domingo, 20 de setembro de 2015

O PÃO DO QUARTEL
CADERNO 4  10 de agosto de 2015
Dona Therezinha comprou pães dormidos, para fazer vatapá no domingo. Hoje minha tia pegou um que já estava em coma e fez uma observação lacônica. Foi o suficiente para me remeter ao pão que nos serviam no quartel.
Logo que entramos, ficamos direto no quartel, durante 40 dias, só podendo ir em casa, no fim de semana. Durante essa quarentena que para mim foi maior, pois desde aí já ficava detido nos fins de semana, foi do que me alimentei.
Visto que fui segregado, logo que fui do NPOR para a CCS, por ter respondido que não tinha religião alguma, coisa que hoje é inconstitucional uma pergunta dessas. Ainda mais que agora, estamos indo de vento em popa, construir uma sociedade fundamentalista cristã, onde até criança vestida com os paramentos das religiões de matriz africana, são vítimas de violência e apedrejamento, como nos primórdios do Código de Hamurabis que foi seguido pelo Judaísmo e pelo Islamismo.
Muitos colegas, talvez nem ligassem para o fato, mas havia uma incitação, dos superiores, onde até fui apelidado por um Subtenente, de Filho do Cão. E o filho dele que nunca serviu, é que era problemático, ia no quartel, sempre por mais dinheiro. Como são as coisas. Filho de quem?
Então, como todo dia era obrigatório entrar em forma para o Bandejão, e lá chegando, obrigatório colocar comida na bandeja, fazia todo o protocolo e depois, pedia ao superior do dia, para sair de forma. Jogava muito do que tinha pegado no lixo. Logo atrás do local das refeições, os tanques onde se lavavam os talheres e a bandeja que em pouco tempo, ficavam oleadas, com uma grossa crosta de ranço.
Até tentei almoçar, algumas vezes, mas havia uma pressão enorme e como não sabia que iríamos, principalmente eu, ficar sem contato com o mundo externo, o único jeito de me alimentar, era guardando no bolso, o pão.
Num dos dias em que me deslocava sozinho ao alojamento, o Sargenteante Lima se colocou no meu caminho e me perguntou o que estava acontecendo.
- Nada senhor!
- Eu acredito que essa ira em relação a ti, vai além do fato de não acreditares em Deus. Tu, menino novo, já estás na faculdade e muitos aqui, mais velhos, tentam o vestibular e não conseguem passar.
-...-
Depois, na universidade, chamei para integrar o Centro Acadêmico de Física, um Tenente e quando aluno de Economia, fui colega do Sargento Cesar que estudava Administração. E também o Major Batalha.
Mas eu acredito sim que pelo menos um dos motivos fosse religioso, pois havia muito evangélico na tropa, já naquele tempo de 1979. Muitos, fundamentalistas e irascíveis, entre os sargentos, em sua maioria, maranhenses.
E desde aquele tempo, esse grupo reduzido, consegue envolver em suas ideias, outros que nem comungam do mesmo ideal.
O mais ativo entre os sargentos protestantes, chamava-se Nicácio.
Maranhense, metido a carioca, gordo, barrigudo, sempre com a barba por fazer, da minha altura, e, principalmente, psicopata.
Da Arma da Saúde, ou seja, Sargento Enfermeiro, mas sempre querendo ver a dor no rosto dos outros.
Um colega foi sarjar um tumor que estava bastante evoluído e voltou indignado, apavorado, ou estupefato, ou tudo junto. Segundo ele, nem ao menos uma anestesia, nada. Quanto mais causava dor, parecia que o Sargento se regozijava. Apertava o tumor de uma maneira a causar ainda mais dor. Não havia compaixão no rosto, quando estava fazendo maldades, ou quando via a dor alheia.
Adotamos um filhote de cachorro e demos o nome de Rabo Fino. Cresceu um pouco, até que, quando fomos tomar vacinas para entrar na selva, o Nicácio, no meio de soldados de todo o Batalhão, teve a brilhante ideia de fazer a cabeça do animal, de alvo. Juntaram-se a ele, inclusive o Médico, um R2 que hoje, é Pediatra. Gastaram os pentes das pistolas de cada um, no crânio do Rabo Fino. Como não morria, o Nicácio resolveu, ele mesmo, pegar a faca de selva e sair abrindo o crânio, até o pescoço.
