domingo, 13 de setembro de 2015

CADERNO 3

TESTE OLÍMPICO
TERCEIRO CADERNO
2 DE AGOSTO DE 2015
Mais uma vez, o Rio de Janeiro é Brasil.
- Pai nosso que estás no Céu, tende piedade de nós! Deixe de putaria!
 Os Jogos Olímpicos de 2016 chegando e o Rio, com sempre, parece um grande caos que não condiz com a imagem cosmopolita que sempre querem nos passar. Mas para os padrões contemporâneos, o Rio é hype. Eu ainda prefiro a Hope que a gente tira e pode comer dos dois lados.
Capacidade de obras, pífia, mas muita publicidade, muito bairrismo, em sua volta.
Fosse uma pessoa, o Rio seria uma Paris Hilton, um David Brasil, algo assim, celebridade com milhões de seguidores e nada do que apresenta, é consistente, que dure mais do que uma postagem banal e até sem sentido, só para chamar a atenção. A celebridade pela celebridade, vazia até de sentido.
Ma estamos aqui, cobrindo os Eventos Testes para as Olimpíadas 2016, no Calçadão de Copacabana que foi um assalto à mão armada em relação à calçada de São Sebastião em Manaus, no Ciclo da Borracha que já era imitação das Calçadas Portuguesas feitas de pedrinhas, mas não com o desenho em forma de ondas. Nessa época, os Barões da Borracha contrataram a importação das pedras portuguesas para ladear e ladrilhar o entorno do Monumento à Abertura dos Portos, quando o Brasil abriu as pernas para a Inglaterra, no Século XVIII, ou XIX e o Rio era Capital Federal, quando o Brasil não ia para frente, nem com supositório de nitroglicerina entupido. E por isso, os políticos do Rio, acharam por bem, desviar o carregamento e até o desenho, para Copacabana, que era uma alusão às ondas das rotas de navegação.
Mas agora é festa, como tudo no Rio, pelo menos na imagem que se tenta passar ao mundo. Fosse comparado à uma família, os pais dormiriam em quartos separados, cada um com uma amante, os filhos desagregados, o mais velho miché de biba, para pagar seus luxos, a filha, prostituindo-se para pagar suas drogas, o mais novo, tomando champagne desde cedo, na mamadeira, cada quarto da casa, uma região em beligerância com todas as outras, os cômodos em comum, como a cozinha e a sala de estar, uma verdadeira pocilga, móveis em péssimo estado de conservação, um verdadeiro bordel sem leão de chácara, nem regras, mas na hora da foto para a coluna social, ou um selfie para a rede social, todos juntos, com trajes impecáveis, os pais abraçados, cheek to cheek, a família irradiando felicidade e amabilidade entre seus membros e os sorrisos reluzentes. Só ao amantes e os clientes é que ficam esperando acabar a encenação, para poderem desfrutar de seus pares. O Rio, fosse uma mulher atual, seria a Urach, aquela mulher que era toda artificial e que hoje, vive artificialmente, dizendo que é de Jesus, para continuar na putaria, desta vez, vendendo livro de putaria, onde diz que se converteu. Mas se oferecerem R$ 100,00, ela topa e faz serviço completo, barba, cabelo, bigode e até depilação no reto. É tudo imagem.
O Rio é assim mesmo, de maioria católica, mas que faz sua fezinha no Candomblé, na Umbanda e em dias especiais, procura umas respostas para problemas mal resolvidos, em sessões de Mesa-Branca. Melhor jogar em todas as posições, do que ficar na reserva. A isso se chama de pragmatismo arrivista, não interesseam as consequências, o que interessa é se dar bem.
