quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

APOLOGY LAND

Eu digo que no Brasil, a primeira coisa que se faz quando uma criança nasce, é afogá-la numa pia batismal. Meus pais até quiseram me fazer religioso, batizam sem eu nem saber, não me manifestar sobre. Depois temos de ser religiosos, porque estamos batizados. É uma imposição tremenda. É mais ou menos como manter o território, ou uma reserva de mercado.
- Tu fostes batizado, então tens de acreditar em Deus!
Mas eu não tinha a menor vocação para a religiosidade, até fiz a Primeira Comunhão, mas já não tinha nada a ver comigo e Dona Therezinha ainda veio ralhar comigo no meio da missa, dizendo que eu tomava, comia, sei lá como se chama, a hóstia consagrada e vinha rindo de volta, na frente de todo mundo, que eu me comportasse. Nem era isso o que eu sentia, na verdade, como sempre digo, a arte de representar não tem nada a ver comigo, as pessoas estavam se bolinando, estavam pensando em sacanagem, quando o padre empurrava a hóstia em suas bocas, faziam uma cara de compenetração, de sofrimento, sei lá, eu não tenho essa capacidade, de fazer caras e bocas para agradar à plateia, se eu ia rindo, voltava rindo, se eu ia puto, voltava puto, aquela merda não me dizia nada, só grudava no céu da boca, o que era uma bosta e ainda não podia tirar com a língua, tinha de deixar ser consumida com a saliva, o que é um disparate, se o cara acredita que está recebendo o corpo de Cristo, seria de demonstrar júbilo, alegria, satisfação,  então aproveitei o ensejo e resolvi pedir recisão de contrato, mandei o dono do mundo tomar nas ancas e pronto. Só frequento igreja em casamento, missa de sétimo dia de pessoas do meu convívio, ou celebração de algo importante que tem gente que faz tipo e manda celebrar em igrejas, para parecer mais carola do que os outros, o pessoal que não leu a parábola em que Jesus deu chilique na porta do templo e falou sobre a soberba, sobre o povo que faz média com a religião.
Mas eu tenho esse chama para as pessoas verem no meu rosto o que eu nem estou fazendo. Ainda bem que não são tradutores do Itamaraty, senão estaríamos fodidos e mal pagos.
Certa vez, como era costume, no dia do aniversário do Professor Orígenes, sócio majoritário do Colégio, todos tinham de dar um abraço, além de representar uma peça, fazer jogral, cantar, tocar, todo tipo de atividade cultural, para uma coisa que se aprende depois de ser batizado, lustrar o ego. E o pessoal da minha classe, nem vou citar nomes, para não constranger ninguém, para não machucar as suscetibilidades, espalhou que eu abracei o Professor e pelas costas, enquanto ele me abraçava, fazia caretas para o público. Eu tenho a cara que não corresponde ao que eu estou pensando no momento, só se for.
Eu também já dei mancada, por falar o que achava. Uma, foi na pós, quando o Zé Seráfico mandou um grupo para fora e depois, mandou a analisar a atitudes dos colegas. Falei que a Globeleza, minha colega, ao lado da Butel que me pediu para não recitar mais a poesia que eu fiz à ela: “Oh Butel! Butel! Butel! Deixa eu botar no Teo! Butel! Butel! Butel!” Uma coisa que compus de coração, ela não gostou. “Maninho, você pode parar com essa coisa, por favor?” E olha que Butel é um sobrenome francês, mas ela parecia madre-superior de ordem das irmãs enclausuradas, toda cheia de dedos. E esse pessoal muito carola, tem mania de ouvir uma coisa e imaginar outra, completamente diferente. Acho que ela devia ouvir, com sua religiosidade, ou sei lá, carolice: “Oh Butel! Butel! Botão! Deixa eu botar no teu botão! Butel! Butel!” Duvido se não era isso que a mente suja dessas pessoas, logo pensa, deturpa tudo.  
Mas fui analisar a passada de mão que a Globeleza deu na cabeça da Butel que era como se o Cristo Redentor estivesse afagando a parte mais alta da Lagoa Rodrigo de Freitas.
- A Rosária está representando o papel de superior à Socorro, passando a mão na cabeça dela, é isso que tu mandaste representar?
- Não, eu não falei nada, coloquei-os lá fora, mandei entrarem quando chamasse e só, depois veria o que vocês iriam pensar.
A Rosária que certa vez, fomos a um show daquela banda em que o boçal do Toni Garrido era o cantor, Cidade Negra e encontrei a Acácia que estava atrás de nós, e seu namorado à época, hoje, ex-marido e pai do filho deles, com uma turma, o que é natural nela. E depois, fomos a um bar, para conversar e a Acálcia fez que não decorava o nome da Rosária, só a chamava de Rosário, não adianta dizer que era Rosária, ela virava e chamava Rosário. De repente a Globeleza deu chilique. Aos berros.
- Thevis, vou mudar de lugar. Não aguento mais essa mulher jogando fumaça na minha cara, de propósito!
O que fazer? Eu me abstive, todas duas eram minhas amigas, o problema era com elas, elas eram maior, todos, estávamos fazendo pós-graduações, então não devia ter nenhum abestado na roda e eu conheço a Acálcia, menina de colégio de freiras, adora instigar para depois se sair de vítima. Como quando conheceu o pai do Xande, como chama o “filhinho” que está na minha lista de contatos, por ordem e imposição da mãe, tirou-o de uma família da PDVSA, pré-Hugo Chavez, casou, largou-o na casa dos pais, foi fazer o mestrado na Venezuela, depois de anos, acho que no quarto aniversário do filho, chegou e me disse que achava que o marido a estava traindo, porque era professor de idiomas e recebia ligação constantemente.
- O que tu queres? Tu largas o cara em uma terra estranha, um cara novo, no auge da sexualidade, não dás satisfação alguma, depois de anos, voltas e queres que ele esteja te esperando, só batendo punheta recordando de ti? E convenhamos, ele, muito mais novo, até a Tia Ivette o achou lindo, tu não estás na melhor forma física, querias que ele se resguardasse só pra ti? Fez muito bem.