Uma garota que era da Vila Militar, todo dia passava de barriga de fora, com uma calça de moletom, olho azuis, branca, loura, rosto e corpo lindos, que diziam, faixa-preta de alguma arte marcial, passava do lado de fora do muro que é baixo, abaixo da cintura dela, parou para observar, atônita aquela cena contra um cachorrinho que não fez mal algum. Na hora da faca, ficou tão indignada que gritou “Assassinos” e até aquele momento, ainda não havia sido notada. Quando os sargentos pediram que ela esperasse, não sei o que iriam fazer, prendê-la talvez, ela saiu correndo, atravessou a rua, em choque, sem olhar para os lados e desapareceu. Desapareceu por dias daquele percurso que sempre fazia de manhã, à tarde e à noite indo parar na Pracinha.
Não satisfeito, à noite, na floresta interna do quartel, enquanto realizávamos uma marcha noturna, de repente luz, buzina, pedindo passagem, o que não era normal. O Nicácio na moto, com o Rabo Fino com uma corda no pescoço, sendo puxado, entre todos que estavam se deslocando.
Foram muitas e muitas psicopatias. Uma em que quase furou o olho do Brito, quando instruía como apresentar armas e do nada, deu um soco no fuzil. Ele pedia para o Brito o bater, nós dizíamos que se o Brito o fizesse, nós iríamos bater nele. No Regimento Interno, diz que quem é agredido e der parte, o outro será punido, mas se reagir, acaba o assunto ali mesmo. Nunca mais ele ao menos olhou para o Brito. Outra vez, estávamos suados, em uma instrução e ele mandou pegarem dois baldes, com gelo e água. O Monte pediu um gole d’ água, ele o mandou abrir a gandola, joelhar a seus pés e jogou um dos baldes, nas costas suadas do Monte, inclusive com todo o gelo. Outra vez, o Comandante, Coronel Pires, de quem eu era ordenança mandou que eu pegasse a pistola para ele. Quando eu estava esperando, de repente, uma pistola na minha nuca. Era o Nicácio. Municiou e qualquer toque, dispararia, falei com ele.
- O senhor me mata, mas leve a pistola do Comandante que ele me mandou pegar e diga que eu não pude voltar, porque o senhor me acertou.
O rosto do Cabo Armeiro estava mais pálido do que o meu. Não sabia o que fazer, só nós três na sala de armas.  
Mas antes da minha baixa, moradores do São Jorge, da Rua dos Barés, Cabana dos Barés, ou coisa parecida foram ao quartel, fazer queixa do Sargento Nicácio ao Comando, que segundo eles, chegava no apartamento, colocava uma cadeira na varanda e ficava atirando nos cachorros que passavam na rua. Crianças brincando, pessoas passando, ele não se importava. Ainda não houvera uma tragédia, por pura sorte. Nunca sabiam quando de repente o Sargento iria começar a atirar para baixo, o meio da rua.
Desde então, perdeu as insígnias, perdeu o porte de arma, inclusive no quartel, perdeu o direito de se deslocar dentro do quartel, só podia entrar e ir direto à Enfermaria, inclusive o plantão, como Sargento do Dia. Era quase uma farda sem diferença alguma com a de recruta.
A última vez que o vi, era a primeira votação para Governadores, depois da volta dos exilados e eu estava fazendo boca de urna, exatamente na jurisdição da Vila Militar. Ele entrou, deu uma fuzilada com os olhos, mas deve ter saído por outra porta.
Algo sempre me disse que deve ter pensando que fui eu que armei aquele povo contra ele. Nem sabia onde morava. Se ainda portasse arma, muito provavelmente não estaria contando esta história.
Hão de me dizer que atirar em um cachorro, é apenas uma brincadeira no fulgor das emoções. Diria que expressa muito mais do que descontrole momentâneo de estar no poder e cercado de outros, da mesma extirpe.
Como diz Bertrand Russell, a histeria da massa tanto pode ser construtiva, quanto destrutiva. Mas sempre leva às pessoas a perderem seus limites, acharem que por estarem em maioria, podem tudo, inclusive não respeitar regras básicas.
Os psicólogos dizem que quem maltrata um animal, trás consigo um perfil de ser capaz de fazer o mesmo, ou até mais, com o próximo.
