UM SEIO
CADERNO 4 22 de agosto de 2015
Observação: quando sem acesso à computadores, até quis conectar via smartphone do meu sobrinho, mas, nem com
pós-graduação em paciência aplicada, não deu. Meus dedos não cabem nos
teclados, eu tentava digitar uma letra, entrava outra, desisti.
Então eu
escrevia, como já falei,em cadernos e vez por outra, dava para alguém íntimo
analisar. Este artigo, minha Priminhazona achou muito bem escrito, mas não leu
todo. Ficou impressionada de eu ter distendido uma colega, dançando. A Thânia
que é ruim de leitura, apesar de trabalhar na Justiça, também não acabou de
ler, muito menos um artigo da revista Piauí, sobre a eutanásia de uma
pesquisadora que adquiriu Alzheimer. Já Maria Izabel, leu tudo, falei que só
ela e o Noval que foram meus professores, entendiam minha letra, no que uma
turma discordou, diz que é compreensível. Mas a Izabel fazia tanta careta que
eu achei que ela fosse dizer que era uma bosta. Quando professora na Economia,
foi uma das mais difíceis de passar. Tinha mais rigor nas minhas coisas, do que
na dos outros. O que me salvava dos zeros das tarefas para casa que eu só fazia
no corredor e ela não aceitava, eram os debates em sala, o que eu nivelava as
notas. A Margá ficava indignada como eu ainda “dava
dicas pra essa mulher”. Só no fim, quando entregamos a
prova em dupla e ela leu na pagela, o sobrenome da professora, é que caiu a
ficha.
- Valle? O que
esta mulher é pra ti? Tia?
- Calma Margá,
lá fora eu te explico!
É mais ou menos
o que acontece hoje, quando a media
tenta tumultuar mais uma vez o país, para mais um golpe para favorecer a elite
financeira e as dívidas dessas empresas, trilhonárias, junto ao estado, sejam
anistiadas para sempre. Houve concurso para o cargo de professore, a Izabel
ficou em primeiro lugar, o bofe do Professor de Filosofia ficou em terceiro,
mas ele denegria de todo jeito, a imagem da Izabel, jogava a turma contra ela e
o único que não caía no conto de sereia, era eu, porque sabia dos fatos, o que
estava por trás de tanta fúria.
Mas quando ela
acabou de ler, depois de muita careta, muita mumunha, até elogiou, se disse
agraciada com o que eu disse, ela também, uma mulher de meia-idade. Então
vamos.
- Legal, como de
uma simples pergunta, tu fizeste tudo isto!
Depois do
encontro que houve com o pessoal do Colégio, a Thânia que estava dirigindo, deu
carona ao Delmar Junior. Ele abriu a porta de trás, eu falei para ele ir na
frente. Nunca disse à ele, mas sou muito grato, pela amizade de longo tempo.
Quando, com uns nove anos, ainda não sabia dar laço no cadarço do sapato, ele
baixava e o fazia para mim. São poucos amigos que se rebaixam, sem se sentirem
inferiores. Quando no colégio, queriam brigar comigo e eu adotei a postura de
pacifista radical, ele se oferecia para brigar por mime dava muita porrada no
pessoal. É uma amizade que vem desde nossas mães que foram amigas de infância
também.
Estávamos em 4,
colegas tanto do Colégio, quanto do Grupo Escolar Nilo Peçanha que ele estava
emocionado de ter ido ao Centro, fotografar onde estudamos, quando criança. O
único que inda habita Manaus, ali, era eu. Todos os outros, ou melhor, como
dizia Dona Regina, minha segunda professora de piano, a maioria era de mulher,
então eram todas as outras, morando fora.
Conversa vai,
conversa vem, abordamos o fato de uma conhecida em comum, ter extraído um dos
seios. Câncer. E o Delmar se virou para mim e perguntou:
- Thevis, um
seio faz diferença? Não, não é mesmo?
Desde lá, tenho
pensado.