Pelo menos ela voltou à Venezuela, tomou umas injeções que são proibidas no Brasil e voltou com um corpão, pediu o divórcio, mas fazer exercício, eu saía de casa, ia à casa dela para caminharmos, um dia ela queria parar para pegar sol, outro dia, queria analisar a folhinha que nascia na sarjeta, eu me largava caminhando até lá, ela não estava disposta, ainda atrapalhava a minha caminhada, o corpão que foi resultado das injeções, foi embora, nem deixou saudade.     
O outro fora foi logo que cheguei à uma academia. Uma senhora que trabalhava lá, ia passando e estávamos conversando, antes de começarmos a malhar, quando eu chegava cedo, ainda nem estava namorando e pegava minha amiga e íamos caminhar e o pessoal ficava de olho na gente, até a tornozeleira dela que eu usava nos pés, o pessoal veio falar e depois que comecei a namorar, o pessoal falou sobre a minha amiga para a namorada à época e ela tinha a maior raiva da garota que nunca fez nem ai para ela. Eu falei para o pessoal, enquanto estávamos sentados.
- Lá vai aquela velha chata. A filha da puta não tem o que fazer, parece minha sombra, pra onde eu vou, aquela velha fica me marcando, marcação cerrada, homem a homem.
Aí o pessoal atentou, acho que foi até a Minha Velha, ainda nem éramos íntimos, ou a Lene, a única mulher que a minha namorada não tinha ciúmes, até um dia que estávamos dançando, foi eleita a bunda mais durinha de todas, apesar de ser uma das mais velhas, da academia e nosso amigo passar e dizer: “acho melhor vocês pararem de dançar, porque a madame está ali com a cara de muito puta”. A minha namorada não dançava, foi à festa, sem ser da academia, ficou com a fofoqueira o tempo todo e zangou, estragou a festa, todo mundo ficou parado porque ficamos, a Lene e eu, dançando forró, brega, bolero, até música fúnebre, juntos. Mas éramos só amigos mesmo, ela era casada, mesmo que depois tenha divorciado, eu chamava a filha dela que era criança de minha noiva, mas era contra o que ela dizia, que só fazíamos o que ela elucubrava, de “trair” nossas companheiras, porque elas davam muita bola para nós. O pessoal achava que nós tínhamos mais testosterona do que tínhamos de verdade.  “No dia que elas nem ligarem, não ficarem com esses ciuminhos bestas, são vocês que vão achar que estão sendo traídas. Aí vão ser vocês que ficarão atrás delas, de quatro. São lesas!”
- É a mãe da... (A fofoqueira que falava tudo para a minha namorada à época, o que acontecia na academia de ginástica). O que tu tens a dizer agora?
- É tua mãe mesmo?
- É.
- Puxa, mas é uma velha muito chata, é tua mãe, mas continua chata do mesmo jeito. Onde eu vou, principalmente na sauna, ela me segue para saber o que eu estou fazendo? Coloca a cadeira lá dentro pra me vigiar, égua da mulher!
O pessoal ficava vigiando o que se fazia na sauna, por isso que a substituta da “velha chata”, achou que tinha alma, ficou toda assustada. Todo mundo tinha ido embora, ele saiu de repente, quando voltou para desligar, ouviu uns sons: “hum! Hum! Hum!”. Ela não via ninguém, pensou que fosse fantasmas, quando quis abrir uma das portas do banheiro, trancada por dentro. Pegou uma escada e foi “brechar” pela janela de trás. Era uma morena que parecia a namorada do Roger Rabbit naquele filme que misturava cenas reais, com quadrinhos, era alta, esguia, uma cinturinha, um bundão, uns quadris, maravilhosa. A “guardiã de xoxota” foi verificar porque a porta estava fechada, o garçon que malhava conosco, estava devidamente degustando aquele corpanzil, colocando de jeito. Foi a maior confusão, só sei que o garçon e ela, desapareceram, ela só voltou depois de ter filho, já no bagaço, casada e nem foi com o garçon, toda despencada.  A vigia, feia para caralho, não devia ter homem por um bom tempo, resolveu atrapalhar o ato que as mulheres chamam de fazer amor. E espalhou para toda a academia a posição em que estavam e ela os expulsou de vassourada. O pessoal queria saber da história, mas para ficar se contorcendo, imaginando como o cara se satisfez legal. Fez o que muita gente queria e ela só deu brecha para ele. O que tem demais fazer amor? Depois que inventaram as religiões, ficou sendo visto como coisa que nos fez até ser expulsos do Paraíso, coisa suja. Sujo? Mas tem graça, ainda mais hoje, com lenço umedecido, ducha higiênica, Vagisol, spray para todo gosto, chuveirinho descartável, para limpeza... “Sujo era seu vovozinho!” Nada que uma salivada não limpe.
O pessoal queria me deixar constrangido, mas tem mil, da senhora ser mãe da fofoqueira.