Slavoj diz que quem aceita discutir a tortura, o que não é quesito negociável em tempo algum, quem aventa a questão da tortura, deixa óbvio que em momento oportuno, pode fazer uso da tortura, contra quem quer aniquilar.
Não são brincadeiras momentâneas, são traços de uma personalidade que em algum momento, pode ser nociva. Abusiva.
Não daria uma criança, mesmo que de outrem ao Tenente Médico R2 que hoje é pediatra civil, pois quem faz com um cachorro indefeso, sem oferecer temor algum, o que não pode fazer com uma criança, fechado em seu consultório?
O instinto já foi mostrado, falta o momento oportuno. Como diz um ditado: “A ocasião faz o ladrão!”
-...-
Voltando a questão dos pães, ao analisarmos a fundo, tanto podemos identificar a corrupção, quanto a questão do respeito ao próximo, tão falado nos templos religiosos, mas pouco praticado.
CORRUPÇÃO INVISÍVEL
No quartel eram visíveis práticas corruptas, sem que ninguém se manifestasse. Além das Forças Armadas no Brasil terem um status de extraterrestres, nem se adéquam às normas da iniciativa privada, muito menos do setor público, nem da economia mista, eles fazem as próprias leis, ainda estávamos em plena Ditadura Cívico-Militar. Tanto que um ano, tive de prestar continência ao General João Figueiredo, no último ano de seu mandato, fui panfletar sua passagem e por muito pouco, não nos cruzamos no mesmo sentido.
Tomando só a questão dos pães, nota-se um desrespeito de todos os níveis.
Primeiro, é óbvio que deve ter havido uma licitação para entrega diária de pães frescos, recém cozidos.
O pão parecia cimento. Não é modo de expressão, é como ele era entregue a cada um, no café da manhã, no almoço, no jantar e no lanche noturno.
O que parece óbvio é que eles pagavam por pão fresco e entregavam a sobra de pães que não foram vendidos, por dias. No fim, os responsáveis, tanto da panificadora, quanto do quartel, deviam dividir os lucros da média do que pagavam e pelo que entregavam.
Éramos instruídos a tirar do caminho, as sentinelas, em algumas operações, o que não se pode fazer barulho algum, não se usa arma de fogo, nem se pode deixar que mesmo morrendo, emita algum som. Nesse momento, ou se usa a faca e se silencia a sentinela, com uma meia, não enforcando, mas como objeto contundente. Com um pão desses, seria morte certa. Um pão desses no gogó, no cocuruto, num rim, é morte certa.
Pagava-se um produto, claramente sem qualidade, sem se prestar ao devido serviço contratado.
ME RESPEITE
Também tem a questão do respeito ao próximo, em um país, onde até hoje, a questão de desrespeitar os outros, é uma questão de superioridade.
Por tempos, uma frase foi repetida à exaustão, inclusive por quem, hoje se diz indignado com a corrupção: “Rouba mais faz!” O problema é o que se faz.
A Escravidão que foi a mais longa, a com mais escravos, a mais sórdida, deixou alguns princípios quase que irrevogáveis. O respeito é para grupos específicos.
- Respeite seu guarda!
- Respeite os mais velhos!
- Respeite a autoridade!
O problema é que, quando geramos privilégios, ao invés de se ensinar a respeitar a todos, inclusive a nós, estamos gerando desrespeito ao outro lado.
O velho não respeita nem os tão idosos quanto; o policial que está acima da lei não respeita o cidadão; a autoridade, em qualquer situação, apela logo para o: “Desrespeito à Autoridade”, quando muitas vezes, é a autoridade que desrespeita a autoridade do cidadão. Autoritarismo.
O velhinho, o seu guarda, a autoridade e todos, têm de ser respeitados, assim como respeitar os outros, seja em que situação for.
Infelizmente ainda vemos o outro, como inferior. Somos o Senhor da Casa Grande e os outros que não nos interessam, são da Senzala.