As areias de Copacabana estão lotadas, um público ávido em ser notado, mais do que os desportistas sem noção. É como se o Rio fosse um eterno reallity-show, sem a voz do Brito Jr, nem do Pedro Bial. No máximo se escuta um “filho da puta”, “pega ladrão”, “corre cara que lá vem arrastão”. É sanduíche natural, é mate gelado, é picolé no palito, mas o que mais se consome, é bala perdida. Todos se acham o artista principal. Todos vestem uma personagem, não só no sentido figurado, na real vestem até melancia para chamar a atenção mesmo e têm seu chavão, quem sabe, acabe sendo adotado pela Globo. É o próprio circo na lona. A periferia vive pior do que no Norte e no Nordeste do país. O Rio é só fachada.
- Do asfalto doutor! Zona Sul e Zona Oeste.
A meta é se destacar na multidão. Tanto que alguns representantes mais ilustres do Rio, é o Macaco Tião, em memória, Kid Bengala – que deixou muita gente em péssimo estado da Guanabara e mostrou a leveza do ser -  e agora, os representantes se vestem como personagem de época, da época das cavernas, da Idade da Pedra, essas épocas e os mais ilustres representantes fluminenses, são Bolsonaro – que na representação do RPG, seria o Cavaleiro do Mundo de “Tresdonte” -, fica até difícil saber se age assim, para propagar sua imagem que além disso, não tem nada que se aproveite, ou se é falta de testes psiquiátricos no Exército Brasileiro que nos proporciona figuras desse tope. Outro representante fluminense, o ilustre Pastor Deputado Eduardo Cunha que se fosse do jogo de PRG, seria o Mago da “Demagogília” – uma terra onde a hipocrisia é moeda de troca -, completamente sem nexo, com o olho junto, fora de tempo, tudo o que faz, é para angariar simpatia de seus eleitores sectários neopentecostais. Antes de eleito, era pastor de mulas, quero dizer, de cordeiros de Deus. Me livre pelamor do Santíssimo!
Volto a repetir, as areias estão lotadas, como estamos na baixa estação, diferente de Ibiza onde são férias de verão, infere-se que nas areias, para se mostrar aproveitando os Eventos Teão, infere-se que nas areias, para se mostrar aproveitando os Eventos Testes, a grande maioria, seja de carioca, ou de fluminense. Vascaíno, botafoguense, flamenguista, do Estado do Rio.
Poucos são os que estão ligados realmente nas competições, a maioria está se lixando para qualquer evento em si.
De repente alguém chega à praia e diz que ouviu no rádio do carro, que o Fernando Henrique criticou o Obama e isentou a Angela Merkel em relação à crise. De repente toda a praia estava discutindo encima disso. Em segundos entrou na lista dos  2+ dos trend tropics. Não interessa a veracidade dos fatos, interesse dar sua opinião, mesmo sem base em nada.
Na internet parecia MMA sem juiz. Uns apoiavam, outros metiam o pau no Obama, outros - meter o pau na Merkel, só sendo tarado e com dez anos sem ver mulher – diziam que a culpa era da Merkel, aquele pessoal que quer aparecer sendo o primeiro a postar qualquer tolice, sem critério algum, tão somente para ser visto como quem deu o furo, para a posteridade.
Crime na areia. Felisberto matou a tiros, Germano, por causa do desdobramento da notícia. Fala-se muito em democracia, mas não se admite que haja um discurso diferente do seu.
- Ele disse que o Mourinho criticou Emerson Sheik  e disse que a Marta é muito mais macho. Fiquei puto e saquei a arma. Desgracei minha vida, por sempre querer dar respostas imediatas, ser adepto ao imediatismo.
Não se pode mais esperar chegar em casa para responder um telefonema, é todo mundo muito importante, tem de ser tudo na base do Just ‘n time. Ou, pelo menos gostaria de ser tão importante quanto se credita. E ao invés de ter ideias próprias, vestem-se de estereótipos.
Foi preciso anunciar no sistema de som, que a notícia original, era de que FHC tinha dado uma entrevista à revista Kapital da Alemanha e culpava o Lula pela crise que está posta. Isentou de culpa, a Dilma a quem chama de digna e não tem nada a ver com os desmandos anteriores ao seu governo.
