicação com os boxes, pelo mesmo motivo. Então eu não sou um pato fora d’ água. E se for rádio com música, ainda pode alterar a forma de dirigir. Heavy-metal e Aberturas que são sempre vibrantes, aí a coisa pega, não da muito certo.
Depois eu não ouço rádio mesmo. As pessoas próximas chegam com notícias de que na CBN, na Difusora, na rádio qual e tal, estão falando isso e aquilo e se depender de rádio, eu estou por fora.
Por algum tempo eu conectava rádio pelo computador. Uma rádio só de música erudita, acho que dos EUA, ou da Inglaterra.
Rádio em carro é problemático. Sempre me lembro quando fui à Salvador e a garota que me deram e com quem dancei um tempo, ficou puta e decidiu pedir carona para o irmão, porque ela estava a fim de fazer saliências e eu não. Então finda a festa, voltamos, a amiga dela, que estava com meu cicerone, obviamente ele e eu no banco de trás. Era madrugada, o ar-condicionado do carro gostoso, uma rádio só com música, sem interrupção, acho que jazz e os dois namorando na frente. Para não segurar vela, nem atrapalhar, coloquei a cabeça para trás e fechei os olhos. Só sei que dormi de verdade, de repente acordei e a moçoila não estava. Cutuquei o motorista e perguntei se ela já havia ficado em casa. Quando olhei na junção dos bancos, a pobre moça estava deitada no colo do nosso amigo. Devia estava morta de sono e como criança, antes de dormir tem de tomar leite. Um desses momentos em que nós queremos enfiar a cara na areia, sumir no mundo. E eu que não queria atrapalhar, acabei atrapalhando, exatamente no momento mais solene. Pelo ritmo, devia estar no fim da primeira estrofe, começando a segunda estrofe do Hino Nacional Brasileiro, acompanhada de berimbau de couro e flauta salgada.
As pessoas precisam aprender a procurar a filosofia das coisas. É sério. O cara vai ao restaurante, tem de ir acompanhado, sozinho parece um ET, eu sei que é comer, mas comer sentado, de outro jeito, vestido. Ao cinema, de ir acompanhado, parece que é proibitivo ir só e tem de comer. Depende do cinema e do filme que está passando, dá até para “comer”, ou pelo menos pegar nos peitos e a calcinha da colega sai toda grudenta, o cara com pipoca numa mão, saco de jujuba na outra, derrama o chá – eu só tomo chá se eu compro alguma coisa no cinema – e mete a mão nos lábios, fica aquela lama, mistura de açúcar, sal, e o líquido que a coleguinha começa a encharcar a calcinha -. Comer se torna mais imprescindível do que o filme em si. Aí vai ao motel e tem de assistir filme de putaria, enquanto aquela porcaria não acabar, não fode. Comer em motel, é muito difícil, porque nossas amigas têm nojo de comida de motel, como se os cozinheiros tocassem umazinha, não lavassem as mãos e fizessem a comida.. Mas já comi coisas muito gostosas, senão, só o Café Continental que muitas vezes é farto. Aí que é para “comer”, o cara perde o maior tempo, até fazer efeito o remedinho, até acabar o filme, até aí e a moça distinta já perdeu a paciência e o tesão decide dormir, para ver se sonha com alguém que queira transar como gente, nem se for em sonho. O pessoal para dar uma pirocada hoje em dia, é preciso fazer tanto ritual que parece que faz parte da Ku Klux Klan. Não tem mais aquele negócio do cara ver uma piriquitinha e já ficar de pau duro, não, tem de tomar, tem de assistir, tem de tirar, tem de postar, tem de... quando chega junto, é a maior ejaculação precoce. Ora bolas! O rito se torna mais importante do que a passagem em si, porque o cara já goza nas coxas.
Um carro, o que se pensa primeiro, é deslocar do ponto A, para o ponto B. O resto é acessório, mas parece que o acessório diz mais do que o deslocamento, nos dias atuais. Desvirtuou-se tudo.
- Porra o Josep comprou um carro com película escura, mandou envelopar todo no ouro, rodas de 22’, magnésio em tudo, som de boite, DVD em cada encosto... Só tem um probleminha. Não anda porque o motor esquenta e os pneus roçam na lataria, teria de comprar uma bateria a cada 2 km, mudar as correias dentadas e desdentadas a cada quarteirão e trocar os pneus de dois, em dois dias, aí fica muito caro. Mas ele leva o carro para os postos e manda ver. A galera fica babando.