Ficou o conceito de que a segregação é prática usual e disseminada, sem ter como acabar. Até os escravos se discriminavam entre si, como mostra O NASCIMENTO DAS FÁBRICAS. A divisão de trabalho, como as fábricas, nasceu no Brasil Colônia, antes mesmo das revoluções burguesas. Eram os engenhos, onde os escravos eram divididos em ladinos, aqueles com habilidades superiores que trabalhavam na transformação da cana em álcool e/ou cachaça, e os boçais, sem qualificação alguma, rudes, que só serviam para cortar a cana e carregar os fardos pesados.  Discriminavam-se entre si, apesar de todos viverem na Senzala, serem vistos como seres inferiores, sem alma e não terem a menor liberdade ao menos para reclamar do tratamento prestado.
Depois, diz o livro, Portugal decidiu deixar de lado a divisão como se fez depois nas fábricas.
Êh Portugal!
Hoje os “morenos”, “mulatos”, os “pardos”, os “clarinhos” não se veem como pretos, descendentes de negros, agem ao lado dos brancos, discriminando os pretos que sempre são os outros. Falar em cotas raciais a eles é quase uma ofensa.
- Eu vou pagar pruns neguinhos entrarem nos cursos, contra minha raça?
É que por trás de muito pensamento segregacionista, até “superior”, existe muita ingenuidade de não se analisar os fatos, além do que os poderosos pensam. A quem interessa esse racismo velado que ainda faz crer, ao preto que a cor da pele é suja e inferior?
Se pretos, “pardos”, “morenos”, “mulatos” e outras denominações se unissem, seriam maioria. Mas ao se desfigurarem em tantas denominações, não há uma superioridade racial no Brasil.
- Somos miscigenados.
Cuba, Canadá, até a Argentina que pegou centenas de milhares de europeus e “limpou a raça” na Capital, Buenos Aires e expulsou os nativos para o Norte, são, de certa maneira, miscigenados e nem por isso há o predomínio branco, como se quer dizer do Brasil.
Quando se servem pães naquele estado, apenas se reproduz a falta de respeito que é típica entre nós brasileiros, o que de certa forma, atrasa-nos em não nos unirmos como um povo e buscarmos desenvolver conjuntamente, para todos.
Nem vou discutir que pelo Gêneses, negro, eram tanto Caim, quanto todos seus descendentes. Portanto, até o racismo estadunidense, é mais embasado, do que o nosso que o cara é de família preta, mas só por ter saído com uma pele mais clara, já se arvora a querer ser o branco superior.
Mas, como tudo na Bíblia, até isso é ignorante. A humanidade surgiu na África. Negróide. Portanto, todos, de um modo, ou de outro, somos pecadores descendentes de Caim.
-...-
A coluna de ontem, do Veríssimo, falava sobre isso, comparava a execração ao Governo Federal, com o enforcamento de Tiradentes e dizia que o futuro é que mostra, onde estava a justeza.
Quando enforcaram Tiradentes, todas as igrejas de Ouro Preto tocavam os sinos, com o toque de júbilo. Apenas uma, tocou com o som de lamento. Naquele momento, o “bom-senso” estava com quem se regozijava contra os Inconfidentes.
Eu mesmo em um jantar era a única voz a dizer que o Eike era uma fraude, um parlapatão, um fariseu, quando tudo dizia que era o exemplo do brasileiro vencedor.  
Nas recentes eleições passadas, mesmo não precisando declarar votos, mas sendo transparente em saberem meu posicionamento, parecia ser candidato, ou fazer parte do PT. Cheguei à receber ligação, onde se dizia que desta vez o PT se fode. Como se isso me afetasse. Afeta ao Brasil e principalmente às classes menos favorecidas.
Respondi que não acreditava, mas eleição é isso, só quando o último voto é contado, pode-se declarar o vencedor e esperar o prazo legal, para votar de novo em suas propostas que se comportem melhor aos seus anseios.
Hoje, quem toca os sinos de júbilo, é a Organização Globo/Roberto Marinho que como em 1954, 1962, 1963 e 1964, O Globo, seu principal baluarte à época, junto com uma media fascista, desestabilizaram todos os governos, até desembocar na Ditadura que como agradecimento, ganharam a Rede Globo, com a falência da Tupy, da Record, da Gazeta e quem mais pudesse se colocar no caminho de uma empresa quase que hegemônica em um país continental.
Eu tenho visto que a cada previsão furada, como no sábado anterior à votação de Segundo Turno, em que fui convidado a dividir os custos de uma tartarugada e parecia que tinha entrado numa convenção do PSDB, ou mesmo, da KKK, ou dos Integralistas, sem base em nada que seja da realidade, parece que o ódio do perdedor em me vencer, aumenta.