Mas quando quebrei os dois braços e depois liguei para essa ex-namorada ir me pegar, para dirigir o carro, pois eu estava todo enfaixado, todo sujo, sangrando, sem os dentes da frente e o instrutor de ginástica que me acompanhou, não sabia nem passar as marchas, ainda nem havia comprado presente, era Dia dos Namorados, ela, depois que brigou por achar que era uma brincadeira de mau-gosto, eu só pude ligar para ela, de um orelhão em frente ao hospital e o professor de Educação Física discando e segurando o telefone: “um dia quando for verdade, ninguém vai acreditar em ti, por causa dessas brincadeirinhas! Parece que não cresce!” “Pode vir que eu estou te dizendo a verdadezinha, eu estou no hospital, todo ralado, enfaixado, não consigo dirigir, tu tens de vir pegar o carro!”, veio de carona com o ex-cunhado, nem precisou saltar, viu a situação, era só pele caindo, sangue por todo o corpo e gesso por todo lado, nem sei onde foram parar os dentes, pegou a chave do carro e resolveu passar na casa da fofoqueira, antes de levar o professor para a casa dele e irmos para a minha. Desde as 18:00h, eu estava esperando ser atendido no PSM 28 de Agosto,  até fiz amizade com uma garota bacaninha que estava com as duas pernas quebradas e ficamos passeando de cadeira de rodas no pronto socorro, ela sentada e eu empurrando por trás, mas a cadeira, somente, com os cotovelos e vieram nos pedir para sossegarmos, até quando resolvemos ficar parado, para conversar, vieram reclamar, só conseguimos ser atendidos, depois das 21:00h, antes, uma garota que era enfermeira e nos conhecíamos, desde o tempo de universidade, acho que ela era diretora do centro acadêmico me chamou para passar um mercuro-cromo nas feridas que estavam expostas e ninguém fez nada. Depois de esperar um tempão do lado de fora, depois de esperar outro tempão para ser atendido, fui, por uma médica de quem fui contemporâneo no tempo de universidade, ela era da turma da Dedéia, da Adriana que de Bandeira, passou a Leão, da Ana, da Tãnia que casou com o Levino e morreu de câncer, da Isabel que era noiva do Chico, de um monte de amigas minhas da Medicina, ela era linda, morenaça e gostosa, uns quadris, uma cinturinha, depois, quando virou médica, nem falou, a única coisa que manteve, foi a arrogância, acho que teve filhos, ficou uma bosta como mulher e assim mesmo, fez merda, tive de ir dois dias depois em uma clínica particular, porque quase perco o braço direito por imperícia, ela chegou e arrogantemente me mandou segurar o pulso direito, com a mão esquerda que já estava enfaixada, “como eu estou mandando” quando ela devia chamar os atendentes do hospital para ajudá-la, dava ordens, como se eu fosse empregado dela, mas, talvez, nem tenha sido culpa dela, mas da anestesista, uma descendente de oriental, paulista, incompetente até a morte, quase quebra a agulha da anestesia na minha veia do pescoço e só depois de muito custo, de muito cutucar, eu estava ficando preocupado é que senti um formigamento nos dedos da mão, a anestesista era ruim que dava gosto, só tinha uma coisa que interessava, dava um caldo, mas eu fico de pau duro para mulher oriental, vai ver que nem era essas coisas, mas se cai de quatro naquele dia, fincaria a tromba. Imagina se ela segue o conselho de outra paulista, também anestesista, daquelas sapatões que coçam o saco, nem se o cara tiver numa ilha sozinho, uma década inteira e ela aparecer nuazinha, não tem peladinha de maneira alguma. Baixinha, mal ajambrada, mal enjambrada, mal vestida, a roupa toda amarfanhada, sem cintura, feia até de se olhar, nem tarado estuprador atrasado, tem tesão por uma mulher daquelas. Se o cara cai de quatro com ela, é capaz dela enrabar, ao invés do contrário. Mas ela ia passando e resolveu entrar na sala de atendimento, devia ter algum caso com a japa de plantão. 
- Um corpão desses, só quatro anestesias? Se fosse eu, daria oito no mínimo.
Ainda bem que mamãe me ensinou a ser educado e eu me lembrei nesse dia, mas deu vontade de mandar aquela mulher-macho tomar no cu, ela só foi encher a paciência, logo minha que era o paciente. Imagina se a anestesista tivesse seguido o conselho dela, perderia todos os membros, inclusive o membro do meio. O pessoal das cooperativas que o Amazonino criou e não tem jeito de tirarem, não dão emprego aos concursados e pagam muitas e muitas vezes mais, por um único plantão. Chegava ao mesmo salário de um Ministro do STF, naqueles tempos, um único plantão de um cooperado desses.
Mas na casa da fofoqueira de plantão e daquela “velha filha da puta” que chegamos depois das 22:00h, todo mundo comemorando São João, acho eu, o santo do dia, nós ouvindo papo furado, deu vontade de urinar e pedi que alguém me ajudasse. Coisa simples, baixar o calção, esfolar a cabecinha, segurar até acabar, dar uma balançadinha e ajeitar de volta na cueca. Simples para quem tem todos os membros funcionando, com os braços enfaixados, até o que é fácil, fica muito difícil, fui testar, não é a mesma coisa. E no caso de tirar a mangueira para jogar água fora, não conseguia, porque os gessos não deixavam o braço se mexer. Entrei num simulador de F1, pensei que fosse fácil, saí na frente, depois de uns segundos, estava atrás de todo mundo, pelo menos, duas voltas depois. Pior do que isso, foi sair, era um simulador exatamente como uma Ferrari de F1, o pessoal que estava perto teve de ajudar, ou melhor, teve de me carregar. Entrar é fácil, sair, sem os braços, duvido. Fazer sexo, testei, só para saber como era, testes diferentes para não perder o hábito, o cara quer abraçar, quer segurar a madame, parece uma coisa mecânica, a única coisa que aproxima, é a piroca, o resto fica difícil, quanto mais se quer chegar junto, mas se afasta. Quando voltei à dirigir, fui até à festa de São João na academia, o pessoal ficou abismado quando eu saí, pelo lado do motora, eu seria o noivo, a Minha Velha, a noiva, estava tudo combinado, de repente a minha namorada e o noivo dela apareceram, a Minha Velha nem dançou a quadrilha, capitulou ali mesmo, acabei “casando” com o professor de ginástica, o cara que a adolescente que era apaixonada por ele e eu falei à ela que ali, iriam fica no zero a zero, ela chorou copiosamente, a noite inteira, pegou o vestido de noiva e se aproveitou da minha inocência. Fui correr, com um braço enfaixado, o outro já estava normal, é difícil, parece que o cara está de lado, sem equilíbrio algum. Mas só fui multado, porque fui resolver uma questão trabalhista, falei que eu assinaria com a mão esquerda, disseram que não havia problema, quando cheguei em casa, tocou o telefone, tive de voltar ao banco, porque achavam que estavam falsificando a minha assinatura e só eu podia resolver, presencialmente. Quando cheguei, o guarda de trânsito me multou, pensei que por estar dirigindo só com o braço, não, é que haviam colocado uma placa numa rua que ninguém anda e, segundo eles, eram vários, eu entrei na contramão. Foi uma discussão danada, pensei que iriam me multar por estar de braço quebrado, nada.