O tempo não é
algo linear. Hoje, em pleno 2015 naves já saíram do sistema solar, mas ainda há
fundamentalismos religiosos de toda ordem; já se estuda a energia escura, a
massa preta que dever ter alguma relação com a expansão do Universo e com a
ligação entre galáxias, para não fugirem tanto, e se perderem, mas ainda se
esgotam os recursos naturais, seguindo-se estereótipos feudais. Ou seja, repito
parte da pergunta:
- Faz diferença?
Disse que não,
no primeiro momento, já pensando que depende para quem.
O homem é um ser
visual. A mulher é sensorial. Então o estímulo sexual masculino, começa no
olhar.
Dizem que amor à
primeira vista não existe, na verdade é desejo sexual, tesão que, satisfeito,
poder acabar quando se esvai a paixão/tesão, ou pode progredir para amor,
companheirismo, compromisso.
Uma mulher
sensual, não vulgar, sabendo atrair a atenção de qualquer homem, leva vantagem.
Mas, e depois? Beleza, forma física, plasticidade, mesmo em se mantendo, acaba
não sendo prioridade, com a rotina, vira costume que quem se lembra como foi
encantadora num primeiro momento.Ajuda, mas precisa de algo mais.
Quanto à questão
visual, já fui atraído por mulheres que só tinham bico, outras, macérrimas,
pernas finas, sem bunda, algumas com cortes no abdômen devido à cesariana que
no frigir dos ovos, pouco importou.
Sempre me lembro
de uma frase do meu primo Benjamin, quando a esposa traída de um ex-cliente da
Bruna Surfistinha, foi largada, linda, mas ele preferiu ficar com a Bunda
Suadinha que para mim, não tem nada de atraente. Mas, muitas mulheres só atraem
realmente, quando se está perto, para conhecê-las, mais profundamente, não são
superficiais, nem no desejo. E ele falou:
- Quem está
fora, não conhece como é a relação a dois.
Exatamente, já
dizia um ditado popular – aliás, todo ditado que eu
conheço, é popular, não existe nenhum ditado privado, nem impopular -: “Beleza não põe a mesa!”
Hoje mesmo, tive
um sonho esquisitíssimo. De repente saía de uma festa e entrava em uma porta,
estava dentro de um hospital. A atendente era uma mulher de pele escura, cor de
jambo, olhos verdes e fez a maior confusão, só porque eu a paquerei.
Superficialmente, era linda, quando se expressou, foi como água na brasa. Toda
a beleza física foi menos importante do que a maneira errada de falar, a falta
de coerência em formular ideias. Um sonho, muito próximo à realidade.
Realmente, desde
o reencontro com as e os colegas, tenho pensado bastante na frase: “Uma mulher é muito mais do que uma bunda, uma buceta e dois
peitos!”Fora a brincadeira, tenho de concordar,
principalmente agora, quando percebi que uma dessas colegas, continua muito
bonita, independe da beleza exterior, o que se extrai, é como se pudesse ver
seu interior, e esse, construísse o seu visual. Eu não sabia o que era tão
bonito nela, além do físico. Personalidade. Pode ter se transformado na
superfície, mas a personalidade parece que tomou mais fôlego.
Eu tenho 55
anos, alguns dos colegas, mais velhos, outros mais novos, mas todos, nesta
faixa etária.
Um colega que
não declinarei nome, porque, segundo a Thânia, ele dizia às mulheres que está
solteiro e segundo Bustela, ele continua “muito bem
casado”, chegou junto à Cynthia e falou:
- Tu eras a
menina mais linda do colégio. No que reiterei.
- Era, é e tem
mais, uma das poucas meninas lindas que não tinham frescura, bem acessíveis.
É outra pessoa
que eu tenho de dizer o que nunca disse. Tenho de me desculpar. Quando éramos
adolescentes, da minha parte, havia um sentimento de raiva e admiração. Uma das
vezes em que foi em casa para conversar com minhas irmãs, eu estava de
bicicleta, quando a vi, pedalei para cima dela, no último momento quando vi que
a iria machucar desviei a bicicleta para cima de um monte de areia de
construção e saía todo sujo. Ela passou e disse algo:
- Eras desse
menino!