Mas o que mais se desvirtuou de seu objetivo, são celulares, tablets, smartphones, essas eletro-informatizadas-bugigangas. Ninguém fala mais ao celular, apenas manda Whats APP e tira foto. O cara não lê nada no tablet, ou tira foto, ou acessa o FaceBroco para ver quantas curtidas. Não que o cara curta e diga porque, como aquelas provas em que o cara tem de marcar a alternativa correta e embaixo, tem de discorrer por que.
1.   Pero Vaz de Caminha chegou ao Brasil e logo mandou uma carta ao Rei, pedindo emprego para os familiares. Marque a alternativa correta e disserte.
a.   Ele era brasileiro e já queria levar vantagem e mostrar que é esperto;
b.   Ele era nordestino e tudo o que faz, tem de chamar a família toda, os vizinhos, os sogros dos filhos, os vizinhos dos sogros e de preferência, transfere o sertão todinho, para a cidade dos outros;
c.   Ele era um grande filho da puta, primeiro por ser português, depois por fazer essas navegações para levar o nome de Deus, como se Deus fosse aleijado e não soubesse levar seu nome sozinho.
Comente:
Que nada, agora são questões fechadas que o cara só faz apertar o ícone, nem precisa pensar muito, vai na sorte.
               Estou fazendo cocô duro. Ai que sacanagem, entupiu no rego, nem entra, nem sai.
Pronto, posta e logo vem um monte de gente. “Curti”. Que merda é essa? Justamente o que se está falando. Um merda que não vai a lugar algum. O cara curte até a cagada alheia. Acho que nem leem, como brasileiro gosta de ser simpático todo tempo, por não ter conteúdo e não discutir por suas ideias, o jeito é mandar bala. Duvido se alguém manda uma mensagem de ajuda: “Peida que bezunta o rego e sai mais fácil!” Eis uma grande oportunidade para abrir uma discussão, mesmo porque na internet, 80% dos assuntos, são merda, então está na média, ou seria, na merda?
Uma vez decidimos sair. A Aline ia dirigindo e passamos na casa da Joézia para pegá-la. Eu estava lendo um livro muito interessante, acho que era de Física, alguma coisa assim, estava num capítulo que faltava pouco para terminar. Têm escritores que fazem uns capítulos longos que é uma porra. Os outros são Paulo Coelho que não têm muito a dizer e fazem capítulos curtos, para os leitores lerem além de revistas com fotos e o rodapé, com os nomes das pessoas.
Durante todo o percurso eu li o quanto pude, quando chegamos à casa da Joézia, ela entrou no carro, cumprimentamo-nos e ela se indignou que eu estivesse lendo na companhia delas e dela principalmente. Tive de acelerar a leitura e passar a dar atenção às pessoas.
Eu sempre lia no carro, mesmo que dissessem que podia causar deslocamento de retina, um monte de coisa. Eu sempre me lembro de pedir carona ao Seu Chico Pedro, o motorista da caminhonete da empresa de Seu Clóvis, antes de voltar, ele passou por uma ruas esburacadas do cacete, eu estava fazendo uns cálculos para a faculdade, de repente no sobressalto do barro esburacado bati com a cabeça no teto e baixou o espírito de Sir Isaac Newton, veio a resposta que eu queria de verdade. O difícil era anotar naquelas condições.
Agora eu leio mesmo, é deitado. E se não tiver incidência de luz, adeus, não consigo ler, apesar da minha visão noturna ser maravilhosa, quase um morcego, mas para ler, só com luz e bastante. Aí eu leio até caracteres em tipo 6. Ontem mesmo, li a mensagem de um sorteio que está havendo de algo que tinham deixado. A letras tão miúdas que eu acho que é para ninguém participar.
Mas agora, queria saber como a Joézia se comporta, nestes tempos pós-modernos, onde as pessoas não se comunicam com as outras próximas, só com o amigo virtual. No mundo virtual, todo mundo é a simpatia em pessoa, no contato diário, é patada para todo lado.