Ninguém, nem o professor que foi comigo ao PSM que fazia o tipo homenzinho que um dia ainda sai do armário, nem mesmo minha namorada que corava, quando falavam alguma putaria perto dela, era uma santa, a casa cheia de gente, ninguém se dispôs a  me acompanhar ao mictório, só para fazer filantropia peniana. Se não fosse “aquela velha filha da puta”, que talvez quisesse matar a saudade, tanto tempo viúva, veio de Sampa para cá, nem assim, nunca mais tinha ao menos visto uma piroca em papel, não, nada de piroca de papel, só em fotografia, matou a saudade. O banheiro era meio escuro, mas senti, com meus sentidos táteis que a velhinha lambeu os beiços e nem lavou as mãos, deve ter deixado para cheirar mais tarde.
- Finalmente Senhor. Quanta saudade! Hoje é um dia muito feliz na minha existência. Obrigado meu Deus!
Fartou-se, justamente o que não queria que as garotas fizessem na academia, ela fez, enfim, sós, só nós dois e um vaso sanitário de testemunha. Deu uma sapecada tão boa que nem pingou na cueca. Ali entende! Como dizia uma amiga minha: “é do babado forte!” Não sei como minha namorada que era ciumenta, ou pelo menos fazia o tipo, não deu chilique, outra mulher pegando no meu membro alviverde pendão da esperança, salve símbolo augusto da paz. Tua nobre presença é só lembrança...     
Talvez com o Professor Orígenes o que tenha acontecido é que eles achavam que eu era forte, toda vez, nos Desfiles da Semana da Pátria, 5 e 7 de setembro no Amazonas que Piroka se orgulha de nunca ter desfilado, como se orgulha de não ter servido o serviço militar, como se orgulha de ter passado batido por um monte de coisas desta vida, quem ia à frente de um pelotão, com um troféu, muitas vezes que pegavam na loja de esportes da família, o Colégio nunca havia ganhado, pelo menos aqueles que eu carregava e além de me mandarem bater o pé direito com força no asfalto, com Conga, ainda era pesado para a minha idade, como certa vez, fui com o Seu Juan, um arquiteto espanhol que veio à Manaus, à Top Lojas ainda no começo, na Marechal Deodoro, onde é uma loja de dois pavimentos no Centro, para ele comprar material de golfe. Eu fui carregar bolas e tacos, naquela idade, eram pesadíssimos para mim, hoje, parecem algodão. Vai que o Professor tenha me dado um abraço forte por achar que eu o era e eu tenha feito careta se fiz, por causa disso, não que quisesse sacanear o Professor, como divulgaram. Eu não sou de fazer as coisas pelas costas, desde criança, não, eu faço pela frente, pelas costas, a única coisa que faço e não me arrependo, é sexo anal, desde que com o cu das outras, no meu, nem de brincadeira.
Foi como na Missa de Sétimo Dia da filha da Dona Regina, minha segunda professora  de piano. Uma fila enorme, na hora dos cumprimentos, como conhecia toda a família, menos essa que morava no Rio, quando eu fui dar os pêsames, a única coisa que consegui falar, primeiro por não saber consolar as pessoas e segundo, por estar com a voz embargada, ela me segurou, chorou, eu já estava preocupado das pessoas atrás de mim, pensarem que eu é que estava atrasando a fila, não sabia o que fazer. Talvez, se vissem de longe, dissessem que eu estivesse fazendo careta, estivesse de putaria e não era, eu estava entre querer fazer a fila andar e com muita pena da situação da Dona Regina que era uma senhora de idade avançada para a época e que me tratava muito bem, que muitas alunas diziam que eu era puxa-saco, a única coisa que ela não deixava, era me ficar muito amigo das colegas, como a Mailce que nós nem podíamos nos olhar ao menos, Dona Regina a fazia tocar, mandava embora, depois de muito tempo é que eu entrava no piano, mas não adiantava, ela me esperava lá embaixo da 10 de Julho e íamos embora juntos, caminhando, conversando, até a mãe dela morrer e a família ir embora, acho que para o Ceará. Só porque eu tinha 20, ela, 17, Dona Regina, achava muito, só 3 anos de diferença. São situações que realmente eu não sei o que fazer. 
Até no Partido eu tinha a fama de fazer brincadeiras, até em horas indevidas. Já falei do aniversário do Levinovsk que eu nem estacionei direito, a Ana Ruth me chamou, para me dizer para eu não fazer gracinhas, a mãe dele morrera no mesmo dia. Eu achei que era algo pessoal, quase vou embora, mas depois, era verdade mesmo. Um raio caiu no meio da Dona Levino. Quando o Partido, o Diretório dos Estudantes, os líderes estudantis, os comunistas, os dirigentes de classe estavam sendo cerceados de exercerem seus direitos, ainda na Ditadura e no Governo Mestrinho, quando não se podia nem chegar perto do Partido, nem do Diretório, para não ser levado preso, os padres da Igreja de São José Operário falaram para fazermos uma manifestação em forma de missa, nas dependências do templo religioso. Havia uma hora em que o padre falava alguma coisa e as pessoas iam à frente, para completar. Não me lembro, mas era algo assim.
- Que Deus esteja conosco para
- O Socialismo!
- Que Deus permita que
- Acabe a Ditadura!
Uma verdadeira papagaiada, mas eu era diretor do Diretório e ficamos na primeira fileira, ao meu lado, a companheira Gina que é canhota e toda vez que o padre fazia o sinal da cruz, ela seguia, eu falei para ninguém se manifestar, nós éramos comunistas, naquele tempo em que comunista não tinha religião, porque segundo a Teoria Marxista, Deus só serve para justificar o estado, as injustiças sociais, essas coisas todas, mas agora que todo mundo faz uma releitura de tudo e sempre de forma tosca, virou puteiro, tem comunista evangélico, como o Governador do Maranhão, Flavio Dinho que acredita que a grande revolução, é fazer a mudança no Céu, ao invés de Deus, Marx, no lugar da Virgem Maria, Engels e assim por diante, e hoje, quando tudo parece que mudou, ou pelo menos, como diz o Slavoj, muita gente jogou a toalha, aliou-se ao capital, sem perder a pose, tem até comunista que bate em mulher como o Netinho de Paula e o Francisco Balieiro, fazer o quê? É por isso que encontrei a companheira Ana Ruth dia desses e perguntei se ela ainda era do Partido e ela está revoltada.