Eu, calado, ouvi até falarem em torturar os adversários. Sinceramente, nem quando os Comando de Combate aos Comunistas, ou Vanguarda Contra Comunista, junto com a TFP em São Paulo, coagiam os estudantes participantes de Congressos da UNE, nem aí, senti tanto constrangimento.  
Parece que não importa mais a razão, não importa mais analisar com base em algo, agora é uma questão moral, vencer o lado em que eu me postar. Eu virei o alvo, ao invés de se ver o todo.
Em um cenário macro, é como se tem levado as discussões. Não importam as consequências, nem propostas, a Dilma tem de ser derrubada. Não importa se a proposta tem significado, tem-se de derrotar o PT. Não importa a quem favoreça, tem-se de silenciar a Esquerda.
E quando as coisas começam assim, um estado de exceção em pouco tempo se instala e até os que o aguardavam, como o Carlos Lacerda, veem-se jogados no ostracismo, no exílio.  
INGENUIDADE TOTAL
Não se percebe que muitas vezes o interesse de grandes empresas, vai contra os interesses de pessoas comuns.
Nos EUA, a Coca-Cola financiara a campanha eleitoral do Presidente Trumann e como retribuição, Trumann enquanto Presidente tinha de tomar sempre, pelo menos um refrigerante desses. De certa maneira, disseminou a Coca-Cola, como líquido para acompanhar até dor de barriga. Conta-se que em visita aos soldados na frente de guerra, entregaram uma garra de Coca-Cola ao Presidente, mas esqueceram de levar os copos. Então como era quase um contrato de publicidade, o Presidente tomou o líquido direto da garrafa, o que depois se disseminou, como um gesto de imensa masculinidade. Nem sei se o Trumann era tão macho assim, mas são os estereótipos que se disseminam e quem não vai a fundo em nada, pensa que é normal, é assim mesmo, nasceu com o mundo.
Na Guerra do Vietnã, como a maioria era composta de negros e marginais, a maconha era dada aos soldados, como relaxante nos períodos de descanso, e o LSD, para os tornarem super-homens, segundo o que se pregava nos campos de guerra. Hoje, os EUA são os que mais combatem as drogas, como se os países periféricos é que tivessem disseminado as drogas, como o elixir de muita coisa. E os ingênuos acreditam que realmente é interesse de acabar com as drogas.
Como tenho dito, enquanto não detêm a produção em larga escala, acima da produção quase artesanal de outros países, as drogas são um perigo. Detendo os meios, desde a implantação do agronegócio, até o consumo em escala geométrica, tudo vira remédio.
 E tem quem aceite como verdade absoluta. É remédio!
Nada moderno foi exatamente como fizeram com a Coca-Cola e o Jack Daniel’s, na Lei Seca. As bebidas dos italianos e irlandeses, produzidas nos EUA, eram proibidas, eram nocivas à saúde. Guerra sem fim para acabar a produção dos imigrantes. A Coca-Cola e o Jack Daniel’s passaram a ser comercializados nas farmácias. Viraram, como a maconha hoje, remédio. Assim que a produção das bebidas estadunidenses foi superior à produção clandestina dos imigrantes, pronto, a caça às bruxas foi revogada, novamente se podia consumir bebida alcoólica, legalmente. E o Jack Daniel’s, um whisk fuleiro, feito de milho, virou artigo Cult, ou seja, tudo o que é uma bosta, mas se quer vender assim mesmo, é rotulado de Cult, como os filmes do Zé do Caixão.
As panaceias norte-americanas que tem quem acredite que cure de frieira, à curuba. Até filme de Bang-Bang, ou do Vietnã, o combatente se cortou, Jack Daniel’s no corte e um gole para passar a dor. Foi baleado, Jack Daniel’s no furo e goles para se retirar a bala, sem anestesia. E com a maconha, como será? Elixir para combater o stress, pílula contra depressão, chá contra micose e fumaça contra Alzheimer. Não que seja a cura, mas se todos fumarem maconha, todo mundo esquece, então não vai ter diferença entre quem tem Alzheimer de quem é maconheiro. E os EUA mantém a hegemonia de mercado, inclusive das drogas.           