Sim, eu disse ao namorado de uma prima minha que se fosse minha namorada, eu pediria atenção à mim, apesar de nem sempre agir assim. Muitas vezes cheguei à casa de uma ex-namorada, ela estava ao telefone com o ex-namorado do Rio e eu não me importava e para não atrapalhar, ia fazer alguma coisa, até acabarem o papo. Mas eu entendia que eles estavam conversando antes de eu chegar, não seria pela minha presença que ela teria de se comportar como mulher submissa. No resto, dava atenção a mim, até demasiadamente.
Mas as pessoas estão próximas, mas se comunicando pelo Whats APP, pelo FaceBroco,Twitter, o contato olho a olho, a empatia, a coisa de pele que não é lepra nem micose, ficou menor.
Se a rotina do relacionamento, dizem faz o cara perder o prazer pelo sexo, ainda bem que nunca experimentei uma relação assim que fosse rotineira, e eu posso dizer, tive relações mais duradouras do que muitos casamentos, imagina hoje, as pessoas só se comunicando pelas e-quinquilharias. Não conseguem chegar à fase da rotina, mas se esquecem que o outro existe, que numa relação, pelo menos um pouco de atenção é exigida para com quem se diz gostar. Fica todo mundo no seu aparelho, como se o próximo fosse apenas mais um objeto de decoração. No fim, o cara só faz sexo com pílula de ereção, sempre se precisa de coisas fora do nosso alcance pessoal, tudo tem de ser espetacular, não se pode dar uma pirocada e pronto, tem de ser sexo animal, acrobático, as metas quase inalcançáveis, acaba se contentando com sexo virtual. Quando não parte para o sexo rabal, aquele que o cara o está enrabando e ele está ligado em outras redes de relacionamento. Aquele negócio no meio do rabo dele, acaba sendo coisa sem muita importância. Mas rapaz!!!
Será que agora, não foi o que aconteceu no aniversário da Aline, as pessoas chegam próximas da Joézia e ficam cutucando os teclados, ela pede para parar de se “comunicar”, para dar atenção à ela? Havia gente conectada, a maior música, gente de todo tipo, agitação e pessoas ligadas nos amigos virtuais. É uma mania de dar mais satisfação aos outros, do que curtir, que nã seja no FaceBroco. O cara está numa confusão dos Diabos, a coleguinha passa a bunda na cara da gente, a outra coloca a racha exatamente na mão da gente, dependendo do volume, a mão é engolida delicadamente, sem segundas intenções e o cara prefere estar contando aos outros o que está acontecendo. Com os outros.
É incrível que se saia, ao invés de se conversar sobre o momento, cada um pegue sua parafernália eletrônica e tire fotos, faça pose, para mostrar aos outros que de longe, vão curtir. Mas como o ignorante vai curtir, em se tratando de comes e bebes se nem cheiro essas merdas conseguem passar, pelo menos até agora? Parece programa Mais Você que o telespectador vota qual a comida mais gostosa. Como eu vou saber se depende do paladar e do olfato e não se fez nada que transmita isso, senão a presença física das pessoas?
As coisas estão assim, quanto mais superficiais, melhor. Mais consumo. É como uma rede de “relacionamento”, não sei o nome, dessas, tipo Badoo etc., que mostra duas pessoas do sexo oposto ao meu e manda analisar só pela foto, quem é mais inteligente, quem é mais esforçada, quem é mais estudiosa, até, quem é mais bonita. Beleza para mim é a junção de uma série de fatores. A mulher pode até ser muito bonita, mas não engrenar comigo, eu não tenho o menor tesão. Já disse que saí com uma menina que dizia ter sido uma dessas Rainhas do Peladão. Ei estava a fim de melar as partes com ela. Mas no motel, ela deitou na cama, eu que tive de tirar a camisa, a calça, ela estava mais imóvel do que boneca de sex-shop. A boneca pelo menos, já fica com todos os buracos abertos, inclusive a boca. Perdi a vontade, vestimo-nos de novo e fui levá-la para casa.