- Um pessoal que só quer se dar bem, só pensa em enganar os outros, eu não suporto a Dilma.
- Mas ela é do PT.
- Mas o Partido é da base aliada.
Revoltou-se! Eu falei, desde antes de “legalizarem” os partidos de esquerda que não daria certo, pelo menos deixassem uma ala na ilegalidade, deu no que deu, Partido Comunista sem poder ser internacionalista, por determinação constitucional, feita pelos fascistas que eram apoio da Ditadura e quando viram as Diretas Já nas ruas, vieram para o lado do povo, só para se manter no poder, locupletando-se, sem oferecer nada demais. Partido comunista que não pode ir às ruas, como sempre se foi, para levar as discussões, nas universidades, nos distritos industriais, nos bairros proletários, tudo se resume à eleição, ninguém muda sistema, dentro das leis, se não mudar e se aliar ao atraso, até hoje, temos visto, as forças do sistema, principalmente o Judiciário, dão um jeito de cortas as asas, seja na Argentina, no Brasil, onde for, se não for de outra forma, vamos continuar marcando passo, deixando entrar, gente que não tem nada a ver com os princípios, só por ter força eleitoral, ou dinheiro para bancar. Acabaram com qualquer tentativa de reunir os revolucionários, que se tornaram legalistas, em conformidade com a lei que vai de encontro aos ditames do Socialismo, justamente, uma extensão da Ditadura, aquele pessoal da Frente Liberal que na verdade apenas colocou os seus nos melhores postos, para que não permitissem avanço algum, com a ilusão de que fomos longe. Já disse, tem muita gente descontente, muita gente que não se adapta a esses arremedos de partidos comunistas, virou tudo PCB pós-Kruchev, da coexistência pacífica que na verdade, era a desistência da luta, uns partidos como outro qualquer, sem grandes discussões, além da mesmice parlamentar de sempre, onde o principal líder no Brasil, dessa asneira, era o Carlos Prestes, subserviente, covarde e aliado da burguesia, inclusive e principalmente, da Famiglia Marinho. O jeito é juntar todo mundo, sem precisar ser legal, na ilegalidade mesmo, comendo pelas bordas, levando a teoria às massas, isolando a turma fascista que hoje posa de democrata, quando menos se esperar, o povo está nas ruas.
Dona Therezinha que estava próxima, queria saber por que eu não havia brigado com a Ruth, por ela não gostar da Dilma. Eu não brigo, o problema é que uns amigos dela que nunca foram democratas, nunca atuaram politicamente, nunca ao menos, aprenderam a debater, ficaram de mal, depois, principalmente, disse que quem apoiou as marchas de 2013, com o intuito de derrubar governo, era fascista, não sabia respeitar as urnas, só era democrata quando era conveniente, então nosso colega disse.
- Então eu sou fascista!
Ele quem disse, ela ficou puta comigo. Uns empresários, uns líderes empresariais que não sabem, argumentar com sindicalistas, têm ódio de pobre, de sindicalistas, de gente de esquerda, de todo mundo, não por preconceito, mas por não saberem argumentar, por não terem conteúdo e diante de pessoas mais humildes, terem medo de mostrarem que são completamente despreparados, vazios. Tem culpa eu? A Ana, eu conheço de longa data, sei que lutou, tem argumentos, pode até discordar, mas dentro de uma lógica e até democraticamente, não são esses que querem ganhar no grito, incentivam que a burguesia vá tirar selfie em passeata, sem reivindicação muito clara, senão de dar golpe de estado e depois, digam que foi só brincadeira. Não foi, até hoje, em todos os países que saíram da órbita dos EUA, há uma nítida tentativa de fazê-los voltarem a ser submissos de novo, principalmente ao FMI. É Bolívia que mais cresce, mas até hoje, dizem que é uma bosta, Equador, Brasil, Argentina, Índia, Rússia, Uruguai, África do Sul, agora, a Grécia que parece, vai voltar a ser soberana, finalmente tiraram os vendilhões do poder, os que fizeram a vergonha de colocar a Grécia, partida da Democracia, da Filosofia, de tudo o que conhecemos hoje que nos afetam diretamente, de joelhos a um grupo de pilantras, tudo nazifascista, como a Merkel, o Juan Carlos assassino, Cameron, inclusive o Obama que não sabe como tirar os EUA da merda e quer levar todos à merda, com o discurso de que os outros é que querem dominar o mundo, quando são eles que usam e abusam da violência, inclusive para colocar seus produtos nos mercados internacionais e fazem crer ao mundo inteiro que os califas da Arábia Saudita, o que foi para o Inferno e o irmão que assumiu, são democratas, são o que há de mais libertário no universo, ao mesmo tempo em que chama o Estado Islâmico, o Hezbolah e outros grupos que lutam pela soberania dos países árabes e até da África Setentrional que têm ligação, de terroristas e faz vista grossa, quando no mesmo dia em que os judeus estavam chorando o Holocausto Nazista, o nazista do Netanyahu mandou bombardear a Síria, o Iraque, o Líbano, todos, sem condições de reagir, desde que os EUA inventaram a tal guerra ao terror, mas que por trás, implicitamente, está a tentativa de conquistar mais terras, para alojar os judeus franceses que depois do ataque à Revista Charlie Hebdo, o cretino convidou para morar onde não tem mais terra para eles, mas os nazistas que tomaram o poder em Israel, dizem que apenas são coitadinhos e vão fazendo até pior do que Hitler fez com seus ancestrais. Que grande democracia é esta, onde os veículos de comunicação noticiam até inverdades e as forças que não são do sistema estão cerceadas de todas as formas, qualquer manifestação, é logo considerada ato terrorista, não têm canal para discordar, para se manifestar, parece que o mundo é singular, não permitem a pluralidade e chamam os outros de totalitários, como atuar só na legalidade? Só se o cara for revolucionário de fachada, vanguarda, conivente com o establishment, seja pago, para fazer crer que ele está certo, quando na verdade, já se vendeu, faz tempo. Em outro momento em que a Democracia estava em perigo, quero dizer, o Capitalismo que confundem muito, enquanto um é do Século V, o outro, do Século XVIII, mas faz parte da proposta, consideraram o Generalíssimo Franco, democrata, o Salazar, democrata, Hitler, democrata que iria acabar com os bolcheviques, Mussolini, democrata, os monarquistas espanhóis que não respeitaram as decisões das urnas que elegeu os Legalistas Republicanos, democratas, Pinochet, democrata, o golpe de 1964, democracia, o de 11 de setembro de 1973, democracia, o Apartheid de 1962, democracia, ou seja, ou sempre se enganam, ou querem fazer o povo de besta. Eu aposto na segunda tese. As bases já ruíram se eles permitem a livre manifestação que não seja só de otário  fazendo selfie que quando aprendi me disseram que self é ego e o sufixo ie, diminutivo, ou seja, uns egozinhos de merda que só não diferem de nada, dos que fogem da realidade e até de si, com religião, ou drogas, ou ostentação, ou o que puder fazê-los acreditarem que são a Rapunzel e o Super-Homem e apartarem da realidade, inclusive a sua que nada os preenche, por serem vazios, por princípio. É só... tudo se resolve, mesmo sem a intervenção de ninguém. A Mão de Deus!   