Morávamos no
mesmo bairro, uma quadra de distância, na diagonal.
Pena que segundo
a Thânia, há dois dias não acessava o Whats APP do Colégio e quando finalmente
deu sinal de vida, veio me acusando de a ter machucado, lesionado. A Thânia
achava que só hoje havia acordado e postou:
- Me recuperando
da quebradeira do Thevis, com seus requebros. Eu tenho muito o que falar com
ele, pena que ele não acesse.
Ela jura que a
distensão muscular que teve, até para se deslocar, era preciso ser carregada,
foi porque dançamos juntos e para azar dela que não conseguiu me acompanhar,
tirou até os sapatos, é que na vez de dançarmos, o DJ colocou Rockabilly, que é
muito intenso.
Logo no início
da festa, quando nos encontramos, falei de duas coisas que me fazem recordar
dela. Um deles, foi quando o Chiquinho, Professor de Comunicação e Expressão
que era diferente de Português, onde haviam outros professores, colocou uma
foto de uma escadaria enorme na parede que ia quase próximo às nuvens, só a
escadaria, nada mais, e mandou fazer uma redação com um número tal de linhas.
Eu, particularmente, tirei zero. Olhava para a foto, não conseguia pensar em
nada, além dos degraus que não me faziam sentido algum. Talvez por já ser ateu,
naquela época. E ela, uma, dentre tantos colegas judeus que tivemos. Que me
lembre, uns cinco, fixos. Outros tantos árabes e um rodízio de outros tantos
que moravam um tempo em Manaus e estudavam entre nós.
A redação mais
criativa que recebeu nota máxima, não me lembro, mas acredito, 10, foi da
Cynthia, que ela mesma não se recorda.Dizia mais ou menos assim:
“A vida é feita de degraus que se
vai subindo, assim que se aprende coisas novas, que se tem compreensão de
coisas que nos cercam e nos servem. E quem consegue chegar ao último degrau,
encontra Deus!”
- Jura que eu já
era poética naquele tempo?... Quero informar que estou me formando em
Psicologia.
Que ótimo não se
ter aquela inércia de achar que por atingir certa idade, não se precise galgar
novos degraus e para ela, talvez assim, içar mais perto de D’us.
Devo dizer que
quando o Chiquinho apresentou novas fotos, novas formas de estimular a
criatividade – aliás, tenho o livro CRIATIVIDADE, até
hoje – nunca mais deixei de me expressar, de saber o
que dizer.
Eu vi ali - no
reencontro de 40 anos que eu discordo, são 37, só se o referencial foi do tempo
de Ginásio -, mulheres que tiveram filhos, que passaram por momentos de
satisfação, outros momentos de angústia, alegrias e tristezas, com a tintura de
cabelo que não expressam o que eram, como falei à Monica Abrahim, logo na
chegada, depois de perguntar o que foi aquilo, dela não falar comigo, num
shopping da cidade, com a filha, numa das vezes em que veio à Manaus.
- Fala o meu
nome, fala alto.
- Eu falei e tu
te encolheste toda.
Os cabelos
dela,eram negro, quase com a escuridão plena, lindos.
- Não gostei
deste louro!
- Este cara não
entende que mulher com a idade, fica loura.
Mas o que
perderam da beleza juvenil, ganharam em beleza madura. A mulher segura, a
mulher realizadora, a mulher com história, experiência e um charme que eu tenho
me sentido mais atraído, do que pelas meninas novas, bunda, buceta e peitos,
mas ainda não sabem o que fazer com isso.
Como eu digo,
eu, nem ninguém, represento, representa, ou representamos a totalidade dos
homens, porque somos diversos, plurais e a cada momento, nós mesmos mudamos.