Daqui a pouco, quando produzir mais e plantar mais do que Colômbia, Paraguai, Bolívia e Peru juntos, a cocaína, também vira remédio. Vai curar desde hemorroidas, até depressão. Espera!
O cara completamente apagado, funga uma carreira, vai sair que nem um zumbi, dançando e pulando dias e dias de rave, vai sair dali, ainda pega uma maratona completa, quando acabar o efeito, ele está bodado, torcendo que o Dia do Juízo Final chegue logo, para ele ser chamado ao Paraíso, à Vida Eterna.
-...-
Quando se tem o outro como infalível, como medida absoluta, sem questionamento, logo o outro percebe que pode sugerir, ou interferir nas decisões de seus seguidores., sem questionamento, sem discernimento algum.
Era assim, quando só homens e pertencentes ao seleto grupo de empresários, podiam votar.
Foi assim que Hollywood interferiu nos trajes e até nas armas usadas pela Máfia. Antes, eram delinquentes maltrapilhas, batedores de carteira, quase gangs de bairro. Os filmes retratavam-nos, como elegantes, finos, com carros de luxo e armas de ponta. A Máfia imitou Hollywood e para isso, teve de cometer mais crimes e mais violentos, para trajar a elegância, usar os carros de luxo e ter sempre armas de ponta, da indústria bélica estadunidense.
São muitos os exemplos em que a media manipula a opinião pública a fazer o que bem quer.
AINDA HOJE
Não por menos, a media internacional cada vez mais nas mãos de famílias burguesas e atrasadas, às vezes, sem caráter como Seu Murdoch da History, do NatGeo, da Fox, responsável do escândalo de um jornal centenário da Inglaterra que teve de fechar, por conta das mentiras que vendia e chegava a interferir na vida particular de muitos.
De um lado reduz-se custo, com gente cada vez menos qualificada retransmitindo as notícias, de outro, direciona-se a notícia para influenciar a análise de conjuntura do leitor, do consumidor de notícias. Na Educação se utilizam pessoas que fazem “bico”, sem muita qualificação, ao invés de se formarem pessoas aptas a conjecturarem sobre a realidade, por conta própria, apenas se coloca no mercado, seguidores e defensores de uma única linha de pensamento.
Já se atentou que o Pentágono, quando percebeu que podia interferir na percepção das pessoas, interveio nos videogames de guerra. Formaram pessoas, ideologicamente para o que bem quisessem, quando ainda estavam formando sua personalidade. E ficava e fica, sempre conectado, para ver quem são os melhores, que depois são cooptados, para servirem a eles. Depois dessa constatação de que com uma brincadeira, pode-se formar verdadeiros sectários, grupos terroristas, Israel, Irã, Rússia resolveram também influenciar nesse nicho.
Ou seja, o mundo tem sido manipulado e ainda tem quem acredite em manifestação espontânea.
Nos anos de 1990, grupos bem definidos, tentavam influenciar através das revistas em quadrinhos. Na Itália e no Brasil, anarquistas, nos EUA, espíritas e assim por diante.
-...-
Voltando a falar sobre o quartel, depois que o Soldado Monte, ou apenas, Romualdo Monte questionou por que os colegas se afastavam de mim, até no tapiri da Companhia, havia uma divisão bem definida, pude conviver melhor com a maioria que ao não responder, juntou-se, ou me integrou ao grupo.
Mas, um dos mais exaltados, contrários ao fato de eu não declarar religião, era o Castro que depois, tempos depois, foi expulso e preso, diante de todos, sob a acusação de assassino, ladrão e tantas outras acusações. Usava sempre uma faca para abater seus adversários, ou vítimas. Bem que não comia no Bandejão, mesmo porque, sempre o Castro era o primeiro a se sentar ao lado de onde eu sentava. Quem sabe se já não calculando como usar a faca?
Da minha parte, fui detido até por falsa acusação, de quem havia servido comigo. Cumpri todas as detenções, participei de todas as operações, cumpri todos os serviços, mesmo que alguns colegas de farda achassem que eu deveria pedir ao Comandante, visto ser o ordenança, para me tirar dessas rotinas consideradas chatas.  