Mas eu falei à Gina dentro da igreja, se queria se manifestar que pelo menos respeitasse os ritos, para ela rezar, pelo menos como devia. Ela fazia o sinal da cruz, com a mão esquerda, estava uma putaria tremenda, eu preferi só sentar e levantar, quando o padre mandava. Ela só faltou ter um filho.
- Não é hora de brincar!
- Eu não estou brincando, eu estou te dizendo que se tu queres posar de religiosa, que faça a coisa certa, pelo menos.
A mão esquerda para as religiões é um pecado, todo o que seja de esquerda, é do mal. Canhestro, esquerdo, canhoto, desazado, sinistro, desastrado, tudo isso, é coisa do Diabo, do pecado. A coisa de Deus é a estupidez profunda. Se Eva quisesse se manter idiota para sempre, até hoje a humanidade estaria no Éden, está lá no Genesis. A mulher submissa a seu dono, o homem, a natureza sendo degredada que Deus faria tudo de novo, o universo girando em torno da Terra, os dinossauros sendo caçados pelos filhos de Deus, em suma, a perfeição, como o Céu a perfeição que pregam, é a morte, o imutável. Sempre a mesma coisa, todo mundo com uma parreira nas partes, nunca iríamos conhecer a Revolução Sexual, o Feminismo, o anticoncepcional, o pré-natal, todo mundo na maior ignorância possível e os anjos fazendo pesquisa de satisfação.
- E aí idiotas? Felizes?
- Uga buga! Felizes para sempre!
- Falta alguma coisa mais?
- Só um pau de selfie, porque como ninguém descobriu o Viagra, sublima-se com o pau dos outros, quando os dos idiotas não satisfazem!
Dia desses, encontrei a Tárcia e a Dona Therezinha no shopping e conversando, a Tárcia, como a Acácia a chamava, a Rainha da Agronomia, desviou a atenção, para mostrar a merda desse pau de selfie na vitrina. Só bobagem, reclamava que estava gorda, quer fazer uma bariátrica.
- Porra Tárcia, vai fazer exercício.
- Mas eu faço e estou gorda.
É que eu sempre respeitei a Dona Terezinha, a mãe dela, mas se ela fresca, só nós dois, como ficávamos no alojamento da sauna, eu iria dar uma exercício que emagrece, tira barriga e ainda mete o que tem de ser colocado de jeito.
- Vai se foder Tárcia!
Só tem de tirar a barriga, dá para colocar por trás, ficou até mais amplo, ela fica se fazendo de garotinha, já está próxima dos 100 anos, quer frescar. Pau de selfie na prorrogação do segundo tempo, está para entrar na menopausa, como somos amigos, bateu fome, faz uma dieta com o meu pau que não é de selfie, mas se bem ordenhado, dá para tirar, não foto de um monte de babaca sem conteúdo, mas leite, do produtor ao consumidor, sem atravessador, mas podemos atravessar se quiser, duvido se não emagrece. Só na batráquia, a perereca atômica. É só a barriga, o resto, dá um caldo, se colocar arroz, uma canja, quer fazer bariátrica, pessoal que só sabe fazer as coisas na lei do menor esforço. Chama o Tchê! Aliás, o gaúcho, acho que passou todo mundo nos peitos, quando veio estudar em Manaus, porque o pessoal fica queimando a rosca, dando curto no bocal e o Rio Grande do Sul vive incendiando, o pessoal da Uni-Sinos veio todinho, por causa de mais um incêndio no Sul deles. Dizem as más línguas que até a Tárcia que fazia o tipo Pocahontas desambientada, entrou na roda. Sei lá, para mim, era todo mundo virgem, a Kombi, a Geovana que também malhava comigo e pegava carona, a Eglayr, todas fazem o gênero virgem desesperada, nem toquei, principalmente a madre da Eglayr que para piorar, namorava um cara que virou padre e nos conhecemos no NPOR, acho que é virgem até hoje, para não ficar de mãos abanando, dei uns “pegas” na irmã dela, enquanto o marido ficava tocando bateria, a gente ficava brincando de esconder. A Acácia me diz agora que era tudo mascarada. E eu acreditei! O Tchê passou o rodo! Enquanto o outro gaúcho, amigo de Tchê, era o próprio Filósofo Empatahphodas. Eu queria sair com a Ana Luisa, ele não se decidia, ficava naquele chove não molha, atrapalhava para cacete, nem Ford nem sai de Synca e ela ficava indecisa, esperando que ele dissesse alguma coisa. Parece a piada do caboco que reclamava que as mulheres não o queriam por perto. Então o cara perguntou como ele chegava.