Se eu me atraio
por mulheres diversas, e, principalmente maduras para o sexo casual, imagina
quando a relação deixa de ser só momentânea e passa a ser de lealdade. A beleza
que se nota, passa a ser menos exógena e o que importa, cada vez mais, é a beleza
endógena, como a mulher se constrói,não somente o que recebeu de herança
genética que tende a se transformar em vazio.
Portanto, sendo
uma relação de compromisso, um seio, ou dois a menos, é o que menos importa. Os
dois já se conhecem nus, não só no sentido de despidos materialmente, mas
despidos de artifícios, o seio murcho, caído, extirpado, o que seja, o corpo
modificado, faz parte da nossa existência. Só existem 3 maneiras de conviver
com a maturidade. Acostumar, tentar se mutilar para ficar mais próxima à
juventude e todo mundo ver que é coisa de quem é velho imaturo, ou morrer.
-...-
Transcrevo
agora, passagens, excertos do INTELIGÊNCIA MULTIFOCAL:
É possível que haja muita gente vivendo
exteriormente em excelentes condições
sociais, mas vivendo interiormente uma verdadeira miséria emocional. É
possível também que haja pessoas que vivam exteriormente em condições
miseráveis, mas são emocionalmente livres e alegres.
[...]
No universo da emoção, ter não é ser.
[...]
A vida dos adultos e, principalmente das
pessoas idosas, quando é exteriorizada, mal resolvida, sem a experiência da
arte da contemplação do belo, se torna angustiante, tediosa, infeliz, essa
trajetória existencial ocorre frequentemente.
[...]
De um modo geral, quantitativamente, o prazer
vai diminuindo da meninice, à velhice. Por isso, na vida adulta e na velhice, a
redução quantitativa de prazer dever ser compensada pela expansão qualitativa
do prazer, através da interiorização, das amizades profundas, das artes, dos
projetos sociais, dos projetos de vida. Se com o decorrer da idade a quantidade
de prazer não for compensada pela qualidade do prazer, essas fases da vida se
tronam um tédio existencial, um poço de angústia e insatisfação.
[...]
É
possível envelhecer o corpo mas a emoção nunca deveria envelhecer no cerne da
alma.
[...]
A síndrome da exteriorização existencial é
uma doença psicossocial epidêmica nas sociedades modernas. Ela se expressa pela
dificuldade crônica de interiorização,
ou seja, de aprender a se questionar, a se repensar, de assumir as
fragilidades, de trabalhar seus estímulos estressantes e suas reações
emocionais de usar os erros e as frustrações como alicerces para desenvolver a
maturidade da inteligência; de se colocar como aprendiz no processo
existencial; de aprender a se colocar no lugar do outro e a exercer a cidadania
e o humanismo na relações sociais.
Como eu digo,
eu, nem ninguém, pode se colocar, sozinho, como o referencial de gênero, nem a
medida do mundo, a resposta para todos os questionamentos, porque somos muitos
e nós mesmos, muitos em si e cada um, indivíduo.
Assim como eu
tenho visto beleza em mulher madura, outros, inclusive próximos, “não comem essas velhas”, mesmo que
em algumas vezes, sejam mais novas do que eles. E são casado, com mulheres na mesma
faixa etária o que nos faz inferir que não há sexo, há muito tempo.
Antes de nosso
reencontro, uma amigo que no colégio queria sempre sair no braço comigo e na
Economia, fomos muito próximos,ligou-me para reclamar de uma trapalhada que
havia feito no Whats APP e achava que tinha sido eu. Depois de tudo
esclarecido,prometeu me arranjar “umas bucetas” para “comermos”.
Falei para aproveitar que iríamos nos encontrar com nossas colegas e “comer”uma delas.
- ‘Tás louco? Vou “comer” umas mulheres velhas. Tudo já caindo pelos lados...
E ele, era o
mais velho da sala, porque reprovou duas vezes e acabou se integrando à nossa
turma.
Quando chegamos
que viu a Thânia, já estava me chamando de “maninho”.
- Eu vou “comer” a Thânia. ‘Tá
muito gostosa! Amanhã eu vou almoçar na tua casa...