A Dilma não pode mas ser candidata, agora a vítima vai ser o Lula que aventou a possibilidade de concorrer de novo. Goebels não foi só o idealizador das práticas nazistas na Alemanha, mas fez escola no Brasil.
Quando se pensava que seria água na fervura, piorou. Novas discussões.
- Ih, o Fernando Henrique elogiou a Dilma! Rapaz... Agora eu voto no meu PT.
-  Eu estava em dúvida, mas agora eu acho que ela é muito ruim. O FHC é como o Rei Merdas, primo distante do Deus Midas. O que cai em suas mãos, vira uma desgraça.
- Ele é do Ri.
- Mas só serve à São Paulo.
A discussão vai longe. E esse pessoal a quem Bertolt Brecht chamava de “analfabeto político”, uma hora é contra, em seguida é a favor, não define bem o que quer, o que pensa, nada, joga para a plateia.
Em uma área reservada, as viúvas dos Generais da Ditadura, conversavam.
- Estamos em crise. Menina, você viu o quanto de inflação?
- Nunca vi isto em toda minha vida!
- E a corrupção?
- Ah, esse pessoal muito ligado à pobreza, só podia dar nisso. No nosso tempo, o Governo era classe média alta. Ninguém dava trela pra miserável.
- Pobre só sabe fazer filho!
- Que desgraça, não é mesmo? Que país consegue ser Primeiro Mundo, com tanto pobre nascendo.
A neta de uma delas, considerada a ovelha-negra da família, como na música dos Mutantes, com a Rita Lee no bocal, largou a bituca por um instante, soltou a fumaça que estava presa na garganta por um bom tempo, já estava ficando cianótica e a avó achando que tinha sangue-azul, interveio.
- Fofó, eu já lhe disse. Seu discurso é atrasado. Segundo dados estatísticos, a taxa de natalidade no Brasil, é decrescente, principalmente nas classe C e D. Segundo estimativas, o mundo vai chegar a 9 bilhões e como praxe, o Brasil vai caminhar em sentido contrário. Vai haver uma redução de crianças e jovens, entre nós.
- Tudo bem sabe tudo, me diz, por quê?
- Sei lá fofo. Pelo que eu sinto, o pessoal hoje, só quer fazer anal, até com mulher o pessoal só quer pegar por trás. Deve ser isso. Por trás, pode até dar merda, mas filho, nem a pau Dorival.
- Olha Maria Eduarda Picanço Silvestre, vá dar o cú, não atrapalhe nossa conversa!
- O meu neto Rodriguinho de Almeida Johnes Mena Barreto, ainda é virgem, um bom partido. Vá lá e faça-o mostrar o quanto é macho.
- O Rodriguinho? Aquele ali, com piecing no umbigo, lendo a Revista Gloss e de mãos dadas com aquele bofe pecaminoso? É biba!
- Que nada menina, é só uma fase, falta uma mulher para demovê-lo dessa moda de querer usar calcinha. Ele já foi Emo e olha agora, só usa delineador de olho, para fazer raiva ao Coronel, o pai dele. Ele vivia chupando o dedo e deixou, agora só chupa o pau dos coleguinhas, mas isso também passa. Deus me ouça!
- É passa, e ele deve usar gel-lubrificante, Dona Xermenides, ele é gay, é uma característica genética, determinada ainda na gestação, como a cor dos olhos, dos cabelos, não é coisa que ele queira escolher, ainda não tem tintura para mudar a sexualidade de cada um. Respeite!
- Respeite é a puta que pariu! Meus filhos, todos, machos pacaralho, vem esse garoto cagar o nome da família? Ou ele muda, ou ainda acabo matando esse viado de porrada. Ainda bem que o General não viu ele crescer. Era Pqd e do S2, imagina o trauma!
Rio de Janeiro, uma cidade que se pensa cosmopolita, com um povo tão atávico que só sabe imitar o que vê na terra dos outros.
As discussões, na base do achismo e ponto. Pronto!
Em outra roda, na área reservada para as viúvas, outro clima.
- Passei para a universidade.