- Vamo foder?
Foi para o interior do Amazonas e se fartou. As cabocas respondiam logo.
- Puxa, quanto romantismo! Demorou hein!
Só me lembro de uma colega mineiro na Economia que falou que quando chegou à Manaus, passou um bom tempo, só esticando o couro na mão. Ele saía com uma garota, da outra vez, não queriam mais sair com ele. Relatos do próprio, não sei se condiz com a realidade. É como o meu colega de Exatas e de academia que diz, chegou em Paris e perguntaram a ele se faziam sexo no meio da rua. Ele respondeu que não éramos cachorro, mas pensou consigo: “chega perto!”. Mas então meu colega mineiro, disse que finalmente uma menina falou o que estava errado com ele.
- Tu sais, não comes, nem um amasso nada, vais ficar na seca pra sempre.
O Tio Sylvio dizia que a caboca, quanto mais dizia NÂO, queria dizer SIM.
- Ah, não! Não! Não! Bem...
É como a piada, aliás, a única piada que a Dedéia contava.  Cara chegou com a caboca e falou.
- Mariazinha, tira a blusa pra eu ver.
- Tu é leso Zé?
- Tira o soutien pra eu ver.
- E tu é leso Zé?
- Levanta a saia.
- Tu é leso Zé.
- Tira a calcinha.
- Mas tu é muito leso Zé.
- Eu posso colocar?
- Num é que tu é leso mermo Zé?   
Quando era adolescente e ia ao Rio e à São Paulo regularmente, semestralmente para me consultar com psicólogos e psiquiatras, descobri, ou melhor, as psicólogas de Ipanema descobriram que eu era canhoto, quando me mandaram lançar uma bola de cada vez, com uma mão trocada.
- Mas ele tem mais força com a esquerda!
- É.
Interveio Dona Therezinha.
- Ele era canhoto, mas a professora o fez escrever, fez com que ele fizesse as coisas com a direita.
Questão de pecado, de imposição, quando mascaram como amor de Deus. Mas ou menos quando se fala nos campos de concentração nazistas que os judeus se arvoram a dizer que foram as únicas vítimas, e, pior, em maior quantidade, quando na verdade, foram os comunistas e eles, como os evangélicos de hoje que juntam tudo para dizerem que são muitos, misturam os corpos de comunistas, bah’ai, ciganos, testemunhas de Jeová, negros, imigrantes, socialistas, anarquistas, num saco só que parece que tinha mais judeu em toda Alemanha, do que houve em todos os tempos. Não é querer dizer que não houve Holocausto, mas é não deixar que uma mentira leve à outra e outra e as vítimas se tornem algozes, contando e se valendo de falsidades.
Mas com disse antes, depois do batismo, e de se aprender a lustrar o ego, the last but not the least, a terceira coisa que brasileiro aprende, é a dar desculpas. Pelo o amor de Deus. Segunda-feira recente passada, no jornal da Record, reproduziram uma entrevista com o Netinho de Paula que quer voltar a fazer pagode, o único estilo musical que não existe diferença entre ruim, mais ou menos e bom, é tudo péssimo é uma coisa de paulista e mineiro metido a sambista. Mas o que o cara dá de desculpas, tudo é culpa dos outros, sempre. O fato de ter esmurrado o Vesgo do Pânico, à traição, ele diz que não aceita racismo. Mas não foi racismo, só se mudou para ele. Eu me lembro muito bem. O tal de Netinho de Pau, anunciou que iria ter uma empresa de comunicação, uma televisão que iria abordar temas dos “mano”, só sobre negros. O Vesgo perguntou, “inocentemente”.
- Você vai abrir o canal pra todos?
Eu também tenho essa suspeita, ainda mais homem que bate em mulher, casa e descasa muito, é problema psicossexual, falta apenas um empurrão para ele pegar no tranco. Até o Irú, num discurso no Cemitério, no meio de um monte de gente, falou em alto e bom som.
- O Aluízio foi quem me colocou no canal!
Depois perguntei se ele havia se tocado. Queria dizer que o primo que era da Polícia Civil, delegado, ao vê-lo formado em Direito, deu acesso para que fosse bem posicionado na profissão, deu as dicas e tudo o mais.
Ao perguntarem sobre o fato de ter agredido a ex-esposa, a culpa foi da traição dela. Sobre o fato da família da atriz, Tais Araújo não querer o relacionamento dela, com ele, a mãe dela tinha preconceito, porque ele tinha filhos, era novinha. O caso de ter agredido a aeromoça, não foi ele quem agrediu, ela mesma quebrou o braço, fez hematomas no corpo todo, para ganhar fama com ele. Sobre tudo, sempre são os outros, ele é uma santa.
Agora, quando se fala em estiagem em São Paulo, o Governador e o partido no poder há 20 anos, diz que a culpa é de São Pedro. Convenhamos! E a única alternativa, é tirar água daqui para ali, de lá para cá, mas se existe estiagem, vai faltar água. E diz o Governador, metido a esperto.
- Temos de esperar chover.