- Pode ir, mas
primeiro passa na casa da Dona... ( a sogra dele que é vizinha, no Condomínio.
Aliás, a “velha” Thânia, parece ter gerado
tesão em muita gente que está se valendo de Viagra, por estes dias.
Há um velho
ditado que diz: “Nunca diga que desta água não beberei!”
Ele mordeu a
língua, em poucos dias, não o relembrei, para não estragar a língua. A Thânia
também faz parte “das velhas do Colégio”. Como disse à
Cassandra que tão bem recrutou o pessoal e organizou a festa, junto com a Jô e
me telefonava, para saber quem havia estudado conosco e para me pedir para não
faltar.
- A Thânia
estudou conosco? Ela não era de outra série? Eram os três?
Na verdade,
sempre, eram as duas e eu. Nunca fomos três no sentido de estarmos sempre do
mesmo lado.
-...-
Eu já havia
queimado a minha língua aos 40 anos, quando fiquei completamente enlevado por
uma mulher da mesma faixa etária, mãe, esposa, sem aquele corpo de exposição em
frigorífico. Desde quando ficamos juntos, ou próximos, dei um tempo nas amigas
mais novas. Apesar dela achar que eu mantinha casos com as outras.
Depois dessa
passagem, talvez até pela idade, tenho me sentido atraído também por “velhas”. Que mesmo sem a aparência
juvenil, podem proporcionar prazeres mais sólidos, proporcionar outro tipo de
relação, inclusive sexual.
E trabalhando
com a Estatística, há estudos que provam que com o passar dos anos, o leque de
possibilidades se fecha para a mulher e se torna vasto ao homem. Hoje, meu
leque de possibilidades, vai de 18 anos, à 65. Mas o mundo evolui e a mulher
madura de hoje, continua com desejo sexual, tem outro charme e inteligência,
atrai mais pela maturidade do que só pelo corpo físico, que algumas até mantêm
em forma.
Minhas colegas
mudaram, mas adquiriram a “gostosura”
da mulher que sabe o que quer e não deseja qualquer porcaria e até se desejar,
sabe quando descartar.
E essas mulheres
maduras, com mais celulites, estira, peitos caídos, abdomens flácidos, o que
quer que seja, trocaram o encanto de bebê, por momentos mais concretos, mais
sólidos, onde o cara pode estar a fim de sexo e ela saber levar à relação, com
outras expectativas e motivações.
Talvez um dia, o
homem que se excita apenas com o visual, dê lugar a um homem que busca uma
mulher plena, depois de satisfeito o tesão, ainda continue proporcionando
momentos prazerosos, pelo conhecimento adquirido com o tempo, de que sexo,
amor, relação vão muito além de orgasmos, somente. É postura, decisão,
conhecimento inclusive de si e como interagir com os outros, o que não vem no
parto, é preciso vivência e maturidade.
Portanto, eu
teria outra resposta ao questionamento do Delmar Junior:
- Um seio faz
diferença?
- Mais do que a
falta de um seio, da aparência exterior, a verdadeira falta, que acomete os
homens, é de evoluir com o tempo, e, principalmente, ainda, ver mulher, como
objeto, como produto de vitrine. Quando adquirem e levam para casa, aquilo que
coisificaram desde um primeiro momento, que ainda tratam como mercadoria,
perdem o tesão, pois a idealização do outro, acaba com a convivência, onde a
realidade acaba de vez, com a imagem que muitas vezes não tem nada a ver com o
que se tirou do mundo real, para se formar no conceitual.
-...-
Quem pensa que
relacionamento se compra em shopping,não
aprende a construir junto, uma relação que precisa sempre de correções, de
reformas. Acaba criando uma tal misoginia que se o cara parar para pensar, ele
vai ver que realmente não gosta de mulher, nem do outro, quem quer que seja,
apenas procura seu alterego pois pensa se o ser perfeito, sem defeito e sem
mudanças estruturais dentro de si, vai morrer do mesmo jeito que nasceu. Burro,
insensível com o meio e ensimesmado. O mundo gira em torno de seu umbigo e isso
o faz ter medo de buscar novos mundos.