Não me caiu a honra, ter feito tudo o que mandaram, inclusive celebrar uma missa inteira, lendo um papel que me foi entregue, em um domingo qualquer. Talvez por isso o Coronel tenha me presenteado com um Honra ao Mérito, mesmo eu não podendo receber,pois o RI, diz que uma detenção, já exclui qualquer militar de receber tal honraria, eu fui detido, quase os 10 meses que passei na CCS.
Não me desonrou, mas serviu para agregar o conhecimento, o arcabouço para analisar melhor os fatos.
Até a consciência tranquila, é uma questão de inteligência. Que se a tenho, reputo em parte à minha avó. Diz o INTELIGÊNCIA MULTIFOCAL que a inteligência vai sendo formada na gestação. Os fatos carregados de muita emoção afetam o feto e os fatos de muita emoção, ajudam depois de formado, em vida. Então, como Dona Dolores e Dona Therezinha estavam em guerra, como fui expulso da casa de Dona Dolores nos colos de Seu Clóvis, nos primeiros dias de vida, talvez tenha consolidado uma consciência mais profunda do que acontece no meu entorno, ao invés de procurar soluções mágicas.
Nunca se sabe o futuro como mostrará a História, ou os fatos passados.
O Castro já deixou de ser marginal?
O Nicácio terá virado pastor, bispo, ou apostolo e renegado toda aquela vida maligna?
E o Subtenente Intendente, terá ficado rico com as falcatruas cometidas?
O jogo só termina quando acaba, parafraseando o Chacrinha.
Como dizia o Veríssimo no texto, muitas vezes os protagonistas não estão presentes, quando vira História, para perceberem as consequências de seus atos.
E em se mantendo gente aparvalhada e alienada, pensando ser poderosa, é que se dá pão vencido há dias, para muitos e se mantém privilégios de poucos, comendo brioches.
Enquanto o desrespeito em ofertar pão vencido, for um jeito de manter a fome, para se sentir por cima, todos só temos a perder. Porque nascemos todos, humanos, seres com potencialidades imensuráveis, depois é que nos dividiram em pobres e ricos, desdentados e abonados, europeus e africanos, religiosos e naturalmente hereges, burgueses e proletários, belicistas e pacifistas, santos ou demônios. Não foi uma divisão natural, muito pelo contrário, só passou a existir, para manter interesses particulares.
Enquanto não se tiver a justeza de que a manipulação em dividir as pessoas só faz bem a uma reduzida elite, vai se defender, justamente quem nos está tirando o direito de existir, de ser humano, de, sobretudo, ser respeitado, como igual a todos, incondicionalmente.
Tem gente comendo o pão que nem o Diabo consegue amassar, achando que tudo é assim mesmo, só pode ter aquela relação de massa, só aquele fermento e se acostuma com aquela bosta, como se outro pão não pudesse existir.
Se ninguém tivesse tentado sair do pão ázimo, tão decantado nos Livros Sagrados, talvez não tivéssemos chegado à tanta diversidade de panificação que se tem visto e surgido mais.
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Minha avó era do século retrasado, interiorana, deslumbrou-se com a ascensão social, mas ainda hoje, pode ser símbolo de uma pequeno-burguesia nacional que dá muito valor ao consumo, à aparência, porta-se com um jeito aristocrático de ser, sem o mesmo denodo na busca de conhecimento, de ser acreditado em suas análises, por ser, antes de tudo, cidadão.
O pão que serviam no quartel era de 1979, mas seu significado de tratar o seu igual a lixo, mesmo que se despendesse farta quantidade monetária para se jogar o produto no lixo, ainda é muito atual, quando as classes sempre privilegiadas, vendo o aumento de pessoas com poder de compra, aumentam os valores de bens e serviços e depois, culpam a política distributiva. Inflacionaram a economia com preços estratosféricos, um apartamento em Manaus, ao preço de um na Vieira Soutto, na Vieira Soutto, com preço de Quinta Avenida, uma casa em Fortaleza, cobrada como castelo em Londres e ninguém assume sua parte que lhe cabe.

Pessoas ainda pensam que mantendo muitos, na base de pão podre, vão garantir o seu lugar no topo da pirâmide social, sem concorrência, ao invés de se qualificarem de verdade, de evoluírem, até como pessoas maduras. Não é se mantendo o nível na lama que vamos conseguir nos equivaler a outros, mas sim, na busca de inteligência, de discernimento que nos faça poder competir de igual, com todos, sem precisar de privilégios.

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