- Legal!
- Parabéns! UERJ, UFF, UFRRJ ou UFRJ?
- Eu hein! Universidade pública é pra pobre!
- Mudou é? Deve ser por causa do ENEM. É nem o nono ano. Mudam os nomes, mas continua a mesma merda. Até há pouco, as instituições superiores públicas e gratuitas, eram lotadas de egressos dos melhores colégios do país, ou seja, alunos das melhores escolas particulares. Pobre é tu. De conhecimentos, de cultura e de saber. Até pior, deturpa a realidade, por incapacidade própria. Pobre de espírito!
De repente o zaralho em Copacabana. Helicópteros, lanchas e motoaquáticas de resgate, ambulâncias do SAMUl, os Capacetes Azuis da ONU, o Prefeito Eduardo Paes que deve ser parente da Juliana Paes, pois todos dois são bundôes. Ela, um bundão bonito, ele, um bundão covarde.
Isolaram a praia.
Vai lá Noca Peltierre, verifique o que acontece.
- Galvão, o som está ligado, vou colocar o microfone para ouvir.
FZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!
Todo ignorante com um microfone na mão, ou uma guitarra, ou um baixo, ou um violão elétrico, junto de uma caixa de som, tem de fazer isso.
- Microfonia estúpido.
Os campos elétricos e magnetizados se atraem e pode até danificar a aparelhagem.
- Ouça!
- Evacuem a praia! Imediatamente, por favor!
- Deixa eu pesquisar aqui no Yahoo! A Organização Mundial de Saúde, isolou os competidores, para estudos detalhados.  Vai daí Noca!
- Desculpe, mas o que houve?
- Doutor, o que houve? Que farda é essa?
- Médicos Sem Fronteiras – MSF. Mas respondendo, a Baía de Guanabara é um grande laboratório a céu aberto. Por enquanto, detectamos nos primeiros competidores, só, hepatite, sífilis, raiva, miséria extrema, desinformação sistemática, ebola, rubéola, tifo, chicungunha, poluição indiscriminada, descompromisso e coliformes fecais. Em cada 100 gramas de bosta, um mililitro de água. As pessoas estão surfando em fezes, pensando estar no Paraíso. São tantos males que a Johnson está pesquisando como armazenar tanto vírus, para pesquisas futuras.
- Alguma vítima fatal, doutor?
- Inda não, mas os casos mais preocupantes, são os de pira imunodepressiada, curuba de vértices eternos, pereba da imunodeficiência adquirida que já levaram, pelo menos, 10 competidores à loucura e dois, em estado mórbido, quase a óbito, de tanto se coçarem e de tanto que criaram sapinho em todo o corpo e nem leite de pica pasteurizado, dá conta de tanta coceira. Eu pergunto!
- Sim, qual sua pergunta doutor?
- Quem é o filho da puta que ainda associa a imagem do Brasil, à do Rio? É como se um colégio religioso de leis muito severas, realizasse um filme para uma propaganda institucional no prostíbulo mais conhecido do lugar.
Eu estou dizendo, na Baía de Guanabara não vai se realizar nenhuma prova. A OMS está estudando em transferir todas as provas aquáticas para piscina de clube de swing, ou até banheira de motel, muito mais higiênicas.
Apesar da evacuação forçada, a área reservada às viúvas, continua intocável, como se não fossem deste mundo.  E as viúvas de Copacabana continuam aborrecidíssimas com a impertinência da netinha, apesar de que os fatos que a cercavam, serem sempre, muito piores.
Sabe como essa gente de uma elite que se faz sem muito esforço, sem galgar patamares, por mérito próprio. Ao invés de dizer na cara, fica todo mundo sussurrando no pé do ouvido, sem dar chance à devida defesa de quem é injuriado.
- Coisinha mais sem classe!
- Daqui há pouco, vai querer que o estado suba o morro e divida os deveres com esse povinho!
- Sabe o que é isso, queridinha. Como dizia o Brigadeiro Serra Pinto da Costa. É droga! A causa de toda violência são as drogas.
- Concordo Mariquinha, esse pessoal do morro vende droga, a culpa é toda deles.
- Mas cadê o povo que estava aqui?
- Povo? Tinha povo aqui? Eu estive exposta ao povo? Onde estamos?
E Maria Eduarda Picanço Silveira arguiu de novo.
- Fofó, a praia foi evacuada!
- Viu? Foi só deixarem os pobres terem acesso à Copacabana, às praias da Zona Sul e da Zona Oeste, eu já estava sentindo que a coisa estava fedendo, só podia dar merda!
- Fofó, parece que o Apartheid que acabou na África do Sul, está muito vivo no Brasil. Só quero deixar claro que maconha não é droga.
- Nós sabemos minha netinha, a CIA e a FDA, sob a coordenação da Madonna e do Príncipe Charles que até hoje, não conseguiu chegar a Ray Charlie, determinaram que a maconha é remédio. Mas só a marijuana norte-americana, as outras, todas, são drogas.
- É, se a maconha é remédio, o Ri é a maior clínica de tratamento para epilético, neurastênico e alienado, que fazem uso do canabidiol, agora, não só no Carnaval, mas também na Sexta-Feira da Paixão. Queimam a Amazônia e o fumacê acaba no Rio!
- Queridinha, fica tranquila que o Jabor já escreveu um artigo na internet dando o seu aval.
- Ele é cientista?
- Não, é charlatão! Quase tanto, qualquer curandeiro.
- Só faltam liberar o pó.
- Calma, já está em estudo. Desentupidor de nariz e os vasos obstruídos com gordura, colesterol ruim.
- Oba. Isto aqui é um pouquinho do Brasil. Veio dos EUA, de repente todo muda de opinião e defende até o que antes era coisa de maluco.
- Ah, tantos estudos para transformar em remédio,a drogas. O lança-perfume, quando os EUA detiveram a maior produção do mercado, vai ser máscara de oxigênio. Isto sim, é democracia. E a Miriam Leitão que desde que “caiu”, quando era do PCdoB e mudou de lado, vai fazer um programa inteiro, sobre empreendedorismo de abrir uma boca de fumo, mascarada de farmácia, na nova linha de franchising dos novos relaxantes musculares e calmantes anti-stress do mercado.     
E como o evento teste nem se realizou, o som tocava a plenos decibéis, uma música que descrevia bem o Rio de Janeiro à janeiro.
- O Rio de Janeiro continua o mesmo!
De certa maneira, o Brasil, pelo menos a sua elite de sempre, continua como o Rio.
Difícil é haver mudança, ou desenvolvimento, com uma elite que discute o que não sabe, e se arvora a dar opinião sobre o que não tem base, ainda hoje, na base do tititi.
Lá no Calçadão, o Aécio, um rato de praia que vive de fazer pose e de e valer do nome do avô, já tinha em mãos, o “brilho” medicinal, made in States.
- E aê Aécio, gripado?
- Muito! Mas com este pó, não entope o nariz, nem por decreto. Posso não passar no teste do bafômetro, mas no “cheirômetro”, não me pegam nunca.
E lá na comunidade que já foi conhecida como morro, favela, o Outro Rio, o som tocava tão alto que dava para escutar até na Armação de Búzios e no Arpoador, era funk nas veias. E traduzia bem este momento.
“Rio 40°...”
Tudo depende do referencial que se toma. O IBOPE sabe disso, desde quando quis levar no bico, a Eleição de Brizola. Mas o Rio está mudando. Mudando muito.
O esgoto a céu aberto que só era visto na periferia e acabava em piscinão, que era escondido da foto oficial de cartão postal, agora também desemboca na Baía de Guanabara, da Marina da Glória, até a Barra da Tijuca. O Rio se tornou inclusivo, nivelou todo mundo por baixo. Por baixo dos sumidouros de esgotos que são jogados debaixo do tapete das praias. É fácil sentir. Pelo cheiro se nota que o Rio mudou. É uma questão de pele.Micose, lepra e aquele cheiro que parece merda, mas é a nova brisa que vem do mar. Nem com a Eduardo, a Paes, imagina com o Pezão na jaca.
É uma questão de atitude. Ou se leva qualidade de vida a todos, ou a merda espalha no ventilador.
O Eixo Rio – São Paulo, ainda comandam o Brasil.
São Paulo representa os costumes burgueses subdesenvolvidos, inclusive na questão intelectual, já o Rio é pequeno-burguês, que ao tentar se equiparar à burguesia, só sabe repetir o que vê os outros fazendo e acha que quando o faz, é original e não deixa que se discuta mais aprofundadamente, essa prática de repetida imitação, como se tivesse descoberto a pólvora.



PAI GORÓ RESPONDE SOBRE O AMOR!
CADERNO 3
Agora, com vocês, para responder sobre questões relacionadas ao amor, a Mãe Dinahdegas de calças, o Houdini nacionalizado, o Rasputin imberbe. Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai Goró! Façam perguntas.
- Pai Goró, meu nome é Sandy Almerón, sou casada há dois anos, tenho 25 anos, pernas grossas, bem delineadas, cintura fina, bem torneada, seios fartos, ancas voluptuosas, lábios carnudos, rosto bonito, sou o tipo que peão de obra chama de “boazuda”. Sou carinhosa, paciente, apaixonada, mas meu marido não larga mais as redes sociais, e eu não sei mais o que fazer, para ele ter interesse em mim. O que falta?
- Senhora Almérón, eu sei o que falta aqui. Chamem o pessoal de limpeza que está tudo melado. Que descrição. Eu não pude segurar. Mas para esses homens que descuidam de suas parceiras reais, por causa do mundo virtual, o que falta de verdade, é chifre. Se a descrição bater como bati aqui, me liga ( 92) 3236 4079. Pode ser até a cobrar que realmente me interessou.
Mas mizifia, hoje  macho para se adequar às regras sociais que não estão mais em suas mãos, agora é repartida com a parceira e, principalmente com a publicidade que vende a Lima, como tesão e sonho de consumo.
Com o tal “politicamente correto” e com as regras neoliberais para o comportamento, emascularam o macho contemporâneo e ele se compota como cordeiro, para não se ver alijado do grupo onde se pôs. Para ser visto como homem, antigamente, tinha-se de tomar decisões, hoje é completamente indefeso frente os rumos que tem de seguir.
Ser homem, hoje, é muito difícil, por isso que muitos estão tomando no ânus que mais fácil, tendo alguém empurrando por trás e sussurrando no cangote.
O homem antigo era reservado em seus sentimentos e até em suas ações. Hoje, o homem tem de tirar selfie, até na cama, dar gritinhos estridentes na alegria e na tristeza e verter um rio de lágrimas, até na torcida do Flamengo.
Antes, só o contato físico, já fazia o homem ter ereção, hoje é preciso comprar em farmácia e esperar algumas horas, pois não basta o roçar, é preciso ajuda exógena para tudo funcionar.
Só resta tentar um último recurso, partir para a ignorância. Quando o macho da casa estiver nas nuvens, no sentido virtual, busque o rolo de massa de bolo e azeite à vontade e enfie até a goela. Se requebrar na sua mão, não é bem o homem que a senhora deseja. Se nem gemer, está morto para o mundo. Dê entrada na papelada da viuvez e procure um homem que goste de mulher presente, mulher sem photoshop, com celulite, mas que seja alguém que reparta momentos reais e viscerais, com alguém que só é bom, atrás do teclado, com recursos que mais parecem bolsa de maquiadora, não mostram o rosto, sem maquiagem para mascarar as imperfeições.