-...-
Eu gosto de
mulher. Não que ache que quem goste de outros gêneros, mesmo homoafetivos,
tenha menor valor. Eu gosto de mulher, porque não sinto atração por homem, mas
se sentisse, não teria problema de buscar o que me satisfaz, mesmo que o código
de postura social, ideológico e religiosos, ache que isso é frescura, ou algo
mais. Quando dá aquele estalo por uma mulher em especial, pelo menos comigo, eu
quero que se fodam os defeitos, o que se pode considerar uma imperfeição.
A falta de um
seio pode ser compensada pela inteligência, pela companhia, pela empatia entre
ambas as partes, enquanto de outra feita, com uma “mulher
perfeita”, nem bem se goza e já se está se pensando em
mandar pastar. Era só tesão, nenhum conteúdo, ou algo que fosse mais profundo,
além da fornicação.
Aí, quando é só
tesão, só paixão incontrolável que se traduz por vontade de transar, só tem um
jeito, nem que seja em pensamento, para não ser rude, como um homem do passado,
ultrapassado:
- Minha filha,
obrigado, te veste, pega o vale-transporte e quando der vontade de novo, eu te
ligo. Mas agora, já ficamos bastante tempo juntos. Não tem mais o que fazer.
É por isso que
muita gente diz que sente um vazio, depois do clímax sexual. É o vazio de
priorizar tão somente a plasticidade física, sem procurar a beleza consolidada
no interior da alma de cada um que tende a ser maior, como tempo. Não se
aprende no Google, nem no Yahoo, ou outro apetrecho de busca. Só quem caminhou
na estrada da vida, pode ter adquirido uma identidade que nem o tempo desfaz,
como beleza total.
Rugas, pés de
galinha, menopausas, osteoporoses, o que vier, podem facilmente ser mais
visíveis para quem sabe garimpar, pelo saber adquirido em ser.
A mulher,
principalmente madura, é sim, mais do que apenas um cu, uma xoxota e dois
peitos. Vai além. É útero, coração e cérebro no sentido de poder expor mais do
seu interior, o que contribui inclusive para formar a capa. Uma mulher segura e
se sentindo amada, é sempre viçosa, espalha a beleza de se conhecer, por onde
passa. O contrário, também é verdadeiro. Uma mulher insegura e se sentido mal
amada, pode ser linda como for, mas passa a imagem feia, macambúzia,
desprezada.
A simples beleza
física, é presente genético que se esvai e pouca contribuição se pode ter
sobre. Só a maturidade consolida o que depende de cada um para construir, e
quem soube e sabe se construir, atrai pela essência.
Quem não escuta
essa voz do tempo, vai viver “bancando”
as gatinhas.
“”Bancando”,
não só financeiramente, mas, bancando o leso, que paga para se enganar que é
amado a acaba “bancando” para
que outros usufruam do que lhe está sendo tirado.
O poder de
aprender a amadurecer e de perceber que a vida é mutante, todos os seres vivos
passam por fases, transforma-se e nos transforma na nossa cara.
Querer que as
mulheres aos 50 anos sejam como as garotas de 15, no tempo do Colégio, é sinal
de imaturidade, é de uma pobreza de espírito, sem par.
-...-
Amadurecer é
saber trabalhar com a realidade, acima de tudo. De certa forma, conhecido como
inteligência pessoal e emocional.
Talvez o
INTELIGÊNCIA MULTIFOCAL nos ajude a aclarar mais do que disse.
As sociedades modernas vivem grandes e graves
problemas psicossociais que impedem a formação de pensadores.
[...]
Até a busca da estética do corpo se tornou
uma paranoia coletiva, pois procura-se ansiosamente por ela, mas não se importa
em ser engenheiro de ideias que constrói a sabedoria existencial e a maturidade
da inteligência.
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