Imagina hoje onde o cara não paquera mais tendo de correr riscos, tendo de ser atilado, sacar o momento certo, ser cara de pau e deixar a covardia de lado para chegar junto de uma menina que tem vontade de conhecer, tudo se marca pela internet. Toma a pílula de tesão dele, assiste a todos os filmes pornôs, quando é para correr para o abraço, a menina é um zumbi, dessas que de tão castrada e travada sexualmente, por causa de tanta religiosidade, espera sempre do cara que faça tudo, para não ser vista como pecadora. Está mal. O cara também é travado, tanto que só sabe namorar pela internet, imagina a merda de sexo. Aí o que os caras fazem? Vão ao motel, ao invés de fornicar, conhecer melhor as partes dos outros, pegando no cabelo, mordiscando o lóbulo das orelhas, dando aquele lambida nos bicos, nada disso, gastam o tempo todo, consumindo drogas, ou pior, tirando fotos, para “vazar!” na rede, quando estiver muito puto com a cidadã. E os outros lesos ficam babando do lado daqui. Antigamente, ser homem, vinha acompanhado de uma coisa chamada hombridade, hoje, é ser canalha desse jeito e vira celebridade e os outros canalhas virtuais ficam espalhando as fotos que sabem, são de um ato rasteiro e quase criminoso.
- Puxa, olha a gata que o Fulano saiu.
Ele saiu, mas não fez nada além de tirar foto. Mas eu perco meu tempo, mesmo porque nunca gostei muito de foto, ainda mais que eu era clandestino no tempo da Ditadura, foto era uma coisa que identificava muito, podendo fazer um monte de coisas, para mostrar aos outros, quando posso olhar e provar tudo só para mim?
O sentido de tudo está mudando. Travesseiro hoje, não é mais uma coisa que se coloca a cabeça encima e se dorme. Uma vez, cheguei na casa da Acácia e o namorado dela à época, estava fazendo guerra de travesseiro com o filho dela que era criancinha, hoje, a criancinha está maior do que eu, só com 14 anos, calça quase duas vezes mais do que eu, mesmo com erisipela. Travesseiro é munição de guerra. Bem, pelo menos o namorado dela fez uma maniçoba para ninguém botar defeito. Mas ele prepara e quer que se coma, no mesmo dia da maniçoba na casa da Acácia, onde estava todo mundo reunido, principalmente o pessoal dele, por baixo da mesa ele alisava as pernas de um comissário amigo. É muita amizade para o meu gosto, eu estava a fim da aeromoça, mas não sei porque, achei-a meio sujinha, nem com banho de arnica, ácido muriático, sabão em pó e Vanish, acho que era uma sujeira incrustada, referi nem me alegrar. É capaz da Acácia perguntar porque eu não a avisei. Avisar que os outros são baitolas? Fazer como ela fez com o cara que até hoje, fala comigo, ela está do lado, ele não fala com ela e ainda olha com aquele olhar de paredão, porque avisou a Kombi de que o cara era gay. O cara pode ser bissexual, pode querer experimentar outra banda, está decidido a parar com essa tolice de tomar no cu a toda hora, sei lá as intenções do cara, eu vou atrapalhar? Por pouco a Kombi não casa, e o rapaz era todo boa pinta, calmo, do Sul, olhos azuis e a Acácia foi se meter, onde os outros metiam sem dó. E a Kombi estava apaixonada, é como se o cara estivesse morto de fome, deliciando um banquete e o outro chegasse e dissesse que o Chef antes de preparar os alimentos, chafurdou na fossa para encontrar o brinco e nem lavou as mãos, para não perder tempo, só de sacanagem.

Todos os usos que se faz, não são bem para o que se destinam as coisas, mas para outras finalidades. Hoje todo mundo é religioso, não para acreditar num Deus Salvador, mas para ter votos, para não ser segregado, só não se seguem os dogmas religiosos. É tudo para mostrar aos outros, ao invés de se deleitar com as coisas em si. É por isso que se exaurem os recursos naturais, porque as pessoas estão querendo preencher seu vazio, se enchendo de coisas para mostrar aos outros, mas não é bem o que as satisfaz e acabam numa depressão, até o dia em que pensam como vão se suicidar, por não viverem no mundo real. Imagina um povo extremamente religioso, fundamentalista sem se aperceber, com essa outra fuga chamada mundo virtual. Bem, é a alienação completa. A fuga religiosa já não basta, é preciso fugir para a Second Life que na verdade, é deixar de viver, como se faz, quando se acredita no sobrenatural, quando se quer substituir o que existe de verdade, pelo que poderia vir a ser, mas ainda é virtual. E quem ganha com isso? 

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