- Pai Goró, minha relação com a minha sogra sempre foi maravilhosa. Ela sempre decidiu tudo. A decoração da nossa casa, o colégio das crianças, o carro da família, mas por alguma coisa que não sei, degringolou de vez. Acho que porque fui às compras, escolher soutiens novos que estava precisando e não a avisei. Na minha família, tradicional em costumes, o casamento é eterno, a instituição mais sagrada possível. Excetuando mamãe que está no quarto casamento de papel passado, sem contar as relações de juntarem tudo, sem papel algum, que foram em torno do triplo. Ela jura que sempre tenta ser feliz no amor, mas a culpa é dos maridos. Não tenho a menor dúvida. Mamãe leva muito a sério essa questão de escolher um parceiro. Infelizmente eles é que não sabem o que querem.
Meu irmão que é solteiro, mas viveu amasiado com mais de 10 namoradas, que ele troca por estação, diz que só casa quando encontrar a mulher certa, que possa usar um vestido de noiva, junto à ele. Em respeito às leis divinas.
O que eu devo fazer para manter meu casamento?
Bev Kozinsk
- Senhora Kozinsk, muitas vezes a felicidade é uma questão de escolha. O desdentado que mora num barraco de papelão e teto feito de sacos de lixo, gari de profissão, em frente às câmeras se diz a pessoa mais feliz do mundo. Enquanto o Boris Kasoy, com um salário vultoso em relação à média nacional, atrás da bancada do telejornal, é completamente carrancudo, como se tivesse prisão de ventre a vida inteira e a merda estocada no intestino o fizesse com um mau humor crônico.
Se para a senhora, o casamento é mais importante do que sua sanidade mental, sua dignidade, sua capacidade de decisão própria, continue a pensar a família, como algo imaculado, finja que a história familiar é um conto de fadas, e até para fazer xixi, peça permissão aos outros. Neste caso, é que quanto mais se baixa para os outros, o fundilho fica exposto e quem domina, mesmo empurrando de jeito, acha que sempre é pouco, sempre quer mais.
Se a senhora não tiver essa capacidade servil, de ser capacho, faça com a sua mãe. Ela acredita no casamento, apenas não suporta ficar o mesmo homem sempre. Ela muda, mas o casamento é sagrado para ela. E dependendo da situação de quantos casamentos a senhora apostou, seu corpo não será segredo para mais ninguém. Pelo menos na sua cidade.
- Pai Goró, já estou na meia-idade, isto é, se a vida for até os 110 anos e até agora não tive a menor vontade de casar, de ter filhos, de entrar para a Maçonaria, de frequentar o Rotary Club, nem frequentar reunião onde se discuta como dar golpe na democracia.
Dizem que nesta fase, acontece a crise da meia-idade do sujeito querer “comer” todas as mulheres, até as com menopausa e se der chance, com maiopausa também. Mas Pai, se vontade de “comer” as outras é sinal de crise, então eu vivo em crise. Da juventude, da adolescência e até da infância. Aos 40, 30, 20, até depois dos 12 anos e se Deus for Pai, crise aos 60, 80, 90, 100, até expirar o prazo de validade deste corpo, sem precisar de remédio de tesão, nem de terra trifásico, do jeito tradicional, da mão na coisa, coisa na boca, coisa nos lábios e por fim, na boquinha. Terei algum problema?
Assina: Thevão
- Meu caro Thevão, acontece algo estranho com vossa pessoa. Na sociedade pós-moderna, masculinidade é tido como vergonhoso. O Homem que falam tanto, é Jesus. Barbado, cheio de pelos sem higiene e que ama o todo mundo, mas não pega ninguém especificamente.
A mulher, na tentativa de ser tão capaz quanto o homem, foi para o mercado, mas impôs tanta regra, até brochantes. Os homossexuais exigiram respeito, o que é justo, mas impondo que os heterossexuais se comportassem como eles achavam que deveria ser o homem de verdade, Muitos homens não querendo ser vistos como brucutus, decidiram ceder tanto que só falta um pequeno sopro, para assumirem a viadagem. Depois, do simples Gay e Lésbica e Simpatizantes, apareceram tanta sexualidades e todas exigindo que o outro mudasse, ao invés de primeiro se posicionar como uma identidade própria. O único que não exigiu nada, nessa luta por espaço, foi o homem, homem. Até o cuzinho que ele achava que era seu por direito, hoje tem de pedir com carinho, gastar alguma saliva, ou comprar gel lubrificante e saber interagir com a pessoa à sua frente. E essa passividade em não demandar, mas aceitar o que todo mundo pede, o fez perdido num mundo que antes, fora seu apenas.
Homem hoje se depila, tira a sobrancelha, toca piano, cozinha pratos sofisticados, mesmo não sendo empregado de bar, nem de restaurante, muito menos de vinícola, tem de saber harmonizar vinho, cerveja, até refrigerante, suco e água, para não ficar atrás, na onda da ostentação. Troca a fralda do bebê, compreende que a esposa tenha um tempo só para si, que na verdade, ela nunca está só, sempre muito bem acompanhada, pinta as unhas, inclusive dos pés e espalha boatos no saco de beleza virtual, ou na política diária. Ou seja, a mulher os transexuais, os gays, as lésbicas, os travestis, os cross-dresser etc., é que lutaram por aparecer, mas fizeram desaparecer os modos másculos. Homem tem de ser afeminado, para chamar a atenção, senão nem tia, nem tio, nem ti.
Mas fica tranquilo que contigo, não tem problema. Tem com quem acreditou mesmo nas demandas dos últimos dias. A mulher mudou, mudou, mas continua a mesma, tal e qual a elite nacional que mudou, mudou, mas continua do mesmo jeito da Escravidão. Bem, pesquisa de revista feminina não serve para formar ideia de como é a mulher atual. Eu digo que continua parecida com a mulher de antigamente. Tem peitos, tem xana e tem furico, mesmo que a concorrência queira imitar.
Diz que adora homem como o arquiteto, o fashionist, o bailarino, o evangélico que deu o testemunho e ninguém acredita na conversão de verdade, mas na hora de satisfazer seu desejo, ela ainda gosta de um homem com pegada, que goste de mulher que só de olhar já se excite, um homem novo realmente, nem brucutu, muito menos Gugu, meio termo que não precise fazer inseminação artificial, mas que saiba dialogar com os sentimentos,principalmente os dela.
Se até hoje, suas decisões o satisfizeram, não atrapalham o convívio com os outros e principalmente com as outras, e não firam as leis e os códigos sociais, não tem nada o que mudar. De repente casa, jura mundos e fundos e no dia seguinte está traindo a esposa, não respeita os sentimentos alheios, aí sim, é mostrar nitidamente que não era bem aquilo que queria, casou só para dar satisfação aos modismos ainda vigentes.
Melhor um homem de decisão do que um paspalhão que tudo o que faz, é só para agradar a opinião pública. E acaba sem saber quem é realmente.
Bem, Pai Goró por ora vai descansar, até um próximo momento!


   
MANCHETES
CADERNO 3
Cavalo Marinho dá coice em surfista filho de uma égua na Barra da Tijuca!
Fabiana Murer perde o ouro, para a taxa selic dirigida por Levy.
√ Brasileiros em viagens internacionais acham que a alta do dólar é atentado terrorista do Estado Islâmico que deveria ser um estado-mínimo, para derrubá-los.
√ Emigração africana faz com que governos do continente, subsaarianos, criem campanhas, chamando forasteiros, pois temem que a África se transforme em um grande deserto.
√ Elite paulista utiliza helicópteros para ter lições de como sobreviver na estiagem prolongada, com nordestinos e para se congraçarem, foi oferecido um banquete, onde a iguaria principal era buchada de bode.
√ João Dória Junior acusa Dilma e diz que o pessoal da CBF é tudo santo, assim como da FIFA é Deus. Declara-se contra a corrupção atual, mas se recusa a falar sobre a EMBRATUR.

√ José Serra declara que o que acontece hoje, é roubo, em tempos remotos, era só privataria.

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OBSERVADORES DE PLANTÃO