Tonto, amigo do Cavaleiro Solitário, vamos fazer uma equação rapidinha. A chuva não aparece do nada. Hoje se chega à conclusão de que a Floresta Amazônica, não é o pulmão do mundo, que é função do mar, mas o que regula o regime de chuvas de todo o planeta. Então, a floresta gera umidade, que forma nuvens, das nuvens cai chuva, as chuvas caem nos recursos hídricos e fica uma círculo frutuoso, um dependendo do outro. Mas se não existem mais florestas, ainda se incita que se acabem as que ainda resistem, não tem mais recursos hídricos, meu caro Coiote do Beep-Beep, como vão se formar as nuvens? Do nada? Milagre de Deus? Se não começarem a reflorestar, a dar capilaridade aos solos, plantar mata ciliar, deixar de ver os recursos hídricos, como fossa a céu aberto, aumentar o leito dos rios, mesmo secos, compactar a terra, com plantações, nem se for de grama, dentre tanto que se tem de fazer, nem se Deus quiser, nem mesmo assim jumento, vai chover idiota. Parece que a chuva se forma por ordem do divino. As nuvens podem vir até dos Andes, encontra uma região inóspita, ao invés de gerar chuva, vai se dissipar, dias e dias, sem nada e quando as chuvas caírem, o solo não tem condições de manter a água no leito, está esturricado, está como solo de deserto abetalhado, passa batido, tipo, quando vinha de ônibus de São Paulo para o Rio e o ônibus parou em Resende, acho eu, em frente às Agulhas Negras. Não havia papel-higiênico, nada, eu estava com trovão no estômago, o jeito foi arriar o barro ali no restaurante mesmo. A única coisa que tinha, era caderno universitário, aqueles 10 em 1, 200 em 1, mandei bala, quando acabou, passei o papel. Parecia o solo de São Paulo, quando enfrenta uma chuva. O papel é tão liso que nem suja. O jeito foi me vestir e esperar que não fedesse, até chegar ao destino final. Fica um pessoal que sempre pensa que só eles são inteligentes, dando umas desculpas de merda, ao invés de procurar soluções de verdade. Como disse o rapaz que deu uma resposta a um idiota que colocou na internet que as aeromoças da Aerolíneas Argentinas, não eram mais as mesmas de antigamente e a resposta foi simples: “Preconceito não levanta voo!” É como discurso, não resolve porra alguma.
O Brasil, tem de mudar, inclusive a matriz energética, chega de tanta hidrelétrica, estão acabando biomas importantes, porque se tem medo que a população não aceite ter de ter consciência, deixar de ser adolescente para todo o sempre, irresponsável sobre seus atos e cresça, ao invés de jogar tudo nas costas dos outros, assuma a sua parte.
Não, no Brasil, todo mundo espera que alguém faça, a única coisa que se faz com muita competência, é dar desculpas. Os cronogramas de obras já são obsoletos e ainda assim, atrasam, para ter adendo ao projeto original e todo mundo pensa que é o normal. O cara fica se escorando nos outros, depois vem com o discurso que é pobre, é perseguido, é preto, é filho de puta, é rico, é judeu, é imigrante, é local, é ateu, só não diz que não faz, por falta de querer crescer, enquanto cidadão.
Mas a maior desculpa dos últimos tempos, é estar faltando água no Sudeste do Brasil, para mim, consequência sim, do aquecimento global, da crise ambiental, como queiram que as grandes corporações não deixam que se discuta, mesmo que no futuro próximo dê a maior merda, tudo no extremo, como sempre se disse que seria, quando a natureza mandasse a conta, frio de temperaturas baixíssimas, calor elevadíssimo, raios descontrolados, mares subindo, furacões que parece que estamos naqueles planetas mais distantes e grandes que são diuturno, mas ainda tem gente dizendo que é assim mesmo, tudo é passageiro, menos o cobrador e o motorneiro. Continuemos, depois não digam que o Céu é perto. Isso, eu já falava nos anos de 1970, nos anos de 1980, era ativista e diziam que era tolice, Deus é grande, mas até o Long Dong que era maior, morreu, olha a merda. E ainda assim, jogam as águas servidas de qualquer maneira, ainda para rios, mares, até cachoeiras, como em Presidente Figueiredo, ainda se pensa fazer PROSAMIN em Parintins, parece que as pessoas não acreditam. Eu sempre digo, acreditar, é em Deus. As coisas do mundo real, têm dados que nos baseiam, ou não. Agora, estão invadindo os leitos dos rios secos de São Paulo. Os pobres, porque os abonados já invadiram o que deveria ser a mata ciliar, faz tempo e até hoje não se fez nada. O que fazer? Conhece trator? Dá um prazo de 24 horas, pronto. Enquanto não acabarmos com a mania do bloco do eu sozinho, todo mundo sempre tem um argumento para se dar bem sozinho, ao invés de se pensar coletivamente, vai ser difícil governar, ou ao menos dar um rumo a um país, onde todo mundo acha que o eu, é soberano. E pior, ainda se tem muito claro os conceitos da Escravidão, só que agora, todo mundo pensa que só ele é da Casa Grande, quer tudo de mal para os outros, porque pensa que a Senzala está distante de si.
A coisa está ruim, mas ainda aparecem uns broncos metidos a muito espertos, para tirarem uma casquinha, mesmo que as consequências posteriores, sejam péssimas, para todos. Já passou a hora de vermos o planeta, não como algo que todo mundo pegue o seu sozinho, mas como um lugar onde se não houver ordem, não houver planejamento, nem a discussão coletiva, só tem uma coisa a fazer. Quem acredita em Deus ir à sua igreja e orar para ser aceito no Além, porque aqui, na face da Terra, só bicho escroto é que vai ter. E olhe lá se a vida resistir, antes do planeta se esgotar, por uma visão egocêntrica de que o sobrenatural fez o universo para o homem e pode fazer todo tipo de merda que ainda tem imbecil, achando que vai vier eternamente.
Eu sempre digo, o GreenPeace nasceu no Canadá, além de ecológico, pacifista, mas havia um grupo que eu sempre acho que se chamava Primeira Linha que tratava as questões ambientais com outro foco. Ou faz, ou se lasca. Não dá mais para aceitar desculpas, quais forem, eu sou bicha, eu sou macho, eu tenho sífilis, eu tenho bunda grande, eu sou de Deus, eu sou do Diabo, não interessa, ou nos salvamos a todos, ou nos fodemos juntos, mesmo que o Capitalismo queira nos fazer atômicos, com pau de selfie o caralho a quatro. O único pau que nos serve, é a porrada contra o pensamento do egolatria que serve para o consumismo sem fim, fazendo um monte de gente anencéfala, com a tal de obsolescência programada, enquanto ao vida em si, está se esvaindo, desvanecendo e o pessoal fazendo pose